“Na realidade
instagramável, enfatizamos o glamour e negamos o sofrimento, ou transformamos o
sofrimento em um espetáculo sem dignidade.”
#resenhanarede
#resenha
#psicologia
#sofrimento
#autoconhecimento
"Quem não
quer sofrer... sofre mais! A ironia do sofrimento" é um livro escrito pelo psicólogo
e escritor brasileiro Mário José Santana Vieira. A obra aborda
a temática psicológica de que a negação ou a tentativa excessiva de evitar o
sofrimento pode, na verdade, aumentar a dor emocional.
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Fabio Shiva é
escritor, músico e produtor cultural. Publicou livros de gêneros diversos:
romance policial, ficção especulativa, contos, crônicas, infantojuvenil e
poesia, além de várias antologias como organizador. Ghost Writer com
seis livros publicados.
Resenha do
livro “O CAVALARIÇO DA PROVIDENCE”, de Georges Simenon
Aqui o comissário
Maigret investiga um assassinato ocorrido no inusitado cenário de um barco
puxado a cavalo. Nunca tinha ouvido falar nessa forma de transporte, que parece
ter sido comum na França há um século atrás, para o transporte de cargas. As
barcaças atravessavam extensos canais atreladas a cavalos, que seguiam por uma
trilha na margem, o chamado “caminho de sirga”. Pois bem, num estábulo próximo
a um desses canais aparece o corpo de Mary Lampson, cujas roupas elegantes
destoam daquele rude cenário. O próprio título do romance nos faz atentar para
o lacônico Jean, o tal cavalariço da Providence, cujo corpo rijo, peludo
e musculoso mais lembra o de um urso. E é assim que temos mais uma bela
demonstração do gênio de Simenon, com suas histórias policiais onde o jogo de
dedução da identidade do assassino torna-se secundário, diante do desvelar de
complexos dramas humanos que persistem na memória do leitor por um longo tempo
após o término da leitura. Viva Maigret! E viva Simenon!
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Fabio Shiva é
escritor, músico e produtor cultural. Publicou livros de gêneros diversos:
romance policial, ficção especulativa, contos, crônicas, infantojuvenil e
poesia, além de várias antologias como organizador. Ghost Writer com
seis livros publicados.
“Cancelamento
não, né, gente? Não deixe ninguém dizer para você o que você pode ou não pode
ler.”
#resenhanarede
#resenha
#neilgaiman
#sandman
#cancelamento
“Em Coisas
Frágeis 2, Neil Gaiman mostra sua versatilidade compondo poemas inspirados em
contos de fada, “A Câmara Secreta”, “Cachinhos”, “Instruções” e “Inventando
Aladim”, e criando narrativas sob a influência dos mais diversos elementos. As
pequenas histórias que integram o conto “As Meninas” tiveram origem nas canções
do álbum Strange Little Girls, de Tori Amos. Em “No Final”, Gaiman imagina como
seria o último livro da Bíblia e acaba criando um Gênesis às avessas; já em “Pó
Amargo”, lendas urbanas e os estudos de Zora Neale Hurston sobre cultura negra
e vodu compõem uma narrativa que tem como cenário a cidade de Nova Orleans. O
conto “Quem Alimenta e Quem Come” nasceu de um pesadelo de Gaiman, enquanto
“Garotos Bonzinhos Merecem Favores” teve como ponto de partida lembranças de
infância do autor.” (Amazon)
Fabio Shiva é
escritor, músico e produtor cultural. Publicou livros de gêneros diversos:
romance policial, ficção especulativa, contos, crônicas, infantojuvenil e
poesia, além de várias antologias como organizador. Ghost Writer com
seis livros publicados.
“Uma obra-prima
da literatura nacional e mundial e, sem a menor dúvida, um dos melhores livros
que li na vida.”
#resenhanarede
#resenha
#literatura
#literaturabrasileira
#joãoubaldoribeiro
“Obra que
confirmou definitivamente o lugar de João Ubaldo Ribeiro entre os maiores
escritores de língua portuguesa, Viva o povo brasileiro foi lançado treze anos
depois de Sargento Getúlio. Consagrado pela crítica e pelos leitores e
considerado um dos mais importantes romances da literatura nacional, o livro se
volta às origens do Recôncavo Baiano para recriar quase quatro séculos da
história do país por meio da saga de múltiplos personagens. Viva o povo
brasileiro se desenvolve em grande parte no século XIX, mas também viaja a 1647
e avança até 1977. Nele, realidade e ficção se misturam para criar um épico
brasileiro com passagens heróicas e cômicas, tendo como pano de fundo momentos
decisivos para a história do país, como a Revolta de Canudos e a Guerra do
Paraguai. Como aponta em seu texto "Brava gente brasileira" o
professor de literatura João Luís C. T. Ceccantini, Viva o povo brasileiro é
uma espécie de ‘epopéia às avessas', em que a história do Brasil ressurge não
sob a perspectiva da ‘História oficial', mas pela ótica de personagens anônimos
do povo brasileiro. Na trama, o escritor segue as trilhas de um romance
popular, sem cair no "popularesco" ou no "populismo". E a
saída que encontra para produzir um texto acessível mas ao mesmo tempo de alto
nível literário é a da paródia e do humor." Traduzido para o alemão,
espanhol, francês e italiano, e vertido para o inglês pelo próprio autor em
dois anos de incomum e árduo trabalho, Viva o povo brasileiro ganhou em 1984 o
prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro, do Governo do Rio de Janeiro.” (Amazon)
Fabio Shiva é
escritor, músico e produtor cultural. Publicou livros de gêneros diversos:
romance policial, ficção especulativa, contos, crônicas, infantojuvenil e
poesia, além de várias antologias como organizador. Ghost Writer com
seis livros publicados.
“Se você gostou
de O Agente Secreto, Ainda Estou Aqui, Marighella e O Que É Isso, Companheiro?,
certamente iria amar um filme feito a partir desse livro sensacional.”
#resenhanarede
#resenha
#lutaarmada
#ditadura
#DilmaRousseff
#TomCardoso
“A partir de
uma rigorosa investigação, Tom Cardoso relata a história do assalto ao cofre da
casa do ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, em 1969. Entre outras
revelações de O cofre do Dr. Rui, o jornalista conta como foi a participação da
jovem militante Dilma Rousseff no roubo realizado pela organização clandestina
Var-Palmares para financiar a luta contra a ditadura militar no Brasil. A
atuação de Dilma foi revelada no depoimento de seu ex-marido, Carlos Araújo,
que pela primeira vez falou sobre o assunto. Ele explica que Dilma não fez
parte da organização do plano, mas foi a responsável pela troca dos quase 2,6
milhões de dólares por moeda brasileira. Com o ritmo ferino de um thriller, Tom
Cardoso reconstitui os detalhes da audaciosa ação que contou com participação
de 11 guerrilheiros. Na tarde de 18 de julho de 1969, eles levaram do casarão
de Adhemar no Rio de Janeiro o cofre com parte da fortuna oculta do político
paulista, inspirador do mote “rouba, mas faz”. O tesouro era guardado pelo tal Dr.
Rui, codinome com que ele se referia à amante. As revelações se sucedem a cada
capítulo e culminam com os desencontros políticos no combate à ditadura militar
e, sobretudo, na peleja pela partilha de milhões de dólares.” (Amazon)
Fabio Shiva é
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“A descoberta
de Kant sobre o tempo e o espaço pode ser considerada uma das mais importantes
da história da humanidade.”
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#resenha
#Kant
#filosofia
#ImmanuelKant
#críticadarazãopura
#Einstein
#Blake
#relatividade
#espaço
#tempo
#espaçotempo
#Deus
#alma
#metafísica
“Crítica da
razão pura, principal obra de Immanuel Kant, divide a história da filosofia em
duas: antes e depois da Crítica. Num momento em que a filosofia dividia-se em
racionalistas de um lado e empiristas de outro, procurou Kant demonstrar que o
nosso conhecimento é, necessariamente, tanto empírico como racional,
inaugurando, com isso, uma posição singular no debate filosófico, criando as
bases para a Teoria do Conhecimento como disciplina filosófica. Entrar no
universo da Crítica da razão pura é aceitar o desafio, colocado pelo próprio
Kant, de evitar o dogmatismo sem cair no relativismo; evitar o absoluto sem
cair no nada.” (Amazon)
Fabio Shiva é
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“A moral da
história de um conto sobrenatural chinês pode ser mais assustadora que a
história em si.”
#resenhanarede
#resenha
#china
#contos
#sobrenatural
#literaturachinesa
#Confúcio
Dos vários
gêneros e subgêneros da milenar tradição literária chinesa, as histórias
maravilhosas, ou sobrenaturais, sobre acontecimentos fantasiosos, estão entre
aqueles que mais leitores conquistaram ao longo dos tempos. Dadas as
circunstâncias políticas nas quais muitas vezes era desaconselhável falar
abertamente, os escritores e também o público chinês habituaram-se a narrativas
que, cheias de simbologia e abundantes em analogias, lançam mão do irreal e do
fantástico para mais seguramente falar da realidade.
Os 25 textos
aqui reunidos cobrem várias épocas da cultura chinesa: do período dos Reinos
Combatentes (475-221 a.C) ao auge da dinastia Qing, em finais do século XVIII.
E abrangem narrativas de autoria anônima bem como textos de autores conhecidos.
Nos dois casos, tratam-se de histórias de cunho popular, de enredos vastamente
difundidos na China. Algumas delas, criadas em épocas de conhecimento
científico ainda incipiente, têm também um forte conteúdo mitológico, que
buscava explicar aspectos do mundo que eram, então, inexplicáveis.
Tais histórias
maravilhosas estão aqui rica e fartamente ilustradas por bonecos de teatro de
sombra chinês. Igualmente uma forma de expressão da tradição popular chinesa,
as coloridas marionetes do teatro de sombras tiveram origem na dinastia Han
(206 a.C.-220), e desde então têm encantado crianças e adultos,
transportando-os para além da imaginação.
Sérgio
Capparelli e Márcia Schmaltz se debruçaram sobre o material de dez contistas
chineses e organizaram a publicação Contos sobrenaturais chineses.
Sobre o formato e o cuidado que o livro recebeu, os dois organizadores
comentam: "Na nossa opinião, um livro que conta histórias maravilhosas e
sobrenaturais merecem ilustrações... maravilhosas. Por isso, procuramos
marionetes do teatro de sombra chinês para ilustrar as histórias". (site
da L&PM)
Fabio Shiva é
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poesia, além de várias antologias como organizador. Ghost Writer com
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“Como a biografia
inventada de um poeta alemão do século passado pode ser um espelho trágico dos
Estados Unidos hoje?”
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#poesia
#premionobel
#literatura
#biografia
#trump
#elonmusk
#bolsonaro
“AS DUAS VIDAS
DE GOTTFRIED BENN, escrito pelo autor belga Pierre Mertens e publicado no
Brasil pela Paz e Terra (1991), é uma biografia ficcionalizada do
complexo poeta e médico alemão Gottfried Benn. A obra explora as contradições
do personagem, abordando sua atuação nas duas guerras mundiais, sua adesão
inicial ao nazismo e sua trajetória literária.
Detalhes
Principais do Livro:
Autor: Pierre Mertens, escritor
belga de expressão francesa e membro da Academia Belga de Letras.
Tema: Retrata a vida multifacetada
de Gottfried Benn, focando na dualidade entre sua genialidade poética e
suas controversas escolhas políticas e pessoais.
Estilo: A obra mistura biografia com
ficção, explorando a relação entre a história real e a narrativa
construída, técnica que o próprio Mertens destacou como "o caminho
mais curto entre História e história".
Contexto: Aborda a ocupação da Bélgica
na Primeira Guerra Mundial e a complexidade do homem que foi médico e
poeta.
O livro, com 336
páginas, é uma análise profunda de um dos intelectuais mais problemáticos e
talentosos da Alemanha do século XX.” (IA)
Fabio Shiva é
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Ler “A
Vegetariana” é como mergulhar em um sonho estranho e vagamente inquietante, que
nos deixa com a sensação de tragédia iminente. Outra descrição possível desse
romance inusitado é a de ler uma história contada por meio de versos
simbolistas carregados de sinestesia e de mensagens cifradas, que permanecem
reverberando em nossa mente muito tempo depois de termos fechado o livro. Só
posso dizer que considero merecidíssimo o Nobel de Literatura conferido a Han
Kang em 2024. A autora tem o poder de nos tornar cúmplices e partícipes das
envolventes obsessões de seus personagens, tornando real, intenso e vívido seu
universo imaginário tão pouco convencional. A obra se apresenta aberta a
múltiplas interpretações, e sinto que qualquer tentativa de explicar ou
interpretar a história apenas a empobreceria e diminuiria. Eu mesmo, por ser
vegetariano, pensei que teria algo de específico a dizer sobre essa leitura.
Mas não: nada tenho em comum com a protagonista, que em momento nenhum se
considera como uma “vegetariana”. São os outros, os ditos normais, que sentem a
necessidade de assim rotulá-la. Talvez essa seja uma das principais chaves de
interpretação do livro: o singular individual em contraste permanente com o que
é coletivamente aceito como normal e aceitável. O que Han Kang insinua é que de
perto, ninguém é normal.
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Fabio Shiva é
escritor, músico e produtor cultural. Publicou livros de gêneros diversos:
romance policial, ficção especulativa, contos, crônicas, infantojuvenil e
poesia, além de várias antologias como organizador. Ghost Writer com
seis livros publicados.
UM MARGINAL CHAMADO
BRAZIL APAIXONA-SE À SOMBRA DE UMA OBRA-PRIMA
Resenha do
livro MULHER NO ESCURO, de Dashiell Hammett
Penúltima obra
de Dashiell Hammett, “Mulher no Escuro” foi publicado em três partes, nas edições
semanais da revista Liberty, em abril de 1933. Tive a impressão de uma história
apenas rascunhada, ou publicada às pressas, para pagar os boletos acumulados.
Ainda assim, é possível perceber aqui as reverberações da obra-prima de Hammett
e que é também um dos principais romances do século vinte: “O Falcão Maltês”.
Temos os tipos exóticos com nomes estranhos, como o anti-herói Brazil, que
acabou de sair da cadeia e periga voltar para lá em tempo recorde. Temos as
mulheres fatais, aqui representadas por Luise Fischer, que inspira o título do
livro. E temos a sempre comovente tentativa de exercer alguma dignidade em um
mundo cão, repleto de egoísmo e covardia. Se em “O Falcão Maltês” esses
elementos atuam em magnífica harmonia para compor uma sinfonia inesquecível, em
“Mulher no Escuro” estão apenas esboçados, mas o suficiente para revivermos com
gratidão algo dessa experiência única. Dashiell Hammett sempre será um de meus
autores mais queridos, por ter primeiro me mostrado que o romance policial
pode, sim, aspirar à mais alta literatura.
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Fabio Shiva é
escritor, músico e produtor cultural. Publicou livros de gêneros diversos:
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