sexta-feira, 26 de maio de 2017

O REI BRANCO – György Dragoman


Achei esse livro simplesmente espetacular! Um claro exemplo de maestria na “subtle art of understatement” (célebre expressão que descreve lindamente um dos mais interessantes recursos da literatura – e que pena que não exista uma tradução em português à altura! – que consiste basicamente em retratar cenas de grande impacto emocional com uma linguagem fria e desapaixonada). Uma verdadeira aula de boa escrita, totalmente diversão e arte!

O livro é narrado na primeira pessoa e retrata o universo de um menino começando a adolescência em meio à crueldade e horror de um regime totalitário. Cada capítulo é estruturado como um conto, com início, meio e fim, sendo que há conexão e continuidade entre os capítulos. O que mais me impressionou foi a capacidade do autor de encontrar lirismo e graça nas situações mais comoventes. Dei risadas, e ao mesmo tempo fiquei chocado e triste com o que li.


Esse é o tipo de história que captura o leitor. Mergulhei totalmente no universo narrado no livro, saboreei cada página com avidez e lamentei quando afinal chegou a última página. Quero muito ler outras obras do mesmo autor.

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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

quarta-feira, 24 de maio de 2017

BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO – Francisco Cândido Xavier (Espírito Humberto de Campos)


Muito interessante e inspirador esse relato mediúnico ditado pelo espírito Humberto de Campos ao mahatma (“grande alma”) brasileiro Chico Xavier. Trata-se, em resumo, de uma narrativa da história do Brasil, desde o descobrimento até o início do século XX, pelo ponto de vista da espiritualidade.

Essa narrativa atende a duas elevadas metas. Em primeiro lugar, procura demonstrar como cada acontecimento da vida serve a um propósito maior, como “nada acontece por acaso”. Assim, os diversos e nem sempre edificantes episódios da história brasileira serviram, de acordo com o livro, a preparar e construir o destino do Brasil como “coração do mundo, pátria do evangelho”, para que possamos cumprir a luminosa missão profetizada por Chico Xavier em um futuro próximo. É que, em uma perspectiva mais ampla, a história do Brasil se situa na história planetária, culminando no atual momento de transição de consciência e paradigmas. Esta é a segunda e altíssima meta do livro: profetizar o fim do mundo como nós o conhecemos!

Está lá escrito, com todas as letras:

“As rajadas de morticínio e de dor avassalarão a alma da humanidade, no século próximo, dentro dos imperativos das transições necessárias, que serão o sinal do fim da civilização precária do Ocidente.”

Em outro trecho, Chico afirma:

“Porque, a realidade é que o Brasil, na sua situação especialíssima e com o seu patrimônio imenso de riquezas, não poderá insular-se do resto do mundo ou acastelar-se na sua posição de Pátria do Evangelho, embora a época seja de autarquias detestáveis, neste período de decadência e transição de todos os sistemas sociais.”

Essas são palavras do mesmo homem que previu que encontraríamos água na Lua e que o Brasil descobriria grandes reservas de petróleo no fundo do mar, décadas antes que isso acontecesse!

Essas profecias sobre o papel do Brasil durante a transição planetária estão intimamente relacionadas com as profecias relatadas no filme “Data Limite”, que recomendo muitíssimo (https://youtu.be/4JxukHvGVzE).



Quanto ao livro, está disponível online no link:


De resto, só tenho a agradecer ter nascido no mesmo país que um ser tão luminoso quanto Chico Xavier! Gratidão, querido Mahatma Chico!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

domingo, 14 de maio de 2017

SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR – Luigi Pirandello


A ideia que motiva a história é bem interessante: após criar seis personagens, o Autor decide abandoná-las, mas as personagens não se conformam em serem esquecidas e acabam invadindo o ensaio de uma peça, insistindo para que o Diretor encene o seu drama, o drama que foram criadas para vivenciar. O Diretor acaba concordando, fascinado, e coloca os Atores de sua companhia teatral para aprender e interpretar o drama vivido pelas seis personagens.

A metalinguagem é a tônica dessa peça, possivelmente a obra mais conhecida de Pirandello e que foi escrita em 1921. Ao ler o texto consegui visualizar um espetáculo intrigante e envolvente, mas sobretudo denso e aflitivo, e raríssimas vezes a comédia que Pirandello insiste em considerar sua obra, no longo prefácio onde explica as motivações filosóficas e espirituais para escrevê-la. Talvez ele tenha chamado de comédia apenas por astúcia, talvez o humor do texto original tenha envelhecido e perdido seu toque cômico, como acontece frequentemente.


É certo que muitas vezes o texto demonstra estar datado, como quando o Diretor, escandalizado, quer impedir que uma das personagens faça uma cena de nudez. Em meus tempos de faculdade, quando eu costumava ir ao teatro no mínimo uma vez por semana, cenas de nudez eram praticamente obrigatórias nas peças. Isso só para exemplificar como o humor gira muito em torno da moral, e a moral varia na mesma proporção que a moda, ou seja, o que era engraçado (ou indecente) em 1921 pode ser muito sério (como antônimo tanto de engraçado quanto de indecente) quase cem anos depois. Por essas e outras é que prefiro sempre as tragédias: o que é motivo de riso muda de ontem para hoje, mas os motivos essenciais para a tristeza e o horror são os mesmos desde que o homem é homem.

Que essa digressão não desmereça o brilho e a criatividade da peça de Pirandello, que aliás foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1934. Uma leitura de interesse e ganhos, especialmente para quem escreve ou atua. Como curiosidade, uma última observação: alguns dos elementos do drama vivido pelas seis personagens parecem saídos de uma peça de Nelson Rodrigues, que ainda usava calças curtas quando “Seis Personagens à Procura de um Autor” foi escrita.

E viva o Teatro!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

quinta-feira, 11 de maio de 2017

ÁGUA DE BEBER, CAMARÁ! UM BATE-PAPO DE CAPOEIRA – Bira “Acordeon” Almeida


Linda obra, muito inspirada e inspiradora, sobre a arte e o axé, os mistérios e as mandingas da capoeiragem. O livro apresenta, de forma leve e atraente, um pouco de cada um dos elementos que constituem o fascínio da capoeira: sua história e tradições, sua filosofia e espiritualidade, sua música contagiante, seus inúmeros causos. A prosa de Mestre Acordeon flui com agilidade, como em um belo jogo, pelas ricas recordações de sua convivência com Mestre Bimba, de quem foi aluno, e também de suas próprias andanças, reflexões e descobertas como capoeirista e ser humano. Tudo isso intercalado por belas passagens mais poéticas, onde é patente o esforço de transmitir ao leitor algo desse universo tão vívido de sentimentos e sensações que é impossível ser totalmente expressado por meras palavras.

Entusiastas da capoeira encontrarão neste livro muitos motivos para deleite. E aqueles desejosos de conhecer um pouco mais sobre a capoeira certamente terminarão a leitura com vontade de aprender mais e mais.


Como capoeirista, o respeitadíssimo Mestre Acordeon está mais do que qualificado para escrever esta obra. E o escritor Bira Almeida não fica atrás, com um texto elegante e sobretudo muito corajoso ao compartilhar com o leitor um pouco de seu íntimo. Ao ler esse livro, lembrei da visceral crônica de Fernando Sabino, em que ele fala que um verdadeiro escritor deve estar pronto para apresentar seu coração sangrando à mesa do jantar. O autor de “Água de Beber, Camará!” certamente não fugiu ao desafio literário e existencial.

Mestre Tyko Kamaleão, de quem tenho a honra e a felicidade de ser aluno, costuma dizer que “capoeira é uma colcha de retalhos, e cada Mestre é um copinho da verdade”. E que alegria poder saciar um pouco dessa grande sede de saber nesse vasto copinho de “Água de Beber, Camará!”


E viva a Capoeira!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

segunda-feira, 8 de maio de 2017

RIPLEY DEBAIXO D’ÁGUA – Patricia Highsmith


Este é o quinto e último livro da série de malasartes de Ripley, iniciada com “O Talentoso Ripley”. Eu li esse primeiro da série há alguns anos, e gostei muitíssimo. Já o livro que encerra a série, que me caiu nas mãos recentemente, me despertou sentimentos ambíguos.

Primeiro vou falar do que gostei na ideia do anti-herói Ripley: a genialidade da inversão de papeis e valores tradicionais do romance policial, colocando o “vilão” no posto de protagonista e habilmente fazendo o leitor compartilhar de seus íntimos temores e desejos, a ponto de se solidarizar com o arteiro Ripley e de torcer que o mal vença no final. Tudo isso regado com muitas doses de ironia e, é claro, de suspense.

Já em “Ripley debaixo d’água” tive a impressão de que o personagem fez tanto sucesso que a autora foi compelida a continuar escrevendo sobre ele, até esgotar a fórmula. Uma escritora do porte de Patricia Highsmith possui muitos talentos e recursos, então a leitura é agradável e prende o leitor – ainda que praticamente nada aconteça no livro inteiro! Não é à toa que Patricia tenha sido chamada de “mestre da apreensão”: é realmente impressionante a capacidade dela de gerar um climão tenso a partir de um cotidiano aparentemente banal.


Contudo aqui, no fim da série, o queridinho e malvado Tom já não parece tão talentoso, mas apenas sortudo. Como se a mensagem intencionada pela obra fosse a de que o mundo favorece o mal. Mesmo que isso fosse verdade – embora às vezes pareça ser, certamente não é – esse não é um mote bom para um romance policial, onde necessariamente o mais capaz (inteligente, forte ou mesmo esperto) é que deveria vencer.


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

sábado, 29 de abril de 2017

O ANJO DA VINGANÇA – Giorgio Scerbanenco



Muito interessante e diferente esse romance policial italiano que venceu o grand-prix de la littérature policiére 1968. O autor, que na verdade nasceu na Rússia, mas foi para a Itália ainda muito jovem, possui um estilo de narrativa e temática bastante original, mais próximo do noir, envolvendo cenas de violência e tipos do submundo, mas com uma abordagem diferenciada, talvez um certo toque de sutileza psicológica.

Confesso que a leitura foi um pouco árdua devido à edição portuguesa de 1985, bem anterior ao acordo ortográfico. Isso certamente contribuiu para a sensação de estranheza, ler uma história italiana em tradução com forte sotaque de Lisboa... que me fez lembrar do famoso dito Traduttore, Traditore (“Tradutor, Traidor”), bem adequado ao caso, uma vez que o título original do livro é Traditori di Tutti, que acabou virando “O Anjo da Vingança”.

Mas vencida essa dificuldade inicial acabei sendo conquistado pela força e originalidade da trama: Duca Lamberti, médico que foi preso e teve sua licença cassada após ter cometido uma eutanásia, acaba se tornando um policial honorário quando se vê envolvido com uma perigosa quadrilha de tráfico de armas e entorpecentes, ao ser procurado por um dos membros da gangue, que lhe pede para... restaurar cirurgicamente um hímen! Como subtrama, a história de uma vingança que leva anos para se concretizar.


Além disso, pela lei da sincronicidade foi muito interessante ler um romance policial italiano cuja história se passa em Milão, tendo eu mesmo ambientado em Milão (sabe Deus porque!) boa parte da trama de meu primeiro romance, “O Sincronicídio”. E mais ainda ao me deparar com a expressão “Linha Gótica”, que eu ainda não conhecia, sendo que atualmente escrevo meu segundo romance, intitulado “Favela Gótica”. E viva a sincronicidade!


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

domingo, 23 de abril de 2017

DEUS NO LABIRINTO – Ricardo Labuto Gondim



Desde que li o incrível romance policial “B”, sou fã do querido Ricardo Labuto Gondim. E que alegria linda ler seu primeiro livro e descobrir que o autor é ainda melhor do que eu pensava!

“Deus no Labirinto” me pegou de surpresa. Superou totalmente minhas expectativas, que já eram bem elevadas. Aqui descobri que Ricardo tem bem mais recursos do que eu suspeitava. Nos contos bem variados que compõem o livro, ele consegue uma proeza somente alcançada pelos melhores: ele seduz o leitor a acreditar e confiar em seu mundo, no mundo imagético criado com palavras e sentimentos, que no decorrer da leitura vai se tornando cada vez mais “real” para o leitor.

São muitas as qualidades do escritor: uma prosa refinada e recheada de erudições, sem ser pedante, que temperada com uma fina ironia torna o texto muito atraente. E sobretudo uma diversidade temática e imaginativa verdadeiramente instigante: Ricardo é imprevisível, no melhor sentido possível.

Gostei especialmente da história que dá o título do livro, um corajoso e virtuoso exercício que mistura autobiografia e ficção com enigmas teológicos, e também de “Café Gangplanck”, tocante homenagem a Bukowski, e “Mandark, o Mágico”, que antecipa os sedutores elementos do romance “B”, mas que também ousa avançar além, muito além, audaciosamente tocando os limites que uma história de ficção pode alcançar. Muitíssimos parabéns!

O livro encerra com “dois ensaios ociosos” que mesclam de forma bem interessante a teologia e a arte, sobretudo a música e o cinema. Esses textos me evocaram um pouco os prefácios do Bernard Shaw, onde o autor expunha em forma de ensaio as principais ideias que motivaram suas peças. Aqui a ligação não é tão evidente, mas fica bem perceptível ao leitor atento a exposição dos temas que inquietam e motivam o autor, muito presentes em suas ricas histórias.


Muito bom ser contemporâneo e principalmente amigo de um escritor de tal envergadura! Viva a Literatura Brasileira! Viva Ricardo Labuto Gondim!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A.B.C. DE CASTRO ALVES – Jorge Amado


O maior escritor homenageia o maior poeta da Bahia, em um texto apaixonado e apaixonante! Quem já amava Castro Alves, após a leitura de seu ABC terá mais e melhores motivos para considerá-lo um grande gênio da raça! E quem ainda não ama o Poeta da Liberdade, terá aqui uma linda oportunidade de se deixar seduzir pela paixão condoreira!

Acostumado à prosa fluida e lúdica de Jorge, a princípio estranhei tantas e extensas notas de rodapé, com tantos mínimos detalhes. Depois fui entendendo que era o amor a Castro Alves que motivava o desejo pela exatidão histórica e pela minúcia. E foi o mesmo amor desmedido que se manifestou de outra forma para mim surpreendente: em seus arroubos, Jorge Amado não mede palavras e bate forte em alguns nomes como Mário de Andrade, Tobias Barreto e Machado de Assis!

A pinimba com Mário de Andrade fica bem compreensível, pois foi o paulista que implicou primeiro com o baiano, ao fazer uma crítica meio estrambótica a Castro Alves, comparando-o a Fagundes Varela: o autor de Macunaíma desgosta profundamente do fato de um carvalho, na poesia de Castro Alves, se referir a um carvalho, enquanto na de Varela pode ser um carvalho ou uma baraúna, ou um salgueiro... chegando ao ponto de louvar Varela por sempre enfiar uma cachoeira em seus poemas, gerando um “mistério psicológico”, enquanto Castro Alves estaria reduzido a uma “pobre realidade”... Convenhamos que é implicância pura, e por conta disso Mário de Andrade levou uma bela duma espinafrada de Jorge Amado. Merecida, em minha opinião.

Já no caso de Tobias Barreto e, principalmente, de Machado de Assis, penso que a ira de Jorge foi um pouco pesada demais, julgando-os pelo fato de, sendo ambos mestiços, não terem se colocado de forma mais aberta contra a escravidão. Penso que só quem sentiu na pele (literalmente) o racismo que eles sofreram é que pode entender o motivo desta ou daquela atitude.


Outro caso de exageros de amor de Jorge Amado por Castro Alves, esse mais engraçado, é quando o autor do ABC dá um pito daqueles na mulher que foi a última paixão do poeta, pelo simples motivo dela ter se recusado a ceder aos ardentes desejos de Castro Alves, por medo de ficar falada na cidade, perdendo seu status social e com ele seu ganha-pão de professora particular. Jorge fica mesmo retado com a tal fulana por não ter aliviado a barra do poeta! O que na verdade é um recurso de gênio, pois com essa birra Jorge Amado consegue dar uma nota cômica em um momento muito triste da biografia de Castro Alves.

Em resumo, o livro é isso: um gênio falando de outro. Ou seja, um deleite de encher os olhos! Um efeito que eu apreciei particularmente foi o fato de Jorge narrar a história de Castro Alves para sua “amiga” (Zélia Gattai, certamente), dando um toque amoroso e uma narrativa sentimental paralela que muito soma à beleza da narrativa.

Diante de tudo isso, só posso agradecer à Mainha pela dádiva de ter nascido nessa terra de magia e beleza, que viu nascer um Castro Alves e um Jorge Amado, dentre tantos outros espetaculares baianos!


Viva a Bahia! Viva Jorge Amado! Viva Castro Alves!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

CONTOS CRUÉIS – As narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea


Organizada por Rinaldo de Fernandes, esta imponente antologia traz nada menos que 47 contos, alguns deles assinados por nomes consagrados como Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Marçal Aquino, Caio Fernando Abreu, Roberto Drummond, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão e Nélida Piñon, entre outros tantos.

Muitos são os bons motivos que podem levar o leitor a encarar esse tijolo que pinga sangue, desde o estudo da violência em nossa sociedade contemporânea a uma pura e simples diversão movida a catarse. Minha motivação principal foi a bela oportunidade de aprender um pouco mais sobre a estrutura e a construção do conto, que ao meu ver representa a essência da fina arte de contar histórias.

Aliás, muito me intriga que hoje em dia os contos tenham meio que “saído de moda” no Brasil. Até mais ou menos a década de 1980 os contos eram bastante apreciados pelos leitores e representavam expressiva parcela do mercado editorial. De lá para cá, a impressão que tenho é que o interesse pelo conto vem caindo drasticamente. O que é de se admirar, considerando a tendência à simplificação progressiva nos escritos de ficção. Talvez o conto não agrade tanto hoje em dia porque, apesar de ser curto em número de páginas, geralmente obriga o leitor a um esforço interpretativo muito maior que em um romance. Será que é por isso?

De todo modo, felizmente eu nunca fui de seguir modas, então pude apreciar bastante a leitura desses 47 “Contos Cruéis”. O aprendizado maior que tive foi que talvez o segredo de um bom conto esteja mais no ritmo da narrativa que em outros elementos, tais como tema, estrutura narrativa ou vocabulário. Difícil mesmo é definir o que seria um bom ritmo! O melhor exemplo que encontrei no livro é o clássico conto de Rubem Fonseca, “Feliz Ano Novo”, que bem pode simbolizar a proposta da antologia como um todo. Essa deve ter sido a quarta ou quinta vez que li esse conto, e a cada vez acho melhor escrito!

É importante destacar também a reflexão sobre a relevância de uma literatura focada na violência. Diz o organizador, na apresentação ao livro:

“O Brasil se tornou mais violento nos últimos tempos. A nossa pobreza pede soluções que não chegam. As nossas cidades choram cotidianamente os seus mortos. O escritor vai fazer o quê? Pintar as ruas de risos e rosas?”

Será que a função da literatura é retratar e denunciar as mazelas da sociedade? Ou deveria aspirar sugerir novos caminhos? A catarse é a motivação máxima da literatura? Ou seria a transcendência?

Sem pretender fornecer respostas prontas, acho válido que todo escritor – e leitor – faça a si mesmo essas perguntas, de vez em quando.

E viva a Literatura Brasileira!




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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sem Olhos em Gaza - Aldous Huxley


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

 
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