quarta-feira, 21 de junho de 2017

ESAÚ E JACÓ – Machado de Assis


Fiquei feliz pela sincronicidade de acabar de ler este livro no dia do 178º aniversário de Machado de Assis. Um livro que li com admiração e deleite, da primeira à última página. Foi uma imagem esportiva que me veio à mente para definir o que senti com a leitura: imagine que um craque do nível de Garrincha ou Pelé resolve convidar os amigos para jogar uma pelada sem compromisso. Assistir a um jogo desses talvez não traga as emoções de uma final de Copa do Mundo, mas certamente não faltarão oportunidades de testemunhar lances de gênio e toques de futebol-arte.

Foi algo assim que senti ao ler “Esaú e Jacó”. A história em si não me pareceu tão relevante, tampouco o pano de fundo histórico da proclamação da República. O que chama a atenção, o que grita aos olhos é a própria narrativa em si, obra de um dos maiores autores brasileiros no auge de sua forma e perícia, no topo de sua sabedoria e experiência literária. Este foi o penúltimo livro de Machado, publicado 4 anos antes de sua morte.

Cada parágrafo, cada frase, cada sentença parecem ter sido burilados com a precisão fácil do ourives acostumado a produzir joias inestimáveis. A ironia, marca registrada de Machado, está aqui mais sutil e ferina que nunca. E a própria estruturação da história, com um narrador “oficial”, o Conselheiro Aires (protagonista do livro seguinte e definitivo, “Memorial de Aires”) que é também personagem nas mãos de outro e onisciente narrador em primeira pessoa. Só um escritor macaco velho como Machado para experimentar uma brincadeira dessas e nem dar pinta de como é difícil fazer algo assim!

Um verdadeiro show de bola literário, recomendado para todos que amam ler e, sobretudo, para escritores e interessados na arte da escrita.

A obra do autor está disponível em domínio público:

E viva Machado de Assis!


\\\***///


ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 


segunda-feira, 12 de junho de 2017

RESENHA - ”O AMOR EM PRIMEIRO LUGAR” - EMILY GIFFIN


LIVRO:”O AMOR EM PRIMEIRO LUGAR”
TÍTULO ORIGINAL: “FIRST COMES LOVE”
AUTORA:EMILY GIFFIN
TRADUÇÃO: PAULO POLZONOFF JUNIOR
EDITORA:NOVO CONCEITO
PÁGINAS –352
1ª  EDIÇÃO
1ª IMPRESSÃO 2016
CATEGORIA: FICÇÃO NORTE-AMERICANA
ASSUNTO: ROMANCE
ISBN: 978-85-8163-454-8


CITAÇÃO:
“-Bom, essa é uma questão completamente diferente... Tem a ver com as pessoas na sua vida, não com sua identidade. E essa situação pode acontecer de qualquer forma. As pessoas morrem. Vão embora. Muita gente cresce sem pai ou mãe. Então, se você nunca se casar, seu filho vai ter só você. – Ele dá de ombros. E daí?
-E daí o quê? – pergunto. – Isso não é triste?
- Mais triste do que nunca ter nascido?” (pág. 77)


ANÁLISE TÉCNICA:

-CAPA-

Uma praça (?)/caminho coberto de neve, ladeada por árvores, banco e lamparina, duas pessoas caminhando.
A capa é toda banca e azul, sóbria e a sensação de ser fria...
Parece com a capa de “Questões do coração”, outro livro da autora.
Arte da capa: Idée Arte e Comunicação.

NOTA: 4,00 DE 5,00

-DIAGRAMAÇÃO:

Folhas amareladas com letras pretas um pouco acima da média, facilitando a leitura.
Conteúdo: dedicatória; prólogo; trinta e cinco capítulos, numerados por extenso e com pequenos logotipos de coração em flor; e, agradecimentos.
Impressão e acabamento: RR Donnelley 131016.
Produção editorial: Equipe Novo Conceito.

NOTA: 4,80 DE 5,00

- ESCRITA:

Narrativa descritiva em primeira pessoa, intercalada pelas protagonista Josie e Meredith, diálogo bem construídos e visão geral do pensamento e sentimento das protagonistas, tornando o entendimento abrangente sobre as situações. As impressões são bem pessoais.
Os capítulos são intercalados entre as irmãs.
Não foi encontrado erros gráficos ou ortográficos.
Preparação de texto: Camila Fernandes.

NOTA: 4,80 DE 5,00



CITAÇÃO:
“Fiz que sim, pensando que aquela afirmação era muito verdadeira e me lembrando de uma citação de um grupo de apoio do qual participei brevemente com minha mãe. O luto é um mistério que precisa ser vivido, não um problema a ser resolvido, escreveu nossa conselheira – que perdera a filha de nove anos – no quadro. Talvez ela tivesse razão. Ainda assim, a mim parecia que conversas e tentar resolver era a única forma de realmente aceitar. A única esperança de cura. Disse isso para Ellen naquela noite e ela rapidamente concordou.” (págs. 107/108)


SINOPSE:
“Uma tragédia familiar muda tudo na vida das irmãs Josie e Meredith. A tristeza torna-se algo recorrente, mas elas fazem de tudo para seguir em frente. E seguem...
Quinze anos mais tarde, Josie e Meredith não têm um relacionamento harmonioso. As diferenças de personalidade delas, que já existiam antes da tragédia, estão ainda mais acentuadas. Elas se veem com frequência, mas não se entendem. Uma vida marcada pela tristeza velada e por segredos que as afastam cada vez mais.
Será que Josie e Meredith vão conseguir se libertar de seus medos e se abrir para o novo? Será que, finalmente, elas conseguirão seguir em frente de verdade?
O amor em primeiro lugar é uma fascinante história sobre família, amizade e a coragem de seguir o próprio coração.”

RESUMO SINÓPTICO:

DANIEL era o filho e irmão que dava suporte a família. Centrado, equilibrado, prestes a casar e constituir família. Era o queridinho dos pais e das irmãs: JOSIE E MEREDITH. Até que acontece um acidente de carro e Daniel morre.
Desde de a morte de Daniel tudo muda na família, os pais se separam e as irmãs que já tinham temperamento totalmente diferente, passam a ter um relacionamento ‘suportável’ de convivência, mas não se entendiam mesmo.
Quinze anos se passaram, porém ninguém superou a morte de Daniel. Sentem-se culpadas pela morte do irmão ou condenam uma a outra pelo que aconteceu. Ambas escondendo seus segredos, sem serem totalmente sinceras consigo mesmas e com os que as rodeiam.
JOSIE é professora de escola primária e ama suas crianças. Não havia casado. Foi noiva de Will por algum tempo, até terem terminado o relacionamento há anos atrás. Agora Edie, filha de Will é sua aluna e ela encontra-se totalmente desestabilizada emocionalmente, primeiro por ver a felicidade dele e por não ter encontrado a felicidade durante todos os anos após o término.
MEREDITH está casada com Nolan, o melhor amigo de Daniel. Tem uma filhinha, Harper que é apaixonada pela tia Josie, o que a deixa ainda mais ressentida, pois se considera uma péssima mãe, após ter tido depressão pós parto. Em compensação é ótima profissional, dedicada e se entrega totalmente ao trabalho, relegando por vezes seu relacionamento com o marido e a filha. É apegada a mãe. É neurótica e tem TOC. Faz terapia.
Josie resolve ter um filho de forma independente, já que não consegue manter um namoro sério por muito tempo.
Meredith resolve terminar o casamento, acredita não amar o marido como merece.
Ambas querem ter a vida que a outra irmã tem.
E vão descobrir juntas, o quanto o amor familiar supera todas as situações e é a coisa mais importante da vida.

ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTORA:

Emily Giffin é uma escritora que sabe mostrar com realismo, o sentimento das pessoas, as situações comuns do dia a dia das famílias e o quanto os relacionamentos podem ser complicados (ou não).
Trouxe irmãs totalmente antagônicas, tanto fisicamente, como em suas personalidades. Josie é a alegre, extrovertida, cômica até, trazendo capítulos hilários, mesmo lidando com seus traumas e culpas. Meredith é séria, estressada, tem TOC e quer tudo certo demais, dentro dos padrões que ela acha serem corretos. Os capítulos protagonizados por ela são um tanto quanto tenso e alguns até monótonos.
O melhor do livro, depois de identificarmos as rixas entre as irmãs, são os assuntos importantes que aborda, como a perda de ente querido, como lidar com o luto e a culpa, o quanto as amizades são importantes e o quanto o amor prevalece a qualquer outro sentimento. Traz lições sutis que o leitor vai absorvendo no decorrer das páginas.
Não é uma leitura fácil. É intensa devido a carga emocional e a profundidade com que os sentimentos são amplificados. Não há como não nos identificarmos de alguma forma com os fatos ou com as protagonistas, porque de alguma maneira, já passamos por algum tipo de situação que as personagens passaram, ou, nos identificamos com a personalidade criada para elas.
E no final, a grande surpresa e reviravolta, torna o livro ainda mais agradável para leitura. Não tem ação e nem fatos dinâmicos, mas traz a sobriedade dos relacionamentos e o entendimento do quão profundo o amor é importante na vida das pessoas. É um grande drama familiar.
Recomendo a leitura para quem gosta desse estilo de livro.


NOTA : 4,00 de 5,00

Emoticon triste


SOBRE A AUTORA:

Emily Giffin


Emily Giffin é advogada, formada pela Wake Forest University, mas sempre gostou de escrever. Seus romances bem escritos e relacionados à vida moderna são garantia de diversão. A autora best-seller pelo The New York Times vive com o marido e três filhos em Atlanta, nos Estados Unidos.

CHEIRINHOS
RUDY


domingo, 11 de junho de 2017

A HISTÓRIA DO AMOR DE FERNANDO E ISAURA – Ariano Suassuna


Linda versão nordestina para a lenda medieval de “Tristão e Isolda” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Trist%C3%A3o_e_Isolda). O cavaleiro Tristão é enviado por seu tio, o rei Marcos, para escoltar a donzela Isolda, noiva do rei. Só que os dois acabam bebendo por engano uma poção mágica de amor, e se apaixonam perdidamente um pelo outro.

A versão de Suassuna segue bem de perto as linhas gerais da lenda clássica. A narrativa é singela e acaba por conquistar o leitor, pela verdade que passa, verdade simples do povo. A história é triste, mas também tocante, comovente e mesmo inspiradora. O próprio autor adverte, no prefácio, que a trama talvez tenha saído de moda, com tantas hesitações e sofrimentos em nome da honra. Prefiro acreditar que não.

A obra está disponível em PDF no link:




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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

segunda-feira, 5 de junho de 2017

DUBLÊ DE CORPO – Tess Gerritsen


Tess Gerritsen é uma habilidosa construtora de thrillers policiais que são marcados por uma inusitada combinação (ao menos nos dois livros dela que eu li): uma história totalmente focada no ponto de vista feminino e recheada com cenas escatológicas, com muito sangue e vísceras expostas, e descritas com minúcia cirúrgica. O resultado é uma trama que captura a atenção do leitor (eu mesmo larguei os outros livros que estava lendo até chegar ao final desse Dublê de Corpo), oscilando entre o horror e o fascínio, atraindo e ao mesmo tempo repelindo, como a visão de um acidente grave na rua: você não quer olhar, mas ao mesmo tempo sente uma curiosidade quase irresistível de ver o que aconteceu.

Sobre a história em si, acho muito difícil contar algo que não seja spoiler. Inclusive li agora o resumo do livro no Skoob, que considerei um spoiler dos brabos! Por essas e outras é que só leio o texto da contracapa ou das orelhas depois de ter lido o livro primeiro.

Dentre as personagens femininas que marcam a história (os homens são praticamente coadjuvantes, contrapontos dramáticos das mulheres), a que mais me chamou a atenção foi a Dra. Joyce O’Donnell, psiquiatra especializada em serial killers e morbidamente obcecada em conhecer a intimidade dos monstros. A autora carrega nas tintas ao descrever a personalidade desprezível da Dra. O’Donnell, a ponto de me fazer desconfiar que ela está na verdade fazendo uma crítica sarcástica à sua legião de leitoras e leitores viciados em sangue e cenas macabras. Ou talvez o desprezo seja voltado para a própria autora: imagino que dever ser cansativo escrever sempre e sempre o mesmo tipo de história.

Eu, pessoalmente, notei algumas perturbações na frequência de meus pensamentos durante a leitura deste livro, como já tenho notado na leitura de livros semelhantes. Certamente não é benéfica para a paz mental a exposição a cenas de violência e maldade humana, mesmo fictícias. Comparo esse tipo de leitura a um Lanche Feliz do McDonald’s: hambúrguer e batata-fritas processados com uma infinidade de produtos químicos, acompanhados por um balde de Coca-Cola. Ler um livro desses é como consumir um fast-food mental: você pode achar delicioso, mas sabe que não é bom para a sua saúde!


(Antes que alguém aponte um dedo acusatório em minha direção, como autor de histórias cheias de sangue e violência, devo dizer que o problema não é a violência em si, mas o uso que se faz dela na literatura em particular e na arte em geral. Psicose, filme de Alfred Hitchcock, é extremamente sinistro, mas ao mesmo tempo uma obra de arte. E do mesmo modo o Mahabharata, grande épico indiano, é espiritualmente inspirador e certamente a maior obra literária do mundo, mesmo se tratando da narrativa de uma sangrenta batalha. Nos dois casos, não se trata da violência pela violência, mas de algo além que se objetiva alcançar. É basicamente uma questão de motivação.)



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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
  

quinta-feira, 1 de junho de 2017

POLITITICA - Fabio Shiva


POLITITICA

Não vejo muita diferença
Entre um político de esquerda
Ou de direita, no Brasil,
Se a roubalheira é imensa
E para o país é a mesma perda,
Não importa de que lado o ladrão saiu!

Na verdade, o que me espanta
Nesse tal político “esperto”
É a cegueira espiritual
Na qual ele se encontra imerso,
Ignorando, decerto,
A lei maior do universo:
Para o bem ou para o mal,
Cada um colhe o que planta!

Tampouco vejo diferença
Entre o eleitor de direita
Ou de esquerda, no país,
Se só o que muda é a crença
E a nomenclatura da seita,
Mas é o mesmo fanatismo infeliz!

Pois na verdade, o que me assusta
Nessa inconsequente rinha
Que acontece hoje em dia
É a desunião que mais custa:
Nessa briga entre mortadela e coxinha
Só quem ganha é o dono da padaria!

Chega de ter político de estimação!
Chega de tolerar essa descaração do ladrão!
Chega de brigar cidadão com cidadão!
Vamos nos unir, irmãos, para banir a corrupção!

Por mais que tenha sido repetido,
O velho refrão ainda faz sentido:
“O povo, desunido, continuará oprimido!
O povo, unido, jamais será vencido!”

Fabio Shiva


terça-feira, 30 de maio de 2017

ESCUTA, ZÉ NINGUÉM! – Wilhelm Reich


Há livros que nos inspiram e confortam da primeira à última linha. Outros há que nos causam repúdio e indignação a cada palavra. Mas há outros ainda, muito especiais, que nos fazem amar uma frase, e odiar a frase seguinte, e assim sucessivamente, em um convite constante para um confronto de ideias com o autor. Se aceitamos esse convite para uma boa luta, com o espírito aberto, podemos experimentar uma rara oportunidade de aprendizado e crescimento.

Esse foi o caso de minha leitura desse “desabafo filosófico” de Reich. Admirei e concordei com muitas das ideias expressas no livro, mas discordei profundamente de outras tantas. A começar pelo título em português, que considerei muito inadequado. O título original, Rede an den kleinen Mann, poderia ser melhor traduzido como “Discurso para o Homenzinho” ou mesmo “Escuta, Homenzinho!” A expressão “Zé Ninguém” possui conotações bem específicas que fogem à intenção do autor, que é se referir à pequenez humana, que pode ser encontrada em doutores e donos de fábricas tanto quanto em operários proletários.

Esse é o alvo central desse amargo e apaixonado relato: a pequenez (ou mesquinhez, ou estupidez) do homem. Reich tinha bons motivos para estar ressentido e mesmo pê da vida com a esmagadora maioria dos “homenzinhos”: suas revolucionárias pesquisas sobre a sexualidade e outros temas polêmicos acabaram fazendo com que ele fosse perseguido, tivesse seis toneladas de seus livros queimados (!!!) em pleno Estados Unidos no século XX e fosse finalmente preso por conta de acusações do famigerado FDA (Food and Drug Administration). Acabou morrendo de ataque cardíaco após um ano na cadeia.

Em muitos momentos senti ecos de um outro relato escrito em situação igualmente angustiante: De Profundis de Oscar Wilde, escrito na prisão, quando o autor estava preso por pederastia. Mas enquanto o alvo do ressentimento de Wilde é principalmente seu ex-amante e traidor, Alfred Douglas, o rancor de Reich é voltado indistintamente a praticamente toda a população do mundo.

Devo dizer que a leitura foi marcada por muitas sincronicidades. Poucos dias antes do livro chegar às minhas mãos, lembro de ter reclamado de forma muito intensa dessa nossa condição tão precária da família humana, me ressentindo de sermos ainda tão tacanhos, movidos pelo medo e pelo preconceito, tão cheios de ganância estúpida e de ódio a tudo que não conseguimos compreender. Enquanto estava lendo o livro, fui assediado por fanáticos políticos de ambas as extremidades da estupidez, da esquerda e da direita, o que acabou inspirando a poesia “Polititica” (https://youtu.be/QSY5i0oPWCU). 


Sendo um apaixonado pelo estudo do I Ching, é claro que me interesso muito em qualquer reflexão sobre o que significa ser um “homem superior” ou um “homem inferior”. Por penúltimo, mas não menos importante, li esse livro paralelamente a “Você É o Universo”, de Deepak Chopra e Menos Kafatos. E finalmente, após ler as últimas páginas de “Escuta, Zé Ninguém!”, fui brindado pela leitura de meu trecho favorito da Bíblia: o Sermão da Montanha.

Tantas sincronicidades me conduziram à conclusão de sempre: sem a perspectiva espiritual, muitas vezes nos perdemos em intricados labirintos racionais, que parecem fazer todo sentido, só que não. É preciso lançar sempre a luz da espiritualidade em qualquer questão, se queremos enxergar com clareza.

Vou dar um exemplo pessoal, ocorrido a partir da leitura desse livro. Em determinado trecho Reich afirma que a maioria das pessoas prefere os ensinamentos do “homenzinho” Paulo aos do “grande homem” Jesus. Fiquei feliz ao ler esse trecho, pois eu mesmo, ao ler o Novo Testamento, fiquei absolutamente chocado ao descobrir que a maioria das pessoas que se consideram cristãs hoje em dia na verdade seguem Paulo, e não Jesus. Ainda hoje me espanta que tantos que sabem citar a Bíblia de cor não enxerguem a contradição profunda entre o que disse Jesus e o que Paulo determinou depois, muitas vezes praticamente o contrário. E enfim, depois dessa leitura que foi tão árdua e exasperante, fui descobrindo que “grandes homens” como Nietzsche, Gibran e, agora, Reich, também nutriam essa antipatia contra a filosofia de Paulo.

Pois então. Analisando minhas emoções, percebi que o componente principal era o orgulho. Orgulho de ter chegado às mesmas conclusões que Nietzsche, Gibran e Reich, nadando contra a corrente da imensa maioria que sequer percebe qualquer contradição entre se dizer cristão e seguir, na verdade, Saulo. Mas de que me serve esse orgulho? Em que isso contribui para me tornar uma pessoa melhor? Em que isso beneficia o mundo? Em nada, nadica de nada. Não serve para ninguém eu me sentir tão inteligente, se não estiver empenhado, isso sim, em compreender de fato os ensinamentos do Mestre Jesus e em aplicá-los a minha vida.

Ou seja: apontar o dedo para a pequenez humana pode ser uma boa catarse, mas não ajuda a elevar a humanidade nem um milímetro sequer. É preciso compreender não com a razão, mas com a intuição nascida na receptividade espiritual, que essa dita “pequenez” também serve a um propósito: “é preciso suportar as lagartas, se eu quiser conhecer as borboletas”!

Encerro, portanto, essa não tão breve resenha com a inspiradora promessa feita pelos Bodhisattvas (https://pt.wikipedia.org/wiki/Bodisatva): continuar regressando a esse mundo até que a última folha de relva se ilumine! Esse é o verdadeiro caminho para transformar a pequenez em grandeza.


Gratidão por essa leitura, que tanto me fez refletir e aprender!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O REI BRANCO – György Dragoman


Achei esse livro simplesmente espetacular! Um claro exemplo de maestria na “subtle art of understatement” (célebre expressão que descreve lindamente um dos mais interessantes recursos da literatura – e que pena que não exista uma tradução em português à altura! – que consiste basicamente em retratar cenas de grande impacto emocional com uma linguagem fria e desapaixonada). Uma verdadeira aula de boa escrita, totalmente diversão e arte!

O livro é narrado na primeira pessoa e retrata o universo de um menino começando a adolescência em meio à crueldade e horror de um regime totalitário. Cada capítulo é estruturado como um conto, com início, meio e fim, sendo que há conexão e continuidade entre os capítulos. O que mais me impressionou foi a capacidade do autor de encontrar lirismo e graça nas situações mais comoventes. Dei risadas, e ao mesmo tempo fiquei chocado e triste com o que li.


Esse é o tipo de história que captura o leitor. Mergulhei totalmente no universo narrado no livro, saboreei cada página com avidez e lamentei quando afinal chegou a última página. Quero muito ler outras obras do mesmo autor.

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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

quarta-feira, 24 de maio de 2017

BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO – Francisco Cândido Xavier (Espírito Humberto de Campos)


Muito interessante e inspirador esse relato mediúnico ditado pelo espírito Humberto de Campos ao mahatma (“grande alma”) brasileiro Chico Xavier. Trata-se, em resumo, de uma narrativa da história do Brasil, desde o descobrimento até o início do século XX, pelo ponto de vista da espiritualidade.

Essa narrativa atende a duas elevadas metas. Em primeiro lugar, procura demonstrar como cada acontecimento da vida serve a um propósito maior, como “nada acontece por acaso”. Assim, os diversos e nem sempre edificantes episódios da história brasileira serviram, de acordo com o livro, a preparar e construir o destino do Brasil como “coração do mundo, pátria do evangelho”, para que possamos cumprir a luminosa missão profetizada por Chico Xavier em um futuro próximo. É que, em uma perspectiva mais ampla, a história do Brasil se situa na história planetária, culminando no atual momento de transição de consciência e paradigmas. Esta é a segunda e altíssima meta do livro: profetizar o fim do mundo como nós o conhecemos!

Está lá escrito, com todas as letras:

“As rajadas de morticínio e de dor avassalarão a alma da humanidade, no século próximo, dentro dos imperativos das transições necessárias, que serão o sinal do fim da civilização precária do Ocidente.”

Em outro trecho, Chico afirma:

“Porque, a realidade é que o Brasil, na sua situação especialíssima e com o seu patrimônio imenso de riquezas, não poderá insular-se do resto do mundo ou acastelar-se na sua posição de Pátria do Evangelho, embora a época seja de autarquias detestáveis, neste período de decadência e transição de todos os sistemas sociais.”

Essas são palavras do mesmo homem que previu que encontraríamos água na Lua e que o Brasil descobriria grandes reservas de petróleo no fundo do mar, décadas antes que isso acontecesse!

Essas profecias sobre o papel do Brasil durante a transição planetária estão intimamente relacionadas com as profecias relatadas no filme “Data Limite”, que recomendo muitíssimo (https://youtu.be/4JxukHvGVzE).



Quanto ao livro, está disponível online no link:


De resto, só tenho a agradecer ter nascido no mesmo país que um ser tão luminoso quanto Chico Xavier! Gratidão, querido Mahatma Chico!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

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