domingo, 1 de dezembro de 2019

50 ANOS DEPOIS – Chico Xavier



Obra psicografada, ditada pelo mentor de Chico Xavier, Emmanuel, que é uma espécie de continuação de “Há Dois Mil Anos”, onde ficamos conhecendo a história de Publius Lentulus, encarnação de Emmanuel que foi contemporânea a Jesus. “50 Anos Depois” mostra que o orgulhoso senador romano reencarnou como um escravo, o sábio Nestório. Mas a protagonista dessa história é a jovem Célia, que se converte ao cristianismo e o vivencia plenamente, em uma vida de sacrifício e altruísmo dedicada a colocar em prática os ensinamentos de Jesus.

Essa leitura me marcou muito, e reforçou minha convicção de que as obras psicografadas não se destinam tanto a registrar fatos históricos precisos, mas antes a apresentar verdades espirituais de forma simbólica e com a atraente roupagem de histórias romanceadas. Foi muito interessante deparar com uma narrativa que do ponto de vista da ficção seria altamente inverossímil e que como fato histórico desafia toda suspensão da descrença, mas que faz pleno sentido como um edificante ensinamento de cunho espiritual.

[Atenção: o trecho a seguir pode ser considerado SPOILER.] A história de uma moça que passa a vida disfarçada como homem até é crível, e encontra respaldo na vida de Santa Marina, que apresenta curiosas semelhanças com alguns pontos da narrativa de “50 Anos Depois”. Contudo, tive muita dificuldade em aceitar que uma gravidez passe totalmente despercebida por um marido ou pai, que no dia anterior ao parto convive com a esposa ou filha, aceitando como factível que no dia seguinte exista um filho ou neto a mais na família... Essa situação só adquiriu sentido para mim quando imaginei a história sendo ditada por um espírito desencarnado e sintonizado em questões bem mais sutis e sublimes, estando por esse motivo propenso a cometer esses deslizes ao narrar uma trama envolvendo essas rudes minudências da carne... [fim do trecho com possível SPOILER].

A sensação que tive ao ler esse livro foi semelhante à proporcionada pela leitura de “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, outra obra de Chico Xavier, ditada pelo espírito de Humberto de Campos. Penso que são livros repletos de sabedoria e verdades espirituais, e que devemos lê-los imbuídos dessa percepção. Talvez seja um erro buscar nessas obras evidências de cunho histórico ou factual.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590


sábado, 23 de novembro de 2019

AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES – Conan Doyle



Acho que todo mundo deveria ter alguns livros favoritos, desses que nunca cansamos de reler. Já perdi a conta de quantas vezes revivi essas amadas “Aventuras de Sherlock Holmes”! Cheguei ao ponto de quase saber de cor alguns dos imortais diálogos trocados entre Holmes e seu fiel escudeiro Watson enquanto deslindavam os mais intrincados e sinistros mistérios...

Quanto às histórias em si, claro que estão gravadas em meu coração. O que não diminui em nada o prazer da leitura, renovado e aumentado a cada vez. Sempre encontro algum novo aprendizado. Dessa vez, por exemplo, me chamou a atenção o fato de as histórias serem conduzidas por um senso de justiça implacável. Não é incomum, nas aventuras de Sherlock Holmes, que o malfeitor seja punido em consequência direta de suas próprias más ações, por uma justiça mais refinada que a dos homens. Mesmo antes de abraçar a doutrina do kardecismo, ao final da vida, Conan Doyle já demonstrava ser bastante sensível à inapelável lei do karma...

Outra surpresa que tive nessa releitura foi constatar o quanto algumas questões abordadas no livro continuam (infelizmente) muito atuais. No conto “A Faixa Malhada”, por exemplo, Holmes afirma:

“Quando um médico desvia-se do bem, torna-se o pior dos criminosos.”

Li essa frase em sincronicidade com algumas tristes reflexões sobre como atualmente a prática da medicina, ao menos em nosso país, está tão emaranhada com interesses financeiros que ficou difícil distinguir o que é medicina e o que é comércio...

Outra sincronicidade chocante foi me deparar, no conto “As Cinco Sementes de Laranja”, com a seguinte descrição da infame KKK:

Ku, Klux, Klan é o nome derivado da semelhança imaginária com o som produzido ao carregar uma espingarda.”

Será que a obsessão por armas está sempre ligada ao racismo e à intolerância? O nome KKK, com sua associação a armas de fogo, devia evocar o mesmo tipo de prazer pervertido nos capuzes brancos que hoje o símbolo da “arminha” evoca em alguns “cidadãos de bem”, com seu novo partido treisoitão e seu racismo (e homofobia e misoginia e intolerância religiosa etc. etc. etc.) cada vez mais mal disfarçado. Como bom baiano e apreciador de Freud, não posso deixar de pensar que a origem de tanta agressividade mal direcionada só pode estar em sérios problemas sexuais.

E como músico e fã de Sherlock Holmes, só posso concordar com meu herói quando ele diz:

“Não há mais nada a fazer e a dizer hoje mesmo, por isso dê-me meu violino e vamos experimentar esquecer por meia hora esse tempo miserável e o procedimento ainda mais miserável dos nossos semelhantes.”

E viva Sherlock Holmes!




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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”


Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:


sábado, 16 de novembro de 2019

RESENHA - “DE AMOR E OUTRAS INSANIDADES” (LITERATURA NACIONAL) - CHRISTIAN PETRIZI



LIVRO: “DE AMOR E OUTRAS INSANIDADES” (LITERATURA NACIONAL)
AUTOR: CHRISTIAN PETRIZI
EDITORA: CLUBE DE NOVOS AUTORES
 PÁGINAS – 246
1ª  EDIÇÃO 2019
CATEGORIA: CONTOS BRASILEIROS
ASSUNTO: CONTOS DE SUSPENSE E MISTÉRIOS
ISBN: - 978-10-8207-669-5

DE AMOR E OUTRAS INSANIDADES

CITAÇÃO:

“Mas as recordações não duraram muito, porque um barulho de talher caindo no chão desviou sua atenção do experiente casal de namorados. Ele se virou para trás e observou a ruiva que se abaixava para pegar o garfo caído. Em seguida, o garçom apareceu e fez a troca do talher por outro igual e limpo. A jovem deveria ter aproximadamente uns vinte e cinco anos e estava vestida de modo bastante discreto, com uma blusa de moletom azul marinho sobre uma relativamente justa calça jeans no mesmo tom. Só não parecia estar bem, como ele podia observar. Ela apoiou o cotovelo direito na mesa e começou a massagear o centro da testa com a ponta do dedo indicador. [...]” (Conto: Assassinato online - pág. 05)

ANÁLISE TÉCNICA:

-CAPA-

Pequenas flores brancas como se saíssem do solo. Fundo todo preto.
Capa bem delicada no meu ponto de vista.

NOTA: 4,70 DE 5,OO

-DIAGRAMAÇÃO:

As folhas são brancas com letras acima da média.
Conteúdo: três contos intercalados.

NOTA: 4,50 DE 5,00

- ESCRITA:

As narrativas são em primeira pessoa pelos protagonistas dos contos.
A linguagem é acessível, em alguns trechos hilários e outros surpreendentes, alguns com termos mais ‘vulgares’(nada pernicioso ou em excesso, apenas bem incluídos no texto) e de fácil entendimento.

NOTA: 4,80 DE 5,00

CITAÇÃO:

“Assim que o despi, dei dois passos para trás e fiquei observando por um tempo o corpo sem vida que ainda me excitava mais que tudo, pois se conservava quase o mesmo de quando o via correr pelas estradas de Visconde, om apenas algumas rugas marcando sua face. Meu primeiro pensamento foi: já li tanto que os necrófilos perseguem profissões onde podem exercer suas preferências, e comigo, mais uma vez, veio tudo de bandeja, pelas mãos do destino.” (Conto: Josélia dos Caixões – pág. 87)


SINOPSE:

“Um jovem introvertido herda a funerária do pai, após se formar em Administração de Empresas. Sendo a única da cidade, o sucesso financeiro estaria garantido, não fosse a necrofilia o fetiche (ou parafilia) do qual tentava se livrar.
Um empresário estrangeiro vivendo em nosso país, há vários anos separado da mulher e filho. Fugir da solidão passou a ser seu objetivo quando conheceu uma nova companheira. Não estivesse sua razão tão afetada por esse mal, perceberia a cilada em que estava caindo, pelas mãos de uma mulher doente e que desejava apenas testar seus limites, cometendo o crime perfeito.
Dois rapazes solitários vivendo no fervilhante bairro boêmio da Lapa carioca. Um garoto de programa que decide mudar o rumo da sua vida e um mineiro fugindo de uma grave traição. O encontro marcado numa sala de bate-papo da internet foi o caminho escolhido para o encontro dos dois. Uma via que pode levar ao risco extremo quando não se conhece o verdadeiro passado das pessoas que encontramos pela frente.
Contos sobre Amor, Solidão, Irracionalidade e Horror.”

CITAÇÃO:

“-Não existe nada relacionado com mentiras ou deslealdade pra te contar. Aliás, eu falei que já tinha teclado outras vezes com outros caras em bate-papo. Contei inclusive que já estava saturado disso e quase deixei de falar contigo depois de me passar teu número de celular, pensando que você era mais um desses putos que inventam histórias na internet, mas que na verdade só querem uma foda pra se aliviarem no final da noite.” (Conto: Implacável sedução, inexorável solidão – pág. 196)

RESUMO SINÓPTICO:

O  livro consiste em três contos:
Implacável sedução, inexorável solidão = Dois rapazes solitários vivendo no fervilhante bairro boêmio da Lapa carioca. Um garoto de programa que decide mudar o rumo da sua vida e um mineiro fugindo de uma grave traição. O encontro marcado numa sala de bate-papo da internet foi o caminho escolhido para o encontro dos dois. Uma via que pode levar ao risco extremo quando não se conhece o verdadeiro passado das pessoas que encontramos pela frente.
Josélia dos Caixões = Um jovem introvertido herda a funerária do pai, após se formar em Administração de Empresas. Sendo a única da cidade, o sucesso financeiro estaria garantido, não fosse a necrofilia o fetiche (ou parafilia) do qual tentava se livrar.
Assassinato online =  Um empresário estrangeiro vivendo em nosso país, há vários anos separado da mulher e filho. Fugir da solidão passou a ser seu objetivo quando conheceu uma nova companheira. Não estivesse sua razão tão afetada por esse mal, perceberia a cilada em que estava caindo, pelas mãos de uma mulher doente e que desejava apenas testar seus limites, cometendo o crime perfeito.
De acordo com o autor os contos foram escritos entre 2012 e 2015 e eram em formato adaptado de pequenos romances.
“A decisão de reuni-los num só volume se deu pelas características comuns que os interligavam: a solidão doentia como pano de fundo em todas as tramas é a principal delas. A solidão que turva a razão na hora de escolhas. A solidão que enlouquece. A solidão que faz aflorar a psicopatia. Um mal cada vez mais presente em nosso meio cada vez mais virtual”.


ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR:

Nem sei como começar essa resenha, juro... Tem livros que são tão interessantes e bons que fico sem palavras para descrevê-los, colocar meus sentimentos quando fiz a leitura, e esse é o caso aqui.
Tenho lido muitos livros de contos e o mais interessante é que cada um tem lá sua peculiaridade, seus temas, alguns com diversos autores, outro com apenas um, enfim, contos rápidos de serem lidos e outros um pouco mais longos. E o inusitado, aquilo que surpreende, conquista mais e mais... foi assim que me senti ao fazer a leitura: totalmente arrebatada pelos contos.
Um dos pontos mais importantes e que chamou minha atenção, foi o formato em que os contos estão dispostos. Eles não vem completos em uma única parte, eles vem intercalados: começamos a ler um conto, em seguida outro e o terceiro por último, um trecho de cada e depois continuam e continuam da mesma forma, trazendo grande ansiedade pela continuação, ao tempo que um suspense no que virá em seguida. Achei sensacional essa ideia. Claro que o leitor pode pular as páginas e ler cada conto na continuidade, porém não recomendo, porque o suspense não será o mesmo.
Outro ponto interessante, é a diversidade das personagens e seus ‘relacionamentos’, leiam sem preconceito e com a mente aberta, porque alguns poderão parecer chocantes, entretanto, mostram uma realidade, mesmo que não tão explícita na sociedade, porém com certeza acontecem. E o melhor.... os finais são completamente surpreendentes, de forma alguma imaginamos o fechamento de cada um, e, amo ser surpreendida.
Como recebi o exemplar 1 e não havia correção na diagramação, acredito que foi o único ponto negativo, mas não tira o brilho da obra desse excelente escritor e recomendo muito a leitura.
Tem outros livros do autor resenhado aqui no blog, espero que leiam as resenhas também. Obrigada.

NOTA : 4,70 DE 5,00

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SOBRE O AUTOR:


O mineiro Christian Petrizi é farmacêutico e bioquímico formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente vive e trabalha na cidade Rio das Ostras/RJ, onde também escreve.

Exemplar cedido pelo autor.

CHEIRINHOS

RUDY



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

O MENINO E O ARCO-ÍRIS – Ferreira Gullar



Deliciosa seleção de crônicas de Ferreira Gullar, muito apropriadamente publicada como parte da coleção “Para Gostar de Ler”. Uma boa crônica realmente pode despertar e avivar o gosto pela leitura, por ser um texto curto, leve e divertido, que muitas vezes convida a um novo e inusitado olhar diante de situações rotineiras do cotidiano.

E ainda mais quando o cronista é alguém do quilate de Ferreira Gullar. No prefácio ele modestamente se apresenta como aprendiz da arte de cronistas como Rubem Braga, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Mendes Campos (o quarteto que inaugura essa bela coleção da Editora Ática). Contudo a grande alma do poeta se revela luminosamente nesses relatos de suas vivências do dia-a-dia.

Gostei muito de saber, por exemplo, que Ferreira Gullar era dado a “frouxos de riso” diante de episódios que o deixavam nervoso ou constrangido. Eu mesmo dei boas risadas ao ler suas crônicas. Uma ótima leitura para todos os gostos!




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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.



domingo, 10 de novembro de 2019

DUELO – David Grossman



Gostei bastante dessa narrativa infantojuvenil do escritor israelense David Grossman, que apresenta com muita leveza e sensibilidade um episódio autobiográfico de sua infância, mesclado com doses generosas de fantasia.

Um duelo de pistolas é marcado entre dois idosos residentes em um asilo em Israel. O motivo do confronto é banal, mas tem origens ocultas no passado, quando os dois eram jovens refugiados da Alemanha Hitlerista que foram tentar nova vida em Jerusalém (esses detalhes são citados muito por alto na narrativa, gerando terreno propício para que os leitores investiguem e descubram por conta própria). Nesse passado, ambos amaram e foram amados pela mesma mulher.

E cabe ao menino David, amigo de um dos contendores, fazer de tudo para tentar impedir o inútil derramamento de sangue.

“Duelo” é sobretudo uma leitura divertida, que prende o leitor com tiradas bem-humoradas e um suspense bem dosado. Uma obra indicada para fortalecer o gosto pela leitura nos jovens.

Gostei especialmente desse livro pela sincronicidade de se tratar de uma obra de ficção com elementos autobiográficos, uma vez que acabo de lançar meu romance de não ficção inspirado na história da banda Imago Mortis: “DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground” (https://www.amazon.com.br/dp/B07Z5CBTQ3). Foi muito interessante acompanhar uma abordagem totalmente diferente para uma narrativa que mistura biografia e romance.




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A IMAGEM DA MORTE EM LIVRO E MÚSICA INÉDITA
Um livro contando a história do Imago Mortis motivou a reunião da formação original da banda, que gravou uma nova música após vinte anos de separação. “DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground”, de Fabio Shiva, apresenta a banda de heavy metal Imago Mortis sob uma ótica inusitada, com direito a muitas situações bizarras e episódios hilariantes.
O livro, que não se restringe aos fãs de rock pesado, faz também um apanhado das intensas transformações tecnológicas e sociais ocorridas no mundo ao longo das últimas duas décadas. Recentemente lançado na Amazon, “DIÁRIO DE UM IMAGO” está concorrendo ao Prêmio Kindle. Confira no link:


O autor, Fabio Shiva (baixo), foi um dos fundadores da banda na década de 1990. Para ajudá-lo a desencavar as histórias mais engraçadas da banda, os antigos membros Fabrício Barretto (guitarra), Alex Guimarães (teclados), Flavio Duarte (bateria) e Tufi Sami (vocais) se reuniram em um grupo no WhatsApp, junto com a manager Janna Souza e com o atual vocalista do Imago, Alex Voorhees.
O que ninguém esperava foi que desse encontro saísse uma nova música do Imago Mortis, gravada com cada músico em seu canto: Fabrício e Fabio na Bahia, Tufi e Duarte no Rio de Janeiro, Alex Voorhees no Rio Grande do Sul e Alex Guimarães no Caribe. Um exemplo mais do que adequado para as mudanças mencionadas no livro, que começa contando as aventuras da banda para gravar uma fita cassete.
A música, “O Mistério da Vida”, pode ser conferida no link:



sexta-feira, 8 de novembro de 2019

O EXÍLIO E O REINO – Albert Camus



Foi muito feliz esse meu terceiro encontro com a prosa de Camus. A primeira vez foi justamente com sua obra mais célebre, “O Estrangeiro”, que me marcou principalmente pela narrativa fluida e fácil de ler (esperava algo denso e complicado, devido à fama de filósofo do autor). Virei fã. Então encontrei uma edição de “Calígula” no original, e me atirei à leitura, mas acabei tendo de reconhecer a indigência de meus conhecimentos de francês e adiei meus suados esforços para um futuro indeterminado.

Que talvez esteja bem próximo, pelo tanto que amei a leitura dos seis contos que compõem “O Exílio e o Reino”. Depois fiquei sabendo que esse é o único livro de contos de Camus e também sua última obra, pois o autor faleceu precocemente em um acidente de automóvel pouco depois que o livro foi publicado, em 1960.

São seis contos, tão distintos entre si quanto podem ser histórias escritas pela mesma mão. O que há de comum em todos é a elegância fácil da narrativa, que tece ricas metáforas, nas quais acredito ter percebido sempre um mesmo e inusitado elemento. Ao pesquisar depois, fiquei sabendo que a crítica chama esse elemento de “absurdo”. Eu considerei como um interessante truque, que desejo experimentar em meus próprios escritos o quanto antes: deliberadamente inserir algo inexplicado e inexplicável, em meio a uma narrativa que de outra forma é bem concatenada e verossímil.
Três trechos que mais me chamaram a atenção:

“Não, ele não a amava, simplesmente tinha medo do que não era ela.”

“A história mostra (...) que quanto menos se lê, mais se compram livros.”

“Mas logo compreendeu que um discípulo não era necessariamente alguém que tem aspiração a aprender alguma coisa. Na maioria das vezes, pelo contrário, faziam-se de discípulos pelo prazer desinteressado de ensinar ao mestre.”

Albert Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1957.





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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”


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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

O MISTERIOSO CASO DE STYLES – Agatha Christie



Já perdi a conta dos livros de Agatha Christie que reli com gosto, para ser novamente ludibriado no final, por conta de não me lembrar da solução do crime. Já nesse livro, o primeiro escrito por Agatha, seria muito difícil esquecer a elucidação do mistério, um dos mais originais já tramados na literatura policial. Por isso mesmo, eu hesitava em reler esse, até que decidi justamente saborear essa perspectiva, que é saber desde o início qual é o final.

Gostei imensamente dessa experiência, não tanto pela devida apreciação da habilidade da autora em apresentar suas pistas e despistes, mas pelo fato mesmo de ser o primeiro livro da autora, e também a primeira aparição de sua mais famosa criação, o detetive Hercule Poirot. Foi muito interessante observar como de modo geral os pontos fortes de Agatha já estão presentes nessa primeira obra, assim como perceber o quanto ela foi aprimorando os detalhes de sua escrita.

Cito dois exemplos que mais me chamaram a atenção: nas obras posteriores, Hercule Poirot irá conduzir com muito mais sutileza e astúcia os seus despistes, enquanto aqui ele deliberadamente se recusa a revelar seus pensamentos ao seu companheiro narrador Hastings, sem nenhuma justificativa além de guardar suas cartas para o final. Nos livros seguintes Agatha aprendeu a fazer Poirot dizer sem dizer de forma muito mais eficiente, penso eu.

Outro ponto é o acirrado etnocentrismo da autora, que em ocasiões futuras chegaria a ser utilizado de forma cômica, como um caricatural preconceito dos personagens contra estrangeiros. Aqui, ainda não existe esse domínio, e a autora deixa escapar uma concepção vaga de um grupo de belgas exilados, que não chegam a sequer receberem a dignidade de um nome. O leitor não descobre nem mesmo quantos são os tais belgas: um belga abre a porta, outro vai chamar Poirot etc.

Também achei curiosa a transformação de Poirot, que nessa estreia aparece como um exilado estrangeiro que é acolhido pela filantropia inglesa, morando de favor em casa cedida, junto com os seus anônimos compatriotas. O sucesso desse livro determinou também um êxito financeiro para Poirot, que nas obras seguintes já aparece como um gentleman bem estabelecido, com direito até a um fiel criado, como todo cavalheiro inglês que se preza.

Independentemente dessas considerações, “O Misterioso Caso de Styles” é sem dúvida um dos melhores livros de Agatha, diversão garantida para quem gosta de um bom romance policial.



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
 
Book trailer:

domingo, 3 de novembro de 2019

CHRISTINE – Stephen King


Não resisti à oportunidade de reler esse livro ao vê-lo na estante do P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), mesmo sendo provavelmente a obra mais fraca da primeira e gloriosa fase de Stephen King. Reli no intuito de estudar a narrativa detalhada e envolvente de King, um autor que consegue dar credibilidade e verossimilhança às situações mais grotescas justamente pela minuciosa profusão de detalhes biográficos e sentimentais com que ele mune seus personagens.

Talvez por eu não me interessar muito por carros, essa releitura tenha chamado a minha atenção justamente para como o tema sinaliza uma das obsessões de Stephen King, Não tanto por “Christine”, uma vez que o autor já escreveu dezenas e dezenas de livros sobre as mais diversas nuances do terror, mas pelo fato de ele ter escolhido o conto “Caminhões” (presente no ótimo “Sombras da Noite”) como base para o roteiro do primeiro e único filme que ele se arriscou a dirigir, “Maximum Overdrive” (lançado no Brasil como “Comboio do Terror”, vide trailer: https://youtu.be/ggWS4tTzs60).


“Caminhões”, lançado em 1978, gira em torno da mesma ideia básica de “Christine”, publicado em 1983: carros adquirindo vontade e inteligência próprias e voltando-se contra os homens. Ao fazer essa conexão, lembrei do grave acidente sofrido pelo autor em 1999, quando foi atropelado por uma van, sofrendo fraturas múltiplas e perfuração do pulmão. Fiquei muito impressionado ao saber que depois de se recuperar desse grave acidente Stephen King comprou a van que o havia atropelado e a destruiu a marretadas. Não deixa de ser uma bizarra sincronicidade entre a obra e a vida do autor.


“Christine”, aliás, também virou um filme lançado no mesmo ano do livro e dirigido por John Carpenter (https://youtu.be/9aU5l2e9YlQ).



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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

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sábado, 26 de outubro de 2019

UM GENERAL NA BIBLIOTECA – Italo Calvino



Espetacular coletânea de contos do grande  Italo Calvino, que concilia lindamente Diversão e Arte. Muitos dos contos poderiam ser considerados como fantásticos, estilo que cada vez aprecio mais. Gostei especialmente de “Consciência”, que demonstra brilhantemente a absurda estupidez da guerra, e do conto-título, uma esplendida metáfora sobre a burrice da censura. Só por esses dois contos, já dá para se ver o quanto Italo Calvino continua incômodo e atual.

Achei um detalhe curioso a edição brasileira ter mudado o conto que dá o título da obra. No original italiano o título foi “Prima che tu dica ‘Pronto’ (“Antes que você diga ‘Alô’”).

Melhor deixar o próprio autor exemplificar a força poética de sua prosa:

“(...) o amor, é isso o amor de um pelo outro, desejo mútuo de arranhões e mordidas, socos também, nas costas, depois um beijo exausto: o amor.”

“Assim é: as mulheres só tiveram informações falsas sobre o amor. Muitas informações diferentes, todas falsas. E experiências inexatas. No entanto, sempre confiantes nas informações, não nas experiências. Por isso têm tantas coisas falsas na cabeça.”

“– Sabe – disse Mariamirella –, talvez eu tenha medo de você. Mas não sei onde me refugiar. O horizonte é deserto, só tem você. Você é o urso e a gruta. Por isso estou agora enroscada em seus braços, para que você me proteja do medo de você.”

“Acho que o temperamento das pessoas também depende do banheiro em que são obrigadas a se trancar diariamente.”

Em cada texto há sempre um ponto do qual nos arrependemos, ou por medo de sermos mal entendidos, ou por vergonha.

“A autoridade sobre os outros é uma coisa que só existe junto com o direito que os outros têm de fazer você subir num palanque para ser morto, um dia não muito distante... Que autoridade teria um chefe se não vivesse certado por essa expectativa?”

“(...) quem faz o mal é sempre levado a exagerar (...)”




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A IMAGEM DA MORTE EM LIVRO E MÚSICA INÉDITA
Um livro contando a história do Imago Mortis motivou a reunião da formação original da banda, que gravou uma nova música após vinte anos de separação. “DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground”, de Fabio Shiva, apresenta a banda de heavy metal Imago Mortis sob uma ótica inusitada, com direito a muitas situações bizarras e episódios hilariantes.
O livro, que não se restringe aos fãs de rock pesado, faz também um apanhado das intensas transformações tecnológicas e sociais ocorridas no mundo ao longo das últimas duas décadas. Recentemente lançado na Amazon, “DIÁRIO DE UM IMAGO” está concorrendo ao Prêmio Kindle. Confira no link:


O autor, Fabio Shiva (baixo), foi um dos fundadores da banda na década de 1990. Para ajudá-lo a desencavar as histórias mais engraçadas da banda, os antigos membros Fabrício Barretto (guitarra), Alex Guimarães (teclados), Flavio Duarte (bateria) e Tufi Sami (vocais) se reuniram em um grupo no WhatsApp, junto com a manager Janna Souza e com o atual vocalista do Imago, Alex Voorhees.
O que ninguém esperava foi que desse encontro saísse uma nova música do Imago Mortis, gravada com cada músico em seu canto: Fabrício e Fabio na Bahia, Tufi e Duarte no Rio de Janeiro, Alex Voorhees no Rio Grande do Sul e Alex Guimarães no Caribe. Um exemplo mais do que adequado para as mudanças mencionadas no livro, que começa contando as aventuras da banda para gravar uma fita cassete.
A música, “O Mistério da Vida”, pode ser conferida no link:




sexta-feira, 4 de outubro de 2019

VIAGEM AO ORIENTE – Hermann Hesse



Por incrível que pareça, reler Hermann Hesse me ajudou a ter mais empatia pela absurda figura de nosso atual presidente. Pois percebi que o que Bolsonaro sente por Trump deve ser algo parecido com o que sinto por Hermann Hesse. Se tivesse a oportunidade de chegar perto desse grande escritor, mesmo correndo o risco (muito provável) de ser desprezado, bem que eu gostaria de gritar a plenos pulmões: “I love you, Hesse! Ich liebe Dich!”

Li pela terceira vez, tomado de profunda emoção, essa obra-prima da Literatura Mundial. Considero “Viagem ao Oriente” talvez o mais acessível dos livros de Mahatma Hesse, certamente um dos mais indicados como primeiro contato com o mundo de profundo simbolismo e espiritualidade desse esplêndido autor.

Ao pensar em outras das magníficas obras de Hermann Hesse, tomei consciência de que li duas vezes várias delas: o instigante “Demian”, o abissal “Lobo da Estepe”, o inefável “Sidarta” e o colossal “O Jogo das Contas de Vidro”. Ao ler pela terceira vez justamente “Viagem ao Oriente”, que considero a porta de entrada para o mundo de H.H., penso que é chegada a hora de encetar mais uma vez essa inebriante e desafiadora jornada através de mim mesmo. Pois essa é a grandiosidade ímpar de Hesse: ele é cristalino espelho d'alma, capaz de refletir os recônditos mais profundos de nosso ser. Por isso sua leitura nem sempre é fácil, pelo contrário, muitas vezes é verdadeiramente angustiante. Mas sempre é válida e preciosa.

Fiquei surpreso com o fato de ter ficado tão envolvido na leitura, mesmo sendo a terceira vez. A um determinado ponto, cheguei a prender a respiração, de tanto suspense. É que estava para chegar a uma das frases que mais marcaram minha vida, desde que a li pela primeira vez:

“(...) a vida não passa de um jogo. É exatamente isso a vida, quando é bela e feliz... um jogo! É claro que se podem fazer muitas outras coisas, transformá-la em dever, em campo de batalha, em prisão, mas isso não a torna mais bela.”

Outra surpresa foi encontrar essa frase:
“As crianças vivem em uma das margens do desespero; os lúcidos, em outra.”

Não lembrava dela, mas de alguma forma esse ensinamento ficou guardado em meu coração, tanto que assumiu a forma desse poema, recentemente publicado na antologia “Poesia de Botão”:

SUR LA JOIE

A alegria
É para os inocentes
E para os inteligentes.

A alegria
É para as crianças
E para os capazes.

Outras belas passagens de “Viagem ao Oriente”:
“Toda a história universal parece-me resumir-se em um livro de ilustrações que retrata o desejo mais ardente e absurdo da humanidade – o desejo de esquecer. Não vemos que cada geração, através de repressões, disfarces e ridículos, destrói tudo aquilo que a anterior julgava mais importante?”

Citando o poeta Novalis:
“Para onde caminhamos sempre? Para casa!”

“(...) vivíamos como peregrinos e não fazíamos uso dos expedientes que surgem em um mundo iludido pelo dinheiro, tempo e cifras, que tiram todo o sentido da vida.”

“Quando perdemos algo precioso e irrecuperável, temos a sensação de haver despertado de um sonho.”

“Quem desejar viver muito deve servir, mas aquele que desejar governar não viverá por longo tempo.”

Sobre a motivação para escrever:
“Ou escrevia o livro, ou via-me tomado pelo desespero; era o único meio de escapar da inanidade, do caos e do suicídio.”

Fiquei muito grato e feliz ao perceber que continuo, sim senhor, fazendo parte da Confraria “Só Para Loucos, Só Para Raros” e empreendendo com muito gosto a Viagem ao Oriente!


\\\***///

Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.





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