domingo, 19 de maio de 2019

TRABALHOS DE AMOR PERDIDOS - William Shakespeare



Já fazia um bom tempo que eu não visitava o templo de alguma obra de Master Shakespeare. Foi uma linda alegria ler “Trabalhos de Amor Perdidos”, um de seus primeiros textos, que certamente traz a impetuosidade e a exuberância da juventude, aqui expressas em vertiginosos duelos verbais.

Gostei muito da tradução de Beatriz Viégas-Faria, mas não pude deixar de imaginar (como não poderia deixar de ser, em se tratando de Shakespeare) como seriam aqueles espertos e maliciosos jogos de palavras no original...

Um choque e tanto foi ler, em meio a tantas piadas, uma série de chistes profundamente racistas, que teriam feito rolar de rir ao Bozo e aos seus asseclas... caso eles não considerassem Shakespeare coisa de gay, mulherzinha e comunista!


Eu mesmo fiquei profundamente chocado comigo ao acolher esse pensamento, afinal me parece uma heresia citar o Bozo em uma resenha do grandioso Bardo. Contudo, logo após nutrir esse pensamento infame, eis que me deparo com a MELHOR explicação que já vi para o bizarro fenômeno dos Bozominions:

“Ninguém fica tão completamente preso, quando capturado, quanto o inteligente que ficou bobo. A tolice que foi ovo chocado pela sabedoria pensa que tem todas as garantias do bom senso e todo o auxílio do que aprendeu na escola, mais as benesses da própria Inteligência para beneficiar um bobalhão letrado.
(...)
A tolice nos bobos nunca é tão censurada quanto a palermice nos inteligentes. Isso porque a sapiência fica babando, uma vez que todas as capacidades mentais dali em diante serão aplicadas a provar, pelo raciocínio, que há valor na basbaquice.”

Esse texto de 1597 nos demonstra cabalmente duas coisas:
1) O profundo conhecimento de Shakespeare sobre a natureza humana.
2) O quão pouco evoluímos, de fato, desde os tempos de Shakespeare.


William Shakespeare, para mim, é quase como uma religião. Por isso, para não ter que repetir tudo o que acho obrigatório dizer sobre esse grande Avatar da Literatura, seguem os links das resenhas que fiz sobre suas obras (que reli agora para meu próprio deleite):

HAMLET
RICARDO II
HENRIQUE IV (parte I)
HENRIQUE IV (parte II)
HENRIQUE V
HENRIQUE VI (parte I)
HENRIQUE VI (parte II)
HENRIQUE VI (parte III)
RICARDO III
HENRIQUE VIII
VIDA E MORTE DO REI JOÃO
JÚLIO CÉSAR
MUITO BARULHO POR NADA
ROMEU E JULIETA
SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
MACBETH
TEATRO COMPLETO – DRAMAS HISTÓRICOS


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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO

sexta-feira, 17 de maio de 2019

O AGENTE BRITÂNICO – Somerset Maugham



Dificilmente haverá um escritor mais dândi que Somerset Maugham! Talvez Oscar Wilde tenha sido mais dândi na vida, mas na prosa não há como superar o extremo refinamento estético do autor de “Servidão Humana” e “O Fio da Navalha”.

“O Agente Britânico” é o terceiro livro dele que eu leio. Trata-se de uma série de histórias de espionagem vividas pelo protagonista Ashenden, alter ego de Maugham (que realmente trabalhou para o serviço secreto durante a I Guerra Mundial). Apesar de ser apresentado como um romance, está mais para uma sequência de contos interligados, narrados com o brilho e a ironia habituais de Maugham.

Um trecho que me chamou a atenção é a cena em que uma alta personalidade política conta para o espião Ashenden uma embaraçosa história de amor, supostamente acontecida com “um amigo”, mas que gradualmente se vai percebendo que aconteceu com o próprio narrador do episódio. Não pude deixar de ligar esse trecho à obra-prima de Maugham, “Servidão Humana”, que assim como “O Agente Britânico” foi livremente inspirada em fatos vividos pelo autor.

Ora, o tema principal de “Servidão Humana”, assim como dessa historieta narrada em “O Agente Britânico”, se me permitem uma rude expressão, que nada tem de dândi, mas que consegue ser perversamente exata em sua crueza: é o “chá de calçola”, que em bom baianês descreve a situação de um sujeito que fica totalmente submisso à mulher (esta, geralmente, de má índole).

Só posso imaginar que deve ter sido mesmo uma experiência muito traumática a vivida pelo autor, para que ele sentisse necessidade de voltar ao tema depois de ter dedicado um romance inteiro (belíssimo, por sinal) a esse trauma. E também admirei a graça e a perícia com que o autor fez isso, desmascarando a fútil tentativa de seu personagem de estar contando a história de “um amigo”... Uma dupla ironia, na qual, ao mesmo tempo, o autor também se expõe.

É muito interessante pensar sobre como muitos escritores encontram na escrita a melhor forma de lidar com seus traumas e obsessões...




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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:


quarta-feira, 15 de maio de 2019

AULAS DE LITERATURA – Julio Cortázar



Que deleite poder frequentar a classe de maestro Julio Cortázar!

Este livro é a transcrição de uma série de oito aulas (e mais duas palestras) que Cortázar ministrou em 1980 na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Creio que a maioria de seus alunos era de latino-americanos, pelas perguntas feitas e pela impressão de que as aulas foram ministradas em espanhol.

Para quem ama a Literatura, essas aulas representam um tesouro inestimável, graças ao carisma do professor Cortázar, que com sua fala macia e envolvente vai nos conduzindo por labirintos simbólicos e extremamente atrativos, a tal ponto que eu, pelo menos, não queria mais encontrar a saída, e fiquei triste (como devem ter ficado os alunos da turma presencial) quando as aulas chegaram ao seu inevitável fim.

A tristeza, contudo, acompanhou-me durante toda a duração do curso, pela percepção do abismo que nos separa, nos dias de hoje, das esperançosas alturas vislumbradas no alvorecer da não tão distante década de 1980... Cortázar nos fala de um momento em que os leitores estavam buscando nos livros algo mais que uma “mera” satisfação estética. Colocando sempre a sua jornada pessoal como exemplo, Cortázar fala de um chamado “metafísico” e “histórico” sucedendo o apelo puramente “estético”. Na mirrada literatura de entretenimento que domina o mercado atualmente, até mesmo a etapa inicial, “estética”, já parece pesada e indigesta... que dirá falar de questões existenciais ou de cunho social!

Outro motivo de tristeza é o testemunho de Cortázar de que as pessoas estavam lendo cada vez mais contos... Acho que foi o Rubem Fonseca quem primeiro me chamou a atenção para o fato de que os contos atualmente estão “fora de moda”. Fiquei tentando entender isso, afinal um conto por ser mais curto deveria ser mais atraente para um leitor preguiçoso. A explicação que encontrei foi que o conto é um mergulho em profundidade, assim como, de certa forma, o poema. Dá muito mais trabalho escrever um bom conto que um bom romance, se formos considerar palavra por palavra. Do mesmo modo, ler um conto bem escrito exige bem mais do leitor.

Outra constatação que também teve uma nota de tristeza foi a do isolamento do Brasil em meio à América Latina. Um brasileiro tem muito mais facilidade de ler um livro escrito em espanhol, que nossos irmãos latino-americanos de entenderem o nosso português. Sabe-se lá porque isso! O próprio Cortázar, que é argentino, admite não ter lido quase nenhum autor brasileiro, mas se compraz comentando a literatura chilena, colombiana, salvadorenha etc. Por outro lado, devido às dimensões continentais e à diversidade de povos e culturas que temos no Brasil, penso que está bem que assim seja.

Da mesma forma, assim como no decorrer de poucas décadas a Literatura e as Artes em geral experimentaram tamanha derrocada, nada impossibilita que voltem a se erguer em um período igualmente curto! Confio e espero que a Data Limite e a Transição Planetária tragam em seu bojo um novo florescimento artístico e literário, para o bem de toda a humanidade. Que assim seja!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 

 

sábado, 11 de maio de 2019

LIMITE ZERO – Joe Vitale & Ihaleakala Hew Len



Tomei conhecimento do mantra Ho'oponopono por volta de 2006, a partir da incrível história do médico havaiano que curou toda uma ala de criminosos insanos em uma instituição psiquiátrica simplesmente repetindo inúmeras vezes essas quatro frases:

“Sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grato”

O princípio por detrás dessa cura foi que o médico havaiano assumiu total responsabilidade pela doença dos detentos, uma vez que isso chegou à consciência dele. Esse pressuposto foi expresso de muitas maneiras em diferentes tradições espirituais, sendo a que melhor resumiu, em minha opinião, foi a sabedoria simples do preto velho Vovô Pedro: “Se você vê, tem a ver”.

Pois então. Algo em mim reconheceu intuitivamente o valor desses ensinamentos, por mais estranhos que pudessem parecer. Decidi por em prática, recitando o mantra Ho'oponopono para lidar com situações e pessoas que estavam me desafiando emocionalmente. E os resultados superaram completamente as minhas maiores expectativas! Posso dizer, por experiência própria, que vi milagres ocorrerem em minha vida, graças ao Ho'oponopono.

De lá para cá venho recitando o mantra sempre que necessário e recomendando seu uso aos amigos. Mais recentemente descobri esse link para a oração original Ho'oponopono, que considero um verdadeiro tesouro:


Certamente não foi por acaso, portanto, que minha mãe ficou tão impactada por esse livro “Limite Zero”, que o enviou para que eu lesse – antes mesmo que ela própria terminasse a leitura! Confesso que se não fosse por essa expressa determinação de Mainha, o mais provável é que eu nunca teria chegado a ler esse livro, que segue explicitamente a fórmula do “livro de autoajuda norte-americano”, que me interessa muito pouco. Contudo, agora que findei a leitura, mesmo discordando do modo de apresentação das ideias, reconheço feliz os ensinamentos que recebi. Eu te amo, Mami. Sou grato!

Acontece que Joe Vitale foi a pessoa que escreveu o artigo sobre o médico havaiano, artigo esse que viralizou na Internet e tornou o Ho'oponopono conhecido mundialmente. E o doutor Hew Len, que assina o livro junto com Vitale, é ninguém menos que o tal do médico havaiano que curou seus pacientes sem sequer conversar com eles! Então, essa dupla está mais que qualificada para apresentar o sistema Ho'oponopono em forma de livro.


Resumindo muitíssimo minhas impressões da leitura:

* Ninguém sabe ao certo como funciona o Ho'oponopono, inclusive os autores do livro, que admitem isso abertamente. Um dos princípios norteadores do Ho'oponopono é que simplesmente não temos a menor ideia do que acontece ao nosso redor: a cada momento, temos consciência de 15 a 20 acontecimentos internos e externos, enquanto acontecem milhões deles dentro e fora de nós.

* Sabe-se apenas que o Ho'oponopono é um antigo sistema havaiano de solução de problemas, ancorado na ancestralidade e, ao meu ver, em sintonia com verdades espirituais muito profundas, sendo a principal delas a de que “eu sou responsável por tudo o que acontece comigo, a todo instante”.

* Ho'oponopono é principalmente um método de limpeza emocional, de purificação de memórias e sentimentos negativos. Um dos maiores ganhos que tive com essa leitura foi realizar introspecção e descobrir o quanto a minha mente é poluída por pensamentos negativos! Creio que isso não acontece apenas comigo: experimente ficar por alguns instantes simplesmente observando os pensamentos que passam por sua mente. Acredito que você se surpreenderá com a quantidade deles que você não se atreveria a expressar em voz alta!

* Perceber a mente como poluída é um passo na libertação da identificação do eu com a mente, e dois ou três passos na libertação da identificação do eu com o corpo. Realizar práticas de purificação da mente, como o Ho'oponopono ou a meditação, são passos para identificar o eu com a alma. Assim seja!


“A paz começa comigo.”
Morrnah Nalamaku Simeona (criadora do Ho'oponopono de Identidade Própria)





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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590


segunda-feira, 6 de maio de 2019

A MORTE TEM SETE HERDEIROS – Stella Carr & Ganymédes José



Divertida e leve chanchada policial conduzida por dois craques da literatura infantojuvenil, Stella Carr e Ganymédes José. Uma combinação muito improvável de suspense e escracho, que acaba funcionando muito bem. Com direito, inclusive, a uma escancarada homenagem à Agatha Christie, que sem dúvida foi a grande inspiradora dessa aventura de mistério.

Li esse livro pela primeira vez quando eu começava a ser criança. E ao ler novamente agora, que sou criança há mais tempo, me diverti do mesmo jeito. Por isso é que esse livro é recomendado para crianças de todas as idades!


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Após o imenso sucesso do projeto POESIA DE BOTÃO, com a criação do jogo que ensina crianças a rimar e fazer poesia, é com muita alegria que comunicamos que o projeto vai virar um livro publicado pela Verlidelas Editora. Poetas de todo o Brasil já podem enviar seus poemas sobre o tema “Infância”. Está aberto o edital para a Antologia Poesia de Botão, confira no link abaixo:

sábado, 4 de maio de 2019

NOIR AMERICANO – Peter Haining (org.)



Originalmente intitulada Pulp Frictions, esta coletânea de contos policiais foi lançada em 1996, no embalo do impacto causado pelo filme Pulp Fiction de Quentin Tarantino (https://youtu.be/im-vRitDbTk).


Os contos foram selecionados por Peter Haining, que também escreveu uma breve apresentação sobre cada autor, além de um comentário sobre a história escolhida. Logo me dei conta de que eu estava curtindo mais ler essas resenhas do Haining que os próprios contos em si. É que meu interesse por histórias policiais é tanto que me considero algo como um pesquisador, e esses textos compõem um belo painel a respeito da literatura policial norte-americana clássica, que tem os seus maiores nomes incluídos na antologia: Dashiell Hammett (meu favorito), Raymond Chandler, Ross Macdonald, Cornell Woolrich e muitos outros. Além dos autores clássicos, que originalmente publicavam suas histórias em revistas que eram chamadas depreciativamente de Pulp (por serem impressas em papel barato, feito de polpa de celulose), o livro traz também autores mais recentes que também fizeram incursões no que poderia ser chamado de “Noir Americano”: James Ellroy, Ed McBain, Elmore Leonard e até Stephen King.

Um tema recorrente nos comentários de Haining é sobre como esse ou aquele autor conseguiu elevar as histórias policiais ao status de alta literatura. Eu pessoalmente acho que isso é verdade em ao menos um caso: O Falcão Maltês, de Dashiell Hammett. Na maioria dos outros casos, no entanto, acho que essa tese é defendida apenas por conta da inclusão de algumas espertas frases de efeito. Colecionei algumas delas nesse livro:

“Crianças pediam esmolas; meus pés ficaram doloridos de tanto chutá-las para longe.” – James Ellroy em “Canção Tórrida”

“Havia aquela luz da juventude em seus olhos que o medo ainda não apagara: uma luz que nenhum cirurgião consegue colocar nos olhos de uma alma ruim.” – Carroll John Daly em “O Feitiço do Egito”

“Remexemos as cinzas por alguns minutos – não que esperássemos encontrar alguma coisa, mas porque é da natureza do homem remexer em ruínas.” – Dashiell Hammett em “Incêndio Criminoso e Mais Alguma Coisa...”

“Ele sorriu como um defunto nas mãos de um papa-defunto hábil.” – Ross Macdonald em “A Andorinha Cantora”

O livro fecha com “O Relógio” de Quentin Tarantino, que eu achei meio armação, pois fiquei o livro todo curioso para ler um conto original de Tarantino, para por fim descobrir que se trata da transcrição de trecho do filme Pulp Fiction: a marcante narrativa do capitão Koons (brilhantemente representado por Christopher Walken). Acho que o livro não precisava dessa forçação de barra...



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

quinta-feira, 25 de abril de 2019

A TURMA DA RUA QUINZE – Marçal Aquino



Gostei muito de ter lido esse livro, mesmo não tendo gostado tanto do livro em si. Explico: é que sou um grande fã da força imaginativa de Marçal Aquino, desde que assisti ao filme “O Invasor” (https://www.youtube.com/watch?v=yy5I164Ck6c), que tem roteiro dele. Fiquei impactado com o filme e já li o livro duas vezes – e estou guardando o exemplar para ler uma terceira, fato raríssimo comigo, que leio e passo adiante em 99% das vezes. Depois vi o filme “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” (https://www.youtube.com/watch?v=edKYYoBKav4), também com roteiro dele, e daí virei fã de vez.


Tanto que ao encontrar esse “A Turma da Rua Quinze” no P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante) parei tudo o que estava lendo para devorar esse. Como leitor, fiquei um pouco frustrado ao ler essa história. Claro que não estava esperando uma trama tão intensa e asfixiante como a de “O Invasor”, por se tratar de um livro voltado para o público infantojuvenil. Contudo, por se tratar de livro da querida série Vagalume, minhas expectativas não eram menores, pois tinham como referência clássicos de Marcos Rey como “Mistério no Cinco Estrelas” e “O Rapto do Garoto de Ouro”, que foram os que achei mais na pegada desse do Marçal.


Sorte a minha que sou leitor e escritor, e que enquanto um se diverte, o outro aprende! Pois justamente o que fez o leitor não gostar tanto da história foi oportunidade de aprendizado para o escritor. A principal dificuldade que percebi na narrativa foi uma apresentação muito sucinta dos personagens. Quase não existem descrições físicas ou de personalidade, de modo que os rapazes e moças da turma não se distinguem muito uns dos outros, em minha opinião. Uma solução clichê seria criar algumas situações anedóticas no início da história, possibilitando revelar um pouco do temperamento de cada um.

Outro empecilho foi a repetição da mesma solução dramática, por três vezes. Não chega a ser um ponto falho, é questão de gosto, mas me pareceu um abuso do “Deus ex machina”.

Todas essas percepções resultaram em aprendizado, pelo que sou grato. Contudo o que me fez gostar mais de ter lido esse livro foi justamente comprovar que mesmo um grande talento como Marçal Aquino não nasce pronto, mas é capaz de evoluir a cada obra, ao longo do tempo. Essa comprovação reforça em mim o desejo e a determinação de me esforçar para que o escritor em mim possa se aproximar, um pouco mais a cada dia, dos altíssimos horizontes vislumbrados pelo leitor em mim. Que assim seja!


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Após o imenso sucesso do projeto POESIA DE BOTÃO, com a criação do jogo que ensina crianças a rimar e fazer poesia, é com muita alegria que comunicamos que o projeto vai virar um livro publicado pela Verlidelas Editora. Poetas de todo o Brasil já podem enviar seus poemas sobre o tema “Infância”. Está aberto o edital para a Antologia Poesia de Botão, confira no link abaixo:

domingo, 14 de abril de 2019

QUARUP – Antonio Callado



Assombroso e espetacular! Certamente um dos melhores livros que já li na vida. Aqui a meta mais alta da Literatura se expressa em toda a sua grandiosa beleza: reproduzir a vida em sua totalidade.

Um livro de muitas camadas, de múltiplos contextos e possibilidades de interpretação. Ao longo das 500 páginas de apaixonada leitura, fui enxergando primeiro o romance de ideias, no melhor estilo de Aldous Huxley em “Contraponto”, depois o Bildungsroman, romance de formação, cujo exemplo mais célebre é “A Montanha Mágica” de Thomas Mann. Mas então comecei a captar ecos de aspirações espirituais mais altas, como as que encontramos nos livros de Hermann Hesse ou mesmo de Khalil Gibran, mas com uma feição muito própria, toda sua, algo que só me ocorreu chamar de “Evangelho do Brasil segundo Antonio Callado”.

E isso tudo em meio a uma história repleta de reviravoltas, com muita aventura, heroísmo, romance e sexo, em meio a um agitado pano de fundo histórico que vai dos dias finais do governo Getúlio Vargas (1954) até os tenebrosos primeiros dias do golpe militar de 1964. O livro é recheado de personagens marcantes, com destaque para o protagonista Nando, que é de uma complexidade como só se vê na vida real, e que aos poucos vai, lindamente, se tornando simples e claro aos olhos do leitor (que souber ler). “Quarup” é isso tudo e muito mais!

Ao mesmo tempo em que experimentei um profundo êxtase ao ler esse livro, fui também acometido de uma agonia que chegou às raias do desespero, ao perceber o quanto obras de tal magnitude estão já fora do alcance da maioria dos leitores contemporâneos. A decadência da Literatura e das Artes como um todo é tanto triste causa quanto inevitável consequência de tantas insanidades que temos testemunhado no Brasil e no mundo. Uma única esperança alivia meu peito: quando as Artes decaem, o fim da civilização é certo. O novo se aproxima.




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sábado, 13 de abril de 2019

A PARTE QUE FALTA ENCONTRA O GRANDE O – Shel Silverstein



Com a exceção de “O Pequeno Príncipe”, não me lembro de ter lido um livro “infantil” que tenha me impactado tanto. A narrativa de Shel Silverstein é Poesia em seu mais elevado sentido (como eu a entendo): “a arte de dizer a Verdade através da Beleza”.

Uma história leve e rápida, que se lê em dez minutos, mas que suscita reflexões profundas, com lindas metáforas sobre relacionamentos, amor próprio, identidade, plenitude, sentido da vida...


Ao terminar essa maravilhosa leitura, só pude lembrar dos versos imortais de Drummond:

“Eu preparo uma canção
Que faça acordar os homens
E adormecer as crianças.”


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Após o imenso sucesso do projeto POESIA DE BOTÃO, com a criação do jogo que ensina crianças a rimar e fazer poesia, é com muita alegria que comunicamos que o projeto vai virar um livro publicado pela Verlidelas Editora. Poetas de todo o Brasil já podem enviar seus poemas sobre o tema “Infância”. Está aberto o edital para a Antologia Poesia de Botão, confira no link abaixo:

domingo, 7 de abril de 2019

O SOPRO DA BESTA – César Costa & Sergio Carmach (org.)



“Nas circunstâncias certas, todos são capazes de cometer o mal.”

Esse foi o mote que deu origem a essa instigante antologia, da qual tive a grande honra e alegria de participar. São ao todo oito histórias, cada uma delas totalmente diferente das demais, indo da sátira ao terror, do suspense histórico ao drama psicológico. Ao mesmo tempo, ao findar a leitura, o leitor tem a impressão de que esses contos tão diversos de alguma forma compõem um mosaico coeso, refletindo cada um ao seu modo o tema comum a todos. Mérito dos organizadores da antologia, que souberam combinar muito bem os autores e suas respectivas histórias.


O livro começa com “Som Alto”, conto de minha autoria e inspirado em fatos reais que são infelizmente vivenciados por inúmeros brasileiros, principalmente nos finais de semana: é o caso dos vizinhos “generosos”, que adoram compartilhar o seu (mau) gosto musical com toda a vizinhança. E o mais irritante é que parece existir uma misteriosa lei cósmica, que estipula que quanto pior for o gosto musical de uma pessoa, mais ela sente a necessidade de impor o que ela ouve aos outros, carregando no botão do volume!

Esse assunto me incomoda tanto que cheguei a escrever, em parceria com meu irmão Fabrício Barretto, o roteiro de um curta em animação denunciando esse ato de desrespeito que simboliza tão perfeitamente tantas coisas que andam erradas em nosso país. Acho muito curioso e até suspeito que não seja de conhecimento geral uma descoberta científica da maior importância: ouvir música muito alto (ou qualquer outro barulho) provoca impotência sexual nos homens!!! Essa impotência é devida a um dano neurológico irreversível, ou seja, não pode ser curado por meio de viagras ou outros tratamentos! Se você não acredita nisso (como eu não acreditei quando soube), dê uma pesquisada na Internet. Seus futuros filhos ainda não nascidos agradecem! Faço questão de divulgar essas informações aqui e sempre que possível, pois bastaria esse fato se tornar de conhecimento público e notório para gerar uma transformação radical no comportamento dos mal educados de plantão.

Ainda sobre “Som Alto”, a narrativa é intercalada por letras das músicas que estariam sendo tocadas no último volume. Uma curiosidade sobre essas letras é que elas faziam parte de um projeto que também desenvolvi com meu irmão Fabrício, chamado de “Ultrapagode”. A ideia era ironizar as letras de baixo calão e sexismo que infestam as rádios baianas (mas não exclusivamente). Acabamos abandonando esse projeto ao notar, desolados, que a nossa ironia passaria totalmente despercebida: fomos absolutamente incapazes de fazer algo ainda mais tosco e grosseiro do que aquilo que estava fazendo sucesso na boca do povo!


“O Sopro da Besta” segue em grande estilo com “O Fantasma da Vila”, tétrica narrativa de Sergio Carmach ambientada no século dezessete, com excruciantes descrições de uma terrível sessão de tortura. O alívio cômico vem com “O Sequestro de Deus”, de Jacob El-Mokdisi, narrativa farsesca de humor agridoce, pois os absurdos retratados na história estão mais próximos de nossa realidade do que qualquer um de nós gostaria.

“Sem Sinal”, de César Costa, é um angustiante e escatológico suspense que faz o leitor perguntar a si mesmo o que faria caso estivesse na difícil posição do protagonista. Já em “Boi Manso”, de Jowilton Amaral, temos uma história de macabra ironia, que mescla bem o cômico e o pavoroso.

“As Duas Mortes de Amanda”, de Priscila Pereira, situa-se com asfixiante nitidez no triste cenário da enfermidade mental. “Humano e Trivial”, de Mogg Mester, é uma história dentro de uma história, que convida o leitor a percorrer alguns dos sombrios labirintos das motivações humanas. Esse conto, aliás, abre com o achado de uma frase de Jung que também resume muito bem a proposta da antologia:

“Se ainda não cometi um assassinato, é porque ainda não me apertaram o botão da animalidade.”

O livro encerra com “Cilada”, de Ilana Sodré, narrativa bastante gráfica e visual de uma terrível vingança, levada a cabo com requintes de crueldade.

Parabéns à Verlidelas Editora (https://www.facebook.com/verlidelas/) por mais um livro publicado com muito esmero e qualidade! Salve a nossa Literatura Brasileira!

O livro “O Sopro da Besta” pode ser adquirido diretamente no site da editora:

  
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