domingo, 20 de janeiro de 2019

RESENHA - “A BESTA DE LUCCA” (LITERATURA NACIONAL)



LIVRO: “A BESTA DE LUCCA” (LITERATURA NACIONAL)
SÉRIE: TRILOGIA DO APOCALIPSE
LIVRO: II
AUTOR: ILMAR PENNA MARINHO JÚNIOR
EDITORA: JAGUATIRICA
 PÁGINAS – 350
1ª  EDIÇÃO 2018
CATEGORIA: FICÇÃO BRASILEIRA
ASSUNTO: FICÇÃO
ISBN: - 978-85-5662-131-3

A Besta de Lucca

CITAÇÃO:

“-Você tá certa, filha. Vai precisar de coragem para recomeçar. Uma coisa eu te garanto: ninguém vive sem desafios e sem amor. Vai por mim.” (pág. 33)


ANÁLISE TÉCNICA:

-CAPA-

A capa toda em vermelho traz a ilustração da  IGRAJA DE SAN MICHELE, em Lucca, onde a nova ordem está se reunindo. Quer dizer, tem tudo haver com o enredo.
Projeto gráfico: Aline Martins/Sem Serifa.

NOTA: 4,80  DE 5,OO

-DIAGRAMAÇÃO:

As folhas são amareladas e as letras pretas em fonte Dante MT Std, um pouco abaixo da média. O que dificulta um pouco a leitura.
Conteúdo: sumário; agradecimentos; e, trinta e três capítulos numerados.
Formato: 14 x 21cm.
Diagramação feita por  Aline Martins/Sem Serifa.

NOTA: 4,50  DE 5,00

- ESCRITA:

A narrativa é descritiva em terceira pessoa sobre vários pontos de vista, com diálogos dinâmicos e bem linguagem contemporânea. Em alguns trechos a linguagem se transforma em um tanto poética e bem culta.
A escrita é envolvente e estimulante.
A revisão está perfeita.
Feita por: Hanny Saraiva.

NOTA: 5,00  DE 5,00

CITAÇÃO:

“-O pescador que cedo madruga, Deus protege. Não é à toaque os peixes pulam na minha rede. Nada se consegue sem suor e muito embate.” (pág. 46)

SINOPSE:

“Segundo livro da Trilogia do Apocalipse, do autor Ilmar Penna Marinho Júnior, "A besta de Lucca" é a continuação de "A besta de mil anos" e traz de volta uma das sete peças que faltam para completar a Tapeçaria do Apocalipse, a de número 75. Quem será capaz de possuir a relíquia? Ou seria ela quem escolhe seu detentor? O livro “A Besta de Lucca” revela como a famosa cena da Tapeçaria chegou até a cidade de Lucca – coração da Toscana, Itália – e nos mostra que faz parte da celebração de rituais de uma poderosa seita.”

CITAÇÃO:

“-Meu filho, na vida, nunca é tarde demais para se consertar um erro e existe sempre o perdão. Ninguém consegue viver sem a bênção do perdão.” (pág. 51)

RESUMO SINÓPTICO:

No término do livro anterior “A BESTA DOS MIL ANOS”, a obra de tapeçaria baseada no livro bíblico do APOCALIPSE, teve a cena 75 roubada do Museu de Artes Medievais, mesmo com todo esquema de segurança preparado. Nesse exemplar a cena denominada de ‘A besta aprisionada por mil anos’, surge na cidade de LUCCA, na Toscana, Itália, uma cidade medieval,  dentro de uma igreja antiga desativada, onde no momento abriga o ressurgimento da  ORDEM DOS POBRES CAVALEIROS DO APOCALIPSE, denominada agora como ORDEM DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS com seus rituais e cerimônias e tendo como grão-mestre JEAN-PIERRECHÂLONS DE ROMANÉE.
Os sete conselheiros  da ordem são convocados para um encontro secreto, inclusive o BARÃO OSWALD VON DER WERELD que de certa forma, causava alguns conflitos internos na ordem por suas opiniões um tanto adversas. Seria marcada a data para a investidura da Irmã-mor, uma mulher misteriosa que acertava sempre todas as suas previsões. “Seria a primeira cerimônia oficial de Fidelidade no exílio Ave, Besta” Ave, Besta” Ave, Besta!”
JULIA após toda a catástrofe ocorrida  Castelo de Angers e a cegueira de AURÉLIEN, retorna ao Rio de Janeiro no  Brasil, consciente de que não há felicidade e está muito triste, porém continua a busca de reerguer-se tanto pessoal, como profissionalmente. Suas matérias sobre a violência urbana e sobre o tráfico são ostensivas e a tronam uma referência nesses assuntos, embora o perigo permeie sua existência de forma opressora.
A corrupção está cada vez mais presente nos morros cariocas. Um líder poderoso se associa com o tráfico de drogas, armas e prostituição, ampliando seus horizontes, ainda mais porque as Olimpíadas serão sediadas no Rio de Janeiro, promovendo ainda mais o caos e as atividades do submundo, empoderando ainda mais os facções criminosas do morro, afetando diretamente a população, aterrorizando toda cidade. Os órgãos públicos estão próximos de um colapso geral em todos os setores.
A batalha entre o Bem e o Mal, continua vívida e a Besta, parece escolher quem serão os responsáveis por espalhar o terror, mortes, corrupções, violência, ódio, o caos...

ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR:

Nada me preparou para essa continuação muito bem elaborada. Acreditava que, apesar da tristeza e catástrofe ocorrida no final do primeiro livro, mesmo com o roubo da tapeçaria, não imaginava que a continuação poderia ser ainda melhor e mais bem desenvolvida.
Novas personagens são incluídas durante a trama e algumas anteriores aparecem novamente, não todos, o que causou certa saudade, mas nada que prejudicasse o desenvolvimento da história, porém gostaria de vê-los aqui, já que foram tão importantes no livro anterior.
A ambientação é bem descrita e torna a leitura capaz de nos fazer perceber toda divergência entre o Rio de Janeiro: a degradação das favelas em contraste com as avenidas movimentadas e luxuosas do resto da cidade; A meu ver, a história tornou-se mais crível, por mostrar um quadro real dentro da ficção criada. E não apenas isso, dá para notar nos detalhes, a pesquisa feita com intensidade, dando mais credibilidade ao enredo.
E ainda tem as personagens bem escrita e delineadas, cada um tem seu papel fixado de maneira própria e ao mesmo tempo, uma teia de ligações entre elas vai surgindo de forma quase imperceptível, até percebemos o quanto a abrangência no todo, se torna completa, trazendo uma visão mais objetivas sobre as divisões subjacentes do enredo. Achei fantástica essa forma de construção do texto.
Um livro carregado de conhecimento e cultura, lugares históricos, mostrando a complexidade dos sentimentos humanos e de suas atitudes, mostrando como o mal vai se infiltrando de maneira irreversível através da ambição, da corrupção, da facilidade em se burlar as regras, da facilidade em como o dinheiro sujo domina as necessidades. Uma trama intrincada que mostra o fanatismo religioso, carregada de crime, mistério, segredos escondidos, romance e a eterna batalha entre o Bem e Mal.
O livro é muito envolvente, reflexivo e nos faz analisar determinadas situações, nos levando até a filosofar em determinados trechos intensos. Uma leitura imperdível para quem gosta de uma trama bem escrita, bem desenvolvida, elaborada que nos leva a realmente PENSAR.
Agora é aguardar o próximo exemplar para constatarmos quem sairá vencedor dessa guerra eterna que persiste durante séculos.

NOTA : 5,00  DE 5,00

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SOBRE O AUTOR:

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Ilmar Penna Marinho Junior é natural do Rio de Janeiro. Passou a infância e adolescência na Europa, aonde aprendeu a apreciar a cultura francesa. Jornalista, formou-se em Direito pela PUC-Rio e diplomou-se em Master of Comparative Law pela Georgetown University, Washigton. Foi Secretário de Administração no Estado do Rio de Janeiro. Exerceu relevantes funções de confiança na Petrobras. Publicou os livros: Petróleo - Soberania & Desenvolvimento (Bloch, 1970), Petróleo: Política e Poder (José Olímpio, 1989), Águas profundas ou o Petróleo é nosso (Editora Revan, 1998), O Quinto Poder (Razão Cultural, 2000) e A Besta dos Mil Anos (Novo Século, 2010), primeiro livro da Trilogia do Apocalipse. Em 2018, publicará ainda o Livro III da Trilogia do Apocalipse.

EXEMPLAR CEDIDO PELA OASYS CULTURAL.

A imagem pode conter: texto


CHEIRINHOS

RUDY



sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

FAVELA GÓTICA – Fabio Shiva



Essa não é a primeira resenha que faço de um livro que eu mesmo escrevi, graças a Deus! E, se Ele quiser, tampouco será a última!

Claro está que não me cabe falar dos méritos da obra, a não ser dos que não me dizem respeito, tais como a belíssima e impactante capa feita pelo querido Sergio Carmach. Se eu visse um livro com uma capa dessas em uma livraria, garanto que ficaria doidinho para ler! Outro elogio que posso fazer é à impecável e minuciosa editoração da Verlidelas Editora, que já nasce com o firme compromisso de publicar qualidade. E também posso louvar o sinistríssimo book trailer de Fabrício Barretto, que dá o recado em 1 minuto exato:

Book trailer (YouTube):

Book trailer (Facebook):

O que quero contar aqui é um pouco dos bastidores, da “história por trás da história”: as motivações e intenções que me levaram a escrever este livro. “Favela Gótica” nasceu de um episódio traumático que tive a oportunidade de testemunhar, envolvendo uma pequena comunidade de usuários de crack. Saí dessa experiência com a nítida impressão de que não há muita diferença entre esses viciados em drogas pesadas e os zumbis dos filmes de terror. E foi exatamente aí que nasceu a ideia persistente de que no fundo toda a nossa sociedade moderna é profundamente monstruosa, em todos os níveis. E de que tudo o que chamamos de civilização não passa de uma fina camada de verniz hipócrita que cobre essa monstruosidade essencial do mundo que construímos. Uma vez que essa ideia entrou em minha cabeça, não saiu mais e passou a me assombrar dia e noite. O jeito de me livrar dela foi escrever este livro.

Por aí se pode perceber que a crítica social é a tônica da narrativa. Contudo, em termos de gênero, “Favela Gótica” pode ser considerada uma obra de fantasia ou mesmo de terror, por envolver personagens monstruosos: zumbis, lobisomens, endemoniados, vampiros, ogros, múmias e outros seres bestiais. Devido ao tom futurista/pessimista, também é possível classificar a narrativa como distópica. E como não poderia deixar de ser, há também elementos de meus gêneros favoritos: suspense policial e ficção científica. Ou seja, somente cada um lendo para saber o que achou!

[Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!]

Aqui eu quis experimentar algumas estruturas bem específicas:

1) Narrativa no tempo presente.

2) Duas narrativas paralelas, sendo uma a narrativa principal e a outra, dos “Registros Akáshicos”, uma espécie de comentário, com a progressiva introdução de uma ação paralela.

3) Uso de epígrafes no início de cada capítulo. Para facilitar a questão dos direitos autorais, utilizei apenas citações que já estão em domínio público. Fiquei satisfeito com as frases que aparecem no livro, mas por meu gosto teria citado apenas autores brasileiros.

4) O título de cada capítulo é também a última frase do capítulo. Essa ideia é uma adaptação do recurso utilizado por Clarice Lispector em “A Paixão Segundo G.H.”, que repete a mesma frase no início e no fim dos capítulos.

5) A narrativa segue uma estrutura que denominei “terceiro agarradinho”: a narração é na terceira pessoa, mas o narrador abdica de sua onisciência para seguir exclusivamente as ações do protagonista. Notei esse recurso pela primeira vez no incrível “O Talentoso Ripley” de Patrícia Highsmith.

6) Rendo um tributo especial a um de meus autores favoritos, Anthony Burgess, com citações mais ou menos ocultas a “Laranja Mecânica” e “As Últimas Notícias do Mundo”.

7) Outra citação que acabou ficando meio escondida é o título do último capítulo: “Quando nós três nos veremos de novo?”, que foi a maneira como eu traduzi a frase de abertura de “Macbeth”, minha tragédia favorita de Shakespeare: “When shall we three meet again?” Contudo fiquei surpreso ao constatar que as edições brasileiras trazem traduções bem diferentes desse verso, a ponto de tornar a citação virtualmente invisível!

8) E é claro que não poderia faltar a autorreferência! Aqui trato de uma de minhas obsessões, que também aparece em meu primeiro romance, “O Sincronicídio”: o trítono, intervalo musical também conhecido como diabolus in musica.

9) O livro é dividido em duas partes: Das Trevas e Para a Luz. Uma curiosidade é que levei três anos escrevendo a parte Das Trevas, enquanto que a parte Para a Luz foi toda escrita em exatos 30 dias!

Gratidão profunda à Musa Melpômene, por me permitir ouvir o seu dorido e plangente canto! E viva a nossa Literatura Brasileira!



Adquira o livro “Favela Gótica” no link abaixo:


sábado, 15 de dezembro de 2018

QUEBRA DE CONFIANÇA – Harlan Coben



Enquanto lia esse livro, a metáfora que pulou à minha mente foi o glutamato monossódico. Tal assombrosa substância é muito usada por nossa indústria alimentícia (saturando knorrs, sazons e ajinomotos da vida, além de todo tipo de coisas comestíveis). O glutamato monossódico é assombroso por dois motivos:
1) Ilude o cérebro, fazendo-o acreditar que o alimento ingerido é saboroso.
2) Mata alguns neurônios a cada vez que é ingerido.

Se precisássemos de um exemplo escandaloso do quanto nossa sociedade está enferma e insana, meu voto iria para o glutamato monossódico. Desde que tomei consciência dessa aberração de nossos tempos, parei de ingerir o tal veneno. Se por algum acidente engulo um bocado na casa de alguém ou em algum restaurante, já não sinto mais o sabor do tempero, nem da comida. Apenas a enjoativa toxina do glutamato monossódico.

A moral da história é óbvia: uma vez desmascarada, a mentira perde o poder de enganar. E o mesmo se dá em livros como esses do Harlan Coben, aparentemente escritos com o único propósito de ganhar dinheiro. Uma vez que a receita do bolo industrial é identificada, todo o sabor vai embora.

Aqui, no primeiro livro da série de Myron Bolitar, agente esportivo e detetive nas horas vagas, a fórmula é um pouco diferente da normalmente seguida nos livros de Coben. Mas não deixa de ser fórmula.

Certamente haverá quem goste. Afinal, Harlan Coben é autor de inúmeros best-sellers. Quanto a mim, só não considerei essa leitura uma total perda de tempo devido às seguintes reflexões. Em primeiro lugar, me espantei como sempre com a constatação de que existe mesmo gente que se dedica a escrever tendo como principal (se não único) objetivo ganhar dinheiro. Mas então pensei: por que será que as pessoas que compram livros geralmente preferem comprar justamente os que são escritos só  para serem vendidos?




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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

CAPOEIRA ANGOLA – Waldeloir Rego



Que obra estupenda! Um estudo colossal sobre a Capoeira, verdadeiro manancial de ensinamentos para todos que desejam se aprofundar nas origens, história e fundamentos dessa linda arte!

Como nada nesta vida acontece por acaso, esse livro foi um fiel e precioso companheiro durante um momento muito difícil, em que devido a dores no ciático fiquei impedido de frequentar as aulas de capoeira de Mestre Tyko Kamaleão na Casa da Música. Mais do que o ciático, doeu a alma, bem lá no fundo, ao ser privada tão bruscamente dessa gostosa brincadeira que a vinha libertando, “um milímetro por dia”, no sábio ensinamento de Mestre Tyko Kamaleão. Fiquei muito triste e revoltado a princípio, mas à medida em que fui compreendendo que a Capoeira estava trazendo para mim um novo aprendizado, fui deixando de me rebelar contra esse meu momento, fui passando a aceitá-lo como uma oportunidade e um desafio, e assim comecei o meu processo de cura. Que passou certamente pela leitura de “Capoeira Angola”. Eu não estava podendo gingar, mas nada me impedia de continuar aprendendo Capoeira!


O que mais chama a atenção nesse livro incrível é a profusão e minúcia dos conhecimentos transmitidos. Por exemplo, ao falar do período em que a Capoeira era combatida pela polícia (como contravenção prevista no código penal de 1890, sujeita a pena de prisão de três a seis meses, com agravantes) o professor Waldeloir conta a história da polícia no Brasil, desde a sua criação (os policiais eram chamados inicialmente de “quadrilheiros”, por estarem responsável por áreas urbanas divididas em “quadras”)! Ou então, ao analisar alguns corridos de capoeira, o autor examina a etimologia de cada uma das palavras utilizadas no canto, com abundância de citações em alemão e francês!

Essa minúcia possibilita um rico e profundo aprendizado sócio-etnográfico, que vai muito além da Capoeira. Por exemplo, gostei muito de aprender a origem da palavra “aquinderreis”, que surgiu de “acudam aqui d’el-Rei”, expressão do tempo do Brasil Colônia que era usada quando se estava sendo atacado por alguém e se precisava de ajuda armada (pois somente em nome do Rei era permitido portar armas). Na época em que o livro foi publicado (1968), esse termo já era muito pouco utilizado, apenas pelos capoeiristas anciões, que diziam “fulano gritou aquinderreis”, no sentido de que “fulano pediu socorro”. Pois hoje, em 2018, é provável que já nenhuma pessoa viva se utilize dessa expressão. Esse tipo de aprendizado emociona o escritor em mim, pois revela a nossa língua como uma entidade viva, em constante mudança e evolução.


Só para citar um dos ensinamentos diretamente ligados à Capoeira, com esse livro aprendi que a palavra “Berimbau” deriva de “boro ‘mbumba”, sendo que “boro” significa “falar” e “’mbumba” era uma espécie de receptáculo sagrado para o espírito dos antepassados. “Berimbau”, portanto, é o instrumento que nos permite “falar com os mortos”, ou seja, entrar em sintonia direta com a ancestralidade. Está explicado o arrepio de êxtase que todo capoeira sente ao som do gunga!

“Capoeira Angola” é uma obra irrepreensível, sob todos os aspectos. A tal ponto que, em determinado momento da leitura, comecei a alimentar a certeza de que o autor era negro (o que confirmei apenas agora, ao ver sua foto na Internet). Explico: a sensação que tive foi que o livro foi escrito antecipando e já se precavendo contra todo o tipo de ataque racista, por se tratar de obra acadêmica versando sobre cultura, religiosidade e tradições de matriz africana. O professor Waldeloir Rego me lembrou um pouco um de meus heróis, o cientista indiano Jagadish Chandra Bose (citado na “Autobiografia de um Iogue” de Paramahansa Yogananda e também em meu romance “O Sincronicídio”), que descobriu a vida secreta das plantas e dos metais, e que enfrentou com galhardia o racismo dos cientistas europeus, que não davam crédito aos seus estudos apenas devido à tonalidade de sua pele.


Pois então. Isso me motivou uma fecunda reflexão, bastante pertinente a nossos dias, quando forças retrógradas ganham ascensão no cenário nacional e mundial, e discursos racistas, machistas e homofóbicos são apoiados por boa parte da população. Esse livro me fez pensar que resistência é superação. Graças à luta contra o machismo, por exemplo, as mulheres provaram seu valor, tornando-se de modo geral mais eficazes que os homens em todos os campos. Assim como, graças à luta contra a escravidão, surgiu a arte da libertação, também chamada de Capoeira!

Gratidão a Mestre Tyko Kamaleão pelo empréstimo dessa obra magnífica e por me ensinar tanto, na roda e na vida! Viva meu mestre!

Livro disponível em PDF no link:


Sobre Waldeloir Rego:




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

HÁ DOIS MIL ANOS – Chico Xavier (Emmanuel)



Obra sublime, comovente e inspiradora, que envolve o leitor em uma trama emocionante ao mesmo tempo em que transmite os nobres valores e ideias ensinados por Jesus Cristo. Esta é uma das principais obras ditadas por Emmanuel, mentor de Chico Xavier, que narra as desventuras e duros aprendizados do senador romano Públio Lentulus, contemporâneo de Jesus e encarnação prévia do próprio Emmanuel.

Este livro foi uma grata e sábia companhia das meditações matinais dos últimos meses. Antes de cada meditação, eu e minha esposa Fabíola Campos líamos uma ou duas páginas, acompanhando com grande interesse as reviravoltas da história e refletindo sobre os ensinamentos transmitidos. Não foram poucas as vezes em que o trecho lido fazia referências luminosas a algum assunto em especial sobre o qual estávamos refletindo, sugeria soluções para problemas que nos afligiam ou mesmo confirmava alguma nobre resolução que havíamos acabado de tomar.


Como sempre que leio um livro psicografado por Chico Xavier e ditado por Emmanuel, fico deliciado com o estilo rebuscado e tão cheio de adjetivos que seria sumariamente condenado por qualquer manual de escrita, mas que funciona tão bem na prosa do Mahatma Chico!

Recentemente foi divulgada uma Fake News sobre uma suposta profecia de Chico Xavier sobre um “Cavaleiro Branco” que conduziria o Brasil a uma nova era de progresso, e que muitos relacionaram ao nosso funesto futuro presidente. Fiz questão de pesquisar para comprovar que a tal profecia era uma farsa, desmentida pela Federação Espírita Brasileira e pelo Instituto André Luiz. Contudo nem precisaria, pois só de ler a tal profecia tive certeza de que aquele texto tosco jamais teria passado pela pena de Chico! Enfim, cada um vê o que quer ver. Não deixa de ser mais um triste episódio desse momento tão sombrio de nosso país, terem utilizado de forma tão mentirosa a imagem de um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Felizmente, a verdade tem a incorruptível característica de sempre dar um jeito de aparecer.

Disponível em PDF no link:
Áudio livro:

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

domingo, 2 de dezembro de 2018

A ALAMEDA DOS ALGODÕES FLUTUANTES – Mogg Mester



Foi uma grata surpresa descobrir que as histórias de “A Alameda dos Algodões Flutuantes” giram em torno de uma árvore que me é muito querida: a mafumeira (https://pt.wikipedia.org/wiki/Mafumeira), cujas sementes são envoltas em fibras semelhantes a algodão. Há uma mafumeira perto da Casa da Música, no Abaeté, e sempre me lembrarei dela em conexão com um evento muito especial, que foi o meu casamento com Fabíola Campos na capoeira (https://youtu.be/UJ7RhQjvNm0). Foi uma linda cerimônia celebrada por Mestre Tyko Kamaleão, com a Casa da Música lindamente decorada por meus malungos da Capoeira Mutações com folhas de aroeira e tufos algodoados de mafumeira.


Os contos de “A Alameda dos Algodões Flutuantes” são narrados com grandes doses de realismo fantástico, dentro da melhor tradição de Gabriel García Márquez. As histórias são sutilmente interligadas e marcadas por um forte apelo simbólico. Pós-graduado em Psicossomática Junguiana, Mogg Mester constrói em seus contos um belo e delicado labirinto de símbolos superpostos, que ficam reverberando na mente do leitor.

O autor Mogg Mester é um amigo querido, com quem tive a alegria de participar de uma obra coletiva, “Escritores Perguntam, Escritores Respondem”, juntamente com outros queridos amigos, dentre os quais Sergio Carmach, autor do excelente “Para Sempre Ana” e editor da Verlidelas (https://www.verlidelas.com/), responsável pela publicação de “A Alameda dos Algodões Flutuantes”. A edição é primorosa nos mínimos detalhes, desde a belíssima capa à esperta diagramação, que tornam a leitura ainda mais prazerosa.

É interessante como tudo está conectado, sempre, mesmo que só percebamos fragmentos aqui e ali dessas onipresentes conexões. Como bem observou o Sergio, nas histórias do livro de Mogg algo de mágico acontece toda vez que “as mafumeiras choram algodão”. Não foi diferente no meu caso, na vida “real”: um casamento na capoeira pode muito bem ser descrito como algo mágico!


Tive a grande honra de ser convidado a escrever algumas palavras sobre a obra e o autor na contracapa desse lindo livro:

“Um autor de grande força imaginativa, que escreve com o coração. Sua narrativa é ágil e envolvente, capturando o leitor da primeira à última página. Atreva-se a mergulhar no mundo fascinante e perigoso de Mogg Mester!”

E viva a Literatura Brasileira!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O LADRÃO DE ARTE – Noah Charney



O que primeiro chama a atenção nesse livro é a capa de design esperto, com um buraco recortado no lugar onde deveria estar a pintura. Muito criativo!

Ao ler o primeiro capítulo, contudo, tive vontade de desistir da leitura, devido ao excesso de clichês. Resolvi ler ao menos mais um capítulo, e acabei curtindo bastante os comentários e reflexões sobre o mercado das obras de arte, e também a respeito da eterna pergunta: o que é arte?


Os exemplos citados no livro são bem eloquentes. É fácil identificar “A Anunciação” de Caravaggio (https://goo.gl/images/q89Djo) como uma obra de arte. Mas sem um conhecimento prévio da história que motivou obras como o “Suprematista Branco sobre Branco” de Malevich (https://goo.gl/images/x6rPnz), quantos afirmariam sem hesitar que se trata de fato de uma obra de arte?


Outro debate diz respeito aos valores estratosféricos alcançados por essas ditas obras de arte nos leilões modernos. Recentemente o “Retrato de um Artista (Piscina com duas Figuras)” de David Hockney (https://goo.gl/images/rPVNJq) foi vendido pelo valor recorde de 90,3 milhões de dólares (equivalente a 330 milhões de reais). Em minha opinião, isso demonstra o quanto ainda somos atrasados como civilização. É imoral e hediondo que um pedaço de pano pintado seja comercializado por essa soma que poderia alimentar milhões de crianças, que literalmente poderia salvar inúmeras vidas.


Sobre a trama do livro em si, achei mais ou menos. Há momentos interessantes, mas um excesso de influência de Dan Brown (nos enigmas escondidos a serem decifrados) e de Harlan Coben (no festival mirabolante de reviravoltas no final). Um dos maiores defeitos da obra é o excesso de personagens, talvez uma exigência da história ambientada em várias locações.

Mesmo não gostando tanto do livro, aprecio sempre o aprendizado. Em uma narrativa construída com menos habilidade, podemos enxergar melhor os fios condutores, e onde há falhas aparentes, podemos aprender sobre os acertos. E principalmente adquirimos mais recursos de análise para apreciar melhor uma obra-prima, onde não é tão fácil discernir como o truque foi feito. E viva o salutar hábito da leitura!


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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

KANRO NO HOOU – Masaharu Taniguchi



Pequeno grande livro que a Espiritualidade trouxe para minhas mãos na hora exata! Foi um grande e confortador aprendizado ler essas palavras:

“Reconciliai-vos com todas as coisas do céu e da terra. Quando houver a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo. Quando todo o Universo se tornar teu amigo, coisa alguma do Universo poderá causar-te dano. (...) Reconciliar-se com todas as coisas do Universo significa agradecer a todas as coisas do Universo. A reconciliação verdadeira não é obtida nem pela tolerância nem pela condescendência mútuas. Ser tolerante ou ser condescendente não significam estar em harmonia do fundo do coração. A reconciliação verdadeira será consolidada quando houver recíproco agradecer. (...) Se queres chamar-Me, reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra e chama por Mim. Porque sou o Amor, ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra, aí, então, Me revelarei.”

Masaharu Taniguchi (22/11/1893 – 17/06/1985) foi o fundador da Seicho-No-Ie.


Sutras Sagradas e Meditação Shinsokan (vídeo):




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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

ALCESTE / ELECTRA / HIPÓLITO - Eurípedes





Eurípedes (480 a.C. – 406 a.C.) é considerado um dos três grandes poetas trágicos da Grécia clássica, junto com Sófocles e Ésquilo. Uma de suas maiores contribuições para a dramaturgia universal foi a introdução do recurso do “deus ex machina”, expressão que indica uma solução inesperada, mirabolante e improvável para algum conflito da trama.

Atualmente o “deus ex machina” é considerado má ficção, mas é muito interessante travar contato com as primeiras histórias em que esse estratagema foi utilizado. “Alceste” é um bom exemplo desse uso, com a trama se encerrando de tal forma que ao leitor moderno só resta ficar um tempo de boca aberta, para então exclamar algo como: “Quê??? Como assim???”

Existe também uma estranheza psicológica que acaba sendo muito saborosa em uma leitura atual. Pois entre nós e os antigos gregos existem verdadeiros abismos difíceis de superar, algo que Nietzsche definiu muito bem ao dizer que a Grécia antiga era um mundo que mal podemos imaginar, “com espanto e horror”. Um exemplo dessa estranheza ocorre também em “Alceste”, que é a epítome da esposa dedicada e que aceita morrer no lugar de seu marido Admeto. Durante os funerais de Alceste, não é que Admeto tem uma briga feia com o pai, reclamando que o velho não se ofereceu para morrer no lugar dele, e que por isso foi culpa do pai Alceste morrer!

A tragédia de Electra é uma das mais famosas, por conta do “Complexo de Electra” freudiano. Só que a história não se presta tão bem à interpretação psicanalítica quanto a de Édipo. Afinal, Electra só quer matar a mãe por que esta se uniu ao amante para matar o marido!

“Hipólito” foi a minha favorita dessas três, por ser a que segue mais fielmente a estrutura da tragédia de Sófocles (meu autor trágico favorito). Nas outras duas é notável o esforço de finalizar a história de forma agradável ou amena. Não li ninguém falando sobre isso, mas talvez Eurípedes tenha se tornado o mais popular dentre os trágicos por ter meio que inventado o final feliz (junto com o “deus ex machina”).

Se você nunca leu uma tragédia grega, sugiro “Édipo Rei” de Sófocles, uma das melhores tramas que li na vida! Tanto que Aristóteles a louva em sua “Poética” como exemplo mais que perfeito do uso combinado de “reviravolta” e “reconhecimento” (dois outros recursos dramáticos muito comuns nas tragédias gregas e que continuam sendo utilizados até hoje).

E viva Melpômene, musa inspiradora da tragédia, a quem meu coração de poeta sempre rendeu os maiores tributos!



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1



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