domingo, 16 de setembro de 2018

NÃO VERÁS PAÍS NENHUM – Ignácio de Loyola Brandão



Surpreendente e assustador, esse é o tipo de livro que fica fermentando dentro da cabeça da gente depois da leitura. Escrito entre 1976 e 1981, em plena ditadura militar, “Não Verás País Nenhum” é uma asfixiante ficção científica brasileira – com ênfase na “brasilidade” da história. Brandão não se limitou em ambientar no Brasil uma história futurista, mas inventou uma forma toda própria e absolutamente tupiniquim de narrar o futuro, que acabou engendrando um livro diferente de tudo que já li, certamente nada parecido com as obras de Isaac Asimov, Arthur C. Clarke ou Robert A. Heinlein.

O próprio título já dá uma ideia do que vem pela frente, ao subverter genialmente o famoso verso ufanista de Olavo Bilac:

“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!”

Boa parte do terror da narrativa vem de uma incômoda percepção: hoje, em 2018, estamos mais próximos da surreal e pavorosa fantasia imaginada pelo autor que na própria época em que o livro foi escrito. É muito angustiante ver como um delírio tão bizarro escrito há mais de 30 anos pode trazer tanto de profecia.

Achei a leitura cansativa, árida, penosa. Mas, coisa estranha, ao finalmente terminar de ler o livro, fiquei sentindo saudades... Foi então que se tornou evidente que o cansaço da leitura vem do próprio tema em si, desse profundo mergulho na Sombra nacional: a conivência com a corrupção, o descaso com a natureza, o despudorado flerte com o totalitarismo. Esse é o lado sombrio de ser brasileiro, aqui exposto em tons de pesadelo. E hoje, mais do que nunca, o sonho ruim periga se tornar triste realidade.


Ignácio de Loyola Brandão, ao utilizar a Literatura para denunciar as mazelas do Brasil, com tanta arte e engenho, me faz ter vergonha, mas também orgulho de ser brasileiro!

Conferência sobre a obra:




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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO

sábado, 15 de setembro de 2018

A MENSAGEIRA DAS VIOLETAS – Florbela Espanca



Erótica e melancólica, picante e pungente, lasciva e lacrimosa... esses são alguns dos pares de opostos que me ocorrem diante da Poesia de Florbela Espanca. Embora seja uma autora do início do século XX, penso que sua obra é marcada por uma profunda dicotomia barroca: o corpo arde de sensualidade, enquanto a alma congela de tanta tristeza! Uma combinação que pode não agradar a todos os gostos, mas que certamente causa uma profunda impressão em qualquer coração dotado de um mínimo de sensibilidade poética.

Pois acima de tudo Florbela Espanca é uma grande Poeta! Seus sonetos são belíssimos, dotados de leveza, ritmo e encantamento. Ela foi a única mulher a ser homenageada, dentre os poetas clássicos, em nosso projeto Doce Poesia Doce (https://www.facebook.com/poesianasarvores/), em 2017. Pois é a Poeta de língua portuguesa de maior expressão cuja obra já se encontra em domínio público (eu não conheço nenhuma outra, agradeço se alguém puder indicar). Isso por si só fala da característica vanguardista de sua Poesia, precursora dos movimentos de libertação feminina.


Por falar em domínio público, este livro é fácil de encontrar para leitura online:

Eu me pergunto se ficaria tão sensível à tristeza dos poemas de Florbela se não soubesse que o ponto final de sua existência foi um comprimido a mais (ou uma caixa) de Veronal, na madrugada de seu aniversário de 36 anos. Muito me intriga o fato de tantos escritores escolherem o suicídio. Tanto que escrevi um conto a respeito, “O Armazém”, onde cito Florbela, muito antes de ter lido sequer um de seus lindos poemas:

O ARMAZÉM

Encerro esta resenha com um belo exemplo da Poesia de Florbela Espanca:

VERSOS

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...

Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês...




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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


domingo, 9 de setembro de 2018

O CASAMENTO ESPIRITUAL – Irmão Anandamoy



Maravilhosa e abençoada obra, que tenho tido o privilégio e a gratidão de ler junto com minha companheira Fabíola Campos, em pequenos trechos diários, antes de nossa meditação matinal. Creio que esta foi a quarta ou quinta vez que lemos o livro juntos, sempre retirando dele novos ensinamentos e inspirações para a vida de par.

Reproduzo abaixo a resenha que fiz ao ler o livro pela primeira vez:

O irmão Anandamoy foi discípulo direto de Paramahansa Yogananda. Nascido na Suiça, em 1948 foi estudar arquitetura na América. Aproveitou para ir a Los Angeles e visitar, na sede internacional da Self-Realization Fellowship, o autor de “Autobiografia de um Iogue”. Imagino a emoção que não o acometeu quando se viu frente a frente com o seu guru. Poucos meses depois, o estudante de arquitetura tornou-se Anandamoy, monge do ashram de Yogananda.

Durante os longos anos de sua caminhada espiritual, o irmão Anandamoy realizou inúmeras palestras, levando as palavras e ensinamentos de Yogananda para muitos corações. Uma dessas palestras foi “O Casamento Espiritual”, convertido em um pequeno grande livro, para nosso crescimento e aprendizado.

Escrito de forma singela e cativante, adquire profundidade insuspeitável a um primeiro olhar. Sem dúvida um livro precioso, destinado àqueles que pretendem fazer do amor de par um caminho de elevação espiritual.

O amor a dois pode ser muito, muito mais lindo que o sonho do poeta em “Romeu e Julieta”. Pois o amor é a expressão de uma ânsia essencial de retornar ao Todo, de unir-se ao Um. Sendo expressão do Amor maior, o amor no casamento é uma luz que ilumina o mundo!

“As dificuldades no casamento ocorrem principalmente, creio eu, quando os casais não compreendem plenamente o propósito ou o significado do casamento e o profundo elo existente entre matrimônio e caminho espiritual.”

“Apenas imagine o casamento de duas pessoas que tenham esta atitude – nada esperar do outro, e esperar muito de si próprio – um relacionamento baseado na doação. Pense nisto.”

(20.03.10)



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

sábado, 8 de setembro de 2018

TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO E OUTRAS HISTÓRIAS – Agatha Christie



Muito boa essa antologia de peças teatrais de Agatha Christie! Que começa, é claro, com “Testemunha de Acusação”, nada menos que a obra mais encenada da história do teatro britânico. Li pela terceira ou quarta vez (incluindo uma versão estruturada como novela), além de ter visto o filme de 1957, com Marlene Dietrich em marcante interpretação no papel-título. E agora soube de uma nova versão da BBC, que fiquei com muita vontade de ver.

Testemunha de Acusação (1957):

Testemunha de Acusação (2016):

Só por aí dá para se ver que “Testemunha de Acusação” é uma das melhores histórias de Agatha, sumamente bem concebida. Nessa rerereleitura, o que me chamou a atenção foram as tiradas cômicas, a que antes não dei muita importância. Creio que estou mais sintonizado na musa trágica, pois não é a primeira vez que só reparo na comicidade de um texto ao lê-lo pela segunda ou terceira vez!

Também encontrei um link para se ler essa história online:

O livro segue com “A Hora H”, versão teatral para “Hora Zero” (“Towards Zero”). Achei essa história na média, se não é espetacular, também não chega a ser ruim. Uma boa diversão.

Já “Veredicto” é puro dramalhão. Li pensando que era adaptação de uma das tramas mais açucaradas que Agatha lançou como Mary Westmacott, mas depois vi que trata-se de obra original, especialmente escrita para o teatro.

E fechando a antologia com chave de ouro, “Retorno ao Assassinato”, que é a versão teatral do ótimo “Os Cinco Porquinhos”. Só fiquei intrigado por Agatha ter suprimido o querido Hercule Poirot na peça. Por que será? Alguém sabe dizer?



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

  

sábado, 1 de setembro de 2018

A CARTA ROUBADA – Edgar Allan Poe



Já perdi a conta de quantas vezes já li os contos de Allan Poe! Certamente em pelo menos uma dezena de edições diferentes, desde a edição integral das “Histórias Extraordinárias”, passando por versões com alguns contos suprimidos, até outras como essa da L&PM, que colocam um dos contos como título do livro, juntam mais uma meia dúzia e lançam como se fosse uma nova obra. Está valendo! Quando se trata de ler Allan Poe, qualquer oportunidade vale a pena!

Não é para qualquer um ser o precursor (ou mesmo o fundador) tanto da literatura de horror quanto da história policial. Mas o que me atrai de novo e de novo para leituras compulsivas de Poe é que ele é um verdadeiro mestre do conto. Não me canso de lê-lo, porque cada releitura traz um novo aprendizado.

Dessa vez, talvez pelas histórias que compõem a seleção (especialmente “Berenice”, “Ligeia”, “A Queda da Casa de Usher” e “William Wilson”), o que mais me chamou a atenção foi o gosto de Poe pela narrativa indireta e pela sugestão acima da descrição, o que para um gosto mais moderno pode fazer algumas histórias serem consideradas um pouco cansativas. Ainda assim, amo muito tudo isso!

O destaque vai, é claro, para “A Carta Roubada”, obra-prima do conto policial, e, principalmente, para “O Barril de Amontillado”, sem dúvida alguma minha história favorita de Edgar Allan Poe. Esse conto é sinistro demais! É tão bem escrito que chega às raias da perfeição. Continua me provocando catarse mesmo depois de lido pela enésima vez!

Em meu livro “O Sincronicídio” prestei singela homenagem a “O Barril de Amontillado”, apelidando um dos personagens de Fortunato e emprestando a ele o lema: Nemo me impune lacessit (“ninguém me fere impunemente”). Ê paixão!!!



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

TOPÁZIO – Leon Uris



Trama de espionagem inspirada em fatos reais: a crise dos mísseis em Cuba, em 1962. Contudo fica difícil acreditar que exista sequer um fundo de verdade nessa história cheia de estereótipos, chavões e clichês: os russos são carrancudos e sisudos, os cubanos são rudes e sórdidos, os franceses são arrogantes e sensuais. Com a exceção do herói André Devereaux, que aprendeu todos os seus bons hábitos com os americanos. Quanto aos americanos, são simplesmente a encarnação da honra, da honestidade e da coragem.

Isso para não falar dos conceitos extremamente machistas do autor, que o fariam ser linchado em praça pública caso tivesse escrito esse livro nos dias de hoje, e não na década de 1960.

Lá pela página cento e tantas tive uma sensação esquisita, de irrealidade. É que todos os personagens da história são absolutamente bidimensionais. Não há profundidade, não há nuances. Isso é grave em qualquer romance, mas em uma trama de espionagem, aff!!!

Fiquei me perguntando o que teria visto Hitchcock nessa história para decidir filmá-la. Na verdade, o fato de “Topázio” ter inspirado um filme de Hitchcock foi minha grande motivação para ler o livro. Ao final da leitura, uma consulta à Internet me revela que na verdade Hitch foi obrigado a filmar “Topázio”, uma exigência da Universal, que intencionava “modernizar” o cinema do Mestre, que por essa época estava sendo considerado ultrapassado por alguns. Um tiro que saiu pela culatra, pois o resultado é tido como um dos piores – se não o pior – filmes de Alfred Hitchcock.


Do Leon Uris, li “Grito de Guerra”, que achei assim assim. Sei que suas obras mais aclamadas são “Exodus” e “QB VII”, mas depois desse “Topázio”, tão cedo quero voltar a ler algo dele. Muito fraquinho.




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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

COMO FAZER A GUERRA: Máximas e pensamentos de Napoleão recolhidos por Honoré de Balzac



Não sou particularmente fascinado pela figura de Napoleão, mas já fui obcecado por uma música que ele inspirou: a sinfonia Heroica de Beethoven, cuja marcha fúnebre acabou se tornando a trilha sonora de meu livro “O Sincronicídio”. Mas isso por culpa de um outro livro, escrito por um de meus autores favoritos: o incrível “Sinfonia Napoleão”, de Anthony Burgess.

Assim, esse livro com citações de Napoleão recolhidas por Balzac tinha tudo para me cativar. Gostei muito, e reproduzo abaixo as frases que mais me impactaram:

“As leis da maioria dos países são feitas para oprimir o infortunado e proteger o homem poderoso.”
*
“Um príncipe acusado por seus súditos não lhes deve nenhuma justificativa.”
*
“A adversidade é a parteira do gênio.”
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“A maior parte dos que não querem que os oprimam quer oprimir.”
*
“De cem favoritos de reis, noventa e cinco foram enforcados.”
*
“A coragem não se finge, é uma virtude que escapa à hipocrisia.”
*
“O maior perigo ocorre no momento da vitória.”
*
“As multidões precisam de festas estrepitosas; os tolos gostam do barulho, e a multidão é os tolos.”
*
“Um trono é somente uma tábua revestida de veludo.”
*
“Ninguém pode dizer o que fará em seus últimos momentos.”
*
“O melhor meio de manter a palavra é nunca dá-la.”
*
“O termo virtude política é um contrassenso.”
*
“É mais fácil enganar do que desenganar.”
*
“É batendo a cabeça umas contra as outras que as pessoas aprendem a se conhecer.”
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“O soberano sempre procede mal ao falar colérico.”
*
“Aquele que guarda mais imagens em sua memória é o que tem mais imaginação.”
*
“Muitas coisas se frustram quando fingimos não vê-las.”
*
“Nada mais imperioso que a fraqueza que se sente apoiada pela força.”
*
“A inveja é uma confissão de inferioridade.”
*
“Quem sabe adular também sabe caluniar.”
*
“Impor condições muito duras é dispensar de cumpri-las.”
*
“Há crises em que o bem do povo exige a condenação de um inocente.”
*
“Nunca é útil inflamar o ódio.”
*
“A população avalia a força de Deus pela força dos padres.”
*
“O tolo tem uma grande vantagem sobre o homem de espírito, ele está sempre contente consigo mesmo.”
*
“As pessoas lutam mais por seus interesses que por seus direitos.”
*
“Os grandes poderes morrem de indigestão.”
*
“Não há roubo, tudo se paga.”
*
“Elevamo-nos acima dos que insultam ao perdoá-los.”
*
“O acaso explica todas as nossas tolices.”
*
“As loucuras dos outros nunca nos tornam sensatos.”
*
“Com o tempo, poder em excesso acaba por depravar o homem mais honesto.”
*
“As únicas conquistas que não causam nenhum pesar são aquelas feitas sobre a ignorância.”



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
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domingo, 19 de agosto de 2018

É FÁCIL MATAR – Agatha Christie



Esse é certamente um dos títulos mais impactantes de Agatha: “MURDER IS EASY”.

Pena que a história em si não esteja à altura. Tanto que li agora pela segunda ou terceira vez sem ter o menor reconhecimento da trama.

Certamente não é um dos livros mais inspirados de Agatha. O que não impede uma leitura proveitosa e repleta de aprendizado. Comparando a trama de “É Fácil Matar” com a de alguns clássicos da Rainha, ficam evidentes alguns pontos fracos, que certamente contribuíram para essa história não ser tão boa.

É sempre complicado comentar a trama de um romance policial, pelo risco do spoiler. Por isso vou me limitar a falar de forma superficial sobre o que aprendi relendo esse livro:

* Explicação psicológica para os crimes: ou melhor dizendo, “não explica que complica”. Para exemplificar, um de meus filmes favoritos de todos os tempos é “Psicose” do Hitchcock, mas sempre achei que o filme ficaria melhor sem aqueles minutos finais com a explicação dos crimes. Não é à toa que um dos maiores vilões da literatura, o Iago de “Othelo” (Shakespeare), recusa-se a dar qualquer explicação para seus malfeitos.

* Romance misturado com mistério de assassinato dificilmente dá liga em histórias de Agatha.

* A antecipação do clímax, com a revelação do mistério um pouco antes que o costumeiro, também não funcionou bem. Agatha Christie não é um clássico à toa. E a desvantagem de ser um clássico é a grande inércia a inovações.

De todo modo, aprendi e me diverti com mais essa leitura de um livro da Rainha!




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sábado, 18 de agosto de 2018

EL OFICIO DE ESCRITOR – Ana Ayuso



Amei demais ler esse livro, que recomendo para todos que se aventuram no mundo das palavras. Não foram poucas as vezes em que me emocionei até as lágrimas, e também dei muita risada com as citações de célebres autores do mundo inteiro sobre esse “penoso ofício” de escrever.

O livro é muito bem organizado, dividido em cinco partes que abordam temas como “onde nascem as histórias”, “o processo criativo” e “a angústia de escrever”. A organizadora Ana Ayuso desempenha seu papel com muita sensibilidade e competência, costurando as diversas citações com breves comentários que dão coesão e continuidade ao texto.

Sou muito grato por essa leitura, certamente uma das melhores que fiz nos últimos tempos. Sou grato sobretudo por ter me reconhecido em tantas e tantas passagens, e principalmente nas que envolvem o “lado sombrio” de ser escritor, que ler esse livro foi como um rito de confirmação de minha vocação maior desta presente encarnação. Gratidão por sofrer desse mal: sou um escritor, graças a Deus!


Um detalhe curioso foi ler passagens de Clarice Lispector e Fernando Pessoa em espanhol. (creio que o livro não foi lançado em português). Contudo a obra está disponível (em espanhol) em diversos links como:

Encerro com essa citação, pinçada a dedo dentre tantas igualmente brilhantes e inspiradoras:

“O ofício ou arte de escrever é o torpe intento de encontrar símbolos para o inexpressável. Em solidão absoluta, um escritor intenta explicar o inexplicável. E às vezes, se tem muita sorte e o momento é adequado, uma pequena porção do que intenta fazer escorre até a realização, mas não muito. E se és um escritor com suficiente discernimento para saber que é impossível fazer isso, então não és um escritor.”
John Steinbeck



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ARQUIPÉLAGO GULAG – Alexander Soljenítsin





Esta é, sem dúvida, uma das obras mais relevantes do século XX. E foi também um dos livros mais sinistros e apavorantes que li na vida. Levei mais de seis meses para vencer as 600 páginas desse tijolo de horror e ódio, e mesmo assim só porque da página 400 em diante, exaurido pela hedionda sombra do Gulag em minha consciência, me determinei a não tocar em outro livro até chegar ao fim deste (normalmente leio alternando entre três ou mais livros).

Imagine ser despertado na calada da noite por batidas urgentes na porta. São agentes do governo, que levam para interrogatório e averiguações. Que acabam consistindo em torturas diversas, como trancar você em um cubículo infestado de percevejos por dias a fio, urinar em sua cara ou deixar você sem comer, beber ou dormir até o limite da exaustão física e mental. Isso para não mencionar as rotineiras sessões de espancamento, que muitas vezes terminam em morte, mutilações ou lesões permanentes. Se você sobrevive ao “interrogatório”, já pode confessar seus crimes reais ou imaginários em um julgamento de fachada, que não passa de uma tosca encenação pública, para então receber a merecida pena: o fuzilamento, ou então cinco, dez ou mesmo vinte e cinco anos nos campos de trabalhos forçados. São esses campos da morte as numerosas “ilhas” do Arquipélago Gulag, tema deste livro que foi escrito a partir das experiências do próprio autor, bem como dos depoimentos de mais de 200 outros prisioneiros.

A maldade humana é muitas vezes retratada nas histórias de ficção como revestida de astúcia e esperteza. Esta triste história verídica, contudo, nos mostra que a maldade está muitas vezes acompanhada da mais obtusa e embotada estupidez. Penso que todo mal, de uma forma ou de outra, é fruto direto da ignorância, esta sim o mal supremo, ao qual se referiu o Cristo em suas redentoras palavras: “Perdoai-os, Pai, pois eles não sabem o que fazem”.

“Arquipélago Gulag” é hoje, talvez, uma leitura mais relevante do que nunca, nesses tempos estranhos, em que tantos parecem dispostos a endossar o mal, apoiando e aplaudindo práticas antivida como o totalitarismo, a tortura e a execução sumária. Penso que não poderei esquecer deste livro tão cedo. Deus nos liberte da ignorância, mãe de todos os Gulags.

***

“Ah, se as coisas fossem assim tão simples! Se num dado lugar houvesse pessoas de alma negra, tramando maldosamente negros desígnios, e se se tratasse somente de diferenciá-las das restantes e de aniquilá-las! Mas a linha que separa o bem do mal atravessa o coração de cada pessoa. E quem destrói um pedaço do seu próprio coração?...”

“Nós temos a tendência a revoltar-nos contra aqueles que são mais fracos, contra os que não podem responder. Isto é próprio do homem.”

“Não gosto dessas denominações de ‘esquerda’ e ‘direita’: são arbitrárias, permutáveis e não dão conta da essência.”

“Se a natureza humana evolui, não é com muito mais rapidez do que o aspecto geológico da Terra.”

“O homem é esperança e impaciência.”

“Como fazê-los compreender (por uma iluminação? por uma aparição? em sonho?): Irmãos! homens! Para que a vida lhes foi dada? No meio de uma noite escura, abrem-se as portas das câmaras da morte e seres humanos de almas grandiosas se encaminham para o fuzilamento. (...) Mas vocês têm sobre suas cabeças o céu azul e, sob o cálido sol, o direito de decidir seu próprio destino, beber água, sentar esticando as pernas, viajar para onde queiram. (...) Querem que lhes revele agora o segredo mais essencial da vida? Não persigam o enganoso, nem as posses, nem os títulos: tudo isso se paga à custa dos nervos, década após década, e numa noite só pode ser confiscado. Vivam com serena superioridade perante a vida... Não temam a desdita nem anseiem pela felicidade, pois ambas as atitudes vêm a ser o mesmo. A amargura não se prolonga eternamente, e a medida do prazer nunca se completa. Alegrem-se se não tremem de frio, se as garras da fome e da sede não dilaceram suas entranhas. Vocês não têm a espinha quebrada, suas duas pernas andam, seus dois braços se dobram, seus dois olhos enxergam e seus dois ouvidos escutam – quem poderiam vocês invejar? E por quê? A inveja é o que mais nos tortura. Esfreguem bem os olhos, purifiquem seus corações, então poderão aquilatar perfeitamente quem verdadeiramente lhes quer e deseja seu bem. Não lhes façam nenhum mal, não pronunciem palavras malévolas contra eles, não permitam que as brigas os separem, pois quem pode saber se este não é o seu último ato antes de serem presos? e isso lhe pesará na memória!...”

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
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