quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

TODO DIA É SEGUNDA-FEIRA


Um livro de autoria de José Mariano Beltrame, em depoimento a Sérgio Garcia - com texto de Sérgio Garcia e Eliane Azevedo. José Mariano Beltrame podia ser apenas mais uma presença efêmera na cadeira da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, afinal nenhum dos seus antecessores durou mais do que três anos no cargo. José Mariano podia nunca ter se tornado o secretário Beltrame. Podia ter continuado nas suas tarefas como policial federal, dedicando a vida à investigação de complexos casos de tráfico internacional de drogas, pelos quatro cantos do Brasil. Podia nunca ter saído de sua cidade natal, Santa Maria (RS). Mas ele estava trabalhando, em seu cargo, na Polícia Federal - na sede da cidade do Rio de Janeiro - em 2006, quando a segurança pública passava por mais uma crise sem precedentes. Isso mudaria, de forma radical, a sua história e a da cidade que escolheu morar. Beltrame aceitou o desafio de assumir a Secretária de Segurança Pública e se tornou o mais conhecido - e duradouro - secretário de um estado marcado e conhecido mundialmente pela violência.
Resenha:
Neste livro, ele divide experiências e angústias, revela bastidores dos momentos mais tensos no cargo e faz um relato minucioso da reunião que antecedeu  a ocupação do Complexo do Alemão - uma das maiores favelas da capital fluminense - em  2010. Revela também, detalhes de muitas operações em diversas favelas do Estado do Rio de Janeiro. José Mariano Beltrame passa a realidade sobre a violência do Rio de Janeiro e os problemas que um Secretário de Segurança Pública de um estado Brasil passa para resolver as questões de sua área. E muitos problemas que o mesmo passou ainda permanecem e os seus sucessores não conseguiram manter o padrão de qualidade e, infelizmente, a violência piorou demasiadamente.

sábado, 30 de dezembro de 2017

O MENINO DO DEDO VERDE – Maurice Druon


Que maravilha poder reler esta pequena obra-prima! Alguns livros são essenciais, precisam ser lidos e relidos ao longo da vida. E “O Menino do Dedo Verde”, junto com “O Pequeno Príncipe” e “O Menino Maluquinho”, compõem a trilogia básica para manter a sua Criança Interior sempre ativa e saudável!

Tistu é, provavelmente, a primeira criança azul da Literatura! Como toda criança, ele está sempre disposto a nos lembrar do óbvio e do essencial, olhando o mundo como quem enxerga tudo pela primeira vez.

E o que Tistu vê é que o homem é um filho da Natureza, e que jamais poderá ser feliz rejeitando essa conexão primeva, tentando substituir o solo macio da Terra pelo duro concreto e a sombra acolhedora das árvores pelo sombrio perfil de um arranha-céu. A felicidade é simples, e as crianças sabem de muita coisa importante que os adultos esqueceram. O adulto mediano vê numa criança um projeto de adulto, quando deveria ver um Mestre, que está muito mais próximo da Verdade do que ele.

Disse Jesus: “Deixai vir a mim as criancinhas, e não os impeçam, pois o Reino dos Céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas”.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O VENDEDOR DE SONHOS - O CHAMADO

Livro de Augusto Cury - psiquiatra, psicoterapeuta e escritor conhecido e reconhecido mundialmente, cria aqui sua fábula urbana definitiva: como as pessoas comuns se tornam especiais em busca do amor à vida.
O Vendedor de Sonhos (O Chamado) é uma história de um homem desconhecido que tenta salvar da morte um suicida. Ninguém sabe sua origem, seu nome, sua história. Proclama aos quatro ventos que as sociedades modernas se converteram em um hospício global. Com uma eloquência cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos... Nada tão belo e tão estranho. Ao mesmo tempo em que arrebata as pessoas e as liberta do cárcere da rotina, arruma muitos inimigos. Será ele um sábio ou o mais louco dos seres? Um romance que fará o leitor chorar, rir e pensar muito!

Resenha:
Livro extraordinário de um autor super inteligente. Uma história que nos faz entrar no contexto dela, como se fôssemos um personagem. Na minha opinião, um livro (que é enquadrado como Auto Ajuda) que pode ser definido como base em história real, devido ao fato de as passagens dos seus personagens nesta história serem tão reais com o que vemos e passamos em nosso dia a dia. Uma lição de vida que podemos aplicar em nossas rotinas. Vale muito a pena o investimento e a leitura, eu indico a você.
Boa leitura e até a próxima resenha.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O LABIRINTO GREGO – Manuel Vázquez Montalbán


Um romance policial inusitado e muito original, protagonizado pelo detetive particular Pepe Carvalho, criação máxima de Montalbán. Pepe é uma figura e tanto, que dá o tom de originalidade à narrativa: ex-comunista, gastrônomo e intelectual às avessas, que compra livros apenas para atirá-los à fogueira, o detetive de Montalbán é exagerado e contraditório, mas de algum modo também muito cativante.

Em “O Labirinto Grego”, Pepe está às voltas com duas deusas em forma de mulher, que o fazem perambular pelos antros mais sombrios e marginais de Barcelona, tentando encontrar o homem da vida de uma e evitar que a outra se meta em maiores encrencas. Esse é o pretexto para um desfile de cenários surreais e personagens bizarros, entremeados por banquetes suntuosamente descritos e tiradas filosóficas pronunciadas com fina ironia.

A parte policial da história aparece quase que como um apêndice, por acaso. E acaba não fazendo a menor falta. A prosa de Montalbán é rica em adjetivos inesperados, que trazem um frescor poético e um olhar renovado ao velho tema do detetive particular.




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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O PROFETA – Gibran Khalil Gibran


Quando li este livro pela segunda vez, comparei a leitura a ouvir um maravilhoso disco de música que dá vontade de ouvir novamente desde o começo assim que acaba, e outra vez e outra vez...

Talvez por essa analogia, quando “O Profeta” surgiu novamente para mim, senti imediatamente o desejo de transformar a experiência da leitura em uma música. Enquanto estava mergulhado no livro, percebi que esse foi um artifício muito útil para me fazer aprofundar a leitura, relendo várias vezes cada trecho, buscando transformar essa passagem ou aquela em versos rimados. Só por isso já valeu a ideia!

Mas o melhor é que a música acabou saindo! Não ficou como eu havia imaginado a princípio, uma transposição literal da essência do livro para uma letra de música, mas acabou se transformando em algo que achei até mais interessante: uma música sobre a minha experiência de leitura e interpretação íntima e pessoal de “O Profeta”.

Eis a letra, que foi lindamente musicada por meu amado irmão e parceiro de todas as horas, Fabrício Barretto:

O PROFETA

Quem é que pode se despedir sem tristeza
De sua própria amargura e solidão?
Quem é que pode se encantar com a beleza
Que já não esteja segura em seu coração?
Quem é que pode se jogar na incerteza
Sem perder a ternura?
Quem é que pode?
Quem é que pode?

Assim falou o Profeta
Assim falou o Profeta
Assim falou

Quem é que sabe ser uma flauta serena
Onde o murmúrio da vida entoe a sua canção?
Quem é que sabe ser uma gota pequena
No grande mar protegida de sua extinção?
Quem é que sabe ter um papel nesta cena
E outro logo em seguida?
Quem é que sabe?
Quem é que sabe?

Assim falou o Profeta
Assim falou o Profeta
Assim falou

Quem é que chega, despindo o próprio ego,
A uma nudez tão completa que é revelação?
Quem é que chega, com um total desapego,
A ser o arco e a seta de seu próprio não?
Quem é que chega em uma terra de cego
A se tornar um profeta?
Quem é que chega?
Quem é que chega?

Assim falou o Profeta
Assim falou o Profeta
Assim falou





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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MORTE SÚBITA – J. K. Rowling


“Uma grande história sobre uma pequena cidade.”

Quando peguei o livro, ao ler essa descrição na orelha, achei um pouco pretensiosa, mas cheguei ao final de “Morte Súbita” achando a frase até bem modesta. Uma obra elegante, muito bem concebida e executada do início ao fim. A narrativa simples e cativante é aliada a um continuado convite à reflexão sobre a natureza humana, mas que fica totalmente a cargo do leitor aceitar ou não, inclusive determinando a profundidade de seu mergulho, sem que isso jamais interfira no prazer e na diversão da leitura. Ou seja, é um livro talhado para ser um Best-Seller, para ser consumido superficialmente, mas que também oferece possibilidades que normalmente só são encontradas em obras da assim chamada “alta literatura”.

Um bom exemplo dessa multiplicidade de níveis de leitura em “Morte Súbita” está na concepção dos personagens, que a uma primeira vista parecem um tanto superficiais e estereotipados. Mas à medida que as intenções da autora vão se descortinando, percebemos que cada personagem foi retratado na justa medida para cumprir seu papel no grande bailado coletivo que avança inexoravelmente para o gran finale, em um suspense sutil e muito bem elaborado.

Nada tenho a criticar neste livro, nem mesmo a malandra tradução do título (“The Casual Vacancy” no original), que ao menos para mim sugeriu que se tratava de uma história policial, pois foi graças a esse engodo que me dispus a passar a leitura na frente de outras de uma longa (graças a Deus por isso!) fila.

A autora, célebre mundialmente pela série Harry Potter (li os três primeiros livros e gostei muito, embora não tenha acompanhado a saga cinematográfica até o final), demonstra cabalmente aqui, em seu primeiro livro para o público adulto, que ainda tem muitas coisas interessantes a dizer.

Eu não poderia concordar mais com outra frase de publicidade do livro:

“Uma grande obra de uma grande autora.”



  
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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A CASA DE BERNARDA ALBA / YERMA / D. ROSITA, A SOLTEIRA – Federico Garcia Lorca


É sempre muito interessante ler uma peça de teatro, pois a imaginação do leitor é ativada de forma diferente da que acontece na leitura de um romance, por exemplo. É que o romance é uma parceria direta entre autor e leitor, enquanto que a peça de teatro é uma obra mais coletiva, onde interagem o diretor, os atores, o cenógrafo, o iluminador, o figurinista, o responsável pela trilha sonora etc. Assim, o texto de uma peça geralmente contém muito menos informações para “direcionar” a imaginação do leitor, que assim tem a oportunidade de preencher por conta própria todos esses espaços vazios que na encenação da peça correspondem à contribuição coletiva mencionada acima.

Esse exercício imaginativo fica muito mais interessante quando o texto tem a carga dramática e poética de um Federico Garcia Lorca, e ainda mais quando sabemos que a versão em português foi traduzida por poetas do quilate de Cecília Meireles em “Yerma” e Carlos Drummond de Andrade em “D. Rosita”. O texto mais célebre e provavelmente a obra-prima de Lorca, “A Casa de Bernarda Alba”, tem a curiosidade extra de ter sido traduzido pelo filho de outro grande poeta, Alphonsus de Guimaraens Filho.

As três peças tratam essencialmente do Feminino, sempre do ponto de vista do conflito entre o Individual e o Social, ou seja, falam de mulheres que buscam se reconhecer e se expressar em um mundo masculino que lhes impõe de fora uma Feminilidade com a qual elas podem ou não se identificar. Talvez, melhor dizendo, a Musa de Lorca cante a Feminilidade frustrada. De forma bem resumida e esquemática, “Yerma” tem como tema a maternidade frustrada, enquanto “D. Rosita” fala do matrimônio frustrado e “Bernarda Alba” trata da sexualidade frustrada. Tudo sempre com uma vívida carga dramática, onde nada sobra e tudo é essencial. Tudo é poesia trágica em Lorca.

Sou muito grato pela oportunidade de conhecer um pouco da obra desse grande autor, graças ao querido amigo e professor Carlinhos Santos da Silva, que me presenteou com o livro. E que já tratei de passar adiante, tão logo acabei de ler. Afinal livro na estante não serve para nada: não passa de uma pobre árvore desperdiçada! Livro vivo é livro que está sendo lido, e que depois de ler a gente passa para algum amigo, ou mesmo desconhecido!



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O OPOSITOR – Luis Fernando Verissimo


Talento é talento!

Este livro foi escrito sob encomenda, para a coleção “Cinco Dedos de Prosa” da Editora Objetiva. Em cada um dos cinco livros da coleção, um autor foi convidado a escrever um romance tendo como tema um dos dedos da mão. Coube a LFV o polegar. E não é que ele brinda o leitor com uma história divertida e nada óbvia, que mistura suspense e humor com muita habilidade?

Uma leitura leve, que flui com facilidade e segurança, misturando elementos tão díspares quanto teorias de conspiração e seitas apocalíticas com estados alterados de consciência induzidos por alcaloides e sucos de frutas nativas da Amazônia!  Esse foi o segredo, ao meu ver, para fugir do óbvio: acrescentar elementos de estranheza na composição de uma trama que é basicamente calcada em clichês. Assim o tema do “Polegar” aparece na medida certa, cumprindo a meta proposta sem em momento algum cansar o leitor.

A estrutura e alguns elementos da narrativa me lembraram um pouco outro livro do mesmo autor, “Os Espiões”, que por sua vez associei à magnum opus das histórias sobre teorias de conspiração: “O Pêndulo de Foucault” de Umberto Eco. Fiquei curioso para descobrir se o tema é uma obsessão do LFV, ou foi apenas o recurso a uma fórmula narrativa que gerou essa similaridade.

De todo modo, o livro é uma boa diversão que também traz oportunidades de reflexão. Recomendado!

  


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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ASSASSINATO EM AMSTERDÃ – Janwillem van de Wetering


Livro publicado no Brasil em 1978, pela antiga “coleção horas em suspense” da Editora Francisco Alves. No prefácio, o expert e organizador da coleção, Paulo de Medeiros e Albuquerque, nos informa que o grande interesse da obra é se passar na Holanda e ter sido escrita por um holandês que antes de virar escritor integrou a força policial holandesa. Eu particularmente gostei mais das reflexões do autor sobre o sentido da vida, que ele coloca na boca de um e outro personagem enquanto acontece a investigação de um estranho assassinato.

A década de 1970 viveu um certo boom da ficção policial, dando margem a um livro desse tipo, em que a trama toda gira praticamente em torno de descobrir como o assassinato foi cometido. Ou seja, em identificar a arma do crime. A solução, apesar de engenhosa, não deixa de ser decepcionante, depois do leitor passar o livro inteiro dando tratos à bola para imaginar as armas mais mirabolantes.

Mas a grande distinção que esse livro tem, ao meu ver, é a de apresentar a revelação do assassino mais fuleira que eu já encontrei em um romance policial. E olhe que já li um bocado! Naturalmente, um livro que eu só recomendo para estudantes da ficção policial (como eu mesmo). Pois mesmo um livro ruim pode oferecer uma boa leitura para quem procura aprendizado.

Que neste caso ficou por conta do texto de apresentação da “coleção horas em suspense” constante na orelha do livro:

“Lançamos esta coleção motivados pela constatação de que os livros de detecção policial escasseiam cada vez mais, esmagados pela produção maciça de obras em que prevalece a violência gratuita.”

O texto continua, louvando o livro policial “inteligente” e o prazer intelectual de desvendar o assassino. Fórmula que constitui o clássico “whodunit” (que significa mais ou menos “quem é o culpado?”), em contraste com o já igualmente clássico “noir” (“romance negro”), que é marcado mais pela troca de bofetões e tiros que pelas baforadas no cachimbo e pelo uso das pequenas células cinzentas.

Mas, convenhamos, romance policial é sempre marcado pela violência. Não existe romance policial sem assassinato ou outro tipo de crime violento (sequestro, assalto etc.). Mesmo as obras da grande rainha do romance de detecção, Agatha Christie, são marcadas por atos de violência extremamente cruéis e até apavorantes em sua frieza, se pararmos para considerar.

No caso do livro em questão, essas palavras da editora acabam sendo extremamente irônicas, mesmo sem intenção. Pois é muito bizarro um livro que traz uma morte por esmagamento craniano e outra por decapitação ser apresentado como uma alternativa intelectual para a violência excessiva!

Tudo bem que o livro é antigo e esgotado, e a série obsoleta. Mas a pergunta que me fiz ao lê-lo talvez não seja: existe lugar para esse tipo de literatura no século XXI? O terceiro milênio suportará ainda a violenta fórmula do romance policial?




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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UM BELO DOMINGO – Jorge Semprun


Que obra magistral!!!

Mas de que modo esta obra é magistral? Ao tratar de temas cruciais com grande engenho e arte, ao ensinar e instruir, mas sobretudo ao fazer pensar, ao propor muito mais questionamentos que respostas prontas. Ao inspirar e emocionar, em suma, com um exemplo eloquente do grande poder da Literatura!

Certamente vou continuar com esse livro em minha mente, sendo digerido e repensado, ainda por um bom tempo. Ainda estou sob o impacto inicial da leitura, mas teria tanto a falar a respeito que prefiro reduzir minha resenha ao essencial.

Apesar de estar qualificado como um romance, o livro possui muito de relato autobiográfico, entremeado por reflexões filosóficas e políticas. Mas não deixa de ser também um Romance, com “R” maiúsculo, pois se propõe à elevada e nobre meta de “representar a totalidade da vida”.

Literariamente, a obra segue a senda das “narrativas enigmáticas”: trata-se do relato minucioso de um único dia, no caso um domingo passado no campo de concentração nazista de Buchenwald. E a rememoração desse domingo vai sendo intercalada por outros episódios passados e futuros na vida do Narrador, de forma a compor um complexo mosaico que, aos poucos, vai adquirindo formas e cores definidas na mente no leitor.

Amo muito as narrativas estruturadas dessa forma, que se propõem a contar um único dia e, a partir desse dia, falar da vida toda e do mundo inteiro! Desde o brilhante e monstruoso Ulisses de James Joyce até o mais feminino (e inteligente) Mrs Dalloway de Virginia Woolf, tanto que o primeiro livro que escrevi, O Sincronicídio, segue a mesma e mística cartilha. Então esse foi mais um motivo para eu achar Um Belo Domingo uma obra incrível.

Dito isso, ficou patente na leitura a sensação de que textos desse quilate são raramente produzidos hoje em dia (o livro foi publicado originalmente em 1980). Ficou muito forte a impressão de que muito poucas pessoas atualmente apreciariam esse livro. Não somente pela estrutura narrativa, que exige esforço intelectual e cumplicidade por parte do leitor, mas principalmente pelas reflexões suscitadas pela leitura.

Pois o livro traça um paralelo entre a opressão do Sistema e a busca individual por autonomia, felicidade e sentido. O Sistema, no caso, é bipartido: de um lado o capitalismo, que de forma deformada e grotesca gera o campo de concentração nazista, e do outro o comunismo, que de forma igualmente monstruosa acaba parindo o gulag stalinista. Ao menos no cenário brasileiro, que parece irremediavelmente dividido entre mortadelas e coxinhas (para alegria e gozo geral dos donos da Padaria...), esse tipo de reflexão soa como aberrante e fundamentalmente incompreensível para a grande maioria.

Esse magnífico livro “só para loucos, só para raros” termina de forma triste e desesperançada, ainda que belamente. E ainda mais solitário, louco e raro eu me senti ao divisar uma renovada esperança para além do horizonte retratado pelo autor. Pois não existe futuro e nem felicidade em nenhum sistema político, seja ele qual for. Isso ficou ainda mais claro. De onde então, vem a esperança?

É que a verdadeira e definitiva revolução humana será uma revolução de consciência, uma revolução da Espiritualidade, que não acontecerá no embate sangrento de exércitos, nem no igualmente violento confronto de ideologias, e sim no mais íntimo de cada ser humano. E daí minha grande alegria e esperança: mesmo sendo ainda invisível e aparentemente impossível, a vitória é inevitável!

Então vamos a ela, a essa bela e irreversível vitória. Que assim seja!



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
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