sexta-feira, 22 de março de 2019

O MATADOR – Patrícia Melo



Muito antes de ler este livro, vi o filme inspirado nele, “O Homem do Ano” (https://youtu.be/1lVGv4y8-Gc), com direção de José Henrique Fonseca e roteiro de ninguém menos que Rubem Fonseca. Fiquei impactado pelo filme e com muita vontade de ler Patrícia Melo, ocasião que finalmente surgiu com “Inferno” (http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2014/01/inferno-patricia-melo.html), que me deixou igualmente boquiaberto.


E agora, graças ao P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), pude ler “O Matador”, uma história vertiginosa e asfixiante, que é ainda mais assustadora por retratar a banalidade da violência nos grandes centros urbanos brasileiros. É inegável o domínio narrativo da autora, que conduz a trama em intenso e crescente suspense, capturando o leitor de forma irresistível em uma teia de angustiosa catarse.

Terminei a leitura com a triste percepção de que a justiça, ao menos no Brasil, nada mais é que uma farsa montada para proteger os interesses e privilégios dos poderosos. Por sincronicidade, li este livro em uma semana marcada por notícias como a 29ª denúncia contra o ex-governador Sergio Cabral e pelo espetáculo da prisão do ex-presidente Temer e de seus mafiosos escudeiros.

Talvez por ser inveterado leitor de romances policiais, eu havia desenvolvido a crença de que crimes não punidos pela justiça eram cometidos com grande perícia e habilidade. “O Matador” e a realidade brasileira demonstram minha grande ingenuidade. Os criminosos impunes na grande maioria das vezes não são geniais, muito pelo contrário, geralmente cometem seus crimes de forma desleixada, deixando muitos vestígios e evidências condenatórias. Contudo contam com a cumplicidade do Sistema.

No Brasil, quem sofre os rigores da Lei são os pobres. Criminoso rico só é preso quando interessa politicamente a algum grupo de poderosos. Máiquel, protagonista de “O Matador”, é infelizmente mais atual e pertinente do que nunca.




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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:



quinta-feira, 21 de março de 2019

POESIA COM RAPADURA – Bráulio Bessa



Ganhei este livro como presente de aniversário de minha amada aluna de violão Reni. Claro que fiquei muito feliz com o presente e logo me pus a devorar essa rapadura poética.

Gostei muito dos versos do poeta Bráulio Bessa, que traduzem bem a sabedoria simples do povo. A edição da CeNE Editora valoriza bastante os poemas, com uma diagramação arejada e colorida, belas ilustrações e o interessante recurso de colocar em destaque os versos mais expressivos.


Gostei especialmente desses versos:

“O meu ou o seu caminho
não são muito diferentes;
tem espinho, pedra, buraco
pra mode atrasar a gente.
Não desanime por nada,
pois até uma topada
empurra você pra frente.”

Viva a Poesia!



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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


  



terça-feira, 19 de março de 2019

ASSASSINATO NA CASA DO PASTOR – Agatha Christie



Como é divertido ler um mistério de Agatha Christie! Sobretudo porque depois de algum tempo eu acabo esquecendo a história, então posso ler outras vezes o mesmo livro, e é como se estivesse lendo pela primeira vez!

Esse “Assassinato na Casa do Pastor” mesmo, li agora pela segunda (ou terceira!) vez, e ainda consegui ser enganado novamente por Agatha!

Acho que os livros policiais clássicos, do tipo “whodunit” (“quem matou?”), dentre os quais as obras de Agatha Christie figuram como os mais primorosos exemplos, funcionam mais como um jogo que propriamente como uma história. Detalhes como caracterização de personagens, cenários etc. são apenas um pano de fundo para a disposição das pistas e despistes para o detetive-leitor. Acho curioso que eu ao menos sempre prefiro os livros policiais onde não consigo descobrir o assassino. Quando consigo descobrir, sempre fico um pouco frustrado com a história. Quando sou ludibriado, porém, que deleite!

Seja como for, uma vez que o mistério é solucionado, a catarse dessa revelação é liberada e o propósito do livro é cumprido. Os detalhes da trama, então, podem confortavelmente se apagar da memória do leitor (ao menos no meu caso), ao contrário do que acontece com outros gêneros de literatura, quando a história parece crescer na mente depois que a leitura é concluída.

É claro que existem exceções: tramas policiais tão magistralmente construídas que ficam marcadas a ferro e fogo na memória. No caso de Agatha Christie, as histórias que nunca esqueci são “O Caso dos Dez Negrinhos”, “A Casa Torta”, “Assassinato no Expresso Oriente” e minha favorita, “O Assassinato de Roger Ackroyd”. Qualquer fã de Agatha sabe muito bem porque essas histórias são inesquecíveis: elas possuem em comum o fato de terem levado até o limite as regras do jogo da detecção policial, chegando ao ponto de subvertê-las. O leitor-jogador é enganado por meio de uma astúcia quase diabólica, mas ao final da leitura tem que admitir que o jogo foi justo: Agatha não trapaceia nunca!

Essa característica de jogo do romance policial clássico me fez adquirir uma bizarra insensibilidade para o fato de serem histórias sobre a morte violenta de seres humanos, geralmente com fria premeditação e motivos torpes. Percebi isso recentemente, ao resenhar “O Mistério do Trem Azul”, outra obra de Agatha, e receber alguns comentários de pessoas que acharam esse livro triste. Isso me fez notar o quanto eu não via os personagens de Agatha como retratos de seres humanos, mas meros bonecos dispostos em um tabuleiro: Coronel Mostarda com o candelabro na biblioteca.

Especificamente sobre “Assassinato na Casa do Pastor”, essa obra tem o mérito de ser a primeira história de Miss Marple, originalmente publicada em 1930. Uma frase em especial chamou minha atenção: “Não há coisa tão desumana quanto a máscara do criado perfeito.”

E viva Agatha Christie!




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

terça-feira, 12 de março de 2019

A CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO – Mario Vargas Llosa



Se eu fosse escrever tudo o que esse livro me fez pensar, acabaria com um outro livro quase do mesmo tamanho, composto por três quintos de entusiásticas louvações ao pensamento de Vargas Llosa, um quinto de veemente discordância às ideias do autor e mais um quinto de tenebrosas lamentações pelo triste estado da cultura e da arte nos dias de hoje, objeto das reflexões e denúncias desta incrível e marcante obra que é “A Civilização do Espetáculo”.

Schopenhauer aconselha a nunca ler um livro sem ter antes refletido sobre o assunto que é tratado por ele. Ao menos dessa vez cumpri esse sábio conselho, pois venho pensando sobre esse tema há um bom tempo: a decadência das artes e o esvaziamento do conceito de “cultura”. Ao observar pela primeira vez esse fenômeno, eu timidamente o chamei de “revolução da simplificação”. Tempos depois, já convencido por A mais B de que de fato isso estava acontecendo, chamei de “ditadura da mediocridade” (em uma entrevista para a FM Cultura de Porto Alegre com o querido amigo escritor Luis Dill, confira no link: https://www.facebook.com/sincronicidio/videos/1141766595933585/).

Pois bem, essa percepção que vinha me atazanando há tempos foi definida com muito mais elegância e precisão por Mario Vargas Llosa: “a civilização do espetáculo”, onde o entretenimento é o fim e a meta de toda e qualquer produção artística, de toda cultura, de toda política, de toda religião. Nada melhor que deixar o próprio autor explicar do que se trata:



A questão é muito complexa e suscita inúmeros questionamentos. Será que a função da arte como transcendência e libertação para o homem só pode ser acessada por uma pequena elite cultural? Será que as massas estarão sempre condenadas a “ralar no chão”, como são comandadas a fazer pelos atuais sucessos da música baiana (e brasileira e mundial, pois a mensagem de emburrecimento e alienação é sempre a mesma, só muda o sotaque)?

Lendo esse livro compreendi melhor muitos fenômenos bizarros de nossa atualidade, como por exemplo e principalmente a “estupidez arrogante”. Fomos levados a crer que tudo é a mesma coisa, em matéria de cultura e arte. Por exemplo: Anitta e Pablo Vittar são “a mesma coisa” que Chico, Caetano e Gil. Nora Roberts e E. L. James são “a mesma coisa” que Aldous Huxley ou Jorge Amado. Por extensão, tornou-se mera questão de “opinião” se a Terra é plana ou não, se houve ditadura militar no Brasil ou não e assim por diante. A opinião de um historiador ou cientista vale tanto quanto a de qualquer youtuber bombado, e talvez até menos: pois na civilização do espetáculo, não importa se algo é verdadeiro ou Fake News, mas apenas quantas curtidas e compartilhamentos recebeu.

Preciso registrar que discordei de duas posições do autor, no tocante às relações da cultura com a política e com a religião. No primeiro caso, ele condena a exposição exagerada dos podres dos políticos, que ao seu ver leva a uma descrença geral com a política e com a classe dos políticos. Eu acho que antes de mais nada não adianta muito discordar disso, pois não irá alterar as forças em curso. E sobretudo acredito que essa desmoralização total e absoluta dos políticos serve para a superação desse paradigma para lá de obsoleto: o futuro dirá.

Com relação à religião, Llosa comente o erro de todo ateu, ao confundir religião com espiritualidade. Todo ateu que conheci se coloca contrário a algum sistema religioso (geralmente a Igreja Católica), mas a espiritualidade é muito mais abrangente que qualquer religião. Afirmar que Deus não existe é tão anticientífico quanto afirmar que Ele existe, mas a maioria dos cientistas (não todos, felizmente) alegremente adere ao dogma de que Deus não existe, e é por isso que temos uma ciência desconectada da espiritualidade, que serve à ganância humana (ajudando a destruir o planeta) e não à meta da verdadeira sabedoria, que só poderia conduzir à felicidade de todos.

(coloco entre parênteses uma ironia: fiquei espantado com o vigor de Llosa ao discordar de pensadores como Foucault e Baudrillard, e no entanto eis-me aqui, discordando de Llosa!)

A conclusão que cheguei, ao término dessa leitura, é a de que estamos testemunhando “fim do mundo como o conhecemos”. Independente de toda a devastação que o homem está promovendo na natureza (que já está cobrando o seu preço), uma sociedade com a arte e a cultura decadentes certamente está com os dias contados. Só quero viver para ver o Novo chegando!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

quinta-feira, 7 de março de 2019

NUDEZ MORTAL – J. D. Robb (Nora Roberts)



Logo quando tomei conhecimento dessa série “Mortal”, escrita por J. D. Robb (pseudônimo de Nora Roberts, que por sua vez é pseudônimo de Eleanor Marie Robertson), minha primeira reação foi de repulsa. Aquela lista enorme de títulos (parece que já ultrapassam quarenta), todos com a mesma palavra “Mortal” (“Nudez Mortal”, “Glória Mortal”, “Fama Mortal”, “Êxtase Mortal” etc.) me dava a impressão justamente de algo produzido em série, em uma linha de montagem.

Contudo recentemente esse exemplar de “Nudez Mortal” (que descobri agora ser o primeiro da série) veio parar em minhas mãos, graças ao P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), no momento em que decidi ler alguns livros “Best-Seller”, como estudo. Fiquei mais interessado nessa leitura em particular ao descobrir que a série segue o gênero “romance policial futurístico”, o que despertou minha curiosidade. E comecei a ler.

O tal “romance policial futurístico” é exatamente isso: uma história policial ambientada no futuro. Achei interessante o recurso de descrever as tecnologias do futuro inseridas em um cotidiano onde as máquinas dão defeito ou simplesmente não funcionam. Esse recurso ajudaria a dar mais realismo e credibilidade à parte ficção científica, se não fosse utilizado com muita frequência pela autora.

A narrativa é bem leve, com predomínio de diálogos. A trama é extremamente clichê (serial killer que mata prostitutas e deixa recadinhos para a polícia etc.), adornada com os tais elementos futuristas (como por exemplo os crimes serem cometidos por armas de fogo, que na época da narrativa seriam relíquias de museu, pois teriam sido banidas há muitos anos). Intercalada com a trama de mistério, um incipiente romance entre a protagonista Eve Dallas e o lindo e charmoso milionário Roarke.

Isso tudo eu meio que já estava esperando. O que me surpreendeu foi encontrar certas passagens no livro como essas que destaco:

1) Ao ser informada que a primeira vítima (uma prostituta) foi morta na cama, Eve Dallas dispara:
“- Parece poético, já que ficar na cama era a sua finalidade.” (pág. 12)

2) Um homossexual é descrito de forma irônica e chamado de “espantalho elaboradamente vestido”. (pág. 20)

3) Eve pergunta a um suspeito/paquera se ele gosta de ópera, e o sujeito responde:
“- Detesto. Dá para imaginar algo mais chato do que uma mulher gorda e peituda berrando em alemão por metade da noite?” (pág. 40)

4) Cena de sexo entre uma prostituta (a próxima vítima) e o assassino misterioso. O homem agride a mulher, e ela tem esse pensamento:
“Não lhe importava se ele a estava machucando ou não. Ela se vendera para ele.”

Vou tentar dizer com cuidado o que essas passagens e o climão do livro como um todo me sugeriram. Em minha opinião os livros de J. D. Robb são escritos visando um público bastante específico, formado principalmente de mulheres (mas não excluindo homens) com opiniões bastante conservadoras a respeito de moralidade e sexo, e que se sentem intimidadas por obras de arte ou da chamada “alta cultura”. Ao chegar a essa conclusão, fiquei curioso para ver como a questão racial seria tratada. Mas não aparece nenhum personagem negro até a página 77 – que foi quando eu decidi que a vida é muito curta para gastar em livros como esse.

Fiquei com a impressão de que o olhar da autora, na contracapa do livro, é de profundo desdém e escárnio por seu fiel público leitor.



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

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domingo, 3 de março de 2019

AUTOBIOGRAFIA DE UM IOGUE – Paramahansa Yogananda



Hoje terminei de ler, pela quarta vez, este verdadeiro “livro vivo”, que me enche de reverência e gratidão.

É mesmo notável como cada nova leitura da Autobiografia de Yogananda traz novas percepções e preciosos ensinamentos.

A primeira leitura mudou minha vida, ou melhor, a trouxe de volta. A segunda foi uma confirmação e renovação do maravilhamento. A terceira leitura, feita em 2014, foi marcada por muitas risadas, pela descoberta do contagiante senso de humor do Guru, que nas leituras anteriores não ficou tão perceptível por conta de minha intensa concentração para absorver tantos conceitos complexos e desafiadores.

Em dezembro de 2018, preparando-me para uma feliz viagem ao Rio de Janeiro, decidi que era o momento de ler mais uma vez a inestimável Autobiografia. Um pequeno problema: o meu exemplar estava emprestado, sem previsão de retorno. Então, faltando uma semana para a viagem, o querido amigo Marcelo Loka chega com um carro lotado de livros para serem doados ao P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante). Depois que descarregamos os livros na Casa da Música, ele foi ao carro e voltou com um livro de capa laranja, que depositou em minhas mãos, dizendo: “Esse é para você.” Nem preciso dizer que era a “Autobiografia de um Iogue”, e que meus olhos se encheram imediatamente de ardentes lágrimas de gratidão.

O amor de um autêntico Guru é expressão direta do amor de Deus, é o amor de um ser liberto por alguém que ainda se encontra preso na ilusão, é uma promessa que atravessa vidas de sempre estar ali, sempre pronto a ajudá-lo no caminho de sua própria libertação. Como tenho tido a oportunidade de constatar repetidas vezes, esse amor muitas vezes se manifesta de forma escandalosa!


Esta leitura foi marcada pelas lágrimas de profunda emoção. O aprendizado maior que tirei dessa vez foi o quanto o Amor é mesmo o caminho. O que diferencia Yogananda e os outros grandes santos de todas as religiões do homem comum é o seu profundo anseio e amor por Deus. É esse amor que conduz à sabedoria mais alta e à realização da verdade e do sentido da vida.

A leitura da Autobiografia de Yogananda coloca em uma nova e refrescante perspectiva as máximas de Jesus Cristo. “Amai a Deus sobre todas as coisas” é a essência do ensinamento de todas as religiões concentrada em uma única frase, não como uma ordem a ser cumprida sob as penas da lei, mas como uma meta a ser alcançada, tendo como prêmio atingir um estado de consciência semelhante ao do Cristo. E “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é a expressão prática dessa realização da Sabedoria definitiva. Aquele que ama verdadeiramente a Deus acima de tudo enxerga o templo de Deus em cada ser vivo do Universo.

Jai Guru!

Trailer do filme “AWAKE: A VIDA DE YOGANANDA”



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

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sábado, 2 de março de 2019

O CÉU ESTÁ CAINDO – Sidney Sheldon



Este ano decidi estudar de forma mais sistemática a chamada “literatura best-seller”. Confesso que não tenho um objetivo muito específico com esse estudo, apenas o de tentar responder, de forma genérica, o que torna um livro de ficção um fenômeno de vendas nos dias de hoje. Claro está que a minha proposta é analisar apenas a parte literária dessa equação, desconsiderando os investimentos de Propaganda e Marketing obrigatoriamente envolvidos na fabricação de um best-seller. Pelo momento, não estou interessado tanto na parte mercadológica, mas na parte da escrita em si, visando compreender da melhor forma que eu puder como cada obra dessas é concebida e estruturada, quais as suas intenções explícitas e implícitas e que tipo de mensagem pode estar passando para o leitor.

Esse estudo foi motivado, na verdade, por uma aparente casualidade: a recente doação de cerca de 300 livros para o projeto P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), quase todos best-sellers. Assim, intuitivamente selecionei alguns exemplares para essa experiência, procurando não criar muitas expectativas na leitura e manter a mente o mais aberta possível.

Para começar essa aventura, achei bem apropriado esse livro do Sidney Sheldon, talvez o primeiro “autor best-seller” (com esse rótulo específico) que li, aos 12 anos. Lembro nitidamente que fiquei grudado na leitura de “O Outro Lado da Meia-Noite”, que devorei em dois dias insones. Depois li vários outros do mesmo autor: “A Ira dos Anjos”, “O Reverso da Medalha”, “Se Houver Amanhã”, “A Outra Face” e outros. Um detalhe curioso: desses livros todos não me lembro de quase mais nada, com a exceção de duas cenas. A primeira é uma disputa de xadrez, onde a bela heroína enfrenta ao mesmo tempo dois campeões mundiais, e a outra é uma cena de sexo envolvendo creme de menta, as duas cenas igualmente marcantes para minha influenciável mente adolescente.

“O Céu Está Caindo” foi lançado em 2000, bem depois do auge criativo do autor. Me pareceu uma obra bem inferior às que li durante a adolescência, mas é difícil fazer esse tipo de comparação (ainda mais por não lembrar das histórias, apenas de ter gostado muito delas). Creio que teria que reler algum de seus maiores sucessos para ter uma noção mais clara.

O que mais me chamou a atenção nesse livro foi o intenso uso de diálogos. Quase não há descrições nas cenas, e o enredo vai sendo apresentado por meio de conversas. Os diálogos não são especialmente marcantes, e até banais muitas vezes. A impressão que me causou foi que a intenção era tornar a leitura o mais fácil possível. É nítido que nos empenhamos a ler com mais disposição páginas recheadas de travessões de diálogo que extensos parágrafos ao estilo de Saramago, por exemplo.

É bem marcante também o uso de uma “fórmula” ou “receita de bolo”, com uso e abuso de clichês. Há alguns poucos elementos de surpresa quebrando a monotonia de uma trama bastante previsível. O resultado é uma narrativa confortável, sedativa, um equivalente literário da antiga “Sessão da Tarde”.

Um dos elementos mais atrativos é o glamour que cerca a protagonista Dana Evans, uma bela âncora de telejornal que dá uma volta e meia no mundo para fazer uma investigação de assassinato. Achei digno de nota que há pequenas doses de informação pontuando cada cidade visitada por Dana, que ajudam a passar a impressão de que a leitura está sendo instrutiva de alguma forma. Contudo as informações são inócuas, do tipo tópicos de almanaque, e não chegam a suscitar nenhuma reflexão mais profunda ou trabalhosa.

Com a exceção de uma: a cidade russa secreta de Krasnoyarsk-26, que dá o mote da trama e que realmente merecia inspirar um livro. Tomei um choque ao saber que a tal cidade existia mesmo, pois achei o ponto mais inverossímil da história!


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

SALVADOR DALÍ – Mike Venezia



Excelente iniciativa, que faz parte da coleção “Mestres das Artes”, lançada no Brasil pela Editora Moderna.

Voltado para o público infantil, o livro é principalmente um delicioso convite para conhecer a vida e a obra de Salvador Dalí, intercalando pequenas notas biográficas e curiosidades com imagens dos quadros do próprio Dali, de outros artistas e engraçadas charges feitas pelo próprio Mike Venezia.

Um curioso fato sobre a vida desse incrível artista que eu ainda não sabia é que pouco antes de Salvador Dalí nascer o seu irmão mais velho morreu. Os pais decidiram chamar o novo bebê de Salvador, que era o mesmo nome do filho que eles tinham acabado de perder. “Eles tratavam o novo Salvador como se fosse o primeiro filho, e se tornaram pais superprotetores.”

Imagino o quanto isso influenciou na personalidade e no gênio de Dalí...



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!


ELES MORREM, VOCÊ MATA! – Stella Carr



Gostei muito de ler essa aventura de mistério para o público infanto-juvenil. Em meus tempos de guri, li da Stella Carr os ótimos “Eu, Detetive” e “A Morte Tem Sete Herdeiros” (esse escrito em parceria com Ganymedes José).

Nessa leitura de agora o que mais me chamou a atenção foi a brutalidade dos assassinatos, bem maior que a que eu esperaria em uma história para esse público. Contudo logo percebi que essa era uma impressão errônea provocada por uma idealização da infância como um todo, bem como de minha própria. Quando me lembrei de como eu amava as histórias policiais da Coleção Vagalume, tendo devorado a maioria entre os 8 e os 10 anos, consegui situar esse “Eles Morrem, Você Mata!” no contexto adequado.

Outra curiosidade nesse livro foi o depoimento da autora ao final, falando sobre como sua decepção em escrever para o público adulto com “muita badalação e nenhum público” a fez tomar a decisão de escrever para as crianças e assim “criar seus leitores”, o que fez com muito êxito.

Esta obra é uma boa dica de leitura, que mostra como o hábito de ler pode e deve ser, acima de tudo, divertido!



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sábado, 16 de fevereiro de 2019

TERRAS DO SEM FIM – Jorge Amado



Uma obra esplêndida! Certamente um dos melhores livros escritos por Jorge Amado, o que de cara coloca “Terras do Sem Fim” entre as mais preciosas joias da Literatura Brasileira!

O próprio Jorge declarou a respeito desta obra-prima:

"Nenhum outro dos meus livros é tão querido para mim como Terras do Sem Fim, nele também se encontram as minhas raízes... É a partir do sangue com o qual eu fui criado, que contém o tiroteio que ressoou durante a minha primeira infância."

Aqui o autor objetivou fundar uma distinta "literatura brasileira do cacau". A estrutura do romance é soberba! Não há protagonistas, mas núcleos de personagens que gravitam ao redor dos dois grandes adversários que disputam a posse da terra: os Badarós, de um lado, e o coronel Horácio do outro. Cada personagem contribui com seu próprio mundo simbólico na construção de uma trama magistral, que alcança lindamente a mais alta aspiração de um romance, que é “expressar a vida em sua totalidade”.

O escritor em mim ficou novamente maravilhado pela potência narrativa de Jorge, deleitando-se com ricos aprendizados sobre a arte da escrita, enquanto o leitor em mim se esbaldava com uma história que prendeu sua atenção do início ao fim, tal como o visgo do cacau.

Um dos finos “truques” narrativos que pude apreciar nesta obra é o recurso de criar no leitor a expectativa de um determinado desenlace, pelo acúmulo de sugestões em tensão progressiva, para então oferecer um final totalmente diferente e inesperado, contudo extremamente satisfatório, do ponto de vista dramático e poético. Jorge Amado é um dos raros autores que conta uma história tão pulsante que é como se ele estivesse narrando a própria vida.

Ao dar uma pesquisada na Internet, descobri que “Terras do Sem Fim” foi adaptada para uma novela televisiva da Rede Globo (https://youtu.be/6CrFbKX2le0), que foi ao ar entre 1981 e 1982. Isso explicou o porquê de eu achar tão familiares nomes como Juca Badaró e Don’Ana.


Salve Jorge! E salve nossa Literatura!



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