sábado, 16 de fevereiro de 2019

TERRAS DO SEM FIM – Jorge Amado



Uma obra esplêndida! Certamente um dos melhores livros escritos por Jorge Amado, o que de cara coloca “Terras do Sem Fim” entre as mais preciosas joias da Literatura Brasileira!

O próprio Jorge declarou a respeito desta obra-prima:

"Nenhum outro dos meus livros é tão querido para mim como Terras do Sem Fim, nele também se encontram as minhas raízes... É a partir do sangue com o qual eu fui criado, que contém o tiroteio que ressoou durante a minha primeira infância."

Aqui o autor objetivou fundar uma distinta "literatura brasileira do cacau". A estrutura do romance é soberba! Não há protagonistas, mas núcleos de personagens que gravitam ao redor dos dois grandes adversários que disputam a posse da terra: os Badarós, de um lado, e o coronel Horácio do outro. Cada personagem contribui com seu próprio mundo simbólico na construção de uma trama magistral, que alcança lindamente a mais alta aspiração de um romance, que é “expressar a vida em sua totalidade”.

O escritor em mim ficou novamente maravilhado pela potência narrativa de Jorge, deleitando-se com ricos aprendizados sobre a arte da escrita, enquanto o leitor em mim se esbaldava com uma história que prendeu sua atenção do início ao fim, tal como o visgo do cacau.

Um dos finos “truques” narrativos que pude apreciar nesta obra é o recurso de criar no leitor a expectativa de um determinado desenlace, pelo acúmulo de sugestões em tensão progressiva, para então oferecer um final totalmente diferente e inesperado, contudo extremamente satisfatório, do ponto de vista dramático e poético. Jorge Amado é um dos raros autores que conta uma história tão pulsante que é como se ele estivesse narrando a própria vida.

Ao dar uma pesquisada na Internet, descobri que “Terras do Sem Fim” foi adaptada para uma novela televisiva da Rede Globo (https://youtu.be/6CrFbKX2le0), que foi ao ar entre 1981 e 1982. Isso explicou o porquê de eu achar tão familiares nomes como Juca Badaró e Don’Ana.


Salve Jorge! E salve nossa Literatura!



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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O MISTÉRIO DO TREM AZUL – Agatha Christie



Esse era um dos poucos livros de Agatha Christie que eu ainda não havia lido... duas ou três vezes! Li uma vez apenas, há muitos anos, então foi com grande alegria que iniciei a leitura.

Conforme eu suspeitava, a julgar por minha quase total ausência de lembranças da primeira leitura, essa não é uma das obras mais marcantes de Agatha. A história começa naquele climão meio aventuresco, meio de espionagem, que caracteriza suas tramas mais fraquinhas. Felizmente o clima de espionagem logo dá lugar à tradicional história de mistério e assassinato, tendo à frente das investigações ninguém menos que Hercule Poirot, que aqui fez brilhar mais que nunca seus olhos verdes de gato.

Uma curiosidade é que, apesar desta ser uma história de Poirot, algumas cenas acontecem no pequeno vilarejo de St. Mary Mead, palco de muitas das aventuras de Miss Marple. Primeiro achei que era um “easter egg” de Agatha para os fãs, mas depois descobri que este livro foi publicado em 1928, dois anos antes da primeira aparição de Miss Marple, em “Assassinato na Casa do Pastor”. Então creio que a fictícia St. Mary Mead foi criada nesta história do Poirot. Interessante!

Outra curiosidade: ao pesquisar na Internet, descobri que Agatha considerava “O Mistério do Trem Azul” o seu pior romance. Respeitosamente discordo, pois “Passageiro para Frankfurt” é muito pior!

De resto, amei uma frase dita por Poirot em certo momento da trama:

“Um espelho sempre diz a verdade, mas cada um olha para o espelho de uma posição diferente.”

E viva Agatha Christie!




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


sábado, 9 de fevereiro de 2019

A LEI DO SUCESSO – Paramahansa Yogananda



Esta é pelo menos a sétima vez que leio esse pequeno grande livro! Como fiz com “No Santuário da Alma” (também de Yogananda), li o exemplar do Círculo de Meditação que eu frequento, em Lauro de Freitas (https://www.facebook.com/yoganandalaurodefreitas), nas ocasiões em que fui escalado para fazer o serviço de leitura. Então esta leitura foi realizada ao longo de alguns meses, e intercalada por boas horas de meditação coletiva!

Das outras seis vezes que li “A Lei do Sucesso”, me empenhei em digitar trechos do livro, como forma de melhor fixar os ensinamentos. Seguem abaixo, com muita gratidão! Jai Guru!

“UM NOBRE COMEÇO

Cante canções que ninguém cantou,
Pense o que nenhum cérebro pensou,
Ande por caminhos nunca antes trilhados,
Chore por Deus lágrimas que ninguém chorou,
Leve paz a quem ninguém levou,
Abrace os que por toda parte são desprezados.
Ame a todos com amor por ninguém sentido,
   e trave
A batalha da vida com vigor incontido.”

(...)

“Minha Herança Divina

O Senhor me criou à Sua imagem. Eu O buscarei primeiro, e me certificarei de meu verdadeiro contato com Ele. Então, se for Sua vontade, todas as coisas – sabedoria, abundância, saúde – me serão acrescentadas como parte de minha herança divina.

Quero sucesso imensurável, não de fontes terrenas, mas de Tuas generosas mãos todo-poderosas, que tudo possuem.”

“A Lei do Sucesso

Haverá um poder que possa revelar filões ocultos de riquezas e descobrir tesouros jamais sonhados? Existirá uma força que possamos invocar para nos dar saúde, felicidade e iluminação espiritual? Os santos e sábios da Índia ensinam que existe tal poder. Eles têm demonstrado a eficácia dos princípios da verdade que também o beneficiarão se você fizer uma tentativa séria.

Seu sucesso na vida não depende inteiramente de aptidões e treinamento; também depende de sua determinação em aproveitar as oportunidades que se lhe apresentem. As oportunidades na vida são criadas, não surgem do acaso. Você mesmo, agora ou no passado (inclusive o passado de vidas anteriores), criou todas as oportunidades que surgem em seu caminho. Já que as conquistou, use-as em seu maior benefício.

Se você usar todos os recursos externos disponíveis, assim como suas aptidões naturais, para superar cada obstáculo em seu caminho, desenvolverá os poderes que Deus lhe deu – poderes ilimitados que fluem das forças mais recônditas de seu ser. Você possui o poder do pensamento e o poder da vontade. Utilize ao máximo essas dádiva divinas!”


“O Poder do Pensamento

Você manifesta sucesso ou fracasso de acordo com a tendência habitual de seus pensamentos. O que é predominante em você: pensamentos de sucesso ou de fracasso? Se sua mente está de modo geral em estado negativo, um pensamento positivo ocasional não é suficiente para atrair o sucesso. Mas se pensar corretamente, alcançará seu objetivo, mesmo que esteja aparentemente envolvido em trevas.

Só você é responsável por si mesmo. Ninguém mais poderá responder por seus atos quando chegar a hora do ajuste final. Seu trabalho no mundo – na esfera onde seu karma, suas próprias ações passadas, o colocou – só pode ser realizado por uma única pessoa: você mesmo. E seu trabalho só pode ser considerado um ‘sucesso’ se de algum modo beneficia seus semelhantes.”

Não fique constantemente remoendo um determinado problema. Deixe que descanse de vez em quando, e ele poderá resolver-se por si; mas esteja atento para você não descansar demais, a ponto de perder o discernimento. Em vez disso, use esses períodos de repouso para aprofundar-se na tranquila região do Eu interior. Sintonizado com sua alma, você será capaz de pensar corretamente a respeito de tudo que faz, e se seus pensamentos ou atos tiverem se desviado, eles poderão ser realinhados. Esse poder de sintonia divina pode ser adquirido pela prática e pelo esforço.”

“A vontade é o dínamo

Para ser bem-sucedido, você deve usar, juntamente com o pensamento positivo, a força de vontade e a atividade contínua. Toda manifestação externa é o resultado da vontade, mas esse poder nem sempre é usado conscientemente. Assim como existe a vontade consciente, existe a vontade mecânica. O dínamo de todos os seus poderes é a volição, ou força de vontade. Sem volição, você não pode caminhar, falar, trabalhar, pensar ou sentir. Portanto, a força de vontade é a mola propulsora de todas as suas ações. (Para não usar essa energia, você teria que estar completamente inerte, tanto física quanto mentalmente. Mesmo quando move a mão, você está usando a força de vontade. É impossível viver sem usar essa força.)

A vontade mecânica é o uso irrefletido da força de vontade. A vontade consciente é uma força vital que acompanha a determinação e o esforço, um dínamo que deve ser sabiamente orientado. À medida que você exercita a vontade consciente, em vez de a mecânica, deve certificar-se também de que sua força de vontade esteja sendo usada construtivamente, e não para propósitos nocivos ou aquisições inúteis.

Para criar a força de vontade dinâmica, proponha-se a fazer algumas das coisas que você achava que não podia fazer. Tente tarefas simples primeiro. À medida que a confiança se fortalecer e a vontade se tornar mais dinâmica, você poderá almejar realizações mais difíceis. Certifique-se de que escolheu bem, depois recuse-se submeter-se ao fracasso. Empregue toda a sua força de vontade para dominar uma coisa de cada vez; não disperse as energias, nem deixe algo pela metade para iniciar um novo empreendimento.”




“Você pode controlar o destino

A mente é a criadora de tudo. Você deve, portanto, guiá-la para criar apenas o bem. Se você se agarra a certo pensamento com força de vontade dinâmica, ele finalmente assume uma forma tangível, exterior. Quando você é capaz de empregar sua vontade sempre para propósitos construtivos, torna-se o controlador de seu destino.

Acabei de mencionar três maneiras importantes de dinamizar a sua vontade: (1) escolha uma tarefa ou empreendimento simples, que nunca foi capaz de dominar, e decida obter êxito; (2) certifique-se de que escolheu algo construtivo e exeqüível, depois recuse aceitar o fracasso; (3) concentre-se em um único propósito, empregando todos os recursos e oportunidades para desenvolvê-lo.

Mas você deve sempre ter certeza, dentro da tranquila região do Eu interior, de que é correto possuir o que deseja e que está de acordo com os desígnios de Deus. Você pode então usar toda a sua força de vontade para alcançar o objetivo, mantendo, entretanto, a mente concentrada no pensamento em Deus – a Fonte de todo o poder e realização.”


“O medo exaure a energia vital

O cérebro humano é um reservatório de energia vital. Essa energia é constantemente empregada nos movimentos musculares, na atividade do coração, dos pulmões e do diafragma, no metabolismo celular e nos processos químicos do sangue, assim como no desempenho do trabalho do sistema telefônico sensório-motor (os nervos). Além disso, uma grande quantidade de energia vital é exigida em todos os processos do pensamento, da emoção e da vontade.

O medo exaure a energia vital; é um dos maiores inimigos da força de vontade dinâmica. O medo espreme a força vital, que normalmente flui sem parar pelo sistema nervoso. Os nervos se tornam aparentemente paralisados; toda a vitalidade do corpo é reduzida. O medo não o ajuda a se livrar do objeto do temor; apenas enfraquece a força de vontade. O medo faz com que o cérebro envie uma mensagem inibidora a todos os órgãos do corpo. Contrai o coração, inibe as funções digestivas e provoca muitas outras perturbações físicas. Quando a consciência está fixa em Deus, você não tem medo; todos os obstáculos são então superados pela coragem e pela fé.

O ‘desejo’ é uma aspiração sem energia. Depois do desejo, pode vir a ‘intenção’ – o planejamento para fazer alguma coisa, para satisfazer um desejo ou aspiração. Mas ‘vontade’ significa: ‘Vou agir até realizar o meu desejo.’ Quando você exerce a força de vontade, libera o poder da energia vital – isso não acontece quando apenas se deseja passivamente alcançar um objetivo.”

Vídeo “3 maneiras de dinamizar a vontade”:

AFIRMAÇÃO

“Pai Celestial, eu raciocinarei, eu quererei, eu agirei; mas guia Tu minha razão, minha vontade e minha atividade para a coisa certa que eu devo fazer.”

Paramahansa Yogananda




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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

BELLINI E O LABIRINTO – Tony Bellotto



Ler este livro me fez refletir sobre como tudo na vida é relativo e que tudo depende da referência. Um corpo pode ser considerado parado ou em movimento ao ser comparado a outro cuja velocidade seja a mesma ou diferente da sua. Consideramos algo bom ou ruim sempre em comparação com alguma referência anterior do que seja “bom” ou “ruim”. E também somos muito influenciados em nossos julgamentos pela expectativa que criamos a respeito de cada pequena coisa submetida aos nossos sentidos.

Há alguns anos li “BR 163” do Tony Bellotto e fiquei embasbacado com a qualidade do livro. Confira na resenha:
Gostei tanto que tempos depois li novamente, o que me fez apreciar ainda mais a prosa de Bellotto:

É claro que fiquei com muita vontade de ler os livros com o detetive Bellini, que já renderam inclusive duas adaptações para o cinema (https://youtu.be/7uVLzz0wkAk).


Pois então. Graças ao P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), esse “Bellini e o Labirinto”, o quarto (e até o momento o último) livro da série, veio parar em minhas felizes mãos. Nem preciso dizer que a leitura foi cercada de grandes expectativas. Se não foi uma completa decepção, contudo, a leitura trouxe um sentimento de insatisfação, de incompletude. Tudo por culpa da comparação com o genial “BR 163”!

Aqui a narrativa é ágil, estruturada em capítulos curtos, que fazem a história fluir com um bom ritmo. Mas não se compara com a batida frenética de “BR 163”, cuja narrativa chega a ser asfixiante de tão seca!

Creio que não gostei sobretudo do personagem Bellini ou, melhor dizendo, da visão de mundo que é passada através dos olhos de Bellini. Não gostei nada mesmo dos laivos de racismo disfarçado de “humor” e “ironia”. A narrativa de Tony Bellotto tem méritos de sobra para prescindir desses recursos.

Mas novamente tenho a sensação de que a leitura de “Bellini e o Labirinto” foi muito prejudicada pela expectativa gerada por “BR 163”. Na obra escrita em 2001, captei a visão de um escritor maduro, capaz de nuances de sensibilidade em meio às amarguras e brutalidades da vida. Já nessa obra mais recente, de 2014, a impressão que tive foi a de um espírito ainda adolescente, embora certamente talentoso, ainda imaturamente apegado a certos valores e preconceitos da “turma”.

Mesmo não gostando tanto, certamente me diverti e, o mais importante, aprendi muito com essa leitura.

E viva a Literatura Brasileira!


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


sábado, 2 de fevereiro de 2019

DELIRIUM LIRICUS – Anorkinda Neide e Sergio Carmach (org.)



“Delirium Liricus” é certamente a melhor antologia de poetas contemporâneos que eu já li – e olhe que já li e participei de um bocado! Tanto pela qualidade lírica dos poemas, quanto pelo esmero e elegância da diagramação, este é um livro que encanta!

Passeando pelas páginas dessa linda obra, lembrei da recente pesquisa científica que afirma que ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda:

Outra alegria que tive nessa leitura foi reencontrar tantos queridos amigos Poetas! Tive a feliz e grata sensação de realmente fazer parte de uma coletividade poética e de estar dialogando e trilhando junto com meus irmãos e irmãs Poetas um grandioso – ainda que por vezes áspero – caminho!

Sou fã de longa data dos organizadores da antologia, a querida Anorkinda Neide e o querido Sergio Carmach, com quem tive a bela oportunidade de participar em outra obra coletiva, “Escritores Perguntam, Escritores Respondem”:


Sergio Carmach, à frente da Verlidelas Editora (https://www.verlidelas.com/), tem feito um heroico e muito digno trabalho em prol da Literatura Brasileira, merecedor de todos os aplausos. Aqui, em “Delirium Liricus”, ele formulou uma curiosa classificação das poesias em “remédios” (poemas mais otimistas), “venenos” (pessimistas) e “placebos” (cujo propósito é divertir e encantar).

Tive a honra de participar desse lírico delírio coletivo com dois poemas, um remédio e um veneno:

O CARA QUE EU QUERO SER

O cara que eu quero ser
é uma versão melhor de mim,
aumentada a força e a fé,
editados os erros e os momentos chinfrins.

O cara que eu quero ser
é uma antologia das melhores partes
reunidas em um só volume, tomo único,
uma vida feita arte.

Esse cara se sustenta
no vento do pensamento

e, por onde quer que anda,
não deita sombra.

*
TUDO É QUESTÃO DE ESCOLHA

E ainda assim há quem prefira
A triste certeza da extinção das baleias
À alegre possibilidade
Das ninfas dos mares e sereias.




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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O RESTAURANTE NO FIM DO UNIVERSO – Douglas Adams



Há algum tempo assisti ao divertido “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (https://youtu.be/W4n7nK1aP5c), que me marcou principalmente quando eu soube que o Dia do Orgulho Nerd (celebrado em 25 de maio) tem como símbolo uma toalha, justamente em homenagem à série de Douglas Adams que originou o filme.


Mas só fui me tornar fã mesmo do Douglas Adams depois que assisti à incrível série “Dirk Gently” (https://youtu.be/8XbM9aDNgsM) recentemente lançada pelo Netflix a partir de livros dele. A série tem um senso de humor único, misturando clichês de histórias de detetive e da ficção científica com elucubrações inspiradas na Física Quântica, com sacações geniais em uma trama extremamente criativa. Humor, aventura e suspense dosados com muita inteligência, de forma a estimular a inteligência do espectador. Me apaixonei!


Por isso agarrei a oportunidade de ler “O Restaurante no Fim do Universo”, que é uma continuação de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Gostei muito de ler um autor que passei a admirar ao ver suas obras transformadas em audiovisual, foi uma experiência diferente. E sobretudo pude admirar mais a fina inteligência que está por trás de todo o humor de seus escritos. Discordo dos que consideram esse tipo de humor como “nonsense”, pois percebi uma nítida intenção em fazer refletir a partir do choque e do absurdo, do aparentemente sem sentido.

Cito como exemplos disso:

“O problema com a maioria das formas de transporte (...) é que basicamente não valem a pena. Na Terra — quando havia a Terra, antes de ser demolida para dar lugar a uma via expressa hiperespacial — o problema tinha sido com os carros. As desvantagens envolvidas em arrancar montes de lodo preto viscoso do subsolo onde tinha estado escondido em segurança longe de todo mal, transformá-lo em piche para cobrir o chão, fumaça para infestar o ar e espalhar o resto pelo mar, tudo isso parecia descompensar as vantagens aparentes de se poder chegar mais rápido a um outro lugar — especialmente quando o lugar a que se chegava tinha ficado, como resultado, muito parecido com o lugar de que se tinha saído, ou seja, coberto de piche, cheio de fumaça e sem peixe.”

“O principal problema — um dos principais problemas, pois há vários —, um dos principais problemas em governar pessoas está em quem você arruma para fazê-lo; ou melhor, em quem consegue arrumar pessoas que lhe permitam fazer isso com elas. Resumindo: é um fato bem conhecido que as pessoas que mais querem governar as pessoas são, por isso mesmo, as menos convenientes para isso. Resumindo o resumo: qualquer pessoa capaz de se fazer presidente não deveria, em nenhuma hipótese, ter permissão de receber esse emprego. Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema.”

Não entre em pânico: rindo, castigam-se os costumes!


Esta série está toda disponível em PDF no link:



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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MACUNAÍMA – Mário de Andrade



Que livro genial! Certamente uma obra-prima da Literatura mundial, que dá orgulho de ser brasileiro! Ainda que a genialidade maior da obra seja justamente retratar o brasileiro, através do herói Macunaíma, como um ser “sem nenhum caráter”...

A tese da ausência de caráter do brasileiro é apresentada em dois níveis. O primeiro é o caráter como uma espécie de personalidade, uma “entidade psíquica permanente, se manifestando por tudo, nos costumes na ação exterior no sentimento na língua na História na andadura, tanto no bem como no mal”, como define o próprio Mário de Andrade. E ele continua: “O brasileiro não tem caráter porque não possui nem civilização própria nem consciência tradicional”.

E então surge a sacação verdadeiramente genial: “Dessa falta de caráter psicológico, creio otimistamente, deriva a nossa falta de caráter moral. Daí nossa gatunagem sem esperteza (a honradez elástica/a elasticidade da nossa honradez), o desapreço à cultura verdadeira, o improviso, a falta de senso étnico nas famílias.”

É por isso que “Macunaíma” continua extremamente atual: embora tenha sido escrito em 1926 e publicado em 1928, continua botando o dedo na ferida de nossa identidade nacional, tão confusa e sujeita às apropriações mais nefastas. E não é à toa que esse seja um dos livros brasileiros mais estudados de todos os tempos, e que ainda hoje gere polêmica.

Em 1969 o livro ganhou uma versão cinematográfica igualmente genial:


A obra de Mário de Andrade já se encontra em domínio público e “Macunaíma” é facilmente encontrado em PDF:


Eu tive a sorte de ler uma esmerada edição da Agir, que traz ao final um “Dossiê Macunaíma”, contendo vários rascunhos do autor sobre sua obra, de onde extraí as seguintes pérolas:

“Quanto a algum escândalo possível que o trabalho possa causar, sem sacudir a poeira das sandálias, que não uso sandálias dessas, sempre tive uma paciência (muito) piedosa com a imbecilidade”.

“Quanto a estilo, empreguei essa fala simples tão sonorizada, música mesmo, por causa das repetições, que é costume dos livros religiosos e dos contos estagnados do rapsodismo popular. Foi pra fastarem de minha estrada essas gentes que compram livros pornográficos por causa da pornografia.”

“Não sei ter humildades falsas não e se publico um livro é porque acredito no valor dele. (...) Principalmente disso vem o orgulho tamanho que possuo e me impede completamente qualquer manifestação de vaidade.”

“Outro problema que careço explicar é da imoralidade. Palavra que seria falso concluir pela imoralidade e pela porcariada mesmo que está aqui dentro, que me comprazo com isso. Quando muito admito que concluam que me comprazo... com o brasileiro.”

E viva Macunaíma! Viva Mário de Andrade! Viva a Literatura Brasileira!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

domingo, 20 de janeiro de 2019

RESENHA - “A BESTA DE LUCCA” (LITERATURA NACIONAL)



LIVRO: “A BESTA DE LUCCA” (LITERATURA NACIONAL)
SÉRIE: TRILOGIA DO APOCALIPSE
LIVRO: II
AUTOR: ILMAR PENNA MARINHO JÚNIOR
EDITORA: JAGUATIRICA
 PÁGINAS – 350
1ª  EDIÇÃO 2018
CATEGORIA: FICÇÃO BRASILEIRA
ASSUNTO: FICÇÃO
ISBN: - 978-85-5662-131-3

A Besta de Lucca

CITAÇÃO:

“-Você tá certa, filha. Vai precisar de coragem para recomeçar. Uma coisa eu te garanto: ninguém vive sem desafios e sem amor. Vai por mim.” (pág. 33)


ANÁLISE TÉCNICA:

-CAPA-

A capa toda em vermelho traz a ilustração da  IGRAJA DE SAN MICHELE, em Lucca, onde a nova ordem está se reunindo. Quer dizer, tem tudo haver com o enredo.
Projeto gráfico: Aline Martins/Sem Serifa.

NOTA: 4,80  DE 5,OO

-DIAGRAMAÇÃO:

As folhas são amareladas e as letras pretas em fonte Dante MT Std, um pouco abaixo da média. O que dificulta um pouco a leitura.
Conteúdo: sumário; agradecimentos; e, trinta e três capítulos numerados.
Formato: 14 x 21cm.
Diagramação feita por  Aline Martins/Sem Serifa.

NOTA: 4,50  DE 5,00

- ESCRITA:

A narrativa é descritiva em terceira pessoa sobre vários pontos de vista, com diálogos dinâmicos e bem linguagem contemporânea. Em alguns trechos a linguagem se transforma em um tanto poética e bem culta.
A escrita é envolvente e estimulante.
A revisão está perfeita.
Feita por: Hanny Saraiva.

NOTA: 5,00  DE 5,00

CITAÇÃO:

“-O pescador que cedo madruga, Deus protege. Não é à toaque os peixes pulam na minha rede. Nada se consegue sem suor e muito embate.” (pág. 46)

SINOPSE:

“Segundo livro da Trilogia do Apocalipse, do autor Ilmar Penna Marinho Júnior, "A besta de Lucca" é a continuação de "A besta de mil anos" e traz de volta uma das sete peças que faltam para completar a Tapeçaria do Apocalipse, a de número 75. Quem será capaz de possuir a relíquia? Ou seria ela quem escolhe seu detentor? O livro “A Besta de Lucca” revela como a famosa cena da Tapeçaria chegou até a cidade de Lucca – coração da Toscana, Itália – e nos mostra que faz parte da celebração de rituais de uma poderosa seita.”

CITAÇÃO:

“-Meu filho, na vida, nunca é tarde demais para se consertar um erro e existe sempre o perdão. Ninguém consegue viver sem a bênção do perdão.” (pág. 51)

RESUMO SINÓPTICO:

No término do livro anterior “A BESTA DOS MIL ANOS”, a obra de tapeçaria baseada no livro bíblico do APOCALIPSE, teve a cena 75 roubada do Museu de Artes Medievais, mesmo com todo esquema de segurança preparado. Nesse exemplar a cena denominada de ‘A besta aprisionada por mil anos’, surge na cidade de LUCCA, na Toscana, Itália, uma cidade medieval,  dentro de uma igreja antiga desativada, onde no momento abriga o ressurgimento da  ORDEM DOS POBRES CAVALEIROS DO APOCALIPSE, denominada agora como ORDEM DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS com seus rituais e cerimônias e tendo como grão-mestre JEAN-PIERRECHÂLONS DE ROMANÉE.
Os sete conselheiros  da ordem são convocados para um encontro secreto, inclusive o BARÃO OSWALD VON DER WERELD que de certa forma, causava alguns conflitos internos na ordem por suas opiniões um tanto adversas. Seria marcada a data para a investidura da Irmã-mor, uma mulher misteriosa que acertava sempre todas as suas previsões. “Seria a primeira cerimônia oficial de Fidelidade no exílio Ave, Besta” Ave, Besta” Ave, Besta!”
JULIA após toda a catástrofe ocorrida  Castelo de Angers e a cegueira de AURÉLIEN, retorna ao Rio de Janeiro no  Brasil, consciente de que não há felicidade e está muito triste, porém continua a busca de reerguer-se tanto pessoal, como profissionalmente. Suas matérias sobre a violência urbana e sobre o tráfico são ostensivas e a tronam uma referência nesses assuntos, embora o perigo permeie sua existência de forma opressora.
A corrupção está cada vez mais presente nos morros cariocas. Um líder poderoso se associa com o tráfico de drogas, armas e prostituição, ampliando seus horizontes, ainda mais porque as Olimpíadas serão sediadas no Rio de Janeiro, promovendo ainda mais o caos e as atividades do submundo, empoderando ainda mais os facções criminosas do morro, afetando diretamente a população, aterrorizando toda cidade. Os órgãos públicos estão próximos de um colapso geral em todos os setores.
A batalha entre o Bem e o Mal, continua vívida e a Besta, parece escolher quem serão os responsáveis por espalhar o terror, mortes, corrupções, violência, ódio, o caos...

ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR:

Nada me preparou para essa continuação muito bem elaborada. Acreditava que, apesar da tristeza e catástrofe ocorrida no final do primeiro livro, mesmo com o roubo da tapeçaria, não imaginava que a continuação poderia ser ainda melhor e mais bem desenvolvida.
Novas personagens são incluídas durante a trama e algumas anteriores aparecem novamente, não todos, o que causou certa saudade, mas nada que prejudicasse o desenvolvimento da história, porém gostaria de vê-los aqui, já que foram tão importantes no livro anterior.
A ambientação é bem descrita e torna a leitura capaz de nos fazer perceber toda divergência entre o Rio de Janeiro: a degradação das favelas em contraste com as avenidas movimentadas e luxuosas do resto da cidade; A meu ver, a história tornou-se mais crível, por mostrar um quadro real dentro da ficção criada. E não apenas isso, dá para notar nos detalhes, a pesquisa feita com intensidade, dando mais credibilidade ao enredo.
E ainda tem as personagens bem escrita e delineadas, cada um tem seu papel fixado de maneira própria e ao mesmo tempo, uma teia de ligações entre elas vai surgindo de forma quase imperceptível, até percebemos o quanto a abrangência no todo, se torna completa, trazendo uma visão mais objetivas sobre as divisões subjacentes do enredo. Achei fantástica essa forma de construção do texto.
Um livro carregado de conhecimento e cultura, lugares históricos, mostrando a complexidade dos sentimentos humanos e de suas atitudes, mostrando como o mal vai se infiltrando de maneira irreversível através da ambição, da corrupção, da facilidade em se burlar as regras, da facilidade em como o dinheiro sujo domina as necessidades. Uma trama intrincada que mostra o fanatismo religioso, carregada de crime, mistério, segredos escondidos, romance e a eterna batalha entre o Bem e Mal.
O livro é muito envolvente, reflexivo e nos faz analisar determinadas situações, nos levando até a filosofar em determinados trechos intensos. Uma leitura imperdível para quem gosta de uma trama bem escrita, bem desenvolvida, elaborada que nos leva a realmente PENSAR.
Agora é aguardar o próximo exemplar para constatarmos quem sairá vencedor dessa guerra eterna que persiste durante séculos.

NOTA : 5,00  DE 5,00

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SOBRE O AUTOR:

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Ilmar Penna Marinho Junior é natural do Rio de Janeiro. Passou a infância e adolescência na Europa, aonde aprendeu a apreciar a cultura francesa. Jornalista, formou-se em Direito pela PUC-Rio e diplomou-se em Master of Comparative Law pela Georgetown University, Washigton. Foi Secretário de Administração no Estado do Rio de Janeiro. Exerceu relevantes funções de confiança na Petrobras. Publicou os livros: Petróleo - Soberania & Desenvolvimento (Bloch, 1970), Petróleo: Política e Poder (José Olímpio, 1989), Águas profundas ou o Petróleo é nosso (Editora Revan, 1998), O Quinto Poder (Razão Cultural, 2000) e A Besta dos Mil Anos (Novo Século, 2010), primeiro livro da Trilogia do Apocalipse. Em 2018, publicará ainda o Livro III da Trilogia do Apocalipse.

EXEMPLAR CEDIDO PELA OASYS CULTURAL.

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