quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MORTE SÚBITA – J. K. Rowling


“Uma grande história sobre uma pequena cidade.”

Quando peguei o livro, ao ler essa descrição na orelha, achei um pouco pretensiosa, mas cheguei ao final de “Morte Súbita” achando a frase até bem modesta. Uma obra elegante, muito bem concebida e executada do início ao fim. A narrativa simples e cativante é aliada a um continuado convite à reflexão sobre a natureza humana, mas que fica totalmente a cargo do leitor aceitar ou não, inclusive determinando a profundidade de seu mergulho, sem que isso jamais interfira no prazer e na diversão da leitura. Ou seja, é um livro talhado para ser um Best-Seller, para ser consumido superficialmente, mas que também oferece possibilidades que normalmente só são encontradas em obras da assim chamada “alta literatura”.

Um bom exemplo dessa multiplicidade de níveis de leitura em “Morte Súbita” está na concepção dos personagens, que a uma primeira vista parecem um tanto superficiais e estereotipados. Mas à medida que as intenções da autora vão se descortinando, percebemos que cada personagem foi retratado na justa medida para cumprir seu papel no grande bailado coletivo que avança inexoravelmente para o gran finale, em um suspense sutil e muito bem elaborado.

Nada tenho a criticar neste livro, nem mesmo a malandra tradução do título (“The Casual Vacancy” no original), que ao menos para mim sugeriu que se tratava de uma história policial, pois foi graças a esse engodo que me dispus a passar a leitura na frente de outras de uma longa (graças a Deus por isso!) fila.

A autora, célebre mundialmente pela série Harry Potter (li os três primeiros livros e gostei muito, embora não tenha acompanhado a saga cinematográfica até o final), demonstra cabalmente aqui, em seu primeiro livro para o público adulto, que ainda tem muitas coisas interessantes a dizer.

Eu não poderia concordar mais com outra frase de publicidade do livro:

“Uma grande obra de uma grande autora.”



  
\\\***///


ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A CASA DE BERNARDA ALBA / YERMA / D. ROSITA, A SOLTEIRA – Federico Garcia Lorca


É sempre muito interessante ler uma peça de teatro, pois a imaginação do leitor é ativada de forma diferente da que acontece na leitura de um romance, por exemplo. É que o romance é uma parceria direta entre autor e leitor, enquanto que a peça de teatro é uma obra mais coletiva, onde interagem o diretor, os atores, o cenógrafo, o iluminador, o figurinista, o responsável pela trilha sonora etc. Assim, o texto de uma peça geralmente contém muito menos informações para “direcionar” a imaginação do leitor, que assim tem a oportunidade de preencher por conta própria todos esses espaços vazios que na encenação da peça correspondem à contribuição coletiva mencionada acima.

Esse exercício imaginativo fica muito mais interessante quando o texto tem a carga dramática e poética de um Federico Garcia Lorca, e ainda mais quando sabemos que a versão em português foi traduzida por poetas do quilate de Cecília Meireles em “Yerma” e Carlos Drummond de Andrade em “D. Rosita”. O texto mais célebre e provavelmente a obra-prima de Lorca, “A Casa de Bernarda Alba”, tem a curiosidade extra de ter sido traduzido pelo filho de outro grande poeta, Alphonsus de Guimaraens Filho.

As três peças tratam essencialmente do Feminino, sempre do ponto de vista do conflito entre o Individual e o Social, ou seja, falam de mulheres que buscam se reconhecer e se expressar em um mundo masculino que lhes impõe de fora uma Feminilidade com a qual elas podem ou não se identificar. Talvez, melhor dizendo, a Musa de Lorca cante a Feminilidade frustrada. De forma bem resumida e esquemática, “Yerma” tem como tema a maternidade frustrada, enquanto “D. Rosita” fala do matrimônio frustrado e “Bernarda Alba” trata da sexualidade frustrada. Tudo sempre com uma vívida carga dramática, onde nada sobra e tudo é essencial. Tudo é poesia trágica em Lorca.

Sou muito grato pela oportunidade de conhecer um pouco da obra desse grande autor, graças ao querido amigo e professor Carlinhos Santos da Silva, que me presenteou com o livro. E que já tratei de passar adiante, tão logo acabei de ler. Afinal livro na estante não serve para nada: não passa de uma pobre árvore desperdiçada! Livro vivo é livro que está sendo lido, e que depois de ler a gente passa para algum amigo, ou mesmo desconhecido!



\\\***///

MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O OPOSITOR – Luis Fernando Verissimo


Talento é talento!

Este livro foi escrito sob encomenda, para a coleção “Cinco Dedos de Prosa” da Editora Objetiva. Em cada um dos cinco livros da coleção, um autor foi convidado a escrever um romance tendo como tema um dos dedos da mão. Coube a LFV o polegar. E não é que ele brinda o leitor com uma história divertida e nada óbvia, que mistura suspense e humor com muita habilidade?

Uma leitura leve, que flui com facilidade e segurança, misturando elementos tão díspares quanto teorias de conspiração e seitas apocalíticas com estados alterados de consciência induzidos por alcaloides e sucos de frutas nativas da Amazônia!  Esse foi o segredo, ao meu ver, para fugir do óbvio: acrescentar elementos de estranheza na composição de uma trama que é basicamente calcada em clichês. Assim o tema do “Polegar” aparece na medida certa, cumprindo a meta proposta sem em momento algum cansar o leitor.

A estrutura e alguns elementos da narrativa me lembraram um pouco outro livro do mesmo autor, “Os Espiões”, que por sua vez associei à magnum opus das histórias sobre teorias de conspiração: “O Pêndulo de Foucault” de Umberto Eco. Fiquei curioso para descobrir se o tema é uma obsessão do LFV, ou foi apenas o recurso a uma fórmula narrativa que gerou essa similaridade.

De todo modo, o livro é uma boa diversão que também traz oportunidades de reflexão. Recomendado!

  


\\\***///


ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ASSASSINATO EM AMSTERDÃ – Janwillem van de Wetering


Livro publicado no Brasil em 1978, pela antiga “coleção horas em suspense” da Editora Francisco Alves. No prefácio, o expert e organizador da coleção, Paulo de Medeiros e Albuquerque, nos informa que o grande interesse da obra é se passar na Holanda e ter sido escrita por um holandês que antes de virar escritor integrou a força policial holandesa. Eu particularmente gostei mais das reflexões do autor sobre o sentido da vida, que ele coloca na boca de um e outro personagem enquanto acontece a investigação de um estranho assassinato.

A década de 1970 viveu um certo boom da ficção policial, dando margem a um livro desse tipo, em que a trama toda gira praticamente em torno de descobrir como o assassinato foi cometido. Ou seja, em identificar a arma do crime. A solução, apesar de engenhosa, não deixa de ser decepcionante, depois do leitor passar o livro inteiro dando tratos à bola para imaginar as armas mais mirabolantes.

Mas a grande distinção que esse livro tem, ao meu ver, é a de apresentar a revelação do assassino mais fuleira que eu já encontrei em um romance policial. E olhe que já li um bocado! Naturalmente, um livro que eu só recomendo para estudantes da ficção policial (como eu mesmo). Pois mesmo um livro ruim pode oferecer uma boa leitura para quem procura aprendizado.

Que neste caso ficou por conta do texto de apresentação da “coleção horas em suspense” constante na orelha do livro:

“Lançamos esta coleção motivados pela constatação de que os livros de detecção policial escasseiam cada vez mais, esmagados pela produção maciça de obras em que prevalece a violência gratuita.”

O texto continua, louvando o livro policial “inteligente” e o prazer intelectual de desvendar o assassino. Fórmula que constitui o clássico “whodunit” (que significa mais ou menos “quem é o culpado?”), em contraste com o já igualmente clássico “noir” (“romance negro”), que é marcado mais pela troca de bofetões e tiros que pelas baforadas no cachimbo e pelo uso das pequenas células cinzentas.

Mas, convenhamos, romance policial é sempre marcado pela violência. Não existe romance policial sem assassinato ou outro tipo de crime violento (sequestro, assalto etc.). Mesmo as obras da grande rainha do romance de detecção, Agatha Christie, são marcadas por atos de violência extremamente cruéis e até apavorantes em sua frieza, se pararmos para considerar.

No caso do livro em questão, essas palavras da editora acabam sendo extremamente irônicas, mesmo sem intenção. Pois é muito bizarro um livro que traz uma morte por esmagamento craniano e outra por decapitação ser apresentado como uma alternativa intelectual para a violência excessiva!

Tudo bem que o livro é antigo e esgotado, e a série obsoleta. Mas a pergunta que me fiz ao lê-lo talvez não seja: existe lugar para esse tipo de literatura no século XXI? O terceiro milênio suportará ainda a violenta fórmula do romance policial?




\\\***///


A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UM BELO DOMINGO – Jorge Semprun


Que obra magistral!!!

Mas de que modo esta obra é magistral? Ao tratar de temas cruciais com grande engenho e arte, ao ensinar e instruir, mas sobretudo ao fazer pensar, ao propor muito mais questionamentos que respostas prontas. Ao inspirar e emocionar, em suma, com um exemplo eloquente do grande poder da Literatura!

Certamente vou continuar com esse livro em minha mente, sendo digerido e repensado, ainda por um bom tempo. Ainda estou sob o impacto inicial da leitura, mas teria tanto a falar a respeito que prefiro reduzir minha resenha ao essencial.

Apesar de estar qualificado como um romance, o livro possui muito de relato autobiográfico, entremeado por reflexões filosóficas e políticas. Mas não deixa de ser também um Romance, com “R” maiúsculo, pois se propõe à elevada e nobre meta de “representar a totalidade da vida”.

Literariamente, a obra segue a senda das “narrativas enigmáticas”: trata-se do relato minucioso de um único dia, no caso um domingo passado no campo de concentração nazista de Buchenwald. E a rememoração desse domingo vai sendo intercalada por outros episódios passados e futuros na vida do Narrador, de forma a compor um complexo mosaico que, aos poucos, vai adquirindo formas e cores definidas na mente no leitor.

Amo muito as narrativas estruturadas dessa forma, que se propõem a contar um único dia e, a partir desse dia, falar da vida toda e do mundo inteiro! Desde o brilhante e monstruoso Ulisses de James Joyce até o mais feminino (e inteligente) Mrs Dalloway de Virginia Woolf, tanto que o primeiro livro que escrevi, O Sincronicídio, segue a mesma e mística cartilha. Então esse foi mais um motivo para eu achar Um Belo Domingo uma obra incrível.

Dito isso, ficou patente na leitura a sensação de que textos desse quilate são raramente produzidos hoje em dia (o livro foi publicado originalmente em 1980). Ficou muito forte a impressão de que muito poucas pessoas atualmente apreciariam esse livro. Não somente pela estrutura narrativa, que exige esforço intelectual e cumplicidade por parte do leitor, mas principalmente pelas reflexões suscitadas pela leitura.

Pois o livro traça um paralelo entre a opressão do Sistema e a busca individual por autonomia, felicidade e sentido. O Sistema, no caso, é bipartido: de um lado o capitalismo, que de forma deformada e grotesca gera o campo de concentração nazista, e do outro o comunismo, que de forma igualmente monstruosa acaba parindo o gulag stalinista. Ao menos no cenário brasileiro, que parece irremediavelmente dividido entre mortadelas e coxinhas (para alegria e gozo geral dos donos da Padaria...), esse tipo de reflexão soa como aberrante e fundamentalmente incompreensível para a grande maioria.

Esse magnífico livro “só para loucos, só para raros” termina de forma triste e desesperançada, ainda que belamente. E ainda mais solitário, louco e raro eu me senti ao divisar uma renovada esperança para além do horizonte retratado pelo autor. Pois não existe futuro e nem felicidade em nenhum sistema político, seja ele qual for. Isso ficou ainda mais claro. De onde então, vem a esperança?

É que a verdadeira e definitiva revolução humana será uma revolução de consciência, uma revolução da Espiritualidade, que não acontecerá no embate sangrento de exércitos, nem no igualmente violento confronto de ideologias, e sim no mais íntimo de cada ser humano. E daí minha grande alegria e esperança: mesmo sendo ainda invisível e aparentemente impossível, a vitória é inevitável!

Então vamos a ela, a essa bela e irreversível vitória. Que assim seja!



\\\***///


MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O CÃO DE TERRACOTA – Andrea Camilleri


Mais uma exitosa aventura do comissário Salvo Montalbano, personagem criado por Andrea Camilleri e que é, provavelmente, o maior nome da literatura policial na Itália atualmente. Para mim, que já li do mesmo autor “A Forma da Água” e “A Paciência da Aranha”, foi muito instrutivo observar as sutis mudanças na prosa de Camilleri à medida que seu detetive foi fazendo mais e mais sucesso.

De modo geral, a impressão que tive foi que a narrativa foi ficando menos intuitiva e espontânea e mais metódica e sistemática, com o autor se empenhando em atender, sob demanda, aos possíveis motivos de êxito dos livros anteriores. Assim é que aqui estão as principais boas características de uma história com Salvo Montalbano (a julgar pelas três que li):

* A ambiguidade moral do protagonista, capaz de ser canalha e vil com os canalhas, mas obrigado a ser justo e correto com os bons.

* A alternância de cenas violentas, no estilo “máfia italiana”, com investigações mais sutis sobre a natureza humana.

* Um toque moderado de romance e sensualidade, proporcionado pela fiel companheira Lívia e por outras beldades, que insistem em perseguir o pobre comissário.

* Suculentas descrições da rica culinária siciliana.

Isso tudo está em “O Cão de Terracota”, mas tive a impressão de que esses elementos são apresentados de forma mais estudada e intencional, como se o autor estivesse tentando repetir uma fórmula de sucesso descoberta inicialmente meio que por “acaso”.

Senti também que o sucesso afetou Camilleri, e para pior, em suas digressões sobre livros de outros autores. Isso me incomodou porque são evidentes intrusões na trama, que acabam fazendo o leitor sair um pouco da história ao perceber que o autor está “mandando um recado” para alguém. Isso acontece tanto quando ele elogia o texto de um autor contemporâneo, quanto ao dar uma sacaneada em outro, fazendo o livro dele cair na sarjeta logo depois de ser comprado por Montalbano, para em seguida ter um caramujo esmagado (!!!) contra sua capa. É o tipo de cena bizarra que meio que “arranca a cortina do palco” e torna o leitor consciente de que está assistindo a um espetáculo, justamente por ficar imaginando que catzo estava passando pela cabeça do escritor ao imaginar aquilo.


Mas sobretudo não gostei da débil tentativa de zoar e desmerecer Umberto Eco. Melhor teria feito o autor suprimindo toda e qualquer referência, chistosa ou não, ao grande Eco, pois assim teria evitado, na mente do leitor, essa por demais desfavorável comparação entre os dois escritores italianos.


\\\***///

A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 


domingo, 15 de outubro de 2017

BHAGAVAD GITA – A Mensagem do Mestre


Que gratidão poder mais uma vez ouvir a sublime canção do Bem-aventurado Senhor! Creio que esta é a oitava vez na presente encarnação que tenho o privilégio de acompanhar o diálogo entre Krishna e Arjuna, posicionados entre os dois exércitos desejosos de lutar no campo de Kurukshetra!

Gostei muito desta versão da Editora Pensamento, com a prestimosa tradução de Francisco Valdomiro Lorenz. Considero esta edição muito apropriada para um contato inicial com o Gita, pois a tradução visa a essência dos ensinamentos, sendo muito feliz nessa admirável tarefa.

O Bhagavad Gita, ou “Canção do Senhor”, é a parte central do inigualável épico Mahabharata, sobre o qual se diz: “O que quer que seja essa vida, o que quer que a vida seja, está no Mahabharata”!

A cada nova leitura do Gita, descubro novos e preciosos ensinamentos e sinto, como o Rei Davi, grande poeta bíblico, que a minha alma se refrigera e que meu cálice transborda... Principalmente por perceber mais e mais que é uma e a mesma a Verdade ensinada pelos grandes mestres como Jesus Cristo e Bhagavan Krishna. Quem não enxerga ainda essa simples evidência, ainda não entendeu nada.

Fiquei pensando em uma maneira de resumir o Gita para alguém que ainda não o conhece. Uma versão moderna da conversa entre Krishna e Arjuna poderia ser considerada a já clássica cena do filme “Matrix”, onde Morpheus explica a Neo a natureza da ilusão que até então ele acreditava ser a realidade. E então Neo vai aprendendo como superar e transcender a Matrix, até poder dizer, como Arjuna diz a Krishna:

“Desvanecida está a minha ilusão. Por Tua graça adquiri o conhecimento, ó imutável Senhor. Estou decidido. Dissiparam-se as minhas dúvidas. Agirei segundo Tua palavra.”
(Bhagavad Gita: XVIII:73)

Que assim seja!


\\\***///


MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

sábado, 14 de outubro de 2017

DO QUE EU FALO QUANDO EU FALO DE CORRIDA – Haruki Murakami


Ao ler esse excelente livro, uma frase que ouvi em algum lugar ficou martelando na minha cabeça: “Seja o que for que você faça, tem sempre um japonês se esforçando para fazer melhor, menor e mais rápido!

Essa frase jocosa, que expressa muito do espírito japonês do “Ganbatte” (algo como “faça o seu melhor”), também tem muito a ver com a vida e a obra do incrível sensei Haruki Murakami.

Primeiro, ele decide abrir um bar de jazz em Tóquio, mesmo sem ter tido nenhuma experiência com o comércio. O bar se torna um sucesso, então Murakami decide vendê-lo, para se dedicar à sua nova carreira: escritor profissional. Isso porque ele escreveu um romance para participar de um concurso literário, enviou os originais de sua primeira obra (sem tirar cópias!) para o concurso, foi premiado, publicado, virou um autor de sucesso, escreveu várias outras obras traduzidas no mundo inteiro. Enquanto isso, nas horas vagas, Murakami se dedica a participar de maratonas e competições de triatlo ao redor do globo e até mesmo, certa vez, de uma ultramaratona, onde correu durante nada menos que 100 quilômetros!

Certamente não se alcança o que Murakami alcançou sem muito esforço, sem muito “Ganbatte”. Assimilar um pouco mais isso foi o primeiro grande ganho que tive ao ler esse livro.

Pois Murakami fala sobre escrever (mas não somente) quando fala de corrida. E sobre o esforço necessário, e sobre o condicionamento físico (!) que se precisa ter para ser um escritor. Levei uns bons puxões de orelha durante a leitura, pois o autor, ao colocar para si mesmo questões cruciais no ato da escrita, acaba devassando e desfazendo qualquer tentativa indulgente de autojustificativa para procrastinar e não escrever, prática muito comum dentre escritores que não aprimoraram sua força de vontade correndo dezenas de quilômetros diariamente. Felizmente para mim, recebi com humildade a sóbria e rígida lição do sensei. E aprendi um pouco mais, graças a Deus! Coloquei em prática alguns dos ensinamentos obtidos no livro, e digo com muita gratidão que nunca me senti escrevendo tão bem!

Não que esse livro seja algum tipo de manual sobre como escrever. As lições são mais de ordem existencial, sutil, e não algum tipo de guia passo-a-passo. Felizmente, fui agraciado por uma experiência que há quase um ano vem transformando muito positivamente minha vida: a Capoeira, que vem me ensinando como ser uma pessoa melhor e, por que não, um escritor melhor. Sinto que essa vivência com a Capoeira me possibilitou acessar muitos conteúdos “ocultos” no livro, que de outra forma teriam passado despercebidos.

Já havia lido e ouvido falar muito bem de Murakami antes de ler esse livro, que me foi lindamente presenteado por minha querida amiga e editora Bia Machado, a quem expresso, mais uma vez, minha imensa e crescente gratidão.

Outro grande ganho que tive ao ler esse livro surgiu só agora, na hora de escrever a resenha. Pois percebi que Murakami é tão bom escritor por ser tão japonês! Mas isso não significa que, para me tornar um bom escritor, eu precise virar japonês! Muito pelo contrário, meu caminho reside em me tornar, cada vez mais, um bom baiano. Que assim seja!


\\\***///


ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

LINHA DO TEMPO – Michael Crichton


Esse livro me fez parar de beber Coca-Cola.

Michael Crichton é um autor de extremo êxito comercial, com mais de 200 milhões de livros vendidos em todo o mundo e inúmeras adaptações de suas obras para o cinema, como “Jurassic Park” e sequências, além de “Westworld”, “Congo” e o próprio “Linha do Tempo”, entre outros.

A trama de “Linha do Tempo” é bem instigante e original, misturando ficção científica, thriller e romance histórico. Em resumo: uma equipe de historiadores é enviada de volta no tempo até a Idade Média, graças a uma secreta tecnologia criada por uma megacorporação a partir da Mecânica Quântica. Chegando lá, os heróis vivem inúmeras aventuras, enquanto, no tempo presente, os cientistas da corporação se esforçam para trazer a turma de volta.

E o que é que a Coca-Cola tem a ver com isso? Isso é o que pergunto eu! Pois não é que lá pela página 300 e tanto (o livro é um tijolo) eu me deparo com um descarado e inegável merchandising dos refrigerantes da Coca-Cola!?!

A cena acontece assim: dois dos cientistas que estão tentando trazer a equipe de volta para o presente fazem uma pausa em seus incansáveis esforços. Vão até uma máquina de refrigerantes e escolhem entre os sabores de Coca-Cola, Sprite e Fanta (todos produtos da mesma corporação, sendo que, para quem não sabe, a Fanta foi criada durante a Segunda Guerra especificamente para os nazistas). E então um dos cientistas diz para o outro algo como: “Como estamos no deserto, é muito importante hidratar bem o organismo.” E os dois bebem gutiguti suas latas de líquido delicioso e refrescante. Só faltou a musiquinha empolgante e a mãozinha na cintura ao pôr-do-sol.

Para não deixar absolutamente nenhuma dúvida de que se tratava mesmo de uma cena de merchandising, umas dez páginas depois a Coca-Cola aparece de novo, em uma indecorosa associação com poder e êxito financeiro.

Se eu fosse expressar o tamanho de minha indignação, escreveria um livro mais grosso que “Linha do Tempo”. Fiquei sobretudo pê da vida comigo mesmo, por minha ingenuidade em considerar a Literatura um território sagrado, livre de tais profanações. Mas vou tentar explicar ao menos, sucintamente, porque acho que Michael Crichton merece o mármore do inferno.

“Linha do Tempo” é um thriller científico, embasado por muitos estudos sérios sobre Mecânica Quântica e outros tantos sobre História Medieval, a ponto de exibir uma orgulhosa bibliografia de várias páginas de obras científicas. E, ao mesmo tempo, a obra é voltada para o público jovem e adolescente, consumidor de aventuras no estilo “Parque dos Dinossauros”. Então considere: você lê algo sobre Mecânica Quântica que nitidamente está embasado em pesquisa, depois lê descrições da Europa medieval que também são claramente apoiadas por pesquisa histórica. Então você confere CREDIBILIDADE à narrativa. E logo em seguida, ao ler que a Coca-Cola é boa para hidratar o organismo, a tendência é que aceite isso como um fato! Principalmente se for um adolescente inseguro sobre seu papel na sociedade e ansioso por aceitação!

Isso a despeito do fato de ser público e notório (exceto para os que usam a Internet apenas para jogos e pornografia) que a Coca-Cola possui tanto açúcar que faria a pessoa vomitar no primeiro gole, caso esse açúcar não fosse contrabalançado por uma quantidade estúpida de sal. E que para cada copo de refrigerante precisaríamos beber TRINTA E DOIS copos de água meramente para minimizar os danos causados ao organismo!


Fiquei me sentindo tão mal com essa leitura que precisei encontrar algo de positivo nela, que acabou sendo a resolução de NUNCA MAIS beber um maldito refrigerante em minha presente encarnação. Michael Crichton, você merece o meu desprezo, por me mostrar que o dinheiro está mesmo acima de tudo para certas pessoas, mas também a minha gratidão, por demonstrar que em todas as situações podemos tirar algo de positivo!


\\\***///


ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 

O ENIGMA DO CORONEL HAYTER E OUTRAS AVENTURAS – Arthur Conan Doyle


Gostei de rever o amado Sherlock nesta edição da Melhoramentos, voltada para o público infanto-juvenil, com direito a uma capa bem colorida e a ilustrações para os contos que compõem o livro, bem no estilo da igualmente amada Coleção Vaga-Lume (Ed. Àtica). A nova tradução me pareceu tornar o texto mais acessível aos novinhos, sem contudo desvirtuar ou desmerecer a narrativa original. Palmas para essa iniciativa!

Já falei algumas vezes, nas resenhas de histórias policiais, sobre a ideia do Romance Policial como uma metáfora para a jornada espiritual, onde o Mistério da morte é confrontado pela luz da Razão, representada pelo detetive, que se esforça para seguir as pistas e encontrar a Verdade, em meio a inúmeros e ilusórios despistes. Nesse contexto, as histórias de Sir Arthur Conan Doyle são como as Escrituras, e Sherlock Holmes é, inegavelmente, o grande Avatar!

Viva Sherlock Holmes!


\\\***///


A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...