sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

HÁ DOIS MIL ANOS – Chico Xavier (Emmanuel)



Obra sublime, comovente e inspiradora, que envolve o leitor em uma trama emocionante ao mesmo tempo em que transmite os nobres valores e ideias ensinados por Jesus Cristo. Esta é uma das principais obras ditadas por Emmanuel, mentor de Chico Xavier, que narra as desventuras e duros aprendizados do senador romano Públio Lentulus, contemporâneo de Jesus e encarnação prévia do próprio Emmanuel.

Este livro foi uma grata e sábia companhia das meditações matinais dos últimos meses. Antes de cada meditação, eu e minha esposa Fabíola Campos líamos uma ou duas páginas, acompanhando com grande interesse as reviravoltas da história e refletindo sobre os ensinamentos transmitidos. Não foram poucas as vezes em que o trecho lido fazia referências luminosas a algum assunto em especial sobre o qual estávamos refletindo, sugeria soluções para problemas que nos afligiam ou mesmo confirmava alguma nobre resolução que havíamos acabado de tomar.


Como sempre que leio um livro psicografado por Chico Xavier e ditado por Emmanuel, fico deliciado com o estilo rebuscado e tão cheio de adjetivos que seria sumariamente condenado por qualquer manual de escrita, mas que funciona tão bem na prosa do Mahatma Chico!

Recentemente foi divulgada uma Fake News sobre uma suposta profecia de Chico Xavier sobre um “Cavaleiro Branco” que conduziria o Brasil a uma nova era de progresso, e que muitos relacionaram ao nosso funesto futuro presidente. Fiz questão de pesquisar para comprovar que a tal profecia era uma farsa, desmentida pela Federação Espírita Brasileira e pelo Instituto André Luiz. Contudo nem precisaria, pois só de ler a tal profecia tive certeza de que aquele texto tosco jamais teria passado pela pena de Chico! Enfim, cada um vê o que quer ver. Não deixa de ser mais um triste episódio desse momento tão sombrio de nosso país, terem utilizado de forma tão mentirosa a imagem de um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Felizmente, a verdade tem a incorruptível característica de sempre dar um jeito de aparecer.

Disponível em PDF no link:
Áudio livro:

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

domingo, 2 de dezembro de 2018

A ALAMEDA DOS ALGODÕES FLUTUANTES – Mogg Mester



Foi uma grata surpresa descobrir que as histórias de “A Alameda dos Algodões Flutuantes” giram em torno de uma árvore que me é muito querida: a mafumeira (https://pt.wikipedia.org/wiki/Mafumeira), cujas sementes são envoltas em fibras semelhantes a algodão. Há uma mafumeira perto da Casa da Música, no Abaeté, e sempre me lembrarei dela em conexão com um evento muito especial, que foi o meu casamento com Fabíola Campos na capoeira (https://youtu.be/UJ7RhQjvNm0). Foi uma linda cerimônia celebrada por Mestre Tyko Kamaleão, com a Casa da Música lindamente decorada por meus malungos da Capoeira Mutações com folhas de aroeira e tufos algodoados de mafumeira.


Os contos de “A Alameda dos Algodões Flutuantes” são narrados com grandes doses de realismo fantástico, dentro da melhor tradição de Gabriel García Márquez. As histórias são sutilmente interligadas e marcadas por um forte apelo simbólico. Pós-graduado em Psicossomática Junguiana, Mogg Mester constrói em seus contos um belo e delicado labirinto de símbolos superpostos, que ficam reverberando na mente do leitor.

O autor Mogg Mester é um amigo querido, com quem tive a alegria de participar de uma obra coletiva, “Escritores Perguntam, Escritores Respondem”, juntamente com outros queridos amigos, dentre os quais Sergio Carmach, autor do excelente “Para Sempre Ana” e editor da Verlidelas (https://www.verlidelas.com/), responsável pela publicação de “A Alameda dos Algodões Flutuantes”. A edição é primorosa nos mínimos detalhes, desde a belíssima capa à esperta diagramação, que tornam a leitura ainda mais prazerosa.

É interessante como tudo está conectado, sempre, mesmo que só percebamos fragmentos aqui e ali dessas onipresentes conexões. Como bem observou o Sergio, nas histórias do livro de Mogg algo de mágico acontece toda vez que “as mafumeiras choram algodão”. Não foi diferente no meu caso, na vida “real”: um casamento na capoeira pode muito bem ser descrito como algo mágico!


Tive a grande honra de ser convidado a escrever algumas palavras sobre a obra e o autor na contracapa desse lindo livro:

“Um autor de grande força imaginativa, que escreve com o coração. Sua narrativa é ágil e envolvente, capturando o leitor da primeira à última página. Atreva-se a mergulhar no mundo fascinante e perigoso de Mogg Mester!”

E viva a Literatura Brasileira!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O LADRÃO DE ARTE – Noah Charney



O que primeiro chama a atenção nesse livro é a capa de design esperto, com um buraco recortado no lugar onde deveria estar a pintura. Muito criativo!

Ao ler o primeiro capítulo, contudo, tive vontade de desistir da leitura, devido ao excesso de clichês. Resolvi ler ao menos mais um capítulo, e acabei curtindo bastante os comentários e reflexões sobre o mercado das obras de arte, e também a respeito da eterna pergunta: o que é arte?


Os exemplos citados no livro são bem eloquentes. É fácil identificar “A Anunciação” de Caravaggio (https://goo.gl/images/q89Djo) como uma obra de arte. Mas sem um conhecimento prévio da história que motivou obras como o “Suprematista Branco sobre Branco” de Malevich (https://goo.gl/images/x6rPnz), quantos afirmariam sem hesitar que se trata de fato de uma obra de arte?


Outro debate diz respeito aos valores estratosféricos alcançados por essas ditas obras de arte nos leilões modernos. Recentemente o “Retrato de um Artista (Piscina com duas Figuras)” de David Hockney (https://goo.gl/images/rPVNJq) foi vendido pelo valor recorde de 90,3 milhões de dólares (equivalente a 330 milhões de reais). Em minha opinião, isso demonstra o quanto ainda somos atrasados como civilização. É imoral e hediondo que um pedaço de pano pintado seja comercializado por essa soma que poderia alimentar milhões de crianças, que literalmente poderia salvar inúmeras vidas.


Sobre a trama do livro em si, achei mais ou menos. Há momentos interessantes, mas um excesso de influência de Dan Brown (nos enigmas escondidos a serem decifrados) e de Harlan Coben (no festival mirabolante de reviravoltas no final). Um dos maiores defeitos da obra é o excesso de personagens, talvez uma exigência da história ambientada em várias locações.

Mesmo não gostando tanto do livro, aprecio sempre o aprendizado. Em uma narrativa construída com menos habilidade, podemos enxergar melhor os fios condutores, e onde há falhas aparentes, podemos aprender sobre os acertos. E principalmente adquirimos mais recursos de análise para apreciar melhor uma obra-prima, onde não é tão fácil discernir como o truque foi feito. E viva o salutar hábito da leitura!


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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

KANRO NO HOOU – Masaharu Taniguchi



Pequeno grande livro que a Espiritualidade trouxe para minhas mãos na hora exata! Foi um grande e confortador aprendizado ler essas palavras:

“Reconciliai-vos com todas as coisas do céu e da terra. Quando houver a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo. Quando todo o Universo se tornar teu amigo, coisa alguma do Universo poderá causar-te dano. (...) Reconciliar-se com todas as coisas do Universo significa agradecer a todas as coisas do Universo. A reconciliação verdadeira não é obtida nem pela tolerância nem pela condescendência mútuas. Ser tolerante ou ser condescendente não significam estar em harmonia do fundo do coração. A reconciliação verdadeira será consolidada quando houver recíproco agradecer. (...) Se queres chamar-Me, reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra e chama por Mim. Porque sou o Amor, ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra, aí, então, Me revelarei.”

Masaharu Taniguchi (22/11/1893 – 17/06/1985) foi o fundador da Seicho-No-Ie.


Sutras Sagradas e Meditação Shinsokan (vídeo):




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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

ALCESTE / ELECTRA / HIPÓLITO - Eurípedes





Eurípedes (480 a.C. – 406 a.C.) é considerado um dos três grandes poetas trágicos da Grécia clássica, junto com Sófocles e Ésquilo. Uma de suas maiores contribuições para a dramaturgia universal foi a introdução do recurso do “deus ex machina”, expressão que indica uma solução inesperada, mirabolante e improvável para algum conflito da trama.

Atualmente o “deus ex machina” é considerado má ficção, mas é muito interessante travar contato com as primeiras histórias em que esse estratagema foi utilizado. “Alceste” é um bom exemplo desse uso, com a trama se encerrando de tal forma que ao leitor moderno só resta ficar um tempo de boca aberta, para então exclamar algo como: “Quê??? Como assim???”

Existe também uma estranheza psicológica que acaba sendo muito saborosa em uma leitura atual. Pois entre nós e os antigos gregos existem verdadeiros abismos difíceis de superar, algo que Nietzsche definiu muito bem ao dizer que a Grécia antiga era um mundo que mal podemos imaginar, “com espanto e horror”. Um exemplo dessa estranheza ocorre também em “Alceste”, que é a epítome da esposa dedicada e que aceita morrer no lugar de seu marido Admeto. Durante os funerais de Alceste, não é que Admeto tem uma briga feia com o pai, reclamando que o velho não se ofereceu para morrer no lugar dele, e que por isso foi culpa do pai Alceste morrer!

A tragédia de Electra é uma das mais famosas, por conta do “Complexo de Electra” freudiano. Só que a história não se presta tão bem à interpretação psicanalítica quanto a de Édipo. Afinal, Electra só quer matar a mãe por que esta se uniu ao amante para matar o marido!

“Hipólito” foi a minha favorita dessas três, por ser a que segue mais fielmente a estrutura da tragédia de Sófocles (meu autor trágico favorito). Nas outras duas é notável o esforço de finalizar a história de forma agradável ou amena. Não li ninguém falando sobre isso, mas talvez Eurípedes tenha se tornado o mais popular dentre os trágicos por ter meio que inventado o final feliz (junto com o “deus ex machina”).

Se você nunca leu uma tragédia grega, sugiro “Édipo Rei” de Sófocles, uma das melhores tramas que li na vida! Tanto que Aristóteles a louva em sua “Poética” como exemplo mais que perfeito do uso combinado de “reviravolta” e “reconhecimento” (dois outros recursos dramáticos muito comuns nas tragédias gregas e que continuam sendo utilizados até hoje).

E viva Melpômene, musa inspiradora da tragédia, a quem meu coração de poeta sempre rendeu os maiores tributos!



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1



domingo, 11 de novembro de 2018

IRMÃ MORTE – Justo Navarro



Um magistral exercício de “the subtle art of understatement”. Que intenso e maravilhoso efeito dramático é obtido quando se conta de forma seca, despida de emoção, acontecimentos de grande impacto emocional! Esse é o aprendizado como escritor que mais desejo aprofundar atualmente.

Pois a tentação natural é carregar nas tintas, encher de adjetivos e advérbios, exagerar na descrição dos sentimentos, na tentativa de emocionar pelo excesso. Não é que desse jeito não funcione. Sempre há quem goste. Contudo a arte e o engenho da escrita consiste justamente em dizer mais com menos. Daí essa perfeita definição da literatura, que li em um livro do Ed McBain há anos e que até hoje não consegui traduzir adequadamente para o português: “the subtle art of understatement”.

“Irmã Morte” narra na primeira pessoa as desventuras de um menino ao perder o pai para o câncer, após prolongada agonia. Sua irmã se entrega à prostituição, enquanto ele mesmo mergulha em um mundo de fantasias mórbidas e cada vez mais destrutivas.

Só por essa sinopse se sente a pesada carga emocional da história. Em mãos menos hábeis, provavelmente a narrativa descambaria para um grotesco dramalhão. A prosa seca e concisa de Justo Navarro, entretanto, mantém a trama em irresistível suspense. Uma autêntica tragédia moderna, certamente inspirada por Melpômene. Bravo!





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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO – Stephen Hawking



Graças ao querido amigo Marcos Lima pude ler esta célebre obra, que consta como um dos livros mais vendidos de todos os tempos.

Não é para menos. Stephen Hawking, certamente o cientista mais respeitado da atualidade, é também uma figura icônica e extremamente carismática, um dos ídolos de nossa cultura pop. É muito instigante a imagem do poderoso cérebro aprisionado em um corpo praticamente incapaz de movimento. Contudo Hawking é muito mais que isso. Ele realmente fez jus à fama, e um dos pontos mais fascinantes do livro é a maneira como sua biografia está intimamente ligada ao desenvolvimento das principais teorias da física no século XX.

O texto é escrito com muita habilidade, abordando de forma simples e aparentemente acessível as mais complexas nuances da física moderna. Digo “aparentemente” simples porque eu, pelo menos, não posso me gabar de ter realmente compreendido abstrações como a do “tempo imaginário”, que é o tempo medido com números imaginários, que por sua vez são números que ao serem multiplicados por si mesmos resultam negativos...

Só que Stephen Hawking transita por esses assuntos com tanta facilidade que acaba nos convencendo que é fácil mesmo! Mesmo se não compreendemos tudo, entendemos o suficiente para acompanhar o essencial do raciocínio do autor, em uma vertiginosa narrativa que remonta a bilhões de anos e a milhões de milhões de galáxias...

E aí é que mora o perigo desse livro, em minha opinião. Pois Stephen Hawking é ateu, e deixa seu ponto de vista bastante evidente ao longo do livro. Então ele pode acabar induzindo um leitor menos atento a acreditar que a única maneira de se fazer ciência seja partindo do princípio de que Deus não existe. O que não é correto, em absoluto. Negar a existência de Deus é uma mera opinião, uma questão de crença, e não uma exigência da metodologia científica. Quando percebemos isso, ficamos abismados com o quanto de dogma existe na ciência da atualidade. E não podemos deixar de questionar: que mundo teríamos hoje se, ao invés de partir do pressuposto de que Deus não existe, a ciência fosse construída a partir da afirmação da existência de Deus? Penso que teríamos uma ciência e uma sociedade mais éticas, com menos pesquisas sobre armas e substâncias poluentes e mais pesquisas sobre como aumentar a felicidade de todos os seres no planeta.


Por sincronicidade, tive uma confirmação desse “perigo” recentemente: eu havia feito uma postagem sobre o Amor ser a força mais poderosa do Universo, daí chegou um rapaz dizendo que a maior força do Universo são a gravitação e os buracos negros. Uma afirmação incorreta, arrogante e, desconfio, influenciada pela leitura equivocada desse mesmo livro que eu estava lendo. Por isso sugiro enfaticamente a leitura de obras como “A Janela Visionária” de Amit Goswami, “O Tao da Física” de Fritjof Capra e “Você é o Universo” de Deepak Chopra e Menas Kafatos, para se ter uma visão de como a ciência pode – e deveria – caminhar junto com a espiritualidade.

O grande engano do ateu, em minha opinião, é perceber falhas nos dogmas de uma religião específica e considerar que essa religião tenha dito tudo o que se pode dizer a respeito de Deus. Penso que a ciência e a espiritualidade caminhando juntas inevitavelmente esclarecerão os erros de parte a parte, de um lado mostrando como o Deus concebido por qualquer sistema religioso da Terra é ridiculamente pequeno, quando confrontado com a vastidão do Universo e, de outro, tornando evidente como a própria vastidão do Universo é evidência escandalosa da Consciência por trás de tudo.

Minha grande motivação para ler esse livro foi justamente tentar descobrir como um cientista tão genial quanto Stephen Hawking podia ser ateu. Acabei descobrindo muito mais pistas a esse respeito do que esperava. Fica muito claro que Hawking considera a concepção de Deus pela Igreja Católica como única e suficiente para sua refutação da existência Dele. A ponto de cometer uma indelicadeza ao narrar uma trollada que ele deu no papa, trecho dispensável e provocativo em que Hawking desliza de sua habitual elegância. O motivo dessa birra fica nítido quando o autor declara sua grande afinidade com Galileu, que foi muito perseguido por essa mesmíssima Igreja.

Por sincronicidade (outra!) estou atualmente relendo “Quem Tem Medo da Ciência?”, de Isabelle Stengers, que denuncia as “operações de captura” utilizadas pela ciência e que, no fundo, nada têm de científicas. Numa tradução livre para o baianês, essas “operações de captura” seriam algo como “armengues” ou “gambiarras”, mas que não são reconhecidas como tais no meio científico. Por exemplo, Hawking faz referência a uma tentativa de unificação teórica, chamada de GUT, que precisa partir de números preestabelecidos para fechar as contas. Outro exemplo gritante é a concepção ateia do surgimento da vida: à medida que o Universo foi esfriando, os átomos simples foram se agrupando átomos mais complexos, e esses em moléculas que, em dado momento, em decorrência de um “erro”, começaram a se autorreplicar, após o que muitos outros “erros” foram acontecendo, tornando a replicação cada vez mais complexa, até chegar em um ser autoconsciente, capaz de observar a si mesmo e ao mundo e a questionar as origens e fundamentos de sua existência... Não posso concordar que acreditar nessa fabulosa comédia de erros seja mais científico que supor uma Inteligência conduzindo todo o processo.

Na busca de uma vida inteira por sua “Teoria de Tudo”, talvez o eminente cientista não tenha percebido que havia apenas inventado um novo nome para Deus.

“A Teoria de Tudo” (Trailer)


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
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domingo, 4 de novembro de 2018

VOCÊ – Caroline Kepnes



O recém-lançado romance de estreia de Caroline Kepnes tem tudo para ser um sucesso. O empolgante thriller narra em primeira pessoa a obsessão de um psicopata que começa a perseguir sua amada nas redes sociais. A trama é abrilhantada pelo ferino sarcasmo destilado em tiradas demolidoras, típicas do humor nova-iorquino, ao menos na primeira metade do livro.

Da segunda metade em diante a trama fica um pouco frouxa e mostra o quanto deve a “O Colecionador” de John Fowles. Contudo nada que chegue a atrapalhar a diversão da leitura. Gostei!
  


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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO



sábado, 3 de novembro de 2018

OS PORÕES DO MAJESTIC – Georges Simenon



Espetacular! Realmente o Simenon é um dos autores mais viciantes que conheço! Quando um livro dele vem parar em minhas mãos, dificilmente consigo resistir mais que 24 horas antes de colocar de lado tudo mais que eu estiver lendo no momento para me dedicar exclusivamente a ele.

Em muitas outras resenhas que fiz dos livros dele, tentei analisar e explicar os motivos de tanto fascínio. Ao ler “Os Porões do Majestic”, contudo, apenas me permiti desfrutar de mais uma narrativa impecável, diversão e arte do início ao fim!

Aqui o comissário Maigret está às voltas com o assassinato da esposa de um rico empresário americano, que deixa as autoridades francesas melindradas. O método de investigação do comissário, como sempre, é desconcertante: ele fica vagando pelos corredores subterrâneos do luxuoso Hotel Majestic, onde o corpo foi encontrado. Maigret é a própria imagem da pachorra em meio à frenética atividade dos funcionários do hotel. Mas por que será que ele não faz sequer uma pergunta para a principal testemunha do caso?

Simenon é genial. Toda vez que leio um livro dele, é como se renovasse os mais sagrados votos de minha vocação de escritor. Merci, Georges!


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O QUARTO PROTOCOLO – Frederick Forsyth



Excelente thriller de espionagem que prende o leitor na história, da primeira à última página. Achei muito curioso o fato de o livro ter sido escrito em 1984, mas a história se desenrolar em 1986. Ou seja, quando foi publicado, O Quarto Protocolo fazia referência a acontecimentos em um futuro próximo. É portanto, um tributo ao talento do autor ler o livro em 2018, 34 anos depois, e constatar que a obra é igualmente empolgante ao ser lida como um “suspense histórico”.

Gostei tanto desse livro que coloquei Forsyth em um honroso 2º lugar de melhor autor de espionagem, atrás apenas do imbatível John Le Carré. Aliás, acabei fazendo uma possivelmente perversa graduação de cinco níveis de livros de espionagem, a partir dos principais autores que li:

NÍVEL 1: AGATHA CHRISTIE - “Vizinha Fofoqueira”
Tramas ingênuas, cavalheirescas e ufanistas, totalmente inverossímeis e chatérrimas. Note-se que nas histórias de assassinato Agatha é exatamente o oposto: ardilosa, maquiavélica, sinistra e irresistível!

NÍVEL 2: LEON URIS - “Boato Maldoso”
História cheia de clichês e estereótipos, xenofóbica, insuportável. Baseio essa qualificação na obra de propaganda disfarçada como romance que o autor intitulou “Topázio”.

NÍVEL 3: IAN FLEMING - “Hush Hush”
Fantasioso, porém delicioso! Ian Fleming foi o grande responsável pela aura de glamour que cerca as histórias de espionagem, com seu persistente 007, que já rendeu várias encarnações no cinema (claro que o Sean Connery é insuperável!).

NÍVEL 4: FREDERICK FORSYTH - “Só para seus olhos”
Trama bem construída, convincente e empolgante. Só comete o compreensível pecado de colocar britânicos como os grandes heróis, americanos como coadjuvantes e russos como os inevitáveis vilões.

NÍVEL 5: JOHN LE CARRÉ - “Top Secret”
Obras densas, angustiantes, escritas com grande conhecimento do ofício de espião e, sobretudo, do ofício de escritor. A única coisa que diferencia os heróis dos vilões é que eles sofrem mais com as ações repugnantes que todos precisam cometer em nome da honra e da virtude. Alta literatura dos tempos modernos!

Ainda sobre O Quarto Protocolo, um detalhe que me chamou a atenção foi a referência ao “serviço de desinformação”, extremamente ativo nos governos de direita e esquerda, muitos anos antes da Internet inaugurar a era das Fake News.


Trailer do filme (1987):

Wikipedia:


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:



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