sábado, 15 de fevereiro de 2020

AS PALAVRAS OCULTAS – Bahá’u’lláh



Bahá’u’lláh foi o nome adotado pelo iraniano Mírzá Husayn-'Alí (1817-1892) ao proclamar ser o Mensageiro Divino anunciado nas profecias e ao fundar a Fé Bahá'í. “As Palavras Ocultas”, escrito em 1858, foi descrito pelo autor como contendo os versos revelados a Fátima, filha do fundador do Islã Maomé, pelo Espírito Santo personificado no Arcanjo Gabriel.

O livro é dividido em duas partes, Árabe (com 71 versos) e Persa (82 versos), dentre os quais reproduzo o verso 44 do Persa, que me marcou especialmente:

“Ó COMPANHEIRO DE MEU TRONO!
Nenhum mal deves tu ouvir, nem ver; não te rebaixes, nem suspires, nem chores. Nenhum mal deves falar, para que não o ouças falado a ti; nem aumentes as faltas alheias, a fim de que as tuas próprias não se afigurem grandes. Não desejes a humilhação de ninguém, para que não se torne evidente a tua própria humilhação. Vive, pois, os dias de tua vida, os quais são menos de um momento fugaz, mantendo sem mancha a tua mente, imaculado teu coração, puros teus pensamentos e santificada tua natureza, de modo que, livre e contente, possas abandonar essa forma mortal, recolher-te ao paraíso místico e habitar, para todo o sempre, no reino eterno.”

Tais ensinamentos, como praticamente tudo o que li nessa bela obra, poderiam perfeitamente ter sido pronunciados (com pequenas diferenças de linguagem) por Jesus, Krishna ou Buda. É muito reconfortante e inspirador confirmar, vez após outra, que todas as religiões foram fundadas sobre as mesmas verdades essenciais. Perceber a unidade fundamental por trás das diferenças superficiais é trilhar de fato o caminho ensinado pelos grandes mestres. Toda briga em nome de Deus nasce apenas da cegueira do ego, e só pode conduzir ao sofrimento e à ignorância.

Essa percepção de que todas as religiões falam do mesmo e único Deus, cada uma a seu modo, deveria ser como um farol a guiar o caminho na interpretação das escrituras de todas as religiões. Confio que será assim que as pessoas estudarão os textos sagrados, em um futuro não muito distante. Essa abordagem plural pode nos livrar de grandes perigos.

Por exemplo, se consideramos o Verso 45 (e os dois seguintes) da parte Árabe, sem fazer uma referência cruzada a outras escrituras, podemos ser levados a interpretações radicalmente opostas:

“Ó FILHO DO SER!
Busca a morte de mártir em Minha senda, satisfeito com Meu prazer e grato por aquilo que Eu ordeno, para que Comigo possas repousar, sob o dossel da majestade, atrás do tabernáculo da glória.”

Uma interpretação literal desse verso pode levar a grandes erros. Contudo consideremos uma famosa fala de Jesus: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa, este a salvará.” (Lucas 9:24, e também Mateus 16:25 e Marcos 8:35). Aí teremos condições de interpretar sob nova e auspiciosa luz o conceito do Jihad, a “Guerra Santa”, que deveria ser travada no interior de cada homem (exatamente como a guerra descrita no Mahabharata hindu), entre seu lado egóico e seu lado divino. E não, de modo algum, uma guerra entre “fiéis e infiéis”. Seria um Deus muito pequeno alguém que desejasse que os homens se matassem (ou mesmo se ofendessem) em Seu nome.

Detalhe: por grande sincronicidade, li esse livro logo após assistir à excelente série “Messiah” (https://www.netflix.com/br/title/80117557) no Netflix.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

BENJAMIM – Chico Buarque



Espetacularmente bem escrito, “Benjamim” é mais um escandaloso testemunho da genialidade do brasileiro Chico Buarque de Hollanda. Aqui, mais do que em “Budapeste” (que foi outro romance dele que li), senti muito vividamente a presença do poeta dentro do romancista. A narrativa vai sendo construída através de inesperadas imagens poéticas, que tornam a leitura uma experiência ímpar.

Os personagens também são extremamente marcantes, com destaque para Ariela Masé, tão enigmática e complexa e, ao mesmo tempo, tão simples e direta em sua feminilidade, que parece ter saído de uma das letras imortais do Chico sobre as mulheres.

Diversão e arte em alto grau! Recomendado para todos que amam a Literatura e que acreditam nessa arte como forma de elevar o ser humano a novos patamares.

Só me causa estranheza o fato de nenhum dos livros de Chico Buarque constar da lista dos recentemente censurados pelo governo de Rondônia. Uma omissão verdadeiramente imperdoável! Não há censura que se preze que não coloque Chico Buarque no topo da lista!

De resto, a reconfortante certeza que fica após a leitura de obra de tal quilate: esses aspirantes a ditadores de meia tigela que aí estão, esses passarão, como sempre. Já Chico, Paulo, Rubem, Machado e outros grandes, passarinhos que são, continuarão mostrando aéreos caminhos!





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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

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sábado, 8 de fevereiro de 2020

KARIRI XOCÓ: Contos Indígenas Volume 2 – Denízia Cruz




Belo relato de contos dos Kariri Xocó, que mescla lendas, origens e modos de fazer desse grande povo indígena, com quem certa vez tive o privilégio de vivenciar uma inesquecível dança ao redor do fogo, além de assistir a belíssimas apresentações musicais de seu mais conhecido representante, o querido Wakay (https://www.facebook.com/caminhodetodos/).

O texto é ricamente ilustrado por Caco Bressane, com expressivos desenhos que me evocaram o clássico Tintim, de Hergé. No início da leitura experimentei um pouco de estranhamento com o modo da autora articular suas frases. Então, ao descobrir que Denízia Cruz é também uma Kariri Xocó, esse estranhamento inicial só fez agregar mais encanto à leitura, em apreciação ao esforço da autora de trazer para a imperialista língua portuguesa as sutis percepções do homem integrado à Natureza que marcam a visão indígena do mundo.


Nos tempos desafiadores em que vivemos, quando aqueles que consideram a si mesmos “cidadãos de bem” acham que podem e devem invadir territórios indígenas com garimpo, fazer pesca esportiva em reservas ambientais e desmatar a Amazônia para criar gado, nada mais urgente que ouvir a voz de advertência dos primeiros e legítimos brasileiros:

“Filho, o mundo está doente, os povos precisam de ajuda na esperança de viver uma vida saudável. Estão matando rios, lagos, lagoas, oceanos e tudo aquilo que é sagrado pelos povos da floresta, os guardiões dos segredos ancestrais. O preço que os povos hoje estão pagando para ter saúde e moradia é consequência do homem sem alma.”

Acompanha o livro um lindo CD de canções indígenas.



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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

A ILUSTRE CASA DE RAMIRES – Eça de Queirós



Li com grande deleite o soberbo romance da maturidade desse grande autor português, Eça de Queirós. “A Ilustre Casa de Ramires” foi publicado em 1900, na transição do século dezenove para o vinte, e expressa bem o choque entre os valores tradicionais e modernos na figura do protagonista, Gonçalo Ramires, o “Fidalgo da Torre”, membro de uma família que é “mais velha que Portugal” e que agora precisa se valer de recursos pouco heroicos para amealhar fama e fortuna e fazer jus ao prestigioso nome de seus ancestrais.

De Eça de Queirós li “O Crime do Padre Amaro” e assisti à minissérie da Globo inspirada em “O Primo Basílio”. Das duas vezes cheguei ao fim da história levemente nauseado, embora impressionado com a capacidade do autor de retratar as fraquezas e vilezas da natureza humana. “A Ilustre Casa de Ramires” também traz esse olhar ferino e cínico, mas não somente. Vemos o Gonçalo covarde, vaidoso e interesseiro, mas vemos da mesma forma o homem generoso e magnânimo, o amigo fiel e capaz de gestos verdadeiramente nobres. Gonçalo é mais humano e completo que Amaro e Basílio. Por isso considero essa obra superior às outras duas, embora essas sejam inegavelmente grandes e até mais famosas que “A Ilustre Casa de Ramires”, responsáveis pela imagem de Eça como um feroz crítico dos costumes.

De resto, a intensa diversão e o rico aprendizado de testemunhar um mestre da pena em ação. Eça de Queirós esbanja sutilezas e constrói seu drama com absoluto domínio da narrativa. Dois pontos de destaque são: 1) o “livro dentro do livro”, a novela escrita por Gonçalo sobre seus antepassados e cuja trama vai sendo apresentada em paralelo à história principal, de forma esplêndida, e 2) a “cena do mirante”, que constitui o ápice dramático e que é narrada com tanto primor que eu cheguei a sentir em meu próprio peito as intensas e aflitivas emoções vividas pelo pobre Gonçalo. Uma maravilhosa vivência do poder da Literatura!


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA – Paulo Freire




Uma vez que os livros de Paulo Freire passaram a vender mais durante o governo Bolsonaro (https://epoca.globo.com/guilherme-amado/venda-de-livro-de-paulo-freire-aumenta-durante-governo-bolsonaro-23918581), resolvi aderir à moda e ler essa que é uma de suas principais obras. Li com o objetivo de sanar uma dúvida minha. Afinal, um pensador do quilate de Paulo Freire, que obteve tanto reconhecimento na área da Educação (da qual nosso país é tão carente) a ponto de ser estudado nas principais universidades do planeta, deveria ser um herói nacional, reverenciado por todos os brasileiros e recebendo honrarias pelo menos iguais às reservadas aos ídolos do futebol. Por que cargas d’água, então, justamente os que mais gostam de dizer que são patriotas parecem ter verdadeiro horror a Paulo Freire? O que há nas ideias do Professor que incomoda tanto Bolsonaro e seus filhotes?

Não precisei ler muitas páginas de “Pedagogia da Autonomia” para encontrar a resposta. Imagine, por exemplo, um livro que fala dos benefícios da luz solar para a saúde do corpo e da mente, sugerindo exercícios diários ao ar livre e enfatizando como é sempre melhor examinar as coisas sob a luz direta do sol... Então imagine como um livro desses seria recebido por uma comunidade de vampiros!

Nada mais natural que Bolsonaro tenha medo de Paulo Freire como o Drácula foge da cruz. Cada frase desse livro é um desmascaramento da feiura e injustificável malvadez de todo autoritarismo. Com sua fala mansa e heroica, o professor Paulo Freire denuncia implacavelmente a vilania e o cinismo que tantas vezes se disfarçam como discursos em defesa da “moral e dos bons costumes”.

Desafio qualquer um que considere Paulo Freire um “energúmeno” a refutar suas ideias, não pela grosseira dos xingamentos ou pela violência de botas e cassetetes, mas pela força lógica de argumentos contrários. Creio que ninguém ficaria mais feliz com esse debate que o próprio Paulo Freire, esse grande brasileiro defensor da democracia.

“Não se pode falar em educação sem amor.” – Paulo Freire





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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O REI AVATARA – Swami Prabhupada



Sempre é uma linda e abençoada oportunidade travar contato com a inspiradora história de Sri Rama. Essa grande encarnação da Sabedoria manifestou-se na Terra em tempos remotos, deixando o imperecível exemplo das virtudes e conduta de um homem perfeito.

A primeira parte de “O Rei Avatara” traz um belo resumo da saga do príncipe Rama para resgatar sua amada Sita, sequestrada pelo rei demônio Ravana. Essa maravilhosa narrativa, repleta de seres fantásticos e grandiosas batalhas, constitui o “Ramayana”, uma das principais escrituras hindus (como primeiro contato, sugiro a versão em desenho animado: https://youtu.be/06fKLllYaJI).



Muitos consideram o “Ramayana” um texto  puramente simbólico. Contudo em 2002 imagens de satélite da NASA revelaram o que ficou conhecido como a “Ponte de Rama” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Ad%C3%A3o), que sugere evidência histórica para um dos trechos mais incríveis do “Ramayana”: a travessia do oceano pelo Senhor Rama e seu exército de macacos.

A segunda parte do livro traz a interpretação de Swami Prabhupada, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), para o “Ramayana”. Esse trecho foi fonte de grande aprendizado para mim, seja onde encontrei preciosos ensinamentos, seja onde guardei respeitosa discordância.

O livro encerra com “Os Deveres de um Líder Político segundo as Escrituras Sagradas”, com verdadeiras pérolas dentre as quais pincei:

“O rei tem que considerar que seu principal dever é servir seus cidadãos. Ele deve protegê-los assim como uma mãe protege a criança em seu ventre. Alguma mãe pensará em gratificar-se enquanto o filho está em seu ventre? Todos os pensamentos dela estarão voltados para a criança e para o bem-estar da mesma. Da mesma forma, o rei deve subordinar todos os seus desejos e vontades e buscar atender àqueles de seus cidadãos. O bem-estar deles deve ser o seu único interesse.”
(Mahabharata 12.86.24)

“O melhor rei é aquele cujos cidadãos vivem em liberdade e alegria como se estivessem na casa do próprio pai. A paz estará com eles, bem como a satisfação. Assim, não haverá qualquer perversidade, ambição, desonestidade ou inveja. O âmago do dever de um rei é a proteção de seus cidadãos e a felicidade deles. Não se trata de algo fácil. Para garantir a felicidade de seu povo, ele deve recorrer a diversos métodos.”
(Mahabharata 12.86.24)

“Os fracos e oprimidos, os cegos, os surdos, os aleijados, os órfãos, os idosos, as viúvas, os doentes e os aflitos devem receber alimento, vestes, medicamentos, abrigo e demais necessidades.”
(Mahabharata 12.86.24)

Jai Sri Ram!





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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.


LABIRINTO CIRCULAR


ISSO TUDO É MUITO RARO


domingo, 19 de janeiro de 2020

DEPOIS DO FUNERAL – Agatha Christie



Foi uma delícia reler esse livro! Dessa vez eu lembrava claramente da trama, então pude acompanhar de camarote a maneira magistral como Agatha vai apresentando ao leitor as pistas para a solução do mistério. A Rainha joga limpo com seus leitores, e realmente deixa todas as peças do quebra cabeça à mostra e bem visíveis. Por outro lado, a autora é muito astuciosa ao apresentar as dicas verdadeiras embaralhadas em meio a uma profusão de pistas ilusórias. E o mais impressionante é a habilidade de induzir o leitor a apostar em falsas premissas.

Agatha Christie jamais quebra as regras do romance policial, mas consegue “dobrar” essas regras de forma insuperável, chegando ao ponto de subvertê-las. A solução do mistério é inesperada porque, antes de ler tal livro, o leitor não chega a considerar aquela possibilidade específica como uma solução possível. Ao final da leitura, ludibriado mais uma vez, o leitor satisfeito é obrigado a admitir: “sim, essa é uma solução válida, uma boa solução. Eu nunca pensaria nisso, mas não posso dizer que o jogo não foi justo.”

Foi assim que Agatha obteve alguns de seus maiores êxitos, como “O Assassinato de Roger Acroyd”, “A Casa Torta”, “E Não Sobrou Nenhum (O Caso dos Dez Negrinhos)” e “Assassinato no Expresso Oriente”. Obras às quais se soma, certamente, “Depois do Funeral”.



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
 
Book trailer:



sábado, 18 de janeiro de 2020

APENAS DEUS – Irmã Gyanamata



“Não há espiritualidade sem heroísmo.”
Irmã Gyanamata

Li com reverência e gratidão as preciosas páginas desse livro, uma ou duas a cada dia, procurando absorver ao máximo a profunda sabedoria dos ensinamentos ali contidos. Gyanamata foi uma das discípulas mais avançadas de Paramahansa Yogananda, que disse a seu respeito: “Ela deixou pegadas espirituais para todos seguirem”.

Foi exatamente essa a impressão que tive lendo as cartas e o diário pessoal de Irmã Gyanamata: a de estar acompanhando os passos de alguém que alcançou alta e rara percepção de Deus. Seguramente um dos melhores livros que li na vida!


Se eu tivesse que resumir essa leitura em uma única palavra, essa seria “humildade”. A princípio estranhei a frequência e a intensidade com que a Irmã fustigava a si mesma, depreciando-se com ásperas palavras de autorrecriminação. Curiosamente, só fui entender isso um pouco melhor com a leitura da vida de outro grande santo (em sânscrito, a palavra “santo” significa “devoto, alguém que ama a Deus”), o brasileiro Chico Xavier, que possuía o mesmo hábito de se diminuir, chegando muitas vezes a se apresentar como “Cisco Xavier”.

Ocorre que uma das principais armadilhas de todo caminho espiritual é a vaidade. Não é preciso ser Chico Xavier ou Irmã Gyanamata para experimentar esse teste: basta fazer qualquer pequeno progresso espiritual (tal como passar a frequentar algum grupo religioso, iniciar uma prática de meditação ou mesmo conseguir abandonar algum mau hábito) para nos sentirmos cheios de sabedoria e virtude, maiores, melhores e mais perfumados que todos ao nosso redor. Para aplacar as marolas que essas pequenas realizações provocam em nossas restritas consciências, nada melhor que o exemplo de mentes oceânicas como as de Chico e Gyanamata, que permanentemente combatiam o ego para melhor poder expressar o Eu.

O título original dessa incrível obra é “God Alone: The Life and Letters of a Saint”. Lamentavelmente, parece que não se encontra disponível em português. O exemplar que li, recebi das mãos de minha amada madrinha de casamento na SRF, Beatriz, uma tradução não oficial feita por discípulos de Yogananda em Salvador há mais de vinte anos. Era a encadernação xerocada de um original datilografado! Isso tornou a leitura mais especial e saturada de devoção, ainda mais quando eu soube que o responsável pela datilografia foi o saudoso Arismar, pai de meu querido Manoji, Axel Guedes.

Jai Guru!

“Aja como faz quando quer iluminar um quarto escuro. Você não briga com a escuridão. Simplesmente introduz a luz, e as trevas se dissipam.”
Irmã Gyanamata



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

OS PESCADORES E AS SUAS FILHAS – Cecília Meireles



Singela e inspiradora narrativa poética da grande Cecília, ricamente ilustrada por Cris Eich. Recomendada para crianças de todas as idades!

“Os pescadores dormiam / cansados, ao sol, nos barcos. / As filhinhas dos pescadores / brincavam na praça, de mãos dadas. / As filhinhas dos pescadores / cantavam cantigas de sol e de água. / Os pescadores sonhavam / com seus barcos carregados.





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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground – Fabio Shiva


É com muita alegria que inicio mais um ano com a resenha de um livro que eu mesmo escrevi. Oxalá essa prática se torne uma tradição! Novamente, como no ano passado foi o caso de “Favela Gótica” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/01/favela-gotica-fabio-shiva.html), não me cabe falar dos possíveis méritos ou deméritos da obra, mas sim das circunstâncias, motivações e pequenos segredos que fizeram com que o livro fosse escrito.

E começo com uma confissão: durante muitos anos, não podia ouvir as músicas do Imago Mortis, músicas que ajudei a compor e cujas letras escrevi. Enquanto estava redigindo o livro, me determinei a ouvir algumas das músicas, para mergulhar mais intensamente no passado. Durante as audições, sentia uma angústia tão intensa que não conseguia conter as lágrimas. E agora que o livro está pronto, diante do relato de pessoas que acharam a leitura muito engraçada e divertida, só posso dar graças ao poder da Literatura de nos ajudar a transcender e ressignificar as dores da Vida.

Tudo o que dá para rir, dá para chorar: é questão de hora e lugar”. Esse é um ditado que se aplica bem ao processo de escrita de “Diário de um Imago”. Adquiriu uma força irresistível, para mim, a ideia de contar como uma comédia a história da banda de heavy metal que se propôs a fazer a música mais triste do mundo, capaz de levar uma pessoa ao suicídio, e que quis transformar em riffs, acordes e melodias a própria experiência da morte. Além de trazer um pouco de leveza a temas tão sinistros, o humor me permitiu também escapar de uma armadilha muito comum a esse tipo de livro, que é ficar advogando a própria importância, alardeando as próprias “glórias mofadas”.


Um livro contando a história do Imago Mortis estava sendo plasmado há muito tempo, impulsionado para a existência pelo desejo de muitas mentes. O primeiro idealizador de uma biografia da banda foi o querido amigo Mauro B. Fonseca, que há cerca de dez anos chegou a esboçar uma narrativa, que acabou sendo muito útil. De lá para cá os vocalistas Alex Voorhees e Tufi Sami também se empolgaram com a ideia, anotando suas próprias recordações e pedindo depoimentos a personagens importantes como Eliton Tomasi, Janna Souza, Reinaldo José, Hioderman Zartan e Fausto Mucin, entre outros. O empurrão que faltava aconteceu em 2018, quando tomei conhecimento da dissertação de mestrado de Bruno Pael dos Santos, defendida na Universidade Federal da Grande Dourados (MS), com o título: “A Morte Como Acontecimento Semiótico: a perspectiva simbólica da banda de heavy metal Imago Mortis” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/12/a-morte-como-acontecimento-semiotico.html). Se as músicas da ópera rock “VIDA” foram consideradas importantes o suficiente para serem objeto de estudo de uma dissertação de mestrado, então a história por trás da composição dessas músicas também merecia ser contada.

A partir do momento em que eu finalmente senti que precisava escrever esse livro, foram imprescindíveis as colaborações das pessoas já citadas e também de ex-membros do Imago: Fabrício Barretto, Alex Guimarães, Flavio Duarte e André Delacroix. Não posso deixar de fazer um agradecimento especial a dona Lícia Barretto, minha mãe, cujo ponto de vista sobre nossas estripulias de banda rendeu algumas das passagens mais hilárias do livro. Quanto à interação dos antigos imagões, acabou rendendo uma bela surpresa, que foi a música “O Mistério da Vida” (https://youtu.be/1o8wDrhA0NU).


Do ponto de vista estritamente literário, algumas experiências foram cruciais na composição desse livro. Devo muito à leitura de “Limonov”, de Emmanuel Carrère, livro que me foi presenteado pela querida Maria Inês Menezes e que me instigou com o conceito do “romance de não ficção”. Mais ainda, os livros do próprio Eduard Limonov, relatos autobiográficos de extremo sincericídio, provocaram minha admiração e inveja: será que um dia eu teria coragem de escrever algo parecido?

As peças que faltavam no quebra-cabeça vieram através de alguns textos biográficos que escrevi por encomenda, como Ghost Writer. Nesses textos, era comum o cliente querer cortar ou consertar qualquer “defeito” em sua personalidade e/ou ações. Por mais que eu argumentasse que eram essas pequenas imperfeições que tornavam a história e o próprio personagem do cliente mais cativantes, via de regra a decisão era abolir ou enfeitar tudo o que pudesse ser tido como fraqueza. Isso reforçou a minha determinação de não fazer assim ao contar a minha própria história.

E assim foi. Escrevi “Diário de um Imago” tomado por um frenesi de exibicionismo de algumas das características menos apreciáveis em mim mesmo (bem como em meus desafortunados companheiros de banda). Só no dia seguinte ao da publicação do livro na Amazon (https://www.amazon.com.br/dp/B07Z5CBTQ3) foi que cessou essa espécie de auto-hipnose, e exclamei horrorizado: “O que foi que eu fiz? Agora vão ficar sabendo de todos os podres de meu passado!” Bom, como se diz, agora é tarde...

É por isso que encerro essa resenha com um agradecimento especial à minha linda esposa e companheira, Fabíola Campos, que mesmo depois de ficar sabendo de tanta tosqueira a meu respeito continuou casada comigo!

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