terça-feira, 13 de novembro de 2018

ALCESTE / ELECTRA / HIPÓLITO - Eurípedes





Eurípedes (480 a.C. – 406 a.C.) é considerado um dos três grandes poetas trágicos da Grécia clássica, junto com Sófocles e Ésquilo. Uma de suas maiores contribuições para a dramaturgia universal foi a introdução do recurso do “deus ex machina”, expressão que indica uma solução inesperada, mirabolante e improvável para algum conflito da trama.

Atualmente o “deus ex machina” é considerado má ficção, mas é muito interessante travar contato com as primeiras histórias em que esse estratagema foi utilizado. “Alceste” é um bom exemplo desse uso, com a trama se encerrando de tal forma que ao leitor moderno só resta ficar um tempo de boca aberta, para então exclamar algo como: “Quê??? Como assim???”

Existe também uma estranheza psicológica que acaba sendo muito saborosa em uma leitura atual. Pois entre nós e os antigos gregos existem verdadeiros abismos difíceis de superar, algo que Nietzsche definiu muito bem ao dizer que a Grécia antiga era um mundo que mal podemos imaginar, “com espanto e horror”. Um exemplo dessa estranheza ocorre também em “Alceste”, que é a epítome da esposa dedicada e que aceita morrer no lugar de seu marido Admeto. Durante os funerais de Alceste, não é que Admeto tem uma briga feia com o pai, reclamando que o velho não se ofereceu para morrer no lugar dele, e que por isso foi culpa do pai Alceste morrer!

A tragédia de Electra é uma das mais famosas, por conta do “Complexo de Electra” freudiano. Só que a história não se presta tão bem à interpretação psicanalítica quanto a de Édipo. Afinal, Electra só quer matar a mãe por que esta se uniu ao amante para matar o marido!

“Hipólito” foi a minha favorita dessas três, por ser a que segue mais fielmente a estrutura da tragédia de Sófocles (meu autor trágico favorito). Nas outras duas é notável o esforço de finalizar a história de forma agradável ou amena. Não li ninguém falando sobre isso, mas talvez Eurípedes tenha se tornado o mais popular dentre os trágicos por ter meio que inventado o final feliz (junto com o “deus ex machina”).

Se você nunca leu uma tragédia grega, sugiro “Édipo Rei” de Sófocles, uma das melhores tramas que li na vida! Tanto que Aristóteles a louva em sua “Poética” como exemplo mais que perfeito do uso combinado de “reviravolta” e “reconhecimento” (dois outros recursos dramáticos muito comuns nas tragédias gregas e que continuam sendo utilizados até hoje).

E viva Melpômene, musa inspiradora da tragédia, a quem meu coração de poeta sempre rendeu os maiores tributos!



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1



domingo, 11 de novembro de 2018

IRMÃ MORTE – Justo Navarro



Um magistral exercício de “the subtle art of understatement”. Que intenso e maravilhoso efeito dramático é obtido quando se conta de forma seca, despida de emoção, acontecimentos de grande impacto emocional! Esse é o aprendizado como escritor que mais desejo aprofundar atualmente.

Pois a tentação natural é carregar nas tintas, encher de adjetivos e advérbios, exagerar na descrição dos sentimentos, na tentativa de emocionar pelo excesso. Não é que desse jeito não funcione. Sempre há quem goste. Contudo a arte e o engenho da escrita consiste justamente em dizer mais com menos. Daí essa perfeita definição da literatura, que li em um livro do Ed McBain há anos e que até hoje não consegui traduzir adequadamente para o português: “the subtle art of understatement”.

“Irmã Morte” narra na primeira pessoa as desventuras de um menino ao perder o pai para o câncer, após prolongada agonia. Sua irmã se entrega à prostituição, enquanto ele mesmo mergulha em um mundo de fantasias mórbidas e cada vez mais destrutivas.

Só por essa sinopse se sente a pesada carga emocional da história. Em mãos menos hábeis, provavelmente a narrativa descambaria para um grotesco dramalhão. A prosa seca e concisa de Justo Navarro, entretanto, mantém a trama em irresistível suspense. Uma autêntica tragédia moderna, certamente inspirada por Melpômene. Bravo!





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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO – Stephen Hawking



Graças ao querido amigo Marcos Lima pude ler esta célebre obra, que consta como um dos livros mais vendidos de todos os tempos.

Não é para menos. Stephen Hawking, certamente o cientista mais respeitado da atualidade, é também uma figura icônica e extremamente carismática, um dos ídolos de nossa cultura pop. É muito instigante a imagem do poderoso cérebro aprisionado em um corpo praticamente incapaz de movimento. Contudo Hawking é muito mais que isso. Ele realmente fez jus à fama, e um dos pontos mais fascinantes do livro é a maneira como sua biografia está intimamente ligada ao desenvolvimento das principais teorias da física no século XX.

O texto é escrito com muita habilidade, abordando de forma simples e aparentemente acessível as mais complexas nuances da física moderna. Digo “aparentemente” simples porque eu, pelo menos, não posso me gabar de ter realmente compreendido abstrações como a do “tempo imaginário”, que é o tempo medido com números imaginários, que por sua vez são números que ao serem multiplicados por si mesmos resultam negativos...

Só que Stephen Hawking transita por esses assuntos com tanta facilidade que acaba nos convencendo que é fácil mesmo! Mesmo se não compreendemos tudo, entendemos o suficiente para acompanhar o essencial do raciocínio do autor, em uma vertiginosa narrativa que remonta a bilhões de anos e a milhões de milhões de galáxias...

E aí é que mora o perigo desse livro, em minha opinião. Pois Stephen Hawking é ateu, e deixa seu ponto de vista bastante evidente ao longo do livro. Então ele pode acabar induzindo um leitor menos atento a acreditar que a única maneira de se fazer ciência seja partindo do princípio de que Deus não existe. O que não é correto, em absoluto. Negar a existência de Deus é uma mera opinião, uma questão de crença, e não uma exigência da metodologia científica. Quando percebemos isso, ficamos abismados com o quanto de dogma existe na ciência da atualidade. E não podemos deixar de questionar: que mundo teríamos hoje se, ao invés de partir do pressuposto de que Deus não existe, a ciência fosse construída a partir da afirmação da existência de Deus? Penso que teríamos uma ciência e uma sociedade mais éticas, com menos pesquisas sobre armas e substâncias poluentes e mais pesquisas sobre como aumentar a felicidade de todos os seres no planeta.


Por sincronicidade, tive uma confirmação desse “perigo” recentemente: eu havia feito uma postagem sobre o Amor ser a força mais poderosa do Universo, daí chegou um rapaz dizendo que a maior força do Universo são a gravitação e os buracos negros. Uma afirmação incorreta, arrogante e, desconfio, influenciada pela leitura equivocada desse mesmo livro que eu estava lendo. Por isso sugiro enfaticamente a leitura de obras como “A Janela Visionária” de Amit Goswami, “O Tao da Física” de Fritjof Capra e “Você é o Universo” de Deepak Chopra e Menas Kafatos, para se ter uma visão de como a ciência pode – e deveria – caminhar junto com a espiritualidade.

O grande engano do ateu, em minha opinião, é perceber falhas nos dogmas de uma religião específica e considerar que essa religião tenha dito tudo o que se pode dizer a respeito de Deus. Penso que a ciência e a espiritualidade caminhando juntas inevitavelmente esclarecerão os erros de parte a parte, de um lado mostrando como o Deus concebido por qualquer sistema religioso da Terra é ridiculamente pequeno, quando confrontado com a vastidão do Universo e, de outro, tornando evidente como a própria vastidão do Universo é evidência escandalosa da Consciência por trás de tudo.

Minha grande motivação para ler esse livro foi justamente tentar descobrir como um cientista tão genial quanto Stephen Hawking podia ser ateu. Acabei descobrindo muito mais pistas a esse respeito do que esperava. Fica muito claro que Hawking considera a concepção de Deus pela Igreja Católica como única e suficiente para sua refutação da existência Dele. A ponto de cometer uma indelicadeza ao narrar uma trollada que ele deu no papa, trecho dispensável e provocativo em que Hawking desliza de sua habitual elegância. O motivo dessa birra fica nítido quando o autor declara sua grande afinidade com Galileu, que foi muito perseguido por essa mesmíssima Igreja.

Por sincronicidade (outra!) estou atualmente relendo “Quem Tem Medo da Ciência?”, de Isabelle Stengers, que denuncia as “operações de captura” utilizadas pela ciência e que, no fundo, nada têm de científicas. Numa tradução livre para o baianês, essas “operações de captura” seriam algo como “armengues” ou “gambiarras”, mas que não são reconhecidas como tais no meio científico. Por exemplo, Hawking faz referência a uma tentativa de unificação teórica, chamada de GUT, que precisa partir de números preestabelecidos para fechar as contas. Outro exemplo gritante é a concepção ateia do surgimento da vida: à medida que o Universo foi esfriando, os átomos simples foram se agrupando átomos mais complexos, e esses em moléculas que, em dado momento, em decorrência de um “erro”, começaram a se autorreplicar, após o que muitos outros “erros” foram acontecendo, tornando a replicação cada vez mais complexa, até chegar em um ser autoconsciente, capaz de observar a si mesmo e ao mundo e a questionar as origens e fundamentos de sua existência... Não posso concordar que acreditar nessa fabulosa comédia de erros seja mais científico que supor uma Inteligência conduzindo todo o processo.

Na busca de uma vida inteira por sua “Teoria de Tudo”, talvez o eminente cientista não tenha percebido que havia apenas inventado um novo nome para Deus.

“A Teoria de Tudo” (Trailer)


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590


domingo, 4 de novembro de 2018

VOCÊ – Caroline Kepnes



O recém-lançado romance de estreia de Caroline Kepnes tem tudo para ser um sucesso. O empolgante thriller narra em primeira pessoa a obsessão de um psicopata que começa a perseguir sua amada nas redes sociais. A trama é abrilhantada pelo ferino sarcasmo destilado em tiradas demolidoras, típicas do humor nova-iorquino, ao menos na primeira metade do livro.

Da segunda metade em diante a trama fica um pouco frouxa e mostra o quanto deve a “O Colecionador” de John Fowles. Contudo nada que chegue a atrapalhar a diversão da leitura. Gostei!
  


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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO



sábado, 3 de novembro de 2018

OS PORÕES DO MAJESTIC – Georges Simenon



Espetacular! Realmente o Simenon é um dos autores mais viciantes que conheço! Quando um livro dele vem parar em minhas mãos, dificilmente consigo resistir mais que 24 horas antes de colocar de lado tudo mais que eu estiver lendo no momento para me dedicar exclusivamente a ele.

Em muitas outras resenhas que fiz dos livros dele, tentei analisar e explicar os motivos de tanto fascínio. Ao ler “Os Porões do Majestic”, contudo, apenas me permiti desfrutar de mais uma narrativa impecável, diversão e arte do início ao fim!

Aqui o comissário Maigret está às voltas com o assassinato da esposa de um rico empresário americano, que deixa as autoridades francesas melindradas. O método de investigação do comissário, como sempre, é desconcertante: ele fica vagando pelos corredores subterrâneos do luxuoso Hotel Majestic, onde o corpo foi encontrado. Maigret é a própria imagem da pachorra em meio à frenética atividade dos funcionários do hotel. Mas por que será que ele não faz sequer uma pergunta para a principal testemunha do caso?

Simenon é genial. Toda vez que leio um livro dele, é como se renovasse os mais sagrados votos de minha vocação de escritor. Merci, Georges!


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O QUARTO PROTOCOLO – Frederick Forsyth



Excelente thriller de espionagem que prende o leitor na história, da primeira à última página. Achei muito curioso o fato de o livro ter sido escrito em 1984, mas a história se desenrolar em 1986. Ou seja, quando foi publicado, O Quarto Protocolo fazia referência a acontecimentos em um futuro próximo. É portanto, um tributo ao talento do autor ler o livro em 2018, 34 anos depois, e constatar que a obra é igualmente empolgante ao ser lida como um “suspense histórico”.

Gostei tanto desse livro que coloquei Forsyth em um honroso 2º lugar de melhor autor de espionagem, atrás apenas do imbatível John Le Carré. Aliás, acabei fazendo uma possivelmente perversa graduação de cinco níveis de livros de espionagem, a partir dos principais autores que li:

NÍVEL 1: AGATHA CHRISTIE - “Vizinha Fofoqueira”
Tramas ingênuas, cavalheirescas e ufanistas, totalmente inverossímeis e chatérrimas. Note-se que nas histórias de assassinato Agatha é exatamente o oposto: ardilosa, maquiavélica, sinistra e irresistível!

NÍVEL 2: LEON URIS - “Boato Maldoso”
História cheia de clichês e estereótipos, xenofóbica, insuportável. Baseio essa qualificação na obra de propaganda disfarçada como romance que o autor intitulou “Topázio”.

NÍVEL 3: IAN FLEMING - “Hush Hush”
Fantasioso, porém delicioso! Ian Fleming foi o grande responsável pela aura de glamour que cerca as histórias de espionagem, com seu persistente 007, que já rendeu várias encarnações no cinema (claro que o Sean Connery é insuperável!).

NÍVEL 4: FREDERICK FORSYTH - “Só para seus olhos”
Trama bem construída, convincente e empolgante. Só comete o compreensível pecado de colocar britânicos como os grandes heróis, americanos como coadjuvantes e russos como os inevitáveis vilões.

NÍVEL 5: JOHN LE CARRÉ - “Top Secret”
Obras densas, angustiantes, escritas com grande conhecimento do ofício de espião e, sobretudo, do ofício de escritor. A única coisa que diferencia os heróis dos vilões é que eles sofrem mais com as ações repugnantes que todos precisam cometer em nome da honra e da virtude. Alta literatura dos tempos modernos!

Ainda sobre O Quarto Protocolo, um detalhe que me chamou a atenção foi a referência ao “serviço de desinformação”, extremamente ativo nos governos de direita e esquerda, muitos anos antes da Internet inaugurar a era das Fake News.


Trailer do filme (1987):

Wikipedia:


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ZÉ, O GATO PRETO DA SORTE – Tiago Oliveira




Conheci o poeta Tiago Oliveira Nascimento quando trabalhamos juntos no projeto Pelourinho Dia e Noite, declamando poemas nos bares, praças e becos do Pelourinho. Foi uma grande influência para mim. Com ele aprendi o valor da poesia simples e fácil, feita para ser declamada, com ritmo e rima acalentando ideias de transformação positiva do mundo. O que possibilitou a percepção de que Castro Alves (meu ídolo maior), além de ser uma pena inspirada pelo amor à liberdade, foi também uma poderosa voz a serviço do povo. E que essa deve ser a ambição mais alta do Poeta!

Certo dia voltamos juntos do Pelourinho, quando Tiago generosamente respondeu à minha pergunta: “Por que todos lhe chamam de Gato Preto?” contando a história desse livro e de como ele acabou traçando os rumos da vida de seu autor.

Tempos depois, que alegre surpresa encontrar um exemplar desse livro na estante do P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante)! Claro que peguei, li e passei adiante, com muita alegria!

Gratidão, querido Tiago Gato Preto! Que sua linda Poesia continue nos inspirando!





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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.

domingo, 16 de setembro de 2018

NÃO VERÁS PAÍS NENHUM – Ignácio de Loyola Brandão



Surpreendente e assustador, esse é o tipo de livro que fica fermentando dentro da cabeça da gente depois da leitura. Escrito entre 1976 e 1981, em plena ditadura militar, “Não Verás País Nenhum” é uma asfixiante ficção científica brasileira – com ênfase na “brasilidade” da história. Brandão não se limitou em ambientar no Brasil uma história futurista, mas inventou uma forma toda própria e absolutamente tupiniquim de narrar o futuro, que acabou engendrando um livro diferente de tudo que já li, certamente nada parecido com as obras de Isaac Asimov, Arthur C. Clarke ou Robert A. Heinlein.

O próprio título já dá uma ideia do que vem pela frente, ao subverter genialmente o famoso verso ufanista de Olavo Bilac:

“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!”

Boa parte do terror da narrativa vem de uma incômoda percepção: hoje, em 2018, estamos mais próximos da surreal e pavorosa fantasia imaginada pelo autor que na própria época em que o livro foi escrito. É muito angustiante ver como um delírio tão bizarro escrito há mais de 30 anos pode trazer tanto de profecia.

Achei a leitura cansativa, árida, penosa. Mas, coisa estranha, ao finalmente terminar de ler o livro, fiquei sentindo saudades... Foi então que se tornou evidente que o cansaço da leitura vem do próprio tema em si, desse profundo mergulho na Sombra nacional: a conivência com a corrupção, o descaso com a natureza, o despudorado flerte com o totalitarismo. Esse é o lado sombrio de ser brasileiro, aqui exposto em tons de pesadelo. E hoje, mais do que nunca, o sonho ruim periga se tornar triste realidade.


Ignácio de Loyola Brandão, ao utilizar a Literatura para denunciar as mazelas do Brasil, com tanta arte e engenho, me faz ter vergonha, mas também orgulho de ser brasileiro!

Conferência sobre a obra:




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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO

sábado, 15 de setembro de 2018

A MENSAGEIRA DAS VIOLETAS – Florbela Espanca



Erótica e melancólica, picante e pungente, lasciva e lacrimosa... esses são alguns dos pares de opostos que me ocorrem diante da Poesia de Florbela Espanca. Embora seja uma autora do início do século XX, penso que sua obra é marcada por uma profunda dicotomia barroca: o corpo arde de sensualidade, enquanto a alma congela de tanta tristeza! Uma combinação que pode não agradar a todos os gostos, mas que certamente causa uma profunda impressão em qualquer coração dotado de um mínimo de sensibilidade poética.

Pois acima de tudo Florbela Espanca é uma grande Poeta! Seus sonetos são belíssimos, dotados de leveza, ritmo e encantamento. Ela foi a única mulher a ser homenageada, dentre os poetas clássicos, em nosso projeto Doce Poesia Doce (https://www.facebook.com/poesianasarvores/), em 2017. Pois é a Poeta de língua portuguesa de maior expressão cuja obra já se encontra em domínio público (eu não conheço nenhuma outra, agradeço se alguém puder indicar). Isso por si só fala da característica vanguardista de sua Poesia, precursora dos movimentos de libertação feminina.


Por falar em domínio público, este livro é fácil de encontrar para leitura online:

Eu me pergunto se ficaria tão sensível à tristeza dos poemas de Florbela se não soubesse que o ponto final de sua existência foi um comprimido a mais (ou uma caixa) de Veronal, na madrugada de seu aniversário de 36 anos. Muito me intriga o fato de tantos escritores escolherem o suicídio. Tanto que escrevi um conto a respeito, “O Armazém”, onde cito Florbela, muito antes de ter lido sequer um de seus lindos poemas:

O ARMAZÉM

Encerro esta resenha com um belo exemplo da Poesia de Florbela Espanca:

VERSOS

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...

Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês...




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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


domingo, 9 de setembro de 2018

O CASAMENTO ESPIRITUAL – Irmão Anandamoy



Maravilhosa e abençoada obra, que tenho tido o privilégio e a gratidão de ler junto com minha companheira Fabíola Campos, em pequenos trechos diários, antes de nossa meditação matinal. Creio que esta foi a quarta ou quinta vez que lemos o livro juntos, sempre retirando dele novos ensinamentos e inspirações para a vida de par.

Reproduzo abaixo a resenha que fiz ao ler o livro pela primeira vez:

O irmão Anandamoy foi discípulo direto de Paramahansa Yogananda. Nascido na Suiça, em 1948 foi estudar arquitetura na América. Aproveitou para ir a Los Angeles e visitar, na sede internacional da Self-Realization Fellowship, o autor de “Autobiografia de um Iogue”. Imagino a emoção que não o acometeu quando se viu frente a frente com o seu guru. Poucos meses depois, o estudante de arquitetura tornou-se Anandamoy, monge do ashram de Yogananda.

Durante os longos anos de sua caminhada espiritual, o irmão Anandamoy realizou inúmeras palestras, levando as palavras e ensinamentos de Yogananda para muitos corações. Uma dessas palestras foi “O Casamento Espiritual”, convertido em um pequeno grande livro, para nosso crescimento e aprendizado.

Escrito de forma singela e cativante, adquire profundidade insuspeitável a um primeiro olhar. Sem dúvida um livro precioso, destinado àqueles que pretendem fazer do amor de par um caminho de elevação espiritual.

O amor a dois pode ser muito, muito mais lindo que o sonho do poeta em “Romeu e Julieta”. Pois o amor é a expressão de uma ânsia essencial de retornar ao Todo, de unir-se ao Um. Sendo expressão do Amor maior, o amor no casamento é uma luz que ilumina o mundo!

“As dificuldades no casamento ocorrem principalmente, creio eu, quando os casais não compreendem plenamente o propósito ou o significado do casamento e o profundo elo existente entre matrimônio e caminho espiritual.”

“Apenas imagine o casamento de duas pessoas que tenham esta atitude – nada esperar do outro, e esperar muito de si próprio – um relacionamento baseado na doação. Pense nisto.”

(20.03.10)



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590
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