quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ARQUIPÉLAGO GULAG – Alexander Soljenítsin





Esta é, sem dúvida, uma das obras mais relevantes do século XX. E foi também um dos livros mais sinistros e apavorantes que li na vida. Levei mais de seis meses para vencer as 600 páginas desse tijolo de horror e ódio, e mesmo assim só porque da página 400 em diante, exaurido pela hedionda sombra do Gulag em minha consciência, me determinei a não tocar em outro livro até chegar ao fim deste (normalmente leio alternando entre três ou mais livros).

Imagine ser despertado na calada da noite por batidas urgentes na porta. São agentes do governo, que levam para interrogatório e averiguações. Que acabam consistindo em torturas diversas, como trancar você em um cubículo infestado de percevejos por dias a fio, urinar em sua cara ou deixar você sem comer, beber ou dormir até o limite da exaustão física e mental. Isso para não mencionar as rotineiras sessões de espancamento, que muitas vezes terminam em morte, mutilações ou lesões permanentes. Se você sobrevive ao “interrogatório”, já pode confessar seus crimes reais ou imaginários em um julgamento de fachada, que não passa de uma tosca encenação pública, para então receber a merecida pena: o fuzilamento, ou então cinco, dez ou mesmo vinte e cinco anos nos campos de trabalhos forçados. São esses campos da morte as numerosas “ilhas” do Arquipélago Gulag, tema deste livro que foi escrito a partir das experiências do próprio autor, bem como dos depoimentos de mais de 200 outros prisioneiros.

A maldade humana é muitas vezes retratada nas histórias de ficção como revestida de astúcia e esperteza. Esta triste história verídica, contudo, nos mostra que a maldade está muitas vezes acompanhada da mais obtusa e embotada estupidez. Penso que todo mal, de uma forma ou de outra, é fruto direto da ignorância, esta sim o mal supremo, ao qual se referiu o Cristo em suas redentoras palavras: “Perdoai-os, Pai, pois eles não sabem o que fazem”.

“Arquipélago Gulag” é hoje, talvez, uma leitura mais relevante do que nunca, nesses tempos estranhos, em que tantos parecem dispostos a endossar o mal, apoiando e aplaudindo práticas antivida como o totalitarismo, a tortura e a execução sumária. Penso que não poderei esquecer deste livro tão cedo. Deus nos liberte da ignorância, mãe de todos os Gulags.

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“Ah, se as coisas fossem assim tão simples! Se num dado lugar houvesse pessoas de alma negra, tramando maldosamente negros desígnios, e se se tratasse somente de diferenciá-las das restantes e de aniquilá-las! Mas a linha que separa o bem do mal atravessa o coração de cada pessoa. E quem destrói um pedaço do seu próprio coração?...”

“Nós temos a tendência a revoltar-nos contra aqueles que são mais fracos, contra os que não podem responder. Isto é próprio do homem.”

“Não gosto dessas denominações de ‘esquerda’ e ‘direita’: são arbitrárias, permutáveis e não dão conta da essência.”

“Se a natureza humana evolui, não é com muito mais rapidez do que o aspecto geológico da Terra.”

“O homem é esperança e impaciência.”

“Como fazê-los compreender (por uma iluminação? por uma aparição? em sonho?): Irmãos! homens! Para que a vida lhes foi dada? No meio de uma noite escura, abrem-se as portas das câmaras da morte e seres humanos de almas grandiosas se encaminham para o fuzilamento. (...) Mas vocês têm sobre suas cabeças o céu azul e, sob o cálido sol, o direito de decidir seu próprio destino, beber água, sentar esticando as pernas, viajar para onde queiram. (...) Querem que lhes revele agora o segredo mais essencial da vida? Não persigam o enganoso, nem as posses, nem os títulos: tudo isso se paga à custa dos nervos, década após década, e numa noite só pode ser confiscado. Vivam com serena superioridade perante a vida... Não temam a desdita nem anseiem pela felicidade, pois ambas as atitudes vêm a ser o mesmo. A amargura não se prolonga eternamente, e a medida do prazer nunca se completa. Alegrem-se se não tremem de frio, se as garras da fome e da sede não dilaceram suas entranhas. Vocês não têm a espinha quebrada, suas duas pernas andam, seus dois braços se dobram, seus dois olhos enxergam e seus dois ouvidos escutam – quem poderiam vocês invejar? E por quê? A inveja é o que mais nos tortura. Esfreguem bem os olhos, purifiquem seus corações, então poderão aquilatar perfeitamente quem verdadeiramente lhes quer e deseja seu bem. Não lhes façam nenhum mal, não pronunciem palavras malévolas contra eles, não permitam que as brigas os separem, pois quem pode saber se este não é o seu último ato antes de serem presos? e isso lhe pesará na memória!...”

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590


terça-feira, 31 de julho de 2018

NO SANTUÁRIO DA ALMA – Paramahansa Yogananda



Ler este livro do Guru foi uma realização particularmente feliz! Isso porque eu li o exemplar do Círculo de Meditação que eu frequento, em Lauro de Freitas (https://www.facebook.com/yoganandalaurodefreitas), nas ocasiões em que fui escalado para fazer o serviço de leitura. Então esta leitura foi realizada ao longo de alguns meses, e intercalada por boas horas de meditação coletiva!

Como todos os livros de Yogananda, “No Santuário da Alma” é um lindo tesouro para os buscadores da Verdade. Aqui, Paramahansaji ensina o método correto e eficaz de oração. Grande e profundo é o poder da oração, mas para que estejamos aptos a aplicar esse poder em nossas vidas, é preciso primeiro reconhecer nossa verdadeira natureza de filhos de Deus, para que possamos amorosamente exigir do Pai Celestial nossa justa herança divina, e não mais suplicar e implorar como mendigos abandonados no “vale da tristeza”.

Por isso mesmo, a oração mais sábia é aquela em que procuramos sintonizar nossa vontade à Vontade divina, e a maior riqueza a que podemos almejar é a percepção da Presença de Deus. Que assim seja!



Trailer AWAKE:

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
 
Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

domingo, 29 de julho de 2018

'NO MEU LUGAR - NASCER DO SOL' - Tiara Fortuna

Sinopse
Aqui sentado a observo de longe. A noite não tinha vida até ela aparecer. A praia não tinha graça sem ela. Ela que é a luz da minha lua e nem desconfia. Eu um cara simples da ilha que todo ano aguardo com ansiedade a sua chegada para as férias. Ela anda distraída como sempre, graciosa como sempre, molhando os pés inocentemente no mar. Como eu queria ser esse mar que ela olha com tanto amor! Que inveja eu sinto dessas praias que ela deseja com tanta sede. Eu que desejo apenas ela. O que ela fará quando souber o que sinto? Não sei. Menina-mulher, fruto proibido. Disso sei. Mas, não dá mais para esconder o brilho em meu olhar quando a vejo. Sei que vou correr o risco de perdê-la de vez. Mas, como posso perder o que nunca foi meu? Por isso continuo invisível a observá-la. Prazer de uma noite de verão. Ela sumiu na praia levando consigo a minha paz. Sua ausência se prolonga e a incerteza do seu paradeiro transforma meus sonhos em vívidos pesadelos. Se acalme! Ela não deu motivos para você se preocupar. Por que, então, meu coração insiste em se alarmar? Agitado abandono o que estava fazendo. Se ao contar até vinte ela não aparecer vou procurá-la. Só para checar. Antes de chegar no dez já estou de pé. A quem estou querendo enganar? Minhas pernas já não me pertencem, elas também anseiam pela dona do meu coração. Onde você está?


Resenha
"No Meu Lugar - Nascer do Sol" é uma obra da baiana Tiara Fortuna, conta sobre a adolescente Aninha. Uma menina de 14 anos que todas as férias de dezembro/janeiro viaja para Jiribatuba com seus pais e seu irmão. Jiriba, como é carinhosamente chamada, é uma cidadezinha na Ilha de Itaparica  (BA) com praias lindas e onde os pais de Aninha são nascidos, sendo a família toda conhecida. O pai de Aninha se formou em medicina e ajuda a todos da cidade. Aninha, a personagem principal da história, ama passar suas férias de verão no local e fica o ano inteiro ansiosa para tal acontecimento. Só que nessas férias tudo muda na vida de todos da família e da cidade. Seus amigos de infância, Cadu e suas irmãs, Daiane e inclusive seus pais. Na família de Cadu, aparecem dois primos dele para visitá-los- Maneca e Joca - e sua irmã mais velha já está namorando há alguns meses. Aninha vive fortes emoções com o primo de Cadu e com o próprio Cadu. Já seu irmão Gabriel, sofre um corte no pé, como de costume tem sempre um acidente com o menino. Seus pais acabam se separando nessas férias, o que entristeceu Aninha e a deixou sem a certeza de que voltaria nas próximas férias de verão.
Duquinho, primo de Aninha e Gabriel também foi passar suas férias em Jiriba e a novidade do rapaz ficou por conta do Jet Ski que ganhou de presente de seu pai, também nascido na cidade e que se elegeu Deputado.
As emoções de Aninha ficam por conta de Cadu e o primo Maneca. Aninha era paquerada por Maneca, que não fazia questão de esconder isso de ninguém, mas o que ela não esperava foi o amor que Cadu sentia por ela e só a revelou na metade de suas férias, apesar da mesma ter percebido sem maldade, achando que era excesso de zelo do amigo, que a revelação se deu graças ao livro "Emma" - de Janne Austen.
"No Meu Lugar" é uma obra que nos faz lembrar de nossas férias. Eu li e me lembrei muito das minhas, quando eu era adolescente e ia às cidades de Rio das Ostras e Cabo Frio, ambas aqui no Estado do Rio de Janeiro. E além de nos fazer sentir uma nostalgia, TiaFor  (assim que eu chamo a minha super amiga Tiara Fortuna) nos deixa com água na boca, pois deu a entender com o final que haverá continuação. Fora que a história é uma inspiração da infância e adolescência de TiaFor, já que frequenta Jiriba desde pequena.

Eu super indico esta obra de arte da escritora Tiara Fortuna, pois é um romance encantador e tem muita emoção e história que não coloquei na resenha, porque vocês tem de ler! Obrigado a todos pela leitura e visita. Obrigado TiaFor pelo excelente trabalho que tive a oportunidade e felicidade em ler. O livro já é o melhor que li e eu o guardei a sete chaves. Ninguém o tira de mim.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

BARULHOS – Ferreira Gullar


Esta é a segunda obra que leio do grande Ferreira Gullar, em seguida à sua impactante “A Luta Corporal”. Aqui encontrei o Poeta mais comedido e circunspecto, bem diverso do selvagem lutador de MMA, com sua poesia jiujiteira que nos agarra pela gola e já parte para um mata leão. É que mais de trinta anos separam “Barulhos” de “A Luta Corporal”. Lá estava o inflamado poeta concretista, no auge de sua juventude, e aqui temos o poeta maduro, depois de ter passado por inúmeros caminhos poéticos (inclusive a literatura de cordel).

Em “Barulhos”, encontramos um Gullar muito sensibilizado pela questão da morte, tanto a própria quanto a dos amigos, que são lembrados em várias e tocantes elegias. A preocupação com a mortalidade está presente da mesma forma no instigante conceito do “poema podre”, da poesia que se apresenta como uma fruta apodrecendo. E também, em um vislumbre que considerei diametralmente oposto, na conversa que o poeta estabelece com os amigos mortos, percebendo na Poesia a possibilidade de perceber uma continuidade para a existência após a morte física (coisa que o marxista Gullar não pode admitir).

Ainda assim, há algo de indelével e marcante tanto no jovem e furioso poeta de “A Luta Corporal” quanto no reflexivo e por vezes tristonho senhor de “Barulhos”, que falam de uma linda e inspiradora caminhada de vida, onde a Poesia é sempre guia e fiel companheira de viagem.

Amei todos os poemas deste livro, mas destaco “O Lampejo” como belíssimo exemplo da verve deste que é um dos maiores Bardos de nossa terra. Viva Ferreira Gullar! Viva a Poesia!

“O LAMPEJO

O poema não voa de asa-delta
não mora na Barra
não freqüenta o Maksoud.
Pra falar a verdade, o poema não voa:
anda a pé
e acaba de ser expulso da fazenda Itupu
                                             pela polícia.

Come mal dorme mal cheira a suor,
parece demais com o povo:
                                             é assaltante?
                                             é posseiro?
                                             é vagabundo?
frequentemente o detêm para averiguações
    às vezes o espancam
    às vezes o matam
    às vezes o resgatam
    da merda
           por um dia
e o fazem sorrir diante das câmeras da TV
de banho tomado.

O poema se vende
                 se corrompe
confia no governo
desconfia
de repente se zanga
e quebra trezentos ônibus nas ruas de Salvador.

O poema é confuso
mas tem o rosto da história brasileira:
               tisnado de sol
               cavado de aflições
e no fundo do olhar, no mais fundo,
       detrás de todo o amargor,
               guarda um lampejo –
               um diamante
               duro como um homem
e é isso que obriga o exército a se manter de prontidão.”

Roda Viva com Ferreira Gullar:



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Promoção de aniversário Caligo Editora!
https://caligo.lojaintegrada.com.br/promocao-de-aniversario-de-6-anos-da-caligo-3-livros-por-50-reais

domingo, 22 de julho de 2018

A NUDEZ DA VERDADE – Fernando Sabino



Eu era menino quando li “O Homem Nu”, uma das mais divertidas histórias da coleção Para Gostar de Ler, da Editora Ática. Devia ter uns 9 ou 10 anos quando ganhei os quatro primeiros volumes de minha amada tia Diolinda, e devorei as crônicas desses quatro grandes escritores, que desde então se tornaram ídolos e símbolos da magia da escrita para mim: Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Fernando Sabino.

Do Fernando Sabino li vários outros livros de lá para cá, sempre admirando sua simples elegância. Por isso fiquei feliz pela oportunidade de ler “A Nudez da Verdade”, mesmo sabendo que este livro é uma expansão da ideia original contida em “O Homem Nu”. Incrível como uma história aparentemente tão simples, de poucas páginas, gerou uma trilogia de novelas e até um filme (https://youtu.be/lG-_BSONkEs)!


Gostei muito dessa “versão estendida”, que apresenta subtramas e reviravoltas com a habitual perícia mineira de Fernando Sabino. É que além da cômica situação de um cara pelado correndo pelas ruas da grande cidade, existe o espanto de constatar que, privado de suas roupas, o homem perde também a dignidade e até a condição humana. E também a reflexão: “debaixo da roupa, estamos todos nus”.

Roda Viva com Fernando Sabino



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 



segunda-feira, 16 de julho de 2018

THE GLITTER DOME – Joseph Wambaugh



Há alguns anos consegui uma meia dúzia de pockets do Joseph Wambaugh, que devorei com grande deleite. Gostei tanto que, ao contrário de meu hábito arraigado, não passei os livros adiante, mas guardei para ler de novo no futuro, com o objetivo de me divertir e aprender. Isso porque na época eu havia acabado de lançar o meu primeiro livro, “O Sincronicídio”, e acreditava que iria continuar escrevendo histórias policiais para o resto da vida, o que acabou não acontecendo.

De todo modo, recentemente lembrei desses pockets, o que me fez querer matar as saudades do Wambaugh. E o primeiro que peguei para reler foi “The Glitter Dome” (creio que não foi lançado em português). Aliás, o mistério maior de todos é Joseph Wambaugh não ser mais conhecido e admirado por aqui. Em termos de literatura policial contemporânea, poucos autores me impactaram tanto.

Primeiro, Wambaugh sabe muito bem do que está falando, tendo sido policial em Los Angeles durante 14 anos. Segundo, sua prosa é extremamente vívida e envolvente, com diálogos cortantes e uma narrativa ágil e muito bem estruturada. E por último, mas não menos importante, Wambaugh é engraçadíssimo! Não me lembro de ter rido tanto lendo um livro, muito menos um livro de assassinato!

Joseph Wambaugh é um mestre do sarcasmo e da ironia. Ao ler esse livro pela segunda vez, pude perceber como as cenas hilariantes que ele descreve são, na verdade, retratos pungentes de sofrimento humano. Quanto mais miseráveis seus personagens se sentem, mais achamos engraçado! Fiquei intrigado por esse curioso efeito alcançado pelo autor, e creio que descobri a chave para elucidar o mistério: é que Wambaugh é também um mestre do cinismo. Seus anos como policial, ainda mais em uma cidade como Los Angeles, devem ter contribuído bastante para fazê-lo cultivar esse olhar cínico, que ao ser posto a serviço da literatura, acaba propiciando uma visão crítica e reflexiva que talvez um olhar mais compassivo não fosse capaz de obter. Ridendo castigat mores.

Trailer:

Filme:

Facebook:




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


sábado, 14 de julho de 2018

O SÓCIO – John Grisham



Desde que assisti ao filme “A Firma”, fiquei muito curioso para ler algum livro do John Grisham, cujas obras inspiraram outros filmes como “O Dossiê Pelicano” e “O Homem que Fazia Chover”. E enfim surgiu a oportunidade, com “O Sócio”.

Eu chamaria o estilo de “suspense jurídico”, com uma narrativa bem seca e direta e a trama envolvente e bem embasada pelos conhecimentos legais do autor. Um detalhe interessante é que parte do enredo acontece no Brasil. A história funciona bem e prende o leitor.

Contudo... à medida que fui avançando na leitura, experimentei um crescente mal estar, não pela história em si, mas pela sociedade que ela retrata e reflete. O “herói” do livro é um advogado que rouba uma imensa fortuna de outros advogados ladrões, e se vale de sua grande habilidade como advogado para driblar o sistema.

O que me fez pensar no sistema legal como um todo, com suas leis que são criadas pelos poderosos, com o intuito de proteger os interesses dos poderosos. Leis que nada têm a ver com justiça ou ética, e que são grandes responsáveis pela sociedade tão degenerada em que vivemos. Um dos maiores canalhas que tive o desprazer de conhecer gostava repetir, sorrindo cinicamente: “não tenho o menor problema em ser imoral ou antiético, só não quero agir de forma ilegal.”

O que me lembra a reflexão de Hermann Hesse sobre o sistema jurídico: de todas as loucuras inventadas pelo homem, essa é a mais incompreensível.

O que me leva a fechar essa resenha com o tristemente verdadeiro ditado: “existem advogados porque existem advogados”.



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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO


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