quinta-feira, 14 de setembro de 2017

BY THE PRICKING OF MY THUMBS (UM PRESSENTIMENTO FUNESTO) – Agatha Christie


Mesmo sendo um consumado fominha de Agatha Christie e tendo lido boa parte de seus livros duas e até três vezes, deixei esse “Um Pressentimento Funesto” (e no original em inglês ainda por cima!) ficar comendo poeira na minha estante por nada menos que doze anos, antes de finalmente me animar a lê-lo. O motivo para ter encontrado outros livros para passar na frente desse por tanto tempo é simples: não gosto das aventuras do casal Tommy e Tuppence, que protagonizam essa história de Agatha. Na mesma medida em que acho as tramas policiais de Agatha geralmente brilhantes e maquiavelicamente concebidas, acho as aventuras de espionagem dela muito ingênuas e rocambolescas. Questão de gosto, respeito quem tenha opinião diferente.

No início do ano reli sem querer “O Inimigo Secreto”, primeira história do casal Beresford, e mesmo sem gostar do livro acabei fazendo uma boa leitura. Então me animei a finalmente tirar o pó desse “Um Pressentimento Funesto”, que desconfio ter sido a última aventura da dupla. Dessa vez, já comecei a leitura com uma postura diferente, tentando descobrir qual seria a motivação de Agatha ao escrever essas histórias que, em minha opinião, estavam muito abaixo de seu talento.

A primeira pista que encontrei foi que esse livro certamente traz muitas reflexões da autora a respeito da velhice. Agatha ainda era bem jovem ao conceber sua célebre Miss Marple. Creio que aqui, em “By The Pricking of My Thumbs” (título que faz referência à minha tragédia favorita: “Macbeth”), a autora decidiu colocar no papel algo de suas angústias sobre envelhecer... com uma pitada de vingança!

Outro ponto que chama a atenção é o quanto essas histórias de T & T são recheadas de coincidências forçadas e mostram a autora sempre se aventurando sobre terrenos desconhecidos (e demonstrando seu desconhecimento em situações pouco convincentes).

Talvez seja uma necessidade de Agatha de expressar algo do “wit” britânico, que a tenha feito dar vida a esse casal que pode perder o cônjuge, mas não perde a piada...

De toda forma, foi o livro de Tommy e Tuppence que eu mais gostei.

E viva Agatha Christie!



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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O QUE É CAPOEIRA – Almir das Areias


Ótimo livro, muito instrutivo e instigante! Traz todo um contexto histórico para o nascimento da Capoeira no Brasil, mas também muito de sua filosofia e de sua essência essencialmente espiritual, como um movimento coletivo de libertação. E também sugere agudos questionamentos sobre as repetidas tentativas de transformar a Capoeira em um processo integrado ao Sistema, negando sua origem marginal e revolucionária.

Ou seja, este pequeno grande livro é muito apropriado ao papel que lhe cabe, de apresentar a Capoeira aos interessados, na célebre Coleção Primeiros Passos da editora Brasiliense, com as informações mais básicas expostas de forma didática e atraente. Mas o livro também se permite propor voos mais altos e mergulhos mais profundos, sabedor de que o caminho da Capoeira tem início, mas não tem fim...

Algumas informações apresentadas no livro me impressionaram muito, como a história de que os capoeiras no tempo logo após a abolição da escravatura costumavam utilizar uma sinistríssima arma, em adição às suas já letais habilidades: uma faca feita com o osso da canela de um defunto, fácil de afiar e capaz de provocar um corte de difícil cicatrização, que geralmente causava sérias infecções na vítima...

Como bem disse Mestre Bimba, Capoeira é maldade. Mas também é tudo o que a boca come, como bem disse Mestre Pastinha... Conciliar esses dois conceitos, aparentemente contraditórios, é o grande desafio!

Encontrei um interessante registro em vídeo sobre o autor do livro, Mestre Almir das Areias:




Viva a Capoeira!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

DISTRIBUIÇÃO DE POESIAS DOCES


De 17 de setembro a 8 de outubro o projeto DOCE POESIA DOCE vai distribuir gratuitamente nada menos que 10 mil “poesias doces” (poesias impressas embalando balas doces) em praças, escolas, hospitais e postos de atendimento em Salvador.

Na primeira fase do projeto, mais de 900 e-mails foram enviados para a Convocatória Doce Poesia Doce. Foi tamanha a quantidade e qualidade das poesias enviadas que a seleção aumentou dos 200 previstos para mais de 400 poetas participantes de todos os cantos Brasil e até do exterior. Além disso o projeto faz uma justa homenagem a 21 poetas consagrados cuja obra já se encontra em domínio público: os brasileiros Gregório de Mattos, Castro Alves, Junqueira Freire, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Alphonsus de Guimarães, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Mário de Andrade, Cruz e Souza, Machado de Assis, Casimiro de Abreu, Cláudio Manuel da Costa, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Vicente de Carvalho e os portugueses Luís de Camões, Tomás Antônio Gonzaga, Bocage, Fernando Pessoa e Florbela Espanca.

São cerca de 20 cópias de cada um dos poemas selecionados, totalizando as 10.000 poesias doces que serão distribuídas. Além disso, todos os poemas serão postados no blog (poesianasarvores.blogspot.com.br) e na página do projeto no Facebook (facebook.com/poesianasarvores).

DOCE POESIA DOCE é um fruto simbólico e também literal do projeto PÉ DE POESIA, que em 2016 decorou as árvores de Salvador com 500 poesias de mais de 200 poetas de todo o Brasil. Os idealizadores de ambos os projetos, o escritor e músico Fabio Shiva e a fotógrafa Fabíola Campos, buscam sensibilizar as pessoas para o poder da Poesia de trazer doçura e beleza, para a vida, gerando transformações positivas. E da mesma forma que as poesias impressas serão distribuídas em Salvador, a proposta é que as poesias postadas do blog e no Facebook sejam compartilhadas por todos, gerando uma poética reação em cadeia. Principalmente neste momento em que vivemos no Brasil, quando somos diariamente brutalizados pela violência urbana e pela ganância dos poderosos, a Poesia surge como possibilidade de transcendência.

E é por isso que, motivada pela intensa participação dos poetas no envio das poesias, é aberta uma nova Convocatória Doce Poesia Doce, para o envio de vídeos que serão editados e postados no YouTube e na página do projeto. Os interessados devem gravar um vídeo até 3 minutos respondendo à pergunta: “QUAL A IMPORTÂNCIA DA POESIA HOJE?” Caso queiram, podem também fazer um depoimento sobre o projeto Doce Poesia Doce e/ou declamar uma poesia. O vídeo deve ser enviado (via Google Drive, Dropbox ou Wetransfer) para o e-mail poesianasarvores@gmail.com até o dia 10/10/17.

Em Salvador, todos estão convidados a participar da distribuição de poesias doces e recitais em diversos pontos da cidade.


DISTRIBUIÇÃO DE POESIAS DOCES – CRONOGRAMA:

17/09 - Domingo - 15h
- Sarau poético de abertura do projeto na Praça da Sé, com declamação e distribuição de poesias doces.

19/09 - terça-feira - 9h
- Escola Municipal Cidade Vitória da Conquista (R. Fernando Tôrres, S/N - Itapuã)

19/09 - terça-feira - 14h
- UPA Dr. Hélio Machado (R. da Cacimba, S/N – Itapuã)

19/09 - terça-feira - 16h
- UPA Parque São Cristóvão (R. Arquiteto Marcos Moreira Solter, s/n - São Cristóvão)

20/09 - Quarta-feira - 14h
- Escola Municipal Ana Nery (R. Alto da Sereia, 5 - Rio Vermelho)

23/09 - sábado - 10h
- Hospital Municipal de Salvador - HMS (Via Coletora B – Cajazeiras)

26/09 - terça-feira - 10h
- Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS) Gregório de Matos (Largo Terreiro de Jesus - Faculdade de Medicina da Bahia/UFBA)

28/09 - quinta-feira - 10h
 - SEMPS - Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Rua Miguel Calmon, 28 – Comércio)

30/09 - sábado - 10h
- Orla de Itapuã a Piatã

03/10 - terça-feira - 14h
- Da Rua Chile ao Terreiro de Jesus (Centro)

05/10 - quinta-feira - 14h
- Do Largo da Mariquita ao Largo de Santana (Rio Vermelho)

08/10 - domingo - 15h
- Sarau poético de encerramento do projeto no Campo Grande, com declamação e distribuição de poesias doces.

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DOCE POESIA DOCE é um projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano III, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Artgraphic, Cogito Editora, Caligo Editora, Athelier PHNX, Servdonto e R & P Som e Iluminação.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PISTOLEIROS TAMBÉM MANDAM FLORES – David Coimbra


Ao ler esse divertido “folhetim eletrônico”, fiquei com a impressão de que o gaúcho David Coimbra é uma espécie de cruza literária entre Rubem Fonseca e Marcos Rey: uma narrativa policial ágil, entremeada por tiradas filosóficas sobre as mulheres e temperada com fartas doses de malandragem urbana, além de um toque de bom humor. O resultado é bem interessante e deixa o leitor grudadinho na leitura e satisfeito do início ao fim.
Um senão encontrado na leitura, e que me fez refletir (pelo que sou muito grato), é que a história reflete o ponto de vista do protagonista, tipicamente um “homem branco heterossexual” (título de um artigo do autor recentemente publicado no Zero Hora). Daí a trama estar recheada por considerações bem humoradas sobre as mulheres, o que a princípio não me chamou a atenção. Só que então chegamos à cena de uma partida de futebol, onde há várias menções a um “negrinho” ou “neguinho” sem nome, que desperta a antipatia (e o racismo?) do protagonista por ser muito superior no jogo de bola. Essa passagem me incomodou. E daí a reflexão, que acabou sendo proveitosa para meus próprios escritos.
Vivemos em uma época muito interessante, sob todos os aspectos, em que estamos mudando radicalmente de paradigmas, em todos os níveis. E essa mudança vem acontecendo muito rápido. Às vezes parece que não, mas é só porque não nos damos conta do tamanho da mudança. Pois então, creio que em 2007, esse trecho do livro talvez não chamasse tanto a atenção. Mas creio que hoje, meros dez anos depois, já mudou muita coisa na consciência coletiva.

Mesmo considerando que o texto retrata o ponto de vista do personagem, até que ponto é lícito e desejável retratar uma situação de racismo (ou sexismo) como se fosse algo normal? Talvez seja exagero questionar isso. Penso que não.



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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DIÁRIO – Anne Frank


Apesar de conhecer em linhas gerais a história do célebre “Diário de Anne Frank”, sempre tive grande curiosidade a respeito desse livro. E agora, ao ser presenteado com um exemplar pelo querido amigo Marcos Lima, senti que o Universo estava sinalizando que eu deveria realmente lê-lo.

Fiquei totalmente capturado pela leitura, da primeira à última página. O que primeiro chama a atenção é o imenso talento narrativo da jovem Anne. Realmente, uma escritora nata, se já houve alguma. A tal ponto que, a princípio, cheguei a ter dúvidas de que o livro tivesse realmente sido escrito por uma criança de 13 para 14 anos. Depois, soube que existiu até uma polêmica a respeito, mas a autenticidade do livro foi definitivamente comprovada. Muitíssimo impressionante!

O Diário de Anne Frank é uma obra que só pode ser explicada pela espiritualidade, a meu ver. Era necessário que existisse um relato como o de Anne, como um testemunho vívido e emocionante do terrível desperdício de todas as guerras, especialmente as movidas por qualquer tipo de intolerância ou preconceito. Por isso foi necessário que uma jovem tão talentosa e com o sonho de se tornar uma grande escritora, conhecida em todo o mundo (o que de fato acabou acontecendo!) passasse pela difícil experiência que ela passou, tendo ao mesmo tempo a oportunidade de registrar cada etapa de sua via crucis no famoso diário.


Hoje, quando parecemos estar à beira de uma catástrofe atômica, mais do que nunca o relato de Anne Frank se faz necessário. É estarrecedor constatar que aquela menina possuía muito mais maturidade e discernimento que alguns de nossos líderes mundiais, que detêm o poder de decidir, em nome de todo o planeta, se devemos ou não iniciar uma guerra nuclear!

Outra reflexão marcou a leitura desse livro, que retrata de forma muito pungente a perseguição e os sofrimentos dos judeus durante a segunda guerra. Principalmente no início do diário, quando Anne conta como os judeus foram proibidos de frequentar clubes, cinemas, lanchonetes etc. Isso me fez pensar que o pobre é o judeu das eras. O que faz de nós todos nazistas em potencial. Como podemos achar natural e certo que uma pessoa não tenha direito a atendimento médico só porque não tem dinheiro? Ou que ela não possa ter acesso à cultura e à educação só por ser pobre? Como podemos aceitar que crianças morram de fome todos os dias?

Enquanto permitirmos que coisas assim continuem acontecendo, não temos o direito de nos sentirmos muito melhores que os nazistas.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

DOCE POESIA DOCE


ALÔ POETA!


CONVOCATÓRIA DOCE POESIA DOCE


De 17 de setembro a 8 de outubro o projeto DOCE POESIA DOCE estará distribuindo gratuitamente nada menos que 10 mil “poesias doces” (poesias impressas embalando balas doces) em praças, escolas, hospitais e postos de atendimento em Salvador.

DOCE POESIA DOCE é um fruto simbólico e também literal do projeto PÉ DE POESIA, que em 2016 decorou as árvores de Salvador com 500 poesias de mais de 200 poetas de todo o Brasil. Os idealizadores de ambos os projetos, o escritor e músico Fabio Shiva e a fotógrafa Fabíola Campos, buscam sensibilizar as pessoas para o poder da Poesia de trazer doçura e beleza, para a vida, gerando transformações positivas.

Metade das 10.000 “poesias doces” celebrará a obra de poetas consagrados da língua portuguesa, como Castro Alves, Fernando Pessoa, Gregório de Mattos, Álvares de Azevedo, Florbela Espanca, Gonçalves Dias e muitos outros. Já a outra metade das poesias será selecionada a partir da Convocatória Doce Poesia Doce, que possibilita que poetas de todo o Brasil participem do projeto. Os interessados devem enviar um poema de sua autoria (com no máximo 14 versos) e uma foto com boa resolução para o e-mail poesianasarvores@gmail.com até o dia 31/08/17. Os melhores poemas enviados serão impressos e distribuídos junto com balas doces em diversos pontos de Salvador, com direito também a publicação no blog (poesianasarvores.blogspot.com.br) e na página do projeto no Facebook (facebook.com/poesianasarvores). Todos os poetas participantes receberão por e-mail a arte digital de seus poemas incluídos no projeto.

Inaugurando e encerrando a distribuição das “poesias doces”, serão realizados dois saraus poéticos com recital em praça pública: na Praça da Sé (17/09) e no Campo Grande (08/10). Já está confirmada a participação dos poetas Adão Cunha, Edgar Velame, Ivan de Almeida, Lucas Ferreira, Marly Ramos e Vanessa Cardoso no recital de poesias.


E a meta agora, com DOCE POESIA DOCE, é ir além: fazer a Poesia sair de seu espaço estático de contemplação nas árvores e ganhar mobilidade, indo até onde as pessoas estão nas ruas e em espaços coletivos como escolas, UPAs e outras instituições. E a Poesia, que no ano passado foi apresentada como fruta colorida, dependurada nas árvores, agora se associa ao doce sabor da infância, através das balas que acompanham os poemas, em um lúdico e amoroso convite para que as pessoas vejam o mundo com o olhar da Poesia, que requer olhos de criança, capazes de se surpreender e de se encantar e, assim, vislumbrar a essência das coisas. Viva a Poesia!

 “A Poesia é necessária e vital como o ar que respiramos. Para muitos, que não percebem isso, tal afirmação pode parecer um completo desvario, no mínimo um grande exagero. Quem dera fosse assim. Mas a Poesia é tão fundamental para a sobrevivência humana no planeta como são as abelhas. Se a Poesia sumisse do mundo hoje, a humanidade não tardaria a se transformar em um imenso deserto de árvores ressequidas. Pois é a Poesia que mantém vivo o espírito humano. (...) Não deveria ser preciso afirmar aqui coisas tão óbvias. Mas não se iludam: é certo que a Poesia corre perigo. Submetidos ao constante dilúvio da superficialidade, trazemos o espírito cada vez mais embotado para o mergulho profundo exigido pelo olhar poético. No mundo inteiro, trezentos e cinquenta milhões de pessoas atualmente diagnosticadas como depressivas confirmam essa triste perspectiva: a Poesia está minguando, e com ela o sentido da vida.”
Fabio Shiva, no prefácio para o livro “Os Céus de Van Gogh”, de Thiago Prada (Caligo Editora, 2014)

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DOCE POESIA DOCE é um projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano III, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Artgraphic, Cogito Editora, Caligo Editora, Athelier PHNX, Servdonto e R & P Som e Iluminação.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

VOCÊ É O UNIVERSO – Deepak Chopra e Menas Kafatos


“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original.”
Albert Einstein


Que livro espetacular!!!

São muito raros e preciosos os livros que nos apresentam a uma ideia verdadeiramente nova. E esse é um dos grandes méritos de “Você é o Universo”, fruto da parceria do renomado pensador Deepak Chopra com o doutor em física Menas Kafatos. A novidade trazida pelo livro é o conceito de qualia, que pode muito bem transformar a vida do leitor, conforme prometido na capa.

Mas o que seria “qualia”? Trata-se de um novo conceito, formulado por cientistas de vanguarda, que muda radicalmente tudo o que a ciência entende como sendo “realidade”. Melhor deixar os autores do livro explicarem:

“Qualia refere-se a como experimentamos a vida e não a como a medimos. A palavra latina qualia significa ‘qualidades’ e diz respeito a um mundo tão inatingível quanto o da física quântica, mas que aponta no sentido oposto: afasta-se dos objetos físicos e vai ao encontro da experiência subjetiva.”

“Experimentamos o mundo neste exato momento como qualia. É a cola que mantém unidos os cinco sentidos. O perfume de uma rosa é um qualia (...), como também é a textura aveludada das pétalas, as cores e os matizes, as sombras e as dobras.”

“Os qualia estão por toda parte. Nada acontece sem eles, o que significa que, ao participarmos da realidade através de um cérebro humano, o nosso mundo consiste em qualia. Se existir alguma realidade fora do que percebemos, ela será, literalmente, inconcebível. E se eliminarmos todas as sensações, imaginação, sentimentos e pensamentos, não sobra coisa alguma.”

“Eis o truque: por serem subjetivos, os qualia atacam diretamente a objetividade da ciência moderna. Além disso, por ser a experiência significativa, os qualia atacam o modelo de uma natureza aleatória, sem importância.”


É o conceito de “qualia” que fundamenta e justifica a fabulosa noção de um Universo Humano, que os autores propõem em substituição ao velho paradigma do Universo aleatório e sem sentido, defendido pela tradicional ciência materialista (que hoje insiste em ser chamada de “fisicalista”, por admitir a existência da energia. Em minha opinião isso não passa de uma tentativa fajuta de salvar as aparências, quando cada vez mais se torna evidente que essa linha de pensamento chegou a um beco sem saída).

Isso tudo parece muito complicado, e é de fato. Mais um mérito para a dupla Chopra & Kafatos, que se esforça para conseguir apresentar de forma acessível e atraente os maiores dilemas enfrentados pela ciência na atualidade.

Antes de apresentar a incrível novidade dos qualia, o livro investiga algumas questões, com o objetivo de demonstrar o quanto o paradigma tradicionalmente aceito de se pensar a ciência já deu o que tinha que dar, e o quanto esse paradigma falhou em dar respostas satisfatórias a respeito da realidade e do universo. Essas questões, chamadas pelos autores de “os mistérios cruciais”, intitulam os nove capítulos que compõem a primeira parte do livro:

1) O que existia antes do big bang?
2) Por que o universo é tão perfeitamente coeso?
3) De onde veio o tempo?
4) Do que é feito o universo?
5) Existe “design” no universo?
6) O mundo quântico tem relação com a vida cotidiana?
7) Vivemos em um universo consciente?
8) Como a vida começou?
9) A mente é uma criação do cérebro?

Depois de tantos questionamentos, a mente do leitor está pronta (a não ser nos casos incuráveis de dogmatismo) para encarar a grande novidade do livro, apresentada na parte dois: “aceitando o seu eu cósmico”.

Apesar da complexidade dos temas, a leitura é agradável e muito instigante. Achei muito marcante o fato do livro tratar exclusivamente da perspectiva científica, embora o conceito de Universo Humano seja algo que evoca inevitavelmente questões de natureza espiritual, como a natureza e o propósito da vida, bem como a existência de uma Consciência superior. O livro trata com muita propriedade desses temas, sem por um momento sequer resvalar em qualquer tipo de esoterismo ou religiosidade. É de pura ciência que os autores estão falando. E que bom descobrir, meu Deus, que a ciência finalmente está se encontrando com a espiritualidade!



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

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