quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA – Paulo Freire




Uma vez que os livros de Paulo Freire passaram a vender mais durante o governo Bolsonaro (https://epoca.globo.com/guilherme-amado/venda-de-livro-de-paulo-freire-aumenta-durante-governo-bolsonaro-23918581), resolvi aderir à moda e ler essa que é uma de suas principais obras. Li com o objetivo de sanar uma dúvida minha. Afinal, um pensador do quilate de Paulo Freire, que obteve tanto reconhecimento na área da Educação (da qual nosso país é tão carente) a ponto de ser estudado nas principais universidades do planeta, deveria ser um herói nacional, reverenciado por todos os brasileiros e recebendo honrarias pelo menos iguais às reservadas aos ídolos do futebol. Por que cargas d’água, então, justamente os que mais gostam de dizer que são patriotas parecem ter verdadeiro horror a Paulo Freire? O que há nas ideias do Professor que incomoda tanto Bolsonaro e seus filhotes?

Não precisei ler muitas páginas de “Pedagogia da Autonomia” para encontrar a resposta. Imagine, por exemplo, um livro que fala dos benefícios da luz solar para a saúde do corpo e da mente, sugerindo exercícios diários ao ar livre e enfatizando como é sempre melhor examinar as coisas sob a luz direta do sol... Então imagine como um livro desses seria recebido por uma comunidade de vampiros!

Nada mais natural que Bolsonaro tenha medo de Paulo Freire como o Drácula foge da cruz. Cada frase desse livro é um desmascaramento da feiura e injustificável malvadez de todo autoritarismo. Com sua fala mansa e heroica, o professor Paulo Freire denuncia implacavelmente a vilania e o cinismo que tantas vezes se disfarçam como discursos em defesa da “moral e dos bons costumes”.

Desafio qualquer um que considere Paulo Freire um “energúmeno” a refutar suas ideias, não pela grosseira dos xingamentos ou pela violência de botas e cassetetes, mas pela força lógica de argumentos contrários. Creio que ninguém ficaria mais feliz com esse debate que o próprio Paulo Freire, esse grande brasileiro defensor da democracia.

“Não se pode falar em educação sem amor.” – Paulo Freire





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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”


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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O REI AVATARA – Swami Prabhupada



Sempre é uma linda e abençoada oportunidade travar contato com a inspiradora história de Sri Rama. Essa grande encarnação da Sabedoria manifestou-se na Terra em tempos remotos, deixando o imperecível exemplo das virtudes e conduta de um homem perfeito.

A primeira parte de “O Rei Avatara” traz um belo resumo da saga do príncipe Rama para resgatar sua amada Sita, sequestrada pelo rei demônio Ravana. Essa maravilhosa narrativa, repleta de seres fantásticos e grandiosas batalhas, constitui o “Ramayana”, uma das principais escrituras hindus (como primeiro contato, sugiro a versão em desenho animado: https://youtu.be/06fKLllYaJI).



Muitos consideram o “Ramayana” um texto  puramente simbólico. Contudo em 2002 imagens de satélite da NASA revelaram o que ficou conhecido como a “Ponte de Rama” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Ad%C3%A3o), que sugere evidência histórica para um dos trechos mais incríveis do “Ramayana”: a travessia do oceano pelo Senhor Rama e seu exército de macacos.

A segunda parte do livro traz a interpretação de Swami Prabhupada, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), para o “Ramayana”. Esse trecho foi fonte de grande aprendizado para mim, seja onde encontrei preciosos ensinamentos, seja onde guardei respeitosa discordância.

O livro encerra com “Os Deveres de um Líder Político segundo as Escrituras Sagradas”, com verdadeiras pérolas dentre as quais pincei:

“O rei tem que considerar que seu principal dever é servir seus cidadãos. Ele deve protegê-los assim como uma mãe protege a criança em seu ventre. Alguma mãe pensará em gratificar-se enquanto o filho está em seu ventre? Todos os pensamentos dela estarão voltados para a criança e para o bem-estar da mesma. Da mesma forma, o rei deve subordinar todos os seus desejos e vontades e buscar atender àqueles de seus cidadãos. O bem-estar deles deve ser o seu único interesse.”
(Mahabharata 12.86.24)

“O melhor rei é aquele cujos cidadãos vivem em liberdade e alegria como se estivessem na casa do próprio pai. A paz estará com eles, bem como a satisfação. Assim, não haverá qualquer perversidade, ambição, desonestidade ou inveja. O âmago do dever de um rei é a proteção de seus cidadãos e a felicidade deles. Não se trata de algo fácil. Para garantir a felicidade de seu povo, ele deve recorrer a diversos métodos.”
(Mahabharata 12.86.24)

“Os fracos e oprimidos, os cegos, os surdos, os aleijados, os órfãos, os idosos, as viúvas, os doentes e os aflitos devem receber alimento, vestes, medicamentos, abrigo e demais necessidades.”
(Mahabharata 12.86.24)

Jai Sri Ram!





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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.


LABIRINTO CIRCULAR


ISSO TUDO É MUITO RARO


domingo, 19 de janeiro de 2020

DEPOIS DO FUNERAL – Agatha Christie



Foi uma delícia reler esse livro! Dessa vez eu lembrava claramente da trama, então pude acompanhar de camarote a maneira magistral como Agatha vai apresentando ao leitor as pistas para a solução do mistério. A Rainha joga limpo com seus leitores, e realmente deixa todas as peças do quebra cabeça à mostra e bem visíveis. Por outro lado, a autora é muito astuciosa ao apresentar as dicas verdadeiras embaralhadas em meio a uma profusão de pistas ilusórias. E o mais impressionante é a habilidade de induzir o leitor a apostar em falsas premissas.

Agatha Christie jamais quebra as regras do romance policial, mas consegue “dobrar” essas regras de forma insuperável, chegando ao ponto de subvertê-las. A solução do mistério é inesperada porque, antes de ler tal livro, o leitor não chega a considerar aquela possibilidade específica como uma solução possível. Ao final da leitura, ludibriado mais uma vez, o leitor satisfeito é obrigado a admitir: “sim, essa é uma solução válida, uma boa solução. Eu nunca pensaria nisso, mas não posso dizer que o jogo não foi justo.”

Foi assim que Agatha obteve alguns de seus maiores êxitos, como “O Assassinato de Roger Acroyd”, “A Casa Torta”, “E Não Sobrou Nenhum (O Caso dos Dez Negrinhos)” e “Assassinato no Expresso Oriente”. Obras às quais se soma, certamente, “Depois do Funeral”.



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
 
Book trailer:



sábado, 18 de janeiro de 2020

APENAS DEUS – Irmã Gyanamata



“Não há espiritualidade sem heroísmo.”
Irmã Gyanamata

Li com reverência e gratidão as preciosas páginas desse livro, uma ou duas a cada dia, procurando absorver ao máximo a profunda sabedoria dos ensinamentos ali contidos. Gyanamata foi uma das discípulas mais avançadas de Paramahansa Yogananda, que disse a seu respeito: “Ela deixou pegadas espirituais para todos seguirem”.

Foi exatamente essa a impressão que tive lendo as cartas e o diário pessoal de Irmã Gyanamata: a de estar acompanhando os passos de alguém que alcançou alta e rara percepção de Deus. Seguramente um dos melhores livros que li na vida!


Se eu tivesse que resumir essa leitura em uma única palavra, essa seria “humildade”. A princípio estranhei a frequência e a intensidade com que a Irmã fustigava a si mesma, depreciando-se com ásperas palavras de autorrecriminação. Curiosamente, só fui entender isso um pouco melhor com a leitura da vida de outro grande santo (em sânscrito, a palavra “santo” significa “devoto, alguém que ama a Deus”), o brasileiro Chico Xavier, que possuía o mesmo hábito de se diminuir, chegando muitas vezes a se apresentar como “Cisco Xavier”.

Ocorre que uma das principais armadilhas de todo caminho espiritual é a vaidade. Não é preciso ser Chico Xavier ou Irmã Gyanamata para experimentar esse teste: basta fazer qualquer pequeno progresso espiritual (tal como passar a frequentar algum grupo religioso, iniciar uma prática de meditação ou mesmo conseguir abandonar algum mau hábito) para nos sentirmos cheios de sabedoria e virtude, maiores, melhores e mais perfumados que todos ao nosso redor. Para aplacar as marolas que essas pequenas realizações provocam em nossas restritas consciências, nada melhor que o exemplo de mentes oceânicas como as de Chico e Gyanamata, que permanentemente combatiam o ego para melhor poder expressar o Eu.

O título original dessa incrível obra é “God Alone: The Life and Letters of a Saint”. Lamentavelmente, parece que não se encontra disponível em português. O exemplar que li, recebi das mãos de minha amada madrinha de casamento na SRF, Beatriz, uma tradução não oficial feita por discípulos de Yogananda em Salvador há mais de vinte anos. Era a encadernação xerocada de um original datilografado! Isso tornou a leitura mais especial e saturada de devoção, ainda mais quando eu soube que o responsável pela datilografia foi o saudoso Arismar, pai de meu querido Manoji, Axel Guedes.

Jai Guru!

“Aja como faz quando quer iluminar um quarto escuro. Você não briga com a escuridão. Simplesmente introduz a luz, e as trevas se dissipam.”
Irmã Gyanamata



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

OS PESCADORES E AS SUAS FILHAS – Cecília Meireles



Singela e inspiradora narrativa poética da grande Cecília, ricamente ilustrada por Cris Eich. Recomendada para crianças de todas as idades!

“Os pescadores dormiam / cansados, ao sol, nos barcos. / As filhinhas dos pescadores / brincavam na praça, de mãos dadas. / As filhinhas dos pescadores / cantavam cantigas de sol e de água. / Os pescadores sonhavam / com seus barcos carregados.





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Imagine um jogo que ensina as crianças a rimar e fazer Poesia!
Disponível gratuitamente no link abaixo:

O jogo POESIA DE BOTÃO faz parte do projeto selecionado pelo Edital Arte Todo Dia – Ano IV, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Verlidelas Editora, Caligo Editora, Suporte Informática e AG1. O propósito do jogo é convidar as crianças a vivenciar o universo da Poesia de forma lúdica e atrativa, como uma “brincadeira de montar versos”. POESIA DE BOTÃO é especialmente indicado para crianças já alfabetizadas, mas nada impede que adultos possam brincar também e se beneficiar com o jogo.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground – Fabio Shiva


É com muita alegria que inicio mais um ano com a resenha de um livro que eu mesmo escrevi. Oxalá essa prática se torne uma tradição! Novamente, como no ano passado foi o caso de “Favela Gótica” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/01/favela-gotica-fabio-shiva.html), não me cabe falar dos possíveis méritos ou deméritos da obra, mas sim das circunstâncias, motivações e pequenos segredos que fizeram com que o livro fosse escrito.

E começo com uma confissão: durante muitos anos, não podia ouvir as músicas do Imago Mortis, músicas que ajudei a compor e cujas letras escrevi. Enquanto estava redigindo o livro, me determinei a ouvir algumas das músicas, para mergulhar mais intensamente no passado. Durante as audições, sentia uma angústia tão intensa que não conseguia conter as lágrimas. E agora que o livro está pronto, diante do relato de pessoas que acharam a leitura muito engraçada e divertida, só posso dar graças ao poder da Literatura de nos ajudar a transcender e ressignificar as dores da Vida.

Tudo o que dá para rir, dá para chorar: é questão de hora e lugar”. Esse é um ditado que se aplica bem ao processo de escrita de “Diário de um Imago”. Adquiriu uma força irresistível, para mim, a ideia de contar como uma comédia a história da banda de heavy metal que se propôs a fazer a música mais triste do mundo, capaz de levar uma pessoa ao suicídio, e que quis transformar em riffs, acordes e melodias a própria experiência da morte. Além de trazer um pouco de leveza a temas tão sinistros, o humor me permitiu também escapar de uma armadilha muito comum a esse tipo de livro, que é ficar advogando a própria importância, alardeando as próprias “glórias mofadas”.


Um livro contando a história do Imago Mortis estava sendo plasmado há muito tempo, impulsionado para a existência pelo desejo de muitas mentes. O primeiro idealizador de uma biografia da banda foi o querido amigo Mauro B. Fonseca, que há cerca de dez anos chegou a esboçar uma narrativa, que acabou sendo muito útil. De lá para cá os vocalistas Alex Voorhees e Tufi Sami também se empolgaram com a ideia, anotando suas próprias recordações e pedindo depoimentos a personagens importantes como Eliton Tomasi, Janna Souza, Reinaldo José, Hioderman Zartan e Fausto Mucin, entre outros. O empurrão que faltava aconteceu em 2018, quando tomei conhecimento da dissertação de mestrado de Bruno Pael dos Santos, defendida na Universidade Federal da Grande Dourados (MS), com o título: “A Morte Como Acontecimento Semiótico: a perspectiva simbólica da banda de heavy metal Imago Mortis” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/12/a-morte-como-acontecimento-semiotico.html). Se as músicas da ópera rock “VIDA” foram consideradas importantes o suficiente para serem objeto de estudo de uma dissertação de mestrado, então a história por trás da composição dessas músicas também merecia ser contada.

A partir do momento em que eu finalmente senti que precisava escrever esse livro, foram imprescindíveis as colaborações das pessoas já citadas e também de ex-membros do Imago: Fabrício Barretto, Alex Guimarães, Flavio Duarte e André Delacroix. Não posso deixar de fazer um agradecimento especial a dona Lícia Barretto, minha mãe, cujo ponto de vista sobre nossas estripulias de banda rendeu algumas das passagens mais hilárias do livro. Quanto à interação dos antigos imagões, acabou rendendo uma bela surpresa, que foi a música “O Mistério da Vida” (https://youtu.be/1o8wDrhA0NU).


Do ponto de vista estritamente literário, algumas experiências foram cruciais na composição desse livro. Devo muito à leitura de “Limonov”, de Emmanuel Carrère, livro que me foi presenteado pela querida Maria Inês Menezes e que me instigou com o conceito do “romance de não ficção”. Mais ainda, os livros do próprio Eduard Limonov, relatos autobiográficos de extremo sincericídio, provocaram minha admiração e inveja: será que um dia eu teria coragem de escrever algo parecido?

As peças que faltavam no quebra-cabeça vieram através de alguns textos biográficos que escrevi por encomenda, como Ghost Writer. Nesses textos, era comum o cliente querer cortar ou consertar qualquer “defeito” em sua personalidade e/ou ações. Por mais que eu argumentasse que eram essas pequenas imperfeições que tornavam a história e o próprio personagem do cliente mais cativantes, via de regra a decisão era abolir ou enfeitar tudo o que pudesse ser tido como fraqueza. Isso reforçou a minha determinação de não fazer assim ao contar a minha própria história.

E assim foi. Escrevi “Diário de um Imago” tomado por um frenesi de exibicionismo de algumas das características menos apreciáveis em mim mesmo (bem como em meus desafortunados companheiros de banda). Só no dia seguinte ao da publicação do livro na Amazon (https://www.amazon.com.br/dp/B07Z5CBTQ3) foi que cessou essa espécie de auto-hipnose, e exclamei horrorizado: “O que foi que eu fiz? Agora vão ficar sabendo de todos os podres de meu passado!” Bom, como se diz, agora é tarde...

É por isso que encerro essa resenha com um agradecimento especial à minha linda esposa e companheira, Fabíola Campos, que mesmo depois de ficar sabendo de tanta tosqueira a meu respeito continuou casada comigo!

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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O NEGOCIADOR – Frederick Forsyth



Suspense político publicado em 1989, que tem como pano de fundo histórico a Glasnost e a Perestroika de Gorbachev, junto com o elemento ficcional de um grande acordo de desarmamento sendo negociado entre a União Soviética e os Estados Unidos. Achou o tema datado e ultrapassado? Então veja como a trama continua:

Para impedir a assinatura do acordo, que diminuiria seus lucros com a indústria de armamentos e também seu poderio político, um grupo de mangangões decide forjar um crime hediondo e botar a culpa nos comunistas, a partir de uma intensa campanha de desinformação (o termo Fake News ainda não estava em voga na época). A meta final do plano é derrubar o (fictício) presidente norte-americano John Cormack e colocar no lugar dele algum fantoche favorável à indústria de armas.

Felizmente para a ficção, existe o intrépido Mr. Quinn, o Negociador, para desbaratar essa maléfica trama. Forsyth é um competente contador de histórias, com recursos variados que ajudam a manter a história em constante suspense. Um detalhe interessante é a frieza e aparente indiferença com que ele expõe as ideias monstruosas de seus vilões, deixando para o leitor o papel de se escandalizar com tanta maldade e ambição.

O autor é muito realista ao retratar a torpeza e malvadez dos poderosos. Infelizmente para nós, a parte mais ficcional de sua trama ficou mesmo com a figura do herói...


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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

OS SERVOS DA MORTE – Adonias Filho



Penei por longas semanas lendo esse livro, que me exasperou na mesma medida em que me intrigou muitíssimo. A verdade é que nunca li nada parecido com “Os Servos da Morte”. A narrativa é pesada e árida, mas nada parece acontecer, em meio a um intenso clima de tragédia iminente. A sensação que tive, aliás, foi a de estar assistindo a uma lentíssima tragédia grega, só que ambientada no sertão baiano. Finda a leitura, ao pesquisar sobre o livro, descobri que muitos estudos comparam essa obra de estreia de Adonias Filho a peças como “Édipo Rei” e “Antígona”.

Por várias vezes pensei em desistir da leitura. Contudo, era nítido que aquilo que eu não estava gostando de ler havia sido escrito com muito esmero e inegável talento. Não pude deixar de ficar impressionado com passagens como:

“Como sombra infinita, obscurecendo a sua alma, pesando no seu corpo, a estranha ideia de que a paz estava no crime. Deveria pousar as mãos no cadáver de Paulino Duarte, sentir-lhe o sangue parado, o roxo da podridão colorindo-lhe os lábios, para que pudesse adquirir paz.”

“De repente, verdadeiro choque na sua consciência, sentiu ver os dois corpos abraçados, arfando, sobre o leito desfeito. Pensou, com ódio, na sua origem, na origem de todos os homens. Pensou na vulgaridade daquele começo, necessário a tudo e todos, como uma exigência terrível.”

“Por que a podridão do corpo, a desagregação dos ossos, por que não aproveitá-los? Queria a eternidade da carne, sempre vivendo, ainda que renovada por novas almas. Que as almas dos recém-nascidos ocupassem os corpos feitos. Quantos sofrimentos seriam evitados, quantas paixões negadas!”

“(...) os homens geralmente preferem o destino das cobras, esse destino certo de arrastar-se e morder, ao destino incerto e trágico do vento.”

“(...) sim, havia o filho. Pensou amá-lo mesmo trazendo o sangue de Quincas, ela o amaria como essas mulheres do sertão, tragicamente mães, amam os filhos dos bandidos que passaram uma vez sobre os seus corpos.”

“Quer saber a principal razão do meu medo? Quer saber? Esta de sentir o ódio guiar-me, exigir de mim que pratique um crime capaz de humilhar a raça humana.”

“Nada vejo nos homens capaz de obrigar-me a amá-los.”

Sobre esse livro, o crítico Temístocles Linhares assinalou, certeiro: “Não se pode lê-lo sem uma espécie de respeito.”

E salve a nossa Literatura Brasileira!


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domingo, 22 de dezembro de 2019

CHAPEUZINHO AMARELO – Chico Buarque



Um livro infantil escrito por Chico Buarque e ilustrado por Ziraldo não é nada menos que imperdível. Ao menos para mim, que como os poetas e as bolas tenho dois lados: um lado criança e um lado de fora!

Pois meu lado criança se deliciou com a história da Chapeuzinho Amarelo, a menina que tinha medo de tudo e todos, a ponto de ficar deitada na cama, paralisada, mas sem dormir, pois também tinha medo de pesadelos! Até que um dia descobriu o poder da imaginação, que a fez brincar com seus medos e assim se livrar deles. O malvado LOBO, por exemplo, por uma simples inversão de sílabas virou um inofensivo (embora pouco apetitoso) BOLO!


Gostei tanto desse método de mudar as letras de lugar que experimentei com as duas palavras que ultimamente mais têm me causado aversão. E acabei me divertindo com os esquisitos BOLORANOS, seres embolorados de tanto alimentar o mau hábito de CISMOFAS, que consiste em cismar em pensamentos mofados, que acabam estragando o cérebro das pessoas...

Abaixo o bolor! Abaixo o pensamento mofado de Boloranos! Abaixo o Cismofas! E viva a Imaginação contra o Medo! Viva Ziraldo! Viva Chico Buarque! Viva a Cultura Brasileira!



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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A MORTE COMO ACONTECIMENTO SEMIÓTICO: A PERSPECTIVA SIMBÓLICA DA BANDA DE HEAVY METAL IMAGO MORTIS - Bruno Pael dos Santos


Essa impressionante dissertação de mestrado de Bruno Pael foi um fator determinante para que o livro “DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground” (https://www.amazon.com.br/dp/B07Z5CBTQ3) fosse finalmente escrito, após anos de procrastinação. Afinal, se a ópera rock “VIDA: The Play of Change”, da banda Imago Mortis, havia merecido ser objeto de um estudo tão profundo e embasado, certamente a história da própria banda, com todas as suas bizarras estripulias, também merecia ser contada.

A dissertação de Bruno Pael foi defendida em 2018 na Universidade Federal da Grande Dourados (MS). Tive a grande honra e alegria de poder colaborar com algumas informações sobre o processo de composição das músicas do “VIDA” enquanto Bruno escrevia seu trabalho. Depois ele teve a gentileza de me enviar o texto final, apresentado em um robusto volume de 158 páginas. Li com enlevo e admiração as considerações teóricas que fundamentam o estudo, na primeira metade. A segunda metade, dedicada à análise das letras do “VIDA”, me encheu de um sentimento para o qual ainda não encontrei um nome, por ter sido a primeira vez que o experimentei. Não é todo dia que a letra do rock que você escreveu anos atrás vira tema de uma dissertação de mestrado!

Só posso dizer que foi muito incrível ir acompanhando Bruno em sua investigação, enquanto ele ia decifrando mensagens que nós, na época da composição do “VIDA”, acreditávamos sinceramente que nunca ninguém iria descobrir. E foi igualmente fascinante ler interpretações totalmente inéditas feitas por Bruno, conferindo novos e brilhantes significados que eu nunca havia imaginado.

Algumas reflexões me marcaram bastante, como por exemplo:

“Se tivéssemos, durante a vida, a percepção da morte de uma maneira que não fosse tão aversiva, se não fosse construído em nós tanto temor e horror sobre ela e sim a ideia de sua naturalidade, talvez tivéssemos sonhos mais simples e desejássemos coisas mais fáceis de serem atingidas. Talvez apreciássemos mais as pequenas conquistas que realizamos durante a vida e não precisássemos de recursos como negação nem sentiríamos raiva desse destino tão certo que é morrer.”

O texto encerra com uma bela reflexão feita a partir de um texto de  Medard Boss:

“Boss nos apresenta a possibilidade de que, a grande angústia, o grande medo em relação à morte, não seja imediatamente a aniquilação. O maior temor parece ser o de ser aniquilado sem que a vida tenha tido significado. A dor não provém da inexistência do self que a morte parece prometer, mas sim da sensação de que o vazio existencial não seja preenchido antes que se encerre o que nós pensamos ser nosso ‘eu’.”

Gratidão à Vida por me ter permitido vivenciar essa leitura!


A dissertação está parcialmente disponível no link abaixo:
http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/1857


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A IMAGEM DA MORTE EM LIVRO E MÚSICA INÉDITA
Um livro contando a história do Imago Mortis motivou a reunião da formação original da banda, que gravou uma nova música após vinte anos de separação. “DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground”, de Fabio Shiva, apresenta a banda de heavy metal Imago Mortis sob uma ótica inusitada, com direito a muitas situações bizarras e episódios hilariantes.
O livro, que não se restringe aos fãs de rock pesado, faz também um apanhado das intensas transformações tecnológicas e sociais ocorridas no mundo ao longo das últimas duas décadas. Recentemente lançado na Amazon, “DIÁRIO DE UM IMAGO” está concorrendo ao Prêmio Kindle. Confira no link:


O autor, Fabio Shiva (baixo), foi um dos fundadores da banda na década de 1990. Para ajudá-lo a desencavar as histórias mais engraçadas da banda, os antigos membros Fabrício Barretto (guitarra), Alex Guimarães (teclados), Flavio Duarte (bateria) e Tufi Sami (vocais) se reuniram em um grupo no WhatsApp, junto com a manager Janna Souza e com o atual vocalista do Imago, Alex Voorhees.
O que ninguém esperava foi que desse encontro saísse uma nova música do Imago Mortis, gravada com cada músico em seu canto: Fabrício e Fabio na Bahia, Tufi e Duarte no Rio de Janeiro, Alex Voorhees no Rio Grande do Sul e Alex Guimarães no Caribe. Um exemplo mais do que adequado para as mudanças mencionadas no livro, que começa contando as aventuras da banda para gravar uma fita cassete.
A música, “O Mistério da Vida”, pode ser conferida no link:



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