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domingo, 29 de março de 2015

COLEÇÃO MANTEIGA VOADORA - Caligo Editora

 Voltada para o público infantil a Caligo Editora já publicou dois volumes dessa coleção:

CHUVA DE MADALENA - Volume I


Uma história de pura singeleza com um toque de romantismo. Narrada por um menino que viu aquela que amava se transformar em chuva... Uma liiiiinda chuva! Chuva que a partir de então, nunca mais faltou na cidade onde moravam.




ESPERANDO POR JOAQUIM CORTEZ - Volume II

História de uma menina que acompanha os últimos meses de vida de seu amado avô com  carinho e cumplicidade. A afinidade entre ambos é muito grande. Crer ou não crer nas histórias que ele lhe contava? A se deixar levar por seus pais, não, mas ouvindo o seu coração, sim. Sempre!






As histórias, como todas as escritas por Bia Machado, prendem a atenção e despertam sensações mil. São ilustradas e curtas e têm tudo para despertar o interesse à leitura das crianças. 

Vale destacar que as bonitas ilustrações são feitas por Beatriz Machado Henrique, a filha de 11 anos de Bia Machado e Henrique. Tudo a ver com a história.

Bia Machado, além de escritora é também editora e proprietária da   


Confira as demais publicações da Caligo
www.caligoeditora.com

bj da angel ;)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O SINCRONICÍDIO - Fabio Shiva

Fabio Shiva

“E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança.
Sempre resta um pouco mais para se perder.”

Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.

 “Era para sermos centelhas divinas.
Mas escolhemos abraçar a escuridão.”

Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações.
Um romance de muitas possibilidades.

Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.

Uma história policial inusitada! Quem a ler não poderá afirmar ter lido algo parecido! Eu que já li centenas de histórias policiais de autores como Agatha Christie, Conan Doyle, entre outros, sem falar nos inúmeros contos, afirmo isso categoricamente. Até ouso dizer que  Fabio Shiva reinventou a maneira de escrever um romance policial. Tá duvidando? Leia e comprove! bj da angel ;)


Comentários de leitores beta sobre O SINCRONICÍDIO:

 Xeque-mate no leitor!

“O Sincronicídio” é um romance policial diferente e inovador, não somente pela maneira incomum de iniciar os capítulos, mas pelo desenvolvimento da história em si. No começo da leitura, acreditei que o autor fosse conduzi-la pela filosofia e até me fez lembrar um dos livros de Josein Gaarder: “O Mundo de Sofia”, no entanto, à medida que a leitura avançava descobri que a trama que se tecia a cada linha lida tinha um toque de ficção cientifica: pelo submundo do sexo e do poder quase que se é criada uma sociedade a parte. Neste universo, giram o poder e o sexo como prazeres absolutos de uma vida.

O que é possível nesta leitura, e, que em minha opinião tornou-se uma grande sacada do autor, é as múltiplas interpretações que se pode dar à narrativa, pois, se nas primeiras linhas acreditei ser conduzida pela filosofia, descobri que além de ser de fato uma trama policial recheada de suspense, com doses de ficção cientifica, o tempo todo o autor me levava a decifrar de várias maneiras o enredo da história, sem, contudo conseguir chegar ao desfecho final correto. Acabei sendo surpreendida diversas vezes. Fiquei muito orgulhosa por ser um escritor brasileiro o responsável por construir uma obra magnífica como esta. Leitura recomendada!
---Léia Viana---

O Transcendental e o Carnal juntos num ótimo policial
Excelente obra de estreia de um escritor talentoso e criativo. Se você quer se prender totalmente a uma história, este é o livro certo. Se, além disso, você deseja conhecer e refletir sobre temas e conceitos pouco conhecidos (ao menos pelo mundo ocidental), este livro torna-se ainda mais indicado.

A escrita é simples e extremamente envolvente, sendo cada capítulo uma pequena peça necessária a montagem do quebra-cabeça. Admirável o empenho e a atenção que o autor dedicou a cada detalhe. A relação que o escritor faz entre o jogo de xadrez e o I Ching, criando uma numeração de capítulos inusitada, dão um charme a mais à obra. O livro está repleto de cenas de sexo, mas estas não são gratuitas, estando presentes para ilustrar o quanto uma busca puramente hedonista pode acabar corrompendo o espírito (ou o caráter, para quem prefere o termo).

Não há pontas soltas na história, apenas lacunas propositais criadas para serem preenchidas pela imaginação do leitor. E, acredite, esse livro realmente dá asas à imaginação! Recomendo e muito a obra, acho quase impossível que alguém saia indiferente da leitura da mesma.
---Fernanda Xavier ---

O Sincronicídio

Talvez o ponto que mais surpreenda no "O Sincronícidio" seja sua aparente simplicidade, sim porque a história começa enganadoramente simples, o narrador nos apresenta nosso herói nas primeiras horas da manhã, a semelhança de um herói grego clássico, nu em pelo, descansando após o embate com sua já esperada donzela. E já aqui o autor brinca com sentidos secretos, com lendas intrincadas onde um evento num lugar se faz sentir muito longe. É tal a quantidade de pistas "escondidas" que numa releitura percebe-se que muita coisa já havia sido contada já no inicio da história, ou pelo menos insinuada. Apresenta-se a dicotomia que permeara toda a obra, dia e noite, branco e preto, e subentende-se também, luz e trevas isso transposto a um imenso tabuleiro, onde cada personagem é uma peça.

Não poderia deixar de comentar a habilidade com que o autor brinca com os opostos, luz e trevas, branco e preto, Yin e Yang; isso é marcante no caso dos gêmeos, macho e fêmea, ativo e reativo, e aqui o autor é tremendamente irônico, as polaridades estão trocadas, é patente que Julia é o masculino, o Yang, o ativo e Kim é o feminino, o Yin, o receptivo. Pergunto-me como alguém criou dois personagens tão complexos, é impossível não admirá-los e ao mesmo tempo se escandalizar com eles. Numa cartada genial ainda Kim é o incompleto, a irmã o supera em tudo, ele artificialmente tenta se igualar a ela, porém sem sucesso. A única marca de sua masculinidade que saiu, digamos “mais que perfeita” ele a usa para destruir a “masculinidade” nos outros, é patente o sadismo nele. O ódio a tudo o que ele não é. Uma mensagem velada ao preconceito? Odiamos o que não temos? A ideia fica no ar.

Daqui pra frente à história vai se voltando dentro de si mesma,Quando você pensa que entendeu, não entendeu nada. Em certo ponto, e aqui quando pensamos que já tinha se esgotado as surpresas damos uma pausa para o vilão contar sua história; embarcamos de cabeça no esoterismo, na profundidade do jogo de xadrez e do I Ching, começamos a entender os ideogramas a direita de cada página, e fato cada um deles tem relação com o capitulo, tudo dentro de um simbolismo que somente um leitor atento vai notar.

Aqui superabundam a referências e a complexidade da trama, não se engane quem pensar que somente está sendo citados mitos, percebe-se que existe uma intencionalidade uma história dentro da história e um grave alerta. A despeito dos pontos mais escatológicos o Sincronícidio em si é perfeitamente possível, se é que não ocorre com certa frequência. A forma como o autor vai desenvolvendo o conceito até sua definição final, bem dá o que pensar, dá muito que pensar.

Enfim chegamos ao final, surpreendente e tão estranho, que podemos dizer que o autor não poupou esforços para surpreender o leitor.
---Rogério Lopes---


Este livro incorpora o lado científico com o misticismo. Todos os conceitos abordados pelo autor são explicados de forma lógica e embasados em alguma descoberta científica. Este livro foi decididamente o melhor que já li do gênero.
---Sergio Elisio---



quinta-feira, 2 de maio de 2013

CERTA ESTRANHEZA – Bia Machado




Nossa querida Bia Machado estreia lindamente nessa primeira antologia de contos totalmente de sua autoria. O título do livro não poderia ter sido melhor escolhido, pois é uma constante na leitura experimentar “Certa Estranheza” diante do fantástico, do sobrenatural, do grotesco, do pavoroso...

São 13 contos (certamente o número não foi obra do acaso!) recheados de mortes estranhas e, com muita frequência, de pós-mortes ainda mais estranhas... A autora intensifica essa sensação de estranheza pelo contraponto do horror com temas totalmente diversos do gênero principal do livro, como o faroeste (Lá, no fim do mundo, depois do pôr-do-sol), as histórias e cantigas infantis (Jack Barbazul / Lenga-la-lenga), o drama histórico (Senhora Quintana vai morrer) ou regional (Pequenas dúvidas sobre Lurdinha) e até mesmo o humor (Os diamantes de Tia Eufrásia são eternos)! Vale tudo para provocar no leitor uma Certa Estranheza...

Gostei muito de ter lido esse livro, que teve o sabor especial de estar acompanhando não somente as histórias dos contos, mas principalmente a história da própria autora, que constrói passo a passo o seu corajoso e talentoso caminho literário. Para dar um gostinho do que vem por aí, o livro termina com um trecho do futuro romance Cinquenta e três dias no túmulo, que aguardo com feliz expectativa.

Viva Bia Machado!


***///***
Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:
http://youtu.be/Umq25bFP1HI

Blog:
http://sincronicidio.blogspot.com/
 
***///***
MANIFESTO – Mensageiros do Vento
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

terça-feira, 10 de julho de 2012

[entrevista]BIA MACHADO - Escritora


Oi pessoal! :) :) :)


Desta vez nossa entrevistada é a escritora Bia Machado, autora do livro Certa Estranheza e de contos publicados em diversas antologias. Bia é uma pessoa eclética e, além de escrever faz muitas outras coisas, vamos conhecê-la melhor?



BCRL: Oi Bia, bem vinda ao nosso espaço de entrevistas será um prazer saber um pouco mais sobre você.

BM: Oi, Angel! Obrigada por mais uma vez poder divulgar o meu trabalho junto aos leitores do Resenhas Literárias!

BCRL: O que mais lhe deixa com “coceirinhas” de desejo...rs... ler ou escrever?

BM: Os dois, mas na atualidade com certeza é escrever! Se pudesse, andaria pra cima e pra baixo com um caderno na mão, anotando todas as ideias, escrevendo trechos de diálogos, alguma frase ou detalhe em que pensei...

BCRL: Para escrever, qual é o seu estilo literário preferido: suspense, ficção científica, terror, etc.?

BM: Eu me identifico mais com o suspense. E o suspense pode estar presente na ficção científica, na fantasia, até em um conto romântico... Admito que tenho tentado escrever coisas mais leves, de aventura, rs. Quero escrever muitas coisas ainda em literatura fantástica, algo como história alternativa e steampunk, que gosto muito de ler.

BCRL: E para ler?

BM: Aí a coisa complica! Gosto de tanta coisa! Isso é culpa da minha personalidade, eu enjoo fácil das coisas, fico me perguntando se sou hiperativa. Se tivesse só policial para ler, eu certamente enjoaria. Então vou alternando: leio um policial, depois um romance, depois um de ficção científica e assim por diante... Mas a literatura fantástica tem me chamado mais a atenção, de uns dois anos pra cá.

BCRL: Como se sentiu com a publicação do seu primeiro livro, Certa Estranheza?


BM: Senti como se estivesse dando o segundo passo. O primeiro, foi começar a participar de antologias. Foi uma maneira de fazer um teste, digamos, levar minhas histórias a quem não tem o costume de ler na tela do computador. E esse papel foi cumprido. Atualmente eu disponibilizei o livro para download no site Recanto das Letras, para que mais pessoas tenham acesso.


BCRL: Quem quiser ler o livro (e leia porque ele está demais!!!!) é só clicar aqui:
http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=104940

BCRL: Quais as dificuldades que encontrou para publicá-lo?

BM: A dificuldade foi ter que fazer tudo sozinha, pois a editora apenas o imprimiu. Então tive que fazer eu mesma a capa, procurando em sites de imagem alguma que combinasse e pagando por ela, depois fazendo alterações, diagramação (coisa simples, sem entender nada, praticamente, rs!), mas o resultado foi gratificante. Só não foi mais por causa de algumas falhas de impressão da editora, mas quanto à minha parte, estou tranquila!

BCRL: O que você está escrevendo atualmente?

BM: Continuo escrevendo contos, agora tem um calendário que dá pra gente seguir e tentar participar de antologias que acho que serão interessantes. Além disso, estou escrevendo dois romances: um deles iniciei em 2011, mas ainda vai demorar. Tem que fazer muita pesquisa, são muitos detalhes técnicos, pois a história envolve terrorismo biológico, o mundo em um futuro um tanto distante, são vários personagens, enfim... O outro comecei a escrever agora, ainda está só no caderninho de rascunhos, mas como enchi um desses inteiro (quase 100 folhas manuscritas), vou começar a passar para o word... E é um chick-lit! Isso me espanta, pois nunca li nada do tipo, então ainda devo fazer muitos ajustes... Comecei a ler esse mês livros nesse estilo, para ter uma ideia... Estou lendo “Ame o que é seu”, da Emily Giffin e estou gostando bastante, é uma leitura bem diferente do que costumo fazer.

BCRL: Você já publicou em diversas antologias, quais são elas e quais seus títulos?

BM: Pela Multifoco publiquei na “Sinistro!” (contos de terror) e na “Solarium 2” (contos de ficção científica), em 2009 e 2010, respectivamente. Pela Hama, publiquei na “Contos de todos nós” (contos do cotidiano), antologia lançada durante a Bienal do Rio em 2010. Pela Estronho, participei em 2011 da antologia “Steampink” (contos steampunk escritos por mulheres).
  
BCRL: Qual o conto foi mais difícil pra escrever e qual deles saiu num estalar de dedos?

BM: Apesar de “Paixão Letal” (um conto que publiquei pela Multifoco) ter dado mais trabalho, o mais difícil foi “Brincando de Deus”, conto que saiu na Solarium2. Eu estava no final do prazo, últimas horas para enviar o conto, estava com uma gripe há dias que dava uma dor no corpo e nunca tinha escrito um conto de ficção científica! Mas no final deu tudo certo, rs. O que saiu mais fácil foi o “Chuva de Madalena”. A ideia surgiu, eu sentei na frente do computador, comecei a escrever e em pouco mais de meia hora o conto estava escrito! Os leitores gostaram bastante! =)

BCRL: Já pensou em escrever um livro de poesias?

BM: Não, não levo o mínimo jeito pra isso... Mas quando adolescente cheguei a escrever algumas... =)

BCRL: Qual é o foco que o escritor deve ter para escrever uma boa história?

BM: Creio que toda a situação (seja conto, romance ou novela) que vai ser trabalhada no texto tem que estar bem embasada, tem que ser verossímil. A verossimilhança é, na minha opinião, o que faz com que o escritor consiga passar a sua intenção. E para isso é necessário pesquisar muito e saber muito bem sobre o que se está escrevendo, ter segurança disso.

BCRL: Que livro indicaria sem pensar duas vezes?

BM: “Vinte mil léguas submarinas”, do Verne.

BCRL: Que livro gostaria de ver nas telonas dirigido por Spielberg?

BM: Hum, talvez “O fim da infância”, do Clarke. Desde que ele fosse fiel ao livro, rs.

BCRL: Qual seu escritor e escritora favoritos?

BM: A escritora favorita é a Agatha Christie. O escritor, não sei dizer. Tem  tantos de que gosto muito (Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Sidney Sheldon). E alguns que só recentemente descobri, como Carlos R. Zafón, Arthur Clarke...

BCRL: Você também tem talento para fazer trabalhos artesanais, como e quando isso surgiu em sua vida?

BM: Me interessei por pintura e decoupage em madeira por causa de uma escola onde trabalhava. Geralmente em escola particular, principalmente pequena, as próprias professoras têm que fazer lembranças para tudo que é data comemorativa. No Dia das Mães, inventaram das crianças fazerem a pintura e a aplicação de tinta relevo em caixinhas de madeira... Mas é claro que a professora é que acaba fazendo quase tudo, né? Só que estava muito em cima da hora, a orientadora correndo com outras coisas, a gente teve que ir atrás da técnica certa em sites. No fim, deu tudo certo, as mães adoraram. Depois, fui mexer com isso novamente quase 3 anos depois, no começo de 2009, como uma terapia para o meu pós-parto, principalmente no período em que uma das minhas gêmeas recém-nascidas precisou operar e ficar internada, infelizmente vindo a falecer com pouco mais de dois meses de vida. Na madrugada desse dia, eu fui dormir às cinco da manhã pintando caixas, não conseguia fechar os olhos (parecia que estava adivinhando o que aconteceria). Deitei só por estar cansada, mas às sete já estava de pé e, uma hora depois, recebemos a triste notícia de que a bebê não tinha resistido. Depois disso, continuei, era uma forma de fazer algo diferente do meu trabalho de todo dia. Ano passado tive que parar, não estava dando conta de três, quatro coisas ao mesmo tempo, além de ser mãe e esposa.

BCRL: uma pena que tenha parado, mas, entendo que o tempo é curto pra fazer tudo que queremos e abrir mão de algumas atividades acaba sendo necessário. Fico feliz em ver que aproveitou um momento de dor para construir coisas bonitas que dão alegria em vez de ficar se lamentando. Isso é muito belo, menina!

BCRL: De tudo o que faz o que mais lhe agrada, o que é mais difícil e o que mais fácil?

BM: Acho que todos são difíceis, não tem o mais fácil. Mas o meu preferido tem sido escrever. Por isso mesmo optei por parar de fazer o artesanato. Só faço mesmo para presentear as pessoas mais queridas.

BCRL: Quais os motivos decorativos são os mais pedidos pelos seus fregueses ou eu deveria dizer freguesas? Homens também fazem encomendas?

BM: Pedidos feitos por homens adultos eu nunca tive, mas meninos sim! Vários alunos meus pediam latinhas e caixinhas com motivo de super-heróis e futebol também.  O que as mulheres pediam mais eram caixas com a foto colorida escaneada de alguém que ia ser presenteado. E floral também era muito pedido.

BCRL: Olha aí pessoal, uma pequena mostra dos trabalhos da Bia, não são lindos?



BCRL: Você é professora, dá aula para alunos de que faixa etária? Sempre lecionou para alunos dessa idade?

BM: Desde 2005 leciono no Ensino Fundamental, crianças de 7 a 10 anos, aproximadamente. Em 2012 será meu terceiro ano consecutivo como professora de 3º ano, crianças de 7, 8 anos. Eu comecei lecionando aulas de inglês e informática, para crianças e adultos também, na época eu fazia curso no Fisk e dava aula para quem ia fazer concurso ou tinha ficado “pendurado” em inglês no final do ano. Em escola, comecei a lecionar no que chamam hoje de EJA, para Ensino Fundamental e Ensino Médio, nas matérias de Língua Portuguesa e Inglês. Em 2006 lecionei pela última vez para turmas de Ensino Médio e também atendi um aluno com deficiência motora, em sua residência, era o que o pessoal chamava de “Professor Itinerante”.

BCRL: E como é a professora Bia Machado com seus alunos? [cuidado! Eles poderão ler essa entrevista...rs...]

BM: Ia dizer que sou chata, mas lembro de uma aluna minha que me disse uma vez ao me ouvir afirmar isso: “A senhora não é chata, é diferente. A senhora é exigente.” E acho que ela está certa. Sou exigente, mas sou justa e faço de tudo para poder ajudá-los, seja no que for.

BCRL: Quando você fala com eles sobre livros eles torcem o nariz ou “curtem” o assunto?

BM: Não, eles gostam! Livros fazem parte do nosso dia-a-dia em sala de aula, eles estão lá à disposição, para serem lidos e relidos, não só livros como gibis.

BCRL: O que tem por hábito fazer para incentivá-los quanto a isso?

BM: O maior incentivo é tornar a leitura interessante. Não forçar ninguém a ler um livro que não queira, mas tendo os livros à disposição eles são muito capazes de encontrar o que gostam de ler.  E eu fico lá, só observando eles lerem, comentarem com o colega, comigo, mostrando alguma parte de que gostaram, as imagens... Também gosto de criar sequências de atividades que envolvem alguma narrativa, geralmente fantástica. Uma vez preparei vários exercícios sobre cálculo de dias, meses, anos e criei toda uma história de um mago e suas três irmãs bruxas. Aí eles ficaram conhecendo a história do mago e das irmãs, enquanto faziam contas e mais contas, observavam calendário etc. Tenho um blog que possibilita ver meu trabalho em sala com os alunos, ele está com conteúdo do ano passado, pois esse ano ainda não montei o projeto para 2012, os meus alunos atuais devem começar a usá-lo logo depois das férias: 


BCRL: muito legal o blog e a criatividade que usa na sala de aula, com certeza os alunos curtiram isso. Seria ótimo se todo professor fizesse algo semelhante para que os alunos pudessem estudar o que acham difícil de uma forma agradável o que, com certeza, seria benéfico para ambas as partes.

BCRL: Como seu marido e suas filhas veem a esposa e mãe enquanto escritora?

BM: Minhas filhas gostam da ideia de ter uma mãe escritora, acham isso o máximo. Só que atualmente me cobram muito, querem saber se eu já terminei de escrever para sair com elas, ficar com elas. Ano passado fui muito cobrada e nesse ano me organizei melhor para que elas não fiquem só com a escritora ou a professora por perto, a mãe faz muita falta (e como!). Meu marido é muito neutro, ele gosta de me ver escrevendo, mas não se interessa tanto quanto eu gostaria. Ele apoia, ouve minhas ideias, discute enredo etc., mas é de forma muito reservada. Ele é taurino, talvez essa seja a explicação, rs!!! Por outro lado, isso é bom. Às vezes eu preciso de um “freio”, que me faça parar e pensar melhor. Ando muito a 200 km por hora com a minha imaginação.

BCRL: Qual a idade de suas filhas? Alguma delas já manifestou o interesse em ser escritora?

BM: A Beatriz tem 9 anos, a Maísa 7 e a Nádia tem 3. As três adoram livros e gibis, gostam muito de ler, mas eu acho que por enquanto só quem parece gostar de escrever, mesmo, de criar histórias, é a Maísa. A Beatriz gosta mais de desenhar, rs.

BCRL: Então você estará bem servida daqui a um tempo, uma poderá ser sua leitora beta e a outra a capista/desenhista de suas histórias, apesar de você “mandar bem” nisso, né.

BCRL: Você está trabalhando com revisão de texto, fale sobre isso.

BM: Sim, comecei esse ano a trabalhar para duas editoras com revisão, a Estronho e a Modo.  Eu estou gostando muito, é uma forma de aprender com outros escritores, com a literatura, está sendo muito desafiante, pois não tinha experiência anterior com revisão literária, embora revise há mais de dez anos textos técnicos e científicos, porém confesso que já estava saturada. Trabalhar com duas editoras ao mesmo tempo me proporcionou viver essa realidade de duas formas bem opostas, pois essas editoras possuem dinâmicas de revisão muito diferentes. É bom para pegar mais experiência, mas estava começando a ficar com os prazos meio que apertados, então decidi optar por prestar serviço para apenas uma, a Estronho, que tem uma proposta de trabalho com a qual me identifiquei mais (http://www.editora.estronho.com.br/index.php/inicio). Esse ano também comecei a fazer revisão e copidesque para autores que ainda não têm editora e está sendo ótimo, aprendendo muito com essas análises textuais. E quero me qualificar mais na área. Dentro de dois meses inicio uma Especialização em Linguística, para me aperfeiçoar.

BCRL: Alguma dica para os escritores, que permita melhorar a qualidade dos originais enviados para publicação?

BM: Acredito que seja melhor escrever primeiro, sem se preocupar com uma revisão mais detalhada. Depois, em uma segunda (e até terceira) leitura, dá pra mexer em muita coisa, acertar coisas que não foram vistas, cortar o que está sobrando mesmo, sem dó. Ter leitores beta imparciais também ajuda muito, pessoas que poderão ler e dizer como um leitor se sente com relação ao seu texto, antes dele ser enviado para análise de alguma editora. Ressaltando mais uma vez que esses leitores beta precisam ser imparciais, nada de encobrir coisas por amizade. E o autor também tem que estar disposto a ouvir, a acatar o que foi apontado com bom senso, senão o trabalho de leitura crítica não adianta nada.

BCRL: Ok, Bia, obrigada pela entrevista, tenha certeza que foi muito bom saber um pouco mais da Bia Machado não apenas escritora, mas pessoa. Que venham os novos livros. Sucesso!  :)

BM: Angel, eu que agradeço pela oportunidade, o Resenhas Literárias é um blog onde me sinto em casa,  assim como na comunidade dele no Orkut e o grupo no Facebook, enfim... Acho que isso acontece por você e Fábio serem pessoas tão dedicadas, apaixonadas por livros, então... Não tem como não gostar desses espaços! =)

É isso aí, meninos, vocês fiquem à vontade para fazer outras perguntas para a escritora Bia Machado e até a próxima, queridos!

bj da angel ;)





domingo, 3 de junho de 2012

DISTÚRBIO, de Valentina Silva Ferreira


   Classifico esse texto da Valentina como um drama psicológico que beira ao terror. Em certos momentos, é terror mesmo. E de que forma não classificar a vida da personagem Rossana como aterrorizante? Coloquemo-nos no lugar dela: o que você faria se, aos treze anos, sua mãe obrigasse você a se alimentar o menos possível, fazer exaustivos exercícios, vestir-se como uma adulta, tudo isso para ter o que ela não teve: uma carreira de modelo (além de um certo ciúme, por ver que a filha tem mais beleza que ela)? E o pior: e se seu pai, que deveria ser seu maior amigo, aquele que deveria proteger você de tudo o que a machucasse, fizesse justamente o contrário, lhe ferisse da pior forma, destruindo sua inocência? É o que acontece com Roxie. Ela tem mais três irmãos, menores que ela, a quem tenta proteger das insanidades materna e paterna. Por enquanto Perpétua, a mãe, aplica a rotina severa somente à filha mais velha, pois crê que a menina lhe deve isso, de alguma forma, cumprindo o destino que ela não pode quando adolescente. E é tão cega à realidade que não vê o interesse do marido pela própria filha... E quando percebe... Adivinhem a reação?

sábado, 19 de maio de 2012

O CASTELO DO HOMEM SEM ALMA - A. J. Cronin

Sinopse: 
Em 1930, com a saúde fragilizada por excesso de trabalho, o médico escocês Archibald Joseph Cronin foi obrigado a parar de clinicar por certo período, enveredando pelo caminho literário. Em três meses, escreveu as 450 páginas da obra que virou um clássico da literatura. Hatter's Castle (O Castelo do Chapeleiro), traduzido no Brasil sob o título de O Castelo do Homem sem Alma, por Rachel de Queiroz, não poderia ter tido tradução mais apropriada. O romance narra a história triste de uma família de Levenford, que vive à mercê de um psicopata falido, hipócrita, preconceituoso e orgulhoso, James Brodie. (Fonte: Skoob)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

DAYTRIPPER - Gabriel Bá e Fábio Moon


Daytripper foi a primeira graphic novel que li. É, graphic novel, ou uma história em quadrinhos, no bom e velho português! O exemplar, ganhei em um concurso de contos da comunidade Contos Fantásticos, no Orkut. Melhor prêmio não poderia haver. A capa já é um encanto: deixa entrever o que há por trás: um mundo de cores e sensações conflitantes, sobre vida e morte, onde acompanharemos Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que sonha em publicar um livro. E que tem apenas mais um dia de vida. O que pode acontecer nesse último dia? Claro, ele não sabe que é o último. E esse último dia nos é apresentado de várias formas. Dez, aliás. São dez formas diferentes de viver o último dia de uma vida toda, curta ou longa. E pode ser quando menino, ou quando adolescente, ou depois de se tornar pai, ou já avô, em diversas circunstâncias, as mais corriqueiras, ou de repente não...



Terminei a leitura hoje, no meu horário de almoço. Aliás, li o livro em grande parte nesse horário, poucas páginas antes de me deitar e devorando entre 12:00 e 12:30. Um ritmo tão alucinante que foi difícil largar e ir para o trabalho, mas é claro que isso me fez bem. Inclusive hoje, quando, ao terminar, me peguei chorando. Pensei "Caramba, vou chegar na escola com os olhos vermelhos", rs. Com a leitura de Daytripper, de certa forma, dei vazão a um certo medo que tenho da morte. Sim, tenho medo da morte, dessa coisa de não sabermos quando ela vai chegar, ou como, por mais que a gente diga que quer morrer "assim" ou "assado". O próximo minuto, será o último? E as pessoas que aqui ficarão, como reagirão à nossa partida? Será que nos orgulharemos de tudo o que ficou para trás? Eu queria uma animação dessa história, seria perfeito! 



A vontade que tenho é de começar a reler imediatamente, só para viver esses dez dias com Brás novamente, acompanhá-lo e me emocionar de novo, como estou agora. Além de tudo, é uma delícia ver que foram dois brasileiros, os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, os responsáveis por essa história tão cativante. Orgulho demais! Daytripper foi a primeira obra brasileira a ganhar o prêmio Eisner, que é tal qual o Oscar dos quadrinhos. Mas quem se importa com isso, diante de tanta beleza em um só livro? Perdoem se pareço estar deslumbrada, como disse, foi apenas a primeira graphic novel que li, portanto sou bem leiga, leiga demais quanto aos aspectos técnicos, então esse é somente o relato emocionado de uma leitora, que acabou de descobrir uma joia rara. Ou como criança, que acabou de receber o brinquedo preferido das mãos dos pais, rs. 


"A vida é como um livro, filho. E todo livro tem um fim. Não importa o quanto você goste do livro, você vai chegar na última página e ele vai terminar. Nenhum livro é completo sem o fim. E quando você chega lá, somente quando você lê as últimas palavras, é que você vê como o livro é bom. Ele parece mais real." (p. 220-221)

Só que, diferente de um livro, na vida não podemos pular "páginas" e ver como tudo vai terminar. Essa é a magia, então...


Página do livro no Skoob. 


Resenha publicada também no Blog de Leitora e Escritora.

terça-feira, 17 de abril de 2012

“STEAMPINK” - DIVERSAS AUTORAS (LITERATURA NACIONAL)



LIVRO  : “STEAMPINK” (LITERATURA NACIONAL)
AUTORAS: ORGANIZAÇÃO TATIANA RUIZ; ESCRITORAS: Amanda Reznor, Bia Machado, Dana Guedes, Georgette Silen, Leona Volpe, Lidia Zuin, Livia Pereira, Lyra Collodel, Nikelen Witter, Renata Galindo, Tatiana Ruiz, This Gomez E Verônica Freitas.
EDITORA  : ESTRONHO
PÁGINAS –202
1ª EDIÇÃO 2011
CATEGORIA: CONTOS BRASILEIROS/ANTOLOGIA
ISBN: - 9788564590038
SteamPink
CITAÇÃO: [...]”Era o que precisava fazer. Como tinha sido cega, a ponto de não ver que já estava apaixonada por ele... Desde quando? Desde que o vira, com a pele bronzeada e a barba por fazer, em meio aos pomposos ricaços, amigos de meu pai? Ele destoava de todo o cenário à sua vilta por suas atitudes cheias de personalidade. Depois de beijá-lo, olhei dentro dos olhos dele, antes de pedir com expressão séria: ‘Prometa-me que não vai nunca mais voar com Clementine’, ao que ele perguntou: ‘Clementine? Quem é Clementine?’, chamei-o de tolo, rindo. ‘Está bem, Teodore, terá que me prometer outra coisa, então’.” (Conto Diário de bordo de Lídia Saint Clair de Bia Machado. Pág. 170)
ANÁLISE TÉCNICA: 
-CAPA = Muito criativa com engrenagem de relógio de parede, ornada com chave, pingente de coração e pedra preciosa.
Todas as capas são belíssimas.
    Capa e diagramação de M. D. Amado
    Ilustração da capa e verso de capa, de Mellim
    Formato 14cm x 21cm
    Capa laminação fosca com orelhas de 6cm e verso com fotografia colorida (4x4)
 (nota:   4,80 de 5,00)
-DIAGRAMAÇÃO:   Feito  em papel Reciclato 75g com letras pretas, medianas.
Tem prefácio, sumário e no início de cada conto uma breve apresentação de cada escritora, feita em letra cursiva e ornada em algo que lembra um quadro.
(nota:  4,50  de 5,00)
- ESCRITA: Própria em cada conto.
CITAÇÃO: “-Deve haver fios de verdade por entre o tecido da mentira, mas a lucidez só se encontro no meu próprio ser.” (Conto Há-Mazan de Lídia Zuin, pág. 63)
RESUMO SINÓPTICO: “Antologia de contos com temática steampunk. Uma antologia steampunk escrita e organizada sob o olhar feminino. Máquinas voadoras, robôs ,viagens no tempo e muito vapor misturado a vampiras, corvos, poetas, amazonas e até uma versão vaporizada de um clássico conto de fadas. Com prefácio de Romeu Martins, Comendador da Ordem da Caldeira pelo Conselho Steampunk do Brasil, Steampink apresenta treze contos... treze oportunidades para que você viaje no tempo e se divirta ao som dessas engrenagens muito bem cuidadas por nossas talentosas e elegantes autoras.”
 
CITAÇÃO: “As belas estruturas acobreadas se erguiam imponentes, sob as nuvens amarronzadas que encobriam a cidade, como um mau presságio carregando em seu dorso uivante o vaporoso cheiro de chuva.” (Conto Sonha o corvo um sonho negro de Leona Volpe. Pág. 102)
ANÁLISE CRÍTICA: O estilo SteamPink está relacionado as máquinas a vapor e há um tempo onde as engrenagens eram mais valorizadas, trazendo o requinte do século XIX.
As escolhas feitas pela organizadora foram perfeitas, mesclando o fantástico com o romantismo e demonstrando o quanto o lirismo do século XIX e a ficção, podem fluir a criatividade de cada escritora em seu próprio estilo.
Os contos são bem estruturados e cada um tem sua própria peculiaridade.
Aprovadíssimo!

NOTA: 4,5 de 5,0
 
cheirinhos
Rudynalva
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