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sábado, 22 de dezembro de 2012

O CRIME DA RUA CUBA – Percival de Souza




A primeira coisa que chama a atenção nesse livro é a curiosa proposta: um livro de jornalismo policial para o público juvenil!

O livro é baseado em um caso real, que causou mesmo sensação na época. Um casal de classe alta é encontrado morto a tiros. Logo o filho mais velho do casal torna-se o único suspeito. O Brasil inteiro acompanhou “O Crime da Rua Cuba”, exaustivamente explorado nos noticiários.

Tive algumas descobertas ao ler esse livro. A primeira, a de que a história policial é bem diferente na realidade e na ficção. Meu lado fã de Agatha Christie se entreteve ao comparar um romance da Rainha com a narrativa de fatos realmente acontecidos. Na ficção, o assassino de modo geral é bem mais esperto, mas em compensação o detetive também é. Por outro lado, mesmo tratando-se de um livro para jovens, achei a leitura muito mais sombria que a de um romance policial. Afinal, aquelas pessoas foram mortas MESMO.

O livro é uma espécie de “A Sangue Frio” teen-tupiniquim. O autor, Percival de Souza, teve mais bom senso que o Truman Capote e encerrou sua história antes da conclusão final. Caso contrário, não teria publicado seu livro. Aos olhos da justiça, o crime da rua Cuba permanece sem solução até hoje.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A SANGUE FRIO – Truman Capote




Assistir ao excelente filme “Capote” me fez lembrar dessa leitura tão marcante, que fiz há anos atrás.

“A Sangue Frio”, dizem os críticos, é a obra inaugural do chamado “romance de não-ficção”, gênero que se tornou bastante popular desde a sua publicação em 1966.

Penso que, mais importante que isso, “A Sangue Frio” estabeleceu os padrões que a indústria cultural americana iria seguir daí por diante ao tratar de um de seus temas prediletos: o assassino.


Penso que esse padrão segue duas vertentes principais: em primeiro lugar, a tentativa de humanizar, psicologizar, entender as motivações do assassino. Em segundo lugar, a fome insaciável por detalhes macabros e horripilantes, a sede de beber até a última gota de sangue, a necessidade de recriar e reviver nos mínimos detalhes cada assassinato.

“A Sangue Frio”, a meu ver, inaugura a idolatria americana ao serial killer.

O livro é intenso, envolvente, muito bem escrito. Obra do gênio que dizem que era Truman Capote.

Quanto ao filme, revelou com brilhantismo o outro lado da moeda: o altíssimo preço pago por Capote para escrever a sua obra-prima.

Uma frase do filme marcou: “Cuidado com o que você faz para conseguir o que você quer.”

Esse sábio conselho, obviamente, Truman Capote não escutou.



***///***
Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:
http://youtu.be/Umq25bFP1HI

Blog:
http://sincronicidio.blogspot.com/
 
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

terça-feira, 7 de junho de 2011

Rota 66 - Caco Barcellos


Livro-reportagem, livro-denúncia, jornalismo investigativo, palavras em voga na atualidade, já não são novidade, isso vem de longe, talvez tenha tido ênfase maior após "A sangue frio" de Truman Capote, com a estética de um romance, mas conteúdo realista.

"Quando se pretende saber a verdade sobre a opinião de alguém acerca de um assunto, o que significa essa verdade?", já dizia Adriana Baggio. Esta é a pergunta que me faço, assim como ela, ao me deparar com livros dessa natureza.
Para os mais incautos "Rota 66" é uma facada sem dó, nem piedade. Para os cautelosos, um soco no estômago. Para os pessimistas, triste realidade. Para aqueles como eu, que creêm no amanhã, um aviso.

Após sete anos de investigação, Barcellos narra a história dos polícias de um carro, o 66, das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), que matam três jovens. Por meio dessa obra, denuncia toda a história de 22 anos de execuções desta unidade especial.

Verdade? Ficção? Não pretendo aqui dirimir essas pequenas guerrinhas, mas acredito piamente no que ali está escrito. O livro é uma bomba, pronta pra explodir em nosso colo. É cru e didático quando tem que ser. E também contundente, quando fala dos policiais - bárbaros portando armas. Descreve com permenores as mazelas de uma corporação fadada ao insucesso por excesso de empáfia, tratando vidas humanas como porcos no matadouro.

Por que prefiro acreditar? Acho que são ínumeras as informações que recebemos da matança desenfreada e também porque é mais fácil culpar, do que encontrar em nós a culpa. A sensação que temos após a leitura é uma só: não há mais solução que não seja a implosão. Afinal de contas, Barcellos, desde 2002, é correspondente da Globo em Londres, e só foi pra lá enviado por ter sofrido muitas ameaças. Ameaças de quem?

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