quinta-feira, 18 de abril de 2013

O Silêncio dos Inocentes [Romance]


Capa da edição atualmente em catálogo.
Sei que eles jamais me deixarão sair vivo daqui. 
Só o que eu quero é um panorama para olhar. 
Uma janela por onde eu possa ver uma árvore ou mesmo uma poça d'água.
(Capítulo  IX)

Recordo que assisti a O Silêncio dos Inocentes em VSH, quando adolescente. E que filme! Fiquei apaixonado pelos protagonistas: Clarice Starling (Jodie Foster) e Hannibal Lecter (Anthony Hopkins). Depois, foi bom saber que ambos ganharam o Oscar por sua performance. Além disso, a película também arrebatou os prêmios por Melhor Filme e Diretor (Jonathan Demme), além do de melhor Roteiro Adaptado (Ted Tally sobre romance de Thomas Harris).  Certamente, vi o filme outras vezes. Mas nunca havia lido o romance que lhe inspirou, até semana passada.

A tradução em brochura de Antonio Gonçalves Penna possui 322 páginas em papel tipo offset. O espaçamento entre as letras é curto e isso cansa a visão. Mas, ao menos, o papel não é muito fino, de maneira que as impressões dos dois lados de cada página não se misturam. Sou a favor de livro com bom espaçamento, letras grandes e margens generosas, além de papel espesso, de preferência amarelado, como o tipo pólen bold. Para capa, utilizaram o pôster do filme e, nas costas do livro, informações cinematográficas. Essa tendência não é de agora. Como podem ver nas imagens a baixo, é comum inserir nas capas informações da produção hollywoodiana. Acho de mau gosto. Mas fazer o quê? É comprar ou largar. Na melhor das hipóteses, isso demonstra falta de criatividade por parte das editoras. Pura preguiça. Os livros da imagem a seguir são todos da Record.

Nesta postagem, não pretendo bem resenhar a obra, mas apenas destacar alguns pontos que destoam do filme. Assim, acaba sendo uma matéria destinada a quem viu o livro, mas nunca leu o romance.

De início, gostaria de destacar uma curiosidade sobre o belíssimo pôster do filme, onde a mariposa silencia a personagem de Jodie Foster. Poucos sabem, mas a caveira que estampa o dorso na Mariposa [ou Traça] da Morte (também chamada de Feiticeira) utiliza uma famosa obra do surrealista Salvador Dalí em sua composição, onde mulheres nuas compõe o crânio (detalhes abaixo). A escolha de tal Mariposa pelo escritor Thomas Harris não foi á toa. Seu nome científico é Acherontia atropos; o primeiro termo refere-se a um dos rios que banham o inferno, na demonologia; já o segundo liga-se a uma das três Moiras, justamente a mais velha que corta o fio da vida (quem leu Sandman de Neil Gaiman, a reconhece bem). Mulheres nuas têm tudo a ver com a trama, já que esta gira em torno da cobiça por sua pele. Além disso, seus corpos são desovados em rios por Jame Gumb (Búfalo Bill); além de tudo, este "vilão" é a Moira que lhes corta o fio da vida. A seguir, também selecionei uma imagem real da mariposa.

Sobre o romance em si, destaco que parece ter sido escrito para o cinema. O próprio livro assemelha-se a um grande roteiro. Eu não imaginava que Thomas Harris era mais um desses romancistas cinematográficos, a exemplo de John Grisham. O livro conta com 61 capítulos (capítulos curtos facilitam a adaptação para outra forma de mídia). Não há muita introspecção por parte dos personagens, de maneira que, ao tolher isso na telona, não se prejudica a compreensão plena da obra. Diversas falas do roteiro seguem à risca o texto original. Entre as principais discrepâncias com o filme, cito as seguintes:
  1. a polidactilia do Dr. Hannibal Lecter (seis dedos na mão esquerda);
  2. o uso de uma máscara de hóquei no Dr. Lecter, ao invés daquela que conhecemos no cinema;
  3. a descoberta da origem da Acherontia atropos é bastante minuciosa no romance, e não aquela coisa vapt-vuptdo filme;
  4. Barney - enfermeiro no manicômio - é quem fornece a Clarice Starling os desenhos de Hannibal, o que ficou omisso no filme;
  5. a cabeça humana encontrada no veículo abandonado é, na verdade, de Klauss, um marinheiro amante de Raspail, e não deste;
  6. o agente Will Graham é constantemente mencionado no romance; mas não o pode ser no filme porque Dragão Vermelho ainda não havia sido filmado (exceto pela existência pouca sabida do filme Manhunter, baseado no livro);
  7. a obra original explica como surgiu o interesse de Jame Gumb por borboletas e como isso influenciou sua natureza;
  8. a vida privada de Jack Crawford é bastante explorada no romance, em especial quanto à doença de sua esposa Bella e como isso repercute em seu desempenho profissional; no filme, o personagem é quase um figurante;
  9. uma égua cega chamada Hannah é quem realmente faz Clarice fugir à noite, quando criança, após ouvir o balido dos carneiros; a égua seria carneada e Clarice almejava a salvá-la desse destino;
  10. no livro, temos mais detalhes de como o Dr. Lecter consegue manter-se a salvo das autoridades que o caçam, após sua fuga, bem como consegue dinheiro para manter-se e como se preparou há anos para fugir do País - mesmo antes de ser preso, vez que já acreditava que, algum dia, isso poderia ocorrer devido ao aumento de sua obsessão pelo canibalismo;
  11. o destino de Hannibal é o Rio de Janeiro... bacana, hein?
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2 comentários:

  1. Excelente resenha hem!!!!
    O livro não li, mas o filme já vi nem sei quantas vezes!!!

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