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quarta-feira, 15 de maio de 2013

A REVOLUÇÃO DAS MULHERES – Aristófanes




Eu adoro esse autor do séc. IV, que escreve com a alma.
Essa linda obra revela os dramas da sociedade machista ateniense do séc. V a.C, criticando bravamente o papel submisso, reclusa e inerte, a visão cuidadora doméstica  e inferior das mulheres nessa sociedade, que eram impossibilitadas de participação política ou qualquer direito.

O autor se utiliza para dar o seu recado, de um grupo de mulheres como protagonistas, que disfarçadas de homens conseguem aprovar na Assembléia, um projeto de lei onde as mulheres tomam o poder, lutando em prol de uma sociedade mais igualitária. Porém, acorrentadas ainda a um passado machista autoritário e desigual, acabam cometendo os mesmo erros de abuso de autoridade e poder, e com excessos de retórica sofista realizam uma revolução política, porém esquecem a tão buscada revolução humana.  Constata-se que apesar da vitória da guerra feminina, elas ainda continuam prisioneiras, e eternas escravas  enraizadas a um passado desigual e machista.

Bem... é explícita a crítica violenta social e política da comédia. O autor brinca com primor com as corrupções, descasos políticos em relação a população, leis por conveniência política, abusos de poder, desigualdade entre sexos no processo político, desigualdades sociais, e seu ódio pelos sofistas com suas retóricas de persuasão.

A obra traz frases incríveis como essa que eu adoreiiii :  “Todas as leis, quando bem examinadas, parecem ter sido feitas por bêbedos bem perto da demência!”.
Bem....eu na minha humilde opinião acredito que esse problema vai continuar milenarmente, dado que os avanços que contamos dão grandes retrocessos, pois há uma divergência enorme entre liberdade e libertinagem colocando barreiras para essa libertação de fato e de direito.
Amei a obra e acho que deveria ser lida por todos...pois quem sabe não conseguimos libertar algumas almas atormentadas  e prisioneiras. Ahahah
Eu recomendooooo!!


A PAZ – Aristófanes





Já ditei por aqui meu amor pelas obras gregas...esse ateniense nascido no séc. IV a.C que viveu em prol das minorias, da verdade, da ética e da solidariedade é um verdadeiro enigma bibliográfico. Não se sabe ao certo muito de sua vida, e o que contam é apenas suposições visionadas pelo viés de sua linguagem culta, inteligente e crítica. Escreveu 40 peças carregadas de longas e agressivas críticas sátiras, sociais e políticas. Eu já resenhei ‘A Nuvem’ e amei...

Essa obra foi apresentada pela primeira vez em 421 a.C em Atenas, e conta a história um lavrador de uvas, que resolve ir ao céu e questionar os deuses o por que do sofrimento do povo da Grécia com as guerras sem trégua. Encontra somente um deus resolvido a responder o questionamento, mostrando uma guerra vigorosa com a paz prisioneira em uma caverna. Disposto a libertar a prisioneira paz, o lavrador junta muitos trabalhadores rurais e os muitos que sofrem com a guerra, e depois de muita luta libertam a prisioneira, trazendo a alegria e abundância de volta. Apenas os que vendem armamentos de guerra  não se alegram, pois visionam com o fato a ruína.

É clara na obra a crítica social, política e religiosa do autor, ao abordar o tema guerra, sofrimento do povo, deuses cruéis, elite egoísta e capitalista. Adorei o anti-herói protagonista...homem simples combatendo deuses e aristocracia, o contra ponto crítico entre Guerra x Paz, a sua visão de que juntos até as minorias conseguem vencer grandes e intransponíveis obstáculos e a longa apologia a paz da natureza...
Eu acredito que Aristófanes era um adepto ao modelo políade, onde deveria existir um equilíbrio entre o pobre rural e o rico urbano, por seu viés solidário, defensor da paz e das minorias rurais, tendo muito cuidado em alertar o povo em relação as armadilhas urbanas, mas isso é contrariado em algumas bibliografias críticas.
Amei a obra e recomendo!



terça-feira, 14 de maio de 2013

AS NUVENS – Aristófanes






Bem...eu ando de volta a época grega. Acho que ando muito cansada do mundo moderno...ahahah
Adoro esse comediante crítico ateniense do séc. IV  a.C  que viveu em prol da tão sonhada solidariedade as minorias, da verdade e da ética que buscamos até os dias atuais.  É lendo esses autores muito antigos que entendemos que nadaaaaa mudou...os problemas continuam estáticos como no passado.  Aff...mundo moderno...BAN.

Essa obra foi escrita em 423 a.C e o autor faz um paradoxo divertido entre os sofistas e Sócrates de forma ímpar, acusando estes de serem  ervas daninhas sociais. O autor ridiculariza a pretensão de ‘donos da verdade absoluta’ dos deuses da retórica. Existe também uma acusação crítica muito divertida a filosofia ateísta, a ética e a pedagogia dos sofistas. Para ele a remuneração desses educadores da elite não passava de um estelionato, uma vez que os sofistas passaram a exercer na época o papel de mestres da sabedoria remunerados. Ahahah  Suas obras vão além de uma simples crítica, caindo nos braços de um alerta com um olhar bem aguçado e corajoso.  

Enfim....esse autor combatia muito ferrenhamente  e agressivamente os demagogos, a política, a sociedade aristocrática  egoísta e fútil, e até mesmo os deuses de uma forma engraçada,  e levemente poética. Para nós é claro, pois para sua época era uma tremenda afronta.

Entre críticas e risadas o enredo conta a história de um fazendeiro, que se endivida por causa das falcatruas de seu filho, e que por conta disso procura Sócrates na escola socrática, com fim de  ajudá-los a resolver essa enrascada através dos ensinamentos de sua  retórica, que abraçava a filosofia do justo e do injusto. Através dos ensinamentos de Sócrates ao rapaz, o fazendeiro e seu filho conseguem  se livrar dos credores, porém  o rapaz através também desses ensinamentos torna-se capaz de tornar justa as agressões físicas a seu próprio pai. Revoltado o fazendeiro resolve incendiar a escola sofista.




A titularidade é bem complicada de perceber...uma vez que simboliza a leveza x violência e principalmente a mutação do saber, bem dentro da reflexão filosófica sofistas do justo x injusto. Explicando melhor, as nuvens vêm a simbolizar a leveza e a sutileza de um saber, que pode  ocultar a arte de enganar, tornando as leves nuvens mascaradas em grandes tempestades. Lindaaaa  metáfora e eu ameiii! 
Quem leu o Banquete  conheceu esse autor  pelas mãos de Platão...linda obra e eu recomendoooo!!!
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