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terça-feira, 1 de maio de 2012

SOBRE MENINOS E LOBOS – Dennis Lehane



“Você já pensou em como a menor decisão que você toma pode mudar o rumo de sua vida?”

1975. Jimmy, Sean e Dave são amigos. Ou quase isso. Difícil dizer com meninos dessa idade. Certa vez estão brigando na rua quando um carro para e dois homens descem. Os homens dizem que são da polícia, e querem que os meninos entrem no carro. Jimmy e Sean se recusam. Somente Dave, o submisso e patético Dave, está aterrorizado demais para se rebelar. Ele embarca no carro com os estranhos, enquanto os outros dois meninos ficam olhando seu rosto sumir na distância. Dave só irá aparecer novamente quatro dias depois. Ele havia se transformado no Menino que fugiu dos Lobos.

2000. Os três meninos estão adultos. Jimmy é um ex-presidiário e gênio juvenil do crime, agora bem estabelecido com sua esposa e filhas. Sean tornou-se um policial, e agora está às voltas com um caso difícil: é a filha mais velha de Jimmy quem está desaparecida... Para tornar ainda mais árdua a investigação, lentamente as suspeitas parecem convergir para Dave, o desajustado e esquisito Dave...

Uma obra-prima! Só posso dizer isso a respeito desse livro. Um mestre da narrativa como poucos, Dennis Lehane alia um suspense de primeira e excelente policial a um olhar profundo e surpreendente sobre a vida. Um olhar que enxerga as infinitas conexões entre as ações e suas consequências, um olhar tão amplo que se aproxima mesmo do divino. Lehane cumpre muito bem a proeza maior do escritor: ele realmente criou um mundo e tanto em seu livro.

Já havia assistido por duas vezes à impressionante versão cinematográfica desse livro, dirigida por Clint Eastwood. A história me marcou tanto que quis ler o livro. A leitura só confirmou o que eu já sabia: Dennis Lehane é um escritor incrível!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Paciente 67 - Dennis Lehane


Como começar sobre este livro? Bem, após ler o Prólogo imaginei - já sei tudo sobre este livro. Que inocência a minha. Conheço bem o trabalho de Lehane e mesmo assim pensei, em minha ignorância: "Dessa vez ele extrapolou, contou tudo". Engano. O cara continua o mesmo ou até melhor. Ele é o grande escritor de romance policial do momento. Podem acreditar.

O livro me surpreendeu positivamente, e tem um final tão angustiante que me deu vontade de voltar ao livro "Canto dos malditos" de Austregésilo Carrano Bueno (aquele do filme Bicho de 7 cabeças). Da pra perceber os meandros da psiquiatria, mas o cerne da questão é o tratamento. Dois xerifes, Daniels e Chuck, são designados para encontrar em uma ilha (que na verdade é uma instituição psiquiátrica para onde são levados assassinos aquém da recuperação) a assassina Rochel Solando q sumiu sem deixar vestígios. Todos dentro da ilha, de médicos e empregados a pacientes parecem conspirar contra eles. Camuflam informações ou simplesmente evitam dá-las. Os detetives vivem de boatos dentro da ilha que incluem experiências com drogas e cirurgias experimentais.

Em determinado momento do livro já não sabemos o q é ser/estar louco, afinal de contas, todo louco afirma não estar. E aparece um silogismo que me deixou absolutamente pasmo. "Premissa: os loucos negam estar loucos. Bob nega ser louco. Logo Bob é louco".

Lehane foge aos clichês de um escritor de romance policial, ele reflete sempre o lado sombrio do ser humano, aquele criado a partir da violência sofrida quando criança. Sempre muito irônico, Lehane conhece esse mundo como ninguém, pois já trabalhou como Conselheiro Legal de Crianças Maltratadas. Com pitadas de noir dos anos 40/50, ele nos carrega pelas mãos em um mundo plausível, mas marginalizado, que costumamos varrer para debaixo do tapete.

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