SHIBUMI
– Trevanian
Me
interessei por essa obra editada em 1979, primeiro pela titularidade oriental
que adoro, depois pela curiosidade que senti pelo enigmático autor. Fui para
essa leitura impregnada de Drummond, com sua visão linda do ’simples’... o
nascer do sol, um sorriso, uma roupa limpa balançando no varal pelo frescor da
brisa da tarde, a chuva caindo no telhado, o gostoso barulho do silêncio
natural, e com o esquecimento do mundo a esse olhar. O shibumi é exatamente
isso, um olhar para pequenas coisas, um conceito do belo no simples, um
valorizar o natural. Os orientais têm essa qualidade... um apreciar coisas
naturais, um olhar diferenciado e valorizado do simples. Bem...até os orientais
têm dificuldades de explicar a verdadeira essência do Shibumi, que dirá euuuuuu!!!
Ahaha
Esse autor inglês
de nome Rodney William Whitaker usando um dos seus misteriosos
heterônimo Trevanian, tenta em sua obra fazer críticas, chegando às raias da
ridicularização, às obras policiais e as sociedades. Dizem as bibliografias de
fofocas...ahaha que Trevanian nunca apareceu em público e nem tão pouco se
deixava fotografar ou entrevistar, e quando o fazia era apenas por telefone...misterioso
né?
O enredo
conta a história de um jovem com descendência russa e alemã, nascido em Xangai em plena
1ª Guerra. E é essa diferença racial que lhe traz os sofrimentos da discriminação, torturas e a solidão do isolamento, e
que lhe promovem uma inteligência impar, uma cultura fenomenal com as línguas, com
o jogo do Go (antigo jogo complicadíssimo de tabuleiro japonês), e artes
marciais assassinas). Fascinado pela
essência do Shibumi, o protagonista dedica sua vida a buscá-lo, obstinado em
atingir a perfeição pessoal.
Esse
anti-herói criado pelo autor, vive os horrores da guerra, do amor, da prisão e
da tortura, e em
sua busca pela vingança tona-se um mercenário. A obra é
cheia de intrigas, escolhas com pontas de ódio, que na voz da eloquência e paz
da cultura oriental, consegue transpassar para o leitor um mundo de críticas
ferozes a mentalidade humana. Nenhum povo fica isento das críticas do autor. Interessante e sensacional a forma como o autor começa cada capítulo...usando metáforas da situação do
jogo do Go, para nos situar na situação do protagonista. Meu filho, também
fascinado pela alma oriental como eu, tem em sua porta uma frase, que achei bem
pertinente para a obra....”Para sermos grandes, temos que ser pequenos”.
Para mim
o autor fez uma junção bacana na obra, algumas partes eu achei meio pesadas,
com críticas generalizantes que eu não gosto, e demonstrando uma discriminação
e um preconceito irreal do povo oriental, mas num’ compto’ geral, a obra é
fascinante. Bem...eu adorei e recomendo!



