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sábado, 3 de março de 2018

A TIGELA E O BASTÃO – Taisen Deshimaru



“- Mestre, por favor, ensinai-me a verdadeira história do budismo.
Joshu respondeu-lhe:
- Terminaste a refeição?
- É claro, mestre, terminei.
- Então, vai lavar tuas tigelas!”

Bela coletânea de 120 contos Zen narrados pelo mestre Taisen Deshimaru. Zen é uma forma de perceber a Verdade que não pode ser transmitida por meios racionais ortodoxos. Daí o uso dos chamados “koans”, que visam gerar um despertar por meio de enigmas de base não-racional, como no exemplo mais famoso:

“Qual é o som de uma palma só batendo?”

Tive a grata oportunidade de fazer uma palestra no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, onde falei bastante sobre koans (https://www.facebook.com/BahiaCantaPaz/videos/1358950044223197/).

A leitura desses 120 contos Zen flui levemente, pontuada por gargalhadas aqui, reflexões profundas ali e absoluta incompreensão acolá. É um modo de pensar e ver o mundo que muito me atrai, e que espero assimilar mais e mais. Nessa leitura em especial aprendi um pouco mais sobre os conceitos de “zazen” (http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/131-zazen) e “mondo” (http://www.rebellesociety.com/2014/03/05/mondo-zen-what-is-it-and-why-is-it-unique/).

Gratidão!


\\\***///


MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

sexta-feira, 23 de março de 2012

O LIVRO DA GRANDE EXTINÇÃO DE GOTAMA, O BUDA


Esse texto foi originalmente um relato verbal, uma fala para ser recitada e decorada pelos primeiros discípulos de Buda, de forma a que pudessem transmitir os ensinamentos para os que vieram depois. A data em que a narrativa oral finalmente foi passada para o papel é incerta. Sabe-se apenas que o primeiro texto escrito sobre o budismo surgiu somente após duzentos anos da “grande extinção” do Buda, ocorrida no ano de 483 antes de Cristo.

O mérito dessa obra ter chegado ao ocidente cabe a Thomas William Rhys Davids (1843-1922), fundador da Pali Text Society em Londres, 1881. O texto, originalmente escrito em pali (uma variante do sânscrito), narra os últimos dias e ensinamentos do Buda. A narrativa é complementada por extensas notas acadêmicas que fazem o contexto histórico das personalidades e locais citados e também discutem pontos polêmicos na tradução do original.

O livro é fascinante sob vários aspectos. Para o aprendiz do budismo, constitui um tesouro sem igual. Para o buscador espiritual, um nutritivo alimento. Para o estudioso da cultura e das línguas orientais, uma rica fonte de conhecimento. O fascínio maior, certamente, é o vívido relato dos momentos finais do Buda na terra. Durante a leitura, me senti parte do cortejo que acompanhou o Sublime em sua última peregrinação e pôde ouvir as suas derradeiras palavras:

“Retende bem estas palavras, ó monges: A decadência é inerente a todas as coisas compostas! Trabalhai com empenho por vossa salvação!”

domingo, 18 de março de 2012

O SENTIDO DA VIDA – Sua Santidade, o Dalai-Lama

Este magnífico livro consiste na transcrição de uma série de palestras proferidas nos Estados Unidos por Tenzin Gyatso, o XIV Dalai-Lama, durante a primavera de 1984, cinco anos antes que ele fosse laureado com o Prêmio Nobel da Paz. O Dalai-Lama ainda não era a figura mundialmente conhecida que é hoje.

Por esse motivo as palestras foram voltadas para o público mais restrito dos budistas praticantes, o que torna a leitura às vezes um pouco árdua pelas referências a detalhes da complexa filosofia budista. Muito ajuda na compreensão geral do texto a introdução escrita por Jeffrey Hopkins, que foi o intérprete do Dalai-Lama durante as palestras e também o responsável pela transcrição.

A introdução é basicamente uma descrição da “roda da existência cíclica”, a impressionante imagem que sintetiza os ensinamentos budistas. Essa imagem pode ser visualizada abaixo:


Boa parte das palestras consiste na elucidação dos simbolismos contidos na “roda da existência cíclica”. Se essa parte já contém sublimes e inesquecíveis ensinamentos, que dizer do trecho final, onde o Dalai-Lama sinaliza para os caminhos da prática, onde sabedoria confunde-se com altruísmo? Um alimento precioso para as almas sedentas por conhecimento.

O budismo é um sistema de pensamento que se situa entre a religião e a ciência, dividido em várias vertentes, correntes e interpretações cujas diferenciações são às vezes tão sutis que escapam completamente aos menos familiarizados. Confesso que fiquei completamente perdido em algumas passagens.

Por sorte, a compaixão do Dalai-Lama se estende aos menos esclarecidos! Acho que a essência da teoria e da prática propostas no livro pode ser resumida em duas respostas do Dalai-Lama a perguntas formuladas ao fim das palestras:

PERGUNTA: “Como podemos entender a vacuidade de modo bem simples, sem entrar em uma filosofia excessivamente intelectualizada?”
RESPOSTA: “O que eu estive falando nos últimos três dias não é simples o bastante? A idéia principal é que, quando os objetos são procurados sob análise, não são encontrados, mas isto não significa que eles não existam – significa simplesmente que falta a eles existência inerente. Se você contemplar isto repetidamente, em dado momento a realização emergirá.”


PERGUNTA: “Qual seria uma prática básica e simples que eu poderia ter em mente?”
RESPOSTA: “Ajude os outros, se você é capaz de fazê-lo; senão, pelo menos não cause mal aos outros.”

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