terça-feira, 26 de março de 2013


BOCA DO INFERNO -  Ana N. Miranda


Andei lendo muitas obras que estavam empoeiradas na estante....e esse é um deles. Essa cearense com alma carioca dos anos 50, atriz, poetiza e romancista me encantou.
Essa obra foi seu primeiro romance editado em 1989, classificada com um dos 100 maiores romances brasileiros do séc. XX e traduzida em muitos idiomas,  que tem como protagonista o bárbaro, crítico, extravagante, desbocado e satírico poeta baiano barroco Gregório de Matos, apelidado de Boca do Inferno por sua extrema coragem em criticar e ofender a Igreja.

Existem particularidades bibliográficas incríveis sobre a vida desse crítico baiano.... além de advogado, poeta crítico e mordaz  da sociedade baiana, do governo e da Igreja, perseguido por seus poemas críticos com um linguajar um tanto quanto chulo, por combater conspiração militar e por ser considerado um inimigo político, Gregório foi denunciado pela Inquisição,  por não reverenciar e difamar Jesus Cristo.  Dizem as fofocas bibliográficas ainda que minutos antes de sua morte, como sua última sátira chama em seu leito de morte dois padres e pede como último desejo, que fiquem cada um de um lado de sua cama, e abrindo os braços como se assumisse a personalidade de Jesus Cristo...alega estar morrendo entre dois ladrões, tal como ao ser crucificado.



Essa maravilhosa obra é uma espécie de policial, onde a realidade e a ficção se alternam numa deliciosa aventura, com direito a crimes, perseguições e traições, vivido na Bahia do séc. XVII, onde o assassinato violento e político do secretário do governador,  tem como culpados e perseguidos o padre Antônio Vieira e seu irmão,  Gregório de Matos e seu primo. A trama é muito bem amarrada e os personagens fluem pelas páginas como se dançassem todos, a mesma melodia. 

A obra faz um passeio maravilhoso pela virgem Bahia do sec. XVII, governada por um tirano militar apelidado de Braço de Prata, que persegue seu crítico e inimigo político Gregório de Matos e seus companheiros, que lutavam por um governo mais justo, pela justiça social e uma Bahia menos sofrida.
A obra é maravilhosaaaaa ...eu adorei e recomendo muitoooo!!!

Recomendo também a obra poética de Gregório...é uma obra sensacional com seu original editada em 1775. Olhem que linda a capa da primeira edição...



O honesto é pobre, o ocioso triunfa, o incompetente manda. (Gregório de Matos)  
Será que ele estava tão errado assim? ahahah

2 comentários:

  1. Não sei se esse é um livro que eu gostaria de ler, mas, confesso que fiquei tentada.

    Mandou bem, Madame X,gostei de ver...

    bj da angel ;)

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  2. Viva viva viva esse baiano porreta!!!

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