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sexta-feira, 24 de junho de 2011

A estrada - Cormac McCarthy

“A estrada” é um desses livros: ame-o ou deixe-o! Encontro-me no primeiro grupo. A aridez das palavras sempre me chama a atenção. O contato cru entre pai e filho reflete tudo o que há de bom e ruim no ser humano, um Jung moderno, econômico, metalingüístico, rude.

A perda da humanidade já se reflete na maneira de se dar nome aos personagens: “homem e menino”, “pai e filho” e nada mais. Sem identificação, sem identidade, mas não sem personalidade. Tudo isso é proposital, causa estranheza em meio ao cenário apocalíptico.

O menino mais parece o “grilo falante” de seu pai, sua consciência, é a lembrança da pureza. Não há passado e não há futuro, existe apenas a estrada. Isso me remete à Guimarães Rosa com seu “A outra margem do rio” – não é o caminho que importa, o que importa é o caminhar.

A tristeza traduz todo livro. A pouca felicidade é contida, o medo de ela acabar faz com que ela inexista em sua plenitude. Não existe o bem e o mal, isto é passado e as regras são todas feitas no momento em que ação se dá. É uma grande sacada e assim o ritmo, que é arrastado, ganha um pouco de dinamismo.

Tenho dificuldades com o estilo de Cormac, com seus excessos de conectivos ligando frases e mais frases, mas seu talento é inegável e a audácia de se tratar da solidão através do final dos tempos já mereceria menção honrosa. É um livro pesado, pra quem aprecia um diálogo consigo mesmo e gosta de tocar em feridas e tabus impostos por uma criação onde o certo e o errado são bem definidos, sem meio termo.

Observação: o filme também é belíssimo.


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