Mostrando postagens com marcador Mahabharata. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mahabharata. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de junho de 2017

DUBLÊ DE CORPO – Tess Gerritsen


Tess Gerritsen é uma habilidosa construtora de thrillers policiais que são marcados por uma inusitada combinação (ao menos nos dois livros dela que eu li): uma história totalmente focada no ponto de vista feminino e recheada com cenas escatológicas, com muito sangue e vísceras expostas, e descritas com minúcia cirúrgica. O resultado é uma trama que captura a atenção do leitor (eu mesmo larguei os outros livros que estava lendo até chegar ao final desse Dublê de Corpo), oscilando entre o horror e o fascínio, atraindo e ao mesmo tempo repelindo, como a visão de um acidente grave na rua: você não quer olhar, mas ao mesmo tempo sente uma curiosidade quase irresistível de ver o que aconteceu.

Sobre a história em si, acho muito difícil contar algo que não seja spoiler. Inclusive li agora o resumo do livro no Skoob, que considerei um spoiler dos brabos! Por essas e outras é que só leio o texto da contracapa ou das orelhas depois de ter lido o livro primeiro.

Dentre as personagens femininas que marcam a história (os homens são praticamente coadjuvantes, contrapontos dramáticos das mulheres), a que mais me chamou a atenção foi a Dra. Joyce O’Donnell, psiquiatra especializada em serial killers e morbidamente obcecada em conhecer a intimidade dos monstros. A autora carrega nas tintas ao descrever a personalidade desprezível da Dra. O’Donnell, a ponto de me fazer desconfiar que ela está na verdade fazendo uma crítica sarcástica à sua legião de leitoras e leitores viciados em sangue e cenas macabras. Ou talvez o desprezo seja voltado para a própria autora: imagino que dever ser cansativo escrever sempre e sempre o mesmo tipo de história.

Eu, pessoalmente, notei algumas perturbações na frequência de meus pensamentos durante a leitura deste livro, como já tenho notado na leitura de livros semelhantes. Certamente não é benéfica para a paz mental a exposição a cenas de violência e maldade humana, mesmo fictícias. Comparo esse tipo de leitura a um Lanche Feliz do McDonald’s: hambúrguer e batata-fritas processados com uma infinidade de produtos químicos, acompanhados por um balde de Coca-Cola. Ler um livro desses é como consumir um fast-food mental: você pode achar delicioso, mas sabe que não é bom para a sua saúde!


(Antes que alguém aponte um dedo acusatório em minha direção, como autor de histórias cheias de sangue e violência, devo dizer que o problema não é a violência em si, mas o uso que se faz dela na literatura em particular e na arte em geral. Psicose, filme de Alfred Hitchcock, é extremamente sinistro, mas ao mesmo tempo uma obra de arte. E do mesmo modo o Mahabharata, grande épico indiano, é espiritualmente inspirador e certamente a maior obra literária do mundo, mesmo se tratando da narrativa de uma sangrenta batalha. Nos dois casos, não se trata da violência pela violência, mas de algo além que se objetiva alcançar. É basicamente uma questão de motivação.)



\\\***///


A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
  

sábado, 28 de fevereiro de 2015

DEUSES E HERÓIS – Zelita Seabra


Bela compilação, que apresenta de forma sintética e bem didática as principais histórias da mitologia grega, além do resumo esquemático da Ilíada e da Odisseia, apresentadas canto a canto. O livro encerra com um extenso glossário, que torna a obra útil e relevante para estudantes e demais interessados na Grécia antiga.

Para mim o deleite maior foi retornar ao maravilhamento que experimentei durante a leitura da Ilíada e da Odisseia. Como no momento estou assistindo pela segunda vez a uma versão televisiva do Mahabharata, o colossal épico indiano, fiquei pensando muito no encanto e na riqueza imorredoura dos grandes clássicos.

O que, por extensão, me levou a pensar sobre essa curiosa enfermidade mental dos tempos modernos, que é considerar o novo como sempre melhor que o antigo. Creio que essa doença que afeta a percepção e o julgamento tem sua origem em dois grandes movimentos coletivos, que são o Evolucionismo Cultural e a Indústria do Consumo. Por um lado, o Evolucionismo Cultural (uma adaptação meio “Mandrake” da Teoria da Evolução à sociedade humana, que foi concebida para justificar o Imperialismo Europeu) nos induz a considerar como ápice de realização e sabedoria humanas o cidadão europeu (e, mais recentemente, norte-americano) médio. Por outro lado, a Indústria do Consumo hipnotiza corações e mentes para comprar a última novidade, que sempre será melhor e mais interessante que a novidade de ontem, que deve ser descartada como lixo inútil, pois só assim se mantém a grande roda dourada do consumo funcionando...

E daí resulta esse curioso fenômeno, que é haver tantas pessoas achando imprescindível ler e ver os Cinquenta Tons de Cinza, e que talvez nem saibam se a Odisseia, a Ilíada e o Mahabharata são de comer ou de passar no cabelo...

Acho triste, isso.

***
ANUNNAKI – Mensageiros do Vento



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...