Bela
compilação, que apresenta de forma sintética e bem didática as principais
histórias da mitologia grega, além do resumo esquemático da Ilíada e da
Odisseia, apresentadas canto a canto. O livro encerra com um extenso glossário,
que torna a obra útil e relevante para estudantes e demais interessados na
Grécia antiga.
Para
mim o deleite maior foi retornar ao maravilhamento que experimentei durante a
leitura da Ilíada e da Odisseia. Como no momento estou assistindo pela segunda
vez a uma versão televisiva do Mahabharata, o colossal épico indiano,
fiquei pensando muito no encanto e na riqueza imorredoura dos grandes
clássicos.
O
que, por extensão, me levou a pensar sobre essa curiosa enfermidade mental dos
tempos modernos, que é considerar o novo como sempre melhor que o antigo. Creio
que essa doença que afeta a percepção e o julgamento tem sua origem em dois
grandes movimentos coletivos, que são o Evolucionismo Cultural e a Indústria do
Consumo. Por um lado, o Evolucionismo Cultural (uma adaptação meio “Mandrake” da
Teoria da Evolução à sociedade humana, que foi concebida para justificar o
Imperialismo Europeu) nos induz a considerar como ápice de realização e
sabedoria humanas o cidadão europeu (e, mais recentemente, norte-americano)
médio. Por outro lado, a Indústria do Consumo hipnotiza corações e mentes para
comprar a última novidade, que sempre será melhor e mais interessante que a
novidade de ontem, que deve ser descartada como lixo inútil, pois só assim se
mantém a grande roda dourada do consumo funcionando...
E
daí resulta esse curioso fenômeno, que é haver tantas pessoas achando
imprescindível ler e ver os Cinquenta Tons de Cinza, e que talvez nem saibam se
a Odisseia, a Ilíada e o Mahabharata são de comer ou de passar no cabelo...
Paul Sheldon é um famoso escritor que ao sofrer um acidente de carro é socorrido por Annie Wilkes.
Depois de vários dias desacordado,Paul enfim desperta para encarar sua salvadora.Annie, além de uma ótima enfermeira é também a fã número um dos livros de Paul Sheldon.
Quando Annie descobre que "Misery",a moça da famosa série de livros escritos por Paul morre no último livro as coisas se complicam.Paul começa a notar que sua fã número um tem sérios distúrbios psicóticos e está disposta a tudo para que ele "ressuscite " Misery.As limitações de Paul são muitas pois está com as pernas quebradas e isolado na casa de Annie no Colorado.Chuva e neve tornam tudo ainda pior,e fugir é impossível.Em pouco tempo,Paul Sheldon vai descobrir que Annie é perigosamente louca.
Falar de livros do Stephen King pra mim é sempre um prazer imenso,pois é o meu escritor favorito.
É incrível a capacidade que o King tem de nos prender à uma leitura.Em Misery já iniciamos o livro com Paul acordando no quarto de hóspedes de Annie.Diferente de outros livros do autor em que as coisas demoram a acontecer,aqui de imediato já nos vemos de frente com o "depois" do acidente de Paul onde as coisas já começam a ficar pretas.O livro se passa praticamente na casa de Annie,mais precisamente no quarto de hóspedes.E isso por si só já é algo complicado pois como manter o interesse de um leitor sem uma mudança de cenário,em grande partes só com os pensamentos do protagonista?É ai que entra a magia do grande mestre.Ele consegue nos levar à uma angústia e um desespero tão grande sem que em nenhuma parte do livro o leitor perca o interesse.E tudo isso só com dois personagens interagindo.
Misery é diferente da maioria dos livros do King pois aqui nada de sobrenatural.Tudo é de uma realidade tão crua que chega a assustar..É um suspense psicológico onde o autor nos choca com as coisas que Annie faz com Paul.Em certo ponto do livro eu me perguntava será que vale a pena Paul sobreviver depois disso?Houve partes em que Paul e eu só queríamos que a morte viesse e desse um fim aquele suplício.
Uma leitura excelente, não dá pra parar de ler.Por muitas vezes eu passava do desespero ao alívio sem nem perceber que eu era apenas o leitor do livro e não Paul Sheldon ,tanto que atmosfera do livro ficou impregnada em mim.Misery é um livro que há muito eu desejava ler mas infelizmente havia deixado de ser publicado no Brasil há anos.Era um livro raro de se encontrar até que a Suma de Letras resolveu republica-lo para a minha grande alegria e de outros fãs do Stephen King.Leitura de primeira!!!
Essa é a capa da edição de 1991 da Editora Francisco Alves.Uma raridade não encontrada nem em sebos.
Cena do filme "Louca Obsessão" de 1990 com Kathy Bates e James Caan,baseado no livro Misery.
Não há como falar desse grande clássico
da literatura mundial sem mencionar a “Ilíada” e a “Odisseia” de Homero, que
foram sua grande inspiração. Tanto que dos doze capítulos da “Eneida”, os seis
primeiros são uma imitação da “Odisseia” e os seis seguintes bebem diretamente
da “Ilíada”.
Vamos usar uma analogia cinematográfica:
imagine que você assiste um filme maravilhoso (“Ilíada”), e depois vem a
continuação, que consegue a proeza de ser ainda melhor que o primeiro filme
(“Odisseia”). Tempos depois, surge uma terceira parte da saga, com outro
diretor, só uma pequena parte do elenco original... mas mesmo sabendo que não
será tão bom quanto os dois primeiros, você está lá na primeira fila, pois quer
viver novamente aquelas emoções, mesmo que com menos intensidade...
Esse era o meu desejo ao ler a “Eneida”,
o de reviver ao menos um pouco o maravilhamento que experimentei lendo a
“Odisseia” principalmente, e em segundo lugar a “Ilíada”. Ninguém discute que o
épico de Virgílio é bem inferior aos de Homero. Ainda assim, a “Eneida” é um
grande clássico, uma das principais obras literárias da humanidade, que
inspirou entre tantas outras “A Divina Comédia” e “Os Lusíadas”!
Ou seja, não há demérito algum para a
“Eneida”, e sim um mérito estupendo para as obras de Homero. Mas o que é que
torna Virgílio menor? O que há de tão especial na “Odisseia” e na “Ilíada” para
que tenham alcançado essa grandeza assim tão alta?
Desde que me tornei consciente dessa
questão, ela tornou-se o foco principal de minha leitura.
Uns dizem que Virgílio não possuía
vocação épica, tendo escrito a “Eneida” sob encomenda, com o propósito
explícito de cantar a glória do Império Romano. E que tinha que se bater contra
a dureza do latim, menos apropriado para feitos heróicos que o flexível grego
de Homero.
Pode ser, pode até bem ser.
Mas em minha opinião, a “Eneida” é menor
principalmente por ser uma história inventada!
Ao passo que (em minha opinião) a
“Ilíada” e a “Odisseia” são relatos poéticos de eventos que de fato
aconteceram!
Acho assombroso as pessoas travarem
contato com a cultura da Grécia antiga, essa que foi a matriz da própria
Civilização Ocidental, e descartem como pura mitologia o que está escrito nos
livros de Homero. Pouco adiantou a Troia histórica ser descoberta e
redescoberta: deuses interagindo com os humanos, só pode ser invencionice!
(aliás é muito significativo que na obra
de Virgílio as interações entre os deuses e os homens sejam bem mais discretas
que nos textos de Homero... pois mais de mil anos separam as duas narrativas)
Da mesma forma tratamos a antiga cultura
do Egito. A era dos faraós é dividida em duas partes, o reinado dos deuses
faraós e o reinado dos faraós humanos. Pois então, o que fazemos? Tratamos a
segunda parte como história e a primeira como pura mitologia! Que outra atitude
esperar de nossa “civilização”, que após o primeiro contato com as relíquias do
Egito antigo, na falta de outra ideia para ganhar dinheiro com as múmias,
resolveram triturá-las e vendê-las como tinta!!!!! É por isso que até hoje
existe a cor “marrom múmia”!
Quanto ao “Mahabharata”, colossal épico
da Índia (com mais de 15.000 páginas de sabedoria e beleza inestimáveis),
também não passa de mitologia!
As tabuletas da Suméria, as mais antigas
de que se tem notícia, também contam a história de uma batalha, assim como o
“Mahabharata” e a “Ilíada”. Trata-se de uma guerra nuclear entre os “deuses”
que criaram a humanidade, da qual evidências físicas foram encontradas (uma
camada de vidro a centenas de metros de profundidade no deserto de Gobi,
indicando que há milhares de anos ali ocorreu uma detonação nuclear). Essas
tabuletas também trazem uma descrição detalhada de nosso sistema solar, com até
a composição e coloração de planetas como Urano, Netuno e Plutão, que só foram
“descobertos” por nossa civilização a partir do século XIX! É claro que
tratamos isso também como pura mitologia, né?
Fala sério!
Quem diria que eu iria encontrar
vestígios dos Anunnaki na “Eneida”!
Essa obra
humanista do séc. XVI (séc. que adorooooo!) escrita em 7 dias, quando visitava
um amigo na Inglaterra Thomas More, é uma
obra carregada de provocações, e com tema pouco comum, a loucura. Foi
considerada um dos fios da Reforma Protestante, um inteligente sermão, uma sátira
honesta, e no meu entender, uma tremenda brincadeira sem objetivo forjado, mas
que tornou-se um discurso a ética.
O próprio
autor declara que não querendo perder
tempo com ‘insípidas fábulas’ em sua viagem, resolveu se recrear e se divertir
escrevendo sobre algo que não envolvesse
nada sério...., uma pilhéria, uma fantasia como a loucura. Usou como inspiração
a lembrança de estudos antigos, e de amigos principalmente a de Thomas More...ao qual
dedicou a titularidade, por Mória (loucura em grego) ser tão parecido com o
sobrenome do amigo. ahaha
O
autor cria o personagem, “ a loucura”, que com vida própria se defende e dita sua defesa, baseada sempre
na razão. Irritada e indignada por nunca ser elogiada, essa revoltada dama,
resolve fazer sua própria defesa, se elogiando e mostrando o quanto está sempre
presente na vida da sociedade. Para isso ela envolve-se nos menores detalhes de todas as
ações humanas. Suas falas são tão cheias de emoções e sedução, que leva o
leitor a criar simpatia por essa tão sagaz protagonista.
Ela
se declara presente nos casamentos, na filosofia, nos jovens com suas buscas
incessantes pela verdade, nas seduções femininas, na ignorância, na esperança,
na ciência, nas artes, na religião, na política, na formação nas sociedades,
nas relações humanas e também no senso comum...
Alguns
dos ataques mais contundentes de Erasmo, além dos ao clero claro, é aos
acadêmicos e gramáticos e às suas loucuras, e argumenta que são os desejos
tolos e irracionais que fazem girar o mundo.O
livro se refere à loucura como sinônimo da ignorância humana, da ignorância do
monoteísmo, da crença em mitos utópicos, como bondade e a felicidade,
considerando também ridículas e absurdas as loucuras das superstições e da
adoração dos santos.
Mesmo
sendo teólogo e cristão, Erasmo crítica a religião, principalmente a católica,
e coloca a loucura presente mais do que
nunca nessa filosofia. Exemplificando para isso as guerras católicas, os
impostos cobrados aos fiéis, ao apego material dos bispos, satirizando seu
esplendor e o seu mundanismo. Sempre se respaldando, em frases famosas dos
próprios personagens religiosos, para amenizar a negra ironia. Foi muito
corajoso em expor a corrupção da Igreja, a mais forte e poderosa organização da
época.
Como
grande parte do livro, é dedicada ao discurso da loucura sobre a igreja e a
doutrina cristã, a falta de respeito com os textos sagrados fizeram, com que Erasmo fosse acusado de herege e ateu.
Nenhum membro do clero escapa a sátira
do autor, embora seu alvo especial fossem os monges.
"Os
monges consideram não saber ler um sinal de santidade. Zurram os salmos nas
igrejas como asnos. Não entendem uma só palavra do que dizem, mas imaginam ser
o som agradável aos ouvidos do santos. Os frades mendicantes fingem
assemelhar-se aos Apóstolos, mas não passam de vagabundos imundos, ignorantes e
ousados." ahahahahaha
Erasmo também ridiculariza de forma divertida, as tentativas cientificas de
desvendar os segredos da natureza e do desconhecido.
"Como
deliram deslumbrados quando inventam palavras para seu próprio uso, quando
medem o sol, a lua, as estrelas e as esferas com fitas métricas, quando
explicam a causa dos trovões, dos ventos, dos eclipses e de outros fenômenos
inexplicáveis, sem exatidão alguma, como se fossem os sectários particulares da
natureza criadora ou tivessem descido até nós do Conselho dos Deuses! Enquanto isso
a Natureza, magnificamente, ri-se deles e de suas conjecturas!"
Por
ser um viajante inveterado e um tremendo observador crítico das sociedades, ele
procura enumerar seus defeitos e sua estupidez para o leitor. Mesmo quando
relata a hipocrisia dos governantes e do clero, o faz de forma ousada, cercado
de um humor bem negro e com conhecimento de causa por seu convívio com
intelectuais, dirigentes, clero (viveu num convento e foi ordenado padre) e
aristocratas.
O
autor nos leva ao riso, quando relata que a alegria de vida, a felicidade, e os
melhores delírios e emoções são sinônimos de loucura. Como também quando
declara ser ela, a personificação da sinceridade e da verdade... e que a
bondade necessita dela para seguir a diante. Em
certo momento, a própria loucura faz uma autoanálise, e ataca os que se
envergonham de sua condição de super loucos, e não se reconhecem como
necessários.
A
Loucura afirma que, sem sua ajuda, a sociedade sucumbiria. E não é a pura
verdade? ahahahahaha
É
uma leitura deliciosa, mas muito complexa em detalhes, com linguagem de difícil
compreensão e muito rebuscada. Faltou
dizer muitaaaa coisa...e eu ameiiii!!!
O ponto principal desse, que é um dos clássicos incontestáveis da literatura mundial, é a composição dos personagens. Longe de serem aqueles cavalheiros venturosos de todas as fábulas e desenhos animados baseados nessa obra, os quatro personagens principais(Athos, Portos, Aramis e D´artagnan) são muito mais do que isso, sua composição é tal que a personalidade de cada um vêm se moldando do princípio ao final do livro, expondo suas vontades, seus métodos, suas regras de cáracter, costumes e o principal, suas feridas. E é uma grata surpresa saber que não pára por aí, pois os quatro são muito bem acompanhados cada qual com o seu lacaio, que muito além de meros coadjuvantes, prestam papel fundamental em diversas passagens da história. Além de um enredo fantástico e diversas outras personagens que entram e saem da estória cada qual deixando sua marca, ora roubando demasiado a cena, mas somente para abrilhantar cada vez mais a aura de nossos quatro(quem sabe oito) heróis. Tudo começa entre uma ferrenha disputa entre os poderes de duas guardas principais, a saber, os mosqueteiros de Sr. de Tréville e a guarda do cardeal Richelieu, que nada mais é que um reflexo da disputa política travada em meio à corte por esses dois senhores, e quando tudo parece óbvio, a estória vai se desenvolvendo de forma fantástica, ganhando cada vez mais camadas tornando a leitura imprevisível.Certo, nem tudo são flores, e devo dizer que o autor peca pelo excesso de pequenas aventuras paralelas(excelentes pequenas aventuras paralelas diga-se de passagem) deixando por vezes a saga principal em segundo plano, tornando tudo pouco linear, apesar de a maioria delas se conectar à estória principal de forma bastante enriquecedora. Ao mesmo que o livro pode ser facilmente dividido em duas partes, pois em determinado momento a narrativa ganha uma guinada sem precedentes(onde o autor opta por uma narrativa bem mais sombria) e finalmente e estória passa a ganhar uma forma bastante definida. É válido mencionar que praticamente todos os personagens e intrigas são baseadas em histórias e personagens reais(e que vida agitada essas pessoas tiveram), facilmente identificadas pelas notas de Octávio Mendes Cajado, tradutor da versão nacional. Sem mais delongas, eu recomendo!
Muito além de uma narrativa sobre monstros sombrios, nessa obra magnífica, a senhorita Anne Rice penetra fundo na alma dos amaldiçoados. Pintando-os em cores muito mais vívidas que os clichês “Castelo/Escuridão/Chupar sangue de todo mundo”. O que temos aqui é uma estória muito bem construída, que hora a hora justifica a página seguinte, pois cada detalhe de cada capítulo vem para somar com o montante de informações que se demonstra imprescindível para entender o coração de cada um dos personagens, sobretudo de Louis, o personagem principal que concede a tão emocionante entrevista. Sendo assim, a estória é contada em primeira pessoa, numa perspectiva que seria apaixonante se não fosse tão perturbadora. Isso se dá pois Louis é um vampiro com alma humana, que severamente ligado a Lestat, seu criador, e a Cláudia, sua companheira, o grande amor de sua vida(ou morte, o que você preferir), não é capaz de eliminar a porção humana que traz em seus sentimentos e atitudes. Ambientada no charmoso século XIX, as sombras, a ignorância do povo e a paixão dos artistas, leva a um clima perfeito, onde o descuidado leitor pode se ver envolto em tão malfazeja fantasia. E se colocar no lugar de uma dessas criaturas da noite não é tarefa fácil, e é justamente esse o desafio lançado pela autora. Experimentar todas as paixões e agonias de uma vida eterna, suportar a idéia e não se ver severamente apaixonado por ela.
Júlio Verne é literatura para poucos, com linguagem altamente minuciosa e técnica, a leitura da obra lhe proporciona uma viagem e visão das cenas tal como o leitor realmente estivesse realizando tal aventura na companhia de um especialista. A possibilidade de visitar a mente de um gênio, que vislumbrou a possibilidade da existência de uma máquina como um submarino antes do mesmo existir, e a descrição de territórios, paisagens e espécies de todo o mundo, são só dois dos muitos pontos fortes desse livro. É possível que todo o diálogo científico possa em certos momentos cansar o leitor, mas ao se compreender a intenção do autor percebe-se que nada nele é exagerado. A estória se dá quando jornais de todo o planeta(inclusive no Brasil), começam a alardear a aparição de uma gigantesca criatura submarina que vem naufragando diversas das maiores embarcações de vários países e uma comitiva é formada em busca do perigoso "cetáceo". Dentre os tripulantes estão o professor Aronnax, um entusiasmado naturalista, seu companheiro e fiel amigo Conseil, um habilidoso classificador de espécimes e o arpoador Ned Land. Algo de bastante errado se dá no primeiro encontro dos personagens com a "criatura" e eis que entra em cena um dos personagens mais misteriosos e bens construídos da literatura... o capitão Nemo.