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quinta-feira, 9 de abril de 2020

SOMBRAS DA NOITE – Stephen King



O primeiro livro de Stephen King que li, aos 14 anos, foi “O Iluminado”. Foi uma experiência que me impactou profundamente. Ao lembrar dessa leitura agora, me dei conta de como é poderoso vivenciar pela primeira vez uma situação clichê – antes de saber que se trata de um clichê! No caso de “O Iluminado”, o impacto foi causado por um recurso muito utilizado em histórias de terror e suspense, mas que eu via ali pela primeira vez, que consiste em interromper a narrativa no auge da tensão e passar para alguma trama secundária. Hoje não me causa grandes emoções perceber esse efeito em algum texto, e eu mesmo o utilizo em meus escritos. Mas nada se compara à agonia que senti quando Danny entra afinal no quarto 217, uma mão gelada agarra seu pescoço... e a história pula para outra cena, e só vamos descobrir o que acontece páginas e mais páginas depois!

“O Iluminado”, resumindo, me deixou apaixonado por Stephen King. Uma paixão que virou amor quando li logo em seguida os contos de “Sombras da Noite”. Fiquei tão empolgado que queria que todos meus amigos lessem também. Só que a primeira pessoa para quem emprestei o livro nunca devolveu... E assim fiquei com um desejo encubado de reler as apavorantes histórias desse livro. Desejo que finalmente realizei, mais de trinta anos depois!

Essa segunda leitura foi muito instrutiva e me permitiu perceber de forma mais nítida a criativa contribuição de Stephen King para a literatura de terror, ao transportar os monstros, fantasmas e vampiros dos castelos góticos da Transilvânia para a América moderna, incorporando elementos tão contemporâneos quanto carros, caminhões, máquinas de passar roupa e até cortadores de grama como símbolos do medo.

“Sombras da Noite” continua sendo uma das obras mais representativas de Stephen King, que aqui está no auge de sua criatividade. Certamente a emoção que senti foi acentuadamente menor ao ler esses contos pela segunda vez. Mas a culpa é exclusivamente minha: ninguém mandou eu deixar de ser um moleque de 14 anos!



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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”


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domingo, 3 de novembro de 2019

CHRISTINE – Stephen King


Não resisti à oportunidade de reler esse livro ao vê-lo na estante do P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), mesmo sendo provavelmente a obra mais fraca da primeira e gloriosa fase de Stephen King. Reli no intuito de estudar a narrativa detalhada e envolvente de King, um autor que consegue dar credibilidade e verossimilhança às situações mais grotescas justamente pela minuciosa profusão de detalhes biográficos e sentimentais com que ele mune seus personagens.

Talvez por eu não me interessar muito por carros, essa releitura tenha chamado a minha atenção justamente para como o tema sinaliza uma das obsessões de Stephen King, Não tanto por “Christine”, uma vez que o autor já escreveu dezenas e dezenas de livros sobre as mais diversas nuances do terror, mas pelo fato de ele ter escolhido o conto “Caminhões” (presente no ótimo “Sombras da Noite”) como base para o roteiro do primeiro e único filme que ele se arriscou a dirigir, “Maximum Overdrive” (lançado no Brasil como “Comboio do Terror”, vide trailer: https://youtu.be/ggWS4tTzs60).


“Caminhões”, lançado em 1978, gira em torno da mesma ideia básica de “Christine”, publicado em 1983: carros adquirindo vontade e inteligência próprias e voltando-se contra os homens. Ao fazer essa conexão, lembrei do grave acidente sofrido pelo autor em 1999, quando foi atropelado por uma van, sofrendo fraturas múltiplas e perfuração do pulmão. Fiquei muito impressionado ao saber que depois de se recuperar desse grave acidente Stephen King comprou a van que o havia atropelado e a destruiu a marretadas. Não deixa de ser uma bizarra sincronicidade entre a obra e a vida do autor.


“Christine”, aliás, também virou um filme lançado no mesmo ano do livro e dirigido por John Carpenter (https://youtu.be/9aU5l2e9YlQ).



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sábado, 4 de maio de 2019

NOIR AMERICANO – Peter Haining (org.)



Originalmente intitulada Pulp Frictions, esta coletânea de contos policiais foi lançada em 1996, no embalo do impacto causado pelo filme Pulp Fiction de Quentin Tarantino (https://youtu.be/im-vRitDbTk).


Os contos foram selecionados por Peter Haining, que também escreveu uma breve apresentação sobre cada autor, além de um comentário sobre a história escolhida. Logo me dei conta de que eu estava curtindo mais ler essas resenhas do Haining que os próprios contos em si. É que meu interesse por histórias policiais é tanto que me considero algo como um pesquisador, e esses textos compõem um belo painel a respeito da literatura policial norte-americana clássica, que tem os seus maiores nomes incluídos na antologia: Dashiell Hammett (meu favorito), Raymond Chandler, Ross Macdonald, Cornell Woolrich e muitos outros. Além dos autores clássicos, que originalmente publicavam suas histórias em revistas que eram chamadas depreciativamente de Pulp (por serem impressas em papel barato, feito de polpa de celulose), o livro traz também autores mais recentes que também fizeram incursões no que poderia ser chamado de “Noir Americano”: James Ellroy, Ed McBain, Elmore Leonard e até Stephen King.

Um tema recorrente nos comentários de Haining é sobre como esse ou aquele autor conseguiu elevar as histórias policiais ao status de alta literatura. Eu pessoalmente acho que isso é verdade em ao menos um caso: O Falcão Maltês, de Dashiell Hammett. Na maioria dos outros casos, no entanto, acho que essa tese é defendida apenas por conta da inclusão de algumas espertas frases de efeito. Colecionei algumas delas nesse livro:

“Crianças pediam esmolas; meus pés ficaram doloridos de tanto chutá-las para longe.” – James Ellroy em “Canção Tórrida”

“Havia aquela luz da juventude em seus olhos que o medo ainda não apagara: uma luz que nenhum cirurgião consegue colocar nos olhos de uma alma ruim.” – Carroll John Daly em “O Feitiço do Egito”

“Remexemos as cinzas por alguns minutos – não que esperássemos encontrar alguma coisa, mas porque é da natureza do homem remexer em ruínas.” – Dashiell Hammett em “Incêndio Criminoso e Mais Alguma Coisa...”

“Ele sorriu como um defunto nas mãos de um papa-defunto hábil.” – Ross Macdonald em “A Andorinha Cantora”

O livro fecha com “O Relógio” de Quentin Tarantino, que eu achei meio armação, pois fiquei o livro todo curioso para ler um conto original de Tarantino, para por fim descobrir que se trata da transcrição de trecho do filme Pulp Fiction: a marcante narrativa do capitão Koons (brilhantemente representado por Christopher Walken). Acho que o livro não precisava dessa forçação de barra...



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

domingo, 4 de fevereiro de 2018

ZONA MORTA – Stephen King


Li “Zona Morta” aos 15 anos, e reler o livro agora foi como vestir de novo uma velha e confortável calça jeans. Esse está bem na média na vasta obra de Stephen King: não é uma de suas obras-primas, mas também está longe de figurar entre as piores. A história gira em torno de John Smith (algo como “João Silva” em português), que enfrenta inúmeros perrengues ao despertar de um coma de quatro anos e meio com poderes paranormais.

Stephen King foi meu autor favorito na adolescência, depois enjoei. Desde o ano passado cismei de ler (ou reler) mais alguns de seus livros, tentando entender não tanto o que faz dele um escritor tão bom (pois isso percebi bem nas dezenas de livros dele que já li), mas principalmente o que me fez gostar menos dele. Pois então, curti bastante reler “Zona Morta”, mas percebi aqui uma incongruência muito interessante, que talvez seja crucial na obra do autor: Stephen King é essencialmente um materialista, apesar (ou justamente por causa) de ter ficado célebre tratando de temas sobrenaturais. A concepção de um médium ateu é totalmente inverossímil, mas de um modo invisível para um materialista. Talvez só os ateus possam escrever histórias de terror no estilo moderno, ocidental. Lembrando de certas passagens escabrosas do Mahabharata, penso que um olhar espiritualizado é capaz de conceber um tipo de terror totalmente diferente, o que me enche a cabeça de ideias e possibilidades...

Mas como a Literatura tem o poder de nos surpreender, a maior parte dessa releitura girou em torno da inquietante pergunta que Stephen King faz na segunda parte do livro:


“SE VOCÊ PUDESSE VOLTAR NO TEMPO ATÉ O ANO DE 1932, NA ALEMANHA, VOCÊ MATARIA HITLER?”

Isso me levou a viajar por lugares inesperados. Pois recentemente me pus a refletir sobre o que levaria uma pessoa em sã consciência a querer a volta da ditadura militar, ou a alternativa democrática mais próxima disso, que seria querer votar em Bolsonaro. Tenho notado um número alarmante de amigos e parentes defendendo esse tipo de ideia, por isso fiz um esforço honesto de tentar compreender suas motivações. O me levou a traçar um perfil básico de um defensor da ditadura / eleitor de Bolsonaro:

* Sente-se lesado em seus direitos ou injustiçado de alguma forma. Devido ao componente de raiva muito forte em seus sentimentos, talvez a palavra mais adequada seja “ultrajado”.
* Acredita fazer parte de uma elite moral ou virtuosa (os “honestos”, “trabalhadores” ou “de família”).
* Possui uma noção muito estreita de coletividade. Seu “próximo” limita-se à sua família imediata e/ou ao grupo virtuoso ao qual acredita pertencer.
* Sente raiva, muita raiva. E acredita que a solução para a sua raiva seja uma bota na cara de alguém, de preferência alguém rotulado como pertencente a um grupo oposto ao seu: os “desonestos”, “vagabundos” e “imorais”.
* E aqui está o ponto central da coisa: acha certo delegar poderes a alguém que se propõe a meter a bota na cara dos outros, e acredita estar protegido dessa bota, por pertencer ao grupo virtuoso.

A imagem da “bota na cara” vem do clássico “1984”, de George Orwell, que traz a frase mais apavorante que já li em um livro, a ponto de ter ficado gravada a ferro e fogo na memória:

“Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota esmagando um rosto humano – para sempre.”

Essa questão da raiva motivou Stephen Hawking a declarar recentemente que teme pelo futuro da humanidade, a partir de situações como a eleição de Trump e o Brexit. Bolsonaro e a volta da ditadura são as manifestações brasileiras dessa ameaça planetária.

De Bolsonaro a Hitler, e daí à “Zona Morta”: pensar nessas questões realmente aterrorizantes me fez perceber que Hitler não foi esse monstro todo-poderoso, capaz de arrastar seu país – e o mundo – para o caos da violência sem sentido. O povo alemão, que se sentia ultrajado e raivoso na época da República de Weimar, é que tornou Hitler possível. Por isso, respondendo à pergunta de Stephen King, não adiantaria muito matar Hitler em 1932. O povo encontraria outro candidato disposto a meter a bota na cara dos outros. Desde a época das cavernas, infelizmente, esse tipo de ser humano nunca esteve em falta no mercado.


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A COISA – Stephen King


Durante boa parte de minha adolescência eu considerava Stephen King o melhor escritor de todos os tempos. Por essa época li vorazmente tudo o que pude dele. Dentre meus favoritos estão: "O Iluminado", “Carrie”, “O Cemitério” (sinistríssimo!), “Zona Morta”, “A Hora do Vampiro”, “Angústia”, “O Corpo”, “Sombras da Noite” e “Tripulação de Esqueletos”, tijolão de contos que devo ter lido umas quatro ou cinco vezes. Foi Stephen King quem primeiro me mostrou como um escritor pode arrebatar totalmente o coração e a mente do leitor, e foi também quem primeiro me fez ficar curioso sobre como essa incrível magia da escrita funcionava. Comecei a reler os livros dele com a intenção explícita de aprender como ele conseguia escrever histórias tão instigantes.

E então foi acontecendo algo interessante: à medida que eu ia aprendendo e desvendando alguns “truques” do mestre, a magia ia se tornando menos e menos intensa. Lembro que meu livro de despedida dessa paixonite por King foi “Tommyknockers”, onde me senti orgulhoso e feliz por conseguir prever boa parte da trama e, ao mesmo tempo, profundamente desiludido por esse mesmo motivo! Daí pra frente, continuei lendo tudo de Stephen King que caía em minhas mãos, mas fui perdendo cada vez mais o deslumbramento.

Agora, anos depois, quando eu mesmo estou escrevendo algo que pode ser considerado, sob certos aspectos, uma história de terror, decidi reencontrar o antigo ídolo de minha adolescência. Reli alguns de meus contos favoritos dele, e então resolvi partir logo para um de seus maiores clássicos, que eu ainda não havia lido (apesar de ter visto e gostado da primeira adaptação televisiva): “A Coisa”.

Este é certamente um livro audacioso, a grande “tour-de-force” de King, então no auge de sua fama, em 1986. São mais de 700 páginas de uma saga que acontece paralelamente em dois momentos distintos, com a história de um grupo de crianças enfrentando a “Coisa” (que falta que faz o pronome neutro “It” no português!) em 1958, alternando com um novo enfrentamento, ocorrido em 1985, com as crianças sobreviventes já adultas e bem sucedidas no mundo de “gente grande”, tendo que retornar à sua cidadezinha natal para cumprir a promessa de infância e voltar a combater o velho e maligno monstro.

Essa alternância entre as duas linhas temporais é responsável pelos maiores méritos e também pelas grandes fragilidades de “A Coisa”. Por um lado é de se admirar a proposta grandiosa e épica, com o ápice em um trecho onde as cenas de tensão vão se sucedendo em rápida sequência, pulando o tempo todo de 1958 para 1985. Por outro lado, essa duplicidade de espelho acaba gerando muitas repetições e tornando a leitura um tanto cansativa, ao menos para mim.


Pois uma coisa certamente percebi ao ler esse livro (e ao assistir à nova versão cinematográfica): ainda estou jovem para morrer, mas já estou velho demais para histórias de terror. A leitura de “A Coisa” confirmou algumas descobertas que venho fazendo ao longo das muitas leituras do gênero:

* A história de terror, surgida na esteira da revolução industrial, é uma tentativa de manter algo do Mistério em meio a uma sociedade cada vez mais dominada pela ciência e despojada do sentido do sagrado. Isso é muito evidente em “A Coisa”, com sua cosmogonia dualista.

* Muito do terror moderno é construído a partir de um recurso que é comumente chamado de “suspense”, mas que eu prefiro chamar de “ameaça”. Exemplifico: a mocinha está sozinha em casa, tarde da noite, quando ouve o barulho de alguém arranhando a porta. Ela fica gelada de medo, mas ainda assim resolve descobrir quem está à porta. E assim se passam páginas e mais páginas de pura encheção de linguiça, até que a mocinha abre a porta e vê que é seu cachorrinho Totó que voltou... Isso para mim não é suspense, é “ameaça”. O suspense verdadeiro ocorre quando algo trágico está para acontecer, que é ignorado pelo personagem, mas não pelo leitor.

* Todo livro ou filme de terror pode funcionar bem até a hora crítica, que é o momento em que o monstro se mostra, quando ele sai das sombras e finalmente se dá a conhecer. É um momento quase poético, quando a terrível criatura exibe sua fragilidade intrínseca e demonstra a verdade cabal de que o medo, ao ser encarado de frente, deixa de incomodar. É muito raro um monstro que continua sendo assustador depois de sair para a luz.


* Por fim, mas não menos importante: nesse momento em que vivemos, quando nenhuma obra de ficção consegue ser mais apavorante que o Jornal Nacional, é quase um alívio mergulhar no mundo dos monstros sobrenaturais de Stephen King. Perto de Trump e Temer, a Coisa até que é bonitinha...


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Novembro de 63 - Stephen King



Novembro de 63 narra a história de Jake Epping,um professor de 35 anos.Ao pedir aos alunos do supletivo para fazer uma redação,Jake não poderia imaginar o quanto isso afetaria sua vida.

"Harry Dunning,o zelador,era conhecido como "Harry Sapo" por causa do jeito como andava.Só me lembro de uma ocasião em que chorei depois já adulto e foi quando li a história do pai do zelador.O tema que passei foi"O dia que mudou minha vida".Lembro-me também de como a redação começava.Lembro-me de cada palavra.:
.....Não foi um dia foi uma noite.A noite que mudou a minha vida foi a noite que meu pai matou minha mãe e dois irmão e me maxucou muito.Maxucou minha irmã também,tão maxucada que ela ficou de coma.Dali três anos ela morreu sem acordar.O nome dela era Ellen e eu gostava muito dela.Ela adorava colher floris pra botar nos vazos......"(no livro é descrito assim,com erros de gramática).


Sem conseguir tirar a história do zelador da cabeça,Jake recebe uma ligação de seu amigo Al Templeton.Atendendo ao pedido de Al,Jake vai visita-lo.E lá descobre um segredo que poderá mudar não só a sua vida,mas também a História do mundo.Na despensa do restaurante de Al há uma espécie de fenda no tempo.Não se sabe como apareceu ali nem por que.Mas ali está o passado e ele pode ser mudado.E Al quer mudar algo muito importante:o assassinato do presidente dos Estados Unidos,John Kennedy.Mas Al está debilitado pelo câncer e não tem tempo suficiente de vida para fazer isso.Sabendo que Jake não tem família e está divorciado Al pede a ele que volte ao passado e impeça o assassinato do presidente.Jake titubeia mas ao se lembrar da história do zelador ele decide ir e impedir também a tragédia que ocorreu com Harry.Por um longo tempo Jake viverá no passado e fará de tudo para evitar que o presidente seja assassinado e a  família de Harry seja devastada pela tragédia. Também conhecerá Sadie.Apaixonados,eles iniciam um romance.Mas o passado  não quer ser mudado.E isso pode se tornar perigoso,tanto para Jake quanto para Sadie.E se conseguisse mudar o passado,quais seriam as consequências?

"E me perguntei o que estava alterando.Não sei,não sei.Eis o que sei.O passado é obstinado pela mesma razão que o casco da tartaruga é obstinado:por que a carne viva dentro dele é tenra e indefesa."

Novembro de 63 é um livro excelente.Confesso que não me chamou muito a atenção quando esse livro foi lançado.Parecia que tinha a ver com política e isso não me interessa nem um pouco.Comecei a ler o livro com um pé atrás e grande foi a minha surpresa.Já nas primeiras páginas o livro me prendeu.Stephen King mais uma vez mostrando por que é mestre naquilo que faz.Ele juntou uma história real(o assassinato do presidente) com o imaginário,uma viagem no tempo e conseguiu criar uma história empolgante que me prendeu do início ao fim.Ele descreveu tão bem como era a vida no final da década de 50 e o início da década de 60 que parecia que eu estava lá,andando nos carros da época,ouvindo as músicas e vivenciando tudo aquilo que Jake via ou fazia.Como é um livro longo há algumas partes cansativas mas nada que tire o prazer da leitura.Também acho que a Suma de Letras devia ter mantido o título original:22\11\63.No mais uma leitura de primeira.O final foi o único que podia ser e me emocionou.Eu diria que é cativante.Stephen King mais uma vez me surpreendeu e me deixou com gostinho de quero mais. Uma frase que me chamou a atenção:
"Como todos os sonhos doces,será breve...mas a brevidade cria doçura não é?Por que quando o tempo passa,a gente nunca o recupera."

Palmas pro King!!!


                                                            A Capa original do livro.  

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Misery - Stephen King



Paul Sheldon é um famoso escritor que ao sofrer um acidente de carro é socorrido por Annie Wilkes.
Depois de vários dias desacordado,Paul enfim desperta para encarar sua salvadora.Annie, além de uma ótima enfermeira é também a fã número um dos livros de Paul Sheldon.
Quando Annie descobre que "Misery",a moça da famosa série de livros escritos por Paul morre no último livro as coisas se complicam.Paul começa a notar que sua fã número um tem sérios distúrbios psicóticos e está disposta a tudo para que ele "ressuscite " Misery.As limitações de Paul são muitas pois está com as pernas quebradas e isolado na casa de Annie  no Colorado.Chuva e neve tornam tudo ainda pior,e fugir é impossível.Em pouco tempo,Paul Sheldon  vai descobrir que Annie é perigosamente louca.

Falar de livros do Stephen King pra mim é sempre um prazer imenso,pois é o meu escritor favorito.
É  incrível a capacidade que o King tem de nos prender à uma leitura.Em Misery já iniciamos o livro com Paul acordando no quarto de hóspedes de Annie.Diferente de outros livros do autor em que as coisas demoram a acontecer,aqui de imediato já nos vemos de frente com o "depois" do acidente de Paul onde as coisas já começam a ficar pretas.O livro se passa praticamente na casa de Annie,mais precisamente no quarto de hóspedes.E isso por si só já é algo complicado pois como manter o interesse de um leitor sem uma mudança de cenário,em grande partes só com os pensamentos do protagonista?É  ai que entra a magia do grande mestre.Ele consegue nos levar à uma angústia e um desespero tão grande sem que em nenhuma parte do livro o leitor perca o interesse.E tudo isso só com dois personagens interagindo.
Misery é diferente da maioria dos livros do King pois aqui nada de sobrenatural.Tudo é de uma realidade tão crua que chega a assustar..É  um suspense psicológico onde o autor  nos choca com as coisas que Annie faz com Paul.Em certo ponto do livro eu me perguntava será que vale a pena Paul sobreviver depois disso?Houve partes em que Paul e eu só queríamos que a morte viesse e desse um fim aquele suplício.
Uma leitura excelente, não dá pra parar de ler.Por muitas vezes eu passava do desespero ao alívio sem nem perceber que eu era apenas o leitor do livro e não Paul Sheldon ,tanto que  atmosfera do livro ficou impregnada em mim.Misery é um livro que há muito eu desejava ler mas infelizmente havia deixado de ser publicado no Brasil há anos.Era um livro raro de se encontrar até que a Suma de Letras resolveu republica-lo para a minha grande alegria e de outros fãs do Stephen King.Leitura de primeira!!!



Essa é a capa da edição de 1991 da Editora Francisco Alves.Uma raridade não encontrada nem em sebos.




Cena do filme "Louca Obsessão" de 1990 com Kathy Bates e James Caan,baseado no livro Misery.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Insônia - Stephen King




Ralph Roberts é um viúvo aposentado que subitamente começa a sofrer de insônia.
A cada dia que passa ela acorda mais cedo.Mesmo se sentindo muito mal,Ralph se recusa a procurar ajuda médica.Um dia Ralph começa a enxergar um outro plano de realidade,onde ele pode ver a aura das pessoas e seres pra lá de estranhos.Pensando ter ficado maluco pela falta de dormir,Ralph acredita que isso seja apenas alucinação.Mas logo ele descobre que não foi por acaso que ele começou a sofrer de insônia.E agora ele e todos os seus amigos correm grande perigo.

"Ralph olhou Nat e viu que ela observava o outro lado do cômodo,os olhos fascinados,pesados.
Acompanhou seu olhar e viu o vasinho no parapeito ao lado da pia.Arranjara-o com flores de outono há menos de duas horas e agora uma névoa verde e baixa borbulhava das hastes,envolvendo as flores em uma luz fraca e difusa.
_Estou vendo as flores darem o último suspiro_pensou Ralph._Meu Deus,nunca mais vou cortar nenhuma flor na vida."


"A mocinha estava pulando corda no terreno baldio.Ela parecia errada.
Uma nuvem escondeu o sol e uma luz triste e verde transformou o dia.A pele de Ralph primeiro esfriou,depois cobriu-se de arrepios.A sombra saltitante da mocinha desapareceu.Ela ergueu o rosto para Ralph e ele descobriu que não era nenhuma mocinha.A criatura diante dele era um homem de uma metro e vinte de altura.Transmitia a Ralph uma sensação de maldade,de malignidade que ultrapassava a compreensão de uma mente sã.Os lábios da criatura se abriram num sorriso,ao mesmo tempo tímido e maldoso,como se ele e Ralph partilhassem um segredo desagradável."

Insônia é mais um romance sobrenatural do grande Stephen King.Como na maioria dos livros dele,tudo vai acontecendo aos pouquinhos.Vamos conhecendo a vida de Ralph,seus anseios,sua solidão e mesmo nesse ritmo lento apreciei e muito a leitura até a metade do livro.Desse ponto em diante o livro deixou um pouco a desejar.Não gostei muito do sobrenatural inserido no livro.Apesar de gostar muito das invenções sobrenaturais do autor,nesse livro não me agradou.E as conexões com a série a Torre Negra também são completamente desnecessárias ao livro(minha opinião).Mas é claro que em meio a tudo isso tem algo muito bom.Os dois personagens principais:Ralph Roberts e Lois Chasse.Não tem como não gostar deles.
E o que mais chama a atenção neles é que são duas pessoas na terceira idade(ele tem 70 anos e ela 68).
Estou acostumado a ler livros onde geralmente os idosos apenas contam a sua história: no decorrer do livro são jovens vivenciando aquilo que irão contar depois.Aqui nesse livro não.Temos aqui um romance na terceira idade e também as limitações trazidas pela idade.

" A única certeza que tenho é que gostaria que fosse verdade Ralph.Quero ter um amigo.
Tenho vivido assustada,infeliz e solitária há muito tempo.Acho a solidão a pior parte da velhice....não são as dores,o mal-estar,os intestinos preguiçosos ou a perda do fôlego quando se sobe uma escada que se subia praticamente voando aos vinte anos...mas a solidão."

"É claro que havia a cicatriz entre o cotovelo e o pulso,mas Ralph chegou a se perguntar se não a teria feito há muito tempo,naquela época da sua vida em que não havia fios brancos em seus cabelos e ele ainda acreditava no fundo do coração,que a velhice era um mito,ou um sonho,ou uma coisa reservada às pessoas
menos especiais que ele."

Achei muito interessante os mocinhos da terceira idade.Me apeguei muito a eles e meu coração dava um salto toda vez que estavam em perigo.Ainda mais que os mocinhos desse livro são limitados,não podem simplesmente sair numa corrida diante do perigo.Ralph e Lois são encantadores e só para conhece-los já
vale a pena ler o livro.O final não foi o que eu queria que fosse mas foi o que Ralph gostaria que fosse,então só por isso já me agradou.
Leitura indispensável aos fãs do Stephen King.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

DUMA KEY - Stephen King


Edgar Freemantle é o bem sucedido dono de uma empresa de construções em Minnesota.Mas as coisas mudam completamente quando ele sofre terrível um acidente onde perde parte da sua memória e o braço direito.Para piorar ainda mais as coisas,sua mulher o abandona e Edgar se vê praticamente sozinho com sua raiva  e revolta buscando recuperar-se e reconstruir sua vida.Quando seu psicólogo recomenda uma mudança de ares,Edgar resolve ir para a Flórida  onde aluga uma casa na paradisíaca ilha chamada Duma Key.
Relembrando que no passado gostava de desenhar,Edgar vê nas pinturas e nos desenhos que faz apenas com a mão esquerda uma forma de se sentir bem e se recuperar.O tempo vai passando.As pinturas e desenhos de Edgar estão cada vez melhores.Mas algo estranho começa a acontecer.As vezes ao desenhar ou pintar Edgar entra em transe.Muitas vezes ele tem a impressão que está pintando com a mão que perdeu.As coisas ficam ainda mais estranhas quando algumas coisas que ele pinta começam a se tornar realidade.Nesse meio tempo Edgar conhece Jerome Wireman,um advogado que desistiu da sua profissão e agora trabalha como cuidador e assistente da simpática senhora Elizabeth Eastlake.
Elizabeth,chegando agora aos oitenta e cinco anos está condenada pelo Mal de Alzheimer.Mas antes que a doença destrua suas memórias para sempre ela precisa dividir com Edgar uma parte do seu passado.E nesse passado pode haver segredos perigosos tanto para a vida de Edgar quanto das pessoas que ele ama.
Edgar começa a ficar ainda mais preocupado quando ele pinta uma mulher com um manto vermelho.E tudo fica ainda mais sinistro quando ele começa a pintar um navio que sempre aparece ao pôr-do-sol.
Qual será a ligação que existe entre as pinturas de Edgar e Elizabeth Eastlake?
Mergulhando no passado de Elizabeth com a ajuda de Wireman,Edgar descobre que o pôr-do-sol,além de uma ansiedade assombrosa  de pintar e desenhar,pode trazer também forças sinistras que escondem algo monstruoso.







"Duma Key" é uma leitura excelente do grande Stephen King.Como a maioria dos seus livros tudo vai acontecendo aos poucos.Ele nos apresenta Edgar e depois vamos mergulhando em sua vida,suas dores e seus anseios.A leitura vai seguindo lentamente até quando ele conhece Wireman e Elizabeth.

"Talvez você possa ler um poema para mim esta tarde_disse Elizabeth.Você escolhe.Sinto tanta falta deles.Eu poderia passar sem a Oprah,mas uma vida sem livros é uma vida sedenta e sem poesia,ela é..._Ela riu.Era um som delirante que cortou meu coração._É  como uma vida sem imagens,você não acha?Ou não?"

O suspense da narrativa só começa depois da metade do livro.Como sempre King acaba dando um jeito de inserir algo sobrenatural em suas tramas,deixando o leitor pensando:O que virá dessa vez?

"Um bombardeio explodiu logo acima da minha cabeça.E,lá embaixo,o murmúrio das conchas se tornara a conversa de coisas mortas,trocando segredos em vozes esqueléticas.Como eu não tinha conseguido ouvir aquilo antes?Coisas mortas,é claro!Eles estavam debaixo daquela casa e a tempestade os havia despertado.Eu conseguia vê-las brotando através da mortalha de conchas,formas gelatinosas e pálidas com cabelos verdes e olhos de gaivota,rastejando uns sobre os outros na escuridão e falando,falando,falando."

Já de inicio,você cria vínculos com os personagens.Todos muito bem estruturados,cada vez que você adentra na história deles mais você se apega a eles,o que é complicado em um livro do King,visto que ele não tem dó de matar  seus personagens.As vezes acho meio cruel essa faceta do autor de não ter piedade dos seus personagens e matar qualquer um sem levar em conta o coração do leitor.
Gostei de todos os personagens,todos me levando a viajar de alguma maneira em sua vida,mas um que chamou minha atenção foi o doutor Kamen,psicólogo de Edgar.Um negro enorme que esbanja simpatia e carisma.

"Kamen apareceu,na sua enormidade.
_Se precisar de ajuda,entre em contato comigo imediatamente.
_Pode deixar_falei_Você é KamenDoc.
Kamen sorriu.Era como se Deus estivesse sorrindo pra você.
Eu o abracei.Com um braço só,mas ele compensou."

King é mestre em criar personagens desse tipo.Na maioria dos seus livros encontramos personagens negros,que nos conquistam à primeira vista.King é um dos poucos autores de livros do gênero que conheço que insere personagens negros em seus livros,muitas vezes em papéis tão importantes quanto o do protagonista.Gosto dessa maneira que o King coloca os negros em seus livros.Em meio há tanto racismo existente no mundo,quando você vê um autor dando tanto espaço aos negros em suas tramas,faz com que  se simpatize ainda mais com ele.
Duma Key é sem dúvida pra mim mais um grande livro do Stephen King.
O leitor que espera grandes acontecimentos já no início do livro pode se decepcionar.
Aqui tudo vai acontecendo aos pouquinhos,o autor quer que você conheça os personagens a fundo até que quando você pensa que está tudo bem,as reviravoltas acontecem.Em nenhum momento perdi o interesse pela leitura,apesar dos acontecimentos seguirem lentamente.
Ainda estou em dúvida se gostei do final,a única coisa que tenho certeza é daquele vazio que fica quando se termina de ler um livro excelente

terça-feira, 21 de maio de 2013

MEIA-NOITE – Dean R. Koontz




Ler esse livro me possibilitou fazer algumas conexões interessantes:

* Koontz / King – fiquei o tempo todo imaginando como teria sido essa história nas mãos de Stephen King. A trama segue bem uma das especialidades de King: uma força maligna instala-se em uma pequena cidade americana, convertendo seus habitantes em servos do caos e da destruição. Segue-se a progressiva desarticulação da rede social até a entropia total do sistema.

* Koontz / Asimov – os dois parecem ser escritores do tipo verborrágico, de quem as palavras parecem jorrar com espantosa facilidade. Tanto um quanto outro destacaram-se em um subgênero específico da literatura (terror no caso de Koontz / ficção científica no de Asimov), mas publicaram muitos outros livros em estilos totalmente diversos. Os dois seguem uma fórmula própria bem característica, que torna seus estilos inconfundíveis.

* Terror / Heavy Metal – o filho do protagonista de “Meia-Noite” é fã de Black Metal, vertente satanista e nihilista do rock pesado. Talvez por isso, tenham ficado mais óbvias as pontes entre o subgênero literário e o subgênero musical. Tais como a predominância de motivações adolescentes por detrás do tratamento ostensivamente adulto, o apego excessivo a jargões e clichês, o gosto pela velocidade e pela estridência. Penso que os livros e filmes de terror, bem como as canções de heavy metal, são regidos sobretudo pelo Arcano do Carro, dentre as cartas do Tarot.

* Koontz / H. G. Wells – foi no mínimo uma deselegância do autor contar o final de “Guerra de Mundos” e “A Ilha do Dr. Moureau”, ambos clássicos de H. G. Wells. Está certo que Koontz bebeu dos dois, mas não precisava tornar a “homenagem” tão explícita...

Comecei lendo palavras, depois frases, depois parágrafos, capítulos, páginas...



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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:
http://youtu.be/Umq25bFP1HI

Blog:
http://sincronicidio.blogspot.com/
 
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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

domingo, 23 de setembro de 2012

A HORA DO VAMPIRO – Stephen King



Esse foi o segundo livro publicado por King, logo depois de “Carrie”, em meados da década de 1970. O título inicial do livro era “Second Coming” (algo como “A Segunda Vinda”), mas King acabou seguindo a sugestão da esposa de trocar, pois o título lhe parecia o de uma história ruim de sexo (pois “Second Coming” também pode ser traduzido como “O Segundo Orgasmo”). King resolveu então batizar o livro como “Jerusalem’s Lot”, mas os editores acharam melhor abreviar para “Salem’s Lot”, para não ficar com uma cara muito religiosa. Ao ser lançado no Brasil, durante a década de 80, seguindo a coqueluche em cima do filme “A Hora do Espanto”, o livro de King foi rebatizado como “A Hora do Vampiro”. Ufa!!!

Achei legal falar sobre esses títulos todos, pois o primeiro deles mostra a concepção original do autor nessa obra. Ele imaginou como seria uma “segunda vinda” de Drácula, acontecendo nos dias de hoje. Primeiro King concebeu esse retorno acontecendo em uma cidade grande, tal como Nova Iorque, mas logo descartou a ideia: “o vampiro seria atropelado por um táxi no primeiro dia”!

E só então surgiu a ideia de ambientar o retorno de Drácula em uma pequena cidade americana. Creio que isso acabou tendo uma importância ímpar para Stephen King ter criado todo o seu universo terrorífico girando em torno das cidadezinhas do Maine...

Sobre o livro: li pela primeira vez durante a adolescência. Considerei um dos melhores livros de King, e sem dúvida o melhor livro de vampiro que eu havia lido. Lendo agora pela segunda vez, percebo que o livro envelheceu um pouco, depois de tantas e tantas revisitações que o tema do vampiro vem recebendo. Ainda assim, lendo pela segunda vez, e no computador ainda por cima, fiquei grudadinho na leitura da primeira à última página. A história perdeu o impacto da originalidade, mas continua sendo a melhor história de vampiro que já li.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

SOMBRAS DA NOITE – Stephen King


Stephen King parece ter nascido com uma estranha vocação: transportar, ao menos no imaginário das pessoas, os sombrios castelos e as criaturas pavorosas da Transilvânia para o insuspeitado estado do Maine, no coração dos Estados Unidos. E não é que ele conseguiu?

“Sombras da Noite”, coletânea de contos, foi um dos primeiros livros publicados por King. E também um dos primeiros dele que eu li, há muitos anos atrás. Voltar a ler esse livro agora foi uma bela oportunidade de reencontrar um autor que por um bom tempo foi o meu favorito, e revê-lo com novos olhos.

Ficou evidente, nessa segunda leitura, que King estava aqui em processo de franca maturação, aprimorando e desenvolvendo seu estilo e suas ideias peculiares. Sua grande contribuição criativa foi a de trazer o sobrenatural para fora das criptas empoeiradas e associar o terror aos elementos da vida moderna: automóveis, máquinas industriais, clínicas luxuosas, bares e outras facetas do cotidiano norte-americano.

Uma surpresa foi perceber a força da influência de Lovecraft, que adquire um tom de escancarada homenagem em “Jerusalem’s Lot”, mas está presente em vários outros contos. Creio que King via a si mesmo como o legítimo sucessor de Lovecraft, coisa que ninguém pode contestar.

Amei desarvoradamente esse livro quando o li pela primeira vez, na adolescência. A obra de King saciou à exaustão uma fome que eu sentia de fantasia e medo. Alguma coisa desse fascínio original se perdeu para mim. Mas alguma coisa da velha paixão ainda se mantém!

Sou grato a Stephen King pelas longas horas que me manteve grudado em seus livros, com os nervos à flor da pele. Viva Stephen King!


sábado, 7 de abril de 2012

ZONA MORTA - Stephen King




The Dead Zone é o título original desse livro publicado em 1979. A história fala sobre um acidente automobilístico sofrido pelo professor de literatura Johnny Smith que fica cinco anos em coma. Quando recobra a consciência, além de enfrentar os transtornos da recuperação física, Johnny, que já tinha visões ao tocar as pessoas, descobre que esse dom foi intensificado, o que antes eram flashs agora são visões concludentes.

Stephen King

Um dia, estando num local público se vê preso no meio de uma passeata política e quando o candidato lhe aperta a mão, Johnny fica estarrecido ao visualizar as futuras intenções do mesmo e as conseqüências disso para a nação. Como cidadão, e pessoa adepta da moral sabe o que deve fazer, mas, se por um lado Johnny quer fazer prevalecer seus valores moral e ético, por outro, sofre intimidações. A luta entre o bem e o mal nas mãos de King é simplesmente fantástica.

Nesse livro não encontramos o horror macabro, marca registrada do autor, em Zona Morta, King explora com maestria o horror psicológico. A história de Johnny, horrores à parte, chega a emocionar.

Zona Morta foi adaptado para o cinema em 1983 sob a direção de David Cronemberg. A adaptação é considerada bastante fiel ao livro. Trailer Em 2002 tornou-se uma série televisiva, O Vidente.

bj da angel




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