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terça-feira, 21 de maio de 2013

MEIA-NOITE – Dean R. Koontz




Ler esse livro me possibilitou fazer algumas conexões interessantes:

* Koontz / King – fiquei o tempo todo imaginando como teria sido essa história nas mãos de Stephen King. A trama segue bem uma das especialidades de King: uma força maligna instala-se em uma pequena cidade americana, convertendo seus habitantes em servos do caos e da destruição. Segue-se a progressiva desarticulação da rede social até a entropia total do sistema.

* Koontz / Asimov – os dois parecem ser escritores do tipo verborrágico, de quem as palavras parecem jorrar com espantosa facilidade. Tanto um quanto outro destacaram-se em um subgênero específico da literatura (terror no caso de Koontz / ficção científica no de Asimov), mas publicaram muitos outros livros em estilos totalmente diversos. Os dois seguem uma fórmula própria bem característica, que torna seus estilos inconfundíveis.

* Terror / Heavy Metal – o filho do protagonista de “Meia-Noite” é fã de Black Metal, vertente satanista e nihilista do rock pesado. Talvez por isso, tenham ficado mais óbvias as pontes entre o subgênero literário e o subgênero musical. Tais como a predominância de motivações adolescentes por detrás do tratamento ostensivamente adulto, o apego excessivo a jargões e clichês, o gosto pela velocidade e pela estridência. Penso que os livros e filmes de terror, bem como as canções de heavy metal, são regidos sobretudo pelo Arcano do Carro, dentre as cartas do Tarot.

* Koontz / H. G. Wells – foi no mínimo uma deselegância do autor contar o final de “Guerra de Mundos” e “A Ilha do Dr. Moureau”, ambos clássicos de H. G. Wells. Está certo que Koontz bebeu dos dois, mas não precisava tornar a “homenagem” tão explícita...

Comecei lendo palavras, depois frases, depois parágrafos, capítulos, páginas...



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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:
http://youtu.be/Umq25bFP1HI

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A PORTA PARA DEZEMBRO – Dean R. Koontz



 Curso de Suspense com Prof. Dean Koontz

Comprei vários livros do Dean Koontz de uma só vez, na feirinha de livros na Cinelândia (ê saudade!!!), cada pocket book por apenas R$ 1!!!

Pois bem, afinal cheguei ao último desses livros. Lê-los foi como fazer um curso sobre “O Ofício de Escrever Histórias de Suspense”! Sinto-me agora, mesmo sabendo que há tanto por aprender, como se tivesse tirado algum diploma!!!

Aprendi muito com essas leituras. Foram dois tipos de aprendizado, igualmente preciosos. Primeiro, aprendi onde Koontz mandou bem. Segundo, aprendi mais ainda onde Koontz mandou mal!

Sinto que ele é um autor muito metódico, segue à risca algum tipo de “fórmula” ou “receita”. Foi isso que tornou possível esse grande aprendizado, pois a cada livro lido a “fórmula” foi ficando mais evidente para meus olhos.

Quase sempre foi divertido ler Koontz. Mas ao mesmo tempo ele me intriga e também me irrita!!! É uma pessoa muito diferente de mim. Por isso também aprendo tanto com ele.

Vou dar alguns exemplos, tirados desse livro.

Koontz mandou bem!

* Começar a história “começada”, já no meio da ação, é um recurso interessante que funciona muito bem.

* Detalhes que enriquecem o histórico dos personagens também são muito válidos e ajudam a história a “pegar”.

* A alternância de situações dramáticas é um belo recurso que prolonga o suspense e mantém o leitor grudado nas páginas... desde que não haja exageros!

Koontz mandou mal!

* A diferença principal entre “suspense” e “mistério” é que no mistério temos que descobrir o segredo que move a trama. Já no suspense, esse “segredo” é apresentado desde o início para o leitor/espectador, embora nem sempre para os personagens. Pois bem. O leitor é cúmplice do autor enquanto ele mantém o personagem ignorante do que os dois sabem. Mas tudo tem limite. Nesse livro existe um “segredo” que eu pelo menos adivinhei nas primeiras páginas. Não me incomodou que os personagens não soubessem desse segredo, para mim tão óbvio. Mas depois que um dos heróis descobre, ainda rolam umas 100 páginas de “suspense” até os outros descobrirem também! Isso é no mínimo um desrespeito à inteligência do leitor. Definitivamente não funciona, suspense pela culatra!

* E o principal que aprendi com esse livro: interromper a cena no auge do suspense e passar para outra cena paralela é ótimo recurso, mas com moderação!!! É preciso ao menos passar de uma subsequência da cena para outra, interromper no suspense e voltar para o mesmo ponto várias vezes tem o efeito contrário do suspense: fica ridículo e hilário!!!

Exemplo:

O maníaco aproxima-se com uma faca. A mocinha grita.

Enquanto isso, nosso herói está andando de carro, procurando pela mocinha...

O maníaco ergue a faca. A mocinha grita.

Enquanto isso, nosso herói está andando de carro, procurando pela mocinha...

Como é grande a faca do maníaco! Como grita a mocinha!

Enquanto isso, nosso herói está andando de carro, procurando pela mocinha...



Ninguém merece isso né!!! Pois bem, tem uma cena quase assim nesse livro, que cortou totalmente meu tesão na leitura. O resultado foi que achei o começo interessante, o meio ótimo e daí pro fim, sofrível. Como quase sempre aconteceu com Dean Koontz, fui lendo pulando pedaços. Pois que necessidade de enrolar!!!

Isso é o que mais me intriga em Koontz: um grande talento para o “como” contar uma história, mas pouco conteúdo sobre o “que” contar.

Minha opinião final: os livros de Koontz ficariam bem melhores se metade das páginas fosse cortada!!!

Pois graças a Deus nem só com o professor Koontz se aprende a escrever:

“Escrever é a arte de cortar palavras.” (Carlos Drummond de Andrade)

Ah já ia esquecendo: esse livro foi originalmente publicado sob o pseudônimo de Leigh Nichols. Título original em inglês: “The Door to December”.



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segunda-feira, 16 de julho de 2012

OLHOS DE CREPÚSCULO – Dean R. Koontz


O jovem Slim MacKenzie nasceu com um raro dom, que sua avó chamava de “Olhos de Crepúsculo”: ele era capaz de ver o que ninguém mais via. Visões do futuro, percepções extra-sensoriais e sobretudo o perigoso dom de ver o mal que se esconde no coração dos homens.

Essa visão, no caso de Slim, não era nem um pouco metafórica. Graças à sua paranormalidade, ele era capaz de enxergar terríveis criaturas que andavam disfarçadas entre os homens. Monstros que eram uma mistura de lobo, porco e lagarto em sua aparência, e que viviam com um único propósito: alimentar-se do sofrimento da humanidade. Na falta de um nome mais apropriado, Slim chamava tais criaturas de “duendes”.

Encontrando refúgio entre as aberrações e párias de um parque de diversões itinerante, Slim logo descobre que nem ali estava livre de tais horrendas criaturas, cuja malignidade só ele conseguia perceber. Qual seria o propósito oculto dos duendes? Que chances poderia ter um rapaz de 17 anos em uma luta sem quartel contra uma raça inteira de monstros?

Bom, essa em linhas gerais é a trama de “Olhos de Crepúsculo”.

Vou recorrer ao esquema de tópicos para registrar algumas observações que achei interessantes:



* Foi especialmente instrutivo estar relendo simultaneamente um livro de Stephen King, “Sombras da Noite”. Assim pude comparar o estilo dos dois autores. Ao meu ver um dos pontos fortes de King está em assumir totalmente o “manto” do sobrenatural. Koontz me parece estar sempre enamorado pela ficção científica, e assim quer explicar o inexplicável. Não convence tanto quanto King, que prefere nem tentar explicar.

* Ainda assim, esse foi um dos melhores livros de Koontz que já li. A narrativa é ágil, e o principal defeito do autor, que é alongar demasiadamente o suspense, está aqui bem moderado. Meu palpite foi que a narrativa em primeira pessoa ajudou a manter a “enrolação” dentro de limites toleráveis.

* O livro é composto de duas partes, que quase poderiam ser narrativas independentes. Originalmente Koontz escreveu somente a primeira parte, e depois resolveu continuar a história do ponto em que havia parado. A transição da primeira parte para a segunda é um pouco sofrida, meio anticlimática, mas depois engrena em um bom ritmo.

* Achei o livro muito instrutivo em termos de manhas e macetes na arte de escrever. Koontz ensina quando acerta, e muito mais quando erra.

* Percebi uma metáfora nos duendes, a respeito da questão da maldade humana. Poderia ter sido mais explicitada.

* Last but not least... Durante a leitura desse livro, senti inegavelmente uma alteração em meus estados emocionais. Me senti mais propenso à ansiedade e a sentimentos negativos de modo geral. Não foi nada muito gritante, até bastante sutil, mas estou atento a essas manifestações em minha natureza.

* A conclusão a que chego (novamente) é que ler uma história de terror (ou ver filmes do gênero, ou mesmo assistir ao morticínio diário nos telejornais) tem seu preço. Encher nossa mente com violência e medo, obviamente, irá produzir pensamentos de violência e medo.

* Assim como alimentos saudáveis propiciam um corpo saudável, boas leituras são principalmente as que geram bons pensamentos. Por isso passei a ver os livros de terror como uma espécie de Big Mac mental: há quem ame e há quem deteste comida fast food, mas todos concordam que definitivamente não faz bem à saúde!


terça-feira, 1 de maio de 2012

LUA DE INVERNO – Dean Koontz




Acho que foi Stephen King, o mestre moderno do terror, que disse certa vez que Lovecraft era um escritor que valorizava a atmosfera acima de tudo. A tal ponto que ele conseguia acabar com toda a atmosfera de tanto se fixar nela...

Lembrei desse comentário por dois motivos. Primeiro, porque Dean Koontz também teceu comentários sobre outros escritores de fantasia e ficção científica nesse “Lua de Inverno”. Segundo, porque acho que o comentário de King também se aplica a Koontz, ou seja: Dean Koontz é uma espécie de Lovecraft de nossos dias!

Sempre aprendo muito com os livros de Koontz. Ele é do tipo de escritor que segue uma fórmula fixa, então a cada livro dele que leio vou aprendendo um pouco mais da receita, percebendo as vantagens de seu uso e também onde definitivamente não funciona... É uma pena que quanto mais aprendo, menos gosto de seus textos!

Durante a leitura de “Lua de Inverno” uma imagem surgiu com insistência. Acho que escrever um livro de suspense ou terror, de certa forma, é como fazer um strip-tease!

Nos dois casos, a graça maior é justamente a expectativa diante do que vai sendo mostrado, esse jogo que vai se estabelecendo entre o escritor e o leitor ou entre a stripper e sua plateia. Um espetáculo ideal será o que souber dosar bem o suspense e o alívio do suspense, ou seja, a revelação: de uma parte da trama ou de uma parte da anatomia feminina...

Uma beldade que chega, sobe no palco e tira a roupa toda de uma vez certamente não estará fazendo um strip-tease, será apenas “strip” sem “tease”... Por outro lado, uma moçoila que demore tanto para começar a tirar sequer a luva acaba fazendo a plateia cair no sono...

Esse é o principal defeito de Koontz, em minha opinião. Como ele gosta de esticar uma história!!! Cada pequena cena é recheada de detalhes, pensamentos, temores subjetivos dos personagens, tudo visando criar o suspense, mas quando a mão pesa no tempero o resultado vira o contrário do esperado, e a história acaba ficando chata.

Houve um momento da leitura em que um dos personagens estava diante de uma porta. Ele precisava abrir a porta para olhar do outro lado. Quando percebi quantas páginas faltavam para o final do capítulo, pensei: “não acredito que ele vai demorar tanto para fazer o cara abrir a porta”. Mas foi exatamente isso o que aconteceu.

O problema maior dessa estratégia de esticar a história para aumentar o suspense é que tudo depende da força do que será revelado, após tanta enrolação. No caso da história de terror, esse é o momento crucial em que o “monstro” aparece. Em 90% dos casos, esse é um momento de decepção, pois o monstro nunca é tão assustador quanto fomos levados a crer após tanto suspense. Essa é uma deficiência do próprio gênero do terror, creio eu. Pois o medo se alimenta sobretudo do que não se revela, do que permanece na fantasia.

Já dizia Swami Sri Yukteswar: “encare seu medo de frente e ele deixará de perturbá-lo”.

Pois é exatamente isso o que acontece: basta o monstro aparecer e a graça do livro acaba...

Basta dizer que faltavam apenas 10 páginas para terminar a leitura de “Lua de Inverno” e a história estava supostamente no clímax quando fui dormir...

Valeu pelo aprendizado!


terça-feira, 17 de abril de 2012

OS CAMINHOS ESCUROS DO CORAÇÃO – Dean Koontz


Um dos melhores livros que li de Koontz. Talvez só perca para “Os Estranhos”, primeiro contato que tive com ele.

A começar pelo título, que achei super chamativo (no original: “Dark Rivers of the Heart”).

É uma satisfação imensa para o leitor quando ele percebe evolução em algum dos autores que ele acompanha. Esse livro é nitidamente superior a outros que li do mesmo autor sob muitos aspectos.

Por outro lado, eu tinha que ler esse livro. Foram muitas as sincronicidades cercando a sua leitura.


A história já “começa começada”, estratégia que Koontz já vinha utilizando.

Um romance de simetrias distorcidas. A um herói improvável se opõe um vilão mais improvável ainda. E não é que Koontz acaba convencendo?

Principalmente uma história de perseguições. Que eu me lembre, foi a primeira vez que li a cena de uma perseguição de carros, ao invés de ver no cinema. Foi tão esquisito quanto eu achava que seria.

Mas as perseguições vão muito além, desde o uso de satélites militares a um serial killer do passado e outro que pode ser o futuro. Um suspense bem dosado e gostoso de ler!

Fica sobretudo a figura de Roy Miro, assassino e esotérico, adepto do pensamento positivo e do genocídio.

Só me lembro de Manuel Bandeira falando do Peri de José de Alencar: “Tão pouco índio, mas tão brasileiro!” Pois é, esse Roy Miro é que nem o Peri, a sua inverossimilhança não o torna menos convincente.

Valeu!

sábado, 7 de abril de 2012

DARKFALL – Dean R. Koontz


Dean R. Koontz é um hábil artesão de histórias. Com meticulosa perícia ele constrói as suas tramas, sempre seguindo uma cartilha que não falha em prender a atenção do leitor. Por ser tão sistemático, às vezes passa a impressão de que suas narrativas são frios produtos de uma linha de montagem, de que não há envolvimento emocional do autor com a história que ele está contando.

Tanto por suas “qualidades” quanto por seus “defeitos” (ambos entre aspas pois são ambos relativos e dependem principalmente de quem lê, do olhar do leitor), Koontz é um escritor especialmente indicado para os interessados em desvendar um pouco mais as artes da escrita. Todos os livros dele que eu li (uns quatro ou cinco até o momento) seguem um mesmo padrão narrativo, onde o sólido exercício da técnica literária substitui os arroubos erráticos de genialidade. Koontz é um bom escritor, um escritor “confiável”, regular. Ele está no negócio de escrever para vender livros, não para revolucionar a literatura.

O gênero escolhido por Koontz, o terror, evidencia ainda mais o seu estilo sólido. Os dois pilares do gênero, Poe e Lovecraft, são também exemplos de irregularidade. Poe era capaz de escrever uma obra-prima ou um pastiche sem sentido, dependendo da cachaça. E Lovecraft era (em minha opinião hem!!!) um adorável “amador”, compensando a falta de recursos literários com uma imaginação prodigiosa e definitivamente doentia. Nada mais distante da regularidade de Koontz.

Dos autores mais modernos, Clive Barker é o que mais parece seguir a cartilha dos antigos mestres, salpicando o gênero do terror com gosmentas porções de criatividade. Já Koontz parece ter optado por seguir trilhas mais seguras, menos arriscadas. Seu estilo lembra principalmente o Stephen King dos últimos tempos, mais apegado a fórmulas e clichês, principalmente à técnica do “estica e puxa”, que é o jeito de contar a história estendendo ao máximo as partes de suspense. Como já comentei em alguma outra resenha, esta é uma técnica perigosa, pois se o autor pesar a mão a leitura deixa de ser instigante e se torna estressante.

Em “Darkfall” a receita de Koontz não desanda e o suspense segue na medida certa, tornando a leitura interessante e atraente. O próprio autor chama a narrativa de “variação de um tema”, que eu entendi como sendo o tema do monstro, mas que os editores acharam mais propício anunciar como o tema da perseguição. Bom, geralmente onde tem monstro tem perseguição, pois ou o monstro está correndo atrás da mocinha ou é a população armada de paus e pedras que corre atrás do monstro...

Por se tratar de um livro de terror, não dá para contar detalhes da trama, pois isso sempre acaba estragando a surpresa, e elas são poucas em “Darkfall”. Uma delas, e das boas, é o fato da história começar “já começada”, uma novidade interessante que deu agilidade à narrativa.

Um livro divertido, um ótimo passatempo e, principalmente, uma excelente oportunidade de aprendizado sobre técnicas de escrita.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A FACE DO MEDO – Dean R. Koontz


Todo leitor de suspense acaba eventualmente em uma situação assim: são duas horas da manhã e faltam 100 páginas para terminar a leitura. Pára ou continua?

Suspense bom é para ser lido na calada da noite! E assim foi com “A Face do Medo” (The Face of Fear no original). Uma trama honesta e uma boa diversão para os apreciadores do gênero.

O tema do serial killer hoje já está muito desgastado, mas não era assim quando o livro foi escrito, em 1977. Em “A Face do Medo”, essa trama é apresentada com algumas pequenas variações, que ajudam a tornar a história interessante. Os assassinatos, aqui, são inspirados por um pastiche de Nietzsche e Blake.

Mas é o herói, sem dúvida, que faz a leitura valer a pena. Graham Harris é um alpinista de sucesso que acaba sofrendo um trágico acidente em uma tentativa de escalar o Everest. Como efeito colateral do acidente, ele desenvolve dons paranormais e passa a auxiliar a polícia a desvendar crimes violentos. O mais interessante, contudo, é que Harris torna-se uma sombra do homem que era antes, acossado pelo medo. E é justamente o que ele mais teme que terá de confrontar, se quiser salvar a si mesmo e a sua amada, quando os dois são encurralados e perseguidos pelo implacável assassino.

É raro encontrar um livro de suspense com uma moral. A lição de “A Face do Medo” poderia ser resumida na frase do guru indiano Swami Sri Yukteswar:

“Encare seu medo de frente, e ele deixará de perturbá-lo.”


sábado, 12 de novembro de 2011

VELOCIDADE - DEAN KOONTZ











Título: Velocidade
Autor: Dean Koontz
Tradução de Alves Calado
Editora: Nova Fronteira
Ano de Publicação: 2006.









"Se você não levar este bilhete à polícia, vou matar uma linda professora loura em algum lugar do condado de Napa.
Se você levar este bilhete à polícia, matarei uma mulher idosa que faz obras de caridade.
Você tem seis horas para decidir.
A escolha é sua."


E se você recebesse um bilhete desse, o que faria? Foi o que me peguei pensando quando comecei a leitura de "Velocidade", o primeiro que li do autor. Quem recebe o bilhete datilografado é Billy Wiles, um barman, ao sair de seu turno de trabalho, no início de uma noite. E agora? Aquilo seria uma brincadeira? De qualquer forma, dependendo do que fizesse, alguém morreria. Mas aquilo realmente iria acontecer? Ou era alguém fazendo uma brincadeira de muito, muito mau gosto?

Lanny Olsen, seu amigo (que é policial), pede que ele deixe aquilo de lado. Afinal, como descobrir quem seria a tal professora? Ou a tal mulher idosa? Uma maneira um tanto fria de ver as coisas, não é? Mas Billy não consegue mais ter sossego.

Ele não vai à polícia e, horas depois, uma professora é encontrada assassinada. E outros bilhetes começam a aparecer, assim como novas vítimas. A crueldade do assassino se torna cada vez maior. Sim, é um serial killer. E Billy se vê de mãos atadas. Sofre na pele a loucura do seu algoz, que parece querer levá-lo ao extremo.

E, além de tudo isso, há Barbara, em coma desde logo após terem se tornado noivos. Um coma estranho, que a faz vez em quando dizer frases, a princípio desconexas, mas que aos poucos Billy consegue compreender o que significam. E assim, ele também parte em busca de ajudá-la de forma mais significativa. O pior é que até mesmo Barbara não estará mais segura, ela corre o risco de se tornar uma vítima do serial, que aparenta conhecer todos os pormenores do cotidiano do barman, inclusive todos os detalhes de sua casa.


Gostei da primeira experiência com Dean Koontz. Pesquisei alguma coisa sobre o autor e percebi que ele escreve tendo em vista o suspense, o terror, o sobrenatural. Esse, porém, é diferente. É um thriller policial, que mostra uma situação que poderia, sim, ser real. E por isso é mais assustadora ainda. Tem louco pra tudo nesse mundo, eu concordo com isso. Koontz faz com que o leitor se torne cúmplice de Billy, uma coisa meio dolorida, por presenciarmos todas as terríveis situações por que ele passa, mas sem poder ajudá-lo, rs. Em certos momentos, me peguei pensando: "Pega a Barbara e some no mundo com ela, o que tem a perder?" Apesar de ser barman, Billy tem uma situação estável, por ter escrito livros no passado, de relativo sucesso. Até que algo acontece e ele não consegue mais escrever. Aos poucos, Koontz também nos deixa a par de uma tragédia pessoal acontecida na adolescência do protagonista. E o título combinou bem: as coisas aconteceram de uma forma na história que foi impossível eu parar de ler. Li em menos de um dia. Só não concordo um pouco com a motivação do assassino para os crimes. Tá, qualquer que fosse a motivação, eu não concordaria, rs. Mas, pela leitura, isso até que ficou um pouco em segundo plano. Quando a identidade do criminoso foi revelada, na verdade nem era mais isso o que me interessava na história, mas sim saber se tudo aquilo terminaria bem. Ou não.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Do fundo dos seus olhos - Dean Koontz

Inadvertidamente e por curiosidade, de repente, me vi em meio a uma guerra em torno daqueles que defenestravam este livro e outros que o mantinham num lugar privilegiado de fã.

O livro traz a história de Bartolomeu, Júnior e Anja. Bartolomeu, um menino especial, que num revés da vida perde o pai e logo após também a visão. Júnior, um psicopata e aqui cabe a observação de que Koontz praticamente nos coloca na mente deste home cruel e é difícil não nos desestabilizarmos com tanta loucura. E Anja, menina fruto de um estupro e que terá importância capital no desenrolar da trama. Existem outros tantos personagens belos e outros nem tanto, mas é inegável a condução correta e ordenada de todos eles.

Capítulos são distribuídos entre as personagens principais dentro de cada núcleo, mas é a convergência entre as histórias destes 3 personagens, com situações cotidianas e pitadas sobrenaturais, que faz deste livro uma leitura fascinante. É a máxima de como o acaso pode impulsionar o destino de todos, jogando-os numa montanha-russa de acontecimentos inexplicáveis.

O livro parece ter sido escrito por duas pessoas diferentes. Um escrevia núcleo do psicopata e outro o da família de Bartolomeu. Existem algumas situações forçadas que incomodam, mas não subtraem o brilho imaginativo de Koontz. Algumas personagens deveriam ter ganho mais relevância, ficam perdidos em meio à história, inconclusivos. Ainda assim me agarrei firmemente a este livro.

A sucessão de tragédias deixa um gosto amargo na boca, mas Koontz cria trechos de pura poesia, como este que transcrevo, ao traduzir toda a dor de uma mãe que chora e em meio ao choro tem que lidar com a cegueira prematura do filho amado:

“A lua tremeluzia, as estrelas borraram – mas apenas por um instante, porque a devoção de Agnes a este menino era uma fornalha feroz que temperava o aço de sua espinha e trazia um calor seco aos seus olhos.”

Confesso que neste trecho eu chorei feito criança ao sentir a agonia da mãe. Apesar de todos os contratempos, este é um autêntico Koontz, cheio de magia, de lances sobrenaturais, mas acima de tudo emocional – é o que gosto neste autor: a facilidade de nos comover, de conduzir o leitor a um desfecho quase sempre previsível e ainda assim surpreendente.


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