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domingo, 3 de novembro de 2019

CHRISTINE – Stephen King


Não resisti à oportunidade de reler esse livro ao vê-lo na estante do P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), mesmo sendo provavelmente a obra mais fraca da primeira e gloriosa fase de Stephen King. Reli no intuito de estudar a narrativa detalhada e envolvente de King, um autor que consegue dar credibilidade e verossimilhança às situações mais grotescas justamente pela minuciosa profusão de detalhes biográficos e sentimentais com que ele mune seus personagens.

Talvez por eu não me interessar muito por carros, essa releitura tenha chamado a minha atenção justamente para como o tema sinaliza uma das obsessões de Stephen King, Não tanto por “Christine”, uma vez que o autor já escreveu dezenas e dezenas de livros sobre as mais diversas nuances do terror, mas pelo fato de ele ter escolhido o conto “Caminhões” (presente no ótimo “Sombras da Noite”) como base para o roteiro do primeiro e único filme que ele se arriscou a dirigir, “Maximum Overdrive” (lançado no Brasil como “Comboio do Terror”, vide trailer: https://youtu.be/ggWS4tTzs60).


“Caminhões”, lançado em 1978, gira em torno da mesma ideia básica de “Christine”, publicado em 1983: carros adquirindo vontade e inteligência próprias e voltando-se contra os homens. Ao fazer essa conexão, lembrei do grave acidente sofrido pelo autor em 1999, quando foi atropelado por uma van, sofrendo fraturas múltiplas e perfuração do pulmão. Fiquei muito impressionado ao saber que depois de se recuperar desse grave acidente Stephen King comprou a van que o havia atropelado e a destruiu a marretadas. Não deixa de ser uma bizarra sincronicidade entre a obra e a vida do autor.


“Christine”, aliás, também virou um filme lançado no mesmo ano do livro e dirigido por John Carpenter (https://youtu.be/9aU5l2e9YlQ).



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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:


sábado, 22 de agosto de 2015

ENTREVISTA COM O VAMPIRO – As Crônicas Vampiresca 1 –  Anne Rice  - Blog Livros e Resenhas: Sua Estante

SUA ESTANTE
Interview with the Vampire (The Vampire Chronicles #1) Ano: 1992 / Páginas: 309
Idioma: português
Editora: Rocco

“Aquela manhã, eu não era ainda um vampiro.  E eu vi meu último nascer do sol. Eu lembro completamente desse, ainda que não me lembre de nenhum  outro nascer do sol antes desse ”. (ANNE RICE, in: Entrevista com o Vampiro, 1976)


Desde que me entendo por gente lembro de estar sempre com um livro na mão e dos mais variados tipos: quadrinhos, contos de fadas, almanaques, livrinhos de pintar (e olha que nem estavam na moda e já amava!), infantis, infanto juvenis e assim por diante. Contudo, foi com o livro Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire, Anne Rice, 1992, Editora Rocco, 309 p.) que tive consciência de que a literatura estaria definitivamente e irremediavelmente em um papel de destaque em minha vida.
O curioso é que cada saga dessa autora parece ser escrita por uma pessoa totalmente diferente, tamanho é a abrangência dos universos que cria. Seja na saga das Bruxas Mayfair; nos duetos As Canções do Serafim e As Crônicas da Dádiva do Lobo; no religioso Cristo Senhor ou na extrema oposta trilogia erótica gótica pouco palatável sobre o conto de fadas A Bela Adormecida; as múltiplas personalidades de Anne Rice somente se assemelham no alto nível da escrita e na complexidade de seus personagens.
E não é diferente com as Crônicas Vampirescas. Publicado pela primeira vez em 1976, Entrevista com o Vampiro, primeiro livro dessa saga alçou a norte-americana Anne Rice ao posto de “rainha do terror”. Não é à toa que a tradução do livro foi creditada a ninguém menos que Clarisse Lispector, uma das mais respeitadas escritoras brasileiras.
Alegando ser um vampiro de 200 anos de idade, Louis de Pointe du Lac narra suas memórias para um jovem jornalista: em 1790, era um rico fazendeiro de New Orleans, dilacerado com a morte do irmão. Deseja que a morte o tirasse de seu tormento, porém, é o enigmático vampiro Lestat que o encontra e tem outros planos para o melancólico Louis, transformando-o em seu companheiro imortal.
Enquanto, para o deleite do manipulador Lestat, o novato vampiro continua na sua existência pós morte martirizando-se com as mesmas questões existencialistas que o afligiam em vida, a autora recria a atmosfera da cidade estadunidense de colonização francesa, com seus portos e arquiteturas peculiares e posteriormente a própria Paris.
Esqueça romance adolescente com vampiros brilhando ao sol. As Crônicas Vampirescas – até o presente momento contendo doze livros – é uma série responsável por trazer algumas das figuras mais marcantes do imaginário popular. Assim como nesse volume somos introduzidos a Lestat que talvez só possa ser comparado em termos de importância ao próprio Drácula de Bram Stoker, temos a Cláudia, a polêmica “filha” de Louis e Lestat, que recentemente ganhou na graphic novel A História de Cláudia (Interview with the Vampire: Claudia’s Story, Anne Rice; Ashley Marie Witter, 2015, Editora Rocco, 224p.) sua própria versão dos acontecimentos de Entrevista com o Vampiro.
A adaptação cinematográfica demorou muito para chegar aos cinemas mesmo sendo um sucesso literário mundial. A produção hollywoodiana homônima de 1994 – Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles, direção de Neil Jordan – conta com excelentes atuações de Brad Pitt como Louis e Tom Cruise como Lestat. Mantém o roteiro relativamente fiel a obra original, exceto pela derrapada na escolha de Antonio Bandeiras para dar vida ao vampiro Armand, que no livro é descrito como um anjo juvenil loiro e terá grande importancia nos volumes subsequentes.
Alguns leitores podem considerar Anne Rice demasiadamente descritiva, mas acredito ser fundamental para a imersão no universo criado pela autora que, certamente, tem como ponto forte a profundidade psicológica dos seus personagens. Entrevista com o Vampiro, provando ser um clássico, continua tendo o enredo mais atual do que nunca, focando sua temática no amor – independente do gênero – morte, imortalidade, existencialismo e na condição humana. 
Escrito por: Tatiana Castro
SUA ESTANTE

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Misery - Stephen King



Paul Sheldon é um famoso escritor que ao sofrer um acidente de carro é socorrido por Annie Wilkes.
Depois de vários dias desacordado,Paul enfim desperta para encarar sua salvadora.Annie, além de uma ótima enfermeira é também a fã número um dos livros de Paul Sheldon.
Quando Annie descobre que "Misery",a moça da famosa série de livros escritos por Paul morre no último livro as coisas se complicam.Paul começa a notar que sua fã número um tem sérios distúrbios psicóticos e está disposta a tudo para que ele "ressuscite " Misery.As limitações de Paul são muitas pois está com as pernas quebradas e isolado na casa de Annie  no Colorado.Chuva e neve tornam tudo ainda pior,e fugir é impossível.Em pouco tempo,Paul Sheldon  vai descobrir que Annie é perigosamente louca.

Falar de livros do Stephen King pra mim é sempre um prazer imenso,pois é o meu escritor favorito.
É  incrível a capacidade que o King tem de nos prender à uma leitura.Em Misery já iniciamos o livro com Paul acordando no quarto de hóspedes de Annie.Diferente de outros livros do autor em que as coisas demoram a acontecer,aqui de imediato já nos vemos de frente com o "depois" do acidente de Paul onde as coisas já começam a ficar pretas.O livro se passa praticamente na casa de Annie,mais precisamente no quarto de hóspedes.E isso por si só já é algo complicado pois como manter o interesse de um leitor sem uma mudança de cenário,em grande partes só com os pensamentos do protagonista?É  ai que entra a magia do grande mestre.Ele consegue nos levar à uma angústia e um desespero tão grande sem que em nenhuma parte do livro o leitor perca o interesse.E tudo isso só com dois personagens interagindo.
Misery é diferente da maioria dos livros do King pois aqui nada de sobrenatural.Tudo é de uma realidade tão crua que chega a assustar..É  um suspense psicológico onde o autor  nos choca com as coisas que Annie faz com Paul.Em certo ponto do livro eu me perguntava será que vale a pena Paul sobreviver depois disso?Houve partes em que Paul e eu só queríamos que a morte viesse e desse um fim aquele suplício.
Uma leitura excelente, não dá pra parar de ler.Por muitas vezes eu passava do desespero ao alívio sem nem perceber que eu era apenas o leitor do livro e não Paul Sheldon ,tanto que  atmosfera do livro ficou impregnada em mim.Misery é um livro que há muito eu desejava ler mas infelizmente havia deixado de ser publicado no Brasil há anos.Era um livro raro de se encontrar até que a Suma de Letras resolveu republica-lo para a minha grande alegria e de outros fãs do Stephen King.Leitura de primeira!!!



Essa é a capa da edição de 1991 da Editora Francisco Alves.Uma raridade não encontrada nem em sebos.




Cena do filme "Louca Obsessão" de 1990 com Kathy Bates e James Caan,baseado no livro Misery.

sábado, 25 de janeiro de 2014

LIVROS DE SANGUE IV – Clive Barker



T de Terror... ou de Tédio???

Encontrei três explicações para ter achado esse livro tão chatinho:

1) Mudou o leitor
Evidentemente não sou mais o adolescente viciado em medo, que tinha Stephen King como o grande autor de nosso século... Há muito tempo que o gênero do horror deixou de ser meu favorito, e me agrada cada vez menos... Pois os livros e filmes de terror acabam caindo na dicotomia: ou não cumprem o que prometem e acabam entediando ao invés de assustar (como foi o caso desse livro), ou, quando conseguem assustar, pior ainda, pois se isso acontece é porque são tão doentios que melhor seria se não existissem!

2) Mudou o autor
Li o “Livros de Sangue I” duas vezes, e gostei muito! Considero Clive Barker o herdeiro espiritual de Allan Poe, e esse primeiro volume de sua longa antologia de contos de terror prova isso. Só que parece que o combustível criativo foi acabando... Li o volume II com grande decepção, e esse volume IV, ao contrário do caso do Black Sabbath, jamais será um clássico, com suas histórias fraquinhas, previsíveis e mais ridículas que aterrorizantes. A melhorzinha é a última história, “A Idade do Desejo”, e assim mesmo está longe do padrão criativo do primeiro volume.

3) Mudou o mundo
Já viajei muito sobre o gênero do terror, que considero um sucedâneo da espiritualidade em uma época materialista e tecnológica. Privada de um anseio muito essencial e profundo, que é a busca espiritual, a alma tem de se contentar com o placebo de historietas de terror, que representam o contato possível e socialmente aceito com o sobrenatural, quando a genuína busca do sagrado é condenada como superstição. Observe-se que o gênero do terror floresceu justamente após o advento da Revolução Industrial, que convenceu o macho adulto europeu de que Deus era algo dispensável em sua cartilha... Só que isso também já está ultrapassado, e hoje vivemos em um mundo de transformações vertiginosas, em que a própria tecnologia (leia-se Internet) traz revelações por minuto que sacodem tudo o que é sólido e desmancha no ar. Em um mundo sob a sombra de teorias genocidas da conspiração, com a progressiva descoberta de que tudo o que sabemos através dos meios oficiais não passa de mentira descarada, como se assustar com historinhas infantis de fantasmas, zumbis e vampiros? O próprio Clive Barker expressa claramente essa derrocada do gênero de terror, na melhor passagem de seu livro:

“Que imagens triviais os populistas conjuravam para instilar algum medo em suas plateias. Os mortos-vivos; a natureza crescendo e perdendo o controle num mundo em miniatura; bebedores de sangue, profecias, tempestades e todas as outras bobagens perante as quais o público se encolhia. Era tudo tão risivelmente bobo: no meio daquele catálogo de terrores baratos não havia um que se igualasse à banalidade do apetite humano, cujo horror (ou suas consequências) ele via toda semana de sua vida de trabalho.”


  
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ANUNNAKI – Mensageiros do Vento


domingo, 12 de janeiro de 2014

Promoção: Barbara está morta e outros contos de horror - Celly Borges


Barbara está morta e outros contos de horror é um eBook com 4 contos que mostram o horror de cada um.

Esse horror pode ser transferido, mesmo sem querer, numa luta contra a própria índole; outras pelo desejo de autossatisfação indiferente do sofrimento alheio.

O horror mostrado aqui é sobre a crueldade, a perversão que guardam as sombras e a natureza humana.
O eBook faz parte da Coleção e-contos da Editora Estronho. Durante 5 dias a Amazon traz uma promoção e o eBook será gratuito!

Skoob
Amazon



Celly Borges nasceu e sobrevive em São José dos Pinhais, PR. É apaixonada pelos livros. Mantém há cinco anos o blog Mundo de Fantas no mundo dos livros (http://mundodefantas.blogspot.com.br). Autora de contos nas antologias Insanas... elas matam!; Le Monde Bizarre, O Circo dos Horrores; Autores Fantásticos, Terrir, e Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe, e do eBook Barbara está morta e outros contos de horror. Também escreve literatura infantil sob o nome Gisele Borges e sua primeira aventura se chama Em busca do arco-íris de sonhos.


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ANUNNAKI – Mensageiros do Vento



terça-feira, 21 de maio de 2013

MEIA-NOITE – Dean R. Koontz




Ler esse livro me possibilitou fazer algumas conexões interessantes:

* Koontz / King – fiquei o tempo todo imaginando como teria sido essa história nas mãos de Stephen King. A trama segue bem uma das especialidades de King: uma força maligna instala-se em uma pequena cidade americana, convertendo seus habitantes em servos do caos e da destruição. Segue-se a progressiva desarticulação da rede social até a entropia total do sistema.

* Koontz / Asimov – os dois parecem ser escritores do tipo verborrágico, de quem as palavras parecem jorrar com espantosa facilidade. Tanto um quanto outro destacaram-se em um subgênero específico da literatura (terror no caso de Koontz / ficção científica no de Asimov), mas publicaram muitos outros livros em estilos totalmente diversos. Os dois seguem uma fórmula própria bem característica, que torna seus estilos inconfundíveis.

* Terror / Heavy Metal – o filho do protagonista de “Meia-Noite” é fã de Black Metal, vertente satanista e nihilista do rock pesado. Talvez por isso, tenham ficado mais óbvias as pontes entre o subgênero literário e o subgênero musical. Tais como a predominância de motivações adolescentes por detrás do tratamento ostensivamente adulto, o apego excessivo a jargões e clichês, o gosto pela velocidade e pela estridência. Penso que os livros e filmes de terror, bem como as canções de heavy metal, são regidos sobretudo pelo Arcano do Carro, dentre as cartas do Tarot.

* Koontz / H. G. Wells – foi no mínimo uma deselegância do autor contar o final de “Guerra de Mundos” e “A Ilha do Dr. Moureau”, ambos clássicos de H. G. Wells. Está certo que Koontz bebeu dos dois, mas não precisava tornar a “homenagem” tão explícita...

Comecei lendo palavras, depois frases, depois parágrafos, capítulos, páginas...



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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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quinta-feira, 2 de maio de 2013

CERTA ESTRANHEZA – Bia Machado




Nossa querida Bia Machado estreia lindamente nessa primeira antologia de contos totalmente de sua autoria. O título do livro não poderia ter sido melhor escolhido, pois é uma constante na leitura experimentar “Certa Estranheza” diante do fantástico, do sobrenatural, do grotesco, do pavoroso...

São 13 contos (certamente o número não foi obra do acaso!) recheados de mortes estranhas e, com muita frequência, de pós-mortes ainda mais estranhas... A autora intensifica essa sensação de estranheza pelo contraponto do horror com temas totalmente diversos do gênero principal do livro, como o faroeste (Lá, no fim do mundo, depois do pôr-do-sol), as histórias e cantigas infantis (Jack Barbazul / Lenga-la-lenga), o drama histórico (Senhora Quintana vai morrer) ou regional (Pequenas dúvidas sobre Lurdinha) e até mesmo o humor (Os diamantes de Tia Eufrásia são eternos)! Vale tudo para provocar no leitor uma Certa Estranheza...

Gostei muito de ter lido esse livro, que teve o sabor especial de estar acompanhando não somente as histórias dos contos, mas principalmente a história da própria autora, que constrói passo a passo o seu corajoso e talentoso caminho literário. Para dar um gostinho do que vem por aí, o livro termina com um trecho do futuro romance Cinquenta e três dias no túmulo, que aguardo com feliz expectativa.

Viva Bia Machado!


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DR JEKYLL AND MR HYDE (O MÉDICO E O MONSTRO) – Robert Louis Stevenson




Foi pura sincronicidade terminar no mesmo dia de reler esse livro e também o capítulo 16 do Gita, a respeito da natureza divina e demoníaca no homem... ou talvez, tendo começado a leitura do Gita primeiro, inconscientemente eu tenha sido novamente atraído para esse clássico do R. L. Stevenson... Seja como for, essa leitura me proporcionou boas reflexões, bem mais do que eu esperava.

Do ponto de vista estritamente literário, dá para entender porque R. L. Stevenson é cultuado como grande escritor até os dias de hoje. A história é muito bem contada, de forma a prender o leitor na narrativa. Porém creio que se o autor imaginasse o imenso sucesso de seu “O Médico e o Monstro”, talvez tivesse contado a história de forma diferente, dando menos ênfase à revelação do segredo de Dr. Jekyll/Mr. Hyde e, quem sabe, explorando mais as ambigüidades na relação dos dois...

Não que isso atrapalhe o prazer da leitura. Eu mesmo estava lendo a história pela segunda vez, já vi não sei quantas adaptações para o cinema, HQ, desenho animado e os cambau, e ainda assim fiquei eletrizado pela história!

É que Stevenson toca em um ponto nevrálgico do inconsciente coletivo nessa história. Tanto que o Médico e o Monstro já viraram arquétipos modernos, assim como Drácula e Frankenstein... com a diferença (em minha opinião) que Stevenson escreve bem melhor que Bram Stoker e Mary Shelley juntos!

Totalmente clássico!



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terça-feira, 5 de março de 2013

A ESTRADA DA NOITE – Joe Hill



A ideia que inspira o livro é bem interessante: é possível comprar um fantasma pela Internet?

Pois foi justamente isso que fez Jude Coyne, um roqueiro cinquentão que ganhou fama e fortuna cantando rocks de terror no estilo de Ozzy. Ao descobrir em um site de leilões um paletó supostamente assombrado, Jude não resiste à tentação de tornar-se proprietário de um fantasma. É claro que ele acaba se arrependendo...

Achei esse livro tal e qual um Big Mac. Pois certamente tem muita gente que gosta, mas eu, mesmo na época em que comia hambúrguer, achava esse sanduíche sem graaaça... acostumado ao X-Tudo na lanchonete da esquina, sempre achei o Big Mac sem gosto de nada, isopor colorido.

Pois então. Achei esse livro igual. Deve ter quem goste, com certeza. Mas se o livro fosse um tantinho mais chato, eu teria desistido. Como foi, serviu de passatempo inócuo em uma semana muito corrida.

Isso não quer dizer que o livro seja ruim. Eu é que não gostei. Talvez já não curta mais ler horror, sei lá...

Mas como nunca perco com leitura, e sempre acabo descobrindo algo de bom, nesse livro foi justamente essa reflexão sobre o surgimento das histórias de horror em nossa sociedade... por sincronicidade o livro que estou lendo agora começa falando justamente sobre isso!

Creio que as histórias de horror nascem de um vazio espiritual deixado pela sociedade mecanicista, pelo abandono do cultivo da espiritualidade (não estou falando de religião, mas de buscar respostas para as perguntas essenciais: quem sou eu? O que faço aqui? Qual o sentido da vida?).

Pois então: cada vez mais me convenço que as histórias de horror buscam saciar uma fome espiritual, que as pessoas talvez nem percebam, mas nem por isso deixam de sentir.

Só que Big Mac, para mim, não enche barriga!



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terça-feira, 20 de novembro de 2012

A TRAMA DA MALDADE – Clive Barker





Nunca li um livro que se parecesse tanto com uma história em quadrinhos!

O curioso é que se fosse em quadrinhos mesmo, provavelmente a história não despertaria o meu interesse. Mas como texto corrido fiquei bem interessado durante as 733 páginas tamanho “tijolão”!

Acho que essa impressão foi causada pelo fato da imaginação (abundante) de Clive Barker ser eminentemente visual... tive essa impressão ao ler o “Livros de Sangue 2”, que só foi confirmada pelo primeiro romance dele que leio.

Aliás, há quanto tempo eu desejava ler um livro do Clive Barker! Exatamente como esse que li: bem grosso e com um título capaz de me deixar cabreiro, com medo de ter medo!

É certo que a “maldade” maior foi da edição brasileira, que traduziu dessa forma o título original de “Weaveworld”, algo como “mundo da trama”. Tudo bem que a tradução literal não inspira muita vontade de ler um calhamaço...

A história: existe um mundo encantado, como “o país das maravilhas”, coexistindo com o nosso mundo dito “normal”. Esse mundo é chamado de “A Fuga”, e é habitado pelos Despertos, que chamam o nosso mundo de “Reino” e a seus habitantes de Loucos...

Sim, essa distinção Despertos X Loucos evoca muito o Harry Potter, com seus Bruxos X Trouxas. Detalhe: o livro de Barker foi publicado dois anos antes do primeiro da série Harry Potter (e escrito dez anos antes)!

Voltando à história: tem tapetes encantados, criaturas mágicas e também muitos monstros! É realmente um grande voo de imaginação, onde nem sempre se prima pela verossimilhança e pela congruência, mas enfim! As peripécias imaginativas são boas o bastante para superar as deficiências.

A imaginação visual de Barker é eficaz sobretudo ao imaginar as criaturas hediondas, que ele consegue tornar mais repulsivas por diversas associações (sutis ou não) com a sexualidade. Muito interessante é a personagem Imaculada, com seu poder mágico originado pelo Mênstruo e com suas duas irmãs, a senil Bruxa e a tarada sinistra Madalena, que “estupra” jovens indefesos para gerar monstruosidades com o sêmen roubado... por aí dá para ter uma ideia do tipo de horror com que se delicia Clive Barker.

Mas tudo considerado, não diria que esta é uma história de terror. Está mais para a fantasia, com direito a sua cota de monstros e dragões.

Fico feliz por mais um sonho realizado: ler um romance do Clive Barker!



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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A PORTA PARA DEZEMBRO – Dean R. Koontz



 Curso de Suspense com Prof. Dean Koontz

Comprei vários livros do Dean Koontz de uma só vez, na feirinha de livros na Cinelândia (ê saudade!!!), cada pocket book por apenas R$ 1!!!

Pois bem, afinal cheguei ao último desses livros. Lê-los foi como fazer um curso sobre “O Ofício de Escrever Histórias de Suspense”! Sinto-me agora, mesmo sabendo que há tanto por aprender, como se tivesse tirado algum diploma!!!

Aprendi muito com essas leituras. Foram dois tipos de aprendizado, igualmente preciosos. Primeiro, aprendi onde Koontz mandou bem. Segundo, aprendi mais ainda onde Koontz mandou mal!

Sinto que ele é um autor muito metódico, segue à risca algum tipo de “fórmula” ou “receita”. Foi isso que tornou possível esse grande aprendizado, pois a cada livro lido a “fórmula” foi ficando mais evidente para meus olhos.

Quase sempre foi divertido ler Koontz. Mas ao mesmo tempo ele me intriga e também me irrita!!! É uma pessoa muito diferente de mim. Por isso também aprendo tanto com ele.

Vou dar alguns exemplos, tirados desse livro.

Koontz mandou bem!

* Começar a história “começada”, já no meio da ação, é um recurso interessante que funciona muito bem.

* Detalhes que enriquecem o histórico dos personagens também são muito válidos e ajudam a história a “pegar”.

* A alternância de situações dramáticas é um belo recurso que prolonga o suspense e mantém o leitor grudado nas páginas... desde que não haja exageros!

Koontz mandou mal!

* A diferença principal entre “suspense” e “mistério” é que no mistério temos que descobrir o segredo que move a trama. Já no suspense, esse “segredo” é apresentado desde o início para o leitor/espectador, embora nem sempre para os personagens. Pois bem. O leitor é cúmplice do autor enquanto ele mantém o personagem ignorante do que os dois sabem. Mas tudo tem limite. Nesse livro existe um “segredo” que eu pelo menos adivinhei nas primeiras páginas. Não me incomodou que os personagens não soubessem desse segredo, para mim tão óbvio. Mas depois que um dos heróis descobre, ainda rolam umas 100 páginas de “suspense” até os outros descobrirem também! Isso é no mínimo um desrespeito à inteligência do leitor. Definitivamente não funciona, suspense pela culatra!

* E o principal que aprendi com esse livro: interromper a cena no auge do suspense e passar para outra cena paralela é ótimo recurso, mas com moderação!!! É preciso ao menos passar de uma subsequência da cena para outra, interromper no suspense e voltar para o mesmo ponto várias vezes tem o efeito contrário do suspense: fica ridículo e hilário!!!

Exemplo:

O maníaco aproxima-se com uma faca. A mocinha grita.

Enquanto isso, nosso herói está andando de carro, procurando pela mocinha...

O maníaco ergue a faca. A mocinha grita.

Enquanto isso, nosso herói está andando de carro, procurando pela mocinha...

Como é grande a faca do maníaco! Como grita a mocinha!

Enquanto isso, nosso herói está andando de carro, procurando pela mocinha...



Ninguém merece isso né!!! Pois bem, tem uma cena quase assim nesse livro, que cortou totalmente meu tesão na leitura. O resultado foi que achei o começo interessante, o meio ótimo e daí pro fim, sofrível. Como quase sempre aconteceu com Dean Koontz, fui lendo pulando pedaços. Pois que necessidade de enrolar!!!

Isso é o que mais me intriga em Koontz: um grande talento para o “como” contar uma história, mas pouco conteúdo sobre o “que” contar.

Minha opinião final: os livros de Koontz ficariam bem melhores se metade das páginas fosse cortada!!!

Pois graças a Deus nem só com o professor Koontz se aprende a escrever:

“Escrever é a arte de cortar palavras.” (Carlos Drummond de Andrade)

Ah já ia esquecendo: esse livro foi originalmente publicado sob o pseudônimo de Leigh Nichols. Título original em inglês: “The Door to December”.



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domingo, 23 de setembro de 2012

A HORA DO VAMPIRO – Stephen King



Esse foi o segundo livro publicado por King, logo depois de “Carrie”, em meados da década de 1970. O título inicial do livro era “Second Coming” (algo como “A Segunda Vinda”), mas King acabou seguindo a sugestão da esposa de trocar, pois o título lhe parecia o de uma história ruim de sexo (pois “Second Coming” também pode ser traduzido como “O Segundo Orgasmo”). King resolveu então batizar o livro como “Jerusalem’s Lot”, mas os editores acharam melhor abreviar para “Salem’s Lot”, para não ficar com uma cara muito religiosa. Ao ser lançado no Brasil, durante a década de 80, seguindo a coqueluche em cima do filme “A Hora do Espanto”, o livro de King foi rebatizado como “A Hora do Vampiro”. Ufa!!!

Achei legal falar sobre esses títulos todos, pois o primeiro deles mostra a concepção original do autor nessa obra. Ele imaginou como seria uma “segunda vinda” de Drácula, acontecendo nos dias de hoje. Primeiro King concebeu esse retorno acontecendo em uma cidade grande, tal como Nova Iorque, mas logo descartou a ideia: “o vampiro seria atropelado por um táxi no primeiro dia”!

E só então surgiu a ideia de ambientar o retorno de Drácula em uma pequena cidade americana. Creio que isso acabou tendo uma importância ímpar para Stephen King ter criado todo o seu universo terrorífico girando em torno das cidadezinhas do Maine...

Sobre o livro: li pela primeira vez durante a adolescência. Considerei um dos melhores livros de King, e sem dúvida o melhor livro de vampiro que eu havia lido. Lendo agora pela segunda vez, percebo que o livro envelheceu um pouco, depois de tantas e tantas revisitações que o tema do vampiro vem recebendo. Ainda assim, lendo pela segunda vez, e no computador ainda por cima, fiquei grudadinho na leitura da primeira à última página. A história perdeu o impacto da originalidade, mas continua sendo a melhor história de vampiro que já li.



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