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sexta-feira, 19 de julho de 2019

MACHADO DE ASSIS – Alfredo Bosi



Excelente livrinho da série “Folha Explica”, escrito pelo especialista em Machado de Assis, Alfredo Bosi, autor também de “Machado de Assis – O enigma do olhar”. Começa com um resumo das análises críticas feitas sobre a obra de Machado, que demonstram de forma muito eloquente, pelas mutações que vão sofrendo, como é verdadeiro o ditado “vita brevis, ars longa” (“a vida é curta, a arte é longa”). A obra de um gênio como Machado de Assis desafia o tempo e continua intrigando e seduzindo leitores, década após década – ainda que cada geração encontre na leitura algo de diferente.


Em seguida o próprio Bosi analisa cada um dos romances machadianos, assim como suas principais novelas, contos, crônicas, poesias e peças teatrais. Eu achei a leitura simplesmente deliciosa, quase tão boa quanto degustar diretamente os textos de mestre Machado. É preciso fazer a advertência de que as tramas dos romances são totalmente expostas aqui, por isso a leitura desse livro é recomendada para quem já leu toda a obra citada ou para quem não se incomoda com spoilers de clássicos da literatura.

Nesses nossos tempos tão esquisitos, em que o Brasil e o mundo estão tão fortemente polarizados, a leitura desse livro me sugeriu (mais) uma divertida divisão. Penso que é possível dividir as pessoas em dois tipos básicos, a partir de dois luminares de nossa literatura:

a) Tipo “José de Alencar” – pessoas imaginativas, sentimentais, grandiosas, arrebatadas, religiosas, românticas...
b) Tipo “Machado de Assis” – pessoas céticas, irónicas, detalhistas, comedidas, racionais, realistas...

Eu, que amo de paixão esses dois autores, sou decididamente um tipo “José de Alencar”! E você, qual é o seu tipo?



Palestra de Alfredo Bosi sobre Machado de Assis:


  

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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

terça-feira, 4 de junho de 2019

SENHORA – José de Alencar




Eu tinha onze anos de idade quando, junto com a querida amiga Eva Costa, fiz um cartão na biblioteca do bairro da Ribeira, em Salvador. Era um cartão só para nós dois, que dava direito a pegar dois livros a cada quinze dias. Então combinamos que cada um escolheria um livro para ler, e depois trocaríamos. Eu escolhi “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie, que me deixou alguns dias sem dormir. Eva escolheu “O Guarani”, de José de Alencar, que gerou em mim uma grande paixão pela literatura brasileira, pelo que sou muito grato.

Nos três anos seguintes li muitos outros livros de José de Alencar: “Cinco Minutos”, “A Viuvinha”, “Ubirajara”, “Iracema”, “O Tronco do Ipê”, “Til”, “Lucíola” e “A Pata da Gazela”. Devo a essas leituras praticamente tudo o que sei de gramática!

“Senhora” foi um dos últimos que li desse autor, já aos quinze anos, como imposição escolar. Por essa época minha paixonite por José de Alencar já havia fenecido um pouco, por conta de outras leituras e descobertas. Ainda assim, gostei da leitura – fato raro dentre os livros que li na escola, com a ingrata obrigação de fazer uma prova depois.

E agora, depois de tanto tempo, retorno a esse autor tão querido de meu coração. Feliz reencontro! O que primeiro me encantou foi o lirismo da prosa de José de Alencar, mas logo em seguida fiquei capturado pela trama amorosa (mesmo já tendo lido o livro!), para minha própria surpresa! A turma que gosta de ler histórias de amor e ainda não conhece José de Alencar não faz ideia do que está perdendo!

Algo que me chamou a atenção nessa segunda leitura foi a carga erótica de algumas cenas, que passaram despercebidas de meu olhar adolescente. Pois é preciso contextualizar, ter em mente que a história foi publicada em 1875. Para os padrões da época, imagino que a cena que descreve Aurélia entrando no leito nupcial, por exemplo, deve ter deixado muitas moçoilas e mancebos com taquicardia... sobretudo pela cruel interrupção do clima erótico, em uma reviravolta que define a estrutura narrativa de “Senhora”.

Pois se o tema geral do livro é o do chamado “casamento de conveniência”, a estrutura narrativa segue uma técnica arriscada, que poucas vezes vi sendo posta em prática com bons resultados (e nunca tão bem quanto em “Senhora”): algo que chamei de “técnica do coitus interruptus”, e que consiste na frustração da expectativa de alívio dramático, por meio de seguidas reviravoltas, até a resolução final do grande e catártico clímax. Isso sim é que eu chamo de Literatura Hot!



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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO




sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MACUNAÍMA – Mário de Andrade



Que livro genial! Certamente uma obra-prima da Literatura mundial, que dá orgulho de ser brasileiro! Ainda que a genialidade maior da obra seja justamente retratar o brasileiro, através do herói Macunaíma, como um ser “sem nenhum caráter”...

A tese da ausência de caráter do brasileiro é apresentada em dois níveis. O primeiro é o caráter como uma espécie de personalidade, uma “entidade psíquica permanente, se manifestando por tudo, nos costumes na ação exterior no sentimento na língua na História na andadura, tanto no bem como no mal”, como define o próprio Mário de Andrade. E ele continua: “O brasileiro não tem caráter porque não possui nem civilização própria nem consciência tradicional”.

E então surge a sacação verdadeiramente genial: “Dessa falta de caráter psicológico, creio otimistamente, deriva a nossa falta de caráter moral. Daí nossa gatunagem sem esperteza (a honradez elástica/a elasticidade da nossa honradez), o desapreço à cultura verdadeira, o improviso, a falta de senso étnico nas famílias.”

É por isso que “Macunaíma” continua extremamente atual: embora tenha sido escrito em 1926 e publicado em 1928, continua botando o dedo na ferida de nossa identidade nacional, tão confusa e sujeita às apropriações mais nefastas. E não é à toa que esse seja um dos livros brasileiros mais estudados de todos os tempos, e que ainda hoje gere polêmica.

Em 1969 o livro ganhou uma versão cinematográfica igualmente genial:


A obra de Mário de Andrade já se encontra em domínio público e “Macunaíma” é facilmente encontrado em PDF:


Eu tive a sorte de ler uma esmerada edição da Agir, que traz ao final um “Dossiê Macunaíma”, contendo vários rascunhos do autor sobre sua obra, de onde extraí as seguintes pérolas:

“Quanto a algum escândalo possível que o trabalho possa causar, sem sacudir a poeira das sandálias, que não uso sandálias dessas, sempre tive uma paciência (muito) piedosa com a imbecilidade”.

“Quanto a estilo, empreguei essa fala simples tão sonorizada, música mesmo, por causa das repetições, que é costume dos livros religiosos e dos contos estagnados do rapsodismo popular. Foi pra fastarem de minha estrada essas gentes que compram livros pornográficos por causa da pornografia.”

“Não sei ter humildades falsas não e se publico um livro é porque acredito no valor dele. (...) Principalmente disso vem o orgulho tamanho que possuo e me impede completamente qualquer manifestação de vaidade.”

“Outro problema que careço explicar é da imoralidade. Palavra que seria falso concluir pela imoralidade e pela porcariada mesmo que está aqui dentro, que me comprazo com isso. Quando muito admito que concluam que me comprazo... com o brasileiro.”

E viva Macunaíma! Viva Mário de Andrade! Viva a Literatura Brasileira!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

SÃO BERNARDO – Graciliano Ramos


Simplesmente brutal!!!

Esta pungente tragédia nordestina é tão forte e contundente porque é, sobretudo, uma tragédia essencialmente humana. Paulo Honório, protagonista e narrador de “São Bernardo”, é tão universal quanto Édipo ou Hamlet, em suas ações e motivações. Se Édipo age porque não sabe, e Hamlet não age porque sabe, talvez Paulo Honório seja aquele que age para descobrir que não sabe...

Otelo e Dom Casmurro são outras figuras clássicas evocadas nesta poderosa obra, por conta do avassalador ciúme de Paulo Honório. Ao contrário de seus ilustres predecessores, contudo, o ciúme do herói de “São Bernardo” não nasce do amor, mas do sentimento de posse, que coisifica pessoas e relações. Madalena recusa-se a ser um mero objeto possuído, tal como a fazenda de São Bernardo, e por ousar expressar opiniões próprias incorre na ira ciumenta de Paulo Honório.

A prosa de Graciliano Ramos é poderosa e angustiante, enxuta ao extremo, onde não há sequer uma vírgula sobrando. A narrativa é de uma aridez tamanha que deixa a garganta da gente seca, implorando por uma gota de umidade! Isso aliado a uma concepção literária das mais altas, a serviço de um profundo questionamento sobre o sentido da vida humana e da ordem do mundo, imaginem! Tudo considerado, em minha opinião teria sido merecidíssimo se Graciliano tivesse sido o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel de Literatura...

A edição que li traz, após o magistral romance, um ensaio crítico de João Luiz Lafetá, muito interessante, de onde copio algumas ideias para referência futura:

* “Sumário Narrativo” X “Cena”: “O ‘sumário narrativo’, explica-nos Norman Friedman, ‘é a exposição generalizada de uma série de eventos, abrangendo um certo período de tempo e uma variedade de locais’; a cena, por sua vez, implica a apresentação de detalhes concretos e específicos, dentro de uma estrutura bem determinada de tempo e lugar.” (177)

* “V. Propp demonstrou que os contos populares se constituem sempre em torno de um núcleo simples: o herói sofre um dano ou tem uma carência, e as tentativas de recuperação do dano ou de superação da carência constituem o corpo da narrativa” (V. Propp, Morfologia del cuento). (179)

* “O romance, segundo Lukács, é a história da busca de valores autênticos por um personagem problemático, dentro de um universo vazio e degradado, no qual desapareceu a imanência do sentido à vida” (G. Lukács, A Teoria do Romance). (195)

* “Como afirma Lukács, a mais humilhante impotência da subjetividade manifesta-se menos no combate contra estruturas sociais vazias do que ‘no fato dela estar sem forças diante do curso inerte e contínuo da duração’.” (196)

Curiosamente, em seu brilhante e extenso ensaio o crítico deixa de mencionar dois aspectos que muito chamaram minha atenção:

1) O cachorro da fazenda chama-se Tubarão, em um rico e sugestivo paralelismo com a cachorra Baleia de “Vidas Secas”.

2) O que para mim sintetizou de forma brilhante a coisificação (ou reificação) de pessoas e relações em “São Bernardo” é o filho de Paulo Honório e Madalena, “franzino e amarelo”, rejeitado por todos, que é destituído até mesmo da simples dignidade de um nome. Ele é apenas o “menino”. Brutal!!!

E viva a Literatura Brasileira! Viva Graciliano Ramos!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PISTOLEIROS TAMBÉM MANDAM FLORES – David Coimbra


Ao ler esse divertido “folhetim eletrônico”, fiquei com a impressão de que o gaúcho David Coimbra é uma espécie de cruza literária entre Rubem Fonseca e Marcos Rey: uma narrativa policial ágil, entremeada por tiradas filosóficas sobre as mulheres e temperada com fartas doses de malandragem urbana, além de um toque de bom humor. O resultado é bem interessante e deixa o leitor grudadinho na leitura e satisfeito do início ao fim.
Um senão encontrado na leitura, e que me fez refletir (pelo que sou muito grato), é que a história reflete o ponto de vista do protagonista, tipicamente um “homem branco heterossexual” (título de um artigo do autor recentemente publicado no Zero Hora). Daí a trama estar recheada por considerações bem humoradas sobre as mulheres, o que a princípio não me chamou a atenção. Só que então chegamos à cena de uma partida de futebol, onde há várias menções a um “negrinho” ou “neguinho” sem nome, que desperta a antipatia (e o racismo?) do protagonista por ser muito superior no jogo de bola. Essa passagem me incomodou. E daí a reflexão, que acabou sendo proveitosa para meus próprios escritos.
Vivemos em uma época muito interessante, sob todos os aspectos, em que estamos mudando radicalmente de paradigmas, em todos os níveis. E essa mudança vem acontecendo muito rápido. Às vezes parece que não, mas é só porque não nos damos conta do tamanho da mudança. Pois então, creio que em 2007, esse trecho do livro talvez não chamasse tanto a atenção. Mas creio que hoje, meros dez anos depois, já mudou muita coisa na consciência coletiva.

Mesmo considerando que o texto retrata o ponto de vista do personagem, até que ponto é lícito e desejável retratar uma situação de racismo (ou sexismo) como se fosse algo normal? Talvez seja exagero questionar isso. Penso que não.



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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

domingo, 11 de junho de 2017

A HISTÓRIA DO AMOR DE FERNANDO E ISAURA – Ariano Suassuna


Linda versão nordestina para a lenda medieval de “Tristão e Isolda” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Trist%C3%A3o_e_Isolda). O cavaleiro Tristão é enviado por seu tio, o rei Marcos, para escoltar a donzela Isolda, noiva do rei. Só que os dois acabam bebendo por engano uma poção mágica de amor, e se apaixonam perdidamente um pelo outro.

A versão de Suassuna segue bem de perto as linhas gerais da lenda clássica. A narrativa é singela e acaba por conquistar o leitor, pela verdade que passa, verdade simples do povo. A história é triste, mas também tocante, comovente e mesmo inspiradora. O próprio autor adverte, no prefácio, que a trama talvez tenha saído de moda, com tantas hesitações e sofrimentos em nome da honra. Prefiro acreditar que não.

A obra está disponível em PDF no link:




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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

domingo, 23 de abril de 2017

DEUS NO LABIRINTO – Ricardo Labuto Gondim



Desde que li o incrível romance policial “B”, sou fã do querido Ricardo Labuto Gondim. E que alegria linda ler seu primeiro livro e descobrir que o autor é ainda melhor do que eu pensava!

“Deus no Labirinto” me pegou de surpresa. Superou totalmente minhas expectativas, que já eram bem elevadas. Aqui descobri que Ricardo tem bem mais recursos do que eu suspeitava. Nos contos bem variados que compõem o livro, ele consegue uma proeza somente alcançada pelos melhores: ele seduz o leitor a acreditar e confiar em seu mundo, no mundo imagético criado com palavras e sentimentos, que no decorrer da leitura vai se tornando cada vez mais “real” para o leitor.

São muitas as qualidades do escritor: uma prosa refinada e recheada de erudições, sem ser pedante, que temperada com uma fina ironia torna o texto muito atraente. E sobretudo uma diversidade temática e imaginativa verdadeiramente instigante: Ricardo é imprevisível, no melhor sentido possível.

Gostei especialmente da história que dá o título do livro, um corajoso e virtuoso exercício que mistura autobiografia e ficção com enigmas teológicos, e também de “Café Gangplanck”, tocante homenagem a Bukowski, e “Mandark, o Mágico”, que antecipa os sedutores elementos do romance “B”, mas que também ousa avançar além, muito além, audaciosamente tocando os limites que uma história de ficção pode alcançar. Muitíssimos parabéns!

O livro encerra com “dois ensaios ociosos” que mesclam de forma bem interessante a teologia e a arte, sobretudo a música e o cinema. Esses textos me evocaram um pouco os prefácios do Bernard Shaw, onde o autor expunha em forma de ensaio as principais ideias que motivaram suas peças. Aqui a ligação não é tão evidente, mas fica bem perceptível ao leitor atento a exposição dos temas que inquietam e motivam o autor, muito presentes em suas ricas histórias.


Muito bom ser contemporâneo e principalmente amigo de um escritor de tal envergadura! Viva a Literatura Brasileira! Viva Ricardo Labuto Gondim!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A.B.C. DE CASTRO ALVES – Jorge Amado


O maior escritor homenageia o maior poeta da Bahia, em um texto apaixonado e apaixonante! Quem já amava Castro Alves, após a leitura de seu ABC terá mais e melhores motivos para considerá-lo um grande gênio da raça! E quem ainda não ama o Poeta da Liberdade, terá aqui uma linda oportunidade de se deixar seduzir pela paixão condoreira!

Acostumado à prosa fluida e lúdica de Jorge, a princípio estranhei tantas e extensas notas de rodapé, com tantos mínimos detalhes. Depois fui entendendo que era o amor a Castro Alves que motivava o desejo pela exatidão histórica e pela minúcia. E foi o mesmo amor desmedido que se manifestou de outra forma para mim surpreendente: em seus arroubos, Jorge Amado não mede palavras e bate forte em alguns nomes como Mário de Andrade, Tobias Barreto e Machado de Assis!

A pinimba com Mário de Andrade fica bem compreensível, pois foi o paulista que implicou primeiro com o baiano, ao fazer uma crítica meio estrambótica a Castro Alves, comparando-o a Fagundes Varela: o autor de Macunaíma desgosta profundamente do fato de um carvalho, na poesia de Castro Alves, se referir a um carvalho, enquanto na de Varela pode ser um carvalho ou uma baraúna, ou um salgueiro... chegando ao ponto de louvar Varela por sempre enfiar uma cachoeira em seus poemas, gerando um “mistério psicológico”, enquanto Castro Alves estaria reduzido a uma “pobre realidade”... Convenhamos que é implicância pura, e por conta disso Mário de Andrade levou uma bela duma espinafrada de Jorge Amado. Merecida, em minha opinião.

Já no caso de Tobias Barreto e, principalmente, de Machado de Assis, penso que a ira de Jorge foi um pouco pesada demais, julgando-os pelo fato de, sendo ambos mestiços, não terem se colocado de forma mais aberta contra a escravidão. Penso que só quem sentiu na pele (literalmente) o racismo que eles sofreram é que pode entender o motivo desta ou daquela atitude.


Outro caso de exageros de amor de Jorge Amado por Castro Alves, esse mais engraçado, é quando o autor do ABC dá um pito daqueles na mulher que foi a última paixão do poeta, pelo simples motivo dela ter se recusado a ceder aos ardentes desejos de Castro Alves, por medo de ficar falada na cidade, perdendo seu status social e com ele seu ganha-pão de professora particular. Jorge fica mesmo retado com a tal fulana por não ter aliviado a barra do poeta! O que na verdade é um recurso de gênio, pois com essa birra Jorge Amado consegue dar uma nota cômica em um momento muito triste da biografia de Castro Alves.

Em resumo, o livro é isso: um gênio falando de outro. Ou seja, um deleite de encher os olhos! Um efeito que eu apreciei particularmente foi o fato de Jorge narrar a história de Castro Alves para sua “amiga” (Zélia Gattai, certamente), dando um toque amoroso e uma narrativa sentimental paralela que muito soma à beleza da narrativa.

Diante de tudo isso, só posso agradecer à Mainha pela dádiva de ter nascido nessa terra de magia e beleza, que viu nascer um Castro Alves e um Jorge Amado, dentre tantos outros espetaculares baianos!


Viva a Bahia! Viva Jorge Amado! Viva Castro Alves!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
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sábado, 31 de dezembro de 2016

PERIGO NAS LINHAS DE CÓDIGO – Marcia Saito



Suspense e aventura em uma trama que tem o mérito de tratar de temas pouco abordados na ficção brasileira: crimes de informática, hackers, pirataria digital etc. A autora, Marcia Saito, trabalha com informática, possibilitando um bom domínio desses temas. Sempre gosto quando vejo um colega autor colocar em prática o belo conselho de Tolstói: “se você quer ser universal, fale sobre sua aldeia”. O que acaba me remetendo à igualmente bela constatação de Montaigne, de que independentemente do assunto abordado em seus textos filosóficos, estaria sempre falando de si mesmo. Cito esse filósofo querido porque sempre que posso procuro ler um livro em mais de um “nível”, procurando captar, além da história em si, um pouco da personalidade do autor, sua visão de mundo etc. Não há limites para os deleites da literatura! Experimentei fazer isso nessa leitura, e tive uma diversão a mais imaginando qual seria a opinião da autora sobre esse ou aquele assunto. A narrativa é ágil e leve, despertando o interesse do leitor. Viva a nossa literatura!


quinta-feira, 2 de abril de 2015

FERRAMENTAS DOS DEUSES – Fábio Bahia


Os contos fantásticos de “Ferramentas dos Deuses”, do xará e conterrâneo Fábio Bahia, apresentam uma ideia muito interessante: e se as lendas e mitos do passado, a respeito de deuses e criaturas fabulosas, tiverem algum fundo de verdade?

Esse é um tema que muito me interessa, normalmente associado às teorias dos “alienígenas do passado”. Mas esse não foi o caminho trilhado por Fábio Bahia. Sua originalidade foi propor uma versão alternativa para o binômio “deuses ou etês”... Que versão é essa, só lendo para saber!

A narrativa é muito bem cuidada e atenta a detalhes, com a preocupação de fornecer um contexto didático para cada história. Por esse motivo, “Ferramentas dos Deuses” é um livro que pode ser apreciado pelo público em geral, com destaque para jovens e adolescentes que começam a se aventurar no mundo das letras, e irão encontrar aqui uma boa fonte de diversão e instrução.

Na segunda parte do livro o autor explora uma temática diferente, com ênfase na brasilidade dos temas. Por esse motivo, fiquei com vontade de ler uma continuidade de “Ferramentas dos Deuses” unindo as boas qualidades da primeira e da segunda parte, ou seja, explorando histórias fantásticas inspiradas na mitologia e no folclores brasileiros!


E viva a nossa Literatura Nacional!

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ANUNNAKI – Mensageiros do Vento


A COMÉDIA MUNDANA – Luiz Biajoni


Espetacular!!!

Fiquei vidrado na leitura e só consegui largar o livro ao final da última página. Luiz Biajoni é o criador de um estilo único, muito próprio, capaz de capturar completamente o leitor em sua trama! Para quem não conhece ainda esse talentoso autor brasileiro, vou tentar dar uma ideia de sua criatividade: imagine que a máquina de fusão genético-molecular do filme “A Mosca” é utilizada para misturar as essências de Rubem Fonseca e Nelson Rodrigues... o monstro resultante seria mais ou menos parecido com o Luiz Biajoni!

“A Comédia Mundana” é um tijolo de 480 páginas que apresenta em um só volume a trilogia que o próprio autor chama de “Três Novelas Policiais Sacanas”. Os títulos falam por si:

“SEXO ANAL – uma novela marrom”

“BUCETA – uma novela cor-de-rosa”

“BOQUETE – uma novela vermelha”

Só por lançar livros com esses títulos o autor já havia conquistado a minha admiração e simpatia. E o melhor de tudo é que o conteúdo não decepciona, muito pelo contrário, surpreende ainda mais favoravelmente! A “sacanagem” do Biajoni não é um fim em si mesma, visa a forte crítica social, a exposição cruel das mazelas de nossa sociedade atual. Lendo esse livro lembrei de uma música que fiz ainda criança com meu irmão Fabrício Barretto, chamada “Rap do Palavrão”:

“Se te ferem os sensíveis ouvidos a sonoridade de um xingamento, aprenda:

Buceta não é palavrão – fome é!

Caralho não é palavrão – pobreza é!

Porra não é palavrão – palavrão é prostituição! Palavrão é marginalização!”

Biajoni é o arauto de um mundo triste e sombrio, onde a pornografia é banal e o amor é interdito. Vergonha para nós, humanidade, que esse mundo criado por ele seja tão parecido com o mundo real!

Viva a Literatura Brasileira! 

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O SINCRONICÍDIO





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SAFÁRI – Luís Dill





Duro, direto e incisivo, como um tiro disparado por uma arma de longo alcance. Essa é a impressão impactante causada pela leitura de “Safári”!

A narrativa é ágil e vertiginosa, com algumas interessantes pitadas de experimentações (como por exemplo o curioso recurso da recorrente descrição dos personagens, que provoca um efeito bem diferente).

A crítica social é evidente e bastante pesada, mas transparece da própria história, sem que o autor precise utilizar uma única palavra para esse fim. Outro belo recurso de Dill!

O sabor maior da história fica por conta dos detalhes, como o personagem que adora citar “O Livro dos Cinco Anéis”. Gostei muito também da interessantíssima figura do detetive, que sofre de síndrome de Crouzon e é fã do antigo seriado “Columbo”. Muito bom!

Viva a literatura brasileira!



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ANUNNAKI – Mensageiros do Vento



quarta-feira, 23 de julho de 2014

O INVASOR – Marçal Aquino



Li esse livro de um fôlego só. Comecei e simplesmente não consegui mais parar! E olha que eu já conhecia a história, pois assisti ao ótimo filme nela inspirado. Assisti ao filme movido inicialmente pela curiosidade de ver o roqueiro Paulo Miklos, de quem sou fã, no papel-título. E não é que ele mandou super bem! Mas isso é só parte do que gostei no filme, que traz grande elenco (Alexandre Borges, Mariana Ximenes e Marco Ricca, entre outros), ótima direção (Beto Brant) e, sobretudo, um roteiro muito bem escrito, muito angustiante!

E essa mesma sensação de asfixia é experimentada na obra da novela que gerou o filme, de forma ainda mais intensa. A prosa de Marçal Aquino é leve e ligeira como o vento, arrasta o leitor para dentro da história com muita intensidade e velocidade. Que bom ler mais um grande escritor brasileiro da atualidade!

Sobre a história: dois sócios de uma construtora resolvem contratar um matador de aluguel para solucionar de forma definitiva suas divergências com o terceiro sócio. Só que seus problemas estão apenas começando...

A edição muito bem produzida da Geração Editorial ainda traz muitas fotos do filme e, que bela surpresa, o próprio roteiro do filme! Muito bom para se familiarizar com a técnica de roteiro!

Quem estiver interessado em algumas horas de muito suspense não irá se decepcionar!


  
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ANUNNAKI – Mensageiros do Vento


quinta-feira, 3 de abril de 2014

O MAGO DE CAMELOT - Marcelo Hipólito




"O Mago de Camelot" narra a história de Merlin,o grande mago da lenda do rei Arthur.
Vindo de uma infância pobre e sofrida, Merlin é levado preso,juntamente com seu irmão,ao calabouço da fortaleza de Ratae.Ao ser salvo do calabouço,cai nas garras de algo ainda pior.Prestes a servir de sacrifício humano junto com o irmão, Merlin se vê diante do homem que iria mudar sua vida para sempre.

"O druida ergueu a lâmina,pronto a estripar sua primeira vítima:Merlin.Com uma expressão solene,desferiu o golpe homicida.
Contudo,para sua surpresa,teve a trajetória desviada por uma força invisível,irresistível,inesperada."

Iniciado nos rituais da magia dos druidas,Merlin, inteligente e sagaz,aprende tudo depressa e logo supera seu mestre.Ao ser levado á presença do príncipe Uther,Merlin usa da magia e da sabedoria pra ajudar Uther a vencer a guerra recuperar seu trono.E no furor dessa batalha Merlin, admirado, vislumbra o que o destino lhe reservou.

"O poder do feiticeiro proporcionou o vislumbre de uma nova era,magnífica e arrebatadora,ainda que envolta em sangue,traição e morte.E,para a concretização desse novo tempo,o próprio Merlin deveria pagar um preço terrível."

Uther,apaixonado pela bela Igraine,pede a ajuda de Merlin para conquista-la.Merlin aceita mas exige algo em troca:Arthur,o bebê de Uther e Igraine.
Durante muito tempo,Merlin e Arthur andam  pelo reino se passando por mendingos.Com isso Merlin mostra a Arthur o sofrimento de seu povo.Munido de um grande carinho por Arthur,Merlin prepara o jovem com sabedoria e conhecimento,sagacidade e destreza.

"Não tema meu príncipe-assegurou Merlin-Eu lhe mostrarei como assumir a coroa.
_Acha mesmo que posso virar um grande rei?
_Depende de você,milorde.Preste atenção e aprenda."

O ponto alto do livro:só se tornaria rei quem retirasse a espada Excalibur das mãos do rei morto.Mas o rei só cederia a espada ao seu verdadeiro sucessor.Muitos tentam,mas o único que consegue retirar a espada é Arthur.
Uma grande jogada do autor ao criar essa parte.

Diferente dos outros livros que li a respeito da lenda do rei Arthur,essa história dá mais ênfase a jornada do mago Merlin.
O livro tem um ritmo rápido e intenso.O autor vai direto ao ponto sem perder tempo com detalhes inúteis.Um prato cheio pra quem gosta de histórias recheadas de guerras e lutas.
E por fim o que realmente nos toca é o desejo arraigado em Merlin.Querer que o homem fosse livre da escravidão do cristianismo e do paganismo.

"Usarei Arthur para instaurar uma nova era.Uma sociedade guiada pela razão,em que as leis humanas substituirão a divina.A Cruz não é diferente da Natureza.Ambas escravizam com seus dogmas e rituais,tornando seus seguidores fracos e temerosos,servis ao poder dos sacerdotes"

Tem como não gostar de Merlin?
Excelente leitura!


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

PARA SEMPRE ANA – Sergio Carmach



Uma história envolvente, contada com muita sensibilidade e elegância. Logo nas primeiras páginas já fica evidente para o leitor que “Para Sempre Ana” reserva muitas e boas surpresas!

Uma das coisas que mais gostei nesse incrível livro do Sergio Carmach foi uma técnica que eu não conhecia, e que o autor utilizou com muita propriedade. Na falta de um termo melhor, decidi batizar essa técnica de “R&R Piano Bar”! Explicando: o Reconhecimento e a Reviravolta são os principais recursos para tornar uma trama interessante, desde que surgiu no mundo a arte de contar histórias. Aristóteles estudou e definiu muito bem esses recursos em sua “Poética”, e de lá para cá o Reconhecimento e a Reviravolta continuam funcionando que é uma beleza!

Mas não custa nada dar uma melhoradinha no que já está bom. Talvez seja essa a medida da originalidade de um autor: o modo como cada um consegue contar uma história de um jeito próprio e único, a partir de elementos comuns a quase todas as histórias. E essa foi, a meu ver, a marca da grande originalidade de Sergio Carmach: a “R&R Piano Bar”!

Pois então. Geralmente o Reconhecimento (quando um ou mais personagens tomam conhecimento de algo novo e importante para a trama) e a Reviravolta (como o próprio nome já diz, uma guinada inesperada nos rumos da história) aparecem cercados de muita fanfarra, muita pompa e circunstância. Pois é tarefas das mais difíceis, para um escritor, ser casual ou  circunspecto com suas “pepitas” (os pontos mais fortes de uma história, as sacações geniais que levam o escritor a querer escrever aquela determinada história, para começo de conversa). Então o usual é que essa dupla tão célebre, Reconhecimento & Reviravolta, apareçam na história com muito destaque, sendo antecedidos por expectativa e seguidos por recordatórios e reflexões.

Mas não é isso o que ocorre em “Para Sempre Ana”. Exibindo um autocontrole invejável de seus talentos, o autor consegue apresentar suas reviravoltas e reconhecimentos de forma bem suave, sutil, às vezes quase imperceptível. Não foram poucas vezes em que o impacto de determinada revelação na trama só foi me atingir algumas páginas depois, como uma bomba de efeito retardado! Isso sim é que é um belo exemplo de autor que usa e abusa da “subtil art of understatement” (frase lapidar de Ed McBain sobre o ofício de escrever que ainda carece de uma precisa tradução)! E daí eu ter batizado esse incrível recurso que aprendi com o Sergio Carmach com o título de “R&R Piano Bar”!

Viva a nossa literatura nacional!

Valorize o escritor brasileiro!



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ANUNNAKI – Mensageiros do Vento






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