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segunda-feira, 27 de julho de 2020

PERRY RHODAN: MISSÃO STARDUST (P001) - K. H. Scheer



Eu devia ter 8 ou 9 anos quando li esse livro pela primeira vez. Foi o começo de um fascínio que marcou definitivamente minha paixão pela leitura e, da mesma forma, minha vocação de escritor. Pois lembro claramente do dia em que, aos 11 anos, decidi que queria ser escritor, contemplando minha pequena biblioteca particular, com alguns exemplares de Agatha Christie, José de Alencar (meus dois primeiros amores literários), junto com uma crescente coleção de volumes da série Perry Rhodan (que eu aumentaria até chegar a duzentos exemplares, antes que a adolescência e a paixão pelo rock me fizessem vender tudo para comprar discos do Iron Maiden!). Pois eu sentia tanta felicidade ao mergulhar naquele mundo mágico dos livros que não me bastaria participar dele apenas como leitor: também queria brincar de Deus e criar mundos a partir de minha imaginação!

Por aí se faça a ideia de minha emoção ao reler esse primeiro volume da série Perry Rhodan, quase quarenta anos depois! A emoção nostálgica era garantida. O que eu não contava era ficar tão impactado pela leitura da obra em si! Terminei de ler “Missão Stardust” com a convicção de que o mentor da série, o alemão K. H. Scheer, foi tocado por intuições profundas, marca dos grande gênios. Talvez até tenha sido escolhido como instrumento da espiritualidade para ajudar a espécie humana a elevar sua mentalidade e a se livrar de seus tacanhos preconceitos. Tal como, asseguram alguns estudiosos de ufologia, Gene Roddenberry foi inspirado por nossos irmãos extraterrestres ao conceber sua igualmente inspiradora série Star Trek (Jornada nas Estrelas).


O que me impressionou acima de tudo foi perceber inúmeras sincronicidades entre a trama desse primeiro episódio e as profecias de Chico Xavier sobre a chamada “Data Limite” (https://youtu.be/4JxukHvGVzE): a conexão direta entre a chegada do homem à Lua e o perigo de uma guerra nuclear e, principalmente, a ajuda de espécies mais avançadas que o homem, possibilitando uma nova consciência de humanidade, pela percepção de que além das fronteiras e diferenças de ideologia por aqui somos todos terráqueos.



Na parte final de “Missão Stardust”, Perry Rhodan surpreende como um herói “fora da caixa”, quebrando todas as convenções e expectativas estereotipadas. É realmente um personagem carismático, intrigante, desafiador. Mas ainda assim não há como não ficar surpreso com a longevidade da série: iniciada em 1961, até onde sei um novo volume semanal de Perry Rhodan continua sendo publicado na Alemanha, tendo ultrapassado a casa dos 3.000 (!!!) episódios. Aqui no Brasil chegou pelo menos ao volume 800! Eu li até o 200 e pouco. E agora pretendo reler um por um!!!




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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

Link do livro no SKOOB:

Book trailer


Entrevista sobre o livro na FM Cultura





domingo, 19 de janeiro de 2020

DEPOIS DO FUNERAL – Agatha Christie



Foi uma delícia reler esse livro! Dessa vez eu lembrava claramente da trama, então pude acompanhar de camarote a maneira magistral como Agatha vai apresentando ao leitor as pistas para a solução do mistério. A Rainha joga limpo com seus leitores, e realmente deixa todas as peças do quebra cabeça à mostra e bem visíveis. Por outro lado, a autora é muito astuciosa ao apresentar as dicas verdadeiras embaralhadas em meio a uma profusão de pistas ilusórias. E o mais impressionante é a habilidade de induzir o leitor a apostar em falsas premissas.

Agatha Christie jamais quebra as regras do romance policial, mas consegue “dobrar” essas regras de forma insuperável, chegando ao ponto de subvertê-las. A solução do mistério é inesperada porque, antes de ler tal livro, o leitor não chega a considerar aquela possibilidade específica como uma solução possível. Ao final da leitura, ludibriado mais uma vez, o leitor satisfeito é obrigado a admitir: “sim, essa é uma solução válida, uma boa solução. Eu nunca pensaria nisso, mas não posso dizer que o jogo não foi justo.”

Foi assim que Agatha obteve alguns de seus maiores êxitos, como “O Assassinato de Roger Acroyd”, “A Casa Torta”, “E Não Sobrou Nenhum (O Caso dos Dez Negrinhos)” e “Assassinato no Expresso Oriente”. Obras às quais se soma, certamente, “Depois do Funeral”.



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
 
Book trailer:



segunda-feira, 4 de novembro de 2019

O MISTERIOSO CASO DE STYLES – Agatha Christie



Já perdi a conta dos livros de Agatha Christie que reli com gosto, para ser novamente ludibriado no final, por conta de não me lembrar da solução do crime. Já nesse livro, o primeiro escrito por Agatha, seria muito difícil esquecer a elucidação do mistério, um dos mais originais já tramados na literatura policial. Por isso mesmo, eu hesitava em reler esse, até que decidi justamente saborear essa perspectiva, que é saber desde o início qual é o final.

Gostei imensamente dessa experiência, não tanto pela devida apreciação da habilidade da autora em apresentar suas pistas e despistes, mas pelo fato mesmo de ser o primeiro livro da autora, e também a primeira aparição de sua mais famosa criação, o detetive Hercule Poirot. Foi muito interessante observar como de modo geral os pontos fortes de Agatha já estão presentes nessa primeira obra, assim como perceber o quanto ela foi aprimorando os detalhes de sua escrita.

Cito dois exemplos que mais me chamaram a atenção: nas obras posteriores, Hercule Poirot irá conduzir com muito mais sutileza e astúcia os seus despistes, enquanto aqui ele deliberadamente se recusa a revelar seus pensamentos ao seu companheiro narrador Hastings, sem nenhuma justificativa além de guardar suas cartas para o final. Nos livros seguintes Agatha aprendeu a fazer Poirot dizer sem dizer de forma muito mais eficiente, penso eu.

Outro ponto é o acirrado etnocentrismo da autora, que em ocasiões futuras chegaria a ser utilizado de forma cômica, como um caricatural preconceito dos personagens contra estrangeiros. Aqui, ainda não existe esse domínio, e a autora deixa escapar uma concepção vaga de um grupo de belgas exilados, que não chegam a sequer receberem a dignidade de um nome. O leitor não descobre nem mesmo quantos são os tais belgas: um belga abre a porta, outro vai chamar Poirot etc.

Também achei curiosa a transformação de Poirot, que nessa estreia aparece como um exilado estrangeiro que é acolhido pela filantropia inglesa, morando de favor em casa cedida, junto com os seus anônimos compatriotas. O sucesso desse livro determinou também um êxito financeiro para Poirot, que nas obras seguintes já aparece como um gentleman bem estabelecido, com direito até a um fiel criado, como todo cavalheiro inglês que se preza.

Independentemente dessas considerações, “O Misterioso Caso de Styles” é sem dúvida um dos melhores livros de Agatha, diversão garantida para quem gosta de um bom romance policial.



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O NATAL DE POIROT – Agatha Christie



Essa foi no mínimo a terceira vez (possivelmente a quarta!) que li esse livro. E só consegui descobrir o assassino na página 188 (de um total de 223). Como é que Agatha consegue me enganar assim, rapaz???

Tive alguns aprendizados preciosos nessa releitura. Quando avistei o livro no P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), peguei imediatamente. Mesmo lembrando que já havia lido, não lembrava ao certo da história. Logo de cara, contudo, o livro traz a citação de “Macbeth”, que é o mote da trama:

“Quem jamais poderia imaginar que aquele velho guardasse tanto sangue dentro de si?”

Ao ler essa frase, imediatamente lembrei de quase tudo, menos de um mero detalhe: a solução do mistério! Comecei a leitura achando que a qualquer momento iria lembrar de tudo e, então, abandonar o livro. Qual o quê! Fui mais uma vez capturado pela magia de Agatha, e inclusive larguei todas as minhas outras leituras paralelas para acabar logo de ler “O Natal de Poirot” pela terceira (ou quarta) vez.

Por que é tão fácil esquecer uma trama de Agatha Christie, se gosto tanto de ler os livros dela? De modo geral minha memória é excelente para livros: às vezes chego a lembrar a página de uma determinada citação! Nessa releitura tive a oportunidade de encontrar mais uma pista para desvendar esse meu intrigante paradoxo de fã.

É que em “O Natal de Poirot” e muitos outros livros da Rainha, os personagens são extremamente superficiais, rasos mesmo, e muitas vezes até incongruentes do ponto de vista psicológico. Ao terminar essa releitura, tive a sensação de que os personagens não passavam de figuras bidimensionais de cartolina... e é ótimo que seja assim! Creio que essa superficialidade dos personagens é um dos ingredientes do sucesso de Agatha, pois não nos desviamos do propósito essencial de seus livros, que é o jogo do detetive.

Ao pensar nessa descoberta, evoquei como comparação as histórias de P. D. James, que assim como Agatha é também uma respeitável senhorinha inglesa que se dedicava a escrever livros de assassinato e mistério. Contudo nos livros de P. D. James os personagens são complexos e profundos, chegando ao ponto de termos a figura de Adam Dalgliesh, um “policial poeta”. Os livros de James são incríveis, e certamente mais “literários” que os de Agatha. Contudo, no quesito “whodunit” (o jogo para descobrir quem matou) Agatha é (e, desconfio, sempre será) insuperável!


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

terça-feira, 4 de junho de 2019

SENHORA – José de Alencar




Eu tinha onze anos de idade quando, junto com a querida amiga Eva Costa, fiz um cartão na biblioteca do bairro da Ribeira, em Salvador. Era um cartão só para nós dois, que dava direito a pegar dois livros a cada quinze dias. Então combinamos que cada um escolheria um livro para ler, e depois trocaríamos. Eu escolhi “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie, que me deixou alguns dias sem dormir. Eva escolheu “O Guarani”, de José de Alencar, que gerou em mim uma grande paixão pela literatura brasileira, pelo que sou muito grato.

Nos três anos seguintes li muitos outros livros de José de Alencar: “Cinco Minutos”, “A Viuvinha”, “Ubirajara”, “Iracema”, “O Tronco do Ipê”, “Til”, “Lucíola” e “A Pata da Gazela”. Devo a essas leituras praticamente tudo o que sei de gramática!

“Senhora” foi um dos últimos que li desse autor, já aos quinze anos, como imposição escolar. Por essa época minha paixonite por José de Alencar já havia fenecido um pouco, por conta de outras leituras e descobertas. Ainda assim, gostei da leitura – fato raro dentre os livros que li na escola, com a ingrata obrigação de fazer uma prova depois.

E agora, depois de tanto tempo, retorno a esse autor tão querido de meu coração. Feliz reencontro! O que primeiro me encantou foi o lirismo da prosa de José de Alencar, mas logo em seguida fiquei capturado pela trama amorosa (mesmo já tendo lido o livro!), para minha própria surpresa! A turma que gosta de ler histórias de amor e ainda não conhece José de Alencar não faz ideia do que está perdendo!

Algo que me chamou a atenção nessa segunda leitura foi a carga erótica de algumas cenas, que passaram despercebidas de meu olhar adolescente. Pois é preciso contextualizar, ter em mente que a história foi publicada em 1875. Para os padrões da época, imagino que a cena que descreve Aurélia entrando no leito nupcial, por exemplo, deve ter deixado muitas moçoilas e mancebos com taquicardia... sobretudo pela cruel interrupção do clima erótico, em uma reviravolta que define a estrutura narrativa de “Senhora”.

Pois se o tema geral do livro é o do chamado “casamento de conveniência”, a estrutura narrativa segue uma técnica arriscada, que poucas vezes vi sendo posta em prática com bons resultados (e nunca tão bem quanto em “Senhora”): algo que chamei de “técnica do coitus interruptus”, e que consiste na frustração da expectativa de alívio dramático, por meio de seguidas reviravoltas, até a resolução final do grande e catártico clímax. Isso sim é que eu chamo de Literatura Hot!



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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

LABIRINTO CIRCULAR

ISSO TUDO É MUITO RARO




segunda-feira, 6 de maio de 2019

A MORTE TEM SETE HERDEIROS – Stella Carr & Ganymédes José



Divertida e leve chanchada policial conduzida por dois craques da literatura infantojuvenil, Stella Carr e Ganymédes José. Uma combinação muito improvável de suspense e escracho, que acaba funcionando muito bem. Com direito, inclusive, a uma escancarada homenagem à Agatha Christie, que sem dúvida foi a grande inspiradora dessa aventura de mistério.

Li esse livro pela primeira vez quando eu começava a ser criança. E ao ler novamente agora, que sou criança há mais tempo, me diverti do mesmo jeito. Por isso é que esse livro é recomendado para crianças de todas as idades!


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Após o imenso sucesso do projeto POESIA DE BOTÃO, com a criação do jogo que ensina crianças a rimar e fazer poesia, é com muita alegria que comunicamos que o projeto vai virar um livro publicado pela Verlidelas Editora. Poetas de todo o Brasil já podem enviar seus poemas sobre o tema “Infância”. Está aberto o edital para a Antologia Poesia de Botão, confira no link abaixo:

terça-feira, 19 de março de 2019

ASSASSINATO NA CASA DO PASTOR – Agatha Christie



Como é divertido ler um mistério de Agatha Christie! Sobretudo porque depois de algum tempo eu acabo esquecendo a história, então posso ler outras vezes o mesmo livro, e é como se estivesse lendo pela primeira vez!

Esse “Assassinato na Casa do Pastor” mesmo, li agora pela segunda (ou terceira!) vez, e ainda consegui ser enganado novamente por Agatha!

Acho que os livros policiais clássicos, do tipo “whodunit” (“quem matou?”), dentre os quais as obras de Agatha Christie figuram como os mais primorosos exemplos, funcionam mais como um jogo que propriamente como uma história. Detalhes como caracterização de personagens, cenários etc. são apenas um pano de fundo para a disposição das pistas e despistes para o detetive-leitor. Acho curioso que eu ao menos sempre prefiro os livros policiais onde não consigo descobrir o assassino. Quando consigo descobrir, sempre fico um pouco frustrado com a história. Quando sou ludibriado, porém, que deleite!

Seja como for, uma vez que o mistério é solucionado, a catarse dessa revelação é liberada e o propósito do livro é cumprido. Os detalhes da trama, então, podem confortavelmente se apagar da memória do leitor (ao menos no meu caso), ao contrário do que acontece com outros gêneros de literatura, quando a história parece crescer na mente depois que a leitura é concluída.

É claro que existem exceções: tramas policiais tão magistralmente construídas que ficam marcadas a ferro e fogo na memória. No caso de Agatha Christie, as histórias que nunca esqueci são “O Caso dos Dez Negrinhos”, “A Casa Torta”, “Assassinato no Expresso Oriente” e minha favorita, “O Assassinato de Roger Ackroyd”. Qualquer fã de Agatha sabe muito bem porque essas histórias são inesquecíveis: elas possuem em comum o fato de terem levado até o limite as regras do jogo da detecção policial, chegando ao ponto de subvertê-las. O leitor-jogador é enganado por meio de uma astúcia quase diabólica, mas ao final da leitura tem que admitir que o jogo foi justo: Agatha não trapaceia nunca!

Essa característica de jogo do romance policial clássico me fez adquirir uma bizarra insensibilidade para o fato de serem histórias sobre a morte violenta de seres humanos, geralmente com fria premeditação e motivos torpes. Percebi isso recentemente, ao resenhar “O Mistério do Trem Azul”, outra obra de Agatha, e receber alguns comentários de pessoas que acharam esse livro triste. Isso me fez notar o quanto eu não via os personagens de Agatha como retratos de seres humanos, mas meros bonecos dispostos em um tabuleiro: Coronel Mostarda com o candelabro na biblioteca.

Especificamente sobre “Assassinato na Casa do Pastor”, essa obra tem o mérito de ser a primeira história de Miss Marple, originalmente publicada em 1930. Uma frase em especial chamou minha atenção: “Não há coisa tão desumana quanto a máscara do criado perfeito.”

E viva Agatha Christie!




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O MISTÉRIO DO TREM AZUL – Agatha Christie



Esse era um dos poucos livros de Agatha Christie que eu ainda não havia lido... duas ou três vezes! Li uma vez apenas, há muitos anos, então foi com grande alegria que iniciei a leitura.

Conforme eu suspeitava, a julgar por minha quase total ausência de lembranças da primeira leitura, essa não é uma das obras mais marcantes de Agatha. A história começa naquele climão meio aventuresco, meio de espionagem, que caracteriza suas tramas mais fraquinhas. Felizmente o clima de espionagem logo dá lugar à tradicional história de mistério e assassinato, tendo à frente das investigações ninguém menos que Hercule Poirot, que aqui fez brilhar mais que nunca seus olhos verdes de gato.

Uma curiosidade é que, apesar desta ser uma história de Poirot, algumas cenas acontecem no pequeno vilarejo de St. Mary Mead, palco de muitas das aventuras de Miss Marple. Primeiro achei que era um “easter egg” de Agatha para os fãs, mas depois descobri que este livro foi publicado em 1928, dois anos antes da primeira aparição de Miss Marple, em “Assassinato na Casa do Pastor”. Então creio que a fictícia St. Mary Mead foi criada nesta história do Poirot. Interessante!

Outra curiosidade: ao pesquisar na Internet, descobri que Agatha considerava “O Mistério do Trem Azul” o seu pior romance. Respeitosamente discordo, pois “Passageiro para Frankfurt” é muito pior!

De resto, amei uma frase dita por Poirot em certo momento da trama:

“Um espelho sempre diz a verdade, mas cada um olha para o espelho de uma posição diferente.”

E viva Agatha Christie!




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O QUARTO PROTOCOLO – Frederick Forsyth



Excelente thriller de espionagem que prende o leitor na história, da primeira à última página. Achei muito curioso o fato de o livro ter sido escrito em 1984, mas a história se desenrolar em 1986. Ou seja, quando foi publicado, O Quarto Protocolo fazia referência a acontecimentos em um futuro próximo. É portanto, um tributo ao talento do autor ler o livro em 2018, 34 anos depois, e constatar que a obra é igualmente empolgante ao ser lida como um “suspense histórico”.

Gostei tanto desse livro que coloquei Forsyth em um honroso 2º lugar de melhor autor de espionagem, atrás apenas do imbatível John Le Carré. Aliás, acabei fazendo uma possivelmente perversa graduação de cinco níveis de livros de espionagem, a partir dos principais autores que li:

NÍVEL 1: AGATHA CHRISTIE - “Vizinha Fofoqueira”
Tramas ingênuas, cavalheirescas e ufanistas, totalmente inverossímeis e chatérrimas. Note-se que nas histórias de assassinato Agatha é exatamente o oposto: ardilosa, maquiavélica, sinistra e irresistível!

NÍVEL 2: LEON URIS - “Boato Maldoso”
História cheia de clichês e estereótipos, xenofóbica, insuportável. Baseio essa qualificação na obra de propaganda disfarçada como romance que o autor intitulou “Topázio”.

NÍVEL 3: IAN FLEMING - “Hush Hush”
Fantasioso, porém delicioso! Ian Fleming foi o grande responsável pela aura de glamour que cerca as histórias de espionagem, com seu persistente 007, que já rendeu várias encarnações no cinema (claro que o Sean Connery é insuperável!).

NÍVEL 4: FREDERICK FORSYTH - “Só para seus olhos”
Trama bem construída, convincente e empolgante. Só comete o compreensível pecado de colocar britânicos como os grandes heróis, americanos como coadjuvantes e russos como os inevitáveis vilões.

NÍVEL 5: JOHN LE CARRÉ - “Top Secret”
Obras densas, angustiantes, escritas com grande conhecimento do ofício de espião e, sobretudo, do ofício de escritor. A única coisa que diferencia os heróis dos vilões é que eles sofrem mais com as ações repugnantes que todos precisam cometer em nome da honra e da virtude. Alta literatura dos tempos modernos!

Ainda sobre O Quarto Protocolo, um detalhe que me chamou a atenção foi a referência ao “serviço de desinformação”, extremamente ativo nos governos de direita e esquerda, muitos anos antes da Internet inaugurar a era das Fake News.


Trailer do filme (1987):

Wikipedia:


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
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http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
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sábado, 8 de setembro de 2018

TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO E OUTRAS HISTÓRIAS – Agatha Christie



Muito boa essa antologia de peças teatrais de Agatha Christie! Que começa, é claro, com “Testemunha de Acusação”, nada menos que a obra mais encenada da história do teatro britânico. Li pela terceira ou quarta vez (incluindo uma versão estruturada como novela), além de ter visto o filme de 1957, com Marlene Dietrich em marcante interpretação no papel-título. E agora soube de uma nova versão da BBC, que fiquei com muita vontade de ver.

Testemunha de Acusação (1957):

Testemunha de Acusação (2016):

Só por aí dá para se ver que “Testemunha de Acusação” é uma das melhores histórias de Agatha, sumamente bem concebida. Nessa rerereleitura, o que me chamou a atenção foram as tiradas cômicas, a que antes não dei muita importância. Creio que estou mais sintonizado na musa trágica, pois não é a primeira vez que só reparo na comicidade de um texto ao lê-lo pela segunda ou terceira vez!

Também encontrei um link para se ler essa história online:

O livro segue com “A Hora H”, versão teatral para “Hora Zero” (“Towards Zero”). Achei essa história na média, se não é espetacular, também não chega a ser ruim. Uma boa diversão.

Já “Veredicto” é puro dramalhão. Li pensando que era adaptação de uma das tramas mais açucaradas que Agatha lançou como Mary Westmacott, mas depois vi que trata-se de obra original, especialmente escrita para o teatro.

E fechando a antologia com chave de ouro, “Retorno ao Assassinato”, que é a versão teatral do ótimo “Os Cinco Porquinhos”. Só fiquei intrigado por Agatha ter suprimido o querido Hercule Poirot na peça. Por que será? Alguém sabe dizer?



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
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domingo, 19 de agosto de 2018

É FÁCIL MATAR – Agatha Christie



Esse é certamente um dos títulos mais impactantes de Agatha: “MURDER IS EASY”.

Pena que a história em si não esteja à altura. Tanto que li agora pela segunda ou terceira vez sem ter o menor reconhecimento da trama.

Certamente não é um dos livros mais inspirados de Agatha. O que não impede uma leitura proveitosa e repleta de aprendizado. Comparando a trama de “É Fácil Matar” com a de alguns clássicos da Rainha, ficam evidentes alguns pontos fracos, que certamente contribuíram para essa história não ser tão boa.

É sempre complicado comentar a trama de um romance policial, pelo risco do spoiler. Por isso vou me limitar a falar de forma superficial sobre o que aprendi relendo esse livro:

* Explicação psicológica para os crimes: ou melhor dizendo, “não explica que complica”. Para exemplificar, um de meus filmes favoritos de todos os tempos é “Psicose” do Hitchcock, mas sempre achei que o filme ficaria melhor sem aqueles minutos finais com a explicação dos crimes. Não é à toa que um dos maiores vilões da literatura, o Iago de “Othelo” (Shakespeare), recusa-se a dar qualquer explicação para seus malfeitos.

* Romance misturado com mistério de assassinato dificilmente dá liga em histórias de Agatha.

* A antecipação do clímax, com a revelação do mistério um pouco antes que o costumeiro, também não funcionou bem. Agatha Christie não é um clássico à toa. E a desvantagem de ser um clássico é a grande inércia a inovações.

De todo modo, aprendi e me diverti com mais essa leitura de um livro da Rainha!




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
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