segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O NATAL DE POIROT – Agatha Christie



Essa foi no mínimo a terceira vez (possivelmente a quarta!) que li esse livro. E só consegui descobrir o assassino na página 188 (de um total de 223). Como é que Agatha consegue me enganar assim, rapaz???

Tive alguns aprendizados preciosos nessa releitura. Quando avistei o livro no P.U.L.A. (Passe Um Livro Adiante), peguei imediatamente. Mesmo lembrando que já havia lido, não lembrava ao certo da história. Logo de cara, contudo, o livro traz a citação de “Macbeth”, que é o mote da trama:

“Quem jamais poderia imaginar que aquele velho guardasse tanto sangue dentro de si?”

Ao ler essa frase, imediatamente lembrei de quase tudo, menos de um mero detalhe: a solução do mistério! Comecei a leitura achando que a qualquer momento iria lembrar de tudo e, então, abandonar o livro. Qual o quê! Fui mais uma vez capturado pela magia de Agatha, e inclusive larguei todas as minhas outras leituras paralelas para acabar logo de ler “O Natal de Poirot” pela terceira (ou quarta) vez.

Por que é tão fácil esquecer uma trama de Agatha Christie, se gosto tanto de ler os livros dela? De modo geral minha memória é excelente para livros: às vezes chego a lembrar a página de uma determinada citação! Nessa releitura tive a oportunidade de encontrar mais uma pista para desvendar esse meu intrigante paradoxo de fã.

É que em “O Natal de Poirot” e muitos outros livros da Rainha, os personagens são extremamente superficiais, rasos mesmo, e muitas vezes até incongruentes do ponto de vista psicológico. Ao terminar essa releitura, tive a sensação de que os personagens não passavam de figuras bidimensionais de cartolina... e é ótimo que seja assim! Creio que essa superficialidade dos personagens é um dos ingredientes do sucesso de Agatha, pois não nos desviamos do propósito essencial de seus livros, que é o jogo do detetive.

Ao pensar nessa descoberta, evoquei como comparação as histórias de P. D. James, que assim como Agatha é também uma respeitável senhorinha inglesa que se dedicava a escrever livros de assassinato e mistério. Contudo nos livros de P. D. James os personagens são complexos e profundos, chegando ao ponto de termos a figura de Adam Dalgliesh, um “policial poeta”. Os livros de James são incríveis, e certamente mais “literários” que os de Agatha. Contudo, no quesito “whodunit” (o jogo para descobrir quem matou) Agatha é (e, desconfio, sempre será) insuperável!


\\\***///




A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 

4 comentários:

  1. Oii! :)
    Não sei se posso dizer que adoro os livros da Agatha christie, depois de só ter conhecido dois livros dela. Mas é fácil se apegar a história e a escrita da autora. Ela tem talento para conquistar o leitor logo nas primeiras páginas. Espero ainda conhecer outros livros dela <3

    Beijos
    www.ventodoleste.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu pelo comentário, Michelly!
      Recomendo especialmente "O Caso dos Dez Negrinhos" (atualmente publicado como "E Não Sobrou Nenhum"), "O Assassinato de Roger Acroyd" e "Assassinato no Expresso Oriente"!

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...