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segunda-feira, 29 de junho de 2020

GINCANA DA POESIA – Fabio Shiva e Fabíola Campos (org.)



Esse é um livro especial para mim por muitos motivos. É o primeiro livro que organizo junto com minha esposa Fabíola Campos, em conclusão ao projeto Gincana da Poesia, após um concurso que teve mais de 2.300 poemas inscritos! O concurso foi realizado em duas categorias, uma só para estudantes da prefeitura-bairro de Itapuã-Ipitanga, em Salvador, e outra geral para poetas de todo o Brasil. O processo de seleção dos poemas vencedores foi verdadeiramente épico, e aproveito para expressar mais uma vez a minha gratidão e admiração aos três jurados do concurso: o poeta Adão Cunha (responsável pelo olhar mais lírico), a atriz Victória  Cardos (que avaliou os poemas mais pelo ponto de vista da declamação) e o escritor e editor Sergio Carmach, da Verlidelas Editora (contribuindo com uma visão editorial, de mercado). O fato de ter sido extremamente difícil chegar a apenas três vencedores em cada categoria fala não somente da quantidade de poemas inscritos, mas também de sua qualidade. E os poemas vencedores foram:

CATEGORIA GERAL:
1º lugar: RENASCER - Silvia Coutinho
2º lugar: TERRA MARIA - Fabiano Silva Joia
3º lugar: PRELÚDIO - Dynho Silva

CATEGORIA ESTUDANTES:
1º lugar: MAS AINDA SE ROMPEM TORRENTES - Maria Clara de Santana Ribeiro
2º lugar: MULHER NEGRA - Rafael Santos de Jesus Lima
3º lugar: AMÉM - Amanda da Conceição Pereira


O fato de os poemas vencedores terem recebido premiações em dinheiro e livros, além da publicação no livro “Gincana da Poesia”, foi também um motivo de grande satisfação para mim. Como poeta que sou, graças a Deus, tive a oportunidade de viver a alegria de receber prêmios por alguma poesia que passou por mim, e poder proporcionar essa alegria a outros poetas é muito precioso!

Outro motivo de deleite é a primorosa edição da Verlidelas Editora, com a diagramação esperta e elegante de César Mendonça, que possibilitou o encanto de termos efetivamente dois livros em um, com duas capas e cada metade de ponta-cabeça com relação à outra. O PDF do livro foi disponibilizado gratuitamente no link:


Por último, mas não menos importante, ter a permissão do Universo para lançar um livro de poesias selecionadas de meus dois grandes ídolos, Castro Alves e Gregório de Mattos, é uma dádiva que não cessa de me emocionar. Espero não estar cometendo uma heresia ao dizer que minha relação com esses dois grandes poetas é de uma devoção que, creio eu, deve ser semelhante ao amor que experimentam os devotos de algum santo católico. Não é por acaso que um de meus locais mais sagrados na Bahia é justamente a Praça Castro Alves, cuja estátua já há algum tempo tem a feliz companhia da de Gregório de Mattos, do outro lado da rua. Toda vez que passo por lá, quem estiver do meu lado poderá me ouvir dizendo: “Benção, Antônio! Benção, Gregório!”

Escolher apenas 12 poemas de cada foi outro lindo desafio. Tivemos alguns critérios que facilitaram a tarefa: as poesias escolhidas versam todas sobre os temas do concurso: “Amor” e “Liberdade” (homenagem a Castro Alves) ou “Fé” e “Diversão” (homenagem a Gregório de Mattos). Atrevo-me a dizer que fizemos uma honrosa seleção, onde constam os principais poemas de cada um, ainda que por vezes apenas trechos deles (alguns dos poemas são imensos).


Que coisa linda é a Poesia, que nos permite vislumbrar um pouco o coração de Deus, o Grande Poeta! Gratidão infinita por meus ouvidos poderem captar algumas notas do sublime canto da Musa!

Viva a Poesia!

GINCANA DA POESIA é um projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia - Ano V, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador, realizado pela Cachorro Beato Produções com o apoio da Rede Bahia, da Verlidelas Editora, do Athelier PHNX, da Gold Comunicação Digital e da Suporte Informática.


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CURA POÉTICA
(Delirium Liricus III)
Antologia colaborativa organizada por Fabio Shiva e Sergio Carmach
- Inscrições abertas –
- Premiação para o melhor poeta –
Este livro será o terceiro da série “Delirium Liricus”, que compara cada poesia a uma pílula, classificando-as como remédios (quando mais otimistas), venenos (quando mais pessimistas) e placebos (quando feitas para divertir, encantar).
No entanto, pouco importa se os versos são de amor, revolta, contemplação... Escrever e ler poesias é sempre uma boa forma de curar feridas da alma. A antologia “Cura Poética” é uma oportunidade para os poetas extravasarem o que trazem dentro de si em uma época de tantas incertezas. Faça sua poesia - seja ela um remédio, um veneno ou um placebo - e nos envie. Leia o EDITAL:


terça-feira, 4 de julho de 2017

CACAU – Jorge Amado

Segundo livro de Jorge Amado e o primeiro do chamado “ciclo do cacau”, escrito em 1933, esta obra foi escrita, segundo nos conta o próprio autor, “com um mínimo de literatura para um máximo de honestidade”. Narrado na primeira pessoa, fala sobre as agruras dos pobres nas mãos dos ricos, drama universal que aqui é representado pelos roceiros do cacau e sua exploração pelos coronéis.

A leitura flui com a facilidade de sempre, embora a prosa de Jorge Amado ainda vá alcançar alturas bem mais elevadas. E a história é tocante e comovente, tanto no seu relato do sofrimento humano, quanto em certa ingenuidade, que leva Jorge a ser um tanto maniqueísta ao criar seus personagens. O que há de tocante é a linda crença na evolução humana, que faz o autor retratar o que vê de errado no mundo, mas sempre com a esperança de ver esses problemas solucionados.


Na época, em 1933, a solução parecia ser o socialismo. Jorge não tinha como saber que a luta de classes que ele preconizava acabaria dando na “Revolução dos Bichos”, feroz crítica de George Orwell ao comunismo, escrita mais de dez anos depois de “Cacau”. No alvorecer da primeira fase literária de Jorge Amado, ainda não havia como saber que o comunismo resultaria em um erro tão feio e desumano quanto o capitalismo. Resta a nós, no presente e no futuro, buscar e criar novas soluções que nos permitam continuar acreditando na humanidade.


E aí é que entra a sincronicidade. No mesmo dia em que termino de ler “Cacau”, eis que assisto ao lindo filme “Okja”, recentemente lançado. E sou tomado por uma epifania, ao perceber insuspeitáveis semelhanças entre o livro do baiano Jorge Amado e o filme do sul-coreano Joon-Ho Bong: as duas obras são marcadas pela esperança de que somos capazes de fazer melhor, enquanto espécie humana. E da mesma forma, por estarem ambas comprometidas em transmitir uma bela mensagem, acabam sacrificando um pouco a perícia na arte de contar histórias. Contudo mais importante que perceber essas semelhanças é descobrir mais um indício da transformação de consciência que resultará (assim espero) na tão sonhada Nova Era! Ouso profetizar que novos filmes, desenhos, livros, web-séries etc. seguirão essa nova e perfumada tendência assinalada por “Okja”, conciliando a importante missão de conscientização com uma progressiva habilidade narrativa. Que assim seja!


Por último, mas não menos importante, uma descoberta interessante sobre a literatura de Jorge. Ao ler “ABC de Castro Alves” há alguns meses fiquei muito intrigado com a violência e raiva com que Jorge Amado atacou Machado de Assis, uma intensidade emocional que ao meu ver não ficou justificada pela explicação de Jorge, de que Machado, sendo mestiço como era, não lutou de forma mais ativa contra a escravidão e o racismo. Achei esse ataque de uma insensibilidade gritante e muito pouco condizente com a largueza de alma do gênio Jorge Amado. Daí que fiquei encafifado com isso, e fui ler Machado: “Esaú e Jacó”, que me deleitou pelo domínio de mestre do recurso da ironia, que não deixa de ser uma forma eficaz de contestar o que está errado no mundo: ridendo castigat mores.


Mas ainda não atinava com o motivo dessa birra de Jorge, e por isso essa leitura de “Cacau”. E então nova epifania: a partir de “Gabriela, Cravo e Canela”, de 1958, Jorge Amado inicia uma nova fase literária, de crônica de costumes (sendo a primeira, de “Cacau”, de crítica social libertária). Ora, nessa segunda fase Jorge está mais genial do que nunca, sobretudo por um elemento quase inexistente na primeira fase: a ironia. Acontece que a ironia é irmã do cinismo, e só pode surgir em um coração já cansado de lutar por um mundo novo, um coração que não é mais ingênuo para acreditar em dias melhores para uma humanidade melhor. A ironia é o recurso do coração que foi ferido, de “rir para não chorar”.


Daí, então, essa mágoa de Jorge Amado com Machado de Assis (em minha louca opinião): Jorge não aceitou se ver tão envelhecido no espelho da ironia de Machado, pois preferia ter continuado sempre com o coração de menino, como Castro Alves! Coisa de gênio...



  
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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A.B.C. DE CASTRO ALVES – Jorge Amado


O maior escritor homenageia o maior poeta da Bahia, em um texto apaixonado e apaixonante! Quem já amava Castro Alves, após a leitura de seu ABC terá mais e melhores motivos para considerá-lo um grande gênio da raça! E quem ainda não ama o Poeta da Liberdade, terá aqui uma linda oportunidade de se deixar seduzir pela paixão condoreira!

Acostumado à prosa fluida e lúdica de Jorge, a princípio estranhei tantas e extensas notas de rodapé, com tantos mínimos detalhes. Depois fui entendendo que era o amor a Castro Alves que motivava o desejo pela exatidão histórica e pela minúcia. E foi o mesmo amor desmedido que se manifestou de outra forma para mim surpreendente: em seus arroubos, Jorge Amado não mede palavras e bate forte em alguns nomes como Mário de Andrade, Tobias Barreto e Machado de Assis!

A pinimba com Mário de Andrade fica bem compreensível, pois foi o paulista que implicou primeiro com o baiano, ao fazer uma crítica meio estrambótica a Castro Alves, comparando-o a Fagundes Varela: o autor de Macunaíma desgosta profundamente do fato de um carvalho, na poesia de Castro Alves, se referir a um carvalho, enquanto na de Varela pode ser um carvalho ou uma baraúna, ou um salgueiro... chegando ao ponto de louvar Varela por sempre enfiar uma cachoeira em seus poemas, gerando um “mistério psicológico”, enquanto Castro Alves estaria reduzido a uma “pobre realidade”... Convenhamos que é implicância pura, e por conta disso Mário de Andrade levou uma bela duma espinafrada de Jorge Amado. Merecida, em minha opinião.

Já no caso de Tobias Barreto e, principalmente, de Machado de Assis, penso que a ira de Jorge foi um pouco pesada demais, julgando-os pelo fato de, sendo ambos mestiços, não terem se colocado de forma mais aberta contra a escravidão. Penso que só quem sentiu na pele (literalmente) o racismo que eles sofreram é que pode entender o motivo desta ou daquela atitude.


Outro caso de exageros de amor de Jorge Amado por Castro Alves, esse mais engraçado, é quando o autor do ABC dá um pito daqueles na mulher que foi a última paixão do poeta, pelo simples motivo dela ter se recusado a ceder aos ardentes desejos de Castro Alves, por medo de ficar falada na cidade, perdendo seu status social e com ele seu ganha-pão de professora particular. Jorge fica mesmo retado com a tal fulana por não ter aliviado a barra do poeta! O que na verdade é um recurso de gênio, pois com essa birra Jorge Amado consegue dar uma nota cômica em um momento muito triste da biografia de Castro Alves.

Em resumo, o livro é isso: um gênio falando de outro. Ou seja, um deleite de encher os olhos! Um efeito que eu apreciei particularmente foi o fato de Jorge narrar a história de Castro Alves para sua “amiga” (Zélia Gattai, certamente), dando um toque amoroso e uma narrativa sentimental paralela que muito soma à beleza da narrativa.

Diante de tudo isso, só posso agradecer à Mainha pela dádiva de ter nascido nessa terra de magia e beleza, que viu nascer um Castro Alves e um Jorge Amado, dentre tantos outros espetaculares baianos!


Viva a Bahia! Viva Jorge Amado! Viva Castro Alves!



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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 
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