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segunda-feira, 18 de maio de 2020

THE DELTA STAR – Joseph Wambaugh



Li esse livro pela primeira vez há oito anos (vide resenha: https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2012/03/estrela-delta-joseph-wambaugh.html).

Não entendo como Joseph Wambaugh não é mais conhecido por aqui. Considero ele uma versão norte-americana de nosso grande Rubem Fonseca, pelo fato de também ter sido policial antes de se dedicar a escrever histórias policiais recheadas de ingredientes bizarros.

Nessa segunda leitura creio que me diverti muito mais. Dei altas risadas com as insólitas trapalhadas dos personagens e não conseguia largar o livro, uma vez mais capturado pelo suspense e pelo mistério da história, que mistura prostitutas assassinadas com um submarino nuclear russo e o Prêmio Nobel, de forma caótica e simplesmente brilhante!


Tive um aprendizado extra nessa releitura, pela sincronicidade de estar assistindo em paralelo à ótima série “The End of The F***ing World” (https://youtu.be/wrya4LOIrso), que utiliza um mesmo recurso bem aproveitado por Wambaugh: criar uma determinada expectativa para depois frustrá-la em um total anticlímax, que acaba tendo um efeito hilário. Amei aprender esse novo truque e já quero experimentar em alguma de minhas histórias...



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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

Link do livro no SKOOB:

Book trailer


Entrevista sobre o livro na FM Cultura




domingo, 26 de abril de 2020

O BURACO NA PAREDE – Rubem Fonseca



Os livros de Rubem Fonseca estão entre os raros que não passo adiante depois de ler, pois sempre guardo para ler novamente outro dia. E não à toa: li a maioria dos que tenho aqui duas ou três vezes. E a cada vez que leio de novo, mais aprendo e mais fico fascinado pela força da prosa de Rubem Fonseca. Ele foi o meu escritor favorito durante um período muito especial de minha vida, quando eu estava escrevendo meu primeiro livro, “O Sincronicídio” (https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva). E hoje ele não deixou de ser favorito, eu é que passei a apreciar outros universos narrativos com a mesma intensidade que antes era exclusiva aos livros de Rubão.

Ao saber de seu recente desencarne, senti uma saudade fininha e quis voltar uma vez mais a esse mundo tão conhecido e querido. Escolhi, quase que aleatoriamente, “O buraco na parede”, lido apenas duas vezes. Nessa terceira leitura, me diverti elaborando uma breve lista das constantes (ou quase-constantes) da prosa de Rubem Fonseca:

1) A maldição do macho irresistível
Os heróis de RF geralmente fazem um tremendo sucesso com as mulheres, e o mais curioso é que eles geralmente consideram essa condição como uma espécie de fardo: a “maldição do priapismo”. Um dos melhores exemplos disso está no conto “O anão”, onde o herói é disputado acirradamente por duas mulheres, em consequência de um estado de tesão constante, que o faz “dar nove sem tirar”, provocado pela vida de bancário, “pegando em dinheiro dos outros o dia inteiro”.

2) O tempero bizarro
As desventuras amorosas do herói geralmente trazem como pano de fundo (ou primeiro plano) alguma situação bizarra, do tipo que só encontramos nas histórias de RF. Um ótimo exemplo é o conto “Placebo”, que retrata a sofrida saga do protagonista para encontrar um feto de três meses, que será utilizado para preparar um feitiço capaz de curá-lo de uma sinistra doença degenerativa.

3) A narrativa seca na primeira pessoa
Essa é uma combinação espetacular: o protagonista conta ele mesmo, em uma linguagem seca e concisa, suas peripécias de tesão incurável, sendo assediado por beldades em meio a situações para lá de bizarras. O resultado é inconfundível: a marca da prosa única de Rubem Fonseca!




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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

Link do livro no SKOOB:

Book trailer


Entrevista sobre o livro na FM Cultura




sexta-feira, 7 de abril de 2017

CONTOS CRUÉIS – As narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea


Organizada por Rinaldo de Fernandes, esta imponente antologia traz nada menos que 47 contos, alguns deles assinados por nomes consagrados como Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Marçal Aquino, Caio Fernando Abreu, Roberto Drummond, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão e Nélida Piñon, entre outros tantos.

Muitos são os bons motivos que podem levar o leitor a encarar esse tijolo que pinga sangue, desde o estudo da violência em nossa sociedade contemporânea a uma pura e simples diversão movida a catarse. Minha motivação principal foi a bela oportunidade de aprender um pouco mais sobre a estrutura e a construção do conto, que ao meu ver representa a essência da fina arte de contar histórias.

Aliás, muito me intriga que hoje em dia os contos tenham meio que “saído de moda” no Brasil. Até mais ou menos a década de 1980 os contos eram bastante apreciados pelos leitores e representavam expressiva parcela do mercado editorial. De lá para cá, a impressão que tenho é que o interesse pelo conto vem caindo drasticamente. O que é de se admirar, considerando a tendência à simplificação progressiva nos escritos de ficção. Talvez o conto não agrade tanto hoje em dia porque, apesar de ser curto em número de páginas, geralmente obriga o leitor a um esforço interpretativo muito maior que em um romance. Será que é por isso?

De todo modo, felizmente eu nunca fui de seguir modas, então pude apreciar bastante a leitura desses 47 “Contos Cruéis”. O aprendizado maior que tive foi que talvez o segredo de um bom conto esteja mais no ritmo da narrativa que em outros elementos, tais como tema, estrutura narrativa ou vocabulário. Difícil mesmo é definir o que seria um bom ritmo! O melhor exemplo que encontrei no livro é o clássico conto de Rubem Fonseca, “Feliz Ano Novo”, que bem pode simbolizar a proposta da antologia como um todo. Essa deve ter sido a quarta ou quinta vez que li esse conto, e a cada vez acho melhor escrito!

É importante destacar também a reflexão sobre a relevância de uma literatura focada na violência. Diz o organizador, na apresentação ao livro:

“O Brasil se tornou mais violento nos últimos tempos. A nossa pobreza pede soluções que não chegam. As nossas cidades choram cotidianamente os seus mortos. O escritor vai fazer o quê? Pintar as ruas de risos e rosas?”

Será que a função da literatura é retratar e denunciar as mazelas da sociedade? Ou deveria aspirar sugerir novos caminhos? A catarse é a motivação máxima da literatura? Ou seria a transcendência?

Sem pretender fornecer respostas prontas, acho válido que todo escritor – e leitor – faça a si mesmo essas perguntas, de vez em quando.

E viva a Literatura Brasileira!




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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058

 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A COMÉDIA MUNDANA – Luiz Biajoni


Espetacular!!!

Fiquei vidrado na leitura e só consegui largar o livro ao final da última página. Luiz Biajoni é o criador de um estilo único, muito próprio, capaz de capturar completamente o leitor em sua trama! Para quem não conhece ainda esse talentoso autor brasileiro, vou tentar dar uma ideia de sua criatividade: imagine que a máquina de fusão genético-molecular do filme “A Mosca” é utilizada para misturar as essências de Rubem Fonseca e Nelson Rodrigues... o monstro resultante seria mais ou menos parecido com o Luiz Biajoni!

“A Comédia Mundana” é um tijolo de 480 páginas que apresenta em um só volume a trilogia que o próprio autor chama de “Três Novelas Policiais Sacanas”. Os títulos falam por si:

“SEXO ANAL – uma novela marrom”

“BUCETA – uma novela cor-de-rosa”

“BOQUETE – uma novela vermelha”

Só por lançar livros com esses títulos o autor já havia conquistado a minha admiração e simpatia. E o melhor de tudo é que o conteúdo não decepciona, muito pelo contrário, surpreende ainda mais favoravelmente! A “sacanagem” do Biajoni não é um fim em si mesma, visa a forte crítica social, a exposição cruel das mazelas de nossa sociedade atual. Lendo esse livro lembrei de uma música que fiz ainda criança com meu irmão Fabrício Barretto, chamada “Rap do Palavrão”:

“Se te ferem os sensíveis ouvidos a sonoridade de um xingamento, aprenda:

Buceta não é palavrão – fome é!

Caralho não é palavrão – pobreza é!

Porra não é palavrão – palavrão é prostituição! Palavrão é marginalização!”

Biajoni é o arauto de um mundo triste e sombrio, onde a pornografia é banal e o amor é interdito. Vergonha para nós, humanidade, que esse mundo criado por ele seja tão parecido com o mundo real!

Viva a Literatura Brasileira! 

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O SINCRONICÍDIO





segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

INFERNO – Patrícia Melo



Há muito tempo eu não sentia tanta expectativa e vontade de ler um livro! A expectativa foi causada principalmente pelo ótimo filme “O Homem do Ano” , baseado no livro “Matador” de Patrícia Melo. E também por uma ótima resenha desse mesmo “Inferno”, que li tempos atrás.

Creio que ninguém considerará ofensivo (nem a própria autora, espero) se eu disser que Patrícia Melo é a versão feminina de Rubem Fonseca. Até porque já deve ter sido dito antes. As semelhanças são fortes, desde a temática do crime ao texto enxuto, seco de adjetivações, passando pela maneira de descrever os personagens mais através de suas ações etc. Para mim é um grande elogio considerar alguém o Rubem Fonseca de saia! A feminilidade vem talvez na contenção temática, fazendo Patrícia abordar mais o “realismo” que obsessões oníricas bizarras, como acontece muitas vezes com o Rubão...

Resumindo, o livro é muito bem escrito, e gruda o leitor nas páginas. A história gira em torno de José Luís Reis, o Reizinho, cria dos morros cariocas que mergulha no mundo do tráfico. O suspense da narrativa é excelente do início ao fim, aliviado por momentos de ironia que trazem também profunda crítica social. Diversão e arte! Não é à toa que “Inferno” tenha papado o prêmio Jabuti de Literatura!

Ler esse livro me propiciou também algumas viagens paralelas, tais como perceber a vastidão do gênero policial (como é possível que esse “Inferno” e um livro de Agatha Christie estejam enquadrados na mesma categoria?) e avançar um pouco mais na tese de que o romance policial e a literatura de terror são substitutos imperfeitos para uma espiritualidade decadente na sociedade tecnológica...



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Conheça O SINCRONICÍDIO:


http://caligoeditora.com/
 

domingo, 25 de agosto de 2013

SECREÇÕES, EXCREÇÕES E DESATINOS – Rubem Fonseca


As coisas que saem do corpo são o tema desse livro de Rubem Fonseca, mestre contemporâneo do conto. Fezes, urina, sêmen, saliva, menstruação e flatos são os motes para histórias para lá de bizarras, onde a concisão é exercitada em grau máximo. Aqui e ali, lampejos das tramas policiais que fizeram a fama de Fonseca, mas de modo geral é outro o foco de seus interesses aqui.

Gostei especialmente de “O Corcunda e a Vênus de Botticelli”, provavelmente a melhor história do livro. Aqui e ali, fui surpreendido soltando uma sonora gargalhada, diante de uma cena mais absurda. O estilo é inconfundível, aliás, tenho a impressão que todas as histórias narradas na primeira pessoa são vivenciadas pelo mesmo personagem alterego do autor, e que mudam apenas as características secundárias. Isso não é demérito, simplesmente estilo.

Não recomendaria como primeiro contato com a obra de Rubem Fonseca. Os contos são muito bem escritos, mas pela temática escatológica fogem um pouco ao universo normalmente associado ao autor.

Nojento e brilhante!



Conheça O SINCRONICÍDIO:
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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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terça-feira, 7 de maio de 2013

FELIZ ANO NOVO – Rubem Fonseca




Que paulada!!!

Imagino o impacto dessa obra quando foi lançada, em 1975. Não é à toa que foi censurada pela ditadura e ficou mais de dez anos sem ser publicada. Como o próprio Rubem Fonseca afirma em um dos contos do livro, os escritores são perigosos. E como!

Há muito tempo eu queria ler esse livro tão famoso de meu escritor favorito. Valeu a pena esperar! Aqui Rubem Fonseca mostra o seu intenso vigor literário em contos de tirar o fôlego.  As melhores características estão presentes: o uso da violência e da pornografia, mesclados com doses intensas de erudição, geram um efeito interessantíssimo, e até revolucionário. Realmente não é de se admirar que o livro tenha sido censurado.

O destaque vai mesmo para o conto que abre e batiza o livro: “Feliz Ano Novo”. Rubem Fonseca leva menos de dez páginas para dar um soco na boca do estomago do leitor... isso é literatura, meus amigos!!! É algo vivo, que mexe com a gente, algo nem sempre agradável, muito pelo contrário, muitas vezes precisa ser desagradável para gerar seu efeito... isso é arte!!!

Viva Rubem Fonseca!!!


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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

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quinta-feira, 28 de março de 2013


AGOSTO – Rubem Fonseca


Adoro esse mineiro, que abre os olhos dos leitores para uma literatura histórica em forma de romance. Acredito que essa seja mesmo a melhor forma de ensinar. A criança aprende vendo, cantando e brincando...se isso dá certo com crianças, por que não ensinar  adultos em forma de romance? Isso para mim é bem lúdico e uma forma muito sensata de ensinar. Essa obra é muito usada em provas exatamente por isso...
Esse autor brilhante desvenda para o leitor minúcias do dramático agosto de 1954, onde crises, massacres, corrupções e violências políticas aconteceram, e que foram capazes silenciosamente de mudar o rumo político do país, e entrar doloridamente para o veio da história política brasileira. Entrelaçando ficção e realidade, Rubem demonstra sua grande capacidade de pesquisa.


Entre romance e política, a obra vai nos levando a refletir sobre fatos que ficaram em nossos arquivos e foram apagados de nossa memória. Aliás o brasileiro tem esse poder...o da memória política curta. Ahahah
A obra editada em 1990 tem como cenário a então capital da República da época o estado do Rio de Janeiro, e inicia com o assassinato misterioso de um rico empresário,  se misturando com o plano de assassinar o jornalista carioca, opositor político declarado da presidência  e  responsável  pelo Jornal Tribuna da Imprensa Carlos Lacerda,  pelo chefe da guarda do presidente da República Getúlio Vargas. Ambos os delitos são investigados concomitantemente, pois acreditavam estarem numa mesma linha reta política.
O autor entrelaça tão bem a trama, que consegue envolver até mesmo o comissário investigador como cúmplice dos atentados e também, mais tarde, assassinado como queima de arquivo. Pressões de oposição ao governo pela imprensa, por militares, pelo Congresso e pelo povo indignado são intensificadas, exigindo a renúncia do Presidente Getúlio, o que culmina no seu suicídio no Palácio do Catete...isso é histórico.


Em dado momento da obra, já não sabemos distinguir a ficção da realidade histórica e tudo passa a viajar em um enorme bloco único de um delicioso romance policial. O autor ainda dá voz ao ministro Tancredo Neves e alguns militares de vulto nacional, como Eduardo Gomes, Mascarenhas de Moraes e outros.
É incrível como o autor consegue nos transportar a um Rio de Janeiro político, sombrio, violento, tenso, corrupto, muito diferente daquele cantado romanticamente em letras musicais...que corre o mundo com sua paisagem maravilhosa e com um Cristo de braços abertos para o povo.



Romance policial, ficção, suspense, realidade, caos político e social, história do Brasilllll....tudo junto em uma única obra. Maravilhosooooo!!!


quinta-feira, 21 de março de 2013

VASTAS EMOÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS – Rubem Fonseca



Totalmente Diversão & Arte!!! Um dos melhores livros que li (e agora reli) na vida. Um olhar profundo, filosófico, sobre a vida, a arte, a literatura, o cinema, o sexo... e isso tudo em meio a um empolgante thriller que deixa o leitor grudado na história!

Uma história originalíssima sobre a natureza do sonho, esse mundo de “vastas emoções e pensamentos imperfeitos”. E afinal o que é sonho e o que é realidade? Essa fronteira imaginária raramente foi apresentada tão tênue, tão permeável, e ao mesmo tempo tão sedutora. Aqui Rubem Fonseca está no auge de sua forma, senhor da concisão e da clareza, mestre indisputável em seu estilo seco e contundente.

A caça ao tesouro dá a tônica do livro. De um lado, pedras preciosas e um belíssimo diamante desaparecido. Do outro, um tesouro do espírito, o manuscrito perdido de um gênio da literatura. Entre esses dois tesouros divide-se o herói sem nome, o cineasta que sonha sem imagens, amigo dos escorpiões e dos cavalos, amante generoso das belas mulheres.

Bom demais!!!


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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ROMANCE NEGRO e outras histórias – Rubem Fonseca



Rubem Fonseca é o cara!

Ler um livro dele é como entrar em um mundo tão estranho e tão familiar ao mesmo tempo... Mergulhamos naquela atmosfera bizarra, onde paradoxalmente nos sentimos em casa... é como sonhar de olhos abertos.

Isso porque, creio eu, Rubem Fonseca possui o raro talento de tornar o leitor cúmplice de suas obsessões... Tudo é muito estranho e louco (porque é mesmo!), mas ao mesmo tempo faz um enigmático e obscuro sentido...

Ou seja, Rubem Fonseca é inexplicável, só lendo mesmo para ter essa inigualável experiência! Considero-o o maior escritor atual da língua portuguesa.

Esse livro abrange sete contos no melhor estilo do autor: “A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro”, “Labaredas nas trevas”, “Olhar”, “A santa de Schöneberg”, “O livro dos panegíricos”, “A recusa dos carniceiros” e “Romance negro”. Só o título das histórias já dá uma ideia do universo louco e perigoso de Rubem Fonseca...

Muito bom!



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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

UM ESTUDO EM VERMELHO – Conan Doyle



“No ano de 1878 eu me formei em Medicina pela Universidade de Londres.”

Com essa frase começa a primeira aventura de um dos mais famosos (se não o mais) personagem de ficção de todos os tempos: Sherlock Holmes!

Foi emocionante retornar aos primeiros dias da amizade entre o Dr. John Watson e o grande detetive. Muito interessante observar o quanto já estão presentes as principais características do romance policial, que é mais ou menos inaugurado com “Um Estudo em Vermelho” (dada a honrosa primazia para Allan Poe e seu detetive Dupin, além de outros precursores de menor expressão).

Igualmente interessante foi ver o quanto a narrativa ainda está distante do padrão que se tornaria o romance policial “clássico”. Curiosamente, o formato adotado aqui por Conan Doyle foi utilizado por escritores contemporâneos, como forma de inovar o estilo! Refiro-me à interrupção da trama principal (o detetive e suas investigações) para a inserção da trama secundária que irá fornecer a explicação e o contexto da primeira. Um dos que tem usado esse recurso é o Rubem Fonseca!

Não lembrava o tema dessa trama secundária: mórmons nos Estados Unidos, seitas secretas, poligamia... deve ter sido bem mais forte na época da publicação. Hoje impressiona pela atenção de Conan Doyle ter sido atraída por esse grupo, e pela pista: o tema das sociedades secretas foi um dos prediletos do autor.

Holmes aqui é quase que rascunhado e aparece relativamente pouco na história. Ainda assim, suas principais características já estão presentes.



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domingo, 8 de julho de 2012

O BURACO NA PAREDE – Rubem Fonseca


Uma descoberta surpreendente tive ao ler esses contos de meu escritor favorito. E não é que Rubem Fonseca é de fato um ser humano!

Nesse livro ele apresenta oito contos, cada um deles uma variação nesse universo tão bizarro e tão querido que podemos chamar de o Mundo de Rubem Fonseca.

O buraco na parede nos permite espiar o que está escondido, o que é vergonhoso ou pecaminoso. O buraco na parede é o furo na muralha do outro, o ponto fraco da armadura.

Já li vários livros de Rubem Fonseca, sempre com entusiasmo pela obra e admiração pelo autor. Acho que já li todos os que tenho dele duas vezes!

Isso significa que em breve voltarei a ler “O Buraco na Parede”...

Amei esse lindo presente ofertado pela querida Nil!


***

Farei um breve comentário de cada conto:

O BALÃO FANTASMA
Um belo exemplo do estilão Rubem Fonseca! Aqui ele faz um uso soberbo de uma técnica que estou apreciando cada vez mais! Em Rubem Fonseca, o “fantasma” é a subjetividade. Por detrás de uma linguagem totalmente objetiva, desprovida de qualquer sugestão emotiva (tal como o relato de um policial ou de um advogado, frequentes heróis de RF, um relato sem emoção, atendo-se aos fatos), há um apelo intenso à subjetividade. Vivenciamos as emoções dos personagens não porque o escritor revela seus estados emocionais, mas pela crua apresentação dos fatos e das ações. Gênio!!!

A CARNE E OS OSSOS
Uma narrativa escatológica, ou seja, sobre os fins últimos do homem. E talvez por isso o autor use e abuse da outra acepção da palavra escatológico, em algumas passagens bem nojentas. Aqui RF faz uso de uma ironia amarga, sem esperanças.


IDIOTAS QUE FALAM OUTRA LÍNGUA
Aqui Rubem Fonseca adota o tom farsesco em uma história contada como uma peça de teatro. Senti um cheirinho de Nelson Rodrigues em algum lugar. Algumas ideias bem interessantes, ao brincar com as diferentes linguagens do conto e da apresentação teatral.

O ANÃO
Essa história foi para mim um profundo aprendizado. As principais características dos livros de Rubem Fonseca estão aqui presentes, nas poucas páginas de um conto! É como um caldo Knorr de Rubem Fonseca! Tem o garanhão que se lamenta de suas proezas sexuais, tem as “mulheres-cavalos” que disputam o garanhão, tem situações bizarras e personagens insólitos misturados com uma filosofia irônica e pessimista. Não contém glúten.

ARTES E OFÍCIOS
Um dos que mais gostei! Estão presentes os mesmos ingredientes do conto anterior, mas de alguma forma o resultado foi muito melhor! Talvez seja o glúten.

ORGULHO
Genial! Muito bem escrito. Conciso e muito sugestivo.

PLACEBO
Novamente a escatologia, talvez uma das famosas “obsessões” de Rubem Fonseca. Aqui o lado sombrio é contrabalançado por um humor negro e mórbido.

O BURACO NA PAREDE
Essa história foi crescendo na minha cabeça, depois que li. Só percebi o mote genial justamente quando estava escrevendo a resenha, e fiquei tão pasmo que acabei interrompendo o texto por ali mesmo! Aqui Rubem Fonseca faz uma homenagem absolutamente brilhante a Hitchcock. Genial é pouco! Lembram do filme “Psicose”? Também tinha um buraco na parede...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

LÚCIA MCCARTNEY / OS PRISIONEIROS – Rubem Fonseca



Depois de anos, li pela segunda (terceira?) vez essa edição do Círculo do Livro que traz dois livros de contos de Rubem Fonseca.

“Lúcia McCartney” já é um clássico, inclusive virou peça de sucesso (infelizmente, não vi). Além da história-título, há muitas outras bem interessantes, todas impregnadas desse estilo tão característico do Rubem Fonseca. Uma mistura deliciosa e irresistível, ao menos para meu gosto: erudição e libidinagem, violência e lirismo, cenas bizarras e muita ironia!

Alguns contos apresentam personagens que irão aparecer em outras histórias futuras. É o que ocorre em “O caso de F.A.”, que traz o advogado Mandrake, um dos maiores heróis de Rubem Fonseca. “Um dia na vida” traz a curiosa presença de Professor, que será um personagem-chave do romance “A Grande Arte”, protagonizado pelo citado Mandrake. É sempre um deleite para o fã identificar essas curiosidades!

“Lúcia McCartney” traz ainda uma espécie muito curiosa de mini-contos, talvez até mais próximos da poesia, que são bem característicos de Fonseca. O genial “Corrente” já foi reproduzido em uma outra resenha aqui em nossa comu. Tomo a liberdade de reproduzir a seguir “Os Inocentes”, no mesmo estilo.

Os Inocentes – Rubem Fonseca

O mar tem jogado na praia pingüim,
                   [tartaruga gigante, cação, cachalote.
Hoje: mulher nua.
Depilada pareceria enorme arraia podre.
Porém cabelos e pelos lembram animal da
                   [família do macaco;
corpo lilás de manchas claras mármore de carrara
                   [incha exposto;
sangue, tripa, ossos perderam calor e pudor;
olhos, lábios, boca, vagina: peixes devoraram.
Banhistas instalam barracas longe da coisa morta,
logo envolvida por enorme círculo de areia, indiferença,
                                                  [asco.
Policial limpa suor da testa, olha gaivota, céu azul.
Afinal rabecão: corpo carregado.
Espaço branco vazio cercado
pelo colorido das barracas, lenços, biquínis, chapéus, toalhas,
por todos os lados.
Chega família:
“Olha, parece que reservaram lugar para nós.”





OS PRISIONEIROS

O interesse principal de “Os Prisioneiros” é ter sido o primeiro livro publicado de Rubem Fonseca. Nesses contos temos já um autor maduro, sabedor do ofício, mas ainda lhes falta um certo brilho, ritmo ou cadência, algum “tchan” a mais das histórias posteriores. Ainda assim, todas as histórias são de primeira!

Um autor para orgulhar o Brasil! Viva Rubem Fonseca!

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