quinta-feira, 28 de março de 2013


AGOSTO – Rubem Fonseca


Adoro esse mineiro, que abre os olhos dos leitores para uma literatura histórica em forma de romance. Acredito que essa seja mesmo a melhor forma de ensinar. A criança aprende vendo, cantando e brincando...se isso dá certo com crianças, por que não ensinar  adultos em forma de romance? Isso para mim é bem lúdico e uma forma muito sensata de ensinar. Essa obra é muito usada em provas exatamente por isso...
Esse autor brilhante desvenda para o leitor minúcias do dramático agosto de 1954, onde crises, massacres, corrupções e violências políticas aconteceram, e que foram capazes silenciosamente de mudar o rumo político do país, e entrar doloridamente para o veio da história política brasileira. Entrelaçando ficção e realidade, Rubem demonstra sua grande capacidade de pesquisa.


Entre romance e política, a obra vai nos levando a refletir sobre fatos que ficaram em nossos arquivos e foram apagados de nossa memória. Aliás o brasileiro tem esse poder...o da memória política curta. Ahahah
A obra editada em 1990 tem como cenário a então capital da República da época o estado do Rio de Janeiro, e inicia com o assassinato misterioso de um rico empresário,  se misturando com o plano de assassinar o jornalista carioca, opositor político declarado da presidência  e  responsável  pelo Jornal Tribuna da Imprensa Carlos Lacerda,  pelo chefe da guarda do presidente da República Getúlio Vargas. Ambos os delitos são investigados concomitantemente, pois acreditavam estarem numa mesma linha reta política.
O autor entrelaça tão bem a trama, que consegue envolver até mesmo o comissário investigador como cúmplice dos atentados e também, mais tarde, assassinado como queima de arquivo. Pressões de oposição ao governo pela imprensa, por militares, pelo Congresso e pelo povo indignado são intensificadas, exigindo a renúncia do Presidente Getúlio, o que culmina no seu suicídio no Palácio do Catete...isso é histórico.


Em dado momento da obra, já não sabemos distinguir a ficção da realidade histórica e tudo passa a viajar em um enorme bloco único de um delicioso romance policial. O autor ainda dá voz ao ministro Tancredo Neves e alguns militares de vulto nacional, como Eduardo Gomes, Mascarenhas de Moraes e outros.
É incrível como o autor consegue nos transportar a um Rio de Janeiro político, sombrio, violento, tenso, corrupto, muito diferente daquele cantado romanticamente em letras musicais...que corre o mundo com sua paisagem maravilhosa e com um Cristo de braços abertos para o povo.



Romance policial, ficção, suspense, realidade, caos político e social, história do Brasilllll....tudo junto em uma única obra. Maravilhosooooo!!!


5 comentários:

  1. Querida Moon, gosto demais de Fonseca, nem sempre de sua linguagem crua, mas sempre de suas reflexões sobre a condição humana. Sempre me pergunto de qual livro dele gostei mais, fico sempre entre este e A grande arte. Ainda assim acho que Agosto leva vantagem por sua carga explosiva, pelo contexto histórico, pela atentado da rua Tonelero, pelo romance entre Mattos e a protituta Salete, pelos dramas de um matador profissional. Nossa... são tantas coisas que seria melhor nem citar. Só pode dizer uma coisa: clássico!

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    1. Rodolfo!
      Isso aí: clássico!
      cheirinhos
      Rudy

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  2. É verdade...essa obra dá pano para manga. É até difícil fazer uma resenha, pois são tantos pontos incríveis. Já li muitas obras dele, mas essa também concordo com você que é a mais rica de enredos.

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    1. Moon!
      Rubem Fonseca permite essa variedade que nos envolve na leitura e nos transporta para mundos inimagináveis (ou não..).
      cheirinhos
      Rudy

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  3. Muito show a resenha!!!
    Realmente esse é um dos melhores livros do Rubem Fonseca... o que equivale dizer que é um dos melhores livros da literatura nacional!!!

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