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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

TODOS OS CONTOS DE MAIGRET – VOL. I – Georges Simenon



Georges Simenon, definitivamente, é um de meus autores favoritos. A cada livro dele que leio, seja ou não protagonizado pelo comissário Jules Maigret, só aumenta o meu fascínio diante de um irresistível contador de histórias. E boa parte desse encanto, só pude perceber agora, reside justamente no fato de não saber ao certo o que torna os livros de Simenon tão incrivelmente bons!

E agora, ao ler em sequência nada menos que dezessete histórias curtas de Maigret reunidas em um tijolo que corresponde, em número de páginas, a cerca de três romances de Simenon, tive uma bela oportunidade de apreciar um pouco melhor as qualidades literárias desse grande autor.

O ponto central das tramas de Simenon, e especialmente das estreladas por Maigret, é a chamada “atmosfera”. O próprio método de detecção do comissário, bem diverso de seus colegas Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, consiste em justamente absorver e ser absorvido pelo cenário onde foi cometido o crime. A tal ponto que, no conto “A barcaça dos dois enforcados”, Maigret revela que precisa “pensar barcaça” para conseguir desvendar o mistério.

Mas como são construídas essas atmosferas tão envolventes das histórias de Simenon? O autor possui uma técnica incomparável ao descrever cenários, que sempre são retratados interagindo de alguma forma com as pessoas, e até dotados de algo como um “estado de espírito”. Os cenários de Simenon estão longe de serem objetos inanimados: vivem e respiram, participando ativamente da trama.

Até aí eu já havia percebido em outras leituras, e até cheguei a comentar em algumas resenhas. O que a leitura desses contos me trouxe, em termos de novas descobertas, foram duas percepções principais:

1) O DRAMA ACIMA DO CRIME
Em boa parte das histórias de Maigret o “crime” cometido não se enquadra, de forma exata e precisa, em termos de uma “infração à lei”. Em algumas histórias, quando o mistério é solucionado, o “culpado” sequer chega a ser preso, pois não cabe punição legal à ofensa que ele cometeu. Em outras, o próprio Maigret resolve fazer vista grossa e liberar o ofensor das garras da lei, por entender bem demais o drama humano que motivou o “crime”. Por aí já se percebe que “descobrir o assassino” nas histórias de Simenon é sempre secundário, ao contrário de boa parte das histórias policiais.

2) ADORÁVEL TRAPACEIRO
Uma vez que o drama está acima do crime, uma consequência direta é que o “personagem” está acima do “detetive”. Por conta disso, Simenon trapaceia, com charmosa cara-de-pau, em algumas das famosas e não escritas regras da história policial. Uma das principais regras reza que o leitor deve ter acesso a todas as pistas junto com o detetive, e o grande divertimento da leitura consiste justamente no leitor tentar ser mais esperto que o detetive, desvendando antes dele o mistério. Com Maigret, essa regra é totalmente subvertida, pois muitas vezes as “pistas” são reveladas pelo próprio comissário, que invariavelmente surpreendem o leitor pelo tanto que o comissário já depreendeu do drama humano que está sendo apresentado. Se por um lado o jogo clássico da leitura policial é frustrado, Simenon obtém grandes compensações por essa “trapaça”. Como quem não quer nada, seu Maigret vai aos poucos se mostrando um verdadeiro super-homem da intuição, capaz de reconstruir em um relance profundas tragédias a partir das mínimas pistas. E ganha também o leitor, penso eu.

Esta edição apresenta três ótimas introduções com análises feitas pelos escritores Dominique Fernandez, Pierre Assouline e Denis Tillinac. Sugiro que sejam lidas após a leitura dos contos em si, pois aparentemente a palavra “spoiler” ainda não foi traduzida para o francês!




\\\***///


Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:

sábado, 1 de setembro de 2018

A CARTA ROUBADA – Edgar Allan Poe



Já perdi a conta de quantas vezes já li os contos de Allan Poe! Certamente em pelo menos uma dezena de edições diferentes, desde a edição integral das “Histórias Extraordinárias”, passando por versões com alguns contos suprimidos, até outras como essa da L&PM, que colocam um dos contos como título do livro, juntam mais uma meia dúzia e lançam como se fosse uma nova obra. Está valendo! Quando se trata de ler Allan Poe, qualquer oportunidade vale a pena!

Não é para qualquer um ser o precursor (ou mesmo o fundador) tanto da literatura de horror quanto da história policial. Mas o que me atrai de novo e de novo para leituras compulsivas de Poe é que ele é um verdadeiro mestre do conto. Não me canso de lê-lo, porque cada releitura traz um novo aprendizado.

Dessa vez, talvez pelas histórias que compõem a seleção (especialmente “Berenice”, “Ligeia”, “A Queda da Casa de Usher” e “William Wilson”), o que mais me chamou a atenção foi o gosto de Poe pela narrativa indireta e pela sugestão acima da descrição, o que para um gosto mais moderno pode fazer algumas histórias serem consideradas um pouco cansativas. Ainda assim, amo muito tudo isso!

O destaque vai, é claro, para “A Carta Roubada”, obra-prima do conto policial, e, principalmente, para “O Barril de Amontillado”, sem dúvida alguma minha história favorita de Edgar Allan Poe. Esse conto é sinistro demais! É tão bem escrito que chega às raias da perfeição. Continua me provocando catarse mesmo depois de lido pela enésima vez!

Em meu livro “O Sincronicídio” prestei singela homenagem a “O Barril de Amontillado”, apelidando um dos personagens de Fortunato e emprestando a ele o lema: Nemo me impune lacessit (“ninguém me fere impunemente”). Ê paixão!!!



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

CEM GRAMAS DE CENTEIO – Agatha Christie


Que alegria descobrir um livro de Agatha Christie que eu ainda não havia lido! Uma leitura deliciosa como um belo chá inglês com torradas e geleia... e um pouco de veneno, é claro!

Uma aventura de Miss Marple, com direito a uma sequência de assassinatos inspirados em uma canção infantil, bem no estilo de Agatha.

Achei relativamente fácil descobrir a solução, mas talvez isso se deva apenas ao fato de já ter lido por volta de 80 livros da mesma autora, alguns duas e até três vezes, sendo que essas releituras foram feitas como estudo, buscando o aprendizado sobre a construção de uma trama policial, mais que a diversão em si. O que não quer dizer que eu não tenha me divertido, e muito!


É sempre muito bom observar a maestria com que Agatha exibe todas as pistas para o leitor, sempre cuidando de apresentar um despiste... Embora hoje eu goste mais de outros escritores policiais, no quesito “jogo do detetive” Agatha Christie é mesmo inigualável! 



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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Blog Livros e Resenhas: Sua Estante - O Chamado do Cuco (Cormoran Strike 1) - Robert Galbraith

SUA ESTANTE

“Ele nunca conseguiu entender a presunção de intimidade que os fãs sentem com aqueles que nunca conheceram”. 
(ROBERT GALBRAITH, in: O Chamado do Cuco, 2013)

O detetive particular Cormoran Strike inaugura essa nova série de livros ao investiga a morte suspeita de uma modelo problemática que despenca de sua própria sacada. Declarado pela polícia se tratar de um provável suicídio, o irmão da famosa incumbe o falido detetive com a missão de provar a ocorrência de crime.
Talvez o vazamento do pseudônimo da autora da saga mundialmente famosa “Harry Potter” –J.K. Rowling, 2009, Editora Rocco – seja uma das jogadas de marketing mais bem-sucedidas do mercado editorial atual. Sem gastarem nada, conseguiram os mais disputados espaços publicitários dos jornais e blogs para divulgarem esse policial tipicamente britânico.
J.K. Rowling / Robert Galbraith em O Chamado do Cuco – The Cuckoo’s Calling, 2013, Editora Rocco, 447p. – faz praticamente uma homenagem aos grandes detetives que a literatura em língua inglesa nos agraciou. O livro é muito bem escrito, porém possui um ritmo mais lento do que os thrillers americanos, o que pode assustar alguns leitores.
Eu gosto muito desse estilo europeu, pois os personagens e a ambientação ganham uma maior profundidade, em que recriam a vida londrina com seus incansáveis paparazzi chafurdando a intimidade dos ricos, alimentando toda uma indústria da fama.
Strike é um veterano de guerra ferido gravemente em combate, mas provavelmente os danos psicológicos sofridos desde a infância causaram mais prejuízos em sua vida do que qualquer sequela física. Tanto no âmbito pessoal como no profissional, a vida do investigador é uma desordem completa, mas ele encontra alívio em sua inesperada parceria com Robin, sua nova secretária temporária.
No melhor estilo Holmes e Watson, Robin traz um pouco de equilíbrio ao caótico cotidiano do investigador e simultaneamente, encontra nele o estímulo que nunca acreditou estar ao seu alcance.
Igualmente a personagem Hermione da saga “Harry Potter”, a secretária almeja realizar seus desejos pessoais e fazer diferença no mundo e nem por isso quer deixar de lado seus sonhos de mulher, como casar. Fico com a impressão de que a autora já fez mais pela causa feminista com seus livros do que muitas feministas radicais, pois chega a ser inspiradora a luta de suas personagens para não terem que abrir mão de nenhum dos aspectos da vida sem se sentirem culpadas, o que é tão fácil para os homens.
Em contraponto a Robin, surge a figura de Lula Landry, modelo endeusada após sua trágica morte, simboliza tudo o que o dinheiro não pode resolver: abandono, família desestruturada e um vazio existencial que resulta na busca pela fama e no refúgio das drogas. Cabe ao detetive falido desvendar se a jovem modelo conseguiu ser resiliente e superar as adversidades ou sucumbiu as desventuras da sua complexa realidade.
A resolução do mistério não me agradou muito, parecendo um pouco preguiçosa, mas não compromete o prazer dessa leitura. Tenho certeza que vou adorar acompanhar o desenrolar da dinâmica entre Srike e Robin no próximo volume da série “O Bicho da Seda” – Robert Galbraith, The Silkworm, 2014, Editora Rocco, 464p. 
Escrito por: Tatiana Castro
SUA ESTANTE

sábado, 4 de julho de 2015

Blog Livros e resenhas – A Forma da Água – Andrea Camilleri



SUA ESTANTE

““Isso cabe a você descobrir, se assim desejar. Ou você também pode parar no formato que eles deram a água”. 
(ANDREA CAMILLERI, in: A Forma da Água, 1999)



Procuro sempre me aventurar por diferentes gêneros de livros, mas vira e mexe uma ficção policial me agarra e só consigo me desvencilhar após terminar de ler a última página. Foi exatamente isso que correu com A Forma da Água (La forma dell’acqua, 1999, Editora Record) do italiano Andrea Camilleri.
Esse é o primeiro livro que apresenta o comissário de polícia Salvo Montalbano, responsável por protagonizar uma extensa série que já conta com pelo menos dezenove volumes. Mas não assustem! Pelo menos A Forma da Água tem um enredo fechado, não dependendo de continuação e acredito que toda a série seja assim. Se a britânica Agatha Christie pode dedicar mais de quarenta livros ao seu famoso detetive Poirot, porque o italiano Camilleri também não poderia dedicar uma vasta coleção – já traduzida em mais de nove idiomas – ao seu comissário?
Montalbano investiga a morte do mais importante político do distrito de Montelusa na Sicilia, Silvio Luparello, encontrado seminu em seu carro na vizinhança do Curral, uma fábrica desativada que concentra boa parte dos negócios escusos da cidade, como o tráfico de drogas e prostituição.

Se o livro fosse ambientado em Nova York o caso, por sua conotação sexual, seria certamente investigado pela Universidade de Vítimas Especiais – lembram do seriado de tv Lei e Ordem – Unidade de Vítimas Especiais (Law & Order – UVE, 1999-2015) com dezessete temporadas de sucesso que acompanha um esquadrão especializado em crimes sexuais? – Porém estamos na Sicília e o comissário tem que fazer o melhor possível em circunstâncias nada favoráveis.
Na verdade, em vários momentos do livro fui surpreendida com a sensação de que se trocassem os nomes dos personagens, esse enredo poderia ser transportado para qualquer cidade brasileira sem necessidade de mais adaptações, pois a semelhança entre a vida na ilha italiana e o nosso cotidiano brasileiro é impressionante.
Tentando entender os acontecimentos que transformaram a aparente morte natural de Luparello em um escândalo, o comissário é dragado pelo mundo da manipulação política e corrupção enquanto esbarra em pessoas que apenas tentam sobreviver as adversidades impostas por suas próprias escolhas de vida ou por questões sociais alheias ao seu controle, como a imigração ilegal ou uma cidade falida em que cidadãos graduados se conformam em ser lixeiros por falta de oportunidade de trabalho.

Apesar de ser uma leitura leve e rápida, possuindo apenas 144 páginas – ideal para um fim de semana ou para aqueles raros, porém necessários, minutinhos que conseguimos relaxar – o autor faz uma crítica certeira a sociedade siciliana e por consequência, provavelmente inadvertidamente, a nossa também. Não é à toa que o escritor deixa uma bem-humorada nota não se responsabilizando pelas coincidências da sua ficção com os fatos reais.
Escrito por: Tatiana Castro
SUA ESTANTE

sábado, 7 de junho de 2014

Toda a Verdade - David Baldacci




Esse livro é daqueles que coloca idéias na cabeça
do leitor.Quando leio um livro ele pode me comover,me
deixar com raiva,pode me levar a lugares infinitos por meio de viagens infinitas,seja no mundo em que vivemos ou em reinos fantásticos.
Geralmente fica aquela sensação boa quando o livro acaba e as vezes até penso em reler de novo algum dia.Mas aquela sensação de que você aprendeu algo importante,que pode influenciar em alguma coisa na sua vida poucos livros conseguem e Toda a Verdade é um desses.É um livro engenhoso escrito por alguém muito talentoso.

"Por que perder tempo descobrindo a verdade quando se pode facilmente criá-la?"

Essa frase já chama a atenção na sinopse do livro mas depois que você começa a ler o livro e saber o por quê da mesma não tem como não ficar com "minhocas" na cabeça.Faz pensar quanta verdade pode ter sido fabricada no mundo ao longo dos anos apenas para conveniência de uns e outros.David Baldacci consegue levantar questões na cabeça do leitor que ficam ali cutucando você,fazendo você pensar a respeito daquilo.Ele consegue plantar na cabeça do leitor uma grande dúvida:
Quantas verdades existem no mundo e quantas são fabricadas?
Impressionante a questão que ele abordou nesse livro.
Fui pesquisar e vi que parte do que ele escreveu existe sim!


Um livro para ser lido por todos!




sábado, 17 de maio de 2014

RESENHA - "O CÓDIGO DO APOCALIPSE" - ADAM BLAKE



LIVRO  :”O CÓDIGO DO APOCALIPSE”

TÍTULO ORIGINAL: “THE DEMON CODE”

AUTOR: ADAM BLAKE

TRADUÇÃO: CAMILA FERNANDES

EDITORA  : NOVO CONCEITO

PÁGINAS –463

1ª  EDIÇÃO

IMPRESSÃO 2014

CATEGORIA: FICÇÃO INGLESA

ASSUNTO: TRHILLER POLICIAL E DE MISTÉRIO

ISBN: - 978-85-8163-386-2
 

CITAÇÃO: “Kennedy fez mais algumas perguntas inofensivas, guiando a conversa de volta a um território emocionalmente neutro. Nada daquilo parecia estar interligado, e ela pôde perceber que o rapaz considerava o assunto doloroso, então não via razão para força-lo a falar mais disso.” (pág. 35)

ANÁLISE TÉCNICA: 

-CAPA = 

Original @blachsheep; imagem @@stephen 
mulcakey/Arvangel.

Fundo da capa preta comum anjo(?) de asas laranja.

Título em pequeno relevo.

Adaptação da capa Equipe Novo Conceito.

Sinceramente achei que a capa poderia ser um pouco mais elabora, embora reconheça que tem haver com o enredo do livro.

 (nota: 4,50  de 5,00)

-DIAGRAMAÇÃO:  

Produção editorial Equipe Novo Conceito.

Impressão e acabamento RR Donnelly 300114. (Querida descobrir a que correspondem esses números...)

O livro é dividido em: dedicatória, prólogo, seis partes numeradas e com títulos, 72 capítulos com títulos e numerados.

Papel amarelado e letras pretas, muito bom para leitura, principalmente em volume grosso como é o do livro.

(nota:  4,80 de 5,00)

- ESCRITA: 

A escrita é feita em 3ª pessoa desconhecida.

O autor tem uma forma envolvente  que prende o leitor com raciocínio aguçado.

Pouquíssimos erros ortográficos e de concordância.

(nota: 4,80 de 5,00)

CITAÇÃO: “Mas então um anjo havia aparecido e contado a Toller verdades eternas, as quais ele achou que precisava transmitir ao resto da humanidade.” (pág. 189)

RESUMO SINÓPTICO: 

HEATHER KENNEDY é ex-detetive da divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Metropolitana de Londres ,demitida após uma série de acontecimentos desastrosos durante uma missão anterior  (leiam O Manuscrito do Mar Morto do mesmo autor ou a resenha feita aqui o blog). Passa por um momento delicado com sua namorada Izzy e agora trabalha como consultora profissional de segurança.

EMIL GASSAN é acadêmico e historiador de uma universidade escocesa, foi convidado a ser o curador do Ryegate House, prédio de armazenamento do Museu Britânico, após seu antecessor morrer de um ataque cardíaco repentinamente. Contrata Kennedy para desvendar um roubo bem suspeito na Ryegate House.

BEM RUSH é estagiário na Ryegate House e destinado a acompanhar e dar informações a Kennedy sobre tudo que ela necessitar para desvendar o roubo.

Kennedy começa as investigações e em pouco tempo acredita ter descoberto o mistério, para logo em seguida perceber que  está totalmente enganada. Se vê novamente envolvida com os artefatos e tramas do Povo de Judas e é salva por DIEMA BEIT EVROM, uma Elohim, assassina treinada da tribo de Judas e fica sem compreender porque ela a salva.

Vai em busca do amigo LEO TILLMAN que era um mercenário e também conseguiu ficar vivo aos ataques feitos anteriormente pelo Povo de Judas, é ainda um pai-externo da tribo (para entender, tem de ler o livro anterior).

Tillman, Kennedy e Rush se veem envoltos em mais uma perseguição, agora aos adoradores de Toller que escreveu um livro falando sobre o fim do mundo. AVRA SHEKOLNI agora é o profeta dessa ordem dissidente do Povo de Judas e adorar de Toller e tem EM BER LUSIM seu seguidor mais adoroso, além de ser um assassino profissional. Contarão com a ajuda de DIEMA para tentarem impedir que Shekolni e Lusim consigam colocar seus plano de destruição em massa dar certo.

ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR:

O livro é bem grande, porém a forma como Adam Blake escreve, nos faz envolver com o livro de tamanha forma que nem percebemos o volume do livro. Ficamos tão envolvido na leitura e no conhecimento antepassado que a curiosidade suplanta o cansaço e nos faz devorar o livro do início ao final.

Blake nos traz ensinamentos antepassados de culturas deturpadas sobre a adoração do Divino, mostra as personalidades fortes das personagens e ao mesmo tempo, suas fragilidades e medos, suplantados e superados no decorrer das páginas envolventes, carregadas de aventuras e mistérios a serem desvendados, além de nos proporcionar um final até certo ponto previsível, porém cheio de surpresas.

O livro é muito bem escrito, pesquisado e elaborado. Já me tornei fã do Adam Blake desde o Manuscrito do Mar Morto e agora, no Código do Apocalipse, pude realmente comprovar  o quanto a criatividade e conhecimento pessoal do autor são exacerbados e tem a fórmula segura de conquistar o leitor.

Um ponto apenas me deixou um tanto, digamos “triste”, porque Leo Tillman, personagem mais evidente no primeiro livro, ficou um tanto à margem nesse exemplar. Achei que ele poderia ser bem mais utilizado agora, mas enfim... nada é perfeito, concordam?

Leitura mais que recomendada!!

NOTA : 4,90 de 5,00
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SOBRE O AUTOR: 
 Foto -Adam Blake

Adam Blake é o pseudônimo de Mike Carey que é um escritor britânico cujo trabalho se estende por quadrinhos, romances, roteiros de filmes e programas de TV.
  
 
 
 
cheirinhos
Rudynalva

domingo, 28 de julho de 2013

RESENHA - "72 HORAS PARA MORRER" - RICARDO RAGAZZO

BOOKTOUR BLOG SANGUE COM AMOR.




LIVRO  : "72 HORAS PARA MORRER"

AUTOR: RICARDO RAGAZZO

EDITORA  : NOVO SÉCULO

PÁGINAS –254

1ª IMPRESSÃO 2011

CATEGORIA: FICÇÃO BRASILEIRA

ASSUNTO: TRHILER POLICIAL

ISBN: - 978-85-7679-495-0
 

CITAÇÃO: "Há certas coisas na vida que nos marcam para sempre. Situações que penetram nossa pele criando crostas duras e ásperas como as que aparecem nas pedras banhadas pelo oceano - do tipo que nos fazem acordar suados, no meio da madrugada."(pág.133)

ANÁLISE TÉCNICA: 

-CAPA = 

Metade de um rosto com barba por fazer, escondido por sombras atrás de uma parede.

Achei a capa um tanto escura, porém tem tudo haver com mistério do livro, bem tenebroso, e isso é o que vale.

Feita pela Equipe Novo Século.

 (nota: 4,50 de 5,00)


-DIAGRAMAÇÃO:  

Tem: dedicatória, agradecimento, sumário, capítulos nomeados com datas e dias da semana, divisão dentro dos capítulos feitas em horas. 

As folhas são amareladas com letras pretas.

Abas das capas um pouco maiores que as 'normais'.

Gosto quando a diagramação é completa.

 (nota: 4,80  de 5,00)

- ESCRITA: 

É descritiva em primeira pessoa, carregada de detalhes na transcrição das localidades e personalidades. Tem narrativas e diálogos por cada protagonista envolvido.

A escrita é envolvente e fluente, facilitando e prendendo o leitor à leitura, sem querer deixá-la por  um instante que seja.

 (nota: 4,80 de 5,00)

CITAÇÃO: "Ele tinha razão. Todas as pessoas respiravam segredos e transpiravam mentiras. Até as mais próximas de nós. Não por maldade, mas por ser algo intrínseco à natureza humana. Pelo menos, era dessa forma que eu enxergava." (pág. 137)

RESUMO SINÓPTICO:  

Júlio Fontana é policial na pacata cidade de Novo Salto.

Laura é filha de Júlio e após a morte da mãe, não tem um bom relacionamento com ele, pois o culpa por ela ter morrido.

Agatha Telles é a atual namorada de Júlio. Gostava de chamar atenção e morava na capital. Viajou para Novo Salto feliz, pois estava grávida de Júlio e iria dar a notícia a ele, porém nem chegou a encontrá-lo...

Paulo é amigo de infância de Júlio e padre da cidade. 

Guarda um segredo terrível.

Miguel Romero foi amigo de Júlio, entretanto, matou o primeiro amor de Júlio na adolescência e passou 30 anos na cadeia pagando por seu crime, ao sair, se apaixona por Laura e Júlio não aceita o relacionamento.

Pessoas começam a ser assassinadas de forma brutal e tudo leva a crer que as mortes fazem parte de uma vingança fria e sórdida contra Júlio Fontana e ele terá de descobrir que está cometendo as atrocidades porque tudo indica que sua filha é a próxima da lista e ele quer evitar.


ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR: 

Ufa! Ainda estou sem fôlego após uma leitura dinâmica, intensa e forte que traz esse livro. Não consegui desgrudar dele enquanto o fim não chegou. Custou-me apenas algumas horas de uma tarde chuvosa e convidativa a um cafézinho e boa leitura.

Desde o lançamento de '72 horas para morrer' fiquei ansiosa e curiosa por ler livro de suspense ativo, que passa pelo terror, dor e sofrimento e acaba com aspectos interessantes e sobrenaturais.

O autor soube juntar elementos ricos e formar uma trama de vingança, assassinato e terror, amenizado por leves paixões e amores intensos, talvez não amores entre homens e mulheres, mas o amor da amizade, o amor maternal, o amor fraternal...

Há tempos não lia livro tão bom no gênero e aí reafirmo: nossos autores nacionais, nada devem aos grandes nomes estrangeiros. Ricardo Ragazzo em '72 horas para morrer' é um desses  exemplos. Parabéns!!

NOTA : 5,00 de 5,00

BOOKTRAILLER:


SOBRE O AUTOR:
 

Ricardo Ragazzo mora em São Paulo com sua esposa, filho e beagle. 72 horas para morrer é seu primeiro thriller.
CHEIRINHOS
RUDYNALVA

sexta-feira, 22 de março de 2013


DOSSIÊ ODESSA -  Frederick Forsyth





Não gosto de policiais, mas esse é especial, pois traz a baila uma história que sempre procuro pesquisar e da qual já escrevi alguns artigos....a insanidade pela eugenia e poder.
Esse autor inglês me encanta pela sua história, pois antes de virar escritor ele foi piloto e repórter político, e como tal trabalhou na  Alemanha, Tchecoslováquia e outros como correspondente, o que lhe deu grande respaldo para cumprir sua missão como escritor. Na sua segunda obra O Dia do Chacal por exemplo, Forsyth descreve as tentativas da direita francesa em assassinar Charles De Gaulle, que ele próprio vivenciou em Paris nos anos 60. Para mim não é um romance de ficção policial como assim o classificaram, e sim sua visão vivenciada dos fatos.  Sigo suas obras desde 1969 e sua vasta experiência na política internacional me encanta, pois sei que posso encontrar em suas obras muito mais que ficção.




Bem, para começar a titularidade original dessa sua terceira obra, ‘The Odessa File’ editada em 1972, nos desvenda logo o mistério da trama...Odessa não é um nome, uma cidade ou uma mulher e sim a abreviatura de uma organização vinda do alemão Organisation Der Ehemaligen SS-Angehorigen dos ex-membros do III Reich, que fazem de tudo pela volta do regime nazista.

Numa versão meia Anne Frank, o autor cria um diário de um campo de concentração pelas memórias de um judeu, e o coloca nas mãos de um repórter alemão curioso, que resolve investigar a veracidade dos fatos.  A trama não para aí...e a investigação torna-se um viés para que se envolva em uma conspiração, para destruir o estado de Israel pela Organização Odessa, e se reconheça como parte da trama e um parente da conspiração...

O autor é brilhante em alternar o tempo histórico da obra, alternando a conspiração, o relato do diário e a trama vivida pelo repórter, no presente e no passado em uma linguagem simples e muito fluida, que deixa o leitor sem querer largar a obra. E a trama continua com muitas engrenagens, sem dar trégua alguma ao brilhantismo de um maravilhoso mistério, que envolve uma teia imensa de desvendamentos e interligações. Eu ameiii!

Em 1974 o Dossiê, em sua titularidade original The Odessa File virou filme e veio parar nas telas do cinema pelas mãos do brilhante diretor Ronald Neame e como protagonista o lindo  Jon Voight ......eu recomendoooo os dois!!!



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