domingo, 4 de março de 2012

PASSAGEIRO PARA FRANKFURT - Agatha Christie




AH! "O que seria do azul se todos gostassem do amarelo"?

Esse ditado espelha a verdade sobre esse livro de Agatha Christie que, entre os fãs da escritora, é considerado um dos piores livros dela, mas, há quem goste. Eu, por exemplo.

A resenha desse livro foi postada na nossa querida CRL – Comunidade Resenhas Literárias do Orkut – e eu vou transcrevê-la aqui tomando a liberdade de colocar também, alguns dos comentários recebidos na época. Começou assim:

Por Fabio Shiva:

Esse livro foi escrito em 1970, quando Agatha já entrava em seu 80º ano de vida. Ela mesma chama o livro de “extravagância”, uma obra à parte em sua longa e bem-sucedida carreira.

Gostei principalmente da introdução, onde Agatha fala um pouco sobre o ofício de o escrever e também sobre como suas mirabolantes ideias surgem. Gostei especialmente quando ela disse que o ato de escrever não é nem um pouco divertido, e sim trabalho duro! Esse é um maravilhoso incentivo para um aspirante a escritor, se ele souber ler nas entrelinhas. Pois veja bem, se nem um livro de Agatha Christie é divertido de se escrever, então não há porque reclamar do trabalho que o seu próprio livro dá...

Mas voltemos a “Passageiro Para Frankfurt” (“Passenger To Frankfurt” no original). Aqui nossa querida Dama comete um de seus pecadilhos favoritos, que é escrever histórias de espionagem. Eu, particularmente, não gostei de nenhuma até aqui. Acho interessante essa dicotomia em Agatha, pois ela é absolutamente maquiavélica ao tramar suas histórias de assassinato e tão incrivelmente ingênua em suas tramas de espionagem...

Nesse livro a ingenuidade incomoda um pouco mais, porque é totalmente anacrônica. Uma coisa é ler as histórias de espionagem que Agatha escreveu até, digamos, a época da Segunda Guerra. O clima ingênuo de certa forma combina com algo que enxergamos como ingenuidade nessa época. Mas em “Passageiro Para Frankfurt” a própria Agatha está impregnada de pessimismo, chocada em seu conservadorismo pelas mudanças enfrentadas pela Inglaterra em particular e pelo mundo como um todo.

E o pior de tudo é que parece que ninguém vai morrer nesse livro!

Valeria a leitura como um estudo da personalidade de Agatha Christie, mas não chego a tanto.

Foi por isso que parei de ler na página 60.

Quem puder, por gentileza que continue com a resenha! :)

E teve os seguintes comentários:

Por Amadeu Junior:

Boa Fabio!!!

Eu consegui ler esse livro até o fim... há uns 8 anos já... foi no tempo em que eu descobri Agatha Christie e estava doido pra ler tudo que tinha o nome dela.

Esse foi, minha primeira (talvez única!) decepção com Agatha.

Ele não tem sal nenhum, muito paradinho, passa páginas e páginas de debates sobre a situação na Inglaterra e o medo de uma conspiração... e blá, blá, blá... realmente detestável!

Mas, conversando com um grande amigo da comunidade ACB (aguns aqui tbm o conhece... o Tito), ele me convenceu a pelo menos, não crucificar o livro. Me disse que tinhamos que entender a idade em que ela se encontrava quando escreveu o livro (80 anos!!!) a época em que ela vivia (uma época cheia de medos e receios, resquícios da 2ª Guerra Mundial) e considerarmos ainda que a própria Agatha, por essa altura, já havia passado pelas 2 maiores guerras desse mundo!!!

A partir daí, gostaria de relê-lo, com mais, digamos... "conhecimento de causa". Quem sabe o livro passe a ser, pelo menos, suportável!

Por Fabio Shiva:

Oi Mad!

Gostei dessas considerações, realmente também percebi essa leitura "psicológica" que é possível fazer do livro. Mas confesso que não me animei, meu entusiasmo não chega a tanto!

Por Cyntia Veiga:

É Mad, refletindo sobre suas considerações o livro torna-se mais suportável.

Por Tamy Martins:

Nunca li esse livro, mas ouço falarem muito mal dele. Mas realmente, esperar que Agatha Christie (com 80 anos) escreva um livro como O Assassinato de Roger Ackroyd (o auge da sua carreira) é esperar muito da autora.

Eu só queria saber se Passageiro para Frankfurt consegue ser pior do que Portal do Destino.

Por angel:

Se comparado com as obras de escritores de espionagem como Frederick Forsyth, John Le Carré, Robert Lundlum, entre outros, Passageiro para Frankfurt perde muito. Também perde se o compararmos aos fantásticos livros de romance policiais escritos pela própria Agatha.

As histórias de espionagem dela me desagradam, em parte, porque sempre têm algumas passagens que não consigo "ver" acontecendo de fato, são meio mirabolantes, forçadas. Nem de longe me passaram as emoções sentidas ao ler seus romances policiais, algumas sendo totalmente insossas.

No caso de Passageiros para Frankfurt isso acontece de cara, já no início da história onde uma moça correndo risco de morte consegue escapar de seus perseguidores pegando um voo para Londres, usando uma capa e o passaporte de um jovem.

Passageiro para Frankfurt, descartando-se esse início mirabolante mostra coerência no seu desenrolar e de quebra tem uma bela história de amor, outro tipo de literatura de Agatha, um sonho seu ser bem sucedida com ele, mas não o foi, mesmo!

A leitura em algumas partes torna-se monótona, mas tem a presença de personagens interessantes como o Coronel Pikeaway (gostei demais desse personagem), a horrorosa Condessa Charlotte (a personagem mais repugnante, fisicamente falando, criada por Agatha em minha opinião) que apesar de ser um monte de banha ou geléia trêmula (ou algo por aí, não me lembro direito como é dito no livro) e com uma papada quádrupla conseguia se destacar porque tinha poder e consciência dele e o transmitia aos outros através de suas maneiras e de seu olhar astuto.

A passagem do jantar que ela oferece para os protagonistas Stanford e Regina (ou será que é Renata?) ficaria linda no cinema com toda a suntuosidade do ambiente, do vestuário e das jóias usadas por ela e suas ajudantes e todo aquele ritual de espadas erguidas para que ela chegasse até a sala de jantar como se fosse uma rainha, a beleza dos jovens que as portavam e principalmente a do jovem Siegfried e a música que canta, etc., é impressionante.

Gosto desse livro!

bj da angel

Por Bia Machado:

Não li nenhum dos dois e pretendo lê-los... Espero conseguir vencer essa tarefa que está parecendo mais do que árdua!!!!

Por Andreia Pinheiro Lima:

Eu acho que também comecei a ler o livro, mas parei, mas faz tanto tempo que não lembro nada da história. Eu, particularmente, gosto das tramas policiais mesmo. Os de aventura, não me chamam tanto a atenção. Mesmo o Homem do Terno Marrom que é divertido, demorei muito pra ler, mesmo tendo em casa. Gosto das histórias de crime e pra ser mais específica ainda, os de ambiente mais caseiro, com diria Poirot. :-)Achei um barato essa resenha incompleta do Fabio. Rsss....

Por Fabio Shiva:

Angel, adorei as informações e comentários! Quase fiquei com vontade de retomar a leitura rarara (nem poderia, pois já passei o livro adiante).

Isso só confirma: eu me considerava um grande fã de Agatha, mas perto de você sou um reles admirador rarara!

Andreia, confesso que acabei parando o livro (e a resenha rarara) no meio por influência de nossa querida comu! Eu estava lendo e achando o livro meio morno e tal, então vim fazer uma pesquisa aqui na comu, para ver se alguém já havia comentado algo sobre o livro. Havia vários comentários, todos dizendo que este é um dos piores livros de Agatha! Daí meu entusiasmo foi pro pé... de agora em diante não vou ler mais esses de espionagem, prefiro reler os que eu gosto de verdade!

e viva Agatha Christie!!!

Por Lívia Alencar:

Eu ganhei esse livro da Tata há alguns meses, mas ele está na fila. Dando uma folheada, percebi que já havia começado a lê-lo, mas parei não sei onde!! Isso foi há muitos anos, acho que o único que devo ter feito isso.

Mas agora que eu o ganhei, de jeito nenhum vou deixar de ler.

Por FEBBEM ENVELHECIDO 12 ANOS:

essa eh totalmente nova pra mim fabio. fazer a resenha de um livro q se parou de ler.. original a ideia, eu nao posso dize rnada. pois nunca li Agata... se um dia cair em maos.. vou prestar atencao nesses detalhes

Por angel:

Bem, pessoal, pensei muito sobre esse livro e os comentários postados e, como apreciadora da história vou colocar a sua resenha, afinal de contas, apesar de tudo quem sabe não aparece algum louco que ao ler tudo que foi postado aqui venha a gostar dela?

Sir Stafford Nye é um jovem diplomata inteligente, porém, um tanto inconsequente e principalmente extravagante na opinião de seus conhecidos por gostar de chamar a atenção. Por exemplo, para viajar usa uma capa com capuz azul escuro e vermelho, estilo bandoleiro, adquirida na Córsega.

Voltando da Malásia para Londres seu voo faz um pouso forçado em Frankfurt. Enquanto aguarda no saguão do aeroporto é abordado por uma jovem que lhe diz estar sendo perseguida por espiões e que sua única salvação seria subir no avião que seguirá para Londres usando seu passaporte e sua capa.

Ele se diverte com a situação e, resolve “pagar” para ver o que iria acontecer. De comum acordo, a moça lhe dá algo para beber contendo um sonífero, ao acordar, ele alegaria ter sido dopado e roubado. E, assim, a moça chega em Londres “na pele” de Stafford.

O que ele não sabia é que seus caminhos se cruzariam novamente na Inglaterra e mais, que ambos se veriam envolvidos em uma conspiração mundial centralizada na Alemanha, cuja finalidade era detonar o governo de determinados países, para que os novos integrantes da raça pura assumissem o seu controle.

O projeto BENVO que significa benevolência é desenvolvido por um cientista para o bem da humanidade, todavia, desvirtuado, passa a ser uma poderosa arma nas mãos de novos nazistas que almejam dominar o mundo.

Os membros da conspiração, na maioria, são jovens que eram induzidos a se convencerem de que formavam uma raça superior e trabalhavam para desestabilizar o governo dos países a serem dominados, o Brasil, é um deles. Caberá ao casal da história, Sir Sttaford e a jovem do aeroporto, Renata, a missão de se infiltrarem entre a “nova raça” para anular a operação.

Já disse antes que a leitura é cansativa em alguns trechos e que Agatha exagerou um pouco nas descrições, mas, tirando isso a história tem todos os elementos necessários para um romance de espionagem, que nós, fãs, sabemos não ser o ponto forte de Madame.

O fato de os fãs não apreciarem os livros de espionagem de Agatha, penso eu, é porque esperam encontrar neles as mesmas emoções que encontram nos romances policiais. Isso se aplica também aos livros de contos e aos que escreveu sob o pseudônimo Mary Westmacott.

bj da angel

Por Bia Machado:

Oi, Angel! E é por isso que eu ainda digo que vou ler esse livro um dia!

Por Fabio Shiva:

Angel querida, que bela resenha!

Você emociona com sua fidelidade e devoção à nossa querida Agatha!

Como disse antes, eu achava que era fã de Agatha Christie, mas comparado com você percebo que ainda tenho que comer muito feijão com arroz!

beijos!

Por FEBBEM ENVELHECIDO 12 ANOS:

Pelo visto só eu que estou por fora desse mundo de Agata.. vou colocar algumas indicacoes na minha lista de compras. assim q ler.. posto aki.. valeu pelas dicas

Por Pedrina de Castro Castro Pedrina:

Fabio, eu não preciso comer feijão com arroz.

Não gosto de Agatha Christie.Não gosto de suspense.

Alias, não consigo ler,dois autores, Paulo Coelho e Agatha Christie.

Acho que é psicológico.

Abraço afetuoso.

Por Fabio Shiva:

Oi Pedrina!

Rarara, confesso que minha primeira reação foi de susto ao ver Agatha Christie associada com Paulo Coelho!

O Paulo Coelho sempre lidera as listas de antipatias, né? Geralmente as pessoas não gostam de Paulo Coelho e fulano, ou não toleram sicrano e Paulo Coelho!

Eu gosto mesmo é das músicas que ele fez com Raulzito! Mas aprendi a ver o mérito de seus livros, mesmo sem apreciar muito o jeito dele escrever.

Quanto à Agatha e a livros de suspense em geral, para ser muito sincero acho que você faz bem em não lê-los.

Acredito que devemos nutrir nossa mente com informações positivas, e nesses livros (e filmes) a violência está sempre presente.

Ao mesmo tempo, reconheço que sou apaixonado por esse tipo de literatura, e aceito esse "defeito" com tranquilidade! Tenho muitos outros defeitos bem piores, portanto deixei para cuidar desse lá pelo fim da fila rarara!

beijos!

Por Amadeu Junior:

Na minha singela opinião, ninguém pega um livro simplesmente pela obrigatoriedade daquele livro ensinar algo de bom a pessoa... (é exatamente com esse pensamento que muitos professores afastam seus alunos de grandes clássicos literários, fazendo-os ler a força!!).

O livro, assim como musica, filme, internet... serve para distrair, entreter e trazer algo mais leve a vida de uma pessoa.

Agatha Christie é um tipo de leitura bem assim: não tem muito o que ensinar... mas se tivesse, vocês acham que eu gostaria de ler??? JAMAIS!!!... rsrsrsr

Por Fabio Shiva:

Olá querido Mad!

Acho que você foi no cerne da questão: ler é, acima de tudo, divertido pra xuxu!!!

O fato de transformar a leitura (assim como o estudo de modo geral) em obrigação é o maior "gol contra" que se pode imaginar na área da educação! Felizmente, novos educadores já estão atentos a esse fato de que a leitura pode e deve ser principalmente lúdica!

Só discordo quando você diz que não há nada para se aprender em Agatha Christie! Eu devo a ela quase tudo o que sei sobre a aristocracia inglesa, seus modos, maneirismos, manias... Sem contar sobre as propriedades de inúmeros venenos letais rarara!!!

abração!!!

Por Amadeu Junior:

Entendo Fabio... verdade que nós vemos essas coisas... mas os "cri-críticos" que existem por aí só sabem falar em lições de moral e escrita. São a essas que eu me referia... çç

Por Pedrina de Castro Castro Pedrina:

Fabio e Mad_Jr.

Não posso criticar nenhum escritor.

Ler é o maior aprendizado do mundo.

Eu nada sei , estou sempre aprendendo inclusive a ler e a escrever.

Do Paulo Coelho ,li há tempos atrás,Brida,Alquimista,Monte cinco e Diário de um Mago. Sinceramente? não encontrei verdade no autor.

Hoje, como digitei acima, pode ser até psicológico não consigo ler nada dele.Meu coração não pede tal leitura. Não sei explicar o meu sentimento no momento.Peço desculpas a vocês dois.

Raul Seixas é minha paixão, as músicas que mais gosto dele com o Paulo "Eu nasci há 10 mil anos atrás, Loteria da Babilônia,Como Vovó dia (óculos escuros), do Raul sozinho Metamorfose ambulante.

Abraços

Por Fabio Shiva:

Oxente querida!

Não há porque pedir desculpas!!!

É saudável expressarmos pontos de vista diferentes, desde que mantenhamos o inabalável respeito pelos seres humanos a quem estamos nos dirigindo.

Aliás, se não houvessem opiniões diferentes, teríamos muito pouco a trocar em nossa querida comunidade! Se todos achassem a mesma coisa de todos os livros, comentar sobre eles seria "chover no molhado"! É porque temos pontos de vista únicos que podemos enriquecer a experiência uns dos outros!

Como Angel sempre cita nossa querida Ana, "o que seria do amarelo?" (eu mesmo amo o amarelo rarara!)

Você disse agora algo sobre o Paulo Coelho que me fez refletir: "ele não passa verdade". Em minha opinião você fez uma leitura muito profunda da obra dele! Também sinto uma "malandragem" no que ele escreve, que ele não fala tanto sobre o que ele mesmo acredita, mas sobre o que irá agradar as pessoas. Ainda assim, isso não me impediu de aprender com ele (mas confesso que deu trabalho rarara)!

beijo querida!

Por Angel:

Gente, que delícia!

Esse tópico, por ser de um dos livros mais criticados de Agatha Christie rendeu, heim? E isso é que é legal, um assunto leva a outro e ficamos todos enriquecidos.

Pedrina, querida, dos livros que citou aí do Paulo Coelho eu li Brida e O Alquimista aliás, Brida, foi o primeiro dele que eu li. Na época eu gostei muito e li vários outros, passado um bom tempo alguém me emprestou um que tinha sido recém lançado, não me recordo qual foi e aí sim, me perguntei, por que ler Paulo Coelho? E desde então não li mais nenhum.

Estou adorando você participando mais vezes aqui da CRL.

bj da angel ;)

Por Pedrina Castro Castro Pedrina:

Querida Angélica

A comunidade Resenhas Literárias é só aprendizado.

Amei o Oxente do Fabio.

E viva Agatha Christie!

2 comentários:

  1. Gente eu amei esse post de vocês e olha que eu ainda não li nada dessa autora.

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