domingo, 29 de abril de 2012

PARÁBOLAS - Khalil Gibran

 


Há muitos anos ganhei no meu aniversário um livro chamado Parábolas de um escritor que eu desconhecia. Mas quem me presenteou sabia o que estava fazendo. Nessa época eu era um ser em reflexão 24 horas por dia. Simplesmente amei o livro e tanto, que foi meu livro de cabeceira por anos a fio. Ainda hoje é o que mais releio, não na íntegra, mas, algumas parábolas e frases que nele estão. Uma ou outra até sei de cor... :)

As parábolas apresentadas nesse livro foram tiradas de nove outros títulos, escritos por Gibran (cinco escritos em árabe e quatro em inglês) e vejam o que é dito na Dedicatória do livro:

“É célebre a predileção do oriental pela imagem como meio de expressão, sob forma de comparação, símile, alegoria, parábola, metáfora, hipérbole, analogia, fábula. Entre todas essas formas, a mais difícil de criar, é a parábola”.

E Gibran as criou de forma ímpar!



Uma palhinha pra vocês de algumas parábolas desse livro:

O OLHO



Um dia, disse o Olho: “Vejo, além destes vales, uma montanha velada pela cerração azul. Não é bela?”
O Ouvido pôs-se à escuta e, depois de ter escutado atentamente durante algum tempo, disse: “Mas onde há qualquer montanha? Não a ouço.”
Então a Mão falou: “Estou tentando em vão senti-la ou tocá-la, e não encontro montanha alguma.”
E o Nariz disse: “Não há montanha alguma. Não sinto o cheiro.”
Então o Olho voltou-se para outra parte, e todos começaram a conversar sobre a estranha alucinação do Olho. E diziam: “Há qualquer coisa errada com o Olho.”


A PÉROLA


Disse uma ostra a uma ostra vizinha: “Sinto grande dor dentro de mim. É algo pesado e redondo, que me deixa deprimida.”
A outra ostra respondeu com altiva condescendência: “Benditos sejam o céu e o mar, não sinto quanto a mim dor alguma. Estou boa e sã por fora e por dentro.”
Nesse momento, um caranguejo passava por lá e ouviu as duas ostras, e disse à ostra que estava boa e sã por fora e por dentro: “Sim, estás boa e sã; mas a dor que tua vizinha tem é uma pérola de excessiva beleza.”



DISSE UMA FOLHA DE PAPEL BRANCO



Disse uma folha de papel branco: "Pura fui criada e pura permanecerei para sempre. antes ser queimada e convertida em brancas cinzas, do que suportar que a negrura me toque ou o sujo chegue junto de mim."
O Tinteiro ouviu o que a folha de papel dizia, e riu-se em seu escuro coração; mas não ousou aproximar-se dela. E os lápis multicoloridos ouviram-na também, e nunca se aproximaram dela.
E a folha de papel, branca como a neve, permaneceu pura e casta para sempre - pura e casta, e vazia.


O livro traz também muitas frases, eis algumas:

Muitas doutrinas são como a vidraça da janela. Vemos através dela, mas ela nos separa da verdade. 


- Uma mulher pode velar a face com um sorriso.

- A piedade não é mais do que meia justiça.



- Disse um filósofo a um varredor de ruas: ‘Tenho pena de ti. Teu trabalho é duro e  sujo.’E o varredor de ruas disse: ‘Obrigado, senhor. Mas diga-me, qual é o seu trabalho?’
E o filósofo respondeu, dizendo: ‘Estudo a mente do homem, seus feitos e seus   desejos.’ 
Então o varredor de ruas recomeçou a varrer, dizendo com um sorriso: ‘Tenho pena do senhor, também.’ 



As tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos.



Gibran Khalil Gibran é o nome de batismo, quando foi morar em Nova York passou a usar a forma reduzida desse nome: Khalil Gibran. Libanês, nascido em 6 de janeiro de 1883 teve uma vida curta, faleceu aos 48 anos, em abril de 1931. Além de escritor foi ensaísta, conferencista, filósofo, prosador, poeta e pintor. Seus livros mais famosos são O Profeta e Asas Partidas. Seus livros são publicados em diversos países.


Uma leitura que, com certeza, vale a pena!

bj da angel ;)

Um comentário:

  1. Procuro o texto de gibarn que ele fala sobre a dia da paixão de cristo , se alguém tiver por favor me mande eu adoraria reler .
    meu Email:contatosociallegal@hotmail.com
    me chamo ALEXANDRE santos
    muito obrigado amigos

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