sábado, 19 de maio de 2012

O CASTELO DO HOMEM SEM ALMA - A. J. Cronin

Sinopse: 
Em 1930, com a saúde fragilizada por excesso de trabalho, o médico escocês Archibald Joseph Cronin foi obrigado a parar de clinicar por certo período, enveredando pelo caminho literário. Em três meses, escreveu as 450 páginas da obra que virou um clássico da literatura. Hatter's Castle (O Castelo do Chapeleiro), traduzido no Brasil sob o título de O Castelo do Homem sem Alma, por Rachel de Queiroz, não poderia ter tido tradução mais apropriada. O romance narra a história triste de uma família de Levenford, que vive à mercê de um psicopata falido, hipócrita, preconceituoso e orgulhoso, James Brodie. (Fonte: Skoob)

Levenford, uma cidadezinha inglesa, não está à altura de James Brodie. Aliás, ninguém ali está. Talvez, por isso, ele não se misture. Talvez, por isso, ele oprima tanto sua família. Ou talvez a explicação seja apenas uma: não há pessoa mais mesquinha, egocêntrica, dominadora e prepotente que James Brodie. Realmente, um verdadeiro psicopata, capaz de arruinar a todos que estão à sua volta. "Não devemos nos misturar com os outros", ele apregoa constantemente, insistentemente. Vive com a mulher, a mãe bem idosa e três filhos: Matt, Mary e Nessie. Porém, apenas Nessie merece a sua atenção: é esperta, tira sempre as melhores notas e, para o pai, é a única capaz de sustentar o sobrenome Brodie com toda a dignidade que ele merece. E para que isso aconteça, é ele quem cuida pessoalmente de sua educação, não deixando que a esposa "se intrometa", afinal, ela já estragou Matt, seu único filho homem, ao educá-lo cheio de cuidados e fazendo suas vontades. 

Talvez pensemos que Mary, por não ser preferida pelo pai (e nem pela mãe, para falar a verdade), tenha tido talvez melhor sorte. Não foi o que aconteceu. Assim como os irmãos, ela não é poupada do orgulho de Brodie, sofrendo as piores adversidades. Aliás, após as mais de 400 páginas dessa história de dramas familiares, ninguém do clã sai intacto aos mandos e desmandos de James, o "homem sem alma", um verdadeiro psicopata. Ninguém, nem ele mesmo. Ou talvez sua mãe, já idosa e bem senil, seja a única pessoa que, ao fim do livro, parece não se abalar com a "queda" do clã Brodie, por já estar com a memória fraca, apta a esquecer todas as atrocidades. Sim, a senilidade lhe serve como antídoto para a hipocrisia do filho. 

Não há como não se envolver e não se desesperar com as desventuras dos membros dessa família, causados pelo tirano patriarca. Durante a leitura, pensei várias vezes: "Devo ser masoquista! Só posso ser!" E, no entanto, enquanto não cheguei ao seu final, não consegui largá-lo. É ou não é masoquismo? 

Para quem vai lê-lo, não espere por um final completamente feliz. Espere por um final do qual não irá se esquecer. Li esse livro há dois anos e até hoje me lembro de cada detalhe do desfecho. Cronin nos dá alguma surpresa boa, um fio de esperança, é verdade. E se passamos o livro aguardando por um castigo mais que merecido para tanta crueldade de Brodie, adianto que sim, o castigo virá... Porém, de uma forma tão amarga, tão triste, tão absurda, capaz de, mais uma vez, com isso afetar aos outros que o rodeiam... 

O livro é antigo, a edição que eu tinha era de 1980 e a comprei no sebo, mas quem gostar de garimpar livros pode procurá-lo e não irá se arrepender. Disse “tinha” porque a passei adiante, para uma pessoa querida. Só que a trama é inesquecível, vale a leitura para quem gosta de histórias carregadas de dramas familiares, sem ser piegas.

Resenha também publicada no blog Blog de Leitora e Escritora

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