quinta-feira, 19 de julho de 2012

Para não odiar "O Mundo de Sofia"

Capa de Silvia Ribeiro para edição nacional.

Já escreveram resenhas aos montes sobre O Mundo de Sofia, romance escrito pelo norueguês Jostein Gaarder, publicado originalmente em 1991 sob o título Sofies verden. Acho que esse livro sempre foi um carro chefe nas Cia das Letras, aqui no Brasil. Em 1999 lançaram, na Noruega, a adaptação cinematográfica do romance, sem muito alardeio, tanto que somente após quase uma década é que, em nosso País, houve o lançamento oficial do DVD. Mas tanto faz, pois o que já havia de "pirataria" da película supria o mercado. Uma pena! Outra grande lástima, também, em volta de O Mundo de Sofia, é sua pouca receptividade entre Acadêmicos, no Brasil. Não é raro ouvir, de pesquisadores e professores, más qualificações à obra. Quase sempre, atacam-na pelo invés meramente acadêmico, somente, apontando sua inaptidão em iniciar alguém nos estudos de temas filosóficos. Quanta tacanhice! Realmente, o típico argumento de acadêmico brasileiro, improdutivo e distante anos luz da vida educacional real, prática. O  thriller é bom, instigante e interessante, e possui, sim, aspecto propedêutico.

Conheci o livro um mês antes de meu primeiro ano universitário. Gostei bastante. É uma ótima história com final surpreendente, além de oferecer uma leitura dinâmica. Sem dúvidas, ótima opção para entretenimento. Além disso, oferece a leigos um arcabouço superficial - porém útil - destinado a guiar futuras incursões em diversas correntes filosóficas. A pretensão do autor nunca foi oferecer uma introdução à Filosofia, mas, sim, desenvolver uma atitude proselitista, estimulando o seu estudo entre jovens ou pessoas que, conquanto mais maduras, nunca tenham se interessado pela matéria. Assim que comecei a frequentar as cadeiras de Sociologia Geral e Filosofia Jurídica no Curso de Direito, me deparei com nomes, fatos e pensamentos já conhecidos, superficialmente, nas obra de Jostein Gaarder. Foi ótimo para mim. Não iniciei meus estudos naquelas matérias como um ignorante completo. E, durante minha época de ginásio, não tive aulas de Sociologia nem tampouco de Filosofia que pudessem me socorrer.

Não me agrado ao ver comentários de aversão a este romance tão simples, bonito e recheado de informações históricas e culturais. Por que atacar algo tão despretensioso e encantador a troco, basicamente, de nada? Aos insatisfeitos com O Mundo de Sofia, proponho: elaborem algo tão atraente e bacana ao público leigo a ponto de despertar-lhe o interesse pelo estudo da Filosofia. Tentem entreter utilizando seus conhecimentos acadêmicos. Depois, reflitam se fizeram bem em esculachar este livro que atingiu seu objetivo. Carl Sagan deu um pontapé na divulgação da Ciência, até mesmo na televisão, quando levou a um público ainda maior seu Cosmos. O brasileiroMarcelo Gleiser também procura levar ao "povão" o interesse pela Física e Astronomia, sem pedantismo e embromações, sem nariz empinado, mesmo que seja em um quadro no programa dominical Fantástico, da Rede Globo. Jostein Gaarder, apaixonado pelo pensamento - sua história e correntes - procurou fazer o mesmo que estes cientistas.

O Mundo de Sofia tem tradução de João Azenha Jr., possui 560 páginas com acabamento em brochura no formato 14 x 21 cm, sendo editado pela Cia das Letras desde o ano de 1995 e vendido, atualmente, por até R$ 40,00 em algumas lojas. Se não leu, não perca tempo com comentários estúpidos sobre esse divertido romance. Compre-o. Vale cada centavo!

Kleiton Gonçalves é autor do Blog do Neófito e esta é sua segunda contribuição a este excelente espaço.

3 comentários:

  1. Esse livro é fantástico, eu o li há cerca de 10 anos atrás. Vale mesmo muito a pena.

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  2. Eu também amo esse livro, muito bom!!!

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