quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A COLONIA PENAL – Franz Kafka



Essa coletânea de contos do genial autor de “A Metamorfose” representou (como sempre, em se tratando de Kafka) um desafio e tanto. São dezenas de contos, alguns tão curtos que nem chegam a ocupar uma página inteira, outros chegando a vinte ou trinta páginas. Os temas dessas narrativas são os mais diversos e muitas vezes surpreendentes, e o que há de comum a todas, penso eu, é certa qualidade onírica que “respinga” das histórias. Não é que ler esses contos cause a impressão de estarmos lendo alguém contando seus sonhos... a impressão que essa leitura provoca é a de estarmos sonhando lendo contos!

Fui atraído por essa leitura por pura intuição. À medida que ia lendo, foi ficando evidente a conexão entre esses contos de Kafka e a maravilhosa experiência que tive com as “Aulas de Literatura” de Julio Cortázar. Kafka pode ser considerado um pai literário de Cortázar, ao engendrar os primórdios da fascinante Literatura Fantástica.

Para ser muito sincero, achei a maioria dos contos desse livro chatésimos! Contudo, quando fui tocado pela magia literária de Kafka, não houve meias-medidas: o feitiço bateu certeiro! O maior exemplo do alto poder de impacto que Kafka pode alcançar é o próprio “Na Colônia Penal”, que é simplesmente apavorante, ainda mais por continuar extremamente atual. Penso que muitas pessoas no Brasil e no mundo de hoje se identificariam com o oficial responsável pela intrincada máquina que executa os condenados à morte (sem direito a julgamento) com requintes de crueldade. O oficial demonstra uma tocante dedicação e lealdade à antiquada máquina caindo aos pedaços, que nos “bons tempos” levava doze horas para matar um ser humano cortando-o lentamente em pedaços. Tamanho é seu amor à máquina de extermínio, que prefere antes morrer a ver alguma modificação do velho e desumano sistema. Qualquer semelhança com a realidade atual, infelizmente não será mera coincidência...

Outros contos muito fortes: “Um Fratricídio”, “O Jejuador” (ou “O Artista da Fome”) e “Um Médico de Aldeia”. Desse conto, aliás, é essa marcante frase que tanto fala sobre a obra de Kafka:

“Uma bela ferida foi tudo que trouxe para este mundo; ela foi meu único dote.”



\\\***///


Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”


Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:


4 comentários:

  1. Hoje, passo apenas para vos dizer, presente. Com calma, nos seguintes posts já deverá ser diferente! Agradeço a todos pela paciência que tiveram, em esperar por mim. OBRIGADA.
    -
    Estou de volta
    Beijos e um excelente dia!

    ResponderExcluir

  2. Olá Rudy,
    contos. filmes e livros de terror / horror, já não consigo vê-los nem tenho paciência para isso, mas que existem e nos dão a sensação de que no mundo o horror ainda possa ser maior e palpável porque o vemos senao à nossa volta, mas todos os dias pela janela da televisão por exemplo
    é também uma aprendizagem para certo período da nossa vida, quando ainda não chegamos á fase da contemplação, ou poderá ser diferente ?! beijinho amiga, bom fim de seman
    Angela
    https://poesiesenportugais.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Angela! Gratidão pelo comentário e pelas reflexões!

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...