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sábado, 4 de fevereiro de 2017

UM ASSASSINO ENTRE NÓS – Ruth Rendell


Genial, genial, genial!

Li esse livro pela primeira vez há uns cinco anos, quando eu havia acabado de escrever meu primeiro romance, o policial “O Sincronicídio”. Nessa primeira leitura, me senti muito agraciado, pois os dois livros têm em comum o fato de anunciarem nas primeiras linhas um acontecimento central na história, que só se dará ao final do livro. Na época cheguei a ser criticado por um dos editores a quem apresentei o original do livro. Ele queria publicar o meu livro, na condição de que eu abrisse mão dessa revelação logo no primeiro capítulo. Recusei terminantemente, mas é claro que fiquei um pouco ansioso, afinal aquele era meu primeiro livro. E então chegou a leitura de “A Judgement in Stone” (li no original da primeira vez), como uma benção, sinalizando: “acredite na sua voz, siga em frente!” (Felizmente pouco depois o meu livro foi lido pela querida Bia Machado, da Caligo Editora, que decidiu publicar “O Sincronicídio” – sem alterações).

Cinco anos depois, encontrei em um sebo “Um Assassino Entre Nós”, dessa autora que tanto admiro, Ruth Rendell (dela já li também o fabuloso “Carne Viva”, no qual se baseou o filme “Carne Trêmula” do Almodóvar). Não me toquei que era o mesmo livro que eu havia lido anos antes, com o título de “Um Julgamento na Pedra” (ou algo assim). E que bom, pois isso me deu a oportunidade de mergulhar novamente nessa trama perfeitamente urdida.

Esse livro é tão bem escrito que nos convence de que a história aconteceu mesmo. Excelente ritmo, personagens bem concebidos e um suspense que deixa o leitor grudado na leitura até a última página.

Essa segunda leitura me foi muito proveitosa, pois possibilitou perceber algumas das técnicas utilizadas pela autora.


Recomendadíssimo!


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862
 
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

TARÂNTULA – Thierry Jonquet



Desde que assisti “A Pele que Habito” fiquei doido para ler esse livro, no qual o filme foi baseado. É que sou fã do Almodóvar, e sei que ele gosta de recriar as histórias que adapta para o cinema, a exemplo do magistral “Carne Trêmula”, baseado no igualmente fabuloso “Carne Viva” de Ruth Rendell.

Pois então, a história de “A Pele que Habito” é muito forte, e fiquei com uma sensação de que o Almodóvar foi bem criativo em sua versão. E, de fato, a história narrada em “Tarântula” tem várias e significativas diferenças da história no filme. A impressão final que tive foi que o autor Thierry Jonquet quis descrever um pesadelo, enquanto Almodóvar ficou tentado a elaborar uma fantasia...


Gostei muito das duas versões e saboreei as diferenças. No entanto, tive ao assistir o filme e ao ler o livro uma mesma e estranha insatisfação... é que a ideia que inspira a trama é tão, mas tão poderosa (contar que ideia é essa seria grave pecado de spoiler), que a impressão que dá é que qualquer tentativa de transformar essa fortíssima ideia em uma narrativa acaba gerando alguma frustração. Um raro caso em que o mote da trama é mais forte que a habilidade de contar a história. Em todo caso, recomendo tanto o livro quanto o filme: a diversão é garantida em ambos!

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O SINCRONICÍDIO


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A JUDGEMENT IN STONE (UM ASSASSINO ENTRE NÓS) – Ruth Rendell



Procurei na Internet pra saber qual é o título desse livro em português, mas consegui descobrir também que o livro virou um filme francês, La Cérémonie, que aqui no Brasil foi lançado como Mulheres Diabólicas.

Tem livros que já nos mostram a que vieram desde a primeira frase, e assim foi com esse (segue em tradução livre minha):

“Eunice Parchman matou a família Coverdale porque não sabia ler nem escrever.”

Esse livro me interessou muito por um motivo pessoal, pois utiliza a mesma técnica que usei em meu romance O Sincronicídio, que (como fica óbvio já nessa primeira linha) consiste em apresentar de cara ao leitor uma informação importante, e construir o suspense a partir dessa informação. Essa é a diferença básica entre o Suspense e o Mistério, pois no Mistério o segredo só é revelado no final, enquanto que no Suspense o leitor (ou espectador) conhece o segredo desde o início, embora os personagens geralmente desconheçam.

Só por esse ponto a leitura foi muito válida para mim. Alguns editores que leram O Sincronicídio não gostaram desse tratamento, queriam de todo jeito que eu escondesse a revelação e a guardasse para o final. Queriam uma obra de mistério, enquanto eu quis mesmo foi escrever um suspense... pois então, ler A Judgemente in Stone me trouxe grande satisfação moral e artística, pois confirmei que a técnica funciona (ao menos nas mãos de uma mestre como Ruth Rendell, se eu soube ou não fazer o mesmo é outra história...).

E de quebra trouxe uma reflexão: talvez o mistério seja mesmo mais divertido de se ler, mas ao mesmo tempo é mais descartável, pois todo o interesse da obra reside justamente na revelação do tal segredo... e acho que enfim descobri porque esqueci a história de quase todos os livros de Agatha Christie que li, enquanto tenho a certeza de que não vou esquecer tão facilmente esse incrível romance de Ruth Rendell.

Mas os atrativos dessa obra não param por aí. Senti ao longo da leitura uma curiosa semelhança com o livro A Canção do Carrasco de Norman Mailer. Digo curiosa porque as duas histórias tem pouquíssimo em comum.... mas quase no fim da leitura descobri o porquê (olha o mistério aí rarara): o livro do Mailer é sobre uma história real, e foi exatamente essa a poderosa impressão causada por Ruth Rendell, a de que estava contando uma história baseada em fatos reais, tamanha a força de seus personagens. Dizer que esse livro é muito bom é muito pouco!




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Conheça O SINCRONICÍDIO:

http://www.caligoeditora.com.br/osincronicidio/
 



domingo, 6 de maio de 2012

A DAMA DE HONRA – Ruth Rendell



“Mortes violentas, fascínio para muitos, causavam transtornos e fobias a Philip.”

Philip é um jovem londrino de senso estético apurado, ele mesmo tão bonito quanto Paul McCartney aos vinte e poucos anos.

Desde que seu pai morreu, Philip tornou-se o homem da casa, tanto financeira quanto emocionalmente. Christine, sua mãe, é uma criança grande aos olhos do filho. Quando ela sofre uma desilusão amorosa, Philip sofre tanto ou mais. Quanto à suas irmãs, praticamente não contam: uma só pensa no casamento iminente e a outra parece estar sendo consumida por algum vício secreto.

Tantas mulheres na vida de Philip! Tem até uma de mármore: Flora, uma deusa romana que enfeitava o modesto jardim da família. A estátua foi um presente do falecido pai. Aos olhos de Philip, Flora havia sido roubada pelo amante de sua mãe.

E é então que ela surge, quem dá nome à história: Senta, a dama de honra. O nome soa engraçado aos nossos ouvidos e ela mesma é tão engraçadinha, para Philip a imagem “esculpida em carrara” de Flora. Paixão à primeira vista.

Este é só o começo desse romance magistral, um livro danado de bom! Nota mil em suspense psicológico, a autora sabe enredar o leitor em sua teia de forma magnífica!

É engraçado, mas não tive como não pensar em Agatha Christie. Esse é o primeiro livro de Ruth Rendell que eu leio, então é normal a curiosidade diante de tantas comparações que fazem.

Pois então, curiosamente, senti que as duas tem algo a ver, sim! Não que Ruth Rendell imite Agatha Christie ou algo assim. Seus estilos são totalmente diferentes. Ainda assim...

As duas tem muito em comum, em minha opinião. Em primeiro lugar, esse climão britânico, que faz parte do charme de Agatha, também está muito presente na história de Ruth.

Mas a principal semelhança que vi foi, como dizer, uma deliciosa “perversidade” na elaboração da trama! Assim como Agatha Christie, Ruth Rendell é incrivelmente malvadinha!

Muito muito muito bom!!!


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