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sexta-feira, 17 de maio de 2019

O AGENTE BRITÂNICO – Somerset Maugham



Dificilmente haverá um escritor mais dândi que Somerset Maugham! Talvez Oscar Wilde tenha sido mais dândi na vida, mas na prosa não há como superar o extremo refinamento estético do autor de “Servidão Humana” e “O Fio da Navalha”.

“O Agente Britânico” é o terceiro livro dele que eu leio. Trata-se de uma série de histórias de espionagem vividas pelo protagonista Ashenden, alter ego de Maugham (que realmente trabalhou para o serviço secreto durante a I Guerra Mundial). Apesar de ser apresentado como um romance, está mais para uma sequência de contos interligados, narrados com o brilho e a ironia habituais de Maugham.

Um trecho que me chamou a atenção é a cena em que uma alta personalidade política conta para o espião Ashenden uma embaraçosa história de amor, supostamente acontecida com “um amigo”, mas que gradualmente se vai percebendo que aconteceu com o próprio narrador do episódio. Não pude deixar de ligar esse trecho à obra-prima de Maugham, “Servidão Humana”, que assim como “O Agente Britânico” foi livremente inspirada em fatos vividos pelo autor.

Ora, o tema principal de “Servidão Humana”, assim como dessa historieta narrada em “O Agente Britânico”, se me permitem uma rude expressão, que nada tem de dândi, mas que consegue ser perversamente exata em sua crueza: é o “chá de calçola”, que em bom baianês descreve a situação de um sujeito que fica totalmente submisso à mulher (esta, geralmente, de má índole).

Só posso imaginar que deve ter sido mesmo uma experiência muito traumática a vivida pelo autor, para que ele sentisse necessidade de voltar ao tema depois de ter dedicado um romance inteiro (belíssimo, por sinal) a esse trauma. E também admirei a graça e a perícia com que o autor fez isso, desmascarando a fútil tentativa de seu personagem de estar contando a história de “um amigo”... Uma dupla ironia, na qual, ao mesmo tempo, o autor também se expõe.

É muito interessante pensar sobre como muitos escritores encontram na escrita a melhor forma de lidar com seus traumas e obsessões...




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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O QUARTO PROTOCOLO – Frederick Forsyth



Excelente thriller de espionagem que prende o leitor na história, da primeira à última página. Achei muito curioso o fato de o livro ter sido escrito em 1984, mas a história se desenrolar em 1986. Ou seja, quando foi publicado, O Quarto Protocolo fazia referência a acontecimentos em um futuro próximo. É portanto, um tributo ao talento do autor ler o livro em 2018, 34 anos depois, e constatar que a obra é igualmente empolgante ao ser lida como um “suspense histórico”.

Gostei tanto desse livro que coloquei Forsyth em um honroso 2º lugar de melhor autor de espionagem, atrás apenas do imbatível John Le Carré. Aliás, acabei fazendo uma possivelmente perversa graduação de cinco níveis de livros de espionagem, a partir dos principais autores que li:

NÍVEL 1: AGATHA CHRISTIE - “Vizinha Fofoqueira”
Tramas ingênuas, cavalheirescas e ufanistas, totalmente inverossímeis e chatérrimas. Note-se que nas histórias de assassinato Agatha é exatamente o oposto: ardilosa, maquiavélica, sinistra e irresistível!

NÍVEL 2: LEON URIS - “Boato Maldoso”
História cheia de clichês e estereótipos, xenofóbica, insuportável. Baseio essa qualificação na obra de propaganda disfarçada como romance que o autor intitulou “Topázio”.

NÍVEL 3: IAN FLEMING - “Hush Hush”
Fantasioso, porém delicioso! Ian Fleming foi o grande responsável pela aura de glamour que cerca as histórias de espionagem, com seu persistente 007, que já rendeu várias encarnações no cinema (claro que o Sean Connery é insuperável!).

NÍVEL 4: FREDERICK FORSYTH - “Só para seus olhos”
Trama bem construída, convincente e empolgante. Só comete o compreensível pecado de colocar britânicos como os grandes heróis, americanos como coadjuvantes e russos como os inevitáveis vilões.

NÍVEL 5: JOHN LE CARRÉ - “Top Secret”
Obras densas, angustiantes, escritas com grande conhecimento do ofício de espião e, sobretudo, do ofício de escritor. A única coisa que diferencia os heróis dos vilões é que eles sofrem mais com as ações repugnantes que todos precisam cometer em nome da honra e da virtude. Alta literatura dos tempos modernos!

Ainda sobre O Quarto Protocolo, um detalhe que me chamou a atenção foi a referência ao “serviço de desinformação”, extremamente ativo nos governos de direita e esquerda, muitos anos antes da Internet inaugurar a era das Fake News.


Trailer do filme (1987):

Wikipedia:


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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:



segunda-feira, 26 de março de 2018

O AMERICANO TRANQUILO – Graham Greene



Quando me viu com esse livro na mão, meu irmão Fabrício comentou: “Acho que eu nunca iria pegar para ler um livro com esse título e essa capa.”

E é mesmo verdade. Se tem uma capa que não faz jus a um livro, é a dessa edição de “O Americano Tranquilo”, cujo título (“The Quiet American” no original) também é bastante enganoso.

Pois esse livro admiravelmente bem escrito tem como pano de fundo a Guerra da Indochina (https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_na_Indochina) e trata de um triângulo amoroso formado pelo britânico Fowley (o narrador da história), o americano Pyle (que dá o título da obra) e a bela vietnamita Phuong. Dizer isso, contudo, não é dizer nada sobre a intricada teia de emoções e reflexões sobre a natureza humana que só um mestre como Graham Greene para apresentar com tanta elegância.

O tema do catolicismo, marcante na obra de Greene, aqui aparece de forma sutil, porém marcante, como talvez o leitmotiv da culpa, que permeia toda a narrativa, tanto no nível coletivo (a injustiça e atrocidade da guerra) quanto no nível pessoal (o sofrimento que provocamos em nome do amor).

Esse é o sexto livro que leio do autor, e sou cada vez mais fã da prosa refinada e inteligente de Graham Greene!

Trailer do filme “O Americano Tranquilo”:

Seguem abaixo os links de outras resenhas que fiz dos livros dele:

O DÉCIMO HOMEM

O FATOR HUMANO

UM CASO LIQUIDADO

É UM CAMPO DE BATALHA

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“Se ao menos fosse possível amar sem causar dano!”


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

 

domingo, 11 de março de 2018

O ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO – John Le Carré



“É a melhor história de espionagem que já li”, disse Graham Greene a respeito desse livro. Terminada a leitura, achei até pouco o elogio!!!

Que livro é esse!!!

Eu não gostava de romances de espionagem, pois achei os que li meio bobinhos e fantasiosos. Mas desconfiava que deveria haver um bom motivo para esse gênero ter tantos adeptos. E agora descobri! Para saber quão fundo pode ir uma história de espiões, basta ler John Le Carré.

Quem primeiro me colocou na pista dele foi Luis Fernando Verissimo em seu ótimo “Os Espiões”. Tinha que ser mesmo muito bom um cara que LFV chama acintosamente de “mestre”!!!

O estilo de John Le Carré é elegante e conciso, pontuado por vívidas reflexões sobre a condição humana. É um olhar talvez cínico e desiludido, mas sempre profundamente humano. Não se trata de um livro sobre espiões, mas antes de tudo sobre homens e as difíceis decisões e escolhas que fazem parte de suas vidas...

Sobre a história em si, nada pode ser dito sem o risco de se dizer demais. Afinal, trata-se de uma trama secreta, sigilosa e oculta: uma história de espionagem!!!

***
“Temos de viver sem compaixão...”


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A MARCA – Fabio Shiva

Um intrigante conto de mistério e assassinato que tem como pano de fundo a saga dos Anunnaki... “A MARCA” foi originalmente publicada em “REDRUM – Contos de Crime e Morte” (Caligo Editora, 2014), sendo um dos sete contos selecionados para a antologia. Em 2016 a história foi republicada no livro duplo de contos “Labirinto Circular / Isso Tudo É Muito Raro”, de Fabio Shiva (Cogito Editora). E agora está disponível aqui. Boa leitura!

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5825862

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O INIMIGO SECRETO – Agatha Christie



Dois jovens amigos, Tommy e Tupence, se reencontram após a Primeira Guerra e, sem vintém, decidem abrir uma firma de aventureiros. É o suficiente para iniciar uma série de aventuras mirabolantes com incríveis coincidências, onde o jovem casal acaba sendo contratado para o serviço secreto, a fim de recuperar um documento que exporia a falsidade do governo inglês, e assim enfrentam os criminosos mais perigosos do mundo, reunidos, que são facilmente sobrepujados pela superior fibra moral britânica... tudo para evitar o colapso comercial da sociedade e o mal supremo de uma greve geral!

Peguei um punhado de livros de Agatha no sebo para reler. Esse veio por engano, pois eu sempre detestei suas histórias de espionagem. Como já estava comigo, resolvir reler. Tive bons aprendizados, pois li com essa intenção mesmo. Resumindo:

1) A ingenuidade de Agatha – eu sempre achava intrigante Agatha ser tão “maliciosa” em seus romances policiais e tão “ingênua” nos livros de espionagem. Nessas releituras em série que venho fazendo tive a percepção de que as histórias de assassinato também não deixam de ser bidimensionais, uma vez que muito pouco se explora as emoções dos personagens diante de evento tão chocante quanto a morte violenta de alguém próximo. Só que na história policial existe o jogo de adivinhar o assassino, e o jogo é que está acima de tudo.

2) Coincidências – logo no começo do livro Agatha afirma algo como: “depois que a primeira coincidência acontece, elas costumam se seguir com uma frequência espantosa”. Acredito por experiência própria nessa afirmação, que inclusive é o tema central de “A Profecia Celestina” de James Redfield, escrito décadas depois de “O Inimigo Secreto”. Só que o que vale na vida real, curiosamente, pode não funcionar na ficção. Coincidências incríveis acontecem no dia a dia e causam maravilhamento, mas em um romance despertam  algo próximo da indignação... é muito curioso isso!

3) Patriotismo – muito do apelo da história, ao menos para o público britânico, deve ter sido o casal de protagonistas que são propagandas ambulantes de como os ingleses são melhores que todos os outros povos... O cinema e a literatura norte-americana estão repletos desse tipo de ufanismo. Isso me provocou, como escritor: fiquei com vontade de escrever uma história louvando o brasileiro “que não desiste nunca”, esse filho da “Pátria do Evangelho” (livro de Chico Xavier) etc. Mas percebi que não tenho vocação para isso. Primeiro, porque percebi que meu primeiro sentimento ao pensar em minha brasilidade é a vergonha de nossa indulgência com a corrupção. Temos tantos políticos corruptos porque está impregnado na consciência do brasileiro a noção de “levar vantagem”. Em segundo lugar, considero (como Einstein) o patriotismo uma espécie de doença infantil da humanidade, como o sarampo. Quando evoluirmos um pouco perceberemos nossa condição de terráqueos, acima dessas pequenas diferenças nacionais. Assim espero!

Ou seja, acho esse livro fraquinho que só... recomendado apenas para uma criança nerd muito inteligente (para curtir um romance que se passa há 100 anos atrás) e ao mesmo tempo muito inocente (para vibrar com as aventuras quixotescas) com uma noção nula de política (para que o extremo conservadorismo e ignorância política de Agatha não estraguem sua diversão). Será que essa criança existe?


Mas não gostar do livro não me impediu de fazer uma boa leitura dele!


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ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM
Escrever para quê? 
Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é este livro: um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.
Disponível no link abaixo, leia e compartilhe:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5890058
 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O FATOR HUMANO – Graham Greene



Há muito tempo queria ler esse livro, principal obra de espionagem de um autor que aprendi a admirar em outros gêneros, através de clássicos como “É um Campo de Batalha” e “Um Caso Liquidado” e “O Décimo Homem”. Graham Greene é um autor sutil, que estrutura o simbolismo de sua história com muita elegância e leveza: um típico cavalheiro inglês.

Em “O Fator Humano”, essas qualidades são utilizadas com maestria para compor uma história envolvente, de muitas nuances. É um thriller diferente, onde a ação fica em segundo plano justamente para realçar o tema que o autor quer desenvolver: o fator humano, as relações e emoções humanas em um cenário que parece expurgar toda humanidade possível. Pode ser uma comparação um tanto esdrúxula, mas “O Fator Humano” me lembrou um pouco o carisma da série “The Walking Dead”. No primeiro caso o pano de fundo é a espionagem durante os anos da Guerra Fria, no segundo é o Apocalipse Zumbi em um futuro próximo. Mas em ambos o que atrai irresistivelmente é o lado “humano, demasiado humano” da história.

É curioso, quando lemos um autor com muita atenção, sentimos como se conhecêssemos um pouco de sua personalidade. É como se estivéssemos entabulando um diálogo muito rico com o autor a cada livro dele que lemos. E eu descubro com muita alegria que a cada vez gosto mais de conversar com Mr. Graham Greene!

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O SINCRONICÍDIO




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A VINGANÇA DE SMILEY – John Le Carré



Sensacional! Fiquei grudado na leitura, da primeira à última página. Um dos melhores livros que li do Le Carré, talvez só perca para “O Espião Que Saiu do Frio”. Um fino suspense e um quebra-cabeças muito sutil, construído com muita habilidade!

O mérito maior está na construção dos personagens. George Smiley, o espião-mor de Le Carré, é o protótipo do anti-herói, e ainda assim extremamente cativante, carismático, convincente. É porque Smiley é humano, demasiado humano! E Le Carré nos faz vivenciar suas emoções de forma ímpar.

Outro mérito é que o autor sabe do que está falando, tendo trabalhado como diplomata. Conhece bem os meandros do mundo da espionagem, que ele defende ser “um trabalho perfeitamente normal”, como qualquer outro!

Uma bela surpresa foi descobrir que essa história é praticamente a continuação de “O Espião Que Sabia Demais”, que rendeu recentemente um ótimo filme, com o Gary Oldman impecável como Smiley. Quem dera “A Vingança de Smiley” também virasse filme!



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Conheça O SINCRONICÍDIO:
http://caligoeditora.com/

 



quinta-feira, 21 de março de 2013

O MORTO AO TELEFONE - John Le Carré




Esta é a primeira aventura de George Smiley, o fascinante espião criado por Le Carré. Baixinho e gorducho, parecido com um sapo, desprezado e humilhado pela esposa, e ainda assim o maior espião de todos os tempos! Não poderia ser maior a antítese do James Bond...

Aqui Smiley está às voltas com um estranho suicídio que o coloca em uma posição delicada junto ao Ministério do Exterior... terá sido mesmo um suicídio? Nesse caso, por que o morto programou uma chamada telefônica para o dia seguinte?

A trama assemelha-se a um romance policial, com o acréscimo do sórdido e desumanizante mundo da espionagem, tão bem retratado por Le Carré. É uma mistura irresistível, que mantém o leitor grudado nas páginas do livro.

Esse é o terceiro que leio desse autor, e percebo que ele, assim como Asimov, parece ter criado uma certa continuidade em suas obras. Boa parte dos personagens desse livro irá aparecer também no ótimo “O Espião que Sabia Demais” e no magistral “O Espião que Saiu do Frio”. Muito bom!



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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:
http://youtu.be/Umq25bFP1HI

Blog:
http://sincronicidio.blogspot.com/
 
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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

sábado, 4 de agosto de 2012

O espião que sabia demais: do livro à tela



Como recentemente o blog publicou comentários acerca da obra O espião que saiu do frio, resolvi postar, aqui, algumas linhas sobre outro romance do mesmo autor.

James Bond, Ethan Hunt ou Jason Bourne? Nenhum desses encontra respaldo nas tramas de John Le Carré. Inteligência - enquanto atividade de análise de dados, pessoas, circunstâncias e produção de boa e má informação - é algo chato, extremamente  enfadonho, burocrático e que não remunera seus Oficias à altura, além de poder matá-los ao menor descuido e pelas mais irrelevantes razões. No mundo da espionagem, dificilmente você encontrará mulheres fatais e misteriosas – além de serem verdadeiras top models – pela frente, no seu encalço. E quanto às aventuras recheadas de adrenalinas? Elas não existem. Nem mesmo uma modesta perseguição de carros numa autoestrada ou numa elegante cidade europeia. E mais: tudo é confuso. Nada – absolutamente nada – é claro. Você pode gastar anos de sua vida funcional caçando fantasmas, dando socos no ar, contando orvalho. O resultado de muito esforço pode ser ínfimo ou, apenas, gerar mais dúvidas e incertezas do que antes. É mais ou menos isso que o ótimo filme O Espião que Sabia Demais, baseado no romance homônimo de Le Carré, nos diz. Penso que toda a história pode ser sintetizada na boa colocação do espião George Smiley (interpretado soberbamente por Gary Oldman), quando recordando seu encontro com um emblemático agente soviético conhecido por Karla: “Nós não somos tão diferentes, você e eu. Ambos passamos nossas vidas procurando as fraquezas um do outro. Não acha que chegou a hora de perceber que o seu lado e o meu estavam errados?”. Sem dúvidas, um grande momento do cinema.

Fisicamente, Gary Oldman é bem diferente do personagem construído por Le Carré. Este descreve o spymaster da seguinte forma: "De baixa estatura, atarracado e, na melhor das hipóteses, já de meia idade, tinha a aparência de um londrino acomodado, desses que não herdam a Terra. Suas pernas eram curtas, seu jeito de andar seria tudo, menos ágil; suas roupas eram caras, mas assentavam-lhe mal (...)". Além desse péssimo quadro estético, Smiley é um tremendo corno manso, sempre ansioso pelo retorno da esposa Ann, que o chifrava com o Diabo e o mundo, além de ser amante regular de Bill Haydon - primo dela e colega dele no Circus (unidade do Serviço de Inteligência britânico).

Podemos resumir essa trama de espionagem "noir" e pacata da seguinte forma: após o fracasso da Operação Testemunho, na República Theca, que pretendia obter de uma forte militar informações sobre a existência de um traidor no seio do Circus, tanto Smiley quanto Control - seu Chefe - são convidados a aposentar-se. Passado pouco mais de um ano e com Control já falecido, o político Lacon procura Smiley com a informação da existência, realmente, de uma "toupeira"; assim, extraoficialmente, ele passa a analisar várias ações do Circus, em especial na operação mencionada, além de outra denominada "Bruxaria", no afã de descobrir que é o agente britânico recrutado por Karla.

No romance, Le Carré soterra toda a trama em um labirinto de informações despejadas ao léu. Acompanhamos Smiley e seus colaboradores num vai e vem aparentemente inútil, sem chegarmos à conclusão satisfatória alguma. Apenas nos quatro últimos capítulos da obra o gênio do velho espião começa a amarrar todas as pontas, formando um quadro, para nós, mais nítido. A toupeira é descoberta e o Circus começa a ser reorganizado.

Em razão do ano de seu lançamento original (1974), a sugestão à relação "gay" entre os espiões Bill Haydon e Jim Prideaux chama atenção. Na adaptação cinematográfica, ademais, levaram o homossexualismo a outro personagem, de forma desnecessária. Assim, no filme, vemos uma suave indicação de que Peter Guillam manteria uma relação homoafetiva; conquanto, na obra escrita, ele seja heterossexual e conviva com sua namorada, Camila. Por que essa insistência da mídia atual em torna tudo mais gay, hein?

O título original da obra (Tinker, tailor, soldier, spy, ou seja: Desajeitado, alfaiate, soldado, espião) evoca versos infantis conhecidos na cultura anglófona, escolhidos por Control, quando vivo, como código de identificação dos espiões do Serviço de Inteligência, especialmente para a Operação Testemunho. No filme, não vemos demais explicações sobre esses versos, apenas menção aos seus personagens logo nas cenas iniciais. E essa falta de mais informações, por parte do diretor sueco Tomas Alfredson é a razão da péssima recepção do filme pelo grande público que desconhece o livro. Aliada a essa ausência de informações importantes, a péssima edição do filme - justamente sobre uma história, em si, já confusa - só agravou tudo. Esse excesso de supressão, aliás, também é verificado em seu filme anterior: Deixe-a Entrar, que abandona os espectadores à própria sorte, para encontrarem, no romance escrito ou em notas na internet, elementos essenciais à trama.

É impossível, apenas pelo filme, compreender a linha de raciocínio desenvolvida por George, bem como a compreensão de como se dava, efetivamente, a infiltração de agente duplo na unidade, durante uma aparente vantajosa troca de informações com provável fonte russa. No romance, apenas a partir do Capítulo 34 tais informações são reveladas, dando amarração a tudo o que fomos colhendo durante a leitura. No cinema, esses elementos não existem. Não podemos desmerecer, claro, a excelente qualidade técnica da produção e sua força em nos levar àquela atmosfera de espionagem. As atuações são excelentes, no elenco de peso que possui. A fotografia está impecável (v. imagens abaixo). Com um pouco de esforço durante o filme, bem como após umas consultas na internet, dá para compreendê-lo bem. Enfim, uma película exigente. O livro, por seu turno, é altamente recomendável: história empolgante e bem contata, boa tradução e tratamento decente por parte da Editora Record. A capa do livro (acima) reproduz o pôster do cinema em tudo, inclusive nos créditos reproduzidos nas costas do volume - prática esta cada vez mais comum em publicações adaptadas para as telas. A obra custa R$ 44,00, possui 420 páginas em papel off-white 80 g/m² (o mais utilizando pela Record) e 16 x 23 cm (dimensões). E, antes de finalizar, destaco que o personagem George Smiley já foi interpretado pelo ator Rupert Davies, no cinema, na adaptação do terceiro romance de Le Carré, O espião que saiu do frio, em filme homônimo de 1965. Na televisão, a BBC deu vida ao agente na atuação elogiada de Alec Guinness quando da adaptação, para a série em sete capítulos, de O espião que sabia demais.

  • Kleiton Gonçalves é autor do Blog do Neófito e esta é sua sexta contribuição a este excelente espaço.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO – John Le Carré


“É a melhor história de espionagem que já li”, disse Graham Greene a respeito desse livro. Terminada a leitura, achei até pouco o elogio!!!

Que livro é esse!!!

Eu não gostava de romances de espionagem, pois achei os que li meio bobinhos e fantasiosos. Mas desconfiava que deveria haver um bom motivo para esse gênero ter tantos adeptos. E agora descobri! Para saber quão fundo pode ir uma história de espiões, basta ler John Le Carré.

Quem primeiro me colocou na pista dele foi Luis Fernando Verissimo em seu ótimo “Os Espiões”. Tinha que ser mesmo muito bom um cara que LFV chama acintosamente de “mestre”!!!

O estilo de John Le Carré é elegante e conciso, pontuado por vívidas reflexões sobre a condição humana. É um olhar talvez cínico e desiludido, mas sempre profundamente humano. Não se trata de um livro sobre espiões, mas antes de tudo sobre homens e as difíceis decisões e escolhas que fazem parte de suas vidas...

Sobre a história em si, nada pode ser dito sem o risco de se dizer demais. Afinal, trata-se de uma trama secreta, sigilosa e oculta: uma história de espionagem!!!


sábado, 21 de julho de 2012

SHIBUMI - Trevanian


Como se diz aqui em Salvador, fiquei “de cara” com esse livro!!! Se eu estivesse no Rio, diria assim: esse livro me deixou “boladão”!!!

Há tempos não lia algo que mexesse tanto comigo!

Amei e odiei! Admirei e desprezei! Aprendi com o que gostei e com o que não gostei!

Muita sincronicidade envolvida nesse inestimável presente recebido de Lua. Que surpresa e tanto descobrir esse livro que é o mais próximo do que eu mesmo estou escrevendo (mesmo não tendo nada a ver).

Fiquei intrigadíssimo com a personalidade do autor, que durante anos escondeu-se detrás do pseudônimo Trevanian. Ao terminar o livro, cheguei a elaborar um perfil do autor, segundo o que eu pensei ter captado. Depois fui pesquisar na internet e descobri que o seu verdadeiro nome foi Rodney William Whitaker (1931 – 2005). O fato do retrato que fiz mentalmente ter passado longe da biografia real do autor, fez a balança pesar mais a favor da impressão favorável. Trevanian pode ser um fingidor e fingir tão completamente...

O problema é que o que me incomodou, incomodou muito. Há um racismo nojento no livro, voltado para o povo árabe. O autor critica tão aberta e veementemente os Estados Unidos, que provavelmente esse racismo passou despercebido, provavelmente por outros racistas. Mas coisa bem diferente é criticar o modo de vida de uma sociedade (que é o que ele faz com os Estados Unidos), e criticar a constituição genética de um povo (que é o que ele faz com os árabes). A única desculpa que encontrei para essa postura do autor é que isso faça parte do clima levemente de sátira e metalinguagem que permeia o livro, como um exagero caricato da imagem dos árabes nos romances tradicionais de espionagem. Ainda assim, achei nocivo. Racismo, não!

O livro como um todo é envolvente, apaixonante e realmente possui um clima único, um “sabor” diferente e todo especial.

Minha conclusão, em resumo, é que poucas vezes será tão bem aplicado o conselho de Schopenhauer: “nunca leia um livro sem ter pensado primeiro no assunto por conta própria”. Uma cabeça fraca pode se perder nesse livro.

Justamente por ser tão sedutor, “Shibumi” é também um livro perigoso. Pois há nele verdades profundas misturadas com perversas mentiras, a tal ponto que é difícil distinguir qual é qual.

Bem parecido com a própria vida!

***


O livro veio crescendo em minha mente de forma sublime!

Shibumi.

Um jardim pessoal.

Simplicidade.

***


Não achei o livro "mau", mas perigoso. Porque a proposta do autor, conforme ele mesmo disse em uma de suas raras entrevistas, foi a de escrever um romance “de verdade” disfarçado em um romance de apelo popular. Uma proeza assim foi levada a cabo genialmente por Umberto Eco em seu “O Nome da Rosa”, que mistura romance policial e histórico para falar de questões mais profundas.

Só que em “Shibumi” há uma perigosa mistura entre o que é manifestado pelos personagens e o que é opinião do autor. Ou por outra, o autor não vê mal algum em colocar suas opiniões pessoais (e preconceitos) como expressões imparciais da verdade. Isso é muito perigoso, pois exige do leitor um olhar crítico e seletivo. Pois há no livro passagens muito bonitas e inspiradoras sobre “Shibumi”, por exemplo. E se o leitor aceita tais passagens como expressões de sabedoria, corre o risco de aceitar como tal outras passagens que de sábias não tem nada...


Racismo?

Vou revelar o que mais me incomodou nessa leitura. O autor expressa um racismo, que só posso chamar de asqueroso, pelo povo árabe, que é retratado no livro de forma tão grotesca que chega a ser caricata. Isso faz um vívido contraste com a rica descrição da cultura japonesa, por exemplo. E como o autor faz também fortes críticas contra a sociedade americana, fica “na superfície” a impressão de que ele está sendo imparcial, de que está jogando pedras igualmente em “gregos e troianos”.

Mas há uma diferença importantíssima. Uma coisa é criticar o modo de ser de uma nação, suas políticas e padrões de conduta. Coisa bem diferente é considerar um povo inferior por sua condição genética. E é exatamente isso que Trevanian faz nesse livro. Os americanos são criticados de forma filosófica, enquanto os árabes são criticados de forma racista. Ao menos em minha opinião.

Isso me incomodou muitíssimo. Fiz a pesquisa na internet justamente para ver se havia alguma referência a essa questão. Só vi alguns textos escritos em inglês, por americanos, e todos frisavam como Trevanian era extremamente crítico com os Estados Unidos. E só. Não encontrei a menor menção ao que achei tão desagradável, que foi o racismo explícito contra o povo árabe. Foi isso o que me deixou com a impressão de que “Shibumi” é uma leitura perigosa.

Mas há também, certamente, grandes méritos nesse livro. Por isso é que ele deve ser lido apenas por pessoas atentas, que saberão “separar o joio do trigo”.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

AVENTURA EM BAGDÁ – Agatha Christie


Logo na segunda página, pensei:

- Ah, não! Outro livro de espionagem!

Meu primeiro impulso foi parar a leitura ali mesmo. Ainda não havia lido um livro de espionagem de Agatha Christie do qual tivesse gostado. Que sorte que resolvi insistir. Pois adorei “Aventura em Bagdá”!

Não sei até que ponto esse livro é superior aos outros do mesmo estilo escritos pela Rainha, ou até que ponto mudou meu próprio olhar como leitor. O certo é que o que antes me irritava agora me divertiu profundamente. Estava querendo mesmo uma leitura ingênua, nostálgica, aventureira.

Mas o livro superou todas as minhas expectativas. Fiquei grudado na leitura e só larguei o livro na última página. Muito disso se deve a Victoria Jones, uma das mais cativantes figuras femininas criadas por Agatha Christie! Fiquei apaixonado pelo jeito audacioso e otimista ao extremo dessa moça!!!

A trama, ouso dizer, não tem muita importância. É o tal “Macguffin” bolado pelo Hitchcock, apenas uma desculpa para que as personagens se coloquem em movimento. No caso, é o velho segredo importantíssimo para o futuro do mundo que é cobiçado por espiões do bem e pelos malvados também!

Foi legal também perceber uma pitada autobiográfica na história, pois há algumas cenas que envolvem arqueologia, e Agatha foi casada com um arqueólogo.

Gostei!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O INIMIGO SECRETO – Agatha Christie


Acabei de ler ontem. Achei massa, foi o melhor dos livros de "espionagem" de Agatha.

Gostei sobretudo do gostinho tão bom de ingenuidade que está presente em todo o livro!

É curioso que Agatha seja tão "maquiavélica" para bolar suas tramas de assassinato e ao mesmo tempo tão "ingênua" em suas histórias de espionagem! São os paradoxos do gênio...

Quanto às aventuras de Tommy e Tuppence, essa foi indisputavelmente a melhor que li.

Não recomendaria para alguém que ainda não leu Agatha Christie. Mas os fãs sempre sabem como se divertir!



Citações:

“A juventude é uma deficiência muito rapidamente superada.”

“Tenho notado com frequência que uma vez que as coincidências começam a acontecer, elas continuam acontecendo da forma mais extraordinária. Eu me arrisco a dizer que esta é uma lei natural que ainda não descobrimos.”

Dá-lhe, Agatha!!!
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