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quinta-feira, 9 de julho de 2020

FLOATERS – Joseph Wambaugh



A releitura desse sardônico romance policial me proporcionou insuspeitadas reflexões, muito além das tramas de assassinato tratadas na história. Por volta de 2011, encontrei meia dúzia de pockets de Joseph Wambaugh em uma feira de livros na Cinelândia (ê saudade! Cada pocket a R$ 1!). Gostei tanto dessas leituras que guardei os livros para reler em algum momento do futuro.

E o futuro afinal chegou. “Floaters” é o terceiro desse autor que releio. Por aí já dá para se ver que realmente sou fã da prosa cítrica de Wambaugh, e realmente me espanta que ele não seja mais conhecido no Brasil.

Agora, sobre as reflexões. Ao ler esses livros pela primeira vez, percebi as narrativas sobre crime e morte, tratadas com altas doses de ironia e humor mórbido, acabaram me provocando uma depressão incipiente na época. Curiosamente, em 2020, em plena pandemia, decidi reler Wambaugh justamente como antídoto para a depressão que tem acossado a maioria de nós. O que comprova mais uma vez a sabedoria do ditado: “o que dá para rir, dá para chorar; é questão de hora e lugar”.

Uma consequência dessa reflexão foi novamente render louvores e gratidão aos belos poderes curativos da Literatura! Que coisa curiosa, encontrar refúgio dos horrores e aflições de uma pandemia nas páginas de um romance policial! Mas desconfio que não estou sozinho nessa “terapia literária”!

Ao final da leitura, além do entretenimento e das distrações que me proporcionaram, percebi o porquê de minha intuição ter buscado esse livro nesse momento específico. Eu já não lembrava muita coisa da primeira leitura, feita em 2012 (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2012/04/flutuadores-joseph-wambaugh.html). E fiquei impressionado ao perceber que a essência do livro, expressa no título “Flutuadores”, remete a uma imagem que eu só posso chamar de espiritual: o grande oceano da vida, conduzindo tudo e todos em suas correntezas e marés, de acordo com um desígnio que escapa à compreensão das pequenas mentalidades individuais. Falar mais que isso seria “spoiler”: basta dizer que encontrei na leitura exatamente a mensagem que eu precisava. Viva a sincronicidade!




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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

segunda-feira, 18 de maio de 2020

THE DELTA STAR – Joseph Wambaugh



Li esse livro pela primeira vez há oito anos (vide resenha: https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2012/03/estrela-delta-joseph-wambaugh.html).

Não entendo como Joseph Wambaugh não é mais conhecido por aqui. Considero ele uma versão norte-americana de nosso grande Rubem Fonseca, pelo fato de também ter sido policial antes de se dedicar a escrever histórias policiais recheadas de ingredientes bizarros.

Nessa segunda leitura creio que me diverti muito mais. Dei altas risadas com as insólitas trapalhadas dos personagens e não conseguia largar o livro, uma vez mais capturado pelo suspense e pelo mistério da história, que mistura prostitutas assassinadas com um submarino nuclear russo e o Prêmio Nobel, de forma caótica e simplesmente brilhante!


Tive um aprendizado extra nessa releitura, pela sincronicidade de estar assistindo em paralelo à ótima série “The End of The F***ing World” (https://youtu.be/wrya4LOIrso), que utiliza um mesmo recurso bem aproveitado por Wambaugh: criar uma determinada expectativa para depois frustrá-la em um total anticlímax, que acaba tendo um efeito hilário. Amei aprender esse novo truque e já quero experimentar em alguma de minhas histórias...



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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

Link do livro no SKOOB:

Book trailer


Entrevista sobre o livro na FM Cultura




segunda-feira, 16 de julho de 2018

THE GLITTER DOME – Joseph Wambaugh



Há alguns anos consegui uma meia dúzia de pockets do Joseph Wambaugh, que devorei com grande deleite. Gostei tanto que, ao contrário de meu hábito arraigado, não passei os livros adiante, mas guardei para ler de novo no futuro, com o objetivo de me divertir e aprender. Isso porque na época eu havia acabado de lançar o meu primeiro livro, “O Sincronicídio”, e acreditava que iria continuar escrevendo histórias policiais para o resto da vida, o que acabou não acontecendo.

De todo modo, recentemente lembrei desses pockets, o que me fez querer matar as saudades do Wambaugh. E o primeiro que peguei para reler foi “The Glitter Dome” (creio que não foi lançado em português). Aliás, o mistério maior de todos é Joseph Wambaugh não ser mais conhecido e admirado por aqui. Em termos de literatura policial contemporânea, poucos autores me impactaram tanto.

Primeiro, Wambaugh sabe muito bem do que está falando, tendo sido policial em Los Angeles durante 14 anos. Segundo, sua prosa é extremamente vívida e envolvente, com diálogos cortantes e uma narrativa ágil e muito bem estruturada. E por último, mas não menos importante, Wambaugh é engraçadíssimo! Não me lembro de ter rido tanto lendo um livro, muito menos um livro de assassinato!

Joseph Wambaugh é um mestre do sarcasmo e da ironia. Ao ler esse livro pela segunda vez, pude perceber como as cenas hilariantes que ele descreve são, na verdade, retratos pungentes de sofrimento humano. Quanto mais miseráveis seus personagens se sentem, mais achamos engraçado! Fiquei intrigado por esse curioso efeito alcançado pelo autor, e creio que descobri a chave para elucidar o mistério: é que Wambaugh é também um mestre do cinismo. Seus anos como policial, ainda mais em uma cidade como Los Angeles, devem ter contribuído bastante para fazê-lo cultivar esse olhar cínico, que ao ser posto a serviço da literatura, acaba propiciando uma visão crítica e reflexiva que talvez um olhar mais compassivo não fosse capaz de obter. Ridendo castigat mores.

Trailer:

Filme:

Facebook:




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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


quinta-feira, 12 de abril de 2012

FLUTUADORES – Joseph Wambaugh


O ofício de escritor de ficção sempre me pareceu enigmático e fascinante por ser o mais próximo do trabalho do próprio Deus. O escritor cria um mundo, o povoa com seus personagens e então faz as coisas acontecerem, as pessoas se encontrarem, os problemas surgirem e as soluções aparecerem.

Esse é o quinto livro de Wambaugh que leio, todos resenhados aqui em nossa comunidade. De todos, se esse não é o melhor, é certamente o mais bem escrito. Ô historinha bem bolada! As situações parecem surgir por si mesmas, nada é forçado, cada pequeno evento é entrelaçado de uma forma espontânea com os outros e com a trama maior. Exatamente como na vida. Em “Flutuadores”, Joseph Wambaugh atinge o apogeu como deus literário!

Isso se torna evidente pelos próprios personagens. Em um determinado momento, um dos inesquecíveis policiais de Wambaugh se questiona para sua parceira de investigações:

“Será que nossas ações a serviço fazem a diferença alguma vez? Alguma vez você teve certeza de ter feito algo acontecer? Ou será que as coisas acontecem por si mesmas e nós levamos o que sobra para o tribunal?”

Perceba o profundo questionamento filosófico embutido nessas palavras. O tira fala sobre seu trabalho como policial, mas poderia estar discursando sobre a essência da vida.

Outra característica fascinante no trabalho do escritor é o uso da língua. Nas mãos de um bom escritor, as palavras ganham vida e movimento e nos fazem aprender a amar o nosso idioma. Ou o dos outros, conforme o caso. Nesse livro (“Floaters” no original) esbarrei a todo momento em deliciosas passagens que perderiam boa parte de seu encanto ao serem traduzidas para o português. Wambaugh é um mestre em criar divertidas e vívidas imagens em inglês. Nada erudito, muito pelo contrário: o encanto de sua prosa é transpor a rica linguagem das ruas para o papel, principalmente as impagáveis tiradas nas conversas entre policiais.

O próprio título do livro desafia uma boa tradução (se o livro foi lançado no Brasil, duvido que tenha sido com esse título!). “Flutuadores” refere-se inicialmente aos barcos que aparecem na história, depois aos cadáveres que são jogados na água e depois aparecem boiando, depois ainda a todos os seres humanos, que de uma forma ou de outra são levados pela correnteza da vida.

A construção dos personagens é também uma marca forte do autor. Os tipos que ele cria são peculiares sem serem caricaturais, conseguem convencer o leitor de que realmente existem. E é cada figura! Mais uma vez, exatamente como na vida...

A trama gira em torno do eixo de opostos: a alta sociedade envolvida em uma competição de iatismo e a baixa criminalidade das ruas, das prostitutas baratas e de seus cafetões. Wambaugh consegue ser igualmente convincente em ambos os mundos, e o leitor é rapidamente transportado para o mundo que ele criou.

Altamente recomendável!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A ESTRELA DELTA – Joseph Wambaugh


Joseph Wambaugh é um desses raros autores que conseguem fazer com que o leitor realmente entre na história. Durante o tempo que durou a leitura desse excelente “A Estrela Delta” (“The Delta Star” no original), eu me senti parte integrante da equipe policial de Rampart, Los Angeles. Acompanhei cada um de seus membros em suas incursões por situações para lá de bizarras e totalmente hilárias e, ao final de cada dia de trabalho, juntei-me aos demais na “Casa da Dor”, singelo apelido do boteco onde os tiras se reúnem para implicar uns com os outros e beber até o pré-coma.

Não será fácil esquecer tantos companheiros de peripécias e bebedeiras. Como o gigante insano apelidado de Tcheco Mau e seu parceiro Cecil, cuja única preocupação é acabar na penitenciária de San Quentin, com o traseiro alargado o suficiente para acomodar uma banda de jazz. Ou como Jane “Wayne”, a policial machona que tem no Tcheco Mau o seu objeto sexual preferido. Ou Hans e Ludwig, o policial da unidade K-9 e seu Rotweiller treinado, uma dupla que compartilha a mesma garrafa de cerveja e os mesmos problemas sexuais. Ou DIlbert, o policial chauvinista que odeia as mulheres, e Dolly, a mini-tira que odeia se parceiro Dilbert. Isso para não falar do Alucinado Tira de Costumes, que assombra a Casa da Dor com seus passos de gato e seus olhos de buraco de bala... Uma turminha e tanto!!!

E é claro que o destaque vai para Mario Villalobos, o sargento gringo com nome hispânico, um típico anti-herói de Wambaugh. É ele quem se vê envolvido na trama principal do livro, uma intriga que envolve prostitutas caindo de telhados, detetives particulares com problemas no marca-passo, gays histéricos que adoram sorvete e candidatos ao prêmio Nobel. Parece louco? Isso ainda não é nada: a solução do mistério depende do “Delta para a Estrela Delta”, uma condição química especial que ocorre quando o elétron “enlouquece” e alcança a criatividade.

“Ridendo castigat mores” – Rindo, são criticados os costumes. Tive a impressão de ver uma intenção mais elevada por detrás da sátira impiedosa e do humor mórbido e cruel. Pois o livro é absolutamente hilariante em muitas passagens insólitas. Depois da gargalhada, no entanto, fica a desconcertante visão de um mundo muito real, tristemente real.

Wambaugh é único. Habilidoso, original e cheio de estilo. Esse é o quarto livro dele que leio, e alguns “truques de autor” começam a ser percebidos. A Casa da Dor não é muito diferente do Domo Brilhante que dá título a outro de seus livros. E há também certas características recorrentes em seus personagens. Longe de representar um demérito, isso sinaliza para a capacidade maior de um escritor, que é a de criar um mundo à sua imagem e semelhança.


segunda-feira, 5 de março de 2012

O DOMO BRILHANTE – Joseph Wambaugh


“The Glitter Dome” (título original da obra) é o nome do inferninho para onde vão religiosamente os tiras de uma delegacia em Los Angeles, após cada dia de trabalho estafante e quase sempre sem sentido. Um dos freqüentadores mais assíduos é Al Mackey, que se vê designado para investigar o homicídio de um figurão de Hollywood graças a seu talento para a inventividade.

Mackey não precisa solucionar um crime quando pode usar a imaginação para encontrar soluções plausíveis que façam o caso ser encerrado e deixe de ser um embaraço para seus superiores. Como na vez em que levantou evidências suficientes para “provar” que um traficante havia cometido suicídio dando uma machadada no próprio crânio!

Quando não está envolvido em algum de seus criativos suicidas, Mackey consome o próprio peso em destilados no Glitter Dome e se envolve em espetaculares fracassos sexuais.

Isso é só o começo. Prepare-se para mergulhar em um universo de glamour e desespero. Uma galeria de tipos exóticos e muito bem retratados em situações para lá de insólitas. Esse é o universo da polícia de Los Angeles.

O autor, com 14 anos de LAPD na bagagem, certamente mostra que sabe do que está falando.


Começo a considerar Joseph Wambaugh um certo Rubem Fonseca americano. Os dois escrevem romances policiais e tiveram anos de experiência na polícia. Um e outro possuem uma inegável habilidade para o bizarro. E por detrás da narrativa de ambos permanece sempre uma tese, uma proposição ideológica, uma filosofia ou pergunta. Um tema central em torno do qual giram as peripécias narradas no livro.

No presente caso, esse tema central poderia ser a frase de Martin Welborn, parceiro de Al Mackey e o verdadeiro protagonista da história:

“Não existe mal ou bem. Tudo é acidente.”

A analogia entre Joseph Wambaugh e Rubem Fonseca não é total. Diante do estilo seco do brasileiro, o americano seria certamente considerado prolixo. Wambaugh difere de Fonseca também ao apelar muito mais para o humor. O que ele faz com grande sensibilidade, diga-se de passagem. Fui surpreendido por boas gargalhadas lendo esse livro.

“The Glitter Dome” é o terceiro de Wambaugh que leio e até aqui, disparado, o melhor. E olhe que eu gostei à beça dos dois primeiros!

Altamente recomendável.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O CAVALEIRO AZUL – Joseph Wambaugh



Bumper Morgan está prestes a se aposentar após 20 anos na polícia, fazendo a ronda nas calçadas de Los Angeles. Em seus três últimos dias de serviço, Morgan mergulha na rotina de policial uniformizado com um misto de nostalgia e de reflexões sobre a validade do sistema judicial e, em última análise, da sociedade civilizada.

Este é um romance policial bem diferente. Não há grandes crimes ou mistérios a serem solucionados. Ao invés, a sucessão “rotineira” dos pequenos crimes de rua e de seus muitos personagens. E esse é o mérito maior do livro. O leitor é transportado para o universo muito real criado pelo autor.

Eu li primeiro “A Semana de Finnegan”, escrito por Joseph Wambaugh vinte anos depois deste “O Cavaleiro Azul”. Foi um aprendizado à parte identificar as principais características do autor (excelentes diálogos “cop talk” e uma vívida descrição de personagens e lugares) e o quanto foram aprimoradas de uma obra para a outra.

Gostei!!!!


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