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domingo, 17 de junho de 2018

BLECAUTE – Marcelo Rubens Paiva



Li esse livro na época de seu lançamento, ou pouco depois. Foi um exemplar autografado pelo autor, que me foi presenteado pelo querido e saudoso amigo Eduardo de Carvalho Viana, que conseguiu o mimo quando foi à Bienal do livro. Muito me marcou a generosidade do presente, pois o próprio Eduardo ficou sem o autógrafo do Marcelo Rubens Paiva, que já era muito admirado por nós dois desde que lemos “Feliz Ano Velho”.

Passados tantos anos, resolvi ler novamente “Blecaute”, curioso em ver se encontraria na leitura o mesmo encanto e arrebatamento que da primeira vez. E assim foi, ou quase! Mais uma vez, me senti grudado ao livro, que só pude largar quando cheguei ao final. Aqui e ali tive um olhar mais crítico, mas nada que comprometesse o deleite da leitura.

O que mais me chamou a atenção foi como a memória distorce as coisas. Quase nada de minhas recordações da história era do jeito que eu lembrava. Cheguei a imaginar que o autor reescreveu algumas passagens de lá para cá, até me convencer que eu é que fui reescrevendo em minhas lembranças. Muito curioso esse fenômeno!

Quanto à história em si, é uma envolvente narrativa apocalíptica centrada em três amigos que retornam de uma excursão a cavernas para descobrir que são as únicas pessoas vivas na cidade de São Paulo... ou no mundo? Um tema que atiça a imaginação e que é explorado de forma muito pessoal pelo autor, resultando em uma leitura extremamente divertida!




\\\***///


O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:
https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

AS FÊMEAS - Marcelo Rubens Paiva

“Com humor mordaz, o autor transita tanto pelos mistérios da condição feminina quanto pela desilusão de seres engolidos pelas grandes cidades.”

Por Elenilson Nascimento

No ano de 1982, ele só tinha 20 e poucos anos e começava a se adaptar à vida numa cadeira de rodas quando lançou o best-seller “Feliz Ano Velho”. A partir do acidente que sofreu ao dar um mergulho e bater a cabeça, Marcelo vê a sua vida mudar radicalmente. Seus dias no hospital, as visitas que recebeu, as histórias que viveu são relatadas sob uma nova perspectiva: a de um jovem que sempre fez tudo o que podia e queria, mas que, agora, sentado em uma cadeira de rodas, vê-se “impotente” diante dos acontecimentos, dependendo da ajuda de amigos e familiares para reaprender a viver. Bom, esse é o resumo do livro que o fez ficar conhecido mundialmente, e que muitos acham ser o único livro do autor.

Mas Marcelo tem uma "obra vasta" e muito mais interessante do que as recordações autobiográficas pósacidente que lhe deixou tetraplégico, em 1979. De lá pra cá, lançou alguns fracassos de crítica e venda, sete peças de teatro (uma delas vencedora do prêmio Shell), apresentou um programa de TV (*o sempre bem vindo “Fanzine”, na TV Cultura), escreveu o roteiro de outro bizarro (o fiasco “As Aventuras da Tiazinha”, na Bandeirantes) e ganhou fama de mimado e arrogante. Hoje, com alguns anos pesando nas costas, ele admite que era mesmo pedante. Mas por pura defesa. Não tinha bagagem para lidar com as cobranças quando publicou “Feliz Ano Velho”, confessou numa entrevista.

Em meados de 2004, quando lançou o livro “Malu de Bicicleta”, que posteriormente acabou também virando filme, Marcelo caiu do elevador de seu carro adaptado. O tombo rendeu-lhe uma tendinite no braço direito, que o obrigou a ficar de molho por três meses. Mas esse livro, “Malu de Bicicleta”, o colocou de volta na lista dos mais vendidos, pouco mais de 22 anos depois do sucesso de “Feliz Ano Velho”.

Já o livro “As Fêmeas” é uma coletânea de crônicas que trata de relacionamentos (ou a falta deles), culpa, prazer, sexualidade, ressentimentos, mulheres que confundem os homens, homens que confundem mulheres, sexo, mudança de atitude nos tempos de Aids, homens canalhas e mulheres sedutoras, homossexualismo, igreja e ditadura.

Se em outras obras como “Bala na Agulha” (um romance policial denso), uma narração em grande estilo de um curto período na vida de Flávio Castilho, filho de um aclamado político brasileiro, que se envolve em uma trama de vícios, sexo, poder, família e dinheiro; ou em “Blecaute”, outro livro do autor, porém menos apocalíptico, Marcelo consegue deixar os leitores nervosos, em “As Fêmeas” é pura diversão.

Nunca me diverti tanto lendo crônicas, uma delícia. E o cara só pensa naquilo! Em “Machos e fêmeas no só o amor constrói”, ele diz que a “cadela no cio é sutil e, na hora do vamos ver, mais silenciosa”. A crônica “A bela teme a fera, mas a abraça como irmã” mais parece um conto com um final muito interessante. Em “A bela nas tramóias da fotografia” deveria ser lido em voz alta em todas as salas de aula para essa garotada que acha que ser modelo é só felicidade.

O autor também solta os demônios na crítica por causa do seu livro “Ua:brari” na crônica “Sinto necessidade de lavar roupa suja”. Em “Minha primeira vez foi com um homem”, relatou que tanto ele quanto muitos amigos perderam a virgindade com um travesti. O dramático “Paguei por brincar com o que não tem graça” é de arrancar lágrimas, sobre uma garotinha assassinada no sinal de trânsito. (“AS FÊMEAS”, de Marcelo Rubens Paiva, crônicas, 148 págs, Objetiva – 2006)

>>> clique aqui e leia a resenha completa.

>>> Visite o LITERATURA CLANDESTINA e o COMENDO LIVROS.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Feliz ano velho - Marcelo Rubens Paiva


O que me levou a procurar este livro foi de fato o grande sucesso que ele estava fazendo entre meus colegas. Todo mundo só falava nele ou dele e eu estava na contramão da história lendo “O exorcista”. Precisava urgentemente conhecer a obra. Deparei-me com uma entrevista dele em que o mesmo se dizia órfão da ditadura. Acabei não lendo o livro e ficando com leituras que faziam bem a meu espírito jovem: os livros de terror.

Só mais à frente voltei a tomar contato com esta obra. Dessa vez com a informação de que o pai de Marcelo havia sido levado para os porões do DOI-CODI à época da ditadura e nunca mais voltou. Por si só, essa informação me fez retomar o livro. Não foi em vão a leitura deste.

Fiquei me perguntando: como alguém que se acidentou de forma tão violenta e idiota pode escrever com bom-humor um livro sobre sua história e ainda ter o carisma de fazê-lo de forma tão envolvente? O livro deveria se chamar “As angústias de um porra-louca”, mas não caberia na forma madura com que Marcelo trata seus próprios fantasmas.

Esta é a história de um garotão, que gosta de farra, faz teatro amador e tem um conjunto de rock, que se aventura em uma festa num sítio e resolve dar um mergulho em um lago raso, o que lhe ocasiona tetraplegia. Simples assim, melancólico até. Mas nada disso perturba o tom de descobertas decorrentes do acidente. O livro não é pedante, nem panfletário, muito menos um livro de auto-ajuda. É, talvez, um acerto de contas, uma autopunição hilária, um reaprender a lidar com o corpo e seus desejos. Diria até que este livro seria também um reflexo da época, pós-ditadura, tempo de transição, em que o país também estava reaprendendo a viver.

O ponto de vista do autor, altamente crítico, representa o que há de mais contemporâneo em sua época: a “nova geração”, mas devido ao ocorrido com seu pai, mantém um pé sempre no passado. É surpreendente ver seu engajamento político e seu sofrimento pela impossibilidade de modificar o mundo ao seu redor ou o seu próprio destino, a espera de uma resposta de seu próprio corpo.

Como diria Cazuza: “a vida é bem mais perigosa que a morte, suporte baby”. E é assim q vejo esta obra, forte, impactante e sólida, muito sólida. Isso reflete e explica tanto sucesso para um livro simples, sobre as agruras de um indivíduo com o futuro comprometido.

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