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quarta-feira, 15 de abril de 2020

A SERPENTE DE PLUMAS – Edgar Wallace



Edgar Wallace foi um escritor incrivelmente prolífico, capaz de escrever dezenas de romances policiais a toque de caixa. Reza a lenda que certa vez ele ditou um livro completo entre a noite de sexta e a manhã de domingo! Isso é o que relata o grande cronista Paulo Mendes Campos, em seu divertido prefácio à coleção de E.W. publicada pela Ediouro: “Edgar Wallace ou Dez Quase-Constantes do Autor Policial”. Aliás, sobre esse prefácio vale dizer que é tão divertido (pela ideia de apresentar a biografia do autor como uma série de “leis do autor policial”) quanto totalmente furado (pois as “quase-constantes” listadas não se encaixam na vida dos principais autores policiais que eu conheço).

Voltando a Edgar Wallace, é de se supor que essa facilidade e rapidez em escrever gere uma obra com altos e baixos. Eu lembro de ter gostado muito, por exemplo, de “O Sineiro”, e de ter detestado outros livros dele, como “Os Quatro Homens Justos”. Esse “A Serpente de Plumas” fica no meio termo. A trama é interessante o suficiente para manter o leitor virando as páginas, mas há toda uma série de incongruências que vão testando nossa paciência.

Mais ou menos da metade para o final comecei a imaginar a seguinte situação, que atiçou o meu lado escritor: como seria escrever uma história mantendo sempre um determinado ritmo de escrita, sem jamais poder corrigir o que foi escrito, seguindo sempre em frente até o final. Um livro assim tentaria uma expressão fiel da própria vida, que não admite pausas para reflexões, muito menos reescrever algum trecho. Achei essa ideia fascinante, e só não me atirei de cabeça nesse projeto por ter bem claro que o resultado final desse esforço certamente estaria repleto de furos e falhas de roteiro. Como, infelizmente, é o caso de “A Serpente de Plumas”.

Tantas e imaginativas reflexões, quem diria, acabaram me convidando a admirar uma vez mais a divina Verve do grande Autor ao qual todos nós, escritores, consciente ou inconscientemente imitamos: o Demiurgo que com incomparável criatividade tece as tramas de nossas vidas nesse sublime e sempre novo magistral drama cósmico.



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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

Link do livro no SKOOB:

Book trailer


Entrevista sobre o livro na FM Cultura




segunda-feira, 16 de abril de 2018

UMA CANÇÃO NAS TREVAS – Edgar Wallace





Divertida aventura policial de Edgar Wallace (01/04/1875 – 10/02/1932), que em sua época foi um dos autores mais populares da Inglaterra. Dele já li também o ótimo “O Sineiro”, além de “Quatro Homens Justos”, que agora fiquei sabendo ter sido o primeiro livro escrito pelo autor. O primeiro de muitos! Edgar Wallace é um desses autores cuja vida é tão ou mais interessante que a obra. Penso que a biografia de Edgar Wallace daria um bom filme! Uma parte que me chama a atenção é ele ter ficado rico várias vezes, com as vendas de seus livros – para logo em seguida perder tudo na corrida de cavalos!

O maior atrativo de “Uma Canção nas Trevas” é certamente a figura do Superintendente Patrick J. Minter, mais conhecido de todos pelo apelido de Sooper. Um velho policial, “mais antigo da força”, que anda a qualquer hora do dia ou da noite em Pirilampo, sua motocicleta endiabrada cujo motor tem o som de uma metralhadora. Ele também cria galinhas e adora desdenhar das modernas teorias de psicologia e antropologia.

É interessante como os livros conversam entre si. Ocorre que eu estava relendo paralelamente “Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado. O herói do livro é Pedro Archanjo, que contrapõe a sua própria realidade mestiça às teorias de antropologia física vigentes na época, hoje ao menos na teoria já descartadas como puro racismo. Pois bem, foi uma surpresa massa ler “Uma Canção nas Trevas” e ver Sooper zoando essa mesma antropologia física em um livro de 1927, décadas antes da publicação de “Tenda dos Milagres”!

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“O rei mouro cavalga para cima e para baixo
Pela real cidade de Granada.
Ay de mi Alhama!



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O SINCRONICÍDIO – Fabio Shiva
 “E foi assim que descobri que a inocência é como a esperança. Sempre resta um pouco mais para se perder.”
Haverá um desígnio oculto por trás da horrenda série de assassinatos que abala a cidade de Rio Santo? Apenas um homem em toda a força policial poderia reconhecer as conexões entre os diversos crimes e elucidar o mistério do Sincronicídio. Por esse motivo é que o inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia de Homicídios, está marcado para morrer.
“Era para sermos centelhas divinas. Mas escolhemos abraçar a escuridão.”
Suspense, erotismo e filosofia em uma trama instigante que desafia o leitor a cada passo. Uma história contada de forma extremamente inovadora, como um Passeio do Cavalo (clássico problema de xadrez) pelos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações. Um romance de muitas possibilidades.
Leia e descubra porque O Sincronicídio não para de surpreender o leitor.
 
Livro físico:
http://caligoeditora.com/?page_id=98
 
eBook:

https://www.amazon.com.br/dp/B07CBJ9LLX?qid=1522951627&sr=1-1&ref=sr_1_1

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

OS MAIS BELOS CONTOS POLICIAIS DOS MAIS FAMOSOS AUTORES




Ao terminar de ler esse livro, fui confirmar na Internet se já existia a expressão vintage books, pois ela expressa bem qual foi o meu interesse maior nessa leitura. São livros que lemos mais pela edição (antiga ou rara) que pelo conteúdo da obra em si. Nesse caso, assim que vi esse livro no excelente sebo do Daniel, na Praça da Sé, soube que precisava lê-lo. A publicação é da Editora Vecchi, e não há como saber a data, mas a história mais recente fala da Grande Guerra, como se só tivesse havido uma!

Lembrei de minha época de moleque, quando garimpava os sebos da Carioca, no Rio de Janeiro, procurando exemplares da revista X-9, mais velhos que meu avô! Meu grande xodó era uma edição da revista Detective, de 1939, que eu guardava como um verdadeiro tesouro. Depois perdi a mania de colecionar livros e me desfiz de tudo, sem pena. Acho que um livro só tem valor quando é lido. Livro na estante é desperdício de árvore! Mas me permiti reviver esse lado de minha adolescência que já foi tão importante para mim.

Mas voltando ao livro: tem contos de Nathaniel Hawthorne, Conan Doyle, R. L. Stevenson, Edgar Wallace, Agatha Christie e outros que nunca ouvi falar. Foi bom ter saciado a curiosidade de ler Sax Rohmer, criador do Fu Manchu (o rei do crime chinês), mas concordo que ele tenha sido relegado ao ostracismo hoje, pois quanto racismo!!! Isso também me incomodou em outra das histórias (do Sinclair Gluck), e também me ajudou a compreender minha amada Agatha em seus deslizes nesse gênero...

O destaque vai para  a última história, “Um Caso Sem Pista”, de Joseph Collomb, onde o autor faz uma metáfora da força policial alemã como uma grande máquina, com seus homens mecânicos, engenheiros e pesquisadores... o mais curioso é que nessa metáfora o autor chegou a uma concepção muito próxima do funcionamento de um computador, que não existia na época em que o conto foi escrito!

Recomendado expressamente para ratos de sebo e apreciadores do cheiro de papel velho!



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quinta-feira, 25 de abril de 2013

A PISTA DO ALFINETE NOVO – Edgar Wallace



O Mistério do Quarto Fechado. Provavelmente todos os autores clássicos de romances policiais sentiram ao menos uma vez a tentação de experimentar seus talentos nesse tema: um crime cometido em um quarto fechado por dentro.

O tema é fascinante porque adiciona novos enigmas ao tradicional whodunit (quem matou): como o crime foi cometido? Como o criminoso conseguiu sair do quarto deixando a porta trancada por dentro?

Não é à toa que tantos escritores famosos tenham sido seduzidos por esse tema, que poderia representar o supra-sumo do jogo intelectual criado para o leitor de romances policiais. Conan Doyle e Agatha Christie, por exemplo. John Dickson Carr chegou a especializar-se em mistérios do quarto fechado. A própria obra inaugural do romance policial, “Os Crimes da Rua Morgue” de Allan Poe, é à sua maneira um mistério do quarto fechado. Eu mesmo não resisti à tentação, e tasquei um crime desses em meu romance “O Sincronicídio”.

Em “A Pista do Alfinete Novo”, a começar pelo título, tudo gira em torno do mistério do quarto fechado. Edgar Wallace, venho confirmando, é o escritor do mote. Suas histórias giram em torno de uma idéia central, que chamei de mote, geralmente algum truque bolado pelo escritor, seja a maneira de cometer um assassinato à distância em “Os Quatro Homens Justos”, ou a forma de desaparecer debaixo dos narizes da polícia em “O Sineiro”, ou mesmo a irresistível tentação de bolar uma solução original para o mistério do quarto fechado, como é o caso do presente livro.

Todo o resto da história é apenas pano de fundo para a cena da dramática revelação do mote (daí esse título que inventei para E.W.), o que é feito com variados graus de habilidade. Quando acerta a mão, Edgar Wallace é uma delícia. Mas mesmo quando a receita desanda um pouco, continua gostoso de ler.

E de quebra, ainda fui surpreendido muito agradavelmente por esse trecho totalmente inusitado:

As igrejas e as seitas, as religiões de todas as espécies, são monopólios. Deus é como a água que surge das montanhas e forma os arroios e os rios. Lá vão os homens recolher a água em garrafas, alguns em detestáveis garrafas, outros em belas garrafas, e depois as vendem dizendo: “Somente esta água aplacará sua sede”. Mas frequentemente acontece que perderam já todas as suas boas propriedades. O senhor pode beber melhor no côncavo das mãos, ajoelhado junto do arroio. Aqui se engarrafa sem reparar em absoluto no conteúdo, mas com meticuloso cuidado quanto à forma do recipiente! Sempre vou ao arroio.

Viva Edgar Wallace!



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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

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http://sincronicidio.blogspot.com/
 
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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A ESMERALDA MALDITA – Edgar Wallace


Apesar de ter sido em sua época o escritor que mais vendia livros na Inglaterra, consta que devido à paixão pelo jogo e à vida de excessos muitas vezes Edgar Wallace teve que escrever livros às pressas, para pagar os credores. Creio que esse “A Esmeralda Maldita” foi um desses feitos “nas coxas”... Muitas coincidências forçadas, cenas inverossímeis, pistas esdrúxulas, personagens pouco convincentes... um livro bem abaixo do padrão dos outros que li dele.

Ainda assim, E. W. é bom o suficiente para manter o interesse. A narrativa é ágil e nenhuma das limitações chega ao ponto da “tosqueira”, e só ficam mais evidentes diante de outras obras superiores do mesmo autor.

O mais chato foi a pitada de racismo (etnocentrismo talvez seja o termo mais apropriado)... dá para relevar diante da mentalidade predominante na época em que o livro foi escrito (1916), é o mesmo tipo de situação que encontramos em Agatha Christie: os ingleses são os bambambans e os povos “exóticos” (no ponto de vista inglês) do oriente e terceiro mundo são ignorantes, burros e com uma tendência inata para a maldade... Dá para relevar, mas é chaaato isso... Quando o tema é racismo na literatura, sempre acabo lembrando de Monteiro Lobato. Amo o Sítio, mas não dou um livro dele para meu sobrinho ler nem a pau!!! Só as adaptações modernas e politicamente corretas.

Na verdade, perceber essas falhas no texto foi a maior diversão da leitura! Aprendi bastante. Isso é que é ótimo nos livros: quando um livro é bom, cresço com ele e me divirto. Quando não é tão bom, também aprendo e, assim, me divirto! Ler é bom demais!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

sábado, 12 de maio de 2012

OS QUATRO HOMENS JUSTOS – Edgar Wallace



No início do século XX, a cidade de Londres é tomada por uma estranha comoção: o primeiro-ministro é ameaçado de morte, caso não concorde em desistir de apresentar na Câmara uma polêmica nova lei. Os autores da ameaça são conhecido como “Os Quatro Homens Justos”, procurados pela polícia de todo o mundo graças aos misteriosos assassinatos já cometidos pelo grupo.

Há motivo para a agitação popular: os Quatro Homens Justos prometeram matar o primeiro-ministro numa hora determinada, diante das vistas da polícia. Será que eles vão conseguir manter a promessa assassina?



Edgar Wallace é sobretudo um escritor de ideias. Seus romances geralmente giram em torno de uma ideia propulsora, algo engenhoso e criativo que irá surpreender o leitor ao ser apresentado. No caso de “Os Quatro Homens Justos”, o mote da história é justamente o modo pelo qual será cometido o assassinato. Mas não deixa de ter seu apelo também essa ideia de condenar à morte um político que favorece uma lei injusta...

Se essa moda pega no Brasil...

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