terça-feira, 20 de maio de 2014
Esposa 22 - Melanie Gideon
Esposa 22 conta a história de Alice Buckle,uma mulher de quarenta e quatro anos que está em crise no casamento,em crise com os filhos adolescentes e em crise de meia-idade.Quando recebe por email uma proposta para participar de uma pesquisa virtual sobre casamentos ela aceita.Alice então começa a trocar mensagens com o condutor da pesquisa:o Pesquisador 101.Mas as coisas começam a sair do eixo quando as mensagens entre Esposa 22 e Pesquisador 101 ficam cada vez mais íntimas.Com tanta coisa acontecendo em sua vida ao mesmo tempo, Alice agora terá que lidar com mais um problema:uma paixão virtual.Com isso seguimos acompanhando a vida de Alice,sua vida conjugal,os problemas de seus filhos adolescentes.Alice também tem grande amigos,que estão ali para o que der e vier.
Esposa 22 é daqueles livros leves,bem-humorados que nos fazem rir muito.
A protagonista Alice é uma mulher bem piradinha que se mete em muitas confusões hilárias.A autora soube conduzir o livro muito bem.Esse livro poderia se tornar entediante em algumas partes se não fossem as tiradas bem-humoradas em que a autora envolve os personagens e isso torna o livro uma leitura pra lá de agradável.E o mais interessante:a autora brinca e critica ao mesmo tempo os nossos costumes modernos ao envolver Alice com o mundo das redes sociais e outras multimídias.Torna-se cômico as partes em que Alice,a todo instante tecla no seu celular vendo e enviando mensagens nas redes sociais para saber o que seus amigos e familiares postaram nos últimos minutos.O quanto do nosso mundo hoje em dia é influenciado por isso.Tudo que se faz hoje em dia se posta nas redes sociais e é muito divertido ver um personagem de um livro fazendo isso.
Frase dita pelo Pesquisador 101:
"Tenho a sensação de que chegamos a um ponto em que nossas experiências,nossas lembranças,nossa vida inteira ,na verdade não são reais a menos que as publiquemos na internet.Será que vamos sentir falta da época em que éramos inacessíveis?"
Alice tentando entrar em forma.
"Quinze minutos mais tarde,Caroline Kilborn e eu estamos saindo pra correr.
Cinco minutos depois,Caroline Kilborn me pergunta se tenho asma.
Cinco segundos depois disso,digo a ela que esse chiado que estou fazendo se deve a alergias e ao fato das acácias terem acabado de florir e que talvez ela deva seguir adiante sem mim pois não quero atrapalhar seus exercícios.Quando Caroline some de vista ,torço o pé ao pisar numa pinha e caio num monte de folhas rezando_Por favor,não deixe que eu seja atropelada.
Conversa antes do jantar na casa de Alice:
"_Vegetariana ou carnívora hoje?_pergunto a Zoe,chegando à mesa com uma travessa de frango assado com batatas.
_Carnívora.
_Ótimo.Peito ou coxa?
Zoe ergue as sobrancelhas,enojada.
_Eu disse carnívora,não canibal.Peito ou coxa.É exatamente por isso que as pessoas viram vegetarianas.Deveriam inventar palavras diferentes para não ficar parecendo tão humano.
Suspiro."
Alice pensando em como vem aumentando a distância entre ela e o marido,Willian.
"Nosso principal meio de comunicação nos dias úteis são as mensagens de texto,e quase sempre temos a mesma conversa:
_Que horas você chega?
_Sete.
_Frango ou peixe?
_Frango."
Alice indo se depilar pela primeira vez.
"__Nedra disse que você é rápida.E que não dói.
_Faço o melhor que posso.
Hilary mexe a panela de cera com um abaixador.
_Vamos dar uma olhadinha,vamos?_ela levanta a tanga de papel e solta um tsc.
_Tem alguém que não anda com a depilação em dia.
_Já faz um tempinho_digo.
_Quanto tempo?
_Quarenta e quatro anos.
Hilary arregala os olhos."
O livro todo é muito divertido,muito bom pra levantar o astral e dar boas risadas.Mas a autora inseriu um pequeno drama que volta e meia Alice se vê envolvida.A perda de sua mãe.Isso permeia a personagem o livro todo.A mãe de Alice morreu quando ela tinha quinze anos e tudo que ela queria é que sua mãe estivesse agora com ela para apoia-la em tudo na sua vida.Isso a afeta tanto que ela faz parte de um grupo de apoio de pessoas que também perderam a sua mãe.
"O que todos no grupo sabem,o que não precisa ser explicado nem dito,é que ninguém vai nos amar como nossas mães nos amaram.Sim,somos e seremos amadas,por nossos pais,amigos,irmãos,tios,avós,cônjuges e filhos mas nunca experimentaremos aquele tipo de amor materno incondicional."
Esposa 22 é uma excelente leitura,que mistura comédia com o nosso mundo atual,cercado pela internet e redes sociais.Diversão garantida!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
EXTRAORDINÁRIO - R.J.Palacio
Extraordinário conta a história de August Pullman,um menino de dez anos que nasceu com deformação facial por causa de uma doença genética.No decorrer do livro vamos acompanhando as dificuldades e limitações de August tanto na escola como em sua própria casa.
Um longo caminho é percorrido pelo menino para ser aceito pelos colegas de escola que o consideram um "monstro".Parte dos alunos chega a ser cruel com August e isso me deixou muito incomodado.Trata-se do famoso "bullying" e suas consequências podem afetar uma pessoa pela vida inteira.É triste ver August passando por isso mas pior ainda é saber que o bullying é uma realidade terrível que ocorre quase todos os dias principalmente nas escolas.
O livro é narrado em partes.
Há partes em que o próprio August conta a sua história.As outras partes são narradas pela irmã dele,Olívia;por seu amigo Jack;a amiga Summer; por Justin,namorado de Olívia e por Miranda,amiga de Olívia.
É bem interessante essa intercalação de narrativa feita pelos personagens por que a história pode ser vista pela perspectiva de todas as pessoas que convivem ou aprendem a conviver com August.
Chamou minha atenção o fato de que os pais de August não narram a história em nenhum momento.Acredito que seja pelo fato de os pais amarem seus filhos incondicionalmente,sem se importar como é a sua aparência ou como ele é.
"Sei que não sou um garoto de dez anos comum.Quer dizer.é claro que faço coisas comuns.Tomo sorvete.Ando de bicicleta.Jogo bola.Tenho um Xbox.Essas coisas me fazem ser comum.Por dentro.Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho.Sei que os outros não ficam encarando as crianças comuns aonde quer que elas vão."
"Para mim o Halloween é a melhor festa do mundo.Melhor até que o Natal.Posso usar fantasia.Usar máscara.Posso andar por aí como qualquer outra criança fantasiada e ninguém me acha estranho.Ninguém olha pra mim duas vezes.Ninguém me nota.Ninguém me reconhece."
"Garoto rato.Estranho.Monstro.Freddy Krueger.E.T.Cara de lagarto..Mutante.Conheço os apelidos que me dão.Já estive em parquinhos suficientes para saber que as crianças podem ser cruéis.Eu sei,eu sei,eu sei."
"_Obrigado por me fazer ir a escola-falei baixinho.
Ela me abraçou mais apertado,se inclinou e deu um beijo no alto da minha cabeça.
_Eu é que agradeço Auggie-respondeu ela.
-Pelo quê?
_Por tudo o que nos deu.Por entrar em nossas vidas.Por ser você.
Inclinou-se de novo e sussurrou em meu ouvido:
-Você é mesmo extraordinário Auggie.Você é extraordinário."
Um livro cativante,que emociona .Confesso que até chorei em algumas partes.
A autora tratou um assunto tão sério com bom humor,seriedade e sensibilidade.
Extraordinário é sem dúvida um livro extraordinário.
Excelente leitura!!Recomendo para todas as pessoas lerem!!!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
A sociedade literária e a torta de casca de batata
Autoras: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
Editora Rocco - Ano: 2009 - 304 páginas
Como aparece no site da Cultura: “é uma celebração da vida através da literatura”.
Comentários toscos de uma tarde de domingo
Tenho quatro personalidades bem definidas dentro de mim. E elas se intercalam rigorosamente, sempre na mesma ordem. Cada vez mais me convenço de que não tenho personalidade, tenho carga hormonal. Uma semana sensível, outra deprimida, a próxima agressiva e, depois, uma alegria tonta, sem nexo. Se for sincera, direi que não há nexo em nada disso.
Vocês devem estar se perguntando por que inventei de fazer uma confissão particular ao invés de formular opiniões sobre “A sociedade literária e a torta de casca de batata”. Bom, essa confissão tem certa lógica e explica algumas variáveis na minha ideia sobre o livro.
O problema é que comecei a leitura como uma senhora sensível e solidária com o mundo. E terminei os últimos capítulos em plena crise de depressão. Acreditem, isso influencia uma crítica. Aliás, quando penso na influência dos sentimentos sobre as críticas, deduzo que as palavras são quase obra do acaso e devem ser relevadas, relevadas, relevadas... Talvez a mudez seja uma boa alternativa, mas ela é inviável no caso da Márcia, sou um ser classificado como “tagarela”. Mesmo muda, meus gestos falariam por si e enlouqueceriam as pessoas.
Sobre as primeiras 253 páginas, posso dizer: amei. Eu lia e a impressão era de que os episódios tinham sido vividos por pessoas sentadas no sofá da minha sala: chorei ao receber uma barra de sabão, li as notícias em folhas de jornal velho cuidadosamente alisadas, tive ataques de riso com as reuniões literárias, meu estômago embrulhou com os mortos, senti dor, fome, medo, fiquei seduzida com o estilo ao mesmo tempo arrogante e atencioso de Mark, queria um Dawsey cuidando de mim, queria ser cuidada, queria cuidar, fazer parte. Sem dúvida, tive vontade de juntar as tralhas e me mudar para a ilha. Meu coração aqueceu, vi que ainda podíamos ser solidários e que a felicidade era uma estranha mistura de dor, força, livros e amigos. Fui dormir embalada.
No dia seguinte, acordei mal. Tomar banho, trocar de roupa, sorrir para as pessoas, difícil, muito difícil. Em algum momento daquela noite minha personalidade nº 02 assumiu. Fazer o quê? Coloquei a máscara nº 05, perfeita para esses dias, e fui ser uma profissional competente, que a vida cobra e não está nem aí para choramingas.
No ônibus, retomei a leitura: cartas perdidas numa lata de biscoitos? Cadê a minha história? Trocaram meu livro? Que brincadeira esquisita foi essa? E aquela linguagem, o que tinha acontecido? Fui dormir com um romance meigo e profundo e acordei com um best-seller quase “Nora Roberts”?????
Resumindo: da página 254 para o final, salvo alguns momentos, o texto cai... Senti-me quase traída.
Tudo bem, desde o início havia toques de best-seller, algumas colocações meio frase feita, situação criada demais, personagens estereotipados, cartas enviadas num dia e respondidas com uma rapidez que sequer hoje conseguimos, imaginem naquela época, mas tudo encaixando dentro do clima fábula que parecia ser a proposta, uma pequena história triste, porém positiva sobre a vida. Não tirava o encanto, pelo contrário, tornava a leitura ágil e leve e parecia necessário para que pudéssemos ouvir tanta tristeza sem desabar.
Ao final, ficou a dúvida: realmente cai ou já era assim e a Márcia sensível não viu? Não cai e a Márcia deprimida é que perdeu a capacidade de se comover com as situações? Sei lá, sei lá...
Vou esperar para ouvir as opiniões. O que posso dizer é que as primeiras páginas me encantaram completamente, como uma narrativa deve encantar: chorei, ri, me comovi. Perfeito... Até a página 254... Depois, não me responsabilizo.. Acho que ele cruza a linha e cai no espaço do best-seller comum, comum.
Recomendo, é apaixonante. E o final? Bom, o final a gente lê rapidinho e logo esquece. As primeiras 254 páginas compensam e compensam muito.
sábado, 25 de junho de 2011
Ninguém vive sozinho - Romance sobre o bullying

No entanto, ali na nova escola, ele encontra alunos com a mesma predisposição para humilhar o próximo, e percebe-se caindo na mesma armadilha de sempre, a do fenômeno que mais tarde ele descobrirá se chamar bullying.
Apesar disso, ele se torna amigo de Carlos, um menino pobre e que só estuda no mesmo colégio de Pedro por causa da bolsa de estudos que conseguiu por ter tirado uma das maiores notas na prova de seleção.
A partir daí, ambos se veem descobrindo-se na história do outro, pois Carlos também era vítima de bullying antigamente, mas na nova escola conseguiu se safar de ser humilhado. E o motivo disso só mais tarde ele entenderá.
Enquanto isso, Carlos vai travando uma batalha consigo mesmo para decidir se assiste passivamente ao que fazem com seu amigo, ou se toma uma atitude, o que poderá fazer com que ele se torne alvo do bullying também.
Além desse enredo que conduz a história, o romance demonstra quanto uma amizade leva tempo para ser construída, como facilmente nos deixamos enganar pelas aparências e julgamos nossos semelhantes, e quanto dói nos pais saberem que aqueles a quem eles amam sofrem nas mãos de colegas de turma na escola.
Título: Ninguém vive sozinho
Autor: Samir de Sena Osório
Páginas: 220
Editora: Bookess
Ano: 2011
SKOOB do livro: http://www.skoob.com.br/livro/174168-ninguem-vive-sozinho
Link para leitura e compra do mesmo: http://www.bookess.com/read/8635-ninguem-vive-sozinho/
terça-feira, 7 de junho de 2011
O caçador de pipas - Khaled Hosseini

Não quero chover no molhado, nem comentar o que já foi amplamente divulgado. O livro é absolutamente emocionante. Trata da história de dois amigos de infância, Amir e Hassan. Tem todos os clichês que fazem a festa dos noveleiros de plantão, mas há algo que nos toca profundamente: o poder da redenção, a possibilidade de expiarmos nossos erros.
Hassan é digno e corajoso, possui lábio leporino, é pobre e da etnia hazara (considerada, no Afeganistão, uma etnia inferior, de empregados). Amir é rico, mimado, invejoso e covarde, mas sua etnia pashtun é a que comanda o país. Feita as devidas apresentações e definidos os lados, maniqueisticamente, desenvolve-se a história, por sinal, maravilhosa.
Por incrível que pareça, são as atitudes de Hassan criança que definem a personalidade de Amir, durante a batalha das pipas, muito popular e prestigiada no Afeganistão. Porém, um episódio humilhante põe fim à grande amizade: Amir vê Hassan ser violado por um garoto rico do bairro, e não faz nada para ajudá-lo. A culpa vai acompanhá-lo até a vida adulta.
Permeando essa história de amizade e traição, temos o final da monarquia no Afeganistão e as atrocidades infligidas atualmente pelo regime Talibã. Enfim, uma aula sobre o Oriente Médio. Talvez, a única coisa que devamos tratar com cautela é o excessivo endeusamento dado aos americanos, contra o golpe comunista e a invasão soviética. Mas isso é uma questão de ponto-de-vista, não nos impede de saborear este romance.
Alguém que já disse ou ouviu essa frase: "Por você, faria isso mil vezes!" - saberá a força contida nesse romance.
Observação: já chegaram ao fim as gravações do filme baseado nesta obra. As famílias das protagonistas (crianças) perderam os empregos e tiveram que fugir de casa com medo de ser seqüestrados ou assassinados. A represália se deve à cena de estupro do filme, na qual a vítima pertence à etnia hazara, considerada inferior no país por décadas e agora detentora do poder. Preciso falar mais?


