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sexta-feira, 3 de abril de 2020

GUERRA 1939-1945 – Julius Ckvalheiyro



Fui atraído para essa leitura pela percepção de que estamos hoje, de fato, vivendo uma nova Guerra Mundial, travada entre a humanidade e a pandemia do Coronavírus. A Graphic Novel do paulistano Julius Ckvalheiyro é baseada em extenso trabalho de pesquisa e alterna textos com resumos sobre a progressão da II Grande Guerra, ano a ano, e sete narrativas de cunho pessoal, ilustradas com sombrio realismo.


Uma das informações que mais me surpreendeu foi a de que o Japão enviou um pedido de rendição a Stalin em agosto de 1945, dias antes do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima. Contudo a rendição dos japoneses à Rússia não interessava aos Estados Unidos. Isso dá margem a grandes reflexões...

No texto de conclusão da obra, outras informações nos convidam a pensar:

“A Primeira Guerra Mundial teve um custo total de mais de 200 bilhões de dólares, enquanto as despesas da Segunda Guerra atingiram absurdos 1,5 trilhão de dólares. Essa cifra, se investida em ações de infraestrutura, obras de saneamento e alimentos, teria certamente erradicado por completo a fome, a pobreza e as desigualdades sociais de todos os países.”

Pela perspectiva espiritual, cada guerra traz uma dolorosa oportunidade de aprendizado e evolução. Se o homem não aprende, novas lições se fazem necessárias.

Tenho fé de que não precisaremos passar por uma Quarta Guerra...



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Qual é o seu tipo de monstro? Faça o teste e descubra!

“Em nossa cidade habitam monstros, como em todas as outras.
A diferença é que aqui ninguém finge que eles não existem.
Há pessoas normais em nossa cidade também. É claro.
Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso.”

Compre agora “Favela Gótica”, segundo romance de Fabio Shiva:

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DIÁRIO – Anne Frank


Apesar de conhecer em linhas gerais a história do célebre “Diário de Anne Frank”, sempre tive grande curiosidade a respeito desse livro. E agora, ao ser presenteado com um exemplar pelo querido amigo Marcos Lima, senti que o Universo estava sinalizando que eu deveria realmente lê-lo.

Fiquei totalmente capturado pela leitura, da primeira à última página. O que primeiro chama a atenção é o imenso talento narrativo da jovem Anne. Realmente, uma escritora nata, se já houve alguma. A tal ponto que, a princípio, cheguei a ter dúvidas de que o livro tivesse realmente sido escrito por uma criança de 13 para 14 anos. Depois, soube que existiu até uma polêmica a respeito, mas a autenticidade do livro foi definitivamente comprovada. Muitíssimo impressionante!

O Diário de Anne Frank é uma obra que só pode ser explicada pela espiritualidade, a meu ver. Era necessário que existisse um relato como o de Anne, como um testemunho vívido e emocionante do terrível desperdício de todas as guerras, especialmente as movidas por qualquer tipo de intolerância ou preconceito. Por isso foi necessário que uma jovem tão talentosa e com o sonho de se tornar uma grande escritora, conhecida em todo o mundo (o que de fato acabou acontecendo!) passasse pela difícil experiência que ela passou, tendo ao mesmo tempo a oportunidade de registrar cada etapa de sua via crucis no famoso diário.


Hoje, quando parecemos estar à beira de uma catástrofe atômica, mais do que nunca o relato de Anne Frank se faz necessário. É estarrecedor constatar que aquela menina possuía muito mais maturidade e discernimento que alguns de nossos líderes mundiais, que detêm o poder de decidir, em nome de todo o planeta, se devemos ou não iniciar uma guerra nuclear!

Outra reflexão marcou a leitura desse livro, que retrata de forma muito pungente a perseguição e os sofrimentos dos judeus durante a segunda guerra. Principalmente no início do diário, quando Anne conta como os judeus foram proibidos de frequentar clubes, cinemas, lanchonetes etc. Isso me fez pensar que o pobre é o judeu das eras. O que faz de nós todos nazistas em potencial. Como podemos achar natural e certo que uma pessoa não tenha direito a atendimento médico só porque não tem dinheiro? Ou que ela não possa ter acesso à cultura e à educação só por ser pobre? Como podemos aceitar que crianças morram de fome todos os dias?

Enquanto permitirmos que coisas assim continuem acontecendo, não temos o direito de nos sentirmos muito melhores que os nazistas.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

terça-feira, 1 de julho de 2014

O menino do pijama listrado - John Boyne


Bruno tem 09 anos e poucas preocupações na vida, além da baixa estatura para a idade e a chatice da irmã mais velha, Gretel, mais conhecida como Caso Perdido. Tem 03 amigos inseparáveis e apesar da austeridade do pai, vive feliz com sua família em Berlim.

Um dia, porém, recebe uma noticia que o deixa abalado. Toda a família terá que se mudar para outra cidade por conta do trabalho do pai, que parece ser muito importante, mas ele nem mesmo sabe ao certo o que é. A situação fica pior quando ele percebe que não há previsão de volta, a casa nova é menor do que a outra e não há crianças por perto para brincar. Bem, crianças existem, como ele logo descobre, mas não podem chegar perto dele, pois ficam separadas por uma gigantesca cerca, que cobre uma extensão a perder de vista, juntamente com outras pessoas, todas com uma peculiar e intrigante característica: todos usam pijamas listrados. Inclusive Shmuel, um menino que Bruno encontra num dia de profundo tédio, em que resolve explorar o local. Bruno fica feliz, por finalmente ter alguém para conversar. Pena que não podem brincar, pois Shmuel vive do outro lado da cerca e não tem permissão para sair, nem Bruno para entrar.

É desta forma singela que a história é contada. Como dito no título original, O menino do pijama listrado é uma pequena fábula sobre o Holocausto, visto pelos olhos ingênuos de uma criança. Tudo o que lemos é o que Bruno, na sua mente infantil, consegue discernir da estranha situação atual.  Até mesmo o nome do campo de concentração (conhecido para nós) não é mencionado no livro, pois Bruno não consegue pronunciar o nome correto, portanto para ele (e para o leitor) será sempre Haja-Vista (confesso que demorei um pouco para fazer a associação).

Bruno e Shmuel tem a mesma idade e outras afinidades, mas estão separados pela cerca (e por tudo o que ela significa). Até onde pode ir essa improvável amizade?

O menino do pijama listrado é uma história triste, não pelo que lemos, mas pelo que sabemos da realidade.  Triste pelo que existe nas entrelinhas, que não é mostrado, mas adivinhado. Uma pequena e tocante história.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

GRITO DE GUERRA – Leon Uris



É uma história repetida a ponto de virar clichê: o talentoso e jovem escritor que espera utilizar suas memórias como soldado para escrever o livro definitivo sobre a guerra.

Curiosamente, os três romances que eu li sobre a Segunda Guerra Mundial possuem fortes semelhanças:

“Grito de Guerra” foi o primeiro romance de Leon Uris, que teve em “Exodus” sua obra mais famosa.

“Changi” (“King Rat”) foi o primeiro livro de James Clavell, autor de “Xogum”.

“Os Nus e os Mortos” foi a obra de estreia de Norman Mailer, autor de “Os Machões Não Dançam”.

Três livros de estreia de autores consagrados, falando sobre a guerra a partir de experiências autobiográficas.

Por isso não teve como ler o livro do Leon Uris sem fazer o tempo todo paralelismos com as duas outras obras. Gostei de “Grito de Guerra”, mas comparado com os outros dois, ficou em um (honroso) terceiro lugar. Explico o porquê de minha classificação:

3) GRITO DE GUERRA
É sobretudo uma declaração de amor aos Fuzileiros Navais, em especial ao Sexto Regimento da Segunda Divisão. O autor declara abertamente o seu orgulho por ter servido como fuzileiro durante a guerra. A narrativa é minuciosa e muito rica em termos de ambientação histórica. O sexto regimento é acompanhado desde o momento em que os recrutas entram no campo de treinamento até a prova de fogo nos sangrentos combates reais. Muitos personagens retratados com vivacidade, e cenas de guerra bem intensas. No entanto, o heroísmo dos fuzileiros é colocado como a tinta predominante da história.

2) CHANGI
Se Leon Uris foi minucioso em sua descrição da guerra, James Clavell foi microscópico em sua narrativa sobre um campo de prisioneiros. Novamente o romance foi inspirado na biografia do autor, mas Clavell foi muito mais profundo ao mergulhar na psique dos personagens e na total falta de dignidade humana durante uma guerra.

3) OS NUS E OS MORTOS
Esse sim, é imbatível! Quando foi lançado, os críticos disseram ser o melhor livro desde “Guerra e Paz” do Tolstoi (opinião reforçada pelo próprio Mailer, que nunca foi muito modesto). Esse livro tem toda a ação de “Grito de Guerra” e muito mais, e tem também a riqueza psicológica de “Changi”. Mas seu mérito maior é demonstrar cabalmente como a guerra é sobretudo uma atividade estúpida, e que não há mérito nem glória no derramamento de sangue.


  
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Aproveito para convidar você a conhecer o livro O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:

Blog:
http://sincronicidio.blogspot.com/
 
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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
LEIA AGORA (porque não existe outro momento):

domingo, 3 de junho de 2012

CHANGI – James Clavell



James Clavell possui o inegável e raro talento de realmente transportar o leitor para dentro de sua história. Desde o momento em que li a primeira página desse impressionante relato, e até chegar ao final, a cada vez que abria o livro era como se o tempo e o espaço fossem magicamente distorcidos para me levar até o campo de prisioneiros de Changi, em Singapura, durante a Segunda Guerra Mundial.

“Changi” é o título em português para essa obra que no original chama-se “King Rat” (“Rei Rato”). Ao pesquisar agora na Internet, descobri que o autor efetivamente foi capturado durante a guerra e aprisionado no campo de concentração japonês de Changi. Isso explica muita coisa: a vívida intensidade da narrativa, a riqueza na descrição de detalhes e situações, o profundo conhecimento demonstrado pelo autor a respeito da alma japonesa, demonstrado também em outros livros, dos quais li e adorei “Xogum”.

“King Rat”, publicado em 1962, foi o romance de estreia de Clavell. Melhor que esse, a respeito da segunda guerra, só posso citar “Os Nus e os Mortos”, também uma colossal estreia, escrito por Norman Mailer. Os dois livros demonstram de forma eloquente a estupidez imensa, o desperdício gigantesco, o horror incomensurável da guerra. Duas grandes obras da literatura mundial!

A contracapa da edição que li traz um excelente resumo da história:

“Durante a Segunda Guerra Mundial o bastião inglês na Ásia era Singapura. A queda da cidade significou a perda das Índias Orientais – e dos exércitos Aliados. Cerca de 150.000 jovens soldados foram capturados e apenas um em cada quinze iria sobreviver aos longos três anos e meio até o dia da Vitória.



Ambientado em Changi, o mais famoso campo POW [de “prisioner-of-war”, prisioneiros de guerra] na Ásia, KING RAT é uma heróica história de sobrevivência. Este relato adaptado para a ficção vem de um mestre na arte de contar histórias que atravessou esses anos como um jovem soldado.
KING RAT mostra como apenas um homem em cada quinze teve a força, a sorte ou a esperteza que significavam sobrevivência, porque apenas um homem era Rei [King]... e porque ele era um americano.”

Um extrato de crítica do New York Times também me chamou a atenção:

“James Clavell é um observador brilhante...”

Isso é muito significativo! Essa é uma história que passa muita veracidade, porque James Clavell soube realmente enxergar por detrás dos horrores e sofrimentos, para então devassar as motivações, fraquezas e grandezas humanas.

Um livro forte e inesquecível!


A pesquisa na Internet trouxe ainda uma curiosidade: James Clavell foi também um bem sucedido diretor de cinema, tendo feito os clássicos “Ao Mestre com Carinho” e “A Mosca da Cabeça Branca” (que depois foi refilmado como “A Mosca”).


quarta-feira, 20 de julho de 2011

A sociedade literária e a torta de casca de batata



Autoras: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Editora Rocco - Ano: 2009 - 304 páginas
Tradutor: Lea Viveiros de Castro

Juliet Ashton recebe uma carta de um desconhecido das ilhas Guernsey e inicia uma troca de correspondência com personagens da ilha. Ali, encontra novos amigos e descobre vidas transformadas pela guerra, vidas nas quais os livros tiveram um papel fundamental para a sobrevivência e a manutenção de um resquício de dignidade durante a ocupação alemã.

Como aparece no site da Cultura: “é uma celebração da vida através da literatura”.


Comentários toscos de uma tarde de domingo

Tenho quatro personalidades bem definidas dentro de mim. E elas se intercalam rigorosamente, sempre na mesma ordem. Cada vez mais me convenço de que não tenho personalidade, tenho carga hormonal. Uma semana sensível, outra deprimida, a próxima agressiva e, depois, uma alegria tonta, sem nexo. Se for sincera, direi que não há nexo em nada disso.

Vocês devem estar se perguntando por que inventei de fazer uma confissão particular ao invés de formular opiniões sobre “A sociedade literária e a torta de casca de batata”. Bom, essa confissão tem certa lógica e explica algumas variáveis na minha ideia sobre o livro.

O problema é que comecei a leitura como uma senhora sensível e solidária com o mundo. E terminei os últimos capítulos em plena crise de depressão. Acreditem, isso influencia uma crítica. Aliás, quando penso na influência dos sentimentos sobre as críticas, deduzo que as palavras são quase obra do acaso e devem ser relevadas, relevadas, relevadas... Talvez a mudez seja uma boa alternativa, mas ela é inviável no caso da Márcia, sou um ser classificado como “tagarela”. Mesmo muda, meus gestos falariam por si e enlouqueceriam as pessoas.

Sobre as primeiras 253 páginas, posso dizer: amei. Eu lia e a impressão era de que os episódios tinham sido vividos por pessoas sentadas no sofá da minha sala: chorei ao receber uma barra de sabão, li as notícias em folhas de jornal velho cuidadosamente alisadas, tive ataques de riso com as reuniões literárias, meu estômago embrulhou com os mortos, senti dor, fome, medo, fiquei seduzida com o estilo ao mesmo tempo arrogante e atencioso de Mark, queria um Dawsey cuidando de mim, queria ser cuidada, queria cuidar, fazer parte. Sem dúvida, tive vontade de juntar as tralhas e me mudar para a ilha. Meu coração aqueceu, vi que ainda podíamos ser solidários e que a felicidade era uma estranha mistura de dor, força, livros e amigos. Fui dormir embalada.

No dia seguinte, acordei mal. Tomar banho, trocar de roupa, sorrir para as pessoas, difícil, muito difícil. Em algum momento daquela noite minha personalidade nº 02 assumiu. Fazer o quê? Coloquei a máscara nº 05, perfeita para esses dias, e fui ser uma profissional competente, que a vida cobra e não está nem aí para choramingas.

No ônibus, retomei a leitura: cartas perdidas numa lata de biscoitos? Cadê a minha história? Trocaram meu livro? Que brincadeira esquisita foi essa? E aquela linguagem, o que tinha acontecido? Fui dormir com um romance meigo e profundo e acordei com um best-seller quase “Nora Roberts”?????

Resumindo: da página 254 para o final, salvo alguns momentos, o texto cai... Senti-me quase traída.

Tudo bem, desde o início havia toques de best-seller, algumas colocações meio frase feita, situação criada demais, personagens estereotipados, cartas enviadas num dia e respondidas com uma rapidez que sequer hoje conseguimos, imaginem naquela época, mas tudo encaixando dentro do clima fábula que parecia ser a proposta, uma pequena história triste, porém positiva sobre a vida. Não tirava o encanto, pelo contrário, tornava a leitura ágil e leve e parecia necessário para que pudéssemos ouvir tanta tristeza sem desabar.

Ao final, ficou a dúvida: realmente cai ou já era assim e a Márcia sensível não viu? Não cai e a Márcia deprimida é que perdeu a capacidade de se comover com as situações? Sei lá, sei lá...

Vou esperar para ouvir as opiniões. O que posso dizer é que as primeiras páginas me encantaram completamente, como uma narrativa deve encantar: chorei, ri, me comovi. Perfeito... Até a página 254... Depois, não me responsabilizo.. Acho que ele cruza a linha e cai no espaço do best-seller comum, comum.

Recomendo, é apaixonante. E o final? Bom, o final a gente lê rapidinho e logo esquece. As primeiras 254 páginas compensam e compensam muito.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O homem do castelo alto - Philip K. Dick


Vencedor do Prêmio Hugo de Ficção Científica em 1962, este livro há muito atiçava a minha curiosidade. Obra comparada a “O Aleph” de Borges, tornou-se para mim de leitura obrigatória.

Já havia visto e lido Blade Runner, que adorei e também assistido a O Vingador do Futuro, que passava bem por uma boa sessão com pipocas. A orelha do livro já revelava o poderia ser um dos enredos mais criativos que li: “A Segunda Guerra Mundial foi vencida pelo eixo Alemanha, Japão e Itália. O continente africano foi praticamente aniquilado e os negros escravizados. Os judeus também se encontram seriamente ameaçados de extermínio. Porém, numa completa inversão de valores, uma mulher, por meio da leitura de um livro clandestino, vislumbra um mundo onde os nazistas perderam e Hitler está morto”.

Em minha modesta opinião isso só poderia ser sucesso. A obra de Dick e em especial esta é fonte de Matrix e Lost, com sua pergunta crucial: “O que é realidade?” Portanto antecipa estas que são sucesso, não pode-se negar. Mas, infelizmente, ela não conseguiu mexer comigo. O começo se mostrou arrastado e assim fui levando a leitura e não o contrário.

O livro me parece ter apenas uma visão lateral, muitas vezes perdendo o foco, divagando em uma filosofia junguiana, sem objetividade, sem ganchos, apenas um clímax simples, parece mais um conto esticado. Me peguei procurando filosofia, para acompanhar o raciocínio, tentado apreciar a obra por outro ângulo. Me atrevi a enxergar uma pequena célula do que poderíamos tomar como o início da pirataria. Ou ainda pitadas de religião e seu pecado original, onde todos já nascemos condenados, destino pré-determinado.

Há no final do livro um estudo sintético da obra e vida de Dick, feito pelo competente tradutor Fábio Fernandes, em que o autor se define desta maneira:

“Sou um filósofo que faz ficção, não um romancista; minha capacidade de escrever histórias e romances é empregada como um meio para formular minha percepção. O núcleo de minha escrita não é arte, mas a verdade. Logo, o que digo é a verdade, e não posso fazer nada para aliviá-la, nem por atitude nem por explicação”.

Caso eu já tivesse lido isso haveria de ter me poupado muitos dos dissabores que encontrei. Talvez tivesse lido a obra com uma outra visão, sei lá. Na maioria das vezes me parece que o autor está dopado. Certa vez vi na Internet uma HQ feita por Robert Crumb intitulada “A experiência religiosa de Philip K.Dick”, que narra um fenômeno acontecido com Dick e que o mesmo afirma ser real, sendo que após esta manifestação originou-se um dom e o mesmo passou a sentir o mundo de uma outra forma, teve uma visão de que a realidade em que vivemos é falsa, apenas uma casca. Esta HQ deve estar por aí, procurem-na e quem achar o link posta pra gente. A conclusão de tudo deixo a cargo de vocês!

Por fim descobri um livro cheio de referências, em que não se conclui nada, não existem soluções. Apenas para fãs arrebatados do obra de Dick ou de psicologia.

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