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segunda-feira, 8 de junho de 2020

LIVRO DO APOCALIPSE



Anos atrás, tomei a decisão de ler todos os livros do Novo Testamento. Comecei lendo os quatro evangelhos, durante meu período diário de meditação. Ao começar os Atos dos Apóstolos, contudo, fui experimentando uma dissonância que só cresceu quando cheguei às cartas de Paulo. E foi assim que minha leitura devocional se tornou crítica, e fui tomado pela assombrosa descoberta de que boa parte das pessoas que hoje se consideram cristãs estão na verdade seguindo os ensinamentos de São Paulo. Agora, ao terminar essa custosa leitura, voltei a refletir sobre essas estranhas contradições entre os ensinamentos de Jesus Cristo e as sucessivas deturpações que esses ensinamentos foram sofrendo ao longo dos séculos. Chego a pensar que o problema todo começou com Paulo: ao permitir interpretações e extrapolações da mensagem de Cristo, a Igreja foi lentamente se afastando do cristianismo original, a ponto de admitir cristãos queimando hereges durante a Idade Média e, em pleno século XXI, cristãos fazendo arminha e adorando ideários fascistas. Se dependesse de mim, ficaríamos apenas com os quatro evangelhos, ou menos que isso: bastam o sermão da Montanha e os dois mandamentos que Jesus nos deixou (“amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”) para nos manter bem ocupados durante toda a vida, e além.

Nessa leitura que fiz anos atrás, ao chegar ao livro do Apocalipse eu estava começando a ler “A Ciência Sagrada” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/05/a-ciencia-sagrada-swami-sri-yukteswar.html), de Swami Sri Yukteswar, maravilhosa obra que se propõe a demonstrar que existe uma mesma Verdade por trás dos ensinamentos da Bíblia cristã e das escrituras hindus. Como o livro começava citando trechos do livro do Apocalipse, me decidi a só empreender a leitura do último livro da Bíblia depois de percorrer todas as páginas de “A Ciência Sagrada”. Contudo esse acabou se revelando o livro mais complexo que tive a oportunidade de ler, e li a primeira metade nada menos que cinco vezes, a cada vez retornando ao começo por achar que ainda não havia compreendido por completo. Nesse longo processo os meses foram se transformando em anos. Em 2020, afinal terminei a leitura dessa grande obra-prima de sabedoria (que pretendo reler uma vez por ano), e então me lembrei do livro do Apocalipse. Por uma estranha sincronicidade, portanto, li o livro das Revelações justamente em plena pandemia do Covid-19, que muitos têm interpretado como inequívocos sinais do iminente Apocalipse.

É muito significativo que a palavra “apocalipse” nos evoque imagens do fim do mundo. Contudo o significado original da palavra grega é simplesmente “revelação”. Trata-se de um texto de imagens muito vívidas e impactantes, que uma interpretação literal poderia realmente transformar em um roteiro hollywoodiano para o Juízo Final. Auxiliado pelas chaves fornecidas pela leitura de “A Ciência Sagrada”, entretanto, pude vislumbrar muitas passagens que podem ser interpretadas à luz da yoga, como o persistente simbolismo dos números sete (os chakras ou centros energéticos do corpo) e vinte e quatro (os atributos da Natureza).

Essas chaves, confesso, não me permitiram devassar os significados ocultos do livro do Apocalipse, cujo hermetismo vem desafiando os estudiosos ao longo dos séculos. Contudo essa primeira leitura me deixou com duas fortes impressões: 1) trata-se de um texto simbólico e não literal, como aliás boa parte da Bíblia e 2) fala de nossa vida hoje, e não do fim do mundo. Para exemplificar essas impressões, limito-me a citar a célebre passagem dos “Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, que ao menos em minha leitura pareceram falar muito mais sobre a vida material, sobre o dia a dia, que sobre figuras míticas cavalgando pelos céus no dia do Juízo. Esses quatro cavalos de que fala o apóstolo João, ao meu ver, relacionam-se com os quatro sofrimentos da vida descritos pelo Buda.

Assim como o Reino dos Céus está dentro de cada um de nós, conforme ensina Jesus, creio que também o Apocalipse (Revelação) é um caminho iniciático a ser trilhado no interior de cada ser humano. O Apocalipse é aqui e agora.


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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

Fique à vontade para repassar o arquivo para amigos e parentes.

Leia ou baixe todo o livro no link abaixo:

Link do livro no SKOOB:

Book trailer


Entrevista sobre o livro na FM Cultura




sexta-feira, 22 de maio de 2020

AS VIDAS DE CHICO XAVIER – Marcel Souto Maior



Li esta esplêndida biografia de um dos maiores brasileiros de todos os tempos ao longo de vários meses, junto com minha esposa Fabíola, ao ritmo de poucas páginas por dia. E hoje finalmente encerramos a leitura, com o coração transbordando de gratidão pela linda existência de Mahatma Chico Xavier. Que bom, nos tristes dias que correm, ter um belo e digno motivo para sentir orgulho de ser brasileiro!

A história de Chico Xavier é contada com muita propriedade pelo jornalista Marcel Souto Maior, que dosa na medida certa passagens profundamente tocantes e episódios hilários, sem deixar de abordar de forma transparente as inúmeras polêmicas que fizeram parte da vida do grande médium. Muitos foram os aprendizados que tivemos ao longo dessa leitura, objetos de muitas conversas e reflexões. Dentre esses tantos, decidi destacar dois como mais marcantes:

1) A dura jornada até o topo
Como foi sofrida a vida de Chico Xavier! A vida dos santos (utilizo a palavra “santo” em sua acepção sânscrita original que significa “devoto, alguém que ama Deus”) é geralmente pontuada por provações além do que um mortal comum seria capaz de suportar. Contudo esses grandes homens e mulheres não se deixaram abalar por essas provações, mantendo sua alegria interna inabalável. Um exemplo sublime disso é uma anedota muito apreciada por Chico, que mostra Santa Teresa D’ávila quase se afogando em um rio quando tem uma visão do Cristo, que lhe diz: “É assim que trato meus amigos”. Ao que a santa responde, bem-humorada como sempre: “É por isso que os tende tão poucos”.

2) Se você acha que está entendendo tudo, é porque não entendeu nada
Tudo o que diz respeito à espiritualidade (e tudo diz respeito) é marcado sempre por um elemento que escapa às nossas vãs tentativas de racionalização. Uma característica fundamental do ser humano é tentar compreender e explicar o mundo que o cerca. Contudo a espiritualidade é muito mais ampla do que podemos captar com nossos sentidos limitados e nossa ridícula inteligência. Por isso em todo caminho espiritual sempre existe algo que desafia a explicação, uma conta que não fecha, uma pergunta que resiste a ser satisfatoriamente respondida. Esse é, creio, um lembrete muito válido para todo sincero buscador.


O livro “As Vidas de Chico Xavier” foi uma das principais fontes para o belo filme de Daniel Filho (https://youtu.be/-GQOtVVHW1E).


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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

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Entrevista sobre o livro na FM Cultura



sábado, 9 de maio de 2020

A CIÊNCIA SAGRADA – Swami Sri Yukteswar



Agradeço a Deus pela oportunidade que meus olhos tiveram ao contemplar a sabedoria inesgotável contida nas páginas desse abençoado livro, “A Ciência Sagrada”! Essa obra foi encomendada a Sri Yukteswar pelo próprio Mahavatar Babaji, que lhe incumbiu de demonstrar, através de citações paralelas, a unidade fundamental entre o hinduísmo e o cristianismo.

Logo na introdução somos brindados por uma dádiva imensurável. O grande sábio demonstra de forma detalhada e precisa que não estamos mais na Kali Yuga ou Idade das Trevas, mas já avançando na era seguinte de Dwapara Yuga, mais precisamente, nesse 2020 d.C., em 320 Dwapara. Como pretendo ler esse livro maravilhoso ao menos uma vez por ano daqui para frente, dedicarei essa primeira resenha apenas a essa questão das eras.

Por que é tão importante estarmos em Dwapara e não em Kali? Essa terminologia, a princípio, só faz sentido para pessoas familiarizadas com os textos védicos. Contudo o significado por detrás dessas expressões é relevante para qualquer honesto buscador da Verdade, independentemente de sua orientação religiosa.

Boa parte das pessoas que sabe o que são as Yugas (eras) acredita que estamos vivendo hoje em Kali Yuga, uma era em que a consciência do homem é capaz de apreender apenas a matéria grosseira. É marcada pela ignorância, pela violência e pelo domínio masculino. De acordo com essa proposição, que Sri Yukteswar demonstra estar equivocada, a humanidade teria pela frente nada menos que 400 mil anos de escuridão, ignorância e violência. Uma perspectiva por demais sombria.

Swami Sri Yukteswar explica como as Yugas estão relacionadas com o ciclo astronômico conhecido como precessão dos equinócios e com a aproximação de nosso sistema solar do centro da galáxia. Em resumo, a cada 24.000 anos o sol se aproxima e se afasta do centro da Via Láctea, determinando movimentos cíclicos de ascensão e declínio de consciência para a humanidade.

Assim, a Kali Yuga dura na verdade 1.200 anos na fase descendente, mais 1.200 na fase ascendente. O último ciclo de Kali Yuga se deu entre o ano de 700 a.C. até 1700 d.C., com o ponto mais baixo da consciência humana ocorrendo por volta de 500 d.C. Não por acaso, só para exemplificar, esse período coincide com a Idade Média.

Na Dwapara Yuga o homem começa a acessar a realidade elétrica da matéria. É um período de grande avanço da ciência e de muitas invenções que “demonstram a ilusão da distância”. Acho que essa expressão das escrituras hindus descreve de forma poética, mas bastante acurada, invenções como o automóvel, o avião, o rádio, o telefone, a televisão, a internet... Além disso, Dwapara Yuga é marcada pela ascensão das mulheres ao poder. Louvado seja Deus por isso, algo que já começamos a ver acontecendo em nossos dias.

Poderia continuar falando sobre esse tema indefinidamente, e ainda estou me referindo apenas à introdução de “A Ciência Sagrada”. Recomendo de todo coração a leitura desse maravilhoso livro. Jai Paramguruji!



  
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FAVELA GÓTICA liberado na íntegra no site da Verlidelas Editora:

Durante esse período de pandemia, em meio a tantas incertezas, temos uma única garantia: a de que nada será como antes. Estamos todos tendo a oportunidade preciosa de participar ativamente na reconstrução de um mundo novo, mais luminoso e solidário.

O livro Favela Gótica fala justamente sobre “a monstruosidade essencial do cotidiano”, em uma história cheia de suspense, fantasia e aventura. Ao nos tornamos mais conscientes das sombras que existem em nossa sociedade, seremos mais capazes, assim como a protagonista Liana, de trilhar um caminho coletivo das Trevas para a Luz.

A versão física de Favela Gótica está à venda no site da Verlidelas, mas – na tentativa de proporcionar entretenimento a todos durante a quarentena – o autor e a editora estão disponibilizando gratuitamente, inclusive para download, o PDF de todo o livro.

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Entrevista sobre o livro na FM Cultura

  

domingo, 5 de abril de 2020

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO – Volume I – Paramahansa Yogananda



Gratidão à Mãe Divina pela dádiva que essa obra representa para a humanidade! Todos os autênticos buscadores, quer se considerem cristãos ou não, deveriam aplacar sua sede espiritual nos preciosos ensinamentos contidos nesse livro.

Os três volumes de “A Segunda Vinda de Cristo” constituem, junto com os dois volumes de “Deus Fala com Arjuna”, a quintessência da herança espiritual de Paramahansa Yogananda. Considero essas duas obras verdadeiros “mapas do Céu”, uma cartografia minuciosa e detalhada da caminhada espiritual que cada um de nós deve trilhar para alcançar a meta fundamental da existência: a realização do Ser.

Não é à toa que Yoganandaji tenha dedicado a fase final de sua encarnação à redação dessas magnas obras, cujo colossal trabalho de edição consumiu décadas de esforço até que finalmente pudessem vir a público, somente em anos recentes – certamente, não por acaso.

Para acessar as sublimes revelações que compartilhou conosco, o grande Guru entrava em profunda meditação e, a partir do elevado estado de consciência vivenciado em nirvikalpa samadhi, examinava as estrofes do Bhagavad Gita (para escrever seu magistral “Deus Fala com Arjuna”) e os versículos dos evangelhos (para interpretar à luz da Yoga os ensinamentos de Jesus, nessa divina “A Segunda Vinda de Cristo”).

Não me sinto capaz de tecer comentários sobre obra de tal magnitude. Só posso agradecer a Deus e ao Guru pela experiência inesquecível de ter percorrido essas sagradas páginas. E encerrar com o vívido testemunho de Sri Daya Mata sobre Yogananda na época em que escreveu “A Segunda Vinda de Cristo”:

Paramahansaji começou a ficar mais e mais em reclusão em um pequeno ashram no Deserto Mojave, devotando o máximo possível do tempo que lhe restava a finalizar seus escritos. Aqueles períodos de concentração na mensagem literária que ele desejava deixar para o mundo foram uma época privilegiada para aqueles de nós que podiam estar em sua presença. Ele estava completamente absorvido, completamente um com as verdades que percebia dentro de si e expressava exteriormente. “Ele veio para o pátio por alguns poucos minutos”, rememorou um dos monges que estava trabalhando nas cercanias do retiro de Paramahansaji. “Seu olhar era incalculavelmente remoto, e ele disse para mim: ‘Os três mundos estão flutuando dentro de mim como se fossem bolhas’. O puro poder que emanava dele na verdade me empurrou vários passos para trás.”
Outro monge, depois de entrar na sala onde Guruji estava trabalhando, disse: “A vibração naquela sala era inacreditável; era como caminhar até Deus.”

Jai Guru! Cristo Om!





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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590


sábado, 15 de fevereiro de 2020

AS PALAVRAS OCULTAS – Bahá’u’lláh



Bahá’u’lláh foi o nome adotado pelo iraniano Mírzá Husayn-'Alí (1817-1892) ao proclamar ser o Mensageiro Divino anunciado nas profecias e ao fundar a Fé Bahá'í. “As Palavras Ocultas”, escrito em 1858, foi descrito pelo autor como contendo os versos revelados a Fátima, filha do fundador do Islã Maomé, pelo Espírito Santo personificado no Arcanjo Gabriel.

O livro é dividido em duas partes, Árabe (com 71 versos) e Persa (82 versos), dentre os quais reproduzo o verso 44 do Persa, que me marcou especialmente:

“Ó COMPANHEIRO DE MEU TRONO!
Nenhum mal deves tu ouvir, nem ver; não te rebaixes, nem suspires, nem chores. Nenhum mal deves falar, para que não o ouças falado a ti; nem aumentes as faltas alheias, a fim de que as tuas próprias não se afigurem grandes. Não desejes a humilhação de ninguém, para que não se torne evidente a tua própria humilhação. Vive, pois, os dias de tua vida, os quais são menos de um momento fugaz, mantendo sem mancha a tua mente, imaculado teu coração, puros teus pensamentos e santificada tua natureza, de modo que, livre e contente, possas abandonar essa forma mortal, recolher-te ao paraíso místico e habitar, para todo o sempre, no reino eterno.”

Tais ensinamentos, como praticamente tudo o que li nessa bela obra, poderiam perfeitamente ter sido pronunciados (com pequenas diferenças de linguagem) por Jesus, Krishna ou Buda. É muito reconfortante e inspirador confirmar, vez após outra, que todas as religiões foram fundadas sobre as mesmas verdades essenciais. Perceber a unidade fundamental por trás das diferenças superficiais é trilhar de fato o caminho ensinado pelos grandes mestres. Toda briga em nome de Deus nasce apenas da cegueira do ego, e só pode conduzir ao sofrimento e à ignorância.

Essa percepção de que todas as religiões falam do mesmo e único Deus, cada uma a seu modo, deveria ser como um farol a guiar o caminho na interpretação das escrituras de todas as religiões. Confio que será assim que as pessoas estudarão os textos sagrados, em um futuro não muito distante. Essa abordagem plural pode nos livrar de grandes perigos.

Por exemplo, se consideramos o Verso 45 (e os dois seguintes) da parte Árabe, sem fazer uma referência cruzada a outras escrituras, podemos ser levados a interpretações radicalmente opostas:

“Ó FILHO DO SER!
Busca a morte de mártir em Minha senda, satisfeito com Meu prazer e grato por aquilo que Eu ordeno, para que Comigo possas repousar, sob o dossel da majestade, atrás do tabernáculo da glória.”

Uma interpretação literal desse verso pode levar a grandes erros. Contudo consideremos uma famosa fala de Jesus: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa, este a salvará.” (Lucas 9:24, e também Mateus 16:25 e Marcos 8:35). Aí teremos condições de interpretar sob nova e auspiciosa luz o conceito do Jihad, a “Guerra Santa”, que deveria ser travada no interior de cada homem (exatamente como a guerra descrita no Mahabharata hindu), entre seu lado egóico e seu lado divino. E não, de modo algum, uma guerra entre “fiéis e infiéis”. Seria um Deus muito pequeno alguém que desejasse que os homens se matassem (ou mesmo se ofendessem) em Seu nome.

Detalhe: por grande sincronicidade, li esse livro logo após assistir à excelente série “Messiah” (https://www.netflix.com/br/title/80117557) no Netflix.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O REI AVATARA – Swami Prabhupada



Sempre é uma linda e abençoada oportunidade travar contato com a inspiradora história de Sri Rama. Essa grande encarnação da Sabedoria manifestou-se na Terra em tempos remotos, deixando o imperecível exemplo das virtudes e conduta de um homem perfeito.

A primeira parte de “O Rei Avatara” traz um belo resumo da saga do príncipe Rama para resgatar sua amada Sita, sequestrada pelo rei demônio Ravana. Essa maravilhosa narrativa, repleta de seres fantásticos e grandiosas batalhas, constitui o “Ramayana”, uma das principais escrituras hindus (como primeiro contato, sugiro a versão em desenho animado: https://youtu.be/06fKLllYaJI).



Muitos consideram o “Ramayana” um texto  puramente simbólico. Contudo em 2002 imagens de satélite da NASA revelaram o que ficou conhecido como a “Ponte de Rama” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Ad%C3%A3o), que sugere evidência histórica para um dos trechos mais incríveis do “Ramayana”: a travessia do oceano pelo Senhor Rama e seu exército de macacos.

A segunda parte do livro traz a interpretação de Swami Prabhupada, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), para o “Ramayana”. Esse trecho foi fonte de grande aprendizado para mim, seja onde encontrei preciosos ensinamentos, seja onde guardei respeitosa discordância.

O livro encerra com “Os Deveres de um Líder Político segundo as Escrituras Sagradas”, com verdadeiras pérolas dentre as quais pincei:

“O rei tem que considerar que seu principal dever é servir seus cidadãos. Ele deve protegê-los assim como uma mãe protege a criança em seu ventre. Alguma mãe pensará em gratificar-se enquanto o filho está em seu ventre? Todos os pensamentos dela estarão voltados para a criança e para o bem-estar da mesma. Da mesma forma, o rei deve subordinar todos os seus desejos e vontades e buscar atender àqueles de seus cidadãos. O bem-estar deles deve ser o seu único interesse.”
(Mahabharata 12.86.24)

“O melhor rei é aquele cujos cidadãos vivem em liberdade e alegria como se estivessem na casa do próprio pai. A paz estará com eles, bem como a satisfação. Assim, não haverá qualquer perversidade, ambição, desonestidade ou inveja. O âmago do dever de um rei é a proteção de seus cidadãos e a felicidade deles. Não se trata de algo fácil. Para garantir a felicidade de seu povo, ele deve recorrer a diversos métodos.”
(Mahabharata 12.86.24)

“Os fracos e oprimidos, os cegos, os surdos, os aleijados, os órfãos, os idosos, as viúvas, os doentes e os aflitos devem receber alimento, vestes, medicamentos, abrigo e demais necessidades.”
(Mahabharata 12.86.24)

Jai Sri Ram!





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Agora disponível gratuitamente no Wattpad, LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.


LABIRINTO CIRCULAR


ISSO TUDO É MUITO RARO


sábado, 18 de janeiro de 2020

APENAS DEUS – Irmã Gyanamata



“Não há espiritualidade sem heroísmo.”
Irmã Gyanamata

Li com reverência e gratidão as preciosas páginas desse livro, uma ou duas a cada dia, procurando absorver ao máximo a profunda sabedoria dos ensinamentos ali contidos. Gyanamata foi uma das discípulas mais avançadas de Paramahansa Yogananda, que disse a seu respeito: “Ela deixou pegadas espirituais para todos seguirem”.

Foi exatamente essa a impressão que tive lendo as cartas e o diário pessoal de Irmã Gyanamata: a de estar acompanhando os passos de alguém que alcançou alta e rara percepção de Deus. Seguramente um dos melhores livros que li na vida!


Se eu tivesse que resumir essa leitura em uma única palavra, essa seria “humildade”. A princípio estranhei a frequência e a intensidade com que a Irmã fustigava a si mesma, depreciando-se com ásperas palavras de autorrecriminação. Curiosamente, só fui entender isso um pouco melhor com a leitura da vida de outro grande santo (em sânscrito, a palavra “santo” significa “devoto, alguém que ama a Deus”), o brasileiro Chico Xavier, que possuía o mesmo hábito de se diminuir, chegando muitas vezes a se apresentar como “Cisco Xavier”.

Ocorre que uma das principais armadilhas de todo caminho espiritual é a vaidade. Não é preciso ser Chico Xavier ou Irmã Gyanamata para experimentar esse teste: basta fazer qualquer pequeno progresso espiritual (tal como passar a frequentar algum grupo religioso, iniciar uma prática de meditação ou mesmo conseguir abandonar algum mau hábito) para nos sentirmos cheios de sabedoria e virtude, maiores, melhores e mais perfumados que todos ao nosso redor. Para aplacar as marolas que essas pequenas realizações provocam em nossas restritas consciências, nada melhor que o exemplo de mentes oceânicas como as de Chico e Gyanamata, que permanentemente combatiam o ego para melhor poder expressar o Eu.

O título original dessa incrível obra é “God Alone: The Life and Letters of a Saint”. Lamentavelmente, parece que não se encontra disponível em português. O exemplar que li, recebi das mãos de minha amada madrinha de casamento na SRF, Beatriz, uma tradução não oficial feita por discípulos de Yogananda em Salvador há mais de vinte anos. Era a encadernação xerocada de um original datilografado! Isso tornou a leitura mais especial e saturada de devoção, ainda mais quando eu soube que o responsável pela datilografia foi o saudoso Arismar, pai de meu querido Manoji, Axel Guedes.

Jai Guru!

“Aja como faz quando quer iluminar um quarto escuro. Você não briga com a escuridão. Simplesmente introduz a luz, e as trevas se dissipam.”
Irmã Gyanamata



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

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domingo, 1 de dezembro de 2019

50 ANOS DEPOIS – Chico Xavier



Obra psicografada, ditada pelo mentor de Chico Xavier, Emmanuel, que é uma espécie de continuação de “Há Dois Mil Anos”, onde ficamos conhecendo a história de Publius Lentulus, encarnação de Emmanuel que foi contemporânea a Jesus. “50 Anos Depois” mostra que o orgulhoso senador romano reencarnou como um escravo, o sábio Nestório. Mas a protagonista dessa história é a jovem Célia, que se converte ao cristianismo e o vivencia plenamente, em uma vida de sacrifício e altruísmo dedicada a colocar em prática os ensinamentos de Jesus.

Essa leitura me marcou muito, e reforçou minha convicção de que as obras psicografadas não se destinam tanto a registrar fatos históricos precisos, mas antes a apresentar verdades espirituais de forma simbólica e com a atraente roupagem de histórias romanceadas. Foi muito interessante deparar com uma narrativa que do ponto de vista da ficção seria altamente inverossímil e que como fato histórico desafia toda suspensão da descrença, mas que faz pleno sentido como um edificante ensinamento de cunho espiritual.

[Atenção: o trecho a seguir pode ser considerado SPOILER.] A história de uma moça que passa a vida disfarçada como homem até é crível, e encontra respaldo na vida de Santa Marina, que apresenta curiosas semelhanças com alguns pontos da narrativa de “50 Anos Depois”. Contudo, tive muita dificuldade em aceitar que uma gravidez passe totalmente despercebida por um marido ou pai, que no dia anterior ao parto convive com a esposa ou filha, aceitando como factível que no dia seguinte exista um filho ou neto a mais na família... Essa situação só adquiriu sentido para mim quando imaginei a história sendo ditada por um espírito desencarnado e sintonizado em questões bem mais sutis e sublimes, estando por esse motivo propenso a cometer esses deslizes ao narrar uma trama envolvendo essas rudes minudências da carne... [fim do trecho com possível SPOILER].

A sensação que tive ao ler esse livro foi semelhante à proporcionada pela leitura de “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, outra obra de Chico Xavier, ditada pelo espírito de Humberto de Campos. Penso que são livros repletos de sabedoria e verdades espirituais, e que devemos lê-los imbuídos dessa percepção. Talvez seja um erro buscar nessas obras evidências de cunho histórico ou factual.



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
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terça-feira, 3 de setembro de 2019

A ESPIRITUALIDADE NOS RELACIONAMENTOS – Paramahansa Yogananda



Esse livro faz parte dos textos “apócrifos” de Yogananda, por não ter sido editado pela Self-Realization Fellowship, instituição fundada pelo próprio Yogananda para a difusão de seus ensinamentos. Alguns dos textos que encontrei aqui já havia lido em outras obras do Mestre, outros li pela primeira vez.

O que de imediato chama a atenção nessa edição é a foto escolhida para a capa, que captou de forma admirável o magnetismo do olhar do grande Guru. Sinto dificuldade em desviar os olhos desse olhar tão impregnado do conhecimento da Verdade – aliás, por que desejaria eu me desviar desse sublime darshan (benção espiritual que advém de contemplar um ser iluminado)?

Quanto aos textos, o foco é, como o título já mostra, como vivenciar os relacionamentos humanos de forma espiritualizada, seja nas amizades, nas relações com familiares, na relação de par e na relação com o mundo de modo geral.

“MEDITAÇÃO SOBRE A EXPANSÃO DO AMOR

Diga a si mesmo: ‘O império do meu amor tem de expandir-se. Amei meu corpo mais que a qualquer outra coisa. Por isso me identifiquei com ele e fiquei por ele limitado. O amor que tenho por esse corpo será estendido a todos quantos me amem. O maro expandido daqueles que me amam será por mim votado àqueles que são meus. O amor a mim mesmo e o amor aos que são meus pertencerão aos estranhos. De todo o coração amarei os que me detestam tanto quanto os que me amam. Banharei todas as almas em meu afeto desprendido. No mar do meu amor nadarão meus familiares, meus compatriotas, todas as nações, todas as criaturas. A criação inteira, as miríades de pequeninos seres vivos dançarão nas ondas do meu amor!’”

Jai Guru!


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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!
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domingo, 4 de agosto de 2019

BHAGAVAD GITA – tradução e notas de Huberto Rohden



Foi muito feliz essa leitura da tradução e comentários do pensador brasileiro Huberto Rohden (https://pt.wikipedia.org/wiki/Huberto_Rohden) ao sublime Bhagavad Gita.

Sempre é uma alegria inestimável retornar às páginas da belíssima “Canção do Senhor”. Penso que essa foi a quarta tradução do Gita que li, e a cada versão que leio descubro novas perspectivas, novos ensinamentos, pelo olhar diferenciado e pessoal que cada tradutor acaba imprimindo ao milenar texto védico.

Mais que a tradução em si, gostei especialmente dos comentários de Rohden, estabelecendo paralelos entre os ensinamentos de Krishna e os de Cristo. Essa foi uma das principais missões levadas a cabo pelo grande iogue Paramahansa Yogananda: mostrar ao mundo a unidade fundamental de todas as verdadeiras religiões.

Aliás, ao falar do Gita é impossível não mencionar que a tradução e os comentários mais abrangentes foram feitos por Yogananda, na obra “Deus Fala com Arjuna”, cujo primeiro volume foi recentemente lançado no Brasil. Os comentários de Yoganandaji ao Gita são puro néctar! Jai Guru!


O Grande Homem – no pensamento e na voz de Huberto Rohden



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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
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sábado, 11 de maio de 2019

LIMITE ZERO – Joe Vitale & Ihaleakala Hew Len



Tomei conhecimento do mantra Ho'oponopono por volta de 2006, a partir da incrível história do médico havaiano que curou toda uma ala de criminosos insanos em uma instituição psiquiátrica simplesmente repetindo inúmeras vezes essas quatro frases:

“Sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grato”

O princípio por detrás dessa cura foi que o médico havaiano assumiu total responsabilidade pela doença dos detentos, uma vez que isso chegou à consciência dele. Esse pressuposto foi expresso de muitas maneiras em diferentes tradições espirituais, sendo a que melhor resumiu, em minha opinião, foi a sabedoria simples do preto velho Vovô Pedro: “Se você vê, tem a ver”.

Pois então. Algo em mim reconheceu intuitivamente o valor desses ensinamentos, por mais estranhos que pudessem parecer. Decidi por em prática, recitando o mantra Ho'oponopono para lidar com situações e pessoas que estavam me desafiando emocionalmente. E os resultados superaram completamente as minhas maiores expectativas! Posso dizer, por experiência própria, que vi milagres ocorrerem em minha vida, graças ao Ho'oponopono.

De lá para cá venho recitando o mantra sempre que necessário e recomendando seu uso aos amigos. Mais recentemente descobri esse link para a oração original Ho'oponopono, que considero um verdadeiro tesouro:


Certamente não foi por acaso, portanto, que minha mãe ficou tão impactada por esse livro “Limite Zero”, que o enviou para que eu lesse – antes mesmo que ela própria terminasse a leitura! Confesso que se não fosse por essa expressa determinação de Mainha, o mais provável é que eu nunca teria chegado a ler esse livro, que segue explicitamente a fórmula do “livro de autoajuda norte-americano”, que me interessa muito pouco. Contudo, agora que findei a leitura, mesmo discordando do modo de apresentação das ideias, reconheço feliz os ensinamentos que recebi. Eu te amo, Mami. Sou grato!

Acontece que Joe Vitale foi a pessoa que escreveu o artigo sobre o médico havaiano, artigo esse que viralizou na Internet e tornou o Ho'oponopono conhecido mundialmente. E o doutor Hew Len, que assina o livro junto com Vitale, é ninguém menos que o tal do médico havaiano que curou seus pacientes sem sequer conversar com eles! Então, essa dupla está mais que qualificada para apresentar o sistema Ho'oponopono em forma de livro.


Resumindo muitíssimo minhas impressões da leitura:

* Ninguém sabe ao certo como funciona o Ho'oponopono, inclusive os autores do livro, que admitem isso abertamente. Um dos princípios norteadores do Ho'oponopono é que simplesmente não temos a menor ideia do que acontece ao nosso redor: a cada momento, temos consciência de 15 a 20 acontecimentos internos e externos, enquanto acontecem milhões deles dentro e fora de nós.

* Sabe-se apenas que o Ho'oponopono é um antigo sistema havaiano de solução de problemas, ancorado na ancestralidade e, ao meu ver, em sintonia com verdades espirituais muito profundas, sendo a principal delas a de que “eu sou responsável por tudo o que acontece comigo, a todo instante”.

* Ho'oponopono é principalmente um método de limpeza emocional, de purificação de memórias e sentimentos negativos. Um dos maiores ganhos que tive com essa leitura foi realizar introspecção e descobrir o quanto a minha mente é poluída por pensamentos negativos! Creio que isso não acontece apenas comigo: experimente ficar por alguns instantes simplesmente observando os pensamentos que passam por sua mente. Acredito que você se surpreenderá com a quantidade deles que você não se atreveria a expressar em voz alta!

* Perceber a mente como poluída é um passo na libertação da identificação do eu com a mente, e dois ou três passos na libertação da identificação do eu com o corpo. Realizar práticas de purificação da mente, como o Ho'oponopono ou a meditação, são passos para identificar o eu com a alma. Assim seja!


“A paz começa comigo.”
Morrnah Nalamaku Simeona (criadora do Ho'oponopono de Identidade Própria)





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MANIFESTO – Mensageiros do Vento
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5823590

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